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João Fonseca aposta nos conselhos e na experiência de André Sá em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 4, 2022 às 9:56 pm

Treinado por André Sá, especialista nas quadras de grama, Fonseca já avançou em simples e duplas em Wimbledon (Foto: Daniel Kopatsch/ITF)

Em sua primeira participação no torneio juvenil de Wimbledon, João Fonseca conta com a experiência de um especialistas em quadras de grama. Treinado pelo mineiro André Sá, que chegou às quartas na chave de simples em 2002 e foi semifinalista de duplas em 2007, Fonseca aproveita os conselhos valiosos para tentar evoluir em um piso onde ainda tem pouca bagagem.

“Andre Sá é meu treinador e ele falou muito comigo sobre Wimbledon, então estou muito animado por estar aqui. Começamos a trabalhar juntos no início do ano passado, e ele é incrível. Tem muita experiência. Por tudo o que ele fez na carreira e todo seu talento e habilidades no tênis, já passou muito conhecimento para mim. É incrível estar com ele, que me ajudou muito”, disse Fonseca em entrevista ao site da ITF, após a vitória por 7/6 (8-6) e 6/4 sobre o argentino Lautaro Midon na estreia em Wimbledon.

“Chegando a Wimbledon, ele me aconselhou a fazer slices, focar nas devoluções e a começar cada ponto de forma agressiva, chegar à rede e ser muito intenso. É exatamente isso que estou tentando fazer”, acrescentou o jovem jogador de 15 anos e 57º colocado no ranking mundial juvenil. O brasileiro enfrenta na segunda rodada o norte-americano Sebastian Gorzny. A partida acontece por volta de 8h30 (de Brasília) desta terça-feira, na quadra 15.

Fonseca começou a jogar aos quatro anos e vem de uma família onde todos praticam esportes. O amor pelo tênis veio por conta da mãe. Até os 12 anos, dividia atenções entre o tênis e o futebol. Seus primeiros títulos de ITF J5 foram no ano passado, no Panamá, Paraguai e também em Salvador. Já na atual temporada, chegou a uma final de J1 no Paraguai e ganhou um título de duplas do mesmo porte na Bélgica.

Este é apenas o segundo Grand Slam que Fonseca disputa como juvenil. Ele já havia alcançado as oitavas de final de Roland Garros. E na semana passada, como preparação para Wimbledon, disputou o ITF J1 de Roehampton e também chegou às oitavas, avançando duas rodadas. E os resultados recentes já começam a atrair a atenção dos fãs de tênis.

“Wimbledon é o meu torneio favorito, é o mais elegante com todo mundo vestido de branco. Nunca havia jogado na grama antes da semana passada, quando joguei em Roehampton. Este é apenas o meu segundo Grand Slam depois de Roland Garros e tenho apenas 15 anos. É uma sensação incrível estar aqui”, afirmou o carioca. “Tem muita gente me acompanhando aqui e me mandando boas vibrações, o que é muito legal e me deixa mais animado para jogar. Bruno Soares estava assistindo minha partida na estreia e Guga [Gustavo Kuerten] assistiu uma partida minha em Roland Garros. Além do André, é claro”.

Durante a rodada de estreia em Wimbledon, Fonseca jogava próximo da linha de base e apostava na potência de seu saque e dos golpes de fundo, dentro de suas características de jogo. “Sou um jogador agressivo e gosto de terminar os pontos em até três trocas de bola. Não gosto de correr muito, então eu me descreveria como um jogador muito agressivo”, avaliou o jovem tenista. “Há um longo caminho a percorrer e só tenho que confiar nos meus treinadores e na minha família, que me apoiam muito. Estou apenas me divertindo e estou muito feliz”.

Vitória na estreia na chave de duplas
Fonseca também estreou com vitória na chave de duplas em Wimbledon, jogando ao lado do boliviano Juan Carlos Prado Angelo. Logo na primeira rodada, eles eliminaram os peruanos Gonzalo Bueno e Ignacio Buse, cabeças 2, por 3/6, 7/5 e 10-8. Eles enfrentam na segunda rodada o neozelandês Jack Loutit e o australiano Edward Winter.

