AO determina match point na vacinação dos tenistas
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 30, 2021 às 3:47 pm

O surgimento da variante ômicron vai aumentar ainda mais as restrições do governo australiano aos participantes do primeiro Grand Slam de 2022. A frase de Daniel Andrews, Primeiro Ministro do Estado de Victoria, de que “ranking não irá determinar a entrada no país” tem endereço certo, mas serve para um número maior de jogadores. Há duas semanas li, com surpresa, que 25 dos 100 primeiros da ATP não tinham sido ainda vacinados. Ao longo dos últimos dias diversos atletas resolveram ceder e aderiram aos imunizantes.

Como primeira determinação da ômicron, a data inicial de entrada na Austrália, que seria 1º de dezembro, passou para o dia 15. O recém calendário distribuído pela ATP coloca uma série de competições na Oceânia. Uma decisão louvável, pois ajudaria na adaptação dos jogadores às diferentes condições de um país tão distante.

É claro que devemos sempre respeitar as diferentes opiniões, ainda mais num assunto tão novo e cheio de mistérios como a Covid-19. Mas vejo a atitude de não se vacinar como egoísta, palavra que no dicionário é definida como “pessoa que só pensa em si mesmo”. Ao mesmo tempo, não dá para esquecer o acontecido com o espanhol Carlos Alcaraz na Copa Davis. Embora o jovem tenista tenha se vacinado, ainda assim contraiu o vírus e não pôde representar seu pais na competição.

Nesse ponto mesmo os vacinados ou os que já contraíram a Covid-19 aparentemente não estão imunes, livres de cuidados. A OMS – Organização Mundial de Saúde – classificou a ômicron como variante de preocupação e “evidências sugerem que pode facilitar a reinfecção”.

Mesmo diante de um cenário desses há de se respeitar escolhas. Mas, sinceramente, achei exagerada a declaração do pai de Novak Djokovic, Srdan, de que “obrigação da vacina é chantagem”. Considero o termo forte, embora a decisão de se imunizar seja um direito pessoal, mas um país exigir não vejo como chantagem, mas sim determinação.

Assim é muito provável de que não seja possível mesmo a participação do atual número 1 do mundo no Aberto da Austrália. É uma pena para o esporte. Afinal, Djokovic em quadra é garantia de um lindo espetáculo.

 

Djokovic coroa uma geração de tenistas geniais
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 8, 2021 às 6:05 pm

Com mais uma marca histórica, a de terminar o 7º ano na liderança do ranking, Novak Djokovic caminha para ser o maior recordista de todos os tempos. Isso numa geração de números inimagináveis como os 20 troféus de Grand Slam de cada um dos integrantes do Big 3. Há tempos, quando Pete Sampras conquistou o seu 14º Major, não se acreditava que algum tenista seria capaz de superar o norte-americano. Um pouco antes, em 1981, também era difícil esperar que alguém poderia levantar por sete vezes a Taça dos Mosqueteiros, em Roland Garros, numa das façanhas de Bjorn Borg.

Na realidade, nunca é demais enfatizar, temos o privilégios de sermos contemporâneos de geniais jogadores como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. O sérvio, porém, se apronta para reinar absoluto em termos numéricos. Já avisou que seu objetivo é esse.

Na atual temporada, Djokovic chegou a 346 semanas na liderança do ranking, terminou o ano no topo pela 7ª vez, chegou ao maior número de Masters 1000, com 37 troféus e não deve parar por aí.

Só que existe ainda um grande desafio pela frente: o número de títulos na ATP. Este recorde está nas mãos de Jimmy Connors, com 109 troféus. Nos últimos quatro anos, Djokovic ganhou 18 torneios. E para igualar o norte-americano, o sérvio precisa vencer mais 23.

Há uma diferença também na relevância dos campeonatos conquistados. Connors ganhou muitos torneios pequenos, que entram na conta, é claro, mas não representam a mesma dificuldade de, por exemplo, 20 Grand Slam, cinco Finals, ou 37 Masters 1000. Mas se Djokovic avisou que espera estabelecer todos os recordes, o melhor é mesmo esperar para ver.

