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Que venha Roland Garros…
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 20, 2019 às 6:30 pm

Com o título do Master 1000 de Roma, aos 45 do segundo tempo, em cima de Novak Djokovic, Rafael Nadal reassume, com unanimidade, o topo da lista dos favoritos para Roland Garros. Aliás, tenho dúvidas de que alguém tenha mesmo tirado o espanhol desta condição. Mas é claro que este ano o torneio parece estar bem mais aberto.

Pelo que vi na mídia internacional, os três primeiros do atual ranking do saibro são Nadal, Djokovic e Dominic Thiem. Esta semana dois grandes nomes da terra batida estão em ação no ATP de Genebra, como Alex Zverev e Stan Wawrinka. Sem contar com a volta de Roger Federer ao Aberto da França.

O momento, porém, é de se perguntar se Rafa Nadal vai levantar pela 12a. vez a Taça dos Mosqueteiros. O espanhol tem na prateleira de sua casa uma série de troféus repetidos. São 11 de Monte Carlo e Barcelona; 9, agora, de Roma; e 5 de Madri. No Foro Itálico levantou o primeiro campeonato do ano, mas vale muito mais pelo estágio em que este título veio.

Não há dúvidas de que Nadal é o maior competidor do esporte e a vitória em Roma, com alguns pneus pelo caminho, colocam ainda mais ênfase no que pode acontecer em Paris nas próximas semanas.

Roland Garros também chega este ano com algumas novidades. A Philippe Chatrier está remodelada e a promessa é que em 2020 poderá ter o teto retrátil. Alguns de meus colegas contam ainda que a nova quadra, Simonne Mathieu está exuberante em meio a uma estufa e muita vegetação em um novo recanto do complexo.

Gosto do estilo francês, o que não é novidade para ninguém que me conhece. E, por isso, faço questão de lembrar que Simonne Mathieu não só empresta seu nome a esta nova quadra como campeã de Roland Garros de 1938 e 39, mas também pela sua forte participação na resistência francesa durante a Segunda Grande Guerra.

Em função desta cultura, da tradição e importância do torneio de Roland Garros estranhei um pouco as afirmações do australiano Nick Kyrgios. Ele esteve no All England Club, no SW-19 de Londres, treinando com Andy Murray. Postou fotos das lindas quadras de grama e enfatizou que Wimbledon é o maior torneio do mundo. Alertou que não está ansioso para ir a Roland Garros e terminou: ‘o Aberto da França é péssimo comparado a este lugar’, referindo-se a Wimbledon. E fico me perguntando por que fazer essa menção neste momento? O que teria a ganhar? As mídias sociais são bem legais, mas é preciso saber usá-las…. vocês não acham?

 

 

 

Novos campeões agitam a temporada de saibro
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 29, 2019 às 1:38 pm

Os títulos de Fabio Foginini, em Monte Carlo, e Dominic Thiem em Barcelona colocam um ingrediente bem apimentado na atual temporada europeia de saibro. Mas, antes de qualquer conclusão, é preciso deixar claro uma verdade: tanto Rafael Nadal, como Novak Djokovic são jogadores que, de repente, voltam ao melhor nível e começam a levantar troféus e troféus.

Não resta dúvida, porém, que novas caras agitam ainda mais este lindo período do circuito da ATP. E um detalhe que colabora para colorir ainda mais a Primavera europeia está na volta de Roger Federer aos torneios da quadra batida. Madri, considerada a superfície mais rápida destas competições, ganha ênfase com a presença do suíço.

Thiem chega muito forte. Este ano, o austríaco já ganhou dois títulos em diferentes superfícies. Em Indian Wells bateu Federer na final. E, em Barcelona, atropelou Rafael Nadal. Costumo dizer que existem três grandes desafios quando se desafia o tenista espanhol. O primeiro é vencê-lo; o segundo é superá-lo no saibro; e o terceiro é batê-lo jogando em casa. E Thiem alcançou os três estágios.

Apesar da excelente fase, Dominic Thiem ainda não fala em Roland Garros. É, lógico, pois o pior que poderia fazer neste momento é acrescentar uma grande dose de pressão e cobrança. Mas não se pode esquecer que ele já esteve na final de Paris. Perdeu o título de forma categórica para Nadal.