O Brasil no torneio juvenil de Wimbledon
O principal resultado do Brasil no torneio juvenil de Wimbledon foi o título de duplas do gaúcho Orlando Luz e o paulista Marcelo Zormann em 2014. Dois brasileiros já foram finalistas na chave de simples: O paranaense Ivo Ribeiro foi vice em 1957, superado pelo britânico Jim Tattershall. Dois anos depois, em 1959, o carioca Ronald Barnes também jogou uma final e foi superado pelo soviético Tomas Lejus. Ano passado, o catarinense Pedro Boscardin chegou às oitavas, enquanto o mineiro João Victor Loureiro foi à segunda rodada.

Entre as meninas, destaque para uma semifinal de duplas de Beatriz Haddad Maia em 2011, ao lado da russa Mayya Katsitadze. A chave feminina em 2022 contou com a paulista de 18 anos Ana Candiotto, que havia perdido na rodada final do quali, mas entrou na chave principal como ucky-loser graças à desistência da britânica Ranah Akua Stoiber. Logo na estreia, Candiotto desafiou a norte-americana Liv Hovde, principal cabeça de chave e número 6 do ranking, que marcou as parciais de 6/4 e 6/1. Hovde venceu o torneio preparatório na grama de Roehampton na última semana.

Com 6 técnicos em um ano, Raducanu mira o US Open
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2022 às 11:04 pm

A curta carreira de Raducanu tem sido marcada por constantes trocas de treinador (Foto: AELTC)

De volta às quadras de grama de Wimbledon um ano depois de ter feito seu primeiro resultado de destaque no circuito, ao atingir às oitavas, Emma Raducanu não repetiu o bom desempenho da última temporada. Eliminada ainda na segunda rodada pela francesa Caroline Garcia, a britânica afirma que o aspecto mental não foi um fator determinante para a derrota por duplo 6/3 nesta quarta-feira em Londres. A atual número 11 do mundo já projeta a preparação para o US Open, onde tentará defender o surpreendente título conquistado no ano passado.

“Obviamente é difícil perder qualquer partida, mas acho que Caroline fez um grande jogo. Ela é uma grande jogadora. Eu lutei para encontrar um caminho hoje. Mas tudo bem porque, eu realmente não tinha muitas expectativas. Jogar na Quadra Central novamente foi uma experiência muito positiva para mim”, disse Raducanu após a derrota para Garcia na Quadra Central de Wimbledon.

“Já me fizeram essa pergunta [sobre a pressão] em todas as coletivas de imprensa. Mas eu tenho 19 anos e sou uma campeã de Slam. Ninguém vai tirar isso de mim. Não há pressão. Por que haveria alguma pressão? Ainda tenho 19 anos. Isso é uma piada. Eu literalmente ganhei um Slam”, acrescentou a britânica, que tem apenas nove vitórias na temporada e chegou às quartas em apenas um torneio, o WTA 500 de Stuttgart.

“Voltar a Nova York vai ser legal, porque tenho ótimas lembranças de jogar em quadras grandes, com muitas pessoas no estádio, com todos os olhares em você. Para mim, tudo é aprendizado. Estou aproveitando cada momento”, comenta a jovem tenista. “É claro que isso me fará uma jogadora melhor porque esses jogos estão destacando todas as minhas fraquezas. Então, quando você joga em uma quadra grande como essa, tudo é amplificado. Mas é ótimo para mim ter todas essas lições nessa idade, para que quando eu estiver na casa dos 20 anos, esses problemas ou pequenas falhas no meu jogo serão resolvidos”.

Carrossel de treinadores nos últimos meses
Um fator que chamou atenção na curta carreira de Raducanu é o carrossel de treinadores que acompanham a britânica. Na boa campanha do ano passado em Wimbledon, ela estava ao lado de Nigel Sears. Depois, contou com o apoio de Andrew Richardson na caminhada para o título do US Open. Após a conquista, encerrou a parceria e diz que procurava um treinador mais experiente, o nome escolhido foi o alemão Torben Beltz, ex-téncico de Angelique Kerber. O trabalho durou até abril deste ano, no início da temporada de saibro.

