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Salve Bia: o tênis tem muito a ensinar
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 28, 2022 às 1:18 pm

O tênis é um esporte difícil. E eu costumo dizer que por muitas vezes é cruel. Criou-se muitas expectativas do que Bia Haddad Maia poderia conseguir no Torneio de Wimbledon. Teve até quem disse que ela era favorita. E, por isso, vou repetir uma frase que usei na coluna anterior aqui no Tênis.com Chiquinho: “Insisto é preciso ser cauteloso nas comparações e expectativas.”

Sinto que é preciso lembrar que a Bia vem de uma família de esportistas. Além disso, a vida já a ensinou a enfrentar obstáculos. Aos 26 anos sabe muito bem o que significa a palavra superação. Passou muito cedo pela alta expectativa de uma carreira brilhante e também viu de perto problemas físicos e outros que poderiam ter acabado com seus sonhos. Mas ela tem persistência e competência. Afinal, há poucos meses estava jogando torneios pequenos na Europa e hoje já ocupa uma posição entre as 30 melhores do mundo.

Por isso mesmo e por ela ter valor próprio as comparações me incomodam. São na verdade desnecessárias. O tênis já existia antes da criação do ranking, assim como os Grand Slams. Mas para os que não sabem a Bia ganhou recentemente dois torneios 250, enquanto Maria Esther Bueno foi campeã de, pelo menos, sete 2000. Não que a Bia não possa também chegar longe, mas esse tipo de pressão não ajuda em nada.

Inteligente e vinda de boa família, Bia reconheceu seus erros e culpou a falta de agressividade pela eliminação na primeira rodada de Wimbledon. Sem contar que um Grand Slam sempre tem suas naturais dificuldades. Após o jogo deu declarações francas, sinceras e verdadeiras. Sabe muito bem como o tênis é um esporte exigente. E, por isso, não restam dúvidas de que ainda tem muito pela frente e irá alcançar um sucesso ainda maior.. salve Bia.

 

 

 

E Bia segue trilhando seu caminho
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 14, 2022 às 6:46 pm

Não sem sacrifícios, Bia Haddad Maia deixa sua marca no circuito internacional. Jovem e talentosa, acreditava-se que ela pudesse alcançar o auge ainda mais nova, só que foram muitos os obstáculos que ela teve de superar. Vinda de uma família de esportistas – mãe, tia, avó, primos são tenistas e pai muito bom no basquete – o importante é que agora chega ao período de amadurecimento profissional.

Apesar de todo recente sucesso, com os títulos de simples e duplas em Nottingham e a vitória sobre Petra Kvitova, em Birmingham , ainda insisto que é preciso ser cauteloso nas comparações e expectativas. Não há dúvidas de que pode ir ainda mais longe, só que a vida já a ensinou a dar tempo ao tempo.

Os últimos bons resultados de Bia me remeteram a primeira reportagem que fiz com ela, quando tinha apenas 12 anos. Convidado pela Revista Época para a reportagem hesitei em aceitar. Não que não tivesse interesse em receber o cachê, ou mesmo ter a oportunidade de estar num grande veículo de imprensa, mas minha preocupação era a de não criar muitas expectativas e, eventualmente, prejudicar a carreira de uma menina super talentosa. E o legal é que o sucesso vem chegando. Se alguém tiver curiosidade na matéria segue o link Sociedade – NOTÍCIAS – Por que é tão difícil formar uma campeã (globo.com)

Essa história de sucesso precoce com Bia vem de longe. Quando ela tinha apenas 16 anos chegou a final de duplas da chave juvenil de Roland Garros, ao lado da paraguaia Montserrat Gonzalez. O jogo, na antiga configuração do complexo, foi na quadra 2, vizinha à central. Acompanhava a partida no media box. Algumas cadeiras ao lado, no players box, estava Guga Kuerten. Um pouco atrás, o saudoso Antônio Carlos de Almeida Braga. Num dos intervalos do jogo, Braguinha perguntou ao Guga, o que ele achava da jovem brasileira. E o tricampeão de Roland Garros olhou para trás, com o dedo indicador apontou para a Phillipe Chatrier e disse: “O lugar dela Braguinha é nessa quadra ao lado.”

