Enhorabuena Carlitos, mas calma com a troca da guarda
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 9, 2022 às 4:46 pm

Como se diz em espanhol “enhorabuena Carlitos”, parabéns Carlos Alcaraz. Não resta dúvidas de que ele merece todos os elogios. Com perdão do trocadilho, também chega em boa hora. É talentoso, simpático e confirma seu carisma com o recorde de audiência na TV de seu país, na transmissão da final do Masters 1000 de Madri.

Pelo seu jeito de ser é de se esperar que siga tendo este comportamento. É lógico que com o assédio maior terá de tomar mais alguns cuidados. Só que vejo como natural sua simpatia, humildade, longe de estrelismos.

A pressão também tende a ser maior. Todos agora sempre esperam muito de Alcaraz. E é por isso que se deve ter cautela em decretar a “troca da guarda”. Não restam dúvidas de que ele pode alcançar o topo da lista do ranking mundial, ganhar troféus de Grand Slam, mas tudo isso deverá vir com o tempo.

Longe de querer tirar qualquer mérito do que tenha feito em Madri é preciso entender que nem Novak Djokovic, nem Rafael Nadal estavam no auge. Claro não serve como desculpa. Entrou na quadra está valendo.

Roland Garros deverá apresentar outro cenário ao de Madri. Além da quadra em Paris ser mais lenta, os jogos são em melhor de cinco sets – no que Alcaraz também já mostrou eficiência -, seus maiores adversários devem estar em excelente forma. E como disse o russo Yvgeny Kafelnikov o melhor para o próximo Grand Slam é torcer para não cair na mesma chave do jovem espanhol.

Se tudo seguir como o esperado, Carlos Alcaraz chega a Roland Garros praticamente no mesmo nível de favoritismo de Novak Djokovic e Rafael Nadal. A experiência, porém, pode falar alto, assim como a juventude e forma física de Carlitos pode balancear as forças.

A simpatia e humildade de Alcaraz também são bem vinda. Afinal, há algumas semanas vivemos momentos tensos no tênis com o comportamento de jogadores como Alexander Zverev, Nick Kyrgios, Jenson Brooksby e até mesmo Benoir Paire. Embora o ingresso para ver estes jogadores possa valer a pena, ainda acho que para ver Carlitos vale muito mais.

As grandes estrelas voltam em Madri, mas quem brilha é Alcaraz
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 29, 2022 às 2:52 pm

Com a óbvia exceção de Roger Federer, as grandes estrelas voltam em Madri. Desde Roland Garros de 2021 que Novak Djokovic e Rafael Nadal não se encontravam no mesmo torneio, por uma série de razões, como vacina ou lesões. Do último duelo, nas semifinais em Paris, muita coisa mudou. E, infelizmente, nem o sérvio nem o espanhol parecem estar em excelente forma.

Não é segredo para ninguém que as condições de jogo em Madri são consideradas as mais rápidas da temporada europeia. Claro que não agrada o espanhol e também o sérvio não demonstra estar em boas condições de ritmo para aproveitar a oportunidade. Mas não restam dúvidas de que essa rivalidade por si só já é um tremendo atrativo. São 58 encontros, com 30 vitórias para Djoko.

A ESTRELA BRILHA – Mesmo com Djokovic e Nadal de volta a Madri, o maior sucesso na cidade chama-se Carlos Alcaraz. Ele, pela primeira vez em sua carreira, participou de um programa de entretenimento de enorme audiência na TV espanhola, o ‘El Hormiguero”.

O jovem tenista revelou todo seu carisma e fez revelações incríveis. É claro que seu treinador, o experiente Juan Carlos Ferrero, vigiou de perto todas as perguntas e respostas. Mas ainda assim Carlito saiu com histórias incríveis. Em certo momento deixou claro que apesar de todo seu sucesso nas quadras tem uma vida normal. Confessou que nas raras vezes em que vai a uma festa bebe gin com limão. “Não posso negar que já fiquei meio bêbado alguma vez.”