Nesses casos, gosto de relembrar um fato que aconteceu justamente em Roland Garros, que comprova a tese de que chegar a uma final de Slam, seja com quem for, pode sim revelar um novo campeão. Certo ano, a alemã Steffi Graf dominava o circuito feminino. Na decisão teria pela frente uma jovem jogadora espanhola, meio cheinha, aparentemente sem grandes recursos, mas que que tinha passado por grandes desafios nas duas semanas do torneio. A presença de Arantxa Sanches num duelo com Steffi causou até um certo mal estar na imprensa espanhola. Os mais chegados comentavam comigo que estavam receosos de um vexame, como um duplo 6/0. Mas, de repente, a espanholinha (como a chamava na época) venceu e sem deixar dúvidas de sua capacidade.

Portanto, os títulos de Fognini e Thiem deixam a perspectiva de que muito ainda está para acontecer nestes próximos torneios do saibro que culminam com Roland Garros.

 

RF: só faltam 8 para igualar Jimbo
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 1, 2019 às 5:58 pm

Tem muita gente que gosta de dizer que “Roger Federer nem suou a camisa para vencer”. Mas, desta vez, nem sequer amarrotou o colarinho ao estilo Charlie Sheen, do seriado ‘two and a half men’. Esteve impecável para garantir o título de Miami, o 101. da carreira e ficar a apenas oito de igualar a marca de Jimmy Connors, conhecido ao seu tempo como “Jimbo”.

Nos últimos jogos em Miami dá para acrescentar que Roger Federer nem precisou trocar a camisa. Ganhou de Kevin Andersson por 60 e 64, superou Denis Shapovalov por 62 e 64 e na final bateu o grandalhão John Isner por 61 e 64. Não despenteou o cabelo, como nos filmes do ‘Superman’.

Igualar ou estabelecer um novo recorde de números de títulos conquistados é uma questão de tempo. E aos 37 anos, o tempo é uma das coisas mais valiosas para o tenista suíço. Capacidade para ir ainda mais longe na carreira, não há como duvidar. Afinal com dois títulos em 2019 é o líder no ranking da temporada, deixando Novak Djokovic, em segundo; e Rafael Nadal, em terceiro. Sem contar que também supera dois dignos representantes da Nex Gen: Stefano Tsitsipas e Dominic Thiem.

A longevidade de Federer e uma consequente quebra de um novo recorde vai estar ligado a manutenção de seu atual ritmo e performance. Enquanto estiver ganhando e sem ‘suar a camisa’, ou seja, enfrentando dificuldades físicas, lesões etc, é claro, que o suíço vai continuar fazendo o que gosta: jogar tênis e bem.

Aliado a tudo isso, o momento de Federer ainda é animador. A temporada europeia de quadras de saibro esta para começar e ele vai poder jogar sem pressões. Afinal, não defende sequer um ponto nesta série de torneios que culmina em Paris, em Roland Garros.

Apesar de o saibro ser mais exigente para suas pernas, Federer ainda terá um bom período para descansar, treinar, adaptar seu jogo e seguir em busca de vitórias. Além disso, seu calendário na chamada terra batida não será assim como o de outros jogadores especialistas na superfície. Selecionou bem os torneios e pronto.

Para o público e amantes do tênis este período que se aproxima promete ser eletrizante com a participação de Federer na temporada europeia de saibro. O circuito passa por lindas cidades, tem muito charme e muito pra acontecer…

Next Gen brilha, mas ainda sonha com Slam
Por Chiquinho Leite Moreira
março 18, 2019 às 5:55 pm

O mais velho da nova geração, o austríaco Dominic Thiem conquistou o título mais importante de sua carreira ao derrotar o melhor de todos os tempos, Roger Federer, numa final emocionante em Indian Wells. Na mesma quadra, a jovem canadense, de origem romena, Bianca Andreescu, com apenas 18 anos ganhou de Angelike Kerber para celebrar também um troféu dos mais pesados no circuito mundial.