E aos poucos, Bia Haddad Maia vai mesmo trilhando seu caminho de sucesso. Mas repito: nada de se fazer comparações e deixe que ela mesmo escreva sua história.

Nadal tem futuro incerto, mas é tenaz
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 8, 2022 às 2:09 pm

A frase na Phillippe Chatrier “The victory belongs to the most tenacious” (a vitória pertence ao mais tenaz) parece ter sido feita por encomenda para Rafael Nadal. Tenaz significa difícil de partir, resistente. E num futuro próximo o tenista espanhol irá mesmo ter de contar com essas suas características. A lesão no pé é mais um obstáculo na sua carreira, mas se depender de seu amor pelo tênis irá superar mais esse difícil adversário.

O problema é que, mais cedo ou mais tarde, a fatura sempre chega. Quais seriam as consequências de seguir jogando com um problema tão grave? Mas Nadal confia plenamente no médico da Real Federação Espanhola, Angel Gottorro, e acredita que um novo tratamento, através de rádio frequência, possa ser capaz de deixá-lo em condições de voltar a competir já em Wimbledon. Acho que tem pouco tempo, mas difícil duvidar de Nadal.

A eficiência das injeções anestésicas aplicadas durante Roland Garros levantaram suspeitas, mas na Espanha as notícias são de que Nadal não irá usá-las para jogar em Wimbledon. E sempre é bom lembrar que o tenista espanhol ganhou um processo contra a ex-ministra da saúde francesa, Roselyn Bachelot, que o tinha acusado de uso de substâncias proibidas para jogar em Paris.

Outro detalhe importante é que desde o escândalo do ciclismo, no Tour de France, o controle de todas as modalidades esportivas em território francês passaram a ser feitas por uma entidade oficial o “Comitê Anti Dopage do Governo” portanto, sem interferências da ATP ou ITF.

Sendo assim é de se acreditar que a preocupação de Nadal seria mesmo com o seu futuro. Não ficar com sequelas, que possam afetar sua mobilidade ao longo de toda sua vida. O espanhol, porém, já deu dicas do que pode acontecer. Em Roland Garros, numa das entrevistas coletivas, disse que qualquer partida poderia ser sua última em Roland Garros.

O tenista espanhol também revelou que não se importa com o número de Grand Slams conquistados, nem pelos prêmios ou posições no ranking e segue jogando pelo amor ao esporte. E, por isso, é de se esperar que Nadal siga jogando por mais tempo, mas sem comprometer sua saúde. É hora de dar tempo ao tempo.

 

 

Torcida francesa dá o tom de Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 30, 2022 às 5:00 pm

Costumo dizer que uma das vantagens de Roland Garros é que nenhum outro torneio do Grand Slam tem Paris como sede. E este ano, com as bilheterias abertas e o menor temor ao Coronavirus, a torcida francesa também faz a diferença. Dá o tom festivo e, embora não seja tão eletrizante como as barulhentas sessões noturnas do US Open, o público demonstra profundo conhecimento do tênis. É claro que sempre há exceções, como o torcedor que abusou da má educação na partida da grega Maria Sakkari.

Pode parecer estranho entrar nesse assunto. Mas prefiro deixar os comentários sobre a vitória de Hoger Huger sobre Stefano Tsitsipas para o Zé Nilton. O dinamarquês é mais um do NN Gen – a New Next Generation – a brilhar neste torneio. Mas só não aguentei um detalhe: só vi duas marcações de foot fault (é claro que pode ter havido outras) e não é curioso que foram exatamente da mesma fiscal de linha. Para quem não lembra (e nessa vi que o Narck Rogrigues estava com a memória em dia) é simplesmente aquela juíza que esteve na confusão da Serena Williams no US Open. E para evitar intrigas esclareço que estou acompanhando as duas transmissões nos dois canais (SporTV e ESPN). Ambas muito boas, mas é a primeira vez em mais de 30 anos que vejo o torneio parisiense do sofá de casa.

Voltando aos bastidores, Roland Garros esse ano terá o seu ‘Mardi Grass’. A expressão, que em francês significa terça-feira gorda, marca uma das festas mais tradicionais de New Orleans, na Louisiana, Estados Unidos, cidade com forte influência da França. No Carnaval brasileiro também chegou-se a usar a palavra gorda, no sentido de cheia, repleta de atrações, para a véspera da quarta-feira de cinzas.