Não fosse, porém, seu bom preparo físico, certamente Alcaraz não teria conquistado o título em Barcelona. Por causa das chuvas precisou fazer dupla jornada no domingo. Disse que entre o jogo das semifinais (contra Alex de Munar) e a decisão com Pablo Carreño Busta descansou por apenas três horas. Contou que dormiu um pouquinho – “durmo em qualquer lugar” – e levantou com o pé esquerdo. Afinal, escorregou numa escadaria, mas ficou feliz em não comprometer sua atuação na decisão do título.

É muito legal que “Charlie”, como ele diz que se chama para se motivar durante as partidas mais duras, mantém uma contagiante simplicidade. Contou que a parte financeira fica com seus pais. “Se for para comprar um jogo de tacos de golfe, que me encanta, não preciso pedir permissão. Mas para, por exemplo, comprar um carro sim”.

Carlito, Charlie, Carlos Alcaraz demonstra ter uma forte personalidade. Por isso, é de se acreditar que vai saber superar todo esse assédio. Já provou isso esse ano, quando perdeu para Sebastian Korda em Monte Carlo. Disse ter encarado o fato apenas como mais uma derrota. Mas, sem dúvida, tem muito crédito. Afinal, não só ganhou Barcelona, como Miami e o Rio Open. Um tenista de muito sucesso, talento e carisma.

 

O lado obscuro do esporte branco
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 25, 2022 às 3:53 pm

O número um do mundo, Novak Djokovic, segue pagando um alto preço por suas escolhas. Embora tenha aumentado sua margem de pontos na liderança do ranking, em relação a Daniil Medvedev, ainda sente a falta de ritmo e o desgaste físico por uma doença misteriosa. Garante não ser sequela da Covid-19, mas não aguentou o terceiro set diante de Andrey Rublev, mesmo jogando em casa, com apoio da torcida.

Este mesmo fim de semana viu, mais uma vez, o carisma e o talento do jovem espanhol Carlito Alcaraz. Num dia em que fez jornada dupla celebrou mais um título e manteve a tradição ao mergulhar na piscina do clube, ao lado de pegadores de bolas. Além disso, teve uma semana memorável, com sua estreia no grupo dos top ten, como um dos mais jovens da história, repetindo o feito de Rafael Nadal em 2005.

Mas o ‘esporte branco’, como era conhecido o tênis, única e exclusivamente pela predominância da cor nos uniformes, hoje revela também o seu lado mais obscuro. A política invadiu a quadra e os organizadores do Wimbledon seguiram as recomendações governamentais e irão banir jogadores russos e bielorussos do próximo torneio. É possível ainda que as federações da Itália e França sigam o mesmo caminho, o que causaria mais transtornos no Aberto de Roma e em Roland Garros.

O mundo do tênis está dividido sobre esse assunto. E, portanto, como sempre é preciso respeitar as opiniões. Mas vale lembrar que para quem viveu o circuito mundial por muitos anos sabe que há muito os jogadores russos nem sequer vivem mais no seu país de origem. Vários são até brigados com sua federação e se radicaram em outras nações. Isso já acontecia desde os tempos de Marat Safin, que passou uma temporada na Espanha. O mesmo se vê com Rublev ou Medvedev, que escolheu a França. É válido também o pensamento de que qualquer ação pode ajudar a pressionar Vladimir Putin a buscar a paz e decretar o fim da invasão na Ucrânia.

Muitos, porém, são enfáticos de que russos e bielorussos têm mesmo de ser banidos do esporte. Um desses casos é o da ex-número 1 do mundo, a belga Justine Henin. Mas entre as muitas manifestações, uma me chamou bastante a atenção. Foi a do australiano John Millman. Ele contou num Twitter que na primeira vez que se qualificou para Wimbledon pediu dois ingressos para seus familiares. A reposta dos organizadores é de que essas pessoas poderiam pegar a fila na calçada. Ele seguiu dizendo que o dinheiro significa muito no All England Club e sugere que no lugar de banir atletas o clube poderia doar os lucros para as vítimas da guerra.

