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Meninas do Brasil vivem um conto de fadas
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 2, 2021 às 5:39 pm

No clima agitado dos Jogos de Tóquio ainda há tempo para celebrar a histórica medalha de Luisa Stefani e Laura Pigossi. A façanha soou como um conto de fadas, com final feliz. Em um evento com tantas desistências, o espírito olímpico invadiu o coração das meninas brasileiras. E a conquista também premiou o esforço e insistência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), através das ações do seu diretor Eduardo Frick.

O título acima “meninas do Brasil” é uma forma também de homenagear o tênis feminino brasileiro, como enfatizou a jornalista Diana Gabaniy.  Em um post muito bem escrito nas mídias sociais, ela  exaltou o esforço e dedicação de todas as jogadoras do País que, de uma maneira ou de outra, também escreveram seus nomes na história.

Assim como muitos contos de fadas, o resultado final é improvável, mas revela a importância do imaginário no pensamento positivo. É acreditar sempre. Tanto Luisa como Laura estavam num caminho difícil, mas certeiro para obter sucesso na carreira, ou seja, buscando um lugar ao sol, fora do Brasil. Afinal, para os sul americanos jogarem tênis em nível competitivo as viagens são imperativas.

Os acontecimentos que levaram o Brasil a conquistar a sua primeira medalha no tênis já são conhecidos. Mas creio que nunca é demais enfatizar que Laura Pigossi estava no Cazaquistão e foi surpreendida pela notícia – depois de insistentes tentativas de contato por Frick -. Sem contar ainda com a corrida contra o tempo do diretor da CBT para acordar Luisa, nos Estados Unidos, e fechar a inscrição da dupla brasileira lá no último minuto.

O improvável começou já na estreia, com vitória sobre as cabeças de chave número 7, as canadenses Dabrowski e Fichman. Seguiu com um verdadeiro milagre nos quatro match points diante de Pliskova e Vandrousova. E depois de passarem por Mattek-Sands e Pegula, não desistiram após a derrota para Bencic e Golubic. A ponto de num entusiasmo de encher os olhos saíram de um buraco enorme, com desvantagem de 9 a 5 no match tie break para garantir um lugar no pódio depois de superarem Kudermetova e Vesnina.

Essa medalha representa o resultado de um esforço coletivo. O time brasileiro contou com a experiência e competência do capitão Jaime Oncins. Não se pode esquecer que Daniel Melo – irmão de treinador de Marcelo Melo – também colocou todos os seus conhecimentos para ajudar uma outra dupla e merecer também festejar com todos essa incrível conquista em Tóquio.

 

Tóquio revela desfalques, mas vale ouro
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 19, 2021 às 3:30 pm

Não é segredo para ninguém que os Jogos Olímpicos de Tóquio seriam diferentes, por conta dessa pandemia. O torneio de tênis não escapou de um número enorme de desfalques. Mas não tenho dúvidas de que para a grande maioria dos jogadores, um título de Grand Slam, ou até mesmo de um 1000 (ATP ou WTA) vale mais do que uma medalha. Nem todos pensam assim, mas é um sentimento comum entre muitos.

Esta falta de interesse para Tóquio – é claro que agravada fortemente pela Covid-19 e as inúmeras restrições impostas aos participantes – já foi sentida, de certa forma, pelo Australian Open. A competição era jogada no final da temporada, na distante Melbourne. Tenistas estavam exaustos e não queriam atravessar o mundo, mesmo para um Grand Slam.

A diferença é que a Austrália melhorou e muito. Mudou de data, passou para o início da temporada, realizou reformas, construiu novas quadras cobertas e transformou-se num dos eventos mais atraentes para os tenistas de todo o mundo.

Enquanto isso, o torneio olímpico piorou em função de uma infeliz rivalidade entre a ITF (organizadora do evento) e as associações de classe, a ATP e a WTA. Em Londres, o campeão de simples recebia 700 pontos para o ranking, algo compensador, em se tratando de um torneio a mais. Só que para o Rio de Janeiro e agora também Tóquio, a competição segue sem pontuação.