Além disso, a britânica teve acompanhamento pontual de outros profissionais da Lawn Tennis Association (LTA). Ainda em outubro do ano passado, em Indian Wells, treinou com Jeremy Bates. Já na atual temporada, com o fim da parceria com Beltz, viajou para Roma e Madri com Iain Bates, chefe do programa de tênis feminno da LTA. E nas últimas seis semanas, treinou com o consultor sênior de alto rendimento da federação, Louis Cayer.

Ano de muitas lesões para a britânica
Em meio a tantas mudanças na equipe, Raducanu sofreu também com muitas lesões e problemas físicos. Ainda na segunda rodada do Australian Open, sentiu dores causadas por bolhas na mão na partida contra a montenegrina Danka Kovinic. Na ocasião, recorreu a muitos slices de forehand e afirmou que pretendia incorporar ao seu estilo de jogo no futuro. No mês seguinte, em Guadalajara, abandonou a partida contra a australiana Daria Saville, que teve 3h30 de duração, por lesão no quadril. Já na temporada de saibro, em Roma, sentiu dores na região lombar e não conseguiu completar sua partida contra a canadense Bianca Andreescu.

‘Minha preparação não foi a melhor’, diz a britânica
A preparação para Wimbledon foi prejudicada por mais uma lesão em uma das costelas sofrida ainda no início da temporada de grama, em Nottingham. Depois disso, só voltou a jogar na primeira rodada do Grand Slam londrino. Ainda assim, ela garante que estava fisicamente bem durante o jogo. “Não senti nada fisicamente. Eu me declarei totalmente apta quando entrei na quadra no primeiro dia. Mas joguei sete horas de tênis em um mês. Eu não joguei tênis por duas semanas, e na última semana eu joguei uma hora por dia. Minha preparação não foi necessariamente a melhor. Para competir nesse nível e ganhar uma rodada já é uma conquista muito boa.

Antes do torneio, Raducanu também havia feito uma comparação com sua situação no ano passado, quando jogou como convidada e era apenas a 338ª do ranking. “Acho que como tenista, eu realmente cresci e me desenvolvi. Tenho habilidades que talvez não tivesse no ano passado. Mas todo mundo me conhece agora. Todo mundo sabe o que eu faço e todas querem me vencer. Eu tomo isso como um elogio e acho que isso vai me ajudar a longo prazo, porque se as jogadores estão melhorando seu nível contra mim, eu tenho que aumentar o meu. Com o tempo, serei um tenista melhor. Ainda tenho 15 ou mais anos de carreira pela frente. Estou apenas no começo”.

Com Pigossi, Wimbledon terá 17 estreantes em Slam
Por Mario Sérgio Cruz
junho 24, 2022 às 11:18 pm

Laura Pigossi fará sua primeira aparição em uma chave principal de Grand Slam (Foto: Reprodução/Instagram)

Segunda melhor brasileira no ranking da WTA, Laura Pigossi disputará sua primeira chave principal de Grand Slam em Wimbledon. A edição de 2022 do torneio terá 17 tenistas estreantes em Grand Slam, sendo 10 homens e sete mulheres, com muitas histórias que merecem ser contadas.

Pigossi, de 27 anos e 124ª do ranking, alcançou nesta temporada sua primeira final de WTA 250, nas quadras de saibro de Bogotá, e chegou a disputar os qualis do Australian Open e de Roland Garros. Medalhista de bronze nas duplas dos Jogos Olímpicos de Tóquio ao lado de Luísa Stefani, a paulistana de 27 anos teve resultados consistentes no segundo semestre de 2021 para se firmar no top 200 e deu um novo salto no ranking após a ótima campanha na Colômbia.

Com o veto aos tenistas da Rússia e de Belarus, Pigossi era a apenas a quinta na lista de espera quando houve o fechamento das inscrições e teve sua vaga confirmada na manhã do último sábado, após a desistência da ex-número 1 Naomi Osaka. Com isso, ela se junta a Beatriz Haddad Maia e o Brasil volta a ter duas jogadoras em uma chave de Grand Slam pela primeira vez desde 1989 em Roland Garros.

