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Jogo agressivo e controle emocional ajudaram Wild a fazer história
Por Mario Sérgio Cruz
março 2, 2020 às 9:56 pm

Com apenas 19 anos, Thiago Wild entrou para a história do tênis brasileiro no último domingo ao conquistar o título do ATP 250 de Santiago. A vitória sobre o norueguês Casper Ruud, 38º do ranking, por 7/5, 4/6 e 6/3 fez de Wild o atleta nacional mais jovem a vencer um torneio da elite do circuito. Sua franca evolução é reflexo do estilo de jogo agressivo e de uma melhora significativa na preparação psicológica para lidar com o aspecto mental do esporte.

Wild tem um jeito de jogar diferente do que é apresentado pela maioria dos atletas brasileiros ou sul-americanos. É muito comum assistirmos os tenistas do continente atuando distantes da linha e prolongando bem mais os ralis. Mas mesmo tendo uma predileção pelo saibro, o jovem jogador brasileiro aposta na potência de seus golpes para encurtar os pontos e comandá-los desde o início, jogando mais próximo da linha de base. É um estilo que tem sido adotado por grande parte das jovens promessas que têm surgido nos últimos anos.

Por muitas vezes, a tática agressiva de Wild esbarrava na falta de regularidade. E com os erros, vinham também as frustrações. Desde os tempos de juvenil, o paranaense sempre foi um jogador muito intenso e vibrante em quadra, sempre deixando bem expostas as suas emoções. Um fator fundamental para que ele continuasse a evoluir, sem perder sua personalidade, foi canalizar essa energia e para transformar isso em coisas positivas.

Em entrevista ao TenisBrasil no início de 2018, durante um torneio de nível future em São José do Rio Preto, Wild já identificava o problema da perda de concentração e começava a trabalhar para mudar isso. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Cenas em que Wild perdia a concentração por elementos externos ao jogo ou descontava a raiva na raquete aconteciam de vez em quando nessa fase de transição para o circuito profissional. Há pouco tempo, vimos acontecer de novo, quando Wild foi eliminado na estreia do challenger de Punta del Este e, em ato bastante imprudente, arremessou uma raquete para longe.

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Wild superou bons testes do ponto de vista mental
Dois anos depois, com o título do ATP chileno em mãos, o treinador João Zwetsch destaca o quanto a presença de um psicólogo na equipe fez diferença. “É um trabalho importante que vem sendo feito também pelo psicólogo Felipe Vardiero, uma peça fundamental que entrou em nosso time uns meses atrás para lidar nesse processo dele”, comenta o atual técnico de Wild, que também coordena o centro de treinamento Tennis Route, no Rio de Janeiro.

Nas duas últimas semanas, Wild foi frequentemente testado no aspecto mental do jogo. Um desses casos foi logo na estreia no Rio Open, diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina, quando ele precisou salvar três match points ainda no segundo set da partida e venceu por 5/7, 7/6 (7-3) e 6/3. O jogo de 3h49 foi o mais longo da história do torneio. Além de toda a competitividade, o paranaense também que lidar com o jogo imprevisível do espanhol que usava muitos slices e drop shots. Também no Rio de Janeiro, equilibrou as ações contra o croata Borna Coric, 32º do ranking, em partida de oitavas de final definida apenas no tiebreak do terceiro set.

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Já em Santiago, passou por argentinos mais experientes e melhor colocados no ranking, Facundo Bagnis e Juan Ignacio Londero nas rodadas iniciais, antes de enfrentar a estrela local Cristian Garin. Vencedor de quatro torneios da ATP e número 18 do mundo, Garin atraiu um grande público para o duelo das quartas e teve a torcida a favor o tempo inteiro. Wild esteve atrás no placar e chegou a salvar seis set points antes de vencer a parcial no tiebreak e ver o rival abandonar a disputa por lesão na região lombar.

Depois de confirmar o favoritismo na semifinal contra o argentino Renzo Olivo, Wild encarou outro grande teste diante do norueguês Casper Ruud. Quebrado em seus dois primeiros games de saque, o brasileiro perdia o set inicial por 3/1 quando iniciou a reação em um game fundamental. Salvando vários break points, um deles combinando um grand-willy e uma passada, evitou que o rival colocasse duas quebras de vantagem na parcial e, logo depois, devolveu a quebra e fez seu melhor game de saque no jogo até então. Depois de não ter um break point a favor em todo o segundo set, Wild reagiu muito bem no início do terceiro, com uma quebra de serviço para abrir 3/0 e também não deu chances ao rival no momento em que sacava para o jogo.

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‘Furando a fila’ de outras promessas
O título em Santiago também fez de Wild o primeiro jogador nascido a partir de 2000 a conquistar um torneio da ATP. Com isso, o brasileiro acabou ‘furando a fila’ de outras jovens promessas do tênis já consolidadas na elite do circuito. O canadense de 19 anos Felix Auger-Aliassime, número 20 do mundo, disputou cinco finais de ATP e perdeu todas. Já o italiano de 18 anos Jannik Sinner foi semifinalista na Antuérpia no fim do ano passado.

Prodígio desde muito cedo
Além da potência nos golpes, aliada ao seu estilo de jogo, e da preparação psicológica, o sucesso precoce de Wild no circuito também é fruto de um trabalho de longo prazo. Ele figura desde 2014 em convocações para equipes de base. Fez parte do Mundial de 14 anos disputado em Prostejov, na República Tcheca, ao lado de Igor Gimenez, João Lucas Reis e Gilbert Klier Junior. No mesmo ano, o paranaense venceu a BNP Paribas Cup, um dos principais eventos do mundo para sua categoria.