É claro que participar de uma Olimpíada é uma experiência que qualquer atleta gostaria de viver. Mas, justamente, para o tênis o interesse sempre foi relativo. A modalidade fez parte desde os primeiros Jogos em 1896 e depois saiu em 1924. Por que cargas d’agua aconteceu isto? Só voltou em 1988 (quatro anos antes foi disputado como exibição) e com nova cara e relativo interesse. Mas, desde o Rio, deu um passo atrás.

A competição é grande. São 188 jogadores em cinco eventos. As chaves de simples e duplas, masculina e feminina começam dia 24. A final entre as mulheres está marcada para o dia 31 e entre os homens no dia primeiro de agosto. As mistas iniciam-se dia 28 e serão disputadas em quatro rodadas. Em todas as chaves os semifinalistas disputam bronze.

Os jogos serão em quadra dura no Ariake Coliseum, o mesmo estádio que recebe o Japan Open e o Pan Pacific Open. É um dos poucos lugares em que se orgulha de ter um teto retrátil, mas não poderá receber as dez mil pessoas de sua capacidade.

Dos últimos campeões, Andy Murray, Rafael Nadal,
Serena Williams e Monica Puig, apenas o britânico estará na chave a ser sorteada no dia 24.

Djokovic deixa tudo igual, mas diferente
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 11, 2021 às 6:13 pm

20/20/20 São os números de troféus de Grand Slam dos três maiores tenistas da história. Pela ordem de idade são Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Está tudo igual, mas diferente pelas perspectivas. O Sérvio de 34 anos está com fome e forma para alcançar outras conquistas. O espanhol, com 35, tem também boas chances. E o suíço, com 39 quase 40, vai precisar de muita sorte ou até mesmo um milagre, mas segue tendo a torcida de muitos para concretizar esta façanha.

Alguns analistas já foram mais duros ao revelar suas perspectivas. Um deles é o ex-campeão e hoje comentarista da tevê americana John McEnroe. Ele foi taxativo em dizer que Federer não ganha mais Slams, acrescentou que Nadal pode levar mais um, e Djokovic deve ganhar muitos outros.

A realidade está escrita com letras fortes. Dos 20 troféus de Grand Slam, Djokovic conquistou os últimos oito após completar 30 anos. O sérvio está em forma invejável e numa jornada que está longe de se encerrar.

Antes que comecem os gritos das rivalidades, gostei demasiadamente do discurso de Novak Djokovic a respeito do big 3. Disse com sinceridade que deve pagar um tributo ao que fizeram Federer e Nadal. A importância dessas lendas o motivaram e o fizeram um melhor jogador, em diversos aspectos. Reconhece ainda que ao chegar ao top 10 colecionava mais derrotas contra ambos do que vitórias. Aprendeu perdendo.

Aliás essa é uma característica louvável no comportamento de Novak Djokovic. Enfrentou dificuldades desde criança e, assim como aprendeu com Federer e Nadal, jamais desperdiçou oportunidades de se tornar o número 1 do mundo.

E o clima amistoso no big 3 levou até mesmo Roger Federer a declarar que se sente orgulhoso com a oportunidade de ter vivido com Djokovic uma era especial do tênis. E, sem dúvida, respeitando as preferências individuais uma verdade é que somos privilegiados por sermos contemporâneos de uma geração  de gênios da raquete como esta.

A decisão de Wimbledon também trouxe um novo finalista. Matteo Berretini deixou claro que esta derrota não é o fim, mas sim apenas o começo de uma carreira já brilhante.

BARTY: O título de Wimbledon ficou em boas mãos. É isso mesmo, acho que o tênis feminino cresceu com a conquista da tenista australiana. Ela acrescentou estilo à modalidade. Revela uma variação de golpes pouco comum entre as mulheres. E talvez isso sirva de inspiração para novas jogadoras, pois as atuais revelam um jogo muito parecido.

Também foi muito bonito e apropriado Asheigh Barty usar um uniforme em homenagem a última campeã australiana em Wimbledon, Evonne Goolagon, campeã em 1971 e em 1980.

 

Wimbledon chega à reta final com emoções e casa cheia
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 4, 2021 às 9:21 pm

O mais antigo torneio do planeta mantém sua tradição de competição emocionante e polêmica. A grama era a superfície de três dos quatro Grand Slams, mas hoje revela-se traiçoeira, escorregadia e cruel. Tirou de cena Adrian Mannarino, Serena Williams e puniu Stefano Tsitsipas, que subestimou sua preparação.