O sorteio desta sexta-feira colocou Pigossi para estrear contra a eslovaca Kristina Kucova, que tem o incomum estilo de jogo em que executa o forehand com as duas mãos. Se vencer, pode enfrentar uma rival experiente, a croata Petra Martic ou a norte-americana Shelby Rogers. A oitava cabeça de chave Jessica Pegula está no mesmo setor da chave, podendo cruzar o caminho da brasileira na terceira rodada.

“Estou muito feliz por jogar minha primeira chave principal de Grand Slam. É um sonho que tenho desde pequena. Com certeza foi fruto de muito trabalho. Por mais que não estejam jogando russas e nem bielorrussas, sinto que faço parte de onde estou, não é pelo fato delas não estarem que eu não mereça. Estou muito feliz, é até difícil colocar em palavras”, disse Laura Pigossi, ao saber da confirmação de sua vaga.

A número 2 do Brasil também lembrou do tempo de juvenil quando disputou o torneio britânico. “Por coincidência, também foi o primeiro Slam que joguei como juvenil. Sempre foi um torneio especial para mim. É bem tradicional e eu sempre amei esse charme que ele tem”, comenta a tenista, que não conseguiu disputar torneios preparatórios na grama este ano.

Jovem polonesa conviveu com a depressão e joga 1º Slam

Além de Laura Pigossi, outras seis mulheres disputarão o primeiro Grand Slam da carreira em Wimbledon, as convidadas britânicas Sonay Kartal e Yuriko Miyazaki, a japonesa Mai Hontama, a norte-americana Catherine Harrison, a suíça Ylena In-Albon e também a jovem polonesa de 20 anos Maja Chwalinska.

A história de Chwalinska merece destaque. A canhota polonesa é contemporânea da atual número 1 do mundo Iga Swiatek. Jogando juntas, elas foram campeãs da Copa Billie Jean King Júnior em 2016 e também foram finalistas do torneio juvenil do Australian Open no ano seguinte. A atual 172ª do ranking passou por um qualificatório com três rodadas para garantir vaga na chave, tendo superado na fase final a ex-top 10 Coco Vandeweghe por 3/6, 6/3 e 6/4.

Fora das quadras, Chwalinska conviveu com a depressão por mais de dois anos e chegou a anunciar no ano passado que precisaria parar de jogar para cuidar da saúde mental. “Em 2019 comecei a me sentir mal. Primeiro na quadra, mas depois fora dela, e isso me levou à depressão. Algo que eu mais gostava de repente se tornou uma fonte de sofrimento. Associei o tênis à pressão e ao estresse, e cheguei ao ponto em que não conseguia mais treinar. Decidi fazer uma pausa e não sabia se voltaria. Mas pude contar com pessoas ao meu redor que sempre me apoiavam e não me pressionavam. Quando voltei, muitas jogadoras vieram falar comigo porque elas também estavam com dificuldades. Por isso é tão importante falar sobre isso”.

Dez estreantes na chave masculina

A chave masculina terá dez estreantes em Grand Slam, o belga Zizou Bergs, os britânicos Ryan Peniston e Alastair Gray, o francês Hugo Grenier, os suíços Marc-Andrea Huesler e Alexander Ritschard, o holandês Tim van Rijthoven, o eslovaco Lukas Klein, o espanhol Nicola Kuhn e o italiano Andrea Vavassori.

Entre eles, o resultado mais expressivo foi de Tim van Rijthoven, campeão do ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch, superando o então número 2 do mundo Daniil Medvedev na final. Antes da semana perfeita na Holanda, ele sequer tinha vitórias em nível ATP, e ele ainda conseguiu bater dois top 10, já que também eliminou Felix Auger-Aliassime na semifinal. A campanha rendeu a ele um convite na chave principal. “Ganhar um título de ATP significa muito para mim, e ganhar em casa é ainda mais especial. A torcida foi incrível! Nunca pensei que ganharia o torneio. Eu queria talvez surpreender algum favorito, mas eliminar grandes jogadores e ganhar o título é simplesmente incrível”, disse Van Rijthoven após a surpreendente conquista na grama.