Não demorou para que Thiago Wild rapidamente se firmasse no circuito mundial juvenil da ITF, enfrentando jogadores de até 18 anos. Algumas das primeiras experiências em torneios deste porte foram no Banana Bowl e no Campeonato Internacional de Porto Alegre de 2016. No mesmo ano, disputou seu primeiro Grand Slam como juvenil no US Open.

Em 2017, deu um salto de qualidade. O paranaense foi finalista do Banana Bowl, campeão no Sul-Americano Individual e chegou às quartas de final de Roland Garros. Já na temporada seguinte, foi semifinalista em Paris e encerrou sua trajetória no circuito juvenil com o título do US Open. Paralelamente, iniciava a carreira profissional já com uma expressiva vitória sobre o top 100 Nicolas Jarry no challenger do Rio de Janeiro no fim de 2017 e os dois primeiros títulos de nível future. Jarry, aliás, talvez seja o jovem sul-americano com o estilo de jogo mais próximo do apresentado por Wild, embora o chileno seja um pouco mais dependente do saque.

Salto no ranking em pouco mais de um ano
Atualmente no 113º lugar do ranking, Wild ganhou 69 posições em relação à lista da última segunda-feira e está com a melhor marca da carreira. Há pouco mais de um ano, em 25 de fevereiro de 2019, ele ocupava apenas o 449º lugar. Com uma vitória no Brasil Open, em São Paulo. fez 20 pontos na ATP e já foi para a 391ª posição. O paranaense continuaria abaixo do top 300 até outubro, apesar de ter feito alguns bons resultados em challengers e futures.

Nos três últimos torneios da temporada passada, emplacou uma sequência de bons resultados. Foram 13 vitórias em 15 jogos. O evidente destaque para seu primeiro título de challenger em Guayaquil. Wild também chegou às quartas em Lima e foi semifinalista em Montevidéu. Com isso, foi do 342º ao 215º lugar em poucas semanas. A estreia no top 200 foi há apenas uma semana, já que a vitória na estreia do Rio Open o fizera subir da 206ª para a 182ª colocação.

Admiração por Nadal e treinos com Tsonga

Wild teve uma experiência bastante enriquecedora para seu futuro profissional ao treinar com o ex-top 5 Jo-Wilfried Tsonga no challenger de Cassis, na França. Mas o grande ídolo do paranaense é mesmo Rafael Nadal. Em entrevista ao site da ATP após a conquista no Chile, ele falou sobre a admiração pelo espanhol: “A maneira como ele joga, se mantém na quadra e luta por cada ponto é simplesmente incrível. Isso me fez sonhar com tudo o que ele fez. Se eu pudesse conquistar 20% do que ele conquistou em sua carreira, seria ótimo”.

Dez jovens tenistas para assistir em 2020
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 20, 2019 às 11:37 am

Pelo terceiro ano consecutivo, o TenisBrasil apresenta uma lista com dez jovens tenistas que podem surpreender na próxima temporada. Assim como em anos anteriores, a relação não considera nomes da nova geração que já estejam consolidados no circuito. É mais do que óbvio que nomes como Bianca Andreescu, Naomi Osaka, Stefanos Tsitsipas ou Alexander Zverev exigem a atenção de todos os fãs de tênis em 2020.

No entanto, é importante observar alguns tenistas que estão fora do top 50, mas em franca evolução nos circuitos da ATP e da WTA. Há ainda aqueles que estão na reta final da transição do juvenil para o tênis profissional, trilhando o caminho dos torneios menores. Atualmente, não é difícil encontrar formas de acompanhar praticamente qualquer partida do circuito e alguns jogadores certamente merecem ser vistos com mais afinco.

Para conferir as matérias de 2018 e 2019 basta clicar nos links. As listas já contavam com os nomes de Bianca Andreescu, Amanda Anisimova, Dayana Yastremska, Coco Gauff e Felix Auger-Aliassime, que hoje brilham na elite do circuito.

Coco Gauff (15 anos, 68ª do ranking, Estados Unidos)
Não há dúvidas sobre enorme potencial de Coco Gauff. A norte-americana de apenas 15 anos foi uma das revelações da temporada, saltando do 839º lugar do ranking para a atual 68ª colocação. Gauff cumpriu a ambiciosa meta de alcançar o top 100 em 2019 com ótimos resultados ao longo do ano, como as oitavas de final de Wimbledon, a terceira rodada do US Open e o título do WTA de Linz, em quadras duras e cobertas. Ela também já derrotou uma top 10, a número 8 do mundo Kiki Bertens. Em 2020, Gauff não dependerá de tantos convites e deve entrar diretamente nas chaves dos maiores torneios com chances de se surpreender ainda mais que na última temporada.

Jannik Sinner (18 anos, 78º do ranking, Itália)
Escolhido o novato do ano pela ATP, o italiano Jannik Sinner é o jogador mais jovem no top 100 do ranking masculino. Ele começou a temporada no 551º lugar do ranking e já aparece atualmente na 78ª colocação. Entre os feitos de Sinner na última temporada estão três títulos de challenger, uma semifinal de ATP na Antuérpia e o título do Next Gen ATP Finals, em Milão. O jovem italiano também conseguiu uma expressiva vitória sobre Gael Monfils, então número 13 do mundo.