Agora, Wimbledon chega a reta final com perspectivas de duelos incríveis e uma atmosfera eletrizante. Afinal, a organização do All England Club já anunciou que a partir das quartas de final iremos ter casa lotada. Difícil entender esta atitude diante de uma pandemia, que sei lá se está sob controle. Nestes primeiros dias vimos arquibancadas bem cheias, com gente sentada lado a lado, sem máscara, mas com entrevistas pós jogo respeitando o distanciamento. Ora, se na arquibancada pode ficar tudo junto e misturado, por que não numa área livre como a quadra? Enfim, o melhor mesmo é ficar na torcida para nenhuma nova onda.

Em quadra, Novak Djokovic mantém seu favoritismo, mas ainda distante de seu melhor tênis. Segue vencendo, mas sem ser aplaudido como gostaria. O sérvio jamais esquece o fato de não contar com apoio da torcida. Acho bem curioso, pois é um gênio da raquete e vejo como um privilégio ser seu contemporâneo.

O queridinho da torcida – e não poderia mesmo ser diferente – Roger Federer chegou a seu objetivo declarado de ir a segunda semana. Só que o sonho seria um novo título para coroar sua brilhante carreira. O suíço tem uma chave bastante difícil e talvez tenha mesmo de se conformar em estar nas oitavas de final neste ano. Mas jamais devemos duvidar de um jogador como ele.

A chave masculina também revela um número dois do mundo, que saiu do buraco no seu último jogo. Perdia por 2 sets a 0 para Marin Cilic e ressurgiu com uma força assustadora. Ele tem ainda uma remota chance de terminar Wimbledon na liderança do ranking. Para isso precisa levantar o troféu de campeão, ou ir a final, desde que Djokovic seja eliminado nas rodadas anteriores, como lista o informativo da ITF desta segunda feira.

Confesso que no fundo hoje deu uma vontade de reviver os bons tempos em Wimbledon. Se estivesse lá não iria perder a chance de ver o jogo de Sebastian Korda contra Karen Khachanov. O tenista americano filho do campeão do Australian Open, Petr Korda, na sua primeira participação no Grand Slam inglês mostra um tênis de qualidades invejáveis e carrega no sangue o espírito vencedor.

Entre tantos bons duelos também não dá para perder o das campeãs de Roland Garros: Ashleih Barty e Barbora Krejcikova. A australiana, na minha opinião, tem o estilo mais apropriado à grama. Mas, até agora, não jogou seu melhor. Enquanto a tcheca é considerada versátil em qualquer superfície. Enfim, o ideal seria poder estar de olho em todas as quadras do All England Club. Um sonho para todos nós amantes do tênis…

 

Djokovic abre Wimbledon e vem com inédita preparação
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 26, 2021 às 9:41 pm

Como campeão do ano passado, Novak Djokovic tem a honra de abrir o Torneio de Wimbledon, numa tradição nem sempre possível. Depende, muitas vezes, dos defensores do título, que por vários motivos aceitáveis, como recuperação de lesão ou vindo de outra competição, pedem para estrear apenas na terça, ou mesmo na quarta feira. Mas Nole este ano fez, na minha opinião, a preparação dos sonhos para chegar ao AELTC em boa forma.

O torneio de Wimbledon, além de ser disputado numa superfície não muito comum nos dias de hoje, é infernal nesses primeiros dias. Não há muitas condições para treinos tranquilos. Algumas quadras estão fechadas e resta o Aorangi Park. Trata-se de um canto do All England Club reservado aos treinamentos. Já vi muitos astros do circuito tendo de dividir espaço. Ora uma dupla fica cruzando bola de direita. Depois combina com a outros dois jogadores e cruzam de esquerda. E para jogar um set então as dificuldades aumentam. Sem contar que nos dias de chuva ficam liberadas umas quadras de carpete num galpão do outro lado da rua. Por isso alguns tenistas, os mais abonados especialmente, chegam até a alugar casas nos arredores com quadra exclusiva.

Djokovic saiu de tudo isso na semana de preparação. Participou de um torneio – o que não é comum para jogadores que sonham com um título de Slam – mas apenas disputou a chave de duplas. A modalidade é muito boa para quem busca adaptação à grama. Treina-se o saque, a devolução e os voleios. Armas muito poderosas na superfície de Wimbledon.