Sem dúvida, o novo brilhou no último fim de semana. E esta geração é p’ra lá de bem vinda. Mas para não escorregar, acho prematuro ainda dizer que estas conquistas em Indian Wells marcam mudanças definitivas. Recentemente, o genial John McEnroe usou uma frase emblemática “chancing of the guard” para celebrar a chegada de uma nova e talentosa geração. Disse o ex-tenista norte-americano e hoje comentarista de tevê, que estes novos nomes iriam ‘breaking trought’, romper todos os obstáculos nesta atual temporada. E as vitórias estão mesmo chegando.

Sem exagerar, porém, no conservadorismo falta ainda um troféu do Grand Slam para esta nova geração e só então a troca se concretizará. E tudo pode acontecer. O próprio Thiem esteve na final de Roland Garros do ano passado. É claro que perdeu para Rafael Nadal sem oferecer muita resistência. Mas chegar a uma decisão de Slam e uma porta aberta para o sucesso absoluto. E estes novos estão cada vez mais perto.

Nestas situações, como a do Thiem diante de Nadal, sempre lembro de um episódio que aconteceu em Roland Garros, há muitos anos. A espanholinha Arantxa Sanchez desafiaria na final a poderosa Steffi Graf. Meus colegas jornalistas espanhóis estavam receosos de um grande vexame na Philippe Chatrier. Mas ao final, Arantxa acreditou no impossível e saiu de quadra com a taça de campeã.

Não há como negar que temos o privilégio de estarmos diante de alguns dos maiores nomes da história do tênis. E sem querer parecer esnobe tive a oportunidade de ver de perto jogadores como Ivan Lend, John McEnroe, Mats Wilander, Stefan Edberg, Jimmy Connors, Andre Agassi, Andrés Gomes, Pete Sampras, Gustavo Kuerten, Magnus Norman, Marat Safin e até mesmo Bjorn Borg, mas estarmos diante de Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic entre vários outros talentos. Não dá para reclamar. Assim como também acredito que ninguém irá ficar insatisfeito com o s que estão surgindo.

ESPÍRITO DE DAVIS – Alguns jogadores tem o chamado espírito de Davis. É aquela determinação especial de lutar em equipe por um objetivo comum. Deixar de lado os interesses e peculiaridades do Tour da ATP e realmente vestir a camisa.

Sem essa unidade de propósito é muito difícil um time fazer sucesso. E um dos tenistas brasileiros que têm este espírito, este é, sem dúvida, o novo campeão da Davis, Jaime Oncins. Defendeu as cores do Brasil em diversas oportunidades e sabe o que é preciso para tirar o melhor de cada um em nome de uma competição.

É claro que a Davis sofre hoje profundas alterações em seu formato. Seu futuro é incerto, mas ainda assim, a indicação de Oncins para liderar o time brasileiro pode nos levar a entender melhor o que é este tão importante estado de espírito quando se defende uma nação.

 

A liderança política de Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
março 12, 2019 às 8:59 pm

Não é só no ranking mundial que Novak Djokovic quer a liderança. Ele agora busca também ter domínio sobre o futuro do tênis masculino. Por isso – como contei no último blog postado em 28 de janeiro – desde o Aberto da Austrália, o tenista sérvio estava articulando a saída de Chris Kermode da presidência da ATP e conseguiu.

Este recente anúncio do fim do contrato de Kermode com a ATP para dezembro deste ano, causou um clima tenso entre os jogadores. Roger Federer, que já ocupou o cargo atual de Djokovic como presidente do ‘players council’ sentiu-se traído e achou que deveria ser consultado. Segundo o jornalista suíço, René Stauffer, Djokovic só tentou contato um dia depois de a decisão ter sido tomada. “O Federer tem muitas perguntas em aberto a fazer”, contou Stauffer.

Rafael Nadal embora tenha afirmado que gostaria de ficar longe das questões políticas do esporte também não gostou da decisão de finalizar o contrato de Kermode. O espanhol estranhou não ter sido consultado e usou uma interessante figura para expressar sua indignação. “Meu celular não tocou uma única vez com chamada de Novak, nem mesmo recebi qualquer mensagem de texto”. Ele ainda afirma que não seria necessário ser ouvido em pequenos detalhes, assuntos sem muita representatividade, mas uma demissão de um presidente da ATP considerou ser algo grande e merecedor de toda atenção.

