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Técnico de Paes prepara Stefani: ‘Vai dominar o mundo’
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 19, 2020 às 9:12 am
O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O título de Luisa Stefani na chave de duplas do WTA de Lexington e o bom momento vivido pela brasileira, que atingiu o melhor ranking da carreira no 39º lugar, passam pelas mãos de um dos maiores especialistas na modalidade. O técnico indiano Sanjay Singh, que trabalha há quase três décadas com o veteraníssimo Leander Paes, é também o treinador pessoal de Stefani há duas temporadas e fez parte da constante evolução da jovem paulista de 23 anos.

Sob o comando de Sanjay, Stefani ganhou seus dois primeiros títulos na elite do circuito. Ela foi campeã em Tashkent no ano passado e em Lexington no último domingo. As duas conquistas foram ao lado da norte-americana Hayley Carter. A parceria também foi finalista em Seul em 2019 e venceu nesta temporada um torneio da série 125k (equivalente a um challenger) em Newport Beach.

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No fim de 2018, quando a parceria com Sanjay ainda vinha em formação, Stefani aparecia apenas no 182º lugar do ranking. E a meta do experiente treinador é ambiciosa: Colocar a brasileira entre as 10 melhores jogadoras do mundo na modalidade. Segundo o indiano, Stefani apresenta totais condições de dominar o circuito, por sua capacidade técnica e disciplina nos treinos.

“Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve”, disse Sanjay Singh ao TenisBrasil. “Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e estar em uma das melhores duplas do mundo”.

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Mesmo durante a paralisação de cinco meses do circuito, devido à pandemia da Covid-19, Sanjay acompanhou de perto a evolução de Stefani. A brasileira conseguiu se manter em atividade, disputando exibições de simples na Acadmia Saddlebrook, onde ela mora e treina na Flórida. Ela conseguiu 16 vitórias em 28 jogos entre maio e julho. Uma das vitórias foi sobre Whitney Osuigwe, uma das jovens promessas do tênis norte-americano: “Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade”.

O treinador conta que o próprio Leander Paes, ex-número 1 de duplas e vencedor de oito Grand Slam nas duplas masculinas e dez nas duplas mistas, enalteceu o trabalho com a brasileira. A lenda do tênis indiano está com 47 anos e segue em atividade. “Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso”, comentou. “Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora”.

“Ela é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como fazer. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah“, explicou o treinador.

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Confira a entrevista com Sanjay Singh.

Você está trabalhando com ela há mais de um ano. Como o jogo dela evoluiu durante esse tempo? Que sinais você pode ver na evolução dela?
Estou trabalhando com a Luisa há dois anos e ela realmente melhorou muito e entende muito bem o plano de jogo. Ela é uma menina muito trabalhadora, como o Leander também é, joga muito bem e é rápida na rede. Essa é sua força, além de seu saque. Ela pode colocar a bola em qualquer lugar.

Como foi a comunicação com Luisa quando o circuito parou por causa da pandemia?
Nossa comunicação foi boa porque eu também moro aqui. Então nós podíamos treinar pela manhã. E depois, durante a tarde, eu podia falar com ela sobe o que fazer e o que tinha sido bom no treino. Não é apenas bater na bola que importa. Então nós trabalhamos no lado físico, mental e também no tênis, o que foi ótimo. Tivemos um tempo de muita qualidade em quadra, trabalhando em pontos e golpes específicos a cada dia. Então foi um tempo muito bom aqui na Saddlebrook, em Tampa.

A Stefani fez muitas partidas de exibição entre maio e julho e obteve alguns bons resultados. Foram 16 vitórias em 28 jogos. Como você avaliou o desempenho dela nesses meses?
Ela fez boas exibições aqui. Estamos trabalhando no jogo dela de simples e esse evento deu a oportunidade para ela ganhar experiência. Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade. Estava usando saque e voleios, drop-shots, lobs, e as meninas não faziam ideia dessas coisas, porque ela só batiam na bola. E Luisa era tão boa na rede, que ela subia, voleava, e as adversárias não sabiam o que fazer.

