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Next Gen dá as caras, mas falta um Grand Slam
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 19, 2019 às 1:31 pm

É claro que esta nova geração é bem vinda. Ainda mais com tenistas de grande talento e de um tênis bonito, como apresentaram Stefano Tsitsipas e Dominic Thiem, nesta decisão do ATP Finals de Londres. Mas em uma recente análise às repercussões da mídia internacional, ainda é forte a cobrança por um título de Grand Slam da chamada Next Gen.

Roger Federer, o recordista de títulos de Grand Slam, confessou em recente entrevista, em Buenos Aires, que prevê uma próxima temporada bastante exigente. É claro que confia em mais um troféu. Esteve muito perto disso, em Wimbledon. Mas vê o amadurecimento da nova geração, como ficou evidente no Finals de Londres. Aos 38 anos e três meses, o suíço foi o representante do “Big 3″ nas semifinais.

Campeão do Finals, Tsitsipas tem opinião diferente dá de Federer. O jovem tenista grego diz que que o formato dos Slams, com jogos em melhor de cinco sets, favorece aos jogadores do Big 3. E neste aspecto ele tem razão. Afinal, são poucas as oportunidades atualmente de se disputar partidas nesta condição. Até mesmo a Copa Davis agora está em melhor de três.

Ainda assim, sou de opinião que um título de Slam para o Next Gen está muito próximo e pode acontecer em 2020. Recentemente, no US Open vi de perto Daniil Medvedev reagir a dois sets abaixo para sonhar com a vitória em Nova York. Rafael Nadal, como sempre, renasceu das cinzas e levantou mais um troféu, em emocionante decisão.

Não se pode esquecer também que Thiem esteve por duas vezes na decisão de Roland Garros. E jogadores da nova geração conseguiram em Londres resultados brilhantes, como, por exemplo, Alexander Zverev que marcou sua primeira vitória sobre Nadal. Tudo isso prova que este grupo de tenistas realiza uma transição de sucesso para o mais alto patamar do circuito profissional.

O ranking ainda reflete o domínio dos trintões. A lista dos top ten tem Nadal, Djokovic e Federer. A seguir aparecem Thiem, Medevev, Tsitsipas, Zverev, Matteo Berretini e o sempre bem vindo intruso Gael Monfils.

Não há dúvidas de 2020 promete ser um ano repleto de emoções. E talvez com boas novidades também nos torneios do Grand Slam. Por sorte temos o privilégio de sermos contemporâneo de Nadal, Djokovic e Federer e ainda ter a oportunidade de ver o aparecimento de uma nova geração de talento e carisma.

 

 

Nova façanha de Federer, outra virada de Nadal e Zverev joga de vilão
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 15, 2019 às 10:17 pm

Aos 38 anos, Roger Federer coloca-se como único representante do ‘Big 3′ nas semifinais do ATP Finals de Londres. Resultado de mais uma façanha do incrível tenista suíço. Derrotou o favorito Novak Djokovic colocando fim a uma duradoura série de insucessos diante do sérvio. E agora, o que para muitos é o GOAT, ou seja, o melhor de todos os tempos, irá desafiar um dos mais jovens promissores do tênis mundial, o grego Stefano Tsitsipas.

A classificação de Federer no Finals, depois de estrear com derrota diante de Dominic Thiem, responde a uma frequente questão dos atuais tempos: a aposentadoria. Tenho em mente que o pendurar das raquetes irá caminhar de acordo com os resultados. Enquanto ele conseguir vitórias brilhantes como esta sobre Djokovic, indo as semifinais de uma competição acirrada como esta de Londres, não faltará motivação, nem mesmo razões para deixar as quadras. Acredito sim, se, por acaso, Federer começar a parar em primeiras rodadas, não conseguir viver os grandes momentos, seria então a hora de pensar em deixar o tour profissional. Embora, o também genial Pete Sampras tenha mostrado o contrário. O norte americano passou praticamente dois anos sem resultados expressivos e então ao conquistar mais um título do US Open viu que era o momento de se despedir no auge.