Iga Swiatek é um dos destaques da nova geração feminina em 2019

Iga Swiatek (18 anos, 60ª do ranking, Polônia)
Outro nome que já está no top 100, mas que ainda tem muito a evoluir é Iga Swiatek. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, a polonesa teve uma rápida e bem sucedida transição ao circuito profissional. Dona de um estilo de jogo versátil, ela começou a temporada na 186ª colocação do ranking da WTA, mas já aparece na 60ª posição, chegando a ocupar o 49º posto em agosto. Swiatek já tem um bom resultado em Grand Slam, oitavas de final em Roland Garros, além de ter disputado uma final de WTA em Lugano, na Suíça.

Emil Ruusuvuori (20 anos, 123º do ranking, Finlândia)
O jovem finlandês Emil Ruusuvuori foi um dos recordistas de títulos de challenger na temporada. O atleta de 20 anos venceu quatro torneios deste porte e, com isso, saltou do 385º para o 123º lugar do ranking. Ruusuvuori foi campeão em Helsinque, Glasgow, Mallorca e Fergana, além de ter ficado com o vice-campeonato no challenger de Augsburg. Além do finlandês, o sueco Mikael Ymer, o lituano Ricardas Berankis e o australiano James Duckworth também venceram quatro challengers no ano.

Cathy Mcnally (18 anos, 120ª no ranking, Estados Unidos)
A norte-americana Cathy Mcnally iniciou 2019 no 408º lugar do ranking e terminou na 120ª posição. A jogadora de apenas 18 anos venceu 26 jogos pelo circuito profissional ao longo da temporada, com destaque para uma semifinal de WTA em Washington, além de um título e um vice-campeonato em torneios de US$ 100 mil no circuito da ITF. McNally também teve grandes resultados nas duplas, conquistando dois títulos de WTA com a compatriota Coco Gauff.

Thiago Wild (19 anos, 212º do ranking, Brasil)
Terceiro melhor brasileiro no ranking da ATP e atleta nacional mais jovem entre os 500 melhores do mundo, Thiago Wild venceu 31 jogos de challenger na temporada, com direito a um título em Guayaquil, e também conseguiu sua primeira vitória no circuito da ATP em São Paulo. O paranaense de 19 anos e que adota um estilo de jogo agressivo iniciou a temporada no 449º lugar do ranking da ATP e já aparece na 212ª colocação.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Whitney Osuigwe (17 anos, 137ª no ranking, Estados Unidos)
Ex-líder do ranking mundial juvenil, Whitney Osuigwe é considerada uma das principais promessas do tênis norte-americano. Ela foi campeã juvenil de Roland Garros em 2017, com apenas 15 anos, e deu um salto no ranking da WTA durante o ano passado. Em 2018, Osuigwe foi do 1.120º lugar para a 202ª posição. Já na atual temporada, chegou a ocupar a 105ª colocação em agosto, mas termina o ano no 137º lugar. É uma forte candidata a entrar no top 100 já em 2020.

Leylah Fernandez (17 anos, 211ª no ranking, Canadá)
Atual campeã juvenil de Roland Garros, a canadense de 17 anos Leylah Fernandez já está em processo de transição para o circuito profissional. Ela iniciou a temporada no 434º lugar do ranking da WTA e já está muito próxima do top 200. Este ano, Fernandez ganhou seu primeiro título profissional em ITF de US$ 25 mil de Gatineau, além de também ter feito boas campanhas em Granby e Vancouver e de furar um quali de WTA em Hiroshima.

Daria Snigur (17 anos, 237ª no ranking, Ucrânia)
A promissora ucraniana Daria Snigur conquistou o título juvenil de Wimbledon e terminou a temporada em grande estilo. Ela venceu seis jogos seguidos pelo ITF de US$ 100 mil+H de Dubai na semana passada e foi desde o quali até a final do torneio. Duas dessas vitórias foram contra adversárias do top 100, a 95ª colocada Anastasia Potapova e a ex-top 10 e atual 38ª do ranking Kristina Mladenovic. A campanha rendeu um salto do 328º para o 237º lugar na classificação da WTA. No início do ano, ela era apenas a número 752 do mundo.

Carlos Alcaraz Garfia (16 anos, 491º no ranking, Espanha)
O jovem espanhol Carlos Alcaraz Garfia conseguiu uma façanha em 2019. Ele tinha apenas 15 anos quando conseguiu suas primeiras vitórias contra adversários no top 200 do ranking da ATP. Atleta mais jovem no top 500 e treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz estará no Brasil para a disputa do Rio Open em 2020.

Nomes já consolidados

Entre os jovens tenistas já consolidados no circuito masculino, vale destacar o nome de Alex De Minaur. O australiano de apenas 20 anos ganhou três títulos de ATP em 2019 e já aparece no 18º lugar do ranking mundial. Sempre consistente do fundo de quadra, tem potencial para ir ainda mais longe no ranking e também nos grandes torneios. Os promissores canadenses Denis Shapovalov, número 15 do mundo aos 20 anos, e Felix Auger-Aliassime, 21º colocado aos 19, também são candidatos a títulos na próxima temporada.

Já no sempre equilibrado circuito feminino, a ucraniana Dayana Yastremska chega muito forte para a próxima temporada. A jovem ucraniana de 19 anos já ocupa o 22º lugar do ranking e tem três títulos de WTA no currículo. Ela reforçou sua equipe com o treinador alemão Sascha Bajin, eleito o melhor técnico da temporada de 2018.