Enfim, o lado sombrio do tênis também tomou conta da falta de punições mais severas para os tenistas. Casos como o Jenson Brooksby, Nick Kyrgios e Alexander Zverev tiveram ações brandas. Mas isso é compreensível, pois a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), como já diz o nome, é uma entidade de classe, que parece mais estar passando a mão na cabeça dos jogadores do que exigindo comportamento digno. A expectativa fica para eventos como Roland Garros ou Wimbledon, torneios geridos pela ITF, a Federação Internacional de Tênis, que historicamente não anda de braços dados com as associações de classe do tênis.

 

Miami revela que há vida além do “Big 3”
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 4, 2022 às 12:57 pm

É claro que Novak Djokovic e Rafael Nadal seguem dominando e que Roger Federer já provoca uma supervalorização nos ingressos em torneios que supostamente voltará às quadras. Mas mesmo dentro desse cenário, Miami revelou que existe sim vida além do “Big 3”. Há muito tempo  se fala do Next Gen, mas a conquista de Carlos Alcaraz, nos Estados Unidos, confirmou que o futuro do tênis está garantido, com jogadores talentosos e carismáticos.

Uma das provas desse fenômeno veio através do twitter de Nicola Arzani, vice-presidente da ATP. O dirigente italiano conta que nasceu um superstar no tênis, com Carlos Alcaraz brilhando tanto dentro, como fora das quadras, ao passar mais de duas horas atendendo a mídia em Miami. Esse mesmo interesse dá para se notar nas arquibancadas do torneio, com uma torcida entusiasmada e vibrando com o jovem espanhol, assim como nas conversas dos fãs do esporte. Carlito veio para ficar.

E não se trata apenas dele, mas o incrível jogo com o sérvio Miomir Kecmanovic assegurou que as emoções seguirão fortes em diversos duelos dessa nova geração. Não são substitutos dos grandes ídolos, mas sim a continuação em alto nível de um esporte apaixonante.

Carlito, como revelou gostar de ser chamado em uma divertida entrevista concedida ao final do Rio Open, tem atributos que atraem o interesse de todos. Soube com maestria impor sua personalidade, afastando com todos os cuidados a fama de “novo Nadal” e revela que o multicampeão de Roland Garros segue sendo seu maior ídolo. Ainda assim demonstra uma bonita relação com seu treinador desde os tempos de juvenil, o também ex-campeão em Paris, Juan Carlos Ferrero. A alegria demonstrada pelo jovem jogador com a surpreendente chegada do seu técnico a Miami é contagiante.

Além do feliz resultado no ATP 1000 de Miami, o WTA também confirmou o bom jogo e o carisma da polonesa Iga Swiatek. Deu um show na final diante de Naomi Osaka e distribuiu simpatia e reconhecimento na cerimônia de premiação. Em clima de comemoração postou nesta segunda feira sua alegria, dizendo que ‘agora e oficial’ e ocupa com todos os méritos a posição de número 1 do mundo.

Essa ascensão de Swiatek vem num momento curioso do tênis feminino. Afinal, a modalidade por um bom período apresentava um forte domínio das principais favoritas. Mas em Miami, logo na primeira rodada, um pouco mais de uma dezena de cabeças de chave foram eliminadas da competição. Para colaborar com essa situação, a australiana Ashleigh Barty também surpreendeu o mundo ao anunciar a aposentadoria com apenas 25 anos. Mas um bom sinal de que mais jogadoras poderão brigar pelos títulos e posições no ranking veio com Osaka. Jogadora de enorme talento sorriu na cerimonia de premiação, mesmo depois de um pneu, demonstrando que aos poucos vem conseguindo vitórias internas e deixa boas esperanças de retornar aos seus melhores momentos.

 

 

 

 

Nadal vive drama na final, mas deu show em IW
Por Chiquinho Leite Moreira
março 21, 2022 às 10:28 pm

Longe… muito longe de dizer que o título de Taylor Fritz não tenha sido merecido. Nem ouso dizer que o americano perderia caso Rafael Nadal não tivesse apresentado problema físico, mesmo porque ao entrar na quadra para mim vale aquela: “o jogo é jogado e o lambari é pescado”. Mas também não há como negar que o espanhol tenha realizado uma campanha brilhante e deu show em praticamente todos os seus jogos no ATP 1000 de Indian Wells.