Por isso, não sei se Federer vai dizer adeus na Olimpíada, se irá despedir-se com mais um título de Slam. Acho, sinceramente, que também ele pensa em deixar o tempo correr e os resultados irão determinar seu destino.

Café da manhã – Em um passeio pelo rio Tâmisa, a BBC de Londres reuniu o “Big 3″ para um breakfast. Um dos assuntos foi aposentadoria, com a reporter inglesa diante de três jogadores com mais de 30 anos. E a pergunta de quanto pendurar a raquete surgiu de primeira, com a apresentadora olhando direto para Novak Djokovic, o que surpreendeu. O sérvio saiu-se pela ala diplomática, correspondendo a uma hipótese que invadiu os corredores do tênis, em que ele teria ironizado ao falar que só deixaria as quadras depois de Federer e Nadal. Elegante, como sempre, o tenista suíço assumiu a postura de principal alvo da pergunta e tomou conta do assunto. Legal a forma como argumentou. Disse estar em novo momento. Viajar em família, viver grandes emoções no tênis são ingredientes que alimentam sua alma e o fazem estar motivado para seguir em frente.

De repente, já que Federer falou em família, a reporter virou o assunto para Nadal, recém casado, e sobre a possibilidade de ser pai. Meio surpreso, o espanhol concordou que talvez agora seja um bom momento. Quem sabe um novo Nadalzinho ou Nadalzinha deva chegar em breve.

Em quadra “Daddy Rafa” certamente deixaria seus pimpolhos orgulhosos. Em mais uma virada sensacional no Finals de Londres, derrotou o grego Stefano Tsitsipas. Em clima de glória recebeu o troféu comemorativo por terminar o ano na liderança do ranking. Sentiu o peso desta façanha, ao recolocar o troféu no pedestal – é um pouco pesado demais, disse – e revelou o segredo de seu sucesso: muito trabalho.

Apesar dessa vitória, Nadal não ganhou vaga nas semifinais. E como deve ter sido duro para Alexander Zverev jogar de vilão. Seu adversário Daniil Medvedev até tentou tirar proveito desta situação, ao chamar a torcida para seu lado, em momentos vibrantes do jogo. Mas, ao final, prevaleceu o bom momento do alemão. E vamos combinar, Zverev mereceu este status. Em confronto direto com Nadal, ele venceu com categoria.

 

 

Outra vitória mágica de Nadal; e Tsitsipas brilha
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 13, 2019 às 9:57 pm

Certa vez o genial tenista, e hoje comentarista, John McEnroe viveu um momento de como queimar a língua. O sempre enfático norte-americano, conhecido falastrão, via da cabine do então estádio central do US Open, a quadra Louis Amstrong, o holandês Richard Krakicek sacando um tie break com vantagem de 5 a 0. Como se tratava de um dos maiores serviços da época, Big Mac não hesitou: “Se ele perder este tie break vou comentar o próximo jogo de cabeça para baixo”.

Antes da construção do estádio Arthur Ashe, a Amstrong era também um gigante. Mais de 20 mil lugares. Só que tudo cresceu ao gosto da necessidade e improviso. A media impressa – da qual fazia parte – sentava em banquinhos redondos e altos, destes de bar, com uma longa barra de madeira à frente. Eram apenas três fileiras com uma vista lá de cima, através de vidro, da quadra. Na mesma altura, sem barreiras ou portas, ficavam as cabines de TV. E não é que fomos ver McEnroe usando uma almofada para comentar alguns momentos de um jogo da rodada seginte de cabeça para baixo! Sem ironias, mas certamente, depois do que se viu nesta quarta feira, muitos teriam de ‘plantar bananeira’ depois do que fez Rafael Nadal diante de Daniil Medvedev.

Curioso, já não é a primeira vez que o russo sente o gostinho de uma vitória importante em cima de Nadal. A final deste ano do US Open caminhava sem muitas emoções, com os 2 sets a 0 a favor do espanhol. De repente, a atmosfera na Arthur Ashe ganhou cores emocionantes e de muita vibração. Em muitas trocas de bolas no quinto set vi Nadal nas cordas, a beira do nocaute. Só que como Fênix renasceu das cinzas e celebrou o título.