 

Você trabalhou com Leander por muito tempo. O quanto essa experiência agregou à sua carreira de treinador?
Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. Temos o melhor aproveitamento em Copa Davis no mundo. É claro que tivemos alguns altos e baixos juntos, mas temos muita experiência. Isso impacta no jeito dele jogar e no meu jeito de passar as informações para ele. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora, porque eu a vejo sacando e voleando, entrando na quadra, sendo bastante energética na quadra e eu amo ver isso. Estou feliz que ela está ficando mais forte a cada dia.

Eu gostaria que a Luisa tivesse mais patrocinadores no Brasil, porque isso pode ajudá-la a conseguir vencer ainda mais, porque tudo no tênis é muito caro. E ela está trabalhando muito duro. Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve. Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e ter uma das melhores duplas do mundo. E também vamos trabalhar no jogo de simples. Então em novembro ou dezembro, ela vai jogar muitas partidas de simples.

Também sobre Leander. Você sabe se ele mudou seus planos de aposentadoria este ano devido à pandemia? Você acha que ele pode jogar mais um ano e ir para as Olimpíadas em 2021?
Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso. Então ele disse: ‘Parabéns! Mas eu preciso treinar de novo, porque eu quero voltar a jogar e quero me aposentar depois das Olimpíadas’.

Então eu acho que ele vai voltar a jogar. Em novembro, ele vem para Tampa e vai treinar comigo. E acho que ele jogar mais cinco ou seis torneios, pedir um convite para Wimbledon e tentar jogar em Tóquio e se aposentar. Seria a oitava vez dele nas Olimpíadas.

Quanto o jogo de duplas evoluiu nesses anos? E você acha que o estilo de jogo feminino e o masculino são muito diferentes para as duplas?
O jogo de duplas mudou demais, por causa da bola e dos pisos. Hoje temos tenistas que ficam no fundo da quadra e batem na bola o mais forte que podem, mas se você tem um bom jogo de rede pode dar problema para os outros jogadores, porque eles não sabem o que fazer. É por isso que o Leander continua jogando o seu melhor e a Luisa está indo tão bem. Acredito que o jogo masculino seja um pouco diferente, com mais potência nos golpes.

Mas a Luisa está jogando muito bem e é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como passar. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah.

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ATP lança Finals sub-21 e ITF remodela o Junior Masters
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 21, 2016 às 7:44 pm

A ATP anunciou no último sábado que a cidade italiana de Milão será o palco do Next Gen ATP Finals, novo evento no calendário para os melhores jogadores do mundo com até 21 anos. A edição inaugural acontece entre os dias 7 e 11 de novembro de 2017 e o evento permanece em Milão por cinco anos, até 2021.

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As cinco primeiras edições do evento acontecerão na Itália (Foto: Arte/ATP)

Para determinar os classificados, será criada uma “Corrida para Milão” a partir de janeiro, nos moldes do ranking qualificatório para o ATP Finals, a “Corrida para Londres”. Os sete melhores jogadores com essa faixa etária (nascidos até 1996) se classificam automaticamente, enquanto a oitava vaga será reservada para um convidado.

O evento vai distribuir premiação de US$ 1,25 milhões e seguirá um formato semelhante ao do ATP Finals, com uma fase de grupos seguida por semifinais e final. Ainda que o ranking sirva como critério de classificação, o torneio em si não vai oferecerá pontos.

Três comentários – Ainda não foi informado qual será a postura adotada para o caso de um jogador com menos de 21 anos esteja classificado para o ATP Finals, que acontece na semana seguinte, entre os dias 13 e 19 de novembro. Acredito que ele seja liberado.