Não é de hoje que Novak Djokovic e Chris Kermode estão em atrito. O sérvio tem um temperamento forte. Não gosta de ouvir uma ordem ou orientação sem poder contestar. É o seu jeito de ser, e o que incomoda a tanta gente.

O MOTIVO  – A raiz destes problemas está no fato de um dos pontos cruciais é de os jogadores sempre lutarem por melhores prêmios, além, é claro, de melhores condições profissionais, como calendário etc e tal. Mas o motivo chave é que dentro do ‘board da ATP’ os que pagam os prêmios e os que recebem e querem um prêmio maior estão sob o mesmo guarda chuva.

O board é formando por três representantes dos jogadores e três representantes dos torneios. Assim, em certos assuntos, a estrutura da ATP trabalha contra os jogadores, o que para um associação de classe não parece mesmo ser o melhor sistema.

Pressionados pelo presidente do council, Novak Djokovic, os três representantes dos jogadores no board não deram voto a favor de Kermode. O atual presidente precisaria de quatro indicações para manter no cargo pelo terceiro contrato seguido de três anos de duração cada.

Entre manter-se fiel a Kermode ou ao presidentes do ‘players council esses três representantes preferiram ficar com Djokovic. Aliás, um fato interessante é que este grupo não necessariamente conta com integrantes de forte formação nas quadras de tênis, como fica fácil analisar ao se conhecer os nomes: David Egdes é executivo do Tennis Channel; Alex Iglot, diretor de comunicações da Sportradar; e o mais ligado à raquete é Justin Gilmestob, ex-tenista norte-americano e hoje comentarista de tevê.

O grupo dos representantes dos torneios sempre esteve ligado em ter os jogadores nas mãos para assuntos financeiros e patrocínios. São ex-agentes como Herwig Straka, que cuidou por um bom período da carreira do ex-número 1 do mundo, o austríaco Thomas Muster. Outro integrante, Gabin Forbes, pertenceu a uma das maiores agências de atletas do mundo, a IMG, enquanto Charles Smith, é da Juss Event, um companhia chinesa responsável pela produção e organização de grandes eventos esportivos.

Ora, com tanta gente assim por perto, dá bem para entender a preocupação de Novak Djokovic com o futuro do esporte. Mas isso não justifica o fato de não ouvir mais atentamente nomes como os de Roger Federer e Rafael Nadal. Não agiu certo, afinal, quem pode garantir que essa decisão de afastar Kermode será a melhor para a ATP?

Djokovic: ser perfeccionista não significa ser chato
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 28, 2019 às 2:24 pm

Não há nada que Rafael Nadal tenha feito nesta final, que Novak Djokovic não tenha sido melhor. Nesse tom, por incrível que seja, o tenista sérvio fez tudo parecer muito fácil nessa decisão do Aberto da Austrália. Isso é resultado de um trabalho árduo e o perfeccionismo demonstrado pelo campeão.

Sempre Djokovic busca pelo melhor. Mesmo que isso signifique alguns tropeços, desencontros e decisões longe das ideais. Não há muito tempo, o sérvio mexeu drasticamente em seu staff, até voltar a tranquilidade do trabalho com Marian Vajda. Passou por momentos difíceis e de inconformismo. Na sua volta ao circuito não conseguia jogar o seu melhor tênis. Sofreu pela falta de paciência, até chegar ao nível que demonstrou em Melbourne.

Para chegar a esse ponto, Novak Djokovic demonstrou seu lado mais exigente. E na busca da perfeição, muitos interpretam que o tenista sérvio é chato, antipático. Mas, ao meu ver, é necessário entender os critérios por ele utilizados.

A fama de um jogador antipático nos bastidores surgiu por conta do pessoal da própria ATP e até mesmo da ITF. É que dentro de seus critérios, Djokovic não se revela um bajulador e nem aceita todas as normas. E, por isso, há rumores que o atual número 1 do mundo está em briga com Chris Kermode e quer tirá-lo da presidência da associação de tenistas.