Incrível, mas pouco tempo depois repetiu a cena, agora de maneira ainda mais enfática. E vindo de derrota poderia imaginar-se que Nadal não teria condições de reagir. Chegou ao Finals como dúvida, em razão de uma lesão no abdômen. A ponto de viajar para Londres com o seu médico e da Real Federação Espanhola de Tênis, Angel Gottorro. Mas como sempre a gente gosta de lembrar no Ace BandSports, o espanhol certa vez desistiu da disputa de Roland Garros, na segunda rodada, quando ainda poderia jogar mais um pouco. Só que na entrevista coletiva ele afirmou que o este mesmo médico havia advertido que não suportaria mais cinco jogos – numero que faltava para ser campeão-. Por isso, desistiu. Então, se agora está em Londres é por acreditar que pode levantar o primeiro troféu do Masters de sua já tão brilhante carreira.

Por falar em brilhantismo, Stefano Tsitsipas também tem duas vitórias no round robin, assim como Dominic Thiem. E os mais de 30, Novak Djokovic e Roger Federer jogam agora por uma vaga nas semifinais…

 

 

 

Next Gen brilha e 2 do big 3 tropeçam em Londres
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 11, 2019 às 10:59 pm

Nasceu uma nova estrela no Next Gen de Milão, o italiano Jannik Sinner. Com apenas 18 anos, recém completados, brilhou em quadra, mas ainda sem a mesma intensidade de outros jovens tenistas dos tempos de Boris Becker, Mats Wilander ou Maria Sharapova, que levaram troféus de Grand Slam na adolescência. Mas também não dá para menosprezar o enorme talento deste tenista italiano, dono de uma frieza e personalidade admiráveis.

Apesar do bem vindo aparecimento de Sinner, a pergunta que sempre se coloca é quem vai ser o primeiro a conquistar um Grand Slam, enquanto o ‘Big 3″ estiver em ação. Londres nestes primeiros dias apresentou dois resultados que frustram a maioria dos torcedores. Mas criam novas perspectivas para a modalidade. Dominic Thiem derrotou Roger Federer e Alexander Zverev bateu, com categoria, Rafael Nadal.

Mais uma vez sem menosprezar o novo, confesso que não lembro de ver Federer tão irregular e também Nadal com tantos erros. É claro que ambos podem se recuperar na competição, mas terão de reencontrar-se com o melhor nível técnico.

Apesar da derrota destes dois ídolos, este Finals está repleto de atrações. Novak Djokovic precisa chegar a decisão do título para ter chance de terminar o ano na liderança do ranking mundial. Esta 50a. edição conta pela primeira vez com oito tenistas europeus de diferentes países. Quatro jogadores têm menos de 23 anos: Stefano Tsitsipas, com 21, Alexander Zverev, 22, e Matteo Berrettini e Daniel Medvedev estão com com 23.

E o inusitado este ano não só pegou Federer e Nadal. Também Tsitsipas comemorou a primeira vitória sobre Medvedev tirando um retrospecto que estava engasgado na garganta do grego. Afinal, não é segredo para ninguém que estes dois tenistas quase saíram no braço no torneio de Miami.

Vale lembrar – Séries de derrotas para um mesmo adversário, como esta de Tsitsipas para Medvedev sempre nos leva a recordar um dos fatos mais hilariantes da história do tênis. Aconteceu no Masters de Nova York de 1979, que foi jogado em janeiro de 80. O boa praça e talentoso Vitas Gerulaitis estava entre os 8 melhores da temporada. Fez uma campanha incrível, inclusive com vitória sobre John McEnroe no round robin. Classificou-se como primeiro do seu grupo e na semifinal cruzaria com o segundo colocado do grupo liderado por Bjorn Borg, o norte-americano Jimmy Connors. Um detalhe marcava este encontro. Gerulaitis vinha de 16 derrotas seguidas para “Jimbo” apelido de Connors. Mas o norte-americano de origem lituana vivia numa semana mágica e, finalmente, venceu. Enfático entrou para a conferência de imprensa após o jogo e disparou uma das mais criativas frases já ouvidas no tênis.