Vale destacar também duas jogadoras que fizeram bonito no saibro, a canhota tcheca de 19 anos e finalista de Roland Garros Marketa Vondrousova (16ª do ranking) e a norte-americana de 18 anos e 24ª colocada Amanda Anisimova, semifinalista do Grand Slam francês. Outra jovem norte-americana que chega em ótima fase para 2020 é Sofia Kenin, 14ª do ranking aos 21 anos.

Klier tenta superar lesões para seguir evoluindo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 6, 2019 às 11:39 am
Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Depois de figurar entre os dez melhores do mundo no circuito juvenil, Gilbert Klier Júnior encerra sua primeira temporada no circuito profissional com um salto significativo no ranking em relação ao ano passado. Há doze meses, ele tinha apenas quatro vitórias no circuito e ocupava o 1.283º lugar. Mas desde a última segunda-feira, o brasiliense de 19 anos já aparece na 543ª colocação, melhor marca de sua carreira.

Ao longo da temporada, Klier conseguiu 34 vitórias e 17 derrotas em torneios profissionais de nível future. Ele conquistou seu primeiro título nas quadras duras de Akko, em Israel, e disputou outras três finais. Também jogou sua primeira partida de nível challenger, em Campinas.

Klier poderia ter evoluído ainda mais se não fossem as lesões. Neste ano, precisou ficar quase três meses afastado, entre julho e outubro, por conta de um problema no pé. Já na semana passada, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo, ele sentiu lesão no menisco do joelho direito e precisou abandonar a competição que valia vaga no Rio Open de 2020. O brasiliense já havia tido outros problemas físicos no ano passado. O primeiro, no joelho, o fez iniciar a temporada apenas em março. Já o segundo, no ombro esquerdo, o obrigou a desistir do torneio juvenil de Roland Garros.

“Acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem”, disse Klier ao TenisBrasil, a respeito da recente lesão no pé. “É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar a jogar bem e competir num bom nível que os resultados virão automaticamente. É importante é estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers”.

O jovem jogador também falou sobre uma cenário bastante comum nos torneios future, que oferecem as mínimas pontuações e premiações no circuito profissionais. Alguns hotéis acabam sediando vários campeonatos em semanas consecutivas, atraindo os jogadores para longas sequências de competições no mesmo espaço. Em 2019, Klier passou quatro semanas na Turquia, três no Egito e outras três na Nigéria, além de também ter atuado em países como a Tunísia e Israel.

“É claro que se você passa duas ou três semanas no mesmo lugar é mais difícil. Mas a gente tem que passar por esse nível mesmo. Não tem o gasto com passagens toda semana. Então, você só paga o hotel e fica, sim, mais barato”, explicou. “A estrutura desses resorts costuma ser boa, mas normalmente as quadras é que não são muito boas. Mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali”.

Confira a entrevista com Gilbert Klier Júnior.

Queria que você avaliasse como foi esse primeiro ano só de circuito profissional. Você ganhou 34 jogos, chegou em quatro finais e ganhou um título. O quanto isso foi diferente em relação ao que você estava acostumado no juvenil?
O meu primeiro ano no profissional, avaliando assim no geral, foi bom. Tive uma lesão no pé que me deixou uns três meses parado. Isso me fez ter que voltar e pegar o ritmo de novo, então atrasou um pouco, mas acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem.
O nível é muito parecido em questão de tênis e jogabilidade. A única diferença é que você enfrenta caras mais velhos, mais experientes e que entendem mais do jogo. Isso que torna o jogo mais difícil. Então é importante estar com a parte mental bem firme para encarar esses caras que têm mais experiência que a gente que está entrando no circuito agora.

A lesão no pé aconteceu quando?
Eu me machuquei pouco depois de ganhar meu primeiro torneio em Israel, quando eu fui para Portugal. Tentei jogar, porque a gente achou que não fosse nada, mas aí não melhorava e acabou demorando três meses até eu voltar a jogar.

Você voltou a jogar quando depois da lesão?
Depois da lesão, eu joguei um torneio de US$ 25 mil no Rio.

– Isso lá para o final de setembro, começo de outubro…
Isso. Aí depois, vim aqui para São Paulo e joguei um torneio no Paineiras, que foi um pouco melhor, mas eu infelizmente acabei passando mal nas quartas contra o Matos e tive que desistir, mas já foi um torneio melhor. Depois fui para a Turquia e agora estou aqui. Voltei faz um mês e meio, eu acho. Por aí.

O que aconteceu lá no Paineiras que você passou mal?
Então, foi do nada. Acho que foi alguma coisa que eu comi antes do jogo, eu não sei. Eu estava jogando e comecei a passar mal, fiquei tonto. A visão ficava preta, assim, mas foi um mal estar. Não foi nada relacionado à lesão.

Como você ainda está um pouco longe dos challengers, seu planejamento para o começo de 2020 é fazer giras longas de futures, como você já fez, ou tentar em ir para os Estados Unidos ou Europa?
Primeiro, o mais importante é voltar a ter ritmo de jogo. É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar jogar bem e competir num bom nível que os resultados nos torneios virão automaticamente. É estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers. É a meta, eu acho. Terminar o ano com um ranking bom para se manter nos challengers.