E não é que Roland Garros terá também uma terça-feira para lá de interessante? O duelo mais esperado do torneio até agora, Novak Djokovic vs Rafael Nadal, foi para a sessão noturna. Meus colegas em Paris discutiam nas últimas horas os motivos. A TV francesa, com maior audiência, tem os direitos para os jogos diurnos. A Amazon, que entrou com muita grana na a FFT, comprou exclusividade para a sessão noturna. Muita gente teria de pagar um extra no streaming para assistir ao jogo. Só que diante de tantas pressões, resolveram abrir o sinal também para não assinantes.

Outra versão sobre esse impasse diz que Carlitos Alcaraz já atuou por duas vezes na sessão noturna. E, por isso, a organização do torneio resolveu não atender ao pedido do 13 vezes campeão em Paris, que deixou claro preferir jogar durante o dia. Os mais fofoqueiros já insinuaram que a relação entre o espanhol a a FFT não anda boa. Não acredito.

Estabelecido os horário fica a expectativa sobre qual será o comportamento da torcida. Acho que para a sessão diurna Carlitos deve ganhar o coração da arquibancada no duelo contra Alex Zverev. Mas o clima deve esquentar mesmo nas noites normalmente frias em Paris.

Para quem reclamou que Djokovic vs Nadal será em jogo único na PC é bom lembrar que a programação faz jus a uma terça-feira gorda. Começa com a surpreendente italiana Martina Trevisan diante da vice-campeã do US Open Leylah Fernandes. E a seguir um duelo de gerações norte-americano, como Coco Gauff e Sloane Stephens.

Enfim, Roland Garros entra agora nos duelos mais fortes. Gosto muito da primeira semana. Mas não há como negar que este ano o Grand Slam francês guardou grandes momentos para esta reta final.

Enhorabuena Carlitos, mas calma com a troca da guarda
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 9, 2022 às 4:46 pm

Como se diz em espanhol “enhorabuena Carlitos”, parabéns Carlos Alcaraz. Não resta dúvidas de que ele merece todos os elogios. Com perdão do trocadilho, também chega em boa hora. É talentoso, simpático e confirma seu carisma com o recorde de audiência na TV de seu país, na transmissão da final do Masters 1000 de Madri.

Pelo seu jeito de ser é de se esperar que siga tendo este comportamento. É lógico que com o assédio maior terá de tomar mais alguns cuidados. Só que vejo como natural sua simpatia, humildade, longe de estrelismos.

A pressão também tende a ser maior. Todos agora sempre esperam muito de Alcaraz. E é por isso que se deve ter cautela em decretar a “troca da guarda”. Não restam dúvidas de que ele pode alcançar o topo da lista do ranking mundial, ganhar troféus de Grand Slam, mas tudo isso deverá vir com o tempo.

Longe de querer tirar qualquer mérito do que tenha feito em Madri é preciso entender que nem Novak Djokovic, nem Rafael Nadal estavam no auge. Claro não serve como desculpa. Entrou na quadra está valendo.

Roland Garros deverá apresentar outro cenário ao de Madri. Além da quadra em Paris ser mais lenta, os jogos são em melhor de cinco sets – no que Alcaraz também já mostrou eficiência -, seus maiores adversários devem estar em excelente forma. E como disse o russo Yvgeny Kafelnikov o melhor para o próximo Grand Slam é torcer para não cair na mesma chave do jovem espanhol.

Se tudo seguir como o esperado, Carlos Alcaraz chega a Roland Garros praticamente no mesmo nível de favoritismo de Novak Djokovic e Rafael Nadal. A experiência, porém, pode falar alto, assim como a juventude e forma física de Carlitos pode balancear as forças.

A simpatia e humildade de Alcaraz também são bem vinda. Afinal, há algumas semanas vivemos momentos tensos no tênis com o comportamento de jogadores como Alexander Zverev, Nick Kyrgios, Jenson Brooksby e até mesmo Benoir Paire. Embora o ingresso para ver estes jogadores possa valer a pena, ainda acho que para ver Carlitos vale muito mais.