O belga Zizou Bergs foi outro jogador que recebeu convite após um bom resultado na grama. O jovem de 23 anos foi campeão do challenger de Ilkley, saindo do quali e vencendo sete jogos seguidos no piso. Ele bateu na final o ex-top 10 Jack Sock. Bergs também chama atenção ocasionalmente nas redes sociais por seus trick-shots em quadra, jogador muito talentoso e que vale a pena ser assistido de vez em quando.

Peniston tratou de um câncer quando pequeno
O britânico Ryan Peniston, de 26 anos e 147º do ranking, foi outro destaque da temporada de grama. Ele chamou atenção ao derrotar o número 5 do mundo Casper Ruud e chegar às quartas de final do ATP 500 de Queen’s, mas antes fez quartas nos challengers de Surbiton e Nottingham, e nesta semana repetiu a dose no ATP de Eastbourne.

Ryan Peniston chegou a derrotar o top 5 Casper Ruud em Queen’s

Quando tinha apenas um ano, ele foi diagnosticado com rabdomiossarcoma, um tipo câncer de tecidos moles encontrado em crianças. O britânico passou por uma cirurgia para remover um tumor antes de passar por um extenso período de quimioterapia. “Não me lembro de nada quando era mais jovem e mesmo quando era criança não sabia muito sobre a situação. Foi apenas nos últimos 10 anos que me interessei mais e pedi aos meus pais que me dissessem”, disse ao site da ATP.

“Isso mudou muito minha perspectiva [sobre a vida]”, disse Peniston. “Quando estou tendo um dia difícil com alguma coisa ou me aborrecendo com algo pequeno, eu meio que me lembro de que eu literalmente poderia não estar aqui há 25 anos”, acrescentou o canhoto de 1,83m. “A quimioterapia afetou meu crescimento. Eu era muito pequeno até os 14 ou 15 anos, era quase 30 centímetros menor que alguns dos meus amigos. Por isso, tive desenvolver algumas habilidades que talvez outros jogadores não estivessem trabalhando como a movimentação e as táticas. Isso me ajudou muito e quando comecei a crescer um pouco mais”.

Fonseca consegue vaga no juvenil de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
junho 23, 2022 às 1:45 am

 

João Fonseca conseguiu a vaga direta após atualização da lista de inscritos

João Fonseca conseguiu a vaga direta após atualização da lista de inscritos (Foto Marcello Zambrana/CBT)

Depois de fazer boa campanha em Roland Garros, onde chegou à terceira rodada, João Fonseca garantiu vaga direta na chave principal do torneio juvenil de Wimbledon, que acontece entre os dias 2 e 10 de julho.

Fonseca, carioca de 15 anos, é o atual 56º colocado no ranking mundial juvenil e na lista atualizada de inscritos, divulgada nesta quarta-feira, já aparece com a última vaga direta na chave principal. O próximo da lista é o argentino Juan Manuel La Serna, 57º do mundo.

O francês Gabriel Debru, campeão de Roland Garros e número 3 do mundo deverá ser o principal cabeça de chave em Londres, seguido pelo tcheco Jakub Mensik e pelo croata Mili Poljicak.

No feminino, a lista é liderada pela belga Sofia Costoulas, terceira do ranking juvenil, seguida pelas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova. A última a entrar diretamente na chave é a suíça Chelsea Fontenel, 67ª do ranking.

O Brasil será representado pela jovem paulista Ana Candiotto, 119ª do ranking, que disputará o quali em Wimbledon. Candiotto disputou neste ano a chave principal do Australian Open juvenil e o quali em Roland Garros.

Categoria 14 anos é incluída
Uma novidade para a edição de 2022 de Wimbledon é a categoria 14 anos, incluída no programa a partir desta temporada. Os jogos serão entre os dias 7 e 10 de julho. A categoria já estava nos planos da organização do evento desde 2019 para que esses tenistas tenham oportunidade de jogar na grama ainda mais cedo.