A primeira rodada em Palm Desert já deu um belo exemplo da frase de Carlos Alcaraz (para mim Carlito) a de que Nadal tem mil vidas. Ao estar perdendo por 5 a 2, com dois breaks abaixo, o próprio espanhol disse ter pensado que realmente perderia o jogo. Só que, dentro de suas características e virtudes, manteve o espírito de acreditar sempre e lutar até o final. O resultado foi uma vitória super ameaçada também no tie break do terceiro set.

Curioso é que com uma derrota como essa a que sofreu Korda, o normal seria  o tenista não conseguir dormir e demorar alguns dias para digerir o resultado. Mas não foi o que aconteceu com o americano. Ele deixou a quadra com a convicção de que pode enfrentar qualquer adversário. Além disso, enfatizou que o tenista espanhol foi um dos motivos pelo qual animou-se a pegar uma raquete, como fazia com competência seu pai Petk Korda, campeão do Australian Open em 1998, mas depois teve o mérito manchado por uma suspensão por doping. Sebastian Korda tem também duas irmãs que fazem sucesso enorme no golfe profissional, como Jessica e Nelly, esta última ouro da Olimpíada de Tóquio e que já ocupou a liderança do ranking mundial da milionária modalidade.

De volta a Nadal, o espanhol talvez tenha feito o seu jogo mais tranquilo em Indian Wells contra Daniel Evans. Mas sua estrela brilhou novamente contra o gigante americano Reilly Opelka. Teve paciência e competência para segurar os canhões do adversário e vencer em dois dois breaks.

E o que seria o jogo mentalmente mais desafiador veio com Nick Kyrgios. Nadal deu uma lição de foco e concentração. E para o duelo mais esperado contra Carlito Alcaraz soube usar toda sua experiência para superar o jovem talento espanhol. Nas horas em que o vento bateu forte, Nadal usou um recurso curioso de toss baixo para conseguir colocar o serviço em quadra, enquanto o adversário sofreu com seu primeiro saque. Deixou mais uma lição.

Para a decisão os dois jogadores enfrentaram problemas físicos. Taylor Fritz mostrou o seu melhor tênis desde que saiu em cadeira de rodas num jogo em Roland Garros para passar por uma cirurgia no joelho direito. Vindo de uma família de tenistas está alcançando o sonho de ser um grande jogador. Pelo seu lado, Nadal deu o seu melhor dentro de suas limitações e reconheceu a vitória do americano.

Por situações como essa em Indian Wells ainda parece cedo para se falar na tão esperada troca da guarda. O circuito vai ter de esperar, pelo menos, a sempre charmosa e gostosa temporada europeia de quadras de saibro, quando dois dos big 3 (Nadal e Novak Djokovic) têm encontro marcado.

Importante atualização: notícia que vem da Espanha revela que Nadal sofreu fratura por estresse na costela em jogo contra Alcaraz e deve ficar de 4 a 6 semanas em recuperação. Possivelmente estaria fora de Monte Carlo e Barcelona.

Tenistas querem a paz e não merecem animosidades
Por Chiquinho Leite Moreira
março 1, 2022 às 7:24 pm

Justamente na semana em que um russo assume o reinado no tênis masculino, com a liderança do ranking da ATP nas mãos de Daniil Medvedev, o mundo vive um conflito dos mais execráveis com a guerra na Ucrânia. Mas este momento de animosidades não deve gerar o ódio no esporte. Afinal, alguns dos principais jogadores e jogadoras do circuito já se manifestaram contra a invasão russa e merecem também a paz.

Um dos melhores exemplos partiu do também russo Andrey Rublev. Ao conquistar o título do ATP de Dubai ele fez um bonito e marcante apelo pela paz. Escreveu na lente da câmera em quadra a frase “No War Please”, não a guerra, por favor. O vice-campeão da competição, Jiri Vaseli seguiu na mesma escrita com os dizeres de “Não a guerra”.

É claro que na entrevista coletiva, pós jogo, foi questionado sobre o conflito e foi enfático ao dizer que quer a paz, não a guerra. Contou que coisas terríveis estão acontecendo na Ucrânia e pede a união entre os jogadores.