“Let that be a lesson to you all”, disse Gerulaitis com uma garrafa de champanhe em uma das mãos. “Nobody beats Vitas Gerulaitis 17 times in a row”.

Talvez vitimado pelo campanhe e comemoração, Gerulaitis perdeu o título do Masters para Borg por duplo 6/2. Mas jamais deixou a fama de playboy do tênis. Desfilava nos torneios com um Rolls-Royce amarelo e lutou contra as drogas, até ter um final trágico. A história conta que morreu por causa de um vazamento de gás no apartamento.

 

Drama e emoçāo marcam o 19. Grand Slam de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 9, 2019 às 4:01 am

O choro emocionado de Rafael Nadal ao final do jogo revelou que se trata de um ser humano. Afinal, o que ele fez em quadra nesta decisāo do US Open mostra que este tenista tem poderes de um super homem em quadra. O 19, troféu de Grand Slam conquistado na mais energética atmosfera do tênis mundial pode ser considerado como o mais dramático de toda sua brilhante carreira.

Nāo é novidade para ninguém que a torcida em Nova York é uma das mais participativas. E, mais uma vez, teve influência neste duelo entre Nadal e Daniil Medvedev. Depois de um inicio de jogo bem estudado, com quebras e cuidadosas trocas de bolas, o tenista espanhol se impôs e abriu a cômoda vantagem de 2 sets a 0. Tudo parecia caminhar para um jogo sem grandes emoções e vitória das mais tranquilas para o espanhol.

Só que Medvedev pode ser definido como o mais rápido dos que parecem lento. Dá para entender? Ele deixa a impressão de que não vai chegar na bola, aparenta que não esta nem ai e, de repente, começa uma sequência matadora de bolas, capaz de superar qualquer adversário. Nadal, com toda sua forca, viu sim o perigo bem de perto.

Para incrementar ainda mais esta dramaticidade, a torcida queria jogo. Os americanos comecaram a gritar pelo nome do russo. Mas o espanhol não se deixou abater. Soube reconquistar a sua plateia. Em certo momento dirigiu-se diretamente ao público, chamando a todos para incentivá-lo em quadra.

O resultado foi um jogo memorável, com quase cinco horas de duraçāo em que não dava para tirar o olho de uma só jogada sequer. E quem lamentou as precoces eliminações de Roger Federer ou Novak Djokovic, entre outros, deve ter se sentido recompensado pelo valor de cada ponto disputado por Medvedev. Um jogo digno do termo espetacular.

 

Nadal e Medvedev fazem a final de dois melhores do ano
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2019 às 3:10 am

Se Rafael Nadal é o jogador que mais pontos acumulou no ano, Daniil Medvedev é o tenista que mais vitórias alcançou na temporada: 50, sendo 37 nas quadras duras. Isso acaba dando um tom de decisão entre favoritos, especialmente depois das eliminações de Novak Djokovic e Roger Federer. O espanhol luta pelo 19. Grand Slam, chegaria próximo dos 20 do suíço, e afastaria-se dos 16 do sérvio. O russo nunca havia passado de umas oitavas de final de um evento desta categoria e agora pode levantar o troféu mais pesado de sua vida.

Medvedev é a atual sensação do tênis, apesar de boa parte da torcida, especialmente a novaiorquina não curtir muito isso. Neste verão do hemisfério norte, ele é o jogador de maior sucesso. Chegou as finais de Washington e Montreal e ganhou o primeiro ATP 1000 em território americano, nas quadras de Cincinnati.

O incrível sucesso de Medvedev não está apenas ligado aos seus resultados. Mas também ao seu comportamento. Nestes dias em Nova York não soube lidar com o público e por pouco não se transforma em vilão do Grand Slam americano. Recebeu até o conselho de um colega, que disse: seria melhor Medvedev falar com a raquete, como fazem Federer e Nadal.