As grandes estrelas voltam em Madri, mas quem brilha é Alcaraz
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 29, 2022 às 2:52 pm

Com a óbvia exceção de Roger Federer, as grandes estrelas voltam em Madri. Desde Roland Garros de 2021 que Novak Djokovic e Rafael Nadal não se encontravam no mesmo torneio, por uma série de razões, como vacina ou lesões. Do último duelo, nas semifinais em Paris, muita coisa mudou. E, infelizmente, nem o sérvio nem o espanhol parecem estar em excelente forma.

Não é segredo para ninguém que as condições de jogo em Madri são consideradas as mais rápidas da temporada europeia. Claro que não agrada o espanhol e também o sérvio não demonstra estar em boas condições de ritmo para aproveitar a oportunidade. Mas não restam dúvidas de que essa rivalidade por si só já é um tremendo atrativo. São 58 encontros, com 30 vitórias para Djoko.

A ESTRELA BRILHA – Mesmo com Djokovic e Nadal de volta a Madri, o maior sucesso na cidade chama-se Carlos Alcaraz. Ele, pela primeira vez em sua carreira, participou de um programa de entretenimento de enorme audiência na TV espanhola, o ‘El Hormiguero”.

O jovem tenista revelou todo seu carisma e fez revelações incríveis. É claro que seu treinador, o experiente Juan Carlos Ferrero, vigiou de perto todas as perguntas e respostas. Mas ainda assim Carlito saiu com histórias incríveis. Em certo momento deixou claro que apesar de todo seu sucesso nas quadras tem uma vida normal. Confessou que nas raras vezes em que vai a uma festa bebe gin com limão. “Não posso negar que já fiquei meio bêbado alguma vez.”

Não fosse, porém, seu bom preparo físico, certamente Alcaraz não teria conquistado o título em Barcelona. Por causa das chuvas precisou fazer dupla jornada no domingo. Disse que entre o jogo das semifinais (contra Alex de Munar) e a decisão com Pablo Carreño Busta descansou por apenas três horas. Contou que dormiu um pouquinho – “durmo em qualquer lugar” – e levantou com o pé esquerdo. Afinal, escorregou numa escadaria, mas ficou feliz em não comprometer sua atuação na decisão do título.

É muito legal que “Charlie”, como ele diz que se chama para se motivar durante as partidas mais duras, mantém uma contagiante simplicidade. Contou que a parte financeira fica com seus pais. “Se for para comprar um jogo de tacos de golfe, que me encanta, não preciso pedir permissão. Mas para, por exemplo, comprar um carro sim”.

Carlito, Charlie, Carlos Alcaraz demonstra ter uma forte personalidade. Por isso, é de se acreditar que vai saber superar todo esse assédio. Já provou isso esse ano, quando perdeu para Sebastian Korda em Monte Carlo. Disse ter encarado o fato apenas como mais uma derrota. Mas, sem dúvida, tem muito crédito. Afinal, não só ganhou Barcelona, como Miami e o Rio Open. Um tenista de muito sucesso, talento e carisma.

 

O lado obscuro do esporte branco
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 25, 2022 às 3:53 pm

O número um do mundo, Novak Djokovic, segue pagando um alto preço por suas escolhas. Embora tenha aumentado sua margem de pontos na liderança do ranking, em relação a Daniil Medvedev, ainda sente a falta de ritmo e o desgaste físico por uma doença misteriosa. Garante não ser sequela da Covid-19, mas não aguentou o terceiro set diante de Andrey Rublev, mesmo jogando em casa, com apoio da torcida.

Este mesmo fim de semana viu, mais uma vez, o carisma e o talento do jovem espanhol Carlito Alcaraz. Num dia em que fez jornada dupla celebrou mais um título e manteve a tradição ao mergulhar na piscina do clube, ao lado de pegadores de bolas. Além disso, teve uma semana memorável, com sua estreia no grupo dos top ten, como um dos mais jovens da história, repetindo o feito de Rafael Nadal em 2005.

Mas o ‘esporte branco’, como era conhecido o tênis, única e exclusivamente pela predominância da cor nos uniformes, hoje revela também o seu lado mais obscuro. A política invadiu a quadra e os organizadores do Wimbledon seguiram as recomendações governamentais e irão banir jogadores russos e bielorussos do próximo torneio. É possível ainda que as federações da Itália e França sigam o mesmo caminho, o que causaria mais transtornos no Aberto de Roma e em Roland Garros.