Tênis masculino também revela tendência a novos campeões
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 18, 2021 às 5:07 pm

Assim como já aconteceu com o tênis feminino, que passou a ficar muito aberto ao término no período de domínio de Serena Williams, também o masculino revela essa tendência com o big 3 fora de combate. Afinal Indian Wells, considerado o quinto maior torneio do planeta, atrás apenas dos Grand Slams, teve uma final bem aquém das expectativas. Cameron Norie venceu Nikoloz Basilashivi num jogo de pouca emoção, muitos erros e compreensível nervosismo de ambas as partes. Até mesmo o público não foi condizente para um Master 1000.

Já nas semifinais não havia mais nenhum top 20 nas quadras de Palm Desert e o que salvou a competição foi a bela decisão do feminino, com Paula Badosa superando Victoria Azarenka em três lindos sets. O inédito título da espanhola em uma competição desse nível confirma o que já se vê há um bom tempo. Na WTA quase não se repetem as campeãs. Será que o mesmo irá acontecer com o masculino?

Paris Bercy está chegando para mostrar se o masculino seguirá o caminho de Indian Wells, com muitas surpresas, ou se as novas estrelas irão assumir o domínio. A chamada nova geração tem realmente muitos talentos e jogadores carismáticos. Mas resta saber como fica o interesse do público. Lembro de quando cheguei para o US Open de 2019: Roger Federer perdeu para Grigor Dimitrov e no dia seguinte a procura de ingressos para a final caiu em cerca de 40%.

Pelo menos para Paris haverá a anunciada volta de Novak Djokovic, que também jogará a Davis e o Finals. O torneio costuma ter desfalqueis de tenistas que já estão se poupando, mas tem tremenda importância para aqueles jogadores que ainda buscam uma vaga para o Finals. Enfim esse final de temporada tem muito a revelar sobre o futuro do tênis.

Inscrição de Nole em Paris gera suspense
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 11, 2021 às 7:02 pm

Se Novak Djokovic realmente confirmar sua participação no Paris Bercy, como recentemente mostrou o entry list divulgado pela ATP, o sérvio confirma que realmente pretende aproveitar o momento, com Roger Federer e Rafael Nadal fora do tour, para melhorar ainda mais os seus números. Ele já conquistou por cinco vezes o título do indoor da capital francesa e é o único a vencer por três anos consecutivos o Masters 1000, nos anos de 2013, 14 e 15. Sua única derrota na final aconteceu em 2018, para Karen Khachanov, mas ainda detém os troféus de 2009 e 2019.

Além de aumentar seu domínio no Paris Bercy, Djokovic irá manter a liderança do ranking pelo sétimo ano. A diferença para Danill Medvedev está em torno de 2 mil pontos, mas, sinceramente, não seria mesmo justo um tenista que conquistou três Slams na temporada e fazer final em outro, não permanecer no topo da lista… não é mesmo?

Em confirmando sua participação, Djokovic terá uma chave dura no caminho para um novo troféu. Estão entre os quatro cabeças de chave Medvedev, Stefano Tsitsipas e Alexander Zverev. Sem contar com outros jogadores que estão cheios de ritmo como Andrey Rublev.

E, a meu ver, justamente o ritmo de jogo é que pode ser um dos maiores atrativos para Nole jogar Paris. Seria uma espécie de aquecimento para o Finals, que este ano será jogado de 14 a 21 de novembro, na cidade italiana de Turim.

E sempre gosto de lembrar que quando a ATP criou a antiga corrida dos campeões, a associação rasgou o livro de regras. Afinal, os oito participantes do Finals somam 19 resultados, contra 18 dos pobres mortais. Portanto os 1,5 mil pontos do campeão em Turin, podem representar algo muito valioso, talvez mais até que os 2 mil de um Slams. Mas encerro com uma pergunta. O que é mais importante para um tenista: vencer o Finals ou levantar um troféu de Grand Slam?