Além disso, em Maiorca Djokovic fugiu do estresse e da tensão de Londres. É claro que como grande astro de uma competição menor, teve quadra livre a hora que quisesse. Vi até um vídeo dele batendo bola com seu filho. Entre outros detalhes também não perdeu. Apenas teve de abandonar a competição pois seu parceiro Carlos Gomes-Herrera sentiu uma lesão. O único fato que pode tirar o foco do número 1 é o reaparecimento dos comentários da sua associação a PTPA. Pelo que conheço da imprensa britânica, seja a séria ou a sensacionalista, este será um assunto em todas a suas coletivas.

Para seu jogo de estreia Djokovic vai precisar estar muito tranquilo e bem preparado. Seu adversário é pouco conhecido e nem tem um ranking dos melhores. Jack Draper é um inglês que nasceu nas quadras de grama e vem de vitórias importantes no torneio de Queen’s. Bateu Jannik Sinner e Alex Bublik. E a primeira rodada sempre é um pouco mais nervosa.

Se tudo correr como o esperado, Djokovic pode cruzar novamente com Stefano Tsitsipas. O duelo está longe ainda, mas, sem dúvida, seria um jogo de tirar o fôlego.

Chegar a segunda semana de Wimbledon é o sonho do super campeão Roger Federer. Para quem reinou muitos anos na grama sagrada de Wimbledon pode parecer pouco, mas a previsão é real. Nessas situações sempre lembro de Pete Sampras. O norte-americano ficou longo período sem títulos e, de repente, ganha o US Open, na sua despedida. Por isso, não arrisco palpites sobre o suíço, embora a situação seja claramente ruim.

A chave masculina de Wimbledon este ano, para alguns analistas, ficou boa para um lado, o de cima, onde está o número 1, Djokovic, e mais difícil no quadro inferior. Só que na grama, o jogo é muito peculiar. É uma superfície traiçoeira e rápida. Por isso, certamente nos primeiros dias vamos ter a impressão de que vários tenistas estariam batendo na bola ‘atrasados’, mas é resultado do solo escorregadio.

No lado da chave feminina, com Serena Williams distante de seu melhor tênis, fica tudo muito aberto. Mas há a expectativa de grandes duelos. Vejo Ashleigh Barty com estilo perfeito para a grama. Muita curiosidade sobre o que vai fazer a campeã de Roland Garros, Barbora Krejcikova. O mesmo sentimento para Bianca Andrescu, que não vem repetindo as boas atuações que a levaram a vencer o US Open. Também a espera do que podem jogar Aryna Sabalenka, Maria Sakkari, Garbine Muguruza entre outras como Jelena Ostapenko, que reapareceu em Eastbourne.

Enfim, já com saudades do Torneio de Wimbledon, que não foi disputado ano passado, a expectativa é de muitas emoções desde o primeiro dia. Afinal, dos quatro eventos do Grand Slam de tênis, três eram jogados na grama, agora só o do SW-19 em Londres.

 

Wimbledon traz boas recordações ao tênis brasileiro
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 21, 2021 às 4:56 pm

Enfim de volta (*) e com boas recordações. Além dos vários títulos de Maria Bueno, das quartas de final de Guga Kuerten, André Sá, Armando Vieira e também – por que não? – o troféu de Bob Falkenburg, o Torneio de Wimbledon marcou uma das melhores fases de tênis brasileiro.

Por vários anos, o time brasileiro em Wimbledon era numeroso. A ponto de o press officer da época, Richard Berens, procurar-me para tirar a limpo uma informação: a de um número recorde de tenistas nas chaves principais de simples, masculina e feminina. Contou que eram 7 entre os homens e mais duas mulheres. Não soube responder na hora, mas vivemos situações parecidas por diversas temporadas.

O segredo para este sucesso estava numa série de atitudes: amor pelo esporte, determinação, coragem e sacrifícios. Mas a meu ver a união fez a força. O grupo de brasileiros andava sempre junto e havia um incentivo mútuo.