O mundo do tênis está dividido sobre esse assunto. E, portanto, como sempre é preciso respeitar as opiniões. Mas vale lembrar que para quem viveu o circuito mundial por muitos anos sabe que há muito os jogadores russos nem sequer vivem mais no seu país de origem. Vários são até brigados com sua federação e se radicaram em outras nações. Isso já acontecia desde os tempos de Marat Safin, que passou uma temporada na Espanha. O mesmo se vê com Rublev ou Medvedev, que escolheu a França. É válido também o pensamento de que qualquer ação pode ajudar a pressionar Vladimir Putin a buscar a paz e decretar o fim da invasão na Ucrânia.

Muitos, porém, são enfáticos de que russos e bielorussos têm mesmo de ser banidos do esporte. Um desses casos é o da ex-número 1 do mundo, a belga Justine Henin. Mas entre as muitas manifestações, uma me chamou bastante a atenção. Foi a do australiano John Millman. Ele contou num Twitter que na primeira vez que se qualificou para Wimbledon pediu dois ingressos para seus familiares. A reposta dos organizadores é de que essas pessoas poderiam pegar a fila na calçada. Ele seguiu dizendo que o dinheiro significa muito no All England Club e sugere que no lugar de banir atletas o clube poderia doar os lucros para as vítimas da guerra.

Enfim, o lado sombrio do tênis também tomou conta da falta de punições mais severas para os tenistas. Casos como o Jenson Brooksby, Nick Kyrgios e Alexander Zverev tiveram ações brandas. Mas isso é compreensível, pois a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), como já diz o nome, é uma entidade de classe, que parece mais estar passando a mão na cabeça dos jogadores do que exigindo comportamento digno. A expectativa fica para eventos como Roland Garros ou Wimbledon, torneios geridos pela ITF, a Federação Internacional de Tênis, que historicamente não anda de braços dados com as associações de classe do tênis.

 

Miami revela que há vida além do “Big 3”
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 4, 2022 às 12:57 pm

É claro que Novak Djokovic e Rafael Nadal seguem dominando e que Roger Federer já provoca uma supervalorização nos ingressos em torneios que supostamente voltará às quadras. Mas mesmo dentro desse cenário, Miami revelou que existe sim vida além do “Big 3”. Há muito tempo  se fala do Next Gen, mas a conquista de Carlos Alcaraz, nos Estados Unidos, confirmou que o futuro do tênis está garantido, com jogadores talentosos e carismáticos.

Uma das provas desse fenômeno veio através do twitter de Nicola Arzani, vice-presidente da ATP. O dirigente italiano conta que nasceu um superstar no tênis, com Carlos Alcaraz brilhando tanto dentro, como fora das quadras, ao passar mais de duas horas atendendo a mídia em Miami. Esse mesmo interesse dá para se notar nas arquibancadas do torneio, com uma torcida entusiasmada e vibrando com o jovem espanhol, assim como nas conversas dos fãs do esporte. Carlito veio para ficar.

E não se trata apenas dele, mas o incrível jogo com o sérvio Miomir Kecmanovic assegurou que as emoções seguirão fortes em diversos duelos dessa nova geração. Não são substitutos dos grandes ídolos, mas sim a continuação em alto nível de um esporte apaixonante.

Carlito, como revelou gostar de ser chamado em uma divertida entrevista concedida ao final do Rio Open, tem atributos que atraem o interesse de todos. Soube com maestria impor sua personalidade, afastando com todos os cuidados a fama de “novo Nadal” e revela que o multicampeão de Roland Garros segue sendo seu maior ídolo. Ainda assim demonstra uma bonita relação com seu treinador desde os tempos de juvenil, o também ex-campeão em Paris, Juan Carlos Ferrero. A alegria demonstrada pelo jovem jogador com a surpreendente chegada do seu técnico a Miami é contagiante.

Além do feliz resultado no ATP 1000 de Miami, o WTA também confirmou o bom jogo e o carisma da polonesa Iga Swiatek. Deu um show na final diante de Naomi Osaka e distribuiu simpatia e reconhecimento na cerimônia de premiação. Em clima de comemoração postou nesta segunda feira sua alegria, dizendo que ‘agora e oficial’ e ocupa com todos os méritos a posição de número 1 do mundo.