Djokovic sente a pressão e cogita não jogar mais em 21
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 14, 2021 às 3:37 pm

Primeiro foi a Noami Osaka, que resolveu dar um tempo, tirar um pouco a pressão e tratar da saúde mental. Fora da quadra brilhou no Met Gala, em Nova York, com modelo e penteado que causaram. A parte física já tirou Roger Federer, Rafael Nadal e Dominic Thiem da temporada. Agora, vem Novak Djokovic revelar não ter planos para este ano e deixa em aberto a possibilidade de não jogar mais, mesmo com Indian Wells, Paris e Finals pela frente. Talvez tudo não passe do calor do pós jogos, com uma derrota dura para Daniil Medvedev por triplo 64, aliás merecidíssima.

Sobrenatural, com as conquistas do Aberto da Austrália, Roland e Wimbledon, o tenista sérvio mostrou seu lado mais humano na final do US Open. Ao desabar em lágrimas, deixou claro todo o peso que estava sentindo com a possibilidade de entrar para a história como o terceiro homem a conquistar os quatro Grand Slams no mesmo ano, repetindo os feitos de Rod Laver e Don Budge.

Curiosamente confesso que jamais tinha visto Novak Djokovic tão conformado com uma derrota, como aconteceu em Nova York. Possível que o fato de ter contado com intenso apoio da torcida tenha servido de alento para um atleta que tem dificuldades para ver reconhecido seu talento e conquistas.

Os próximos dias podem confirmar o futuro de Djokovic nesta temporada. Mas só fato de cogitar uma pausa já evidencia toda pressão que o tênis exige, em especial aos grandes astros. Forte mentalmente, o sérvio não fez uma boa apresentação na decisão em Nova York. Mas, mesmo que tivesse jogado o seu melhor, Medvedev poderia sim vencer, como fez com muita competência.

Com mais esse capítulo, o tênis masculino deixa muitas incertezas. Djokovic pode só voltar em 2022. O espanhol Rafael Nadal enfrenta novamente problemas físicos e nesta temporada tomou decisões difíceis, como não ir aos Jogos Olímpicos, não disputar Wimbledon e ver que não tinha condições de estar no US Open. Roger Federer vive uma situação parecida. A desconfiança é de que o suíço possa estar sim preparando uma turnê de despedida para o ano que vem.

Neste cenário o tênis já começa a experimentar vida fora do Big 3. Assim como Medvedev há muitos outros jogadores com boas perspectivas para os Slams. E uma prova disso veio com o feminino, com duas inéditas finalistas em Nova York. Emma Raducanu e Leilah Fernandez representam o futuro de uma modalidade que teve um forte domínio de Serena Williams, mas hoje bem mais entusiasmada com seu sucesso também fora das quadras.

Nova York: onde tudo acontece
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2021 às 2:41 pm

Com a volta do público, o US Open confirmou sua fama de ser o torneio mais eletrizante dos quatro do Grand Slam. Só que desta vez pode marcar o início de uma nova era. O aparecimento de nomes até então pouco conhecidos, a jovialidade de diversas jogadoras e os recentes resultados de uma maneira geral definem um divisor de águas no tênis. E, de uma certa forma, já era mesmo de esperar pelas ausências de estrelas como Roger Federer, Rafael Nadal e Serena Williams. Enfim, Nova York, a cidade que nunca dorme, revela um torneio onde tudo acontece, com polêmicas, novidades e, sobretudo, muita emoção.

Se estamos prestes a viver novos ares, com o provável esvaziamento do Big 3, o US Open mostrou que há a necessidade de adequações. Os atos de Stefano Tsitsipas, que o levaram de herói a vilão, mostram que é preciso conter os abusos. Não que o grego tenha cometido alguma infração, mas não ficou bonito, e mereceu severas críticas de nomes como Andy Murray. No feminino, infelizmente, não foi diferente, com Barbora Krejcikova usando do recurso de atendimento médico para conter a reação de Garbine Muguruza.

Este tipo de comportamento não é novidade. Não há como negar que Novak Djokovic já tenha ido ao vestiário para reencontrar o seu jogo em diversas oportunidades. E, por isso, o experiente treinador Toni Nadal ao comentar o acontecido com Tsitsipas no US Open afirmou que Nadal e Federer jamais fariam a mesma coisa.