Já conhecia a fama de antipático – e até estava convencido disso, confesso – quando estive pela primeira vez em contato com Djokovic. Este encontro aconteceu na despedida de Gustavo Guga Kuerten do torneio de Miami. O sérvio tinha sido surpreendido logo na estreia da competição e aceitou o convite para a celebração do brasileiro em uma churrascaria da cidade. Djokovic foi de ônibus, ao lado de um montão de gente, e esteve na festa com simpatia, carinho com todos e simplicidade.

Certa vez, em Roland Garros, tinha uma entrevista exclusiva com Djokovic. Nesse dia, Guga tinha acompanhado o jogo do sérvio na tribuna Presidencial da Philippe Chatrier. Iniciei a conversa falando deste fato e ao perceber que se tratava de uma entrevista a brasileiro abriu um largo sorriso e confessou que Kuerten merece todo o respeito e privilégios concedidos a ele em Paris. O papo estava fluindo de forma agradável, quando entrei na parte técnica perguntando de suas perspectivas no torneio etc e tal. Neste momento o agente da ITF interrompeu e disse que meu tempo tinha acabado. Djokovic, mais uma vez não cumpriu as normas, olhou feio para o lado e deixou que eu terminasse o meu trabalho com tranquilidade.

Não satisfeito, o agente de comunicações da ITF procurou-me horas depois para dar uma bronca, que eu não poderia ter ficado tanto tempo na entrevista e coisas assim. Ao final, confessou que Djokovic o havia também repreendido. E, é claro, deixou a entender que na sua interpretação o tenista sérvio não era dos mais fáceis no tratamento.

Apesar de tantas informações em contrário, não vejo como não entender os posicionamentos de Djokovic e estou convencido, agora com opinião própria, que o sérvio não só faz muito bem ao tênis mundial, como também é simpático. E isto pode ser visto, mais uma vez, num pedaço da entrevista coletiva do campeão do Aberto da Austrália, quando faz uma ironia das mais engraçadas com o jornalista italiano Ubaldo Scanagatta. O trecho está nas mídias sociais.

 

Troca da guarda e Federer é vítima da next gen
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 20, 2019 às 1:10 pm

É curioso e até irônico que Roger Federer tenha se transformando na primeira vítima, em Grand Slam, de um digno integrante da nova geração como o grego Stefanos Tsitsipas. Justamente o maior colecionar de troféus desse peso viu o que John McEnroe definiu como “changing of the guard”, ou seja a troca da guarda.

Os avisos já haviam surgido para Roger Federer. Campeão do Aberto da Austrália ano passado, o suíço caiu nas quartas de final de Wimbledon, nas oitavas de final do US Open e volta a ficar nesta mesma fase agora no primeiro Slam da temporada.

Nada disso, porém, deve significar em aposentadoria. Afinal, já vi alguns ‘posts’ em que esta poderia ter sido a última aparição de Federer na Austrália. O fato é que apenas o “goat” – o maior de todos os tempos – sucumbiu diante de um jovem talento. Vejo o suíço ainda em plenas condições de uma bela temporada. E não há melhor combustível para um tenista do que vitórias. E elas devem acontecer com boa frequência ainda para o suíço.

Essa possível troca de guarda vem de encontro às recentes declarações do ex-número um do mundo Marat Safin. O russo disse não acreditar nesta nova geração, pois nenhum deles ainda tinha conseguido vitória significativa sobre um dos grandes. Mas parece que o mundo está mudando.

O interessante nesta opinião de Safin é que muitos do mais expressivos integrantes da chamada next gen são de origem russa. Além de Tsitsipas, estão neste grupo Denis Shapovalov, Andrey Rublev e Karen Khachanov. Este fenômeno é visto também no feminino. Algumas das mais fortes representantes da nova geração como Amanda Anisimova ou Sofia Kenin, que embora representem os Estados Unidos tem suas origens na Rússia.

Esta nova geração já teve, porém, outros resultados significativos fora dos eventos do Grand Slam. em 2018, Tsitsipas venceu Novak Djokovic na terceira rodada de Toronto; Borna Coric bateu Federer nas semis de Xangai e final de Halle; Khachanov ganhou de Nole na final do 1000 de Paris; e Alexander Zverev venceu Federer e Djokovic no Finals.