Lá no Rio, você treina com o [Thiago] Wild e com o [Pedro] Sakamoto. O [Thiago] Monteiro também treinou lá até pouco tempo atrás, antes de ir para a Argentina. O quanto é importante ter esses caras perto?
É sempre importante ter esses caras treinando com você. Ainda mais que isso te puxa e você acaba aprendendo também. Um aprende com o outro. E é muito importante ter jogadores nesse nível no mesmo centro de treinamento para dividir a convivência no tênis e na academia.

Você já chegou a treinar com algum outro cara acima até deles nos torneios?
Já treinei com o Malek Jaziri, que deve ter sido 40 do mundo [O melhor ranking do tunisiano foi o 42º lugar, em janeiro deste ano]. Treinei com o [Jaume] Munar e também com o Thomaz [Bellucci] e praticamente todos os brasileiros.

Com o Jaziri foi em alguma dessas giras de torneios pela Tunísia?
Na verdade, foi em um challenger. Quando o Monteiro ainda estava na Tennis Route [equipe de treinamento do Rio de Janeiro] e eu fui lá com ele, porque estava na Europa e era semana que eu não tinha torneio. Fui para treinar uma semana com o Monteiro e acabei treinando com ele também.


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@gilbertklier e @p.saka conquistam títulos em Israel e na Espanha 🏆🎾 Atletas do Instituto Tennis Route, Gilbert Klier Jr. E Pedro Sakamoto conquistaram, neste domingo, títulos em torneios profissionais futures em Israel e na Espanha. Klier Jr. , bronze nos Jogos Olímpicos juvenis ano passado em Buenos Aires, conquistou seu primeiro título profissional no torneio de Akko , em Israel , evento com premiação de US$ 15 mil disputado no piso duro. Klier derrotou o sexto favorito, o local Yshai Oliel por 2 sets a 1 de virada com parciais de 46 64 61. Em Huelva, na Espanha, torneio com premiação de US$ 25 mil, Pedro Sakamoto marcou 62 26 76 (72) diante do chileno Bastian Malla em final também neste domingo. #tennisroute

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Nessas giras que você fez mais longas, na Turquia, no Egito, na Tunísia ou na Nigéria, às vezes você fica várias semanas no mesmo local. Como é lidar com esse ambiente?
No caso do Egito e da Turquia, sim, porque os torneios são no mesmo clube. Uma semana atrás da outra. Da Nigéria também foi um seguido do outro, mas são três semanas só. Nesse de Israel, onde eu ganhei meu primeiro título, foram duas semanas lá e depois já fui para Portugal. Aí era um torneio em cada lugar.

Mentalmente, é muito difícil ficar muitas semanas jogando no mesmo lugar?
No início era bem difícil, mas agora eu já me acostumei e é mais tranquilo. É claro que se você passa duas, três semanas no mesmo lugar, é mais difícil.

Já ouvi jogadores falarem que você acaba enfrentando sempre os mesmos adversários e tendo os mesmos árbitros em todos os jogos…
É difícil, mas é o que temos para fazer. A gente tem que passar por esse nível mesmo.

Qual é parte boa e ruim dessas giras longas, em termos de custo e de estrutura?
A estrutura desses resorts, que recebem torneios o ano inteiro, é sempre muito boa. Normalmente você tem de tudo, a comida é boa e a academia tem uma estrutura legal. Mas normalmente as quadras é que não são muito boas, mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali.

Em termos de custo é melhor fazer isso do que ficar viajando?
Acho que é, porque não tem o custo de passagem toda semana. Então, você só paga o hotel. Agora na Turquia, eu só peguei um voo para ir e outro para voltar. Não precisava ficar mudando de cidade o tempo inteiro. Então é mais barato, sim.

O torneio oferece alguma coisa com relação ao hotel? Por exemplo, quem está no torneio não paga enquanto estiver na chave e tal…
Não, nesses futures de US$ 15 mil, não. O torneio arranja desconto para os jogadores. A partir dos torneios US$ 25 mil+H que pagam o hotel e alguns pagam alimentação. E agora, se não me engano, todos os challengers dão hospedagem.

Não é como no juvenil, quando você tem tudo enquanto estiver na chave.
É, lá tinha tudo. Hospedagem, alimentação e o transporte.

Challengers têm 25 campeões com até 21 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 26, 2019 às 7:01 pm

A temporada de challengers do circuito da ATP chegou ao fim na última semana, após o torneio disputado no saibro de Maia, em Portugal. Nesses eventos, que formam o último estágio até a entrada nas chave principais de ATP, alguns jogadores da nova geração conseguiram se destacar. Em 25 torneios, os campeões tinham até 21 anos, e 42 torneios foram vencidos por tenistas com até 23 anos.

O número de campões com no máximo 21 anos é um pouco menor do que o registrado em 2018, quando 29 challengers foram vencidos por jogadores nessa faixa etária. Já em 2017 foram 24 campeões com até 21 anos. Se o recorte for entre atletas com até 19 anos, são apenas seis campeões, contra oito ano passado e 15 de 2017.

 

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O campeão mais jovem do circuito foi o italiano Jannik Sinner. Ele estava com 17 anos e seis meses quando venceu em Bérgamo. Sinner ainda conquistou os challengers de Ortisei e Lexington. Ele também se tornou o mais jovem a ganhar três challengers no mesmo ano desde Richard Gasquet em 2003. Depois do italiano aparecem o espanhol Nicola Kuhn em Segóvia, o brasileiro Thiago Wild em Guayaquil, e o francês Corentin Moutet em Chennai.