O endereço dessa história era “49 Lancaster Gate”, onde tudo começou. Era a Casa do Brasil, local para estudantes do Itamaraty em que Carlos Kirmayr conseguiu abrir as portas para os tenistas brasileiros. Eu entrei de intruso. Longe do luxo dos hotéis cinco estrelas dividíamos quartos, jantares, opiniões e. sobretudo, muita união. Cada um ajudava o outro da melhor forma, todos compartilhando seus conhecimentos e experiências.

Confesso que hesitei em divulgar alguns dos nomes desse verdadeiro exército, mas quis enfatizar para dar dimensão. Por isso, esquecendo alguém, favor lembrar-me para atualizações. É claro que alguns iam para hotéis, mas na Casa do Brasil ficavam nomes como Givaldo Barbosa (nosso líder dos musicais londrinos), Ivan Kley, que detestava jantar com a luz do sol do verão inglês invadindo a janela do restaurante, talentos como o saudoso José Amin Daher e seu treinador o Gringo, Neco Aerts e Danilo Marcelino, que depois virariam sócios, os irmãos Marcos e Alexandre Hocevar, o bem humorado Fernando Roese, o falante Dácio Campos, o criativo Ricardo Acioly, não por acaso Pardal, Mauro Menezes, Nei Keller, Meca Goes, entre vários outros em Londres como Cassio e Nico. As meninas também pisavam na grama sagrada do All England Club, como Niege Dias e Gisele Miró, Pat Medrado e não lembro se Dadá Vieira era dessa época.

Lamento que estes jogadores não emprestem seus conhecimentos e experiências para cuidar de jovens tenistas brasileiros. Conhecer o caminho das pedras – como buscar parceiros para treinos, locais para hospedar-se, troca de informações – poderia contribuir para facilitar a vida dos que estão nos primeiros passos do profissionalismo.

* Por problemas técnicos fiquei fora do ar por um bom período. No último post coloquei em cheque se “a troca da guarda, enfim, poderia acontecer em 2021”. Mas até agora, com exceção do título de Dominic Thiem, o Big 3 segue reinando. Só que neste Wimbledon alguns já falam de um fim de uma era. Roger Federer está instável, mas jamais duvide do suíço, enquanto Rafael Nadal desistiu da competição.

Tenistas da categoria de Nadal jamais entram num torneio de Grand Slam apenas para participar. O espanhol se não tiver certeza de que pode vencer sete jogos para ser campeão, prefere nem participar. É bom lembrar que certo ano em Roland Garros, ele desistiu do torneio na segunda rodada. Seu médico, Angel Gottorro, avisou que não teria condições físicas para mais cinco partidas. Sendo assim, resolveu sair antes mesmo do terceiro jogo.

Enfim, os próximos dias em Wimbledon prometem muitas emoções e talvez surpresas.

A troca da guarda, enfim, virá em 2021?
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 23, 2020 às 3:58 pm

Muito se fala sobre esta nova geração do tênis. São realmente jogadores carismáticos e talentosos. Mas ainda vejo o Big 3 reinando nos principais torneios do circuito. No início de 2019, quando Stefano Tsitsipas bateu Roger Federer na Austrália, o sete vezes campeão de Grand Slam, John McEnroe afirmou que aquela temporada marcaria a “changing of guard”. Errou e, apesar da espetacular campanha de Daniil Medvedev no ATP Finals, dificilmente ainda teremos esta ‘troca da guarda’.

Não se pode negar que esta nova geração vem para substituir o Big 3 com qualidade, beleza no jogo e emoção. Só que Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic reinam há mais de uma década nos torneios do Grand Slam e não devem abandonar esse domínio em 21. Sem contar com Andy Murray e Stan Wawrinka, que também podem ser considerados os “big prizes”, dá para contar nos dedos os vencedores das quatro maiores competições do tour. Gaston Gaudio ganhou Roland Garros, em  2004; Marat Safin, o Aberto da Austrália, em 2005; Juan Martin Del Potro o US Open, em 2009; e Marin Cilic também o US Open em 2014.

Este ano Dominic Thiem conquistou o título em Nova York. Show, muito legal para um tenista que pode brigar pela liderança do ranking. Mas o US Open de 2020 tem de entrar para a história com um asterisco. Afinal, Federer não pôde jogar, Nadal não quis e Djokovic teve de sair pela porta dos fundos, infelizmente.