COMO FÊNIX -De acordo com a mitologia grega, Fênix ressurgia das próprias cinzas. E Rafael Nadal, apesar de todos os problemas físicos, segue firme e forte neste Aberto da Austrália. É que após alguns resultados ruins no início da temporada, o espanhol foi para Melbourne envolvido em dúvidas. Mas uma coisa e certa, quando ele entre num torneio é para ganhar, não apenas participar. Esta longe de ser um barão de Coubertin, que tinha como lema “o importante é competir”.

 

Copa Davis inicia era de incertezas
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 27, 2018 às 7:59 pm

A Croácia fez história. Ao erguer a famosa “saladeira” em terras francesas encerrou uma era da mais emocionante competição por nações do planeta. A partir de agora, a Copa Davis inicia um período de incertezas, que podem abalar a centenária tradição deste evento.

Não é a primeira vez que a Copa Davis passa por reformulação. Mas nada tão radical como o proposto para o próximo ano. Por um bom tempo, a competição era jogada no “challenger round”. Ou seja, o campeão de um ano ficava a espera de quem iria enfrentá-lo na decisão do seguinte. Isso foi de 1900 a 1981.

A ideia de novas transformações veio para tentar atrair as grandes estrelas. Neste formato disputado até este ano, como disse Pete Sampras no livro “Mente de Campeão”, um jogador precisaria dedicar dois meses da temporada para defender seu país. Mas para quem busca alcançar ou manter a liderança do ranking mundial, como era o caso do americano, isso tornou-se um desafio desumano.

Para buscar a garantia de sucesso nesta nova Copa Davis, o atual presidente da ITF, o norte-americano David Haggerty associou-se a empresa do jogador de futebol Gerard Pique, Kosmos, e assegurou uma premiação milionária.

Só que são vários os aspectos que causam incertezas para o próximo ano. Uma das mais recentes ações contra esta nova Copa Davis veio de Novak Djokovic. Ele vem mandando e mail para todos os jogadores com o propósito de criar um grupo forte e exigir da ITF que não coloque a participação na competições entre nações como elegível para disputar o Torneio Olímpico de Tóquio.

Sem contar ainda com Roger Federer, que deixou clara a sua disposição de não ter de discutir assuntos do tênis com um jogador de futebol. O suíço também tem um evento concorrente, a Laver Cup. Pique reclamou esses dias que não consegue falar com o tenista. Usou até o seu agente Tony Godsick para tentar uma aproximação, mas sem sucesso.

Com duas fases bem claras, a Copa Davis reúne em fevereiro equipes para um torneio de classificação. As nações vencedoras irão para uma final em novembro, em Madri, com esperanças de manter a tradição e as emoções dos confrontos. Mas, na realidade, esta centenária competição pode sim estar perdendo sua alma.

 

O que esperar da next gen em 2019
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 19, 2018 às 7:12 pm

A turma da nova geração do tênis mundial já mandou um belo aviso neste final de temporada. Karen Khachanov, em Paris, e Alexander Zverev, em Londres, derrotaram o atual número um do ranking Novak Djokovic para ganharem títulos de suma importância. Stefano Tsitsipas fez um brilhante ano, assim como seu adversário na final do Next Gen, em Milão, Alex de Munar. Os americanos, que não contam com um número um desde os tempos de Andy Roddick, podem sonhar alto com nomes como Frances Tiafoe, Taylor Fritz, entre vários outros. E até mesmo a armada espanhola, um pouco desgastada, apesar de Rafael Nadal, está vendo surgir um novo talento como Jaume Munar. Sem contar ainda com os jogadores um pouco mais experientes como Nick Kirgios, Dominic Thiem, juntos a vários outros.

A expectativa de sucesso dessa rica nova geração fica para os Grand Slam. Esta série de torneios há muitos e muitos anos vem sendo dominada pelos consagrados Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray e alguns poucos intrusos como Stan Wawrinka, Marin Cilic e Juan Martin Del Potro.