Um detalhe que me chamou atenção foi que o Tsitsipas, em especial, no jogo contra Murray ficou muito mais tempo no vestiário do que no encontro contra Carlos Alcaraz, o que demonstra que o grego percebeu que estava havendo um exagero. Então, o que poderia ser usado a seu favor, transformou-se em obstáculo, pois passou a ter torcida contra.

Apesar desses momentos nada agradáveis, esta reta final do US Open promete vir repleta de emoções. No masculino, Novak Djokovic vem enfrentando desafios incríveis, embora siga com o favoritismo. No feminino haverá uma campeã inédita em Nova York, com apenas uma jogadora já detentora de título de outro Slam, como Barbora Krejcikova, em Roland Garros. E na modalidade a se lamentar a situação de Naomi Osaka. Sem dúvida uma estrela de grande brilho que tomou uma decisão difícil, mas vai fazer falta ao tênis.

É chegada a hora de mudanças
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 24, 2021 às 3:36 pm

Determinado a estabelecer novo recorde de títulos de Grand Slam, Novak Djokovic aterrissou em Nova York, sorrateiro e discreto. Sem alardes já foi treinar em Flushing Meadows, num cenário bem diferente do que foi nos Jogos Olímpicos de Tóquio, onde o sérvio era o rei das selfies. Se fosse ele continuaria assim… longe dos holofotes.

Em contraponto e curiosamente, o US Open foi o torneio onde Djokovic apareceu como um jovem tenista promissor e divertido. Numa das sessões noturnas da Arthur Ashe ele fez suas imitações com as performances de Maria Sharapova e Rafael Nadal. Um show, sem dúvida, engraçado, mas que não se repete mais.

Enquanto Djokovic se prepara para o US Open, os outros dois integrantes do Big 3, Nadal e Roger Federer, estão fora de combate, assim como Dominic Thiem. Dos atuais top ten, três tenistas não devem jogar mais neste ano. Por isso, com o fim do ranking da pandemia é chegada a hora de mudanças no tênis. E parece até que o mundo adaptou-se rapidamente às alterações. Tanto é que as semifinais de Cincinnati foram definidas como o novo Big 4, com Daniil Medeved, número 2, Stefano Tsitsipas, 3; Alexander Zverev, 4; e Rublev apenas o 7, mas entre os quatro melhores em ação no torneio.

Na atual temporada, Nadal deve permanecer entre os dez primeiros, mas tanto Federer como Thiem irão sair desse grupo. E a perspectiva é que jogadores como Zverev, depois do título importante em Cincy, deva ganhar confiança para brigar pelos campeonatos. Já o russo, Medvedev tem inclusive chances de se transformar no novo líder do ranking, enquanto Tsitsipas, em especial, e Rublev podem aparecer nas finais do Grand Slam americano.

Para o tênis brasileiro, Luisa Stefani volta a nos dar boas noticias. Pela primeira vez na carreira ocupa um lugar entre as 20 primeiras do ranking de duplas da WTA, criado em 1975. Mas devemos fazer justiça na lista dos jogadores que também estiveram nesse grupo. Muita gente esqueceu de citar os nomes de Carlos Kirmayr e Cássio Motta, que ocuparam um lugar entre os 5, assim como Marcelo Melo e Bruno Soares. Agora, citar Maria Esther Bueno como fora desse grupo causa-me um grande desconforto. Afinal em 1960, ela ganhou os quatro torneios do Grand Slam em duplas. Ora, com esses títulos não há dúvidas de que terminaria a temporada na liderança. Em 1964 fez final de Roland Garros em simples, foi campeã de Wimbledon e do US Open: lógico a número 1. Parabéns Luisa, a culpa não é sua, mas não podemos apagar a história de tantos tenistas do País, que também brilharam nas quadras.

 

Big 3 em xeque: peça importante, Federer, está fora de combate
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 16, 2021 às 3:57 pm

Como num jogo de xadrez o Big 3 está em xeque. Ainda não é um xeque-mate, mas vai exigir de Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer uma defesa ou um bom planejamento para um contra-ataque. Peça importante nesse tabuleiro, o tenista suíço está fora de combate. Com mais uma cirurgia não jogará o US Open, nem tem previsão de volta, nem de aposentadoria.