O russo, porém, redimiu-se numa bem articulada entrevista coletiva. Revelou que estes envolvimentos em polêmicas fazem parte de um aprendizado. E contou uma experiência importante para todos os tenistas, em especial aos mais jovens como ele. Falou que nos dias de hoje admite ser derrotado por ter jogado pior, mas jamais por ter perdido a cabeça, ou o foco na partida. Sem dúvida este ingrediente será dos mais necessários para quem terá pela frente o mais forte mentalmente jogador do circuito.

Esta característica de Nadal comprovou-se na semifinal diante de Matteo Berrettini. O italiano teve muitas e boas chances de ganhar o primeiro set. Se tivesse conseguido, o jogo muito provavelmente seria equilibrado e fatalmente longo. Mas em busca de seu quarto troféu do US Open, Nadal fez o jogo parecer fácil e em três sets garantiu presenca na 27a final de Grand Slam de sua carreira.

Mais uma vez Nadal segue como favorito. Mas como disse o ex-campeão americano John McEnroe, se existe alguém na atualidade a ameaçar o big 3, este é Daniil Medvedev.

O que esperar dessas semifinais masculinas do US Open
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 5, 2019 às 10:47 am

O US Open de 2019 apresenta uma das semifinais mais inesperadas dos últimos tempos. Dos quatro jogadores que ainda sonham com o título, apenas Rafael Nadal tem troféus de Grand Slam. Mas será que dá para contar com novas surpresas? Pelo que o espanhol vem jogando até agora vai ser difícil. Com uma campanha sem sets perdidos (com exceção para Cilic, estava em quadra nesse jogo, mas peço desculpas por deixar escapar, escrevi já na madrugada, depois de uma longa jornada, depois da partida contra Diego Schawtzman)… errata.

Dos quatro semifinalistas – Nadal vs Matteo Berretini e Daniil Medvedev vs Grigor Dimitrov – não dá para negar que, em teoria, o espanhol teve um caminho mais fácil. Ou, pelo menos, fez parecer tranquilo, dado a sua capacidade técnica  e experiência. Apesar de todo esforço de Diego Schawtzman, o obstáculo  mais difícil para o espanhol teria sido Marin Cilic. Mas ele passou com tranquilidade, apesar de ter perdido um set.

Matteo Berrettini vive um sonho. O tenista italiano tem talento. Nas transmissões do BandSport tive a oportunidade de conhecer seu jogo. Bate pesado e tem um saque dos mais poderosos. Comprovou toda sua força  nas quadras de Flushing Meadows. Passou por adversários difíceis como Richard Gasquet, Andrey Rublev e, em especial, Gael Monfils.

A outra semifinal coloca frente à frente dois vilões, pode-se dizer assim. Grigor Dimitrov por ter eliminado o preferido da torcida, Roger Federer, e Daniil Medvedev por sua polêmica  história  com os novaiorquinos,

O caso de Dimitrov é bem curioso. Quando ele se colocou a frente e deixou claro que poderia vencer o jogo diante de Federer, boa parte do público abandonou as arquibancadas. Afinal, queriam ver a permanência do suíço na competição. Mas quem seguiu foi o búlgaro, que vem passando por uma bela transformação. Desde que trocou de treinador e começou  a trabalhar com Radek Stepanek deu um outro rumo a sua carreira. O resultado disso veio numa campanha incrível em Nova York. Em seu caminho até a semifinal superou Alex de Minaur e, é claro, Roger Federer num jogo em que esteve impecável.

Medvedev, nos corredores do US Open, é apontado como a mais provavel surpresa. Dizem que quer o público  queira ou não, ele é o futuro do tênis. E o futuro pode vir agora neste domingo. O russo vem realizando uma temporada das mais brilhantes. Fez finais em Washington e Montreal e conquistou o primeiro 1000 da carreira em Cincinnati. Apesar de reclamar de problemas físicos, Medvedev não engana ninguém, Em Nova York voltou a jogar bem, tendo eliminado inclusive Stan Wawrinka.