Wild foi campeão mais jovem em sete temporadas
O título de Thiago Wild em Guayaquil colocou o paranaense entre os mais jovens brasileiros a conquistar um título de challenger. Apenas três jogadores do país conquistaram torneios deste porte com menos idade que ele. Wild estava com 19 anos e 7 meses na semana em que foi campeão no saibro equatoriano. Com isso, também se tornou também o brasileiro mais jovem a vencer um torneio desse nível no exterior.

O brasileiro mais jovem a ganhar um torneio challenger foi Jaime Oncins, aos 19 anos e um mês em julho de 1989, quando venceu um torneio na cidade paulista de Lins. Também em 1989, Roberto Jabali ganhou um challenger aos 19 anos e um mês na cidade de São Paulo. O terceiro jogador brasileiro com menos de 20 anos a ganhar um título de challenger foi Guilherme Clezar. O gaúcho nascido em dezembro de 1992 tinha 19 anos e quatro meses ganhou ganhou o challenger do Rio Quente, em Goiás, na temporada 2012.

Jovens jogadores com quatro títulos
Os recordistas de títulos de challenger na temporada foram o lituano Ricardas Berankis, o australiano James Duckworth, o finlandês Emil Ruusuvuori e o sueco Mikael Ymer. Todos eles conquistaram quatro torneios deste porte. Ymer, de 21 anos e 74º do ranking, e Ruusuvuori, 20 anos e 124º colocado, são os jovens. Berankis já está com 29 anos, enquanto Duckworth tem 27.

A idade com maior número de campeões da challenger é de 27 anos. Foram 24 torneios vencidos por jogadores com esse tempo de vida. Na sequência, aparecem os 17 títulos para tenistas de 21 anos e as 13 conquistas de jogadores de 24 anos.

As finais mais jovens na temporada foram em Segovia e Champaign, sempre entre um jogador de 19 anos e outro de 20. Na Espanha, Nicola Khun venceu Pavel Kotov. Já nos Estados Unidos, J.J. Wolf levou a melhor contra Sebastian Korda.

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Italianos, espanhóis e americanos se destacam
O país com maior número de títulos de challenger em 2019 foi a Itália, coom 15 campeões. Os italianos também conseguiram outros 17 vice-campeonatos. Logo depois aparecem a Espanha e os Estados Unidos, cada um com 15 troféus.

O Brasil teve seis campeões, com três títulos de Thiago Monteiro, um de João Menezes, um de Thiago Wild e outro de Rogério Dutra Silva. Os recordes são da Argentina, com 20 títulos em 2006 e 2007, e da França, cujos jogadores conseguiram 20 conquistas ao longo da temporada de 2005.

Veteranos venceram menos em 2019
Já os atletas com mais de 30 anos conquistaram 22 títulos, número menor que os 27 da temporada passada. O campeão mais velho da temporada foi Tommy Robredo, que estava com 37 anos e um mês quando foi campeão em Parma, na Itália e em Poznan, na Polônia.

Robredo também foi protagonista da final com maior diferença de idade na temporada. Enquanto o espanhol estava com 37 anos quando venceu um torneio em Poznan, seu rival alemão Rudolf Molleker tinha apenas 18 anos. A lista de vencedores mais velhos do ano ainda conta com um brasileiro, Rogério Dutra Silva, vencedor em Playford, na Austrália, aos 34 anos. Ele só fica atrás Tommy Robredo e Andreas Seppi.

Wild mira torneios maiores e quer ser número 1
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 26, 2018 às 6:13 pm

Depois de encerrar sua carreira juvenil como o título do US Open e garantir sua vaga para a próxima edição do Rio Open, Thiago Wild mira a transição para os torneios maiores e quer se estabelecer na elite do circuito o mais rápido possível. Vencedor de dois títulos profissionais de nível future, o paranaense de 18 anos está disposto a seguir buscando resultados resultados nos challengers – como já fez no segundo semestre de 2018 – para tentar chegar aos eventos do circuito ATP. Em vídeo produzido pela equipe de comunicação do Rio Open, Wild reiterou que seu maior sonho no tênis é ser o número 1 do mundo.

A experiência no ATP 500 do Rio de Janeiro, que será disputado entre 16 e 24 de fevereiro de 2019, será a segunda de Wild em uma chave principal de ATP. Em fevereiro de 2018, ele recebeu convite para a disputa do Brasil Open, em São Paulo, e caiu em três sets diante do veterano argentino Carlos Berlocq, então número 131 do mundo. “Será uma entrada nos torneios maiores. Eu joguei em São Paulo, mas como convidado. Meu ranking não era tão bom e eu não estava tão preparado como estou hoje”.

Wild falou ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, torneio entre oito jovens jogadores brasileiros e que valia vaga para o Rio Open do ano que vem. Campeão do evento disputado nas quadras da Sociedade Harmonia de Tênis, paranaense fez uma avaliação sobre a temporada e seu momento de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. Depois de ter alcançado o 406º lugar do ranking da ATP em outubro, ele aparece atualmente na 536ª posição. A recente queda, entretanto, não é motivo de preocupação, ainda mais com as mudanças previstas para o circuito profissional a partir de 2019.

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

“Para o ano que vem os futures não vão mais valer. Então eu poderia muito bem ter jogado futures de US$ 15 mil, ganhar dois torneios e subir mais no ranking. Para mim, beleza. Mas isso não ia me acrescentar nada”. disse Thiago Wild. “Então para mim é melhor estar com um ranking desse, até porque meus pontos na ATP não vão cair e vou ficar em torno de 400 baixo no ano que vem”

“Acho que o principal para o momento que estou hoje é me dar um passaporte para o circuito da ATP, para eu poder me acostumar com o circuito challenger. Se eu ficar jogando future, eu não vou conseguir chegar nos ATP”, acrescentou o paranaense, que ao longo da última semana venceu jogos contra Orlando Luz, João Lucas Reis, Gilbert Klier e Rafael Matos.