E também louvável o que fez Medvedev nesta reta final. Aliás, vou abrir um parêntese: acho que o russo, se tivesse acreditado desde o início da partida, poderia ter vencido Nadal na final do US Open do ano passado. Estava lá e confesso que nunca tinha visto o espanhol terminar um jogo tão exausto e em tanto perigo.

Medvedev fez recentemente o que parecia impossível. Não vinha de bons resultados. Estava com a confiança abalada. E, de repente, chega a 10 vitórias consecutivas, depois de vencer Paris Bercy e levantar o troféu em Londres fazendo história ao bater na mesma competição o número 1 do mundo, Djokovic, o dois Nadal e o três Thiem. Apenas outros três jogadores fizeram o mesmo: David Nalbandian em 2007, em Paris; Djokovic, também em 2007, em Montreal; e Boris Becker, em Estocolmo, em 1994.

Esse duelo de gerações certamente ainda vai muito o que falar. Muitos torcendo pelo Big 3 e outros pelos novos. Mas ao meu ver quem ganha com tudo isso é o tênis. Se os tempos permitirem, com queda dessa pandemia, 2021 deve apresentar uma das melhores temporadas dos últimos anos, tanto no masculino, como no feminino.

Será que é justo eleger o melhor de todos os tempos pelo número de Slams?
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 20, 2020 às 1:39 pm

O 13º título de Rafael Nadal em Roland Garros provocou outro número que, à princípio, o espanhol não quis dar importância. Afinal, vinha de uma conquista incrível e não seria a hora de desviar o assunto. Mas aos poucos o mundo do tênis passou a dar importância aos 20 troféus de Grand Slam, marca igualada a Roger Federer. Com 17 títulos e também na corrida vem Novak Djokovic severamente machucado com a desclassificação do US Open e pela derrota em três sets em Paris.

Embora amigos, a rivalidade entre Federer e Nadal segue forte. No twitter de congratulações enviado pelo suíço entre tantos elogios à 13ª conquista em Roland Garros fica um alerta de que a marca de 20 troféus trata-se apenas de “mais um degrau em nossa jornada”. O que deixa claro que essa disputa é boa e deverá seguir nos próximos anos.

Essa busca pelo melhor, com um empurrando o outro para o topo, coloca a atual geração em momento histórico. Afinal, é um privilégio ter três jogadores com tanto talento e conquistas numa mesma época. Um fenômeno que, acredito eu, nunca mais acontecerá no tênis.

Mas será possível definir ‘o melhor de todos os tempos’ pelo número de títulos de Grand Slam? Há alguns anos, quando Pete Sampras conquistou o 14. Slam, a ATP elegeu o norte-americano como o melhor, mas evitou usar ‘de todos os tempos”. Isso em respeito a outros jogadores do passado.

O melhor exemplo é o de Rod Laver. Em tempos em que dos quatro Grand Slams três eram jogados na grama, ele conquistou 11 troféus. E incrível, quatro no mesmo ano de 1962, como amador, outros quatro em 1969, já como profissional. O australiano era praticamente imbatível nas quadras de grama, assim como Nadal no saibro de Paris.

Um detalhe importante levou a ATP a respeitar e evitar o uso de “todos os tempos’. Afinal, Laver foi impedido de jogar de 1963 a 1967, pois os Slams eram restritos a jogadores amadores. A era aberta começou em 1969 com o segundo “Calendar Slam” do australiano.

Se se pode definir o melhor de todos os tempos pelo número de Slams é polêmico. Há outros elementos importantes na luta por esse reinado. Mas, sem dúvida, essa briga só acrescenta ao tênis, ainda em tempos de “big three”, mas com a nova geração chegando também forte e talentosa.

Djokovic esquenta o clima para Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 21, 2020 às 7:26 pm

Longe de ser o mais querido dos jogadores do circuito, não há como negar que Novak Djokovic é um monstro. E justamente pelo seu tom polêmico, a recente vitória no Masters 1000 de Roma vai esquentar o clima para Roland Garros, com efeitos de amor e ódio. Prefiro entender que o sérvio tem uma forte personalidade e a mente de campeão, descrita tão bem no livro sobre Pete Sampras de autoria do jornalista norte-americano Pete Bodo.

A formação de um grande campeão é recheada de adversidades e exigências. Djokovic vem enfrentando todos estes obstáculos com perseverança e, mesmo a contra gosto de muitos, revela um bom senso incrível, digno de admiração. Mas mesmo assim, muitos adoram atacar o sérvio.