Em maio, a Confederação Sul-Americana de Tênis (Cosat) e Confederação Brasileira de Tênis (CBT) promoveram um torneio oficial na grama na cidade de Bragança Paulista na categoria 14 anos. Os títulos ficaram com os argentinos Candela Vazquez e Dante Pagani, superando nas finais os compatriotas Sol Larraya e Benjamin Chelia. Todos os finalistas viajarão a Londres, com as despesas pagas pela Cosat e pela organização de Wimbledon, para a disputa de torneios na grama em sua categoria.

Pausa no circuito adia os planos dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
abril 15, 2020 às 7:13 am
Natan Rodrigues e Gustavo Heide estavam no top 20 do ranking e garantidos em Roland Garros e Wimbledon (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

Natan Rodrigues e Gustavo Heide estavam no top 20 do ranking e garantidos em Roland Garros e Wimbledon (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O bom início de temporada para os brasileiros que disputam o circuito mundial juvenil foi interrompido de maneira abrupta pela pandemia da Covid-19. Jogadores como Natan Rodrigues, Gustavo Heide e Pedro Boscardin vinham de resultados positivos nos primeiros meses do ano e já estariam no início da preparação para Roland Garros e Wimbledon, mas esses planos terão que ser adiados.

As disputas em Paris foram remarcadas para o segundo semestre e o Grand Slam francês acontecerá entre 20 de setembro e 4 de outubro. Já o torneio de Wimbledon não será realizado em 2020, dada a dificuldade que os organizadores teriam para deixar as quadras de grama em boas condições de jogo em outra época do ano que não fosse o verão do hemisfério Norte.

A estimativa da Federação Internacional de Tênis (ITF) é que mais 900 torneios de todos níveis tenham sido cancelados por conta do risco de transmissão do novo coronavírus. As decisões dos circuitos profissionais da ATP e da WTA de suspenderem todas competições até 13 de julho, com possibilidade de prolongar ainda mais o período de paralisação, foram acompanhadas pela ITF e por federações nacionais ou continentais.

Roland Garros adiado, Wimbledon cancelado

O baiano Natan Rodrigues é o sétimo do ranking juvenil (Foto Marcello Zambrana/CBT)

O baiano Natan Rodrigues é o sétimo do ranking juvenil (Foto Marcello Zambrana/CBT)

Brasileiro mais bem colocado no ranking mundial juvenil, o baiano Natan Rodrigues aparece na sétima posição na lista da ITF. O jogador que completou 18 anos em fevereiro já estaria garantido nos dois próximos Grand Slam e poderia atuar no saibro parisiense pela primeira vez, já que estava se recuperando de uma cirurgia no apêndice durante a edição passada do torneio.

“Como já sou 7 do mundo na ITF, eu estaria garantido e seria cabeça de chave. Fico um pouco triste, mas não tem o que fazer. É aceitar e seguir a diante. Ainda tenho mais dois Grand Slam”, disse Natan Rodrigues, que começou a temporada com um título na Costa Rica e ainda foi finalista do Banana Bowl em Criciúma e do Sul-Americano Individual em Brasília.

“Acho que seria mais triste se cancelassem Roland Garros, porque eu nunca joguei lá. Eu fiz uma cirurgia no ano passado e não pude jogar. Mas como eu falei, tem que seguir em frente e continuar treinando para estar preparado quando voltar”, relembrou o jovem baiano, que já disputou Wimbledon e US Open como juvenil no ano passado.

Heide iria treinar na Espanha

O paulista Gustavo Heide faria um período de treinos na Espanha, mas cancelou os planos (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O paulista Gustavo Heide faria um período de treinos na Espanha, mas cancelou os planos (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

Gustavo Heide foi campeão do Sul-Americano e aparece na 16ª posição do ranking juvenil. Ao contrário de Natan Rodrigues, o paulista jogou Roland Garros no ano passado depois de ter vencido uma seletiva nacional em Santa Catarina e um triangular em Paris contra adversários da China e da Índia. Na época, ele ainda ocupava o 139º lugar do ranking e, por isso, não se classificou para Wimbledon.