Entre os pontos altos da temporada profissional de Wild estão o título em um future em São José do Rio Preto e a chegada às quartas de final do challenger de Campinas. “Uma quartas de final em challenger, com certeza, vale muito mais que qualquer future. Eu acho que o circuito future ainda tem muito amador. Ainda é um circuito em que as pessoas ainda vão lá para ver se vão querer jogar e se vão vingar. E no circuito challenger não. Todas as pessoas lá já têm a consciência de que queriam jogar e vingaram até um certo nível para se fixarem ali. A principal diferença do challenger para o future é o comprometimento dos caras, é a decisão que eles já tomaram na vida deles. Então o nível é maior e um nível que eu já tenho que me acostumar a jogar”.

Wild ainda não tem um planejamento definido para a temporada de 2019. No entanto, ele mantém o objetivo de se garantir entre os 200 melhores jogadores do mundo para entrar diretamente nas chaves principais de challenger e não precisar dos qualificatórios, em que os jogadores precisam atualmente de três vitórias para começar a receber pontos no ranking e premiação em dinheiro. “Tenho que ver o que eu vou jogar. É uma dúvida porque a gente não sabe como vão ficar os torneios”, explicou o paranaense, antes de reforçar suas metas. “O mais rápido possível entre os 200. Mas para entrar em challenger, com 250 já dá, às vezes até 300″.

Quando venceu o torneio juvenil do US Open, Wild lembrou da semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho. Na época, ele ainda se recuperava de lesão no ombro, não atuou em seu melhor nível, e apesar de ter ficado feliz com a campanha, sentiu que ainda não estava satisfeito e buscava um coisa maior em seu último ano na categoria. “É basicamente isso, porque eu já estava machucado. Desde os futures no Brasil eu já estava com bastante dor no ombro, mas achei que era algo muscular. Era algo mais sério, com relação a articulação, com relação à parte óssea, mas eu consegui me recuperar bem. E era meu último Grand Slam, minha última chance de ganhar um e então eu falei ‘É agora ou nunca’. Ganhar um Grand Slam é o sonho de qualquer tenista juvenil”.

Como é comum com jogadores que conquistam um título juvenil de Grand Slam ou lideram o ranking mundial da categoria, Wild relata ter recebido propostas para compromissos comerciais e que estuda as melhores opções. “Na verdade, eu já tenho contrato com uma agência. Comecei um contrato com a Octagon agora em janeiro, mas com certeza surgiram mais propostas, inclusive propostas que eu estou estudando para escolher o que é melhor para mim”.

Também em 2018, Wild recebeu sua primeira convocação oficial para a equipe da Copa Davis, durante o duelo contra a República Dominicana em fevereiro, embora não tenha atuado em nenhuma das partidas na série. O paranaense também já havia acompanhado o time em outras oportunidades desde 2016 e sonha defender o Brasil na Davis, embora o novo formato da competição não o agrade. “É o desejo de todo jogador”, afirmou.

“Acho que ficar com o time da Davis é basicamente estar na Seleção Brasileira. Então a concentração é diferente, o nível de comprometimento também. É um torneio diferenciado porque você está em equipe e tem um treinador dentro de quadra e é uma coisa completamente distinta do circuito de simples”, disse Wild, que compara a Nova Davis ao Mundial de 16 anos, por ter sede única e ser disputado ao longo de apenas uma semana. “Parece com o Mundial de 16 anos. Vai ter o mesmo formato. Não tem mais o prestígio da Copa Davis. É um Mundial que eles vão para ver quem ganha e só”.

Junior Masters começa nesta quarta. Veja quem joga!
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 23, 2018 às 11:32 pm

A quarta edição do ITF Junior Masters dá a largada na madrugada desta quarta-feira. Serão cinco dias de disputa com os dezesseis melhores juvenis da temporada nas quadras duras do Sichuan International Tennis Center, na cidade chinesa de Chengdu. Os grupos da chave masculina levam os nomes de SHUAI e YONG. Já as chaves femininas se chamam LI e LIANG.

Particularmente, considerando este torneio até mais interessante que o Next Gen ATP Finals no sentido de apresentar o futuro do esporte. São jogos com formato tradicional e com jogadores tendo destaque pela primeira vez, enquanto o evento da ATP em Milão apresenta nomes que já são conhecidos do público que acompanha o circuito com mais afinco. Os problemas do evento da ITF: Ser disputado na China, não ter transmissão de TV e coincidir datas com o WTA Finals.