Mesmo assim, a ucraniana Elina Svitolina ameaçou não entrar na quadra diante de adversárias russas se as autoridades não seguissem a determinação do COI (Comitê Olímpico Internacional) de banir o hino e a bandeira russa nas competições esportivas.

A adversária de Svitolina no WTA de Monterrey, no México, a russa Anastasia Potapova considerou-se refém de uma situação em que não teve qualquer participação. Também confessou-se contra a guerra na Ucrânia. E esse tipo de ação, como a exigida por Svitolina, atingiu também outra russa Anastasia Pavlyuchenkova, que revelou estar com medo de represálias.

Jogar com as cores de sua bandeira é um fato raro no tênis. Apenas surge em algumas competições como Copa Davis, a ex-Fed Cup, Jogos Olímpicos, entre outas poucas oportunidades. Na verdade, alguns tenistas nem mesmo revelam interesse, pois muitos são brigados com suas federações e cresceram mundo afora, sem qualquer ajuda de seus países.

Ainda assim, os principais órgãos governamentais do tênis, como a ITF (Federação Internacional de Tênis), ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e WTA (Associação das Tenistas Profissionais) rapidamente elaboraram um manifesto dizendo-se fortemente contra a ação russa na Ucrânia. Além disso, determinaram o cancelamento do torneio, masculino e feminino, de Moscou; a suspensão das federações da Rússia e Belarus; e o que já era esperado o fato de reafirmar que jogadores russos seguirão aceitos no circuito, mas sem serem representados por bandeira e hino de seu país. O que me assusta um pouco é a advertência no início da frase de ‘por agora’. Ora, jogadores em busca de paz declarada não devem de forma alguma sofrerem ameaças ou restrições.

Nunca é demais lembrar que por muitos e muitos anos, jogadores da chamada “Cortina de Ferro”, países do Leste Europeu, não eram bem vindos ao circuito de tênis. Podia-se contar nos dedos, os tenistas que obtinham autorização para participar de eventos internacionais. Mas, assim que houve a liberação, o tênis feminino foi o que mostrou maior impacto. Afinal, das 128 vagas dos Grand Slams, cerca de 1/3 passaram rapidamente a serem ocupadas por jogadoras do Leste.

A esperança é de que paz reine no mundo e no tênis. Mas fica a expectativa como rivais em quadra irão se comportar em meio a um conflito que envolve praticamente todas as nações. A começar pelo exemplo do tenista ucraniano Sergiy Stakhovsky, que se alistou no exército de seu país e ainda publicou em mídias sociais que gostaria de dançar sobre o túmulo de Putin. A meu ver colocar armas na mão de quem sabe bem manusear uma raquete, diante de soldados bem preparados e treinados, só irá servir para justificar o ataque a civis.

O esporte sempre jogou pela paz… e que sirva para este fim, sem animosidades.

 

 

 

 

Rio Open: Carlito Alcaraz é o presente
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 22, 2022 às 1:31 pm

Curiosa e verdadeira a declaração de Diego Schwartzman, após perder a final do Rio Open para Carlos Alcaraz. O argentino, respondendo a uma pergunta na coletiva, disse que o espanhol “é o futuro”, mas logo corrigiu. “Carlito já é o presente”.

Não há duvidas de que não só ‘El Peque’, mas também o mundo do tênis já reverencia a façanha de Alcaraz como o mais jovem tenista a vencer um ATP 500, desde a criação desta série de eventos, e também ganhar um lugar entre os 20 primeiros do ranking em idade inferior ao ‘Big 3’. Esperto, o tenista espanhol aprendeu a evitar comparações. Não incentivou o rótulo de ‘novo Nadal’ quando surgiu nas primeiras competições.

E neste aspecto há de se admirar os olhos de Lui Carvalho, o diretor do Rio Open. Há dois anos, em uma participação no Ace BandSports, ele contou que daria um wild card para uma jovem promessa espanhola. Após o programa falou “Chiquinho o convite vai para o Alcaraz. É apontado como sucessor de Nadal”. E percebi que ficou realmente decepcionado quando fiz aquela cara de ‘quem é?’. Afinal, já não sigo mais o tour como há tempos. Mas o Rio nos apresentou este futuro campeão de Grand Slam e possivelmente um líder do ranking mundial.