Há várias razões para isso. A mais comentada é que Djokovic apareceu para estragar a festa. O público estava dividido entre Roger Federer e Rafael Nadal, até aparecer um sujeito determinado com um tênis p’ra lá de eficiente e forte nas palavras e decisões.

A situação tende a ficar ainda mais acirrada. Afinal, Djokovic vem realizando um ano incrível e seguindo assim irá bater muitos recordes. Esta semana passou Sampras no número de semanas como número 1 do ranking. Superou Nadal nos títulos de torneios da série 1000. Mas jamais poderá alcançar a série de títulos do espanhol em Paris.

Na final de Roma, Djokovic fez um afirmação das mais enfáticas. Disse que não sentiu estar jogando bem durante toda a semana. Só que nos momentos em que precisou, ele encontrou o seu melhor tênis.

Djokovic é assim na vida. Pode parecer antipático, polêmico, controverso, mas quando precisa sabe encontrar o melhor termo. No contato pessoal dá para perceber que o sérvio tem sinceridade. Há jogadores que dão entrevistas como se fossem robôs. Duros, sem sensibilidade e respostas “no automático”. Certo ano falei com ele, com exclusividade, em Paris e transmitiu interesse em responder bem, com atenção e a criatividade dos gênios.

Esta virtude de Djokovic é vista também na sua capacidade de falar e em diversos idiomas. Acompanho meu colega e amigo Chris Clarey (que também é digno de admiração pela sua competência e fluência em inglês, francês, espanhol e italiano). O jornalista americano escreveu que o sérvio é um poliglota ao falar sérvio, inglês, alemão, um bom francês e perguntou se havia outras línguas mais. Prontamente a esposa do tenista Jelena, respondeu dizendo que Nole também fala russo. E ela confessou que foi uma decisão de um dia para o outro. De repente, mostrou-se capaz em expressar-se também em russo. Muitos outros disseram que faz o mesmo com o espanhol.

Ora, com todo esse domínio e as inúmeras derrotas que impõe aos seus adversários é natural que Djokovic não seja uma unanimidade. E, por isso, ainda vai dar muito o que falar…

US Open supera desafios, mas deixa marcas
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 14, 2020 às 2:29 pm

A decisão de realizar um torneio do tamanho do US Open em plena pandemia foi ousada. Mas ao final de duas semanas de jogos, emoções e polêmicas, os dirigentes da USTA desfilaram de peito estufado pela Arthur Ashe. A forte emoção  no discurso do atual presidente da Associação Norte-Americana de Tênis, Patrick Galbraith, deixou claro que assumiu riscos enormes e estava aliviado ao chegar ao fim com relativo sucesso.

É claro que não dá para obter um sucesso total, num torneio realizado sem público. Aliás, a torcida no US Open proporciona uma atmosfera eletrizante e faz parte do show. É preciso também considerar que a ausência do “Big 3” deixa aquele gosto amargo e certa frustração.

O saldo, porém, pode-se dizer que foi positivo. As marcas ficaram por diversas polêmicas, como o caso do francês Benoit Paire e a desclassificação de Novak Djokovic, além de outros problemas que envolveram a bolha do US Open.

Para muitos também o sucesso não foi total, pois a final masculina teria deixado a desejar. Respeito a opinião de todos, mas sinceramente vi um jogo cheio de alternativas, com desafios na parte técnica, física e, especialmente, mental. Vejo o tênis muito além de boas raquetadas. E os ingredientes dessa decisão estiveram também variados.

No lado feminino, o título ficou em boas mãos com Naomi Osaka. Ele celebra duas semanas de bons jogos e a demonstração de uma forte personalidade. Para alguém tão tímida como ela aparenta ser, sua luta pelo fim do racismo exerceu um grande papel na sua já gloriosa carreira. E também como não celebrar a volta de Victoria Azarenka aos grandes momentos. Depois de passar por tantos momentos difíceis, sem dúvida, ela deu a volta por cima.

Para o Brasil mais um torneio marcante com a merecida conquista de Bruno Soares. Um Grand Slam é sempre muito especial. Mesmo que tenha sido realizado em tão diferentes condições.