O fato mais dramático é que pela primeira vez em 20 anos, o Big 3 está fora de ação dos preparatórios para o US Open: os Masters do Canadá e Cincinnati. Isso não acontecia desde 2001, quando Federer sentiu uma lesão na virilha e não participou da temporada norte-americana de quadras duras. Desde então, pelo menos um dos três sempre jogou no Canadá ou em Cincy.

A situação é preocupante. Afinal, também Rafael Nadal deixou a América e viajou para a Espanha com objetivo de consultar-se com seu médico, Ángel Ruiz Cotorro. Ficou sem sequer treinar por 3 semanas após sua eliminação em Roland Garros. Abriu mão das participações em Wimbledon e dos Jogos de Tóquio. Tentou voltar em Washington, perdeu na segunda rodada, viajou para Toronto, mas não jogou. Sua volta é incerta. Mas mesmo que aconteça entraria num Grand Slam sem uma devida preparação. Além disso, o espanhol não disputa qualquer competição sem ter a certeza de que pode lutar pelo título. Jogar uma ou duas rodadas, não é com ele.

A situação de Novak Djokovic, ao meu ver, é estranha. No início do ano conquistou o  9° título do Aberto da Austrália, levou a segunda Taça dos Mosqueteiros em Roland Garros e brilhou também em Wimbledon, pela sexta vez na carreira. Mas em busca de uma medalha de ouro inédita na Olimpíada deixou a desejar. Não só saiu de mãos abanando de Tóquio, como colocou dúvidas para sua volta ainda marcada para o US Open. O sérvio terá a chance de fechar o Callendar Year Grand Slam e igualar os feitos do australiano Rod Laver (por duas vezes) e do norte-americano Don Budge.

Além de toda essa pressão, Djokovic está vendo Daniil Medvev ameaçar a sua liderança no ranking. Em função das alterações provocadas pela pandemia, agora nessas semanas irão cair pontos ganhos em 2019 e 2020. Por isso, o sérvio depende apenas dele para manter a posição de número 1 do mundo, mas já avista o segundo colocado no retrovisor.

Enfim, estamos diante de novos tempos. Por sorte temos uma nova geração de muito talento e carisma. Mas não me arrisco a dizer que chegou a hora da troca da guarda.

 

Big 3 enfrenta uma nova era de desafios
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 9, 2021 às 3:24 pm

Trio de maior sucesso da história do tênis, o chamado Big 3 entra numa era agora repleta de imensos desafios. Novak Djokovic amargou resultados negativos na recente participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio e deixa dúvidas de como irá digerir esta situação. Roger Federer comemorou 40 anos, mas o peso da idade apareceu. Com duas cirurgias no joelho e poucas jogos oficiais segue fora das quadras. Rafael Nadal voltou, depois de dois meses. Revelou que sentiu muitas dores numa lesão no pé esquerdo, desistiu de Toronto e coloca dúvidas sobre seu futuro na temporada norte americana.

Já Djokovic admitiu, segundo o site TennisWorldUSA, que não teve nenhum arrependimento de ter viajado a Tóquio. Disse que se sentiu bem ao interagir com atletas de outras modalidades na Vila Olímpica. Porém, informou que sentiu problemas físicos no Japão, mas não buscou essa justificativa para suas derrotas nos Jogos.Superar frustrações faz parte da vida de qualquer tenista profissional. Afinal, como diz o genial John McEnroe “o tênis é um esporte de perdedor. A semana que você não perde é campeão”. Só que não parece ser tão simples assim. Algumas derrotas doem mais e deixam profundas cicatrizes. Este parece ser o caso dos Jogos de Tóquio. Tanto é que o desânimo bateu na porta do sérvio, a ponto de colocar em dúvida até mesmo sua participação no US Open, o que não acredito.Enfim, o número 1 do mundo ainda tem tempo e tranquilidade para o US Open. O Grand Slam norte-americano dá ainda algumas semanas para o sérvio e Djokovic segue com um bom saldo a liderança do tênis masculino.