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GRUPO LIANG

  • Xiyu Wang: Líder do ranking munial juvenil, a canhota Xiyu Wang foi campeã juvenil do US Open e semifinalista em Wimbledon. Já com 18 anos, a chinesa aparece no 194º lugar do ranking da WTA e tem dois títulos profissionais de nível de ITF de US$ 25 mil.
  • Clara Burel: Vice-líder do ranking da ITF, Burel vem de um vice-campeonato nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires. A francesa de 17 anos também foi vice-campeã em dois Grand Slam, na Austrália e nos Estados Unidos. Como profissional, a francesa está no 605º lugar na WTA.
  • Maria Camila Osorio Serrano: A colombiana de 16 anos fará sua segunda participação no Junior Masters. Na temporada passada, ela não passou da fase de grupos em Chengdu. Logo no início de 2018, Osório Serrano venceu 20 jogos seguidos no saibro Sul-Americano e conquistou cinco títulos nos seis primeiros torneios que disputou. Nas últimas semanas, foi semifinalista do US Open e dos Jogos da Juventude e aparece no 723º lugar do ranking profissional.
  • Eleonora Molinaro: A luxemburguesa de 18 anos é a 14ª colocada no ranking da ITF e chegou ao oitavo lugar em junho. Ela venceu quatro títulos na temporada juvenil, com destaque para o Trofeo Bonfiglio em Milão. Vencedora de dois títulos profissionais, Liang é agora a 393ª colocada na WTA.

GRUPO LI

  • Xinyu Wang: A chinesa de 17 anos começou a temporada disputando a chave principal do Australian Open, para onde ganhou convite depois de vencer um playoff asiático. Ela venceu em agosto seu primeiro título profissional em um ITF na Tailândia e ocupa 343º lugar. Como juvenil, foi semifinalista na Austrália e em Wimbledon, onde conquistou dois títulos de duplas.
  • En Shuo Liang: A taiwanesa de 18 anos chegou a ocupar a vice-liderança no ranking da ITF e aparece atualmente na sexta posição. Logo no início da temporada, foi campeã de simples e duplas no Australian Open da categoria. Como profissional, aparece na 283ª colocação e venceu seu primeiro título de ITF.
  • Clara Tauson: Com apenas 15 anos, a dinamarquesa chega embalada pelo título da Osaka Mayor’s Cup, torneio ITF GA disputado na semana passada em solo japonês. Durante a campanha, venceu dois jogos por duplo 6/0 e aplicou sete ‘pneus’ nas adversárias. Tauson também venceu o European Junior Championships e foi finalista do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre.
  • Leylah Fernandez: Canhota de 16 anos, a canadense se destacou em solo brasileiro ao vencer o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre em março. Fernandez também foi semifinalista em Roland Garros e chegou às quartas no US Open.

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GRUPO SUAI

  • Chun Hsin Tseng: O taiwanês de 17 anos é o número 1 do ranking mundial juvenil e conquistou dois títulos de Grand Slam consecutivos, em Roland Garros e Wimbledon, façanha que não foi obtida desde Gael Monfils em 2004. Tseng também já começa a se destacar entre os profissionais, venceu três torneios de nível future e ocupa o 437º lugar do ranking mundial.
  • Adrian Andreev: Quinto colocado no ranking da ITF, o búlgaro de 17 anos. Seu principal resultado em simples foi o título do Trofeo Bonfiglio, no saibro italiano de Milão em maio. Nas duplas, foi campeão do US Open e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude. Como profissional, venceu um jogo por seu país na Copa Davis e foi convidado para a disputa do ATP 250 de Sófia em fevereiro.
  • Nicolas Mejia: Formado nos Estados Unidos, Mejia treina na renomada IMG Academy e fez sua última temporada como juvenil. Ele alcançou o quarto lugar do ranking em julho e aparece atualmente na oitava posição. O colombiano de 17 anos foi medalhista de prata nas duplas mistas dos Jogos Olímpicos da Juventude. Mejia também protagonizou uma batalha de 4h24 na semifinal do torneio juvenil de Wimbledon, quando foi superado pelo britânico Jack Draper por 7/6 (7-5), 6/7 (6-8) e 19/17.
  • Tao Mu: Convidado para a disputa do ITF Junior Masters, Mu será o representante da casa em Chengdu. O chinês de 18 anos aparece atualmente na 18ª colocação no ranking da ITF. Seu resultado mais expressivo foi uma semifinal alcançada na grama de Wimbledon. Embora seja o jogador com pior ranking entre os participantes, o anfitrião tenta repetir o feito do finlandês Emil Ruusuvuori, que venceu a edição passada quando era o 15º colocado.

GRUPO YONG

  • Hugo Gaston: O francês de 18 anos vem embalado pela conquista da medalha de ouro na chave nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. O vice-líder do ranking mundial juvenil também tem foi campeão de duplas no Australian Open, onde também fez quartas em simples. No início de sua carreira profissional, Gaston venceu um future de duplas no saibro francês de Grasse.
  • Sebastian Baez: Promessa do tênis argentino, Baez fará sua segunda participação seguida no Junior Masters e ficou em quarto lugar na edição passada. O argentino de 17 anos se destacou no começo da temporada com títulos do Banana Bowl e do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre e chegou a vencer 15 jogos seguidos no Brasil antes de cair para Gilbert Klier na Copa Paineiras em São Paulo. Nos Grand Slam, destaque para o vice-campeonato em Roland Garros, já no início da carreira profissional, acumula três semfinais de future.
  • Lorenzo Musetti: Finalista da chave juvenil do US Open, em que perdeu para o paranaense Thiago Wild, Musetti aparece atualmente no sétimo lugar do ranking da ITF. O italiano de apenas 16 anos também chegou às quartas de final na grama de Wimbledon e ainda tem duas temporadas como juvenil pela frente. Ele só disputou dois torneios como profissional.
  • Brandon Nakashima: O norte-americano de 17 anos atingiu o décimo lugar do ranking juvenil em setembro e hoje aparece na 13ª posição. Nakashima chegou embalado a Wimbledon depois de ter