Além disso, o fato de o torneio não oferecer pontos para o ranking também indica que ele não será de participação obrigatória. Isso pode dar margem para eventual debandada de jogadores que estejam de fato classificados, como aconteceu na maioria das cinco edições do Challenger Finals em São Paulo, que oferecia preciosos pontos no fim de cada ano.

Não deram detalhes ainda sobre os critérios para o jogador convidado: É alguém da mesma faixa etária? Será um juvenil? Melhor italiano na ATP (Bota a molecada para jogar com o Fognini, sou a favor!) ou melhor italiano com essa idade? Aguardemos…

ITF remodela o Junior Masters

O sul-coreano Hong Seong Chan e a russa Anna Blinkova foram campeões este ano (Foto: Susan Mullane)

O sul-coreano Hong Seong Chan e a russa Anna Blinkova foram campeões este ano (Foto: Susan Mullane)

Outra novidade recente foram as mudanças no ITF Juniors Masters, o Finals sub-18 organizado entre os oito melhores do circuito juvenil para meninos e meninas. Tal como nas duas primeiras edições, em 2015 e este ano, o torneio seguirá na China, mas muda deixa de acontecer em abril e muda para o final da temporada.

O torneio do ano que vem vai acontecer a partir do dia 23 de outubro e passará a contar pontos para o ranking mundial juvenil, ajudando a determinar o “Year-End Number 1″. O período de classificação está valendo desde 12 de setembro e vai até 10 de setembro do ano que vem.

A ITF disponibilizou as “Corridas para Chengdu” em seu site para que os fãs possam acompanhar a classificação para o torneio. Aqui estão os 20 primeiros colocados no masculino e feminino. (Obrigado ao Rubens Lisboa, da CBT, por ter localizado as listas no site da entidade).

Mais dois comentários – A semana do torneio coincide com a do WTA Finals, inclusive em termos de horários. E como a transmissão do evento costuma ser só pela internet, o engajamento em redes sociais junto ao público de tênis fica comprometido.

Quanto à distribuição pontos, até fica válido agora que o torneio terá os melhores do ano vigente e não mais os da temporada anterior, mas mantenho a posição de que na fase final transição o que menos interessa para eles é ranking juvenil, principalmente para as meninas cuja maioria já pontuou na WTA com essa idade.

Teste no circuito feminino

A agora campeã olímpica Monica Puig venceu um evento nestes moldes há dois anos, promovido pela WTA

A agora campeã olímpica Monica Puig venceu um evento nestes moldes há dois anos, promovido pela WTA

A WTA também testou criar um evento entre jovens promessas entre 2014 e 2015, acontecendo na semana anterior ao Finals de Cingapura, mas não levou a diante a ideia. Nos dois anos era disputado um quadrangular entre jovens jogadoras escolhidas por votação pela internet e, até por isso, não valia pontos para o ranking. Monica Puig e Naomi Osaka foram as vencedoras.

Novo número 1

Terminou no último domingo o Aberto Juvenil Mexicano, competição de nível GA no circuito de 18 anos da ITF. No masculino, deu a lógica e o cabeça 1 Miomir Kecmanovic foi campeão sem perder sets. Único top 10 inscrito e então número 2 do ranking, o sérvio de 17 anos venceu a final contra o português Duarte Vale por 6/3 e 6/0. Os 250 pontos conquistados no saibro mexicano o levarão à primeira posição no ranking.

Único top 10 no Aberto Juvenil Mexicano, Kecmanovic foi campeão sem perder sets e será número 1 do ranking

Único top 10 no Aberto Juvenil Mexicano, Kecmanovic não perdeu sets no torneio e será número 1

O torneio feminino foi dominado pelas americanas, que fizeram as quatro semifinalistas e tiveram seis das oito jogadoras nas quartas. A campeã foi a canhota de 16 anos Taylor Johnson, que derrotou Ellie Douglas na final por 6/2, 2/6 e 6/4. Johsnon subiu do 28º para o 11º lugar no ranking.