CARLITO SEMPRE – Aos 18 anos, Alcaraz esbanja alegria, descontração e bom humor. Em uma rápida e divertida entrevista para o Ace BandSports, o espanhol explicou a origem de seu apelido. E, embora as apresentações formais exijam o sobrenome, o jovem tenista quer mesmo ser conhecido como Carlito.

“Carlito sempre”, afirmou. “É assim desde criança que gosto de ser chamado”. Então viva Carlito.

 

Torcida dá o tom da emoção no Rio Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 19, 2022 às 4:34 pm

Nem mesmo as muitas interrupções dos jogos por conta das fortes chuvas foram capazes de apagar o ânimo da torcida. O Brasil, infelizmente, não conta mais com um jogador de ponta para as disputas de simples. A última esperança de um título por um tenista da casa nesta competição foi no encontro de Thiago Monteiro contra o italiano Matteo Berrettini. As chances eram poucas, mas ainda assim o público conseguiu criar uma atmosfera eletrizante na quadra Guga Kuerten do Jockey Club do Rio de Janeiro.

Não foi apenas em jogos envolvendo brasileiros que a torcida deu o tom da emoção. Alguns tenistas ganharam o curioso apoio em suas disputas. São nomes conhecidos e de muito talento como Fabio Fognini. E a situação se justifica. Afinal, não são muitas e nem fáceis as oportunidades de se ver de perto um habilidoso jogador como este italiano.

Alguns jogadores até se surpreenderam com essa torcida. Este foi o caso da revelação espanhola Carlos Alcaraz. Jovem, talentoso e dono de um jogo impressionante que dá perspectivas de no futuro levantar um troféu de Grand Slam, ele reconheceu que este apoio foi importante, especialmente no seu jogo de estreia. Simpático e atencioso, Alcaraz correspondeu com gestos gentis, como chamar os pegadores de bola para se protegerem da repentina chuva no seu box de quadra.

Aliás a simpatia e educação de diversos jogadores chamou minha atenção. Não gosto de me colocar como personagem. Mas apenas passar a longa experiência nos torneios do tour internacional. O café da manhã na bolha da Covid-19 num local específico do Sheraton Hotel levou-me a lembrar dos velhos tempos. Em muitas viagens costumava ficar por um bom tempo curtindo os bons buffets, em especial nas competições na Alemanha, como no hotel Intercontinental, em Hamburgo, ou o Maritim, em Stuttgart.

O grupo de jogadores aqui no Rio mostrou-se respeitoso. Não se atropelam em filas, cedem lugar, usam máscara, quando não estão na mesa e cuidam bem da alimentação. Omelete para alguns só de claras. Azeite… só um fio. E quando um treinador pediu uma tapioca com doce de leite foi um protesto geral “não, não, não”… “não pode começar o dia assim”. Divertido e descontraído.

Hoje em tempos de mídias sociais é o local para cumprirem alguns compromissos. Ao lado de agentes e equipe técnica enviam mensagens para fãs, respondem manifestações e cumprem bem o papel junto aos seus seguidores de todos os cantos do planeta. Por isso, fica até difícil acreditar que em quadra, alguns são capazes de quebrar raquetes em atos de pura raiva…

Rio Open de braços abertos para o tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 16, 2022 às 6:37 pm

Uma das imagens mais marcantes para quem chega ao Jockey Club Brasileiro, sede do Rio Open, no Rio de Janeiro, é o Cristo Redentor braços abertos sobre  a Guanabara (Minha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro/ Estou morrendo de saudades/ Rio teu mar praias sem fim) Esta também parece ser a missão do maior torneio de tênis da América do Sul: abrir a modalidade, mesmo em tempos difíceis. Não temos atualmente grandes jogadores, infelizmente. Mas ainda assim os brasileiros podem sentir a atmosfera de uma grande competição, passando a admirar muitos outros astros do esporte.