Thiem chegou a final de Roland Garros este ano. Perdeu para Rafael Nadal, mas o fato de ter alcançado a decisão, pelo menos no meu ponto de vista, abre uma perspectiva enorme de se vencer. Lembro sempre de um certo ano em Paris, quando Arantxa Sanchez decidia o título diante da super campeã Steffi Graf e meus amigos espanhóis confessavam o temor de um vexame, uma bicicleta ou coisa parecida. Mas, ao final da história, a jovem espanholinha, meio rechonchuda na época, deixou a Philippe Chatrier carregando o troféu.

Outro detalhe importante é que, além das vitórias de Khachanov e Zverev sobre Djokovic, das dez derrotas de Roger Federer na temporada, quatro vieram de jogadores deste novo grupo: Thanasi Kokkinakis, em Miami; Borna Coric, em Halle e Xangai; e mais recentemente Zverev, em Londres.

O duelo de gerações promete ser uma das grandes atrações para a próxima temporada. Afinal, Novak Djokovic, apesar do vice em Londres, está em plena forma. Rafa Nadal por diversas vezes voltou de lesões com sucesso absoluto. Roger Federer, do alto dos seus 37 de vida, revela-se muito satisfeito com sua performance em 2018. E, para justificar seu sentimento, repetiu uma frase de Pete Sampras, ou seja, não se pode considerar ruim uma temporada em que se tenha erguido um troféu de Grand Slam.

Enfim, teremos muitos candidatos aos títulos dos quatro Slams. E a aposta fica para sabermos se vamos ter um novo nome da restrita lista de vencedores desta série de torneios. A contar pelo o que aconteceu em 2018, as chances são boas…

 

Apenas um recado para Julien Benneteau
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 13, 2018 às 5:02 pm

Em meio a tantas coisas legais acontecendo nesta reta final do tênis em 2018 aparece um Julien Benneteau para tumultuar o ambiente. Suas afirmações de privilégios a Roger Federer, em entrevista a rádio francesa RMC, surgem como um contraponto ao clima de grandes atuações, duelos de gerações e toda emoção que esta temporada vem revelando.

Essas críticas de Benneteau levaram-me a entrar no túnel do tempo e lembrar de um episódio dos mais intrigantes em Roland Garros. Cansados de verem seu vizinhos (e rivais) espanhóis ganharem tudo no Aberto da França – ainda antes da era Rafael Nadal – a Federação Francesa de Tênis quis facilitar o caminho para o então número um do mundo, Pete Sampras, enfim ganhar uma Taça dos Mosqueteiros.

Conhecedores de como se construir uma quadra de “terre battu”, os organizadores do torneio ordenaram que o saibro daquele ano fosse o mais rápido possível. É claro que em dias de chuvas pesadas, nem mesmo os espertos franceses conseguem operar este milagre. Mas alcançaram sim uma superfície bem mais rápida do que em todos os outros anos.

A história vazou para media internacional. O assunto dominou os bastidores e causou revolta em muita gente. É claro que especialmente entre os tenistas espanhóis. Só que Sampras vivia momentos incríveis. A ATP, na época, chegou a colocá-lo como o melhor tenista dos últimos 25 anos, com perspectivas de se o maior de todos os tempos.

Enfim, a própria França resolveu dar privilégios a um dos maiores astros da história do tênis. Mas, nem assim, Pete Sampras ergueu uma vez sequer a cobiçada Taça dos Mosqueteiros.

É preciso entender também que os prêmios do tênis atualmente alcançam cifras milionárias em função de astros como Roger Federer. Por isso, apesar das críticas de Benneteau, o Australian Open sim colocou o suíço para jogar à noite por diversas vezes, com tratamento especial. Afinal, ele vende ingressos e ganhou por seis vezes o título em Melbourne.

O próprio Novak Djokovic perguntado a respeito das declarações de Benneteau não hesitou em defender a ideia de privilégios para um astro como Roger Federer. E isso acontece também com Rafael Nadal. Ora, quando ele esteve no Brasil é lógico que os organizadores colocaram o espanhol para jogar nos horários nobres. Nada mais justo e inteligente. Com Gustavo Kuerten sempre foi o mesmo.

Ora, Julien Benneteau às vésperas da aposentadoria perdeu uma boa chance…