O ranking passa a ser uma preocupação a mais para Rafael Nadal. O tenista espanhol perdeu a terceira posição para Stefano Tsitsipas nesta semana. Mas, sinceramente, ser três ou quatro do mundo pouca diferença faz, na minha opinião. Para Flushing Meadows, por exemplo, se a lista de classificados seguir como está, Djokovic abre a chave e Daniil Medvedev fica na posição de número 128. Tsitsipas e Nadal vão a sorteio para saber que fica no quadro de cima ou de baixo. Recuperar o terceiro lugar funcionaria sim no aspecto de confiança, que sempre foi uma das maiores virtudes de Nadal. Com bons resultados nesta temporada norte-americana de quadras duras, o espanhol poderia chegar a Nova York em boas condições de defender o título de 2019. Digo defender, pois em função da pandemia, ele ainda tem os 2000 pontos referentes a vitória sobre Medvedev, que só irão cair no dia 13 de setembro.

Situação envolvida em muitas incertezas enfrenta Roger Federer. Era aposta certa que o suíço jogaria em Tóquio, não só pela importância do evento e conquistar uma medalha de ouro em simples, como pela relação com seu patrocinador. Mas nada disso aconteceu. Respeitou os pedidos do seu corpo e recentemente anunciou que não joga nem Toronto, nem Cincinnati.

Toda este cenário, aliado ao crescimento da nova geração, só cria ainda mais expectativas para o quarto e último Grand Slam do ano: o sempre eletrizante US Open.

Meninas do Brasil vivem um conto de fadas
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 2, 2021 às 5:39 pm

No clima agitado dos Jogos de Tóquio ainda há tempo para celebrar a histórica medalha de Luisa Stefani e Laura Pigossi. A façanha soou como um conto de fadas, com final feliz. Em um evento com tantas desistências, o espírito olímpico invadiu o coração das meninas brasileiras. E a conquista também premiou o esforço e insistência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), através das ações do seu diretor Eduardo Frick.

O título acima “meninas do Brasil” é uma forma também de homenagear o tênis feminino brasileiro, como enfatizou a jornalista Diana Gabaniy.  Em um post muito bem escrito nas mídias sociais, ela  exaltou o esforço e dedicação de todas as jogadoras do País que, de uma maneira ou de outra, também escreveram seus nomes na história.

Assim como muitos contos de fadas, o resultado final é improvável, mas revela a importância do imaginário no pensamento positivo. É acreditar sempre. Tanto Luisa como Laura estavam num caminho difícil, mas certeiro para obter sucesso na carreira, ou seja, buscando um lugar ao sol, fora do Brasil. Afinal, para os sul americanos jogarem tênis em nível competitivo as viagens são imperativas.

Os acontecimentos que levaram o Brasil a conquistar a sua primeira medalha no tênis já são conhecidos. Mas creio que nunca é demais enfatizar que Laura Pigossi estava no Cazaquistão e foi surpreendida pela notícia – depois de insistentes tentativas de contato por Frick -. Sem contar ainda com a corrida contra o tempo do diretor da CBT para acordar Luisa, nos Estados Unidos, e fechar a inscrição da dupla brasileira lá no último minuto.

O improvável começou já na estreia, com vitória sobre as cabeças de chave número 7, as canadenses Dabrowski e Fichman. Seguiu com um verdadeiro milagre nos quatro match points diante de Pliskova e Vandrousova. E depois de passarem por Mattek-Sands e Pegula, não desistiram após a derrota para Bencic e Golubic. A ponto de num entusiasmo de encher os olhos saíram de um buraco enorme, com desvantagem de 9 a 5 no match tie break para garantir um lugar no pódio depois de superarem Kudermetova e Vesnina.

Essa medalha representa o resultado de um esforço coletivo. O time brasileiro contou com a experiência e competência do capitão Jaime Oncins. Não se pode esquecer que Daniel Melo – irmão de treinador de Marcelo Melo – também colocou todos os seus conhecimentos para ajudar uma outra dupla e merecer também festejar com todos essa incrível conquista em Tóquio.