Assim uma história  já conhecida, ou uma nova, poderá’ ser contada neste fim de semana em Nova York.

Arthur Ashe: onde as coisas acontecem
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 4, 2019 às 5:35 am

Se Nova York é conhecida como a  cidade que nunca dorme, o Arthur ashe é onde as coisas acontecem no tênis. A sessão noturna é sempre eletrizante, com uma atmosfera impressionante e festiva participação da torcida. Nesse cenário, a derrota de Roger Federer para Grigor Dimotrov foi um verdadeiro anti clima. Tudo estava preparado para mais uma festa ao suíço que deixou a quadra ainda ovacionado, apesar do resultado.

Em menos de dez minutos, Federer apresentou-se para a entrevista coletiva. Foi uma correria e tanto. Afinal, normalmente os tenistas demoram muito, entre banho e massagens. Mas desta vez, esteve em ação o velho apelido de Fedex. Logo tratou de explicar que sentiu as costas e as coisas pareciam cada vez piores para ele. Mesmo assim garantiu ter dado tudo o que tinha e que teve suas chances no quarto set.

Federer esteve calmo e elegante, como de costume. Só não gostou quando o assunto foi ter deixado escapar mais uma chace de ganhar um Grand Slam e se ainda tinha esperanças de aumentar o seu número  de troféus dessa categoria. O suíço respondeu apenas que, se a lesão não for grave, vai manter o seu calendário, com torneios na Ásia, Basileia, Paris e Londres.

Só que há um detalhe nessa história toda. Pelo fato de ter acontecido na Arthur Ashe não se trata apenas de uma derrota. A repercussão promete ser grande. E um mundo de especulações deve tomar conta do atual cenário.

Para ser mais claro no que representa um fato acontecido na Arthur Ashe, pode-se tomar como exemplo as famosas imitações de Novak Djokovic. O sérvio já havia feito os trejeitos de Rafael Nada, de Roger Federer ou de Maria Sharapova em outras ocasiões. Mas o munto do tênis  só tomou conhecimento, depois dele ter se apresentado numa sessão noturna do US Open.

Os exemplos da tremenda repercussão do US Open pode ser lembrado com um fato bem recente. O surpreendente russo Daniil Medvedev está enrolado com suas dúbias declarações. Ele não sabe pedir desculpas de uma forma clara e contundente e também não se sabe qual será a reação do público em seu próximo jogo.

Mas como o US Open conhece muito mais heróis do que viloes, não restam dúvidas de que a cena mais marcante, repleta e emoção, amizade e espírito esportivo veio de Naomi Osaka. Afinal, como não lembrar se sua atitude com Coco Gauf, numa lição de humanidade? É isso mesmo, as coisas acontecem no Arthur Ashe, na cidade que nunca dorme.

O 21. a gente não esquece
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 1, 2019 às 3:26 pm

#PartiuNYC. Já faz um bom  tempo que não frequento o US Open. A minha primeira vez foi em 1987. Vinha com a estrela brilhando depois de um acontecimento nos Jogos Pan Americanos de Indianápolis, nos Estados Unidos. É que as finais de tênis e basquete estavam marcadas para o mesmo dia. Resistindo a muita pressão fui para o basquete, perdi a cobertura do feminino, mas sobrou a turma que conhecia muito bem, em diversas viagens acompanhando o Sírio, o Monte Líbano e a Seleção Brasileira. Cobri a medalha de ouro do time de Oscar, Marcel e bela Cia.

Cheguei ao US Open tênis já em andamento. E superada a barreira do primeiro credenciamento, voltei nos anos seguintes até 2012, com alguns intervalos e agora chego a minha 21. cobertura do torneio. Não conheço ainda a nova cara de Flushing Meadows, com a Arthur Ashe coberta, a nova Louis Amstrong e o fim da então Grand Stand. Mas conheço a cara velha do que era chamado de Centro Nacional de Tênis, hoje Billie Jean King.

Até o ano de 1997, o principal estádio era o Louis Amstrong. Também gigante: tinha capacidade para 21 mil pessoas. A sala de imprensa ficava lá em cima, no último anel, junto as cabines de transmissão de TV e as nuvens. Eramos pouco mais de 300 jornalistas internacionais, contra os mais de 1,5 mil dos dias de hoje. A gente sentava em banquinhos, desses de bar, e à frente uma bancada apertada.

Pelo vidro dava para acompanhar os jogos da Central, sem precisar deixar seu posto. E num dos mais marcantes episódios dessa minha história aprendi que para ganhar um Grand Slam não basta ser um grande tenista, talentoso e eficiente, mas também é necessário ser um bom artista. Pete Sampras estava em ação diante de Alex Corretja. O americano vinha em nítida desvantagem, empurrado às cordas. Peter estava a dois pontos de perder o jogo. Aparentava estar fisicamente abatido. Deu um primeiro saque muito fraco. A bola saiu mais de um metro. Se fizesse a dupla falta daria match point ao espanhol. E, meio cambaleando, foi até o fundo quadra e vomitou. Criou um clima dramático na Amstrong. Dava para ouvir a respiração ofegante de todos. Sampras caminha lentamente para a posição de serviço e, de repente, como um milagre, aplica um ace a mais de 200 km/h. Corretja surpreendido, tomou um susto, afinal já dava o jogo como ganho, mas perdeu o ponto e o duelo.

É de se admirar a confiança de Sampras em seu saque. Só tinha um tiro para disparar. Criou uma cena, comprovou a tese de Andre Agassi, de que ele era um artista em quadra, e mais uma vez conquistou o título do US Open. Depois de um tempo, ao trabalhar na tradução técnica do livro “Mente de Campeão”, biografia muito bem escrita pelo meu colega Peter Bodo, a história contada fala de uma doença familiar de Sampras, originária do Mediterrâneo e o tenista americano é de ascendência grega.

Neste clima de memórias, estes o Facebook colocou-me uma lembrança para compartilhar. Trata-se de mais uma história do US Open. E resolvi copiar abaixo para quem tiver curiosidade do primeiro tenista a bater bola na Arthur Ashe: o brasileiro Gustavo Kuerten…

20 ANOS DO MAIOR DO MUNDO – Um twitter da Diana Gabanyi remeteu-me a boas lembranças. Aliás fiquei até um pouco surpreso – talvez assustado – ao me dar conta que já se passaram 20 anos da inauguração do maior palco do tênis mundial, o estádio Arthur Ashe.

Lembro que Gustavo Guga Kuerten foi o primeiro tenista a treinar no então novo estádio. Inesquecível a imagem de quando entramos no vestiário, o campeão de Roland Garros daquele ano vislumbrou um lindo armário reservado a ele. Seus olhos brilharam quando viu a plaquinha com seu nome, no vestiário novinho em folha.

Na época andava atrás do Guga. Desde que havia vencido em Paris não o abandonava em nenhum torneio, com exceção do ATP de Bologna, na semana seguinte a Roland Garros, pois tive de voltar ao Brasil por alguns dias. Fomos para Nottingham, Wimbledon, Gstaad, Kitzbuehel, Stuttgart, Montreal, Cincinnati, até cairmos no simpático ATP de Long Island.

Esse percurso vale até um parêntese. Certa vez contei em entrevista ao Alexandre Cossenza que por um período deixei de cobrir propriamente o tênis para seguir o Guga. Era imperativo. A editoria do Estadão queria tudo sobre o campeão de Roland Garros, na rádio Transamérica tênis era sinônimo de Guga. Lembro até que em 1997 em Roland Garros, o espaço destinado para a campeã do feminino Iva Majoli foi de umas dez linhas no máximo. Isso causou certo desconforto no meio do tênis brasileiro. Só que aprendi com alguns dos excelentes editores que tive no jornalismo é que somos vendedores de notícias. Temos de entregar o que o público quer comprar. Não se trata, porém, de falta de reconhecimento ao trabalho e as conquistas de outros.

De volta a Long Island, Guga e Larri Passos – por que não também eu? – estávamos naquela fase de adaptação aos novos tempos. O catarinense sempre gostou das coisas simples e foi hospedar-se em uma casa de família. Assim que chegamos ao aeroporto John Kennedy, o pessoal de Long Island estava nos esperando e seguimos de carro até nossos destinos. Aliás, agradeço a carona he he he. No trajeto até a casa onde Guga e Larri ficariam – depois me levaram a um hotel – perguntei o nome do cara que estava dirigindo. O engraçadinho do tenista falou ao meu ouvido: Jeff… Jeff.

Nos dias em que se seguiram em Long Island convivemos bastante com Jeff, que, na realidade, se chamava Robert. Guga estava zoando comigo. E o resultado é que naquele ano e por muitos outros, sempre em que me encontrava este pessoal – incluindo uma senhora miss May – todos seguiram zoando me chamando de Jeff… Jeff, com aquele conhecido sorriso irônico.

Mesmo neste clima descontraído, Larri Passos não deixava de lado a seriedade ao trabalho. O torneio de Long Island era jogado num condomínio conhecido por Hamptoms. Muito próximo a Flushing Meadows. Foi aí que o treinador teve a ideia de aproveitar um dia sem jogos para ir treinar no novo estádio do US Open. Avisou o pessoal da USTA e lá fomos nos. Embora estivesse vazio, com apenas alguns operários nos retoques finais, a experiência foi importante para relaxar o campeão de Roland Garros, que em poucos dias estaria jogando no maior palco do tênis, que comemorou os 20 anos de existência com uma linda festa e show de Shania Twain.

Nick Kyrgios: rebelde ou herói?
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 15, 2019 às 2:07 pm

7681AFB7-7CB8-4ECF-A1A6-5A11AF8D103FDesde a conquista do ATP 500 de Washington, até a eliminação no Masters 1000 de Cincinnati, Nick Kyrgios passou de ‘gênio encantador’ a ‘talento desperdiçado’. Viveu momentos de herói ao perguntar a torcedores onde deveria sacar, até se revelar em rebelde ao cuspir em direção ao juiz de cadeira Fergus Murphy.

Não há dúvidas de que a genialidade de Kyrgios, a plasticidade de seu jogo e criatividade são ingredientes suficientes para atrair um bom público. Organizadores de torneios o colocam como grande atração, escalando seus jogos para quadras importantes em horários nobres. O resultado, porém, é imprevisível. O show pode se transformar num drama, numa tragédia, um espetáculo de horror, como deixar a quadra, seguir ao corredor dos vestiários com o objetivo de destruir duas raquetes.

O jogo de Kyrgios é primoroso, legal de se ver. Mas até onde vai a ‘licença poética’ de seu comportamento? Em Cincy, ele procurou um vilão. Direcionou duras ofensas ao juiz de cadeira, que ao meu ver foi até complacente. Só que ao final da história o herói foi Karen Khachanov, que alguém muito bem escreveu que o russo já reservou um lugar no céu, depois desse jogo.

Para muitos, jogadores como Kyrgios fazem bem ao tênis. Ouvi dizer também que ele joga tênis por dinheiro. Mas do jeito que vem acumulando multas, corre o risco de prejuízos. Em certa época o tênis teve também o seu ‘bad boy’. Era o explosivo John McEnroe. Ele era um show em quadra, só que isso custou caro. Chegou a cumprir meses de suspensão e levou multas pesadas. Mas o norte-americano jamais jogou só pelo dinheiro. Vem de família rica. Filho de diplomata nasceu em Wiesbaden, na Alemanha. E, certa vez, quando esteve no Brasil, para a disputa do Rio Champions, McEnroe reconheceu que suas atitudes intempestivas eram resultados de uma infância de garoto mimado.

Será que Nick Kyrgios pode se dar ao mesmo luxo? A resposta talvez possa vir de uma das melhores biografias que Hollywood já produziu: Patton rebelde ou herói. O filme retrata que o brilhante general George S. Patton foi do céu ao inferno, em razão de seu comportamento intempestivo.