Não há dúvidas de que o Rio Open deixou saudades, com o cancelamento do ano passado. Mas nesta semana os amantes do tênis estão reunidos, tanto presencialmente, como nas transmissões pela tevê. Andar nesses dias pelas quadras e alamedas do Jockey Club é de reviver bons tempos, cruzando com muita gente amiga de antigas viagens pelo circuito internacional e também observar um público apaixonado pelo esporte da bolinha amarela. É uma emoção diferente.

O Rio Open é um torneio de múltiplas funções. Além da competição entre os tenistas profissionais, o evento cumpre uma função social, com iniciativas como o tênis Kids e o Winners, que abre as portas para o esporte a crianças que normalmente não teriam essa oportunidade de jogar e conhecer uma modalidade tão interessante. Tem ainda a vocação de reunir num ambiente saudável música, arte e a tão badalada atualmente gastronomia. Um destes pontos tem como chef convidada Carol Vaz. Ou seja há muito mais o que se fazer além das quadras. Em certos lugares, o cenário lembra um pouco Roland Garros, como o espaço La Boutique e o poster oficial, conhecidas tradições do Grand Slam francês.

Nos palcos mais importantes 63 atletas jogam por um total de US$ 1.915.485 em prêmios. Desde de sua primeira edição o Rio Open já teve como campeões Rafael Nadal, David Ferrer, Pablo Cuevas, DominicThiem, Diego Schartzman, Laslo Djere e Cristian Garin. Este ano são vários jogadores bem ranqueados em busca do troféu de campeão.

Nem só os atuais astros são lembrados nesta competição. Agora em 2022, o Rio Open homenageia dois grandes nomes do tênis brasileiros, como Flávio Saretta e Rogerinho Dutra Silva. A ideia é de toda organização, mas, sem dúvida, tem um toque genial do diretor do torneio Lui Carvalho. E no mundo do tênis este evento tem um carisma tão especial que após mais de 20 anos sem vir ao Brasil, o hoje vice-presidente da ATP, o italiano Nicola Arzani deu o ar da graça… prestígio.

Nadal é um monstro… de 21 Slams
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 30, 2022 às 7:22 pm

Não dá para discordar da palavra que mais ouvi nas últimas horas: “Nadal é um monstro”. E acrescento com 21 troféus de Grand Slam. O que o espanhol fez neste Aberto da Austrália é de se guardar num lugar especial da memória. Afinal, não chegou a Melbourne no auge da preparação, vinha de um bom período sem jogar e havia passado pela Covid-19.

Mas não dá para subestimar nenhum dos jogadores do “Big 3”, em especial Rafael Nadal. Nessa decisão diante do bom tenista russo e favorito Daniil Medvedev, o espanhol fez lembrar Fênix, o pássaro lendário da mitologia grega, que ressurgia das cinzas. Diante de um cenário tão sombrio poucos poderiam acreditar que depois de estar dois sets abaixo teria força para um renascimento na partida, a ponto de vencer no quinto set, em mais de cinco horas da mais pura e emocionante batalha.

Das muitas coisas que li depois da decisão uma chamou minha atenção. Em entrevista a Eurosport, Nadal reconheceu que esteve diante de um drama. Falou que quando sacou com 5 a 4 e vantagem de 30 a 0 veio um pensamento na sua cabeça ao perder o serviço. “Será que vou perder como em 2012 e 2017?, afirmou o espanhol. “Ele (Medvedev) pode ganhar, mas não vou me entregar jamais e seguirei lutando”.

Este é o retrato da carreira deste brilhante tenista que passa a ser o maior vencedor de torneios de Grand Slam de todos os tempos com 21 troféus. Jamais deixou de acreditar. Sempre lutou em quadra e fora dela. Seu histórico de lesões é grande. Reconheceu que pensou sim em não jogar o Aberto da Austrália e que esse seria o seu último ano em Melbourne Park. Mas depois de tudo o que aconteceu nesta decisão pode-se esperar que o espanhol vai seguir emocionando e dando ainda maior brilho ao mundo do tênis.

Para Medvedev sobrou o conformismo. Não dá para dizer que o russo tenha jogado mal. Fez o que podia e esteve sim muito próximo de conquistar o seu segundo troféu de Grand Slam. Só que viu um monstro pela frente.