“Quando eu fiquei sabendo que Wimbledon foi cancelado, eu fiquei triste. Era o Grand Slam que eu tinha mais vontade de jogar. Nunca joguei na grama, então acho que seria uma experiência incrível”, afirmou o Heide. “Todo mundo fala que é o Grand Slam mais legal de ir, porque é bem diferente dos outros”.

“É o meu último ano no juvenil, mas eu fico pensando que tomara que eu consiga jogar em Wimbledon no futuro. É uma motivação a mais para eu poder chegar ali entre os melhores”, acrescentou o jovem paulista, que completou 18 anos em fevereiro e está em sua última temporada no circuito juvenil.

O cancelamento das competições também fez Heide desmarcar um período de treinos na Espanha, que faria ao lado do técnico brasileiro Tiago Leivas. “Recebi essa notícia em uma sexta-feira, se não me engano. No sábado, eu iria jogar o quali para o challenger de Olímpia, que acabou sendo cancelado. E no fim-de-semana seguinte eu iria para a Espanha, para treinar por duas semanas. Depois, voltaria para e jogar os futures que teriam em abril [quatro torneios aconteceriam nas cidades de Recife, Curitiba, Brasília e Piracicaba]. Já estava programado e eu estava animado para os treinos na Espanha. Mas, infelizmente, deu no que deu. Tomara que tudo isso passe logo e a gente possa voltar para as quadras”.

Boscardin foca na transição

O catarinense Pedro Boscardin ainda pode jogar o circuito juvenil no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O catarinense Pedro Boscardin ainda pode jogar o circuito juvenil no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

Já o catarinense Pedro Boscardin, número 52 do ranking mundial juvenil, está com 17 anos e tem a chance de disputar seus primeiros Grand Slam na próxima temporada. Até por isso, quando o circuito voltar, ele busca motivação na transição para a carreira profissional. “Não é só desses grandes torneios que a gente vive. Também estou com bastante vontade de jogar os torneios profissionais, como os challengers e futures, então não preciso ficar pensando só nos Grand Slam do juvenil. Já consigo ter uma motivação bem grande com o profissional”.

“Acho que como todo tenista, eu fiquei chateado por não poder jogar, mas a gente está vendo a cada dia que foi a decisão correta. E isso faz parte do circuito. Todo mundo está nessa situação e todo mundo tem que seguir trabalhando duro. É claro que não dá para manter o mesmo ritmo de treinos, mas manter a forma física já é super bom”, explicou o catarinense, que disputou finais na Costa Rica e Colômbia e jogaria o challenger de Olímpia.

Mudança nas rotinas de treinos e estudos

Por conta das regras de isolamento social, a rotina de treinamento também foi bastante afetada. Entre os três jogadores consultados, apenas Boscardin ainda consegue treinar em quadra. Já Heide e Natan apostam na preparação física. “Quando eu recebi a notícia, a gente parou por uma semaninha. E depois disso, já voltei a fazer trabalho físico. O tênis eu consigo treinar dia sim, dia não, tomando bastante cuidado nessa questão de onde tocar para manter pelo menos um pouquinho do contato com a bola”, disse Boscardin.

“Na quadra não tem como, por enquanto. Está um pouco difícil”, relatou Natan Rodrigues. “O que eu tenho feito são os treinos físicos em casa”. Situação parecida vive Heide. “Para manter minha rotina, estou treinando o físico em casa. Eu falo com a minha equipe e eles me passam os exercícios”.

Os três jovens jogadores também falaram sobre suas rotinas de estudo em tempos de quarentena. Natan concluiu o Ensino Médio no fim de 2019 e pretende ingressar em uma faculdade em breve, enquanto Heide precisou interromper os estudos no ano passado para se dedicar ao tênis. Um ano mais jovem que eles, Boscardin aproveita o período sem viagens e competições para finalizar o colégio. “Eu já estudo à distância desde o primeiro ano do Ensino Médio. Então, no último ano, é praticamente a mesma coisa”, afirmou. “Mas agora eu tenho mais tempo para estudar e estou dando uma antecipada para, quando voltar ao normal, eu já ter terminado ou estar bem mais adiantado”.