Essa ascensão de Swiatek vem num momento curioso do tênis feminino. Afinal, a modalidade por um bom período apresentava um forte domínio das principais favoritas. Mas em Miami, logo na primeira rodada, um pouco mais de uma dezena de cabeças de chave foram eliminadas da competição. Para colaborar com essa situação, a australiana Ashleigh Barty também surpreendeu o mundo ao anunciar a aposentadoria com apenas 25 anos. Mas um bom sinal de que mais jogadoras poderão brigar pelos títulos e posições no ranking veio com Osaka. Jogadora de enorme talento sorriu na cerimonia de premiação, mesmo depois de um pneu, demonstrando que aos poucos vem conseguindo vitórias internas e deixa boas esperanças de retornar aos seus melhores momentos.

 

 

 

 

Nadal vive drama na final, mas deu show em IW
Por Chiquinho Leite Moreira
março 21, 2022 às 10:28 pm

Longe… muito longe de dizer que o título de Taylor Fritz não tenha sido merecido. Nem ouso dizer que o americano perderia caso Rafael Nadal não tivesse apresentado problema físico, mesmo porque ao entrar na quadra para mim vale aquela: “o jogo é jogado e o lambari é pescado”. Mas também não há como negar que o espanhol tenha realizado uma campanha brilhante e deu show em praticamente todos os seus jogos no ATP 1000 de Indian Wells.

A primeira rodada em Palm Desert já deu um belo exemplo da frase de Carlos Alcaraz (para mim Carlito) a de que Nadal tem mil vidas. Ao estar perdendo por 5 a 2, com dois breaks abaixo, o próprio espanhol disse ter pensado que realmente perderia o jogo. Só que, dentro de suas características e virtudes, manteve o espírito de acreditar sempre e lutar até o final. O resultado foi uma vitória super ameaçada também no tie break do terceiro set.

Curioso é que com uma derrota como essa a que sofreu Korda, o normal seria  o tenista não conseguir dormir e demorar alguns dias para digerir o resultado. Mas não foi o que aconteceu com o americano. Ele deixou a quadra com a convicção de que pode enfrentar qualquer adversário. Além disso, enfatizou que o tenista espanhol foi um dos motivos pelo qual animou-se a pegar uma raquete, como fazia com competência seu pai Petk Korda, campeão do Australian Open em 1998, mas depois teve o mérito manchado por uma suspensão por doping. Sebastian Korda tem também duas irmãs que fazem sucesso enorme no golfe profissional, como Jessica e Nelly, esta última ouro da Olimpíada de Tóquio e que já ocupou a liderança do ranking mundial da milionária modalidade.

De volta a Nadal, o espanhol talvez tenha feito o seu jogo mais tranquilo em Indian Wells contra Daniel Evans. Mas sua estrela brilhou novamente contra o gigante americano Reilly Opelka. Teve paciência e competência para segurar os canhões do adversário e vencer em dois dois breaks.

E o que seria o jogo mentalmente mais desafiador veio com Nick Kyrgios. Nadal deu uma lição de foco e concentração. E para o duelo mais esperado contra Carlito Alcaraz soube usar toda sua experiência para superar o jovem talento espanhol. Nas horas em que o vento bateu forte, Nadal usou um recurso curioso de toss baixo para conseguir colocar o serviço em quadra, enquanto o adversário sofreu com seu primeiro saque. Deixou mais uma lição.

Para a decisão os dois jogadores enfrentaram problemas físicos. Taylor Fritz mostrou o seu melhor tênis desde que saiu em cadeira de rodas num jogo em Roland Garros para passar por uma cirurgia no joelho direito. Vindo de uma família de tenistas está alcançando o sonho de ser um grande jogador. Pelo seu lado, Nadal deu o seu melhor dentro de suas limitações e reconheceu a vitória do americano.

Por situações como essa em Indian Wells ainda parece cedo para se falar na tão esperada troca da guarda. O circuito vai ter de esperar, pelo menos, a sempre charmosa e gostosa temporada europeia de quadras de saibro, quando dois dos big 3 (Nadal e Novak Djokovic) têm encontro marcado.

Importante atualização: notícia que vem da Espanha revela que Nadal sofreu fratura por estresse na costela em jogo contra Alcaraz e deve ficar de 4 a 6 semanas em recuperação. Possivelmente estaria fora de Monte Carlo e Barcelona.

Tenistas querem a paz e não merecem animosidades
Por Chiquinho Leite Moreira
março 1, 2022 às 7:24 pm

Justamente na semana em que um russo assume o reinado no tênis masculino, com a liderança do ranking da ATP nas mãos de Daniil Medvedev, o mundo vive um conflito dos mais execráveis com a guerra na Ucrânia. Mas este momento de animosidades não deve gerar o ódio no esporte. Afinal, alguns dos principais jogadores e jogadoras do circuito já se manifestaram contra a invasão russa e merecem também a paz.

Um dos melhores exemplos partiu do também russo Andrey Rublev. Ao conquistar o título do ATP de Dubai ele fez um bonito e marcante apelo pela paz. Escreveu na lente da câmera em quadra a frase “No War Please”, não a guerra, por favor. O vice-campeão da competição, Jiri Vaseli seguiu na mesma escrita com os dizeres de “Não a guerra”.

É claro que na entrevista coletiva, pós jogo, foi questionado sobre o conflito e foi enfático ao dizer que quer a paz, não a guerra. Contou que coisas terríveis estão acontecendo na Ucrânia e pede a união entre os jogadores.

Mesmo assim, a ucraniana Elina Svitolina ameaçou não entrar na quadra diante de adversárias russas se as autoridades não seguissem a determinação do COI (Comitê Olímpico Internacional) de banir o hino e a bandeira russa nas competições esportivas.

A adversária de Svitolina no WTA de Monterrey, no México, a russa Anastasia Potapova considerou-se refém de uma situação em que não teve qualquer participação. Também confessou-se contra a guerra na Ucrânia. E esse tipo de ação, como a exigida por Svitolina, atingiu também outra russa Anastasia Pavlyuchenkova, que revelou estar com medo de represálias.

Jogar com as cores de sua bandeira é um fato raro no tênis. Apenas surge em algumas competições como Copa Davis, a ex-Fed Cup, Jogos Olímpicos, entre outas poucas oportunidades. Na verdade, alguns tenistas nem mesmo revelam interesse, pois muitos são brigados com suas federações e cresceram mundo afora, sem qualquer ajuda de seus países.

Ainda assim, os principais órgãos governamentais do tênis, como a ITF (Federação Internacional de Tênis), ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e WTA (Associação das Tenistas Profissionais) rapidamente elaboraram um manifesto dizendo-se fortemente contra a ação russa na Ucrânia. Além disso, determinaram o cancelamento do torneio, masculino e feminino, de Moscou; a suspensão das federações da Rússia e Belarus; e o que já era esperado o fato de reafirmar que jogadores russos seguirão aceitos no circuito, mas sem serem representados por bandeira e hino de seu país. O que me assusta um pouco é a advertência no início da frase de ‘por agora’. Ora, jogadores em busca de paz declarada não devem de forma alguma sofrerem ameaças ou restrições.

Nunca é demais lembrar que por muitos e muitos anos, jogadores da chamada “Cortina de Ferro”, países do Leste Europeu, não eram bem vindos ao circuito de tênis. Podia-se contar nos dedos, os tenistas que obtinham autorização para participar de eventos internacionais. Mas, assim que houve a liberação, o tênis feminino foi o que mostrou maior impacto. Afinal, das 128 vagas dos Grand Slams, cerca de 1/3 passaram rapidamente a serem ocupadas por jogadoras do Leste.

A esperança é de que paz reine no mundo e no tênis. Mas fica a expectativa como rivais em quadra irão se comportar em meio a um conflito que envolve praticamente todas as nações. A começar pelo exemplo do tenista ucraniano Sergiy Stakhovsky, que se alistou no exército de seu país e ainda publicou em mídias sociais que gostaria de dançar sobre o túmulo de Putin. A meu ver colocar armas na mão de quem sabe bem manusear uma raquete, diante de soldados bem preparados e treinados, só irá servir para justificar o ataque a civis.

O esporte sempre jogou pela paz… e que sirva para este fim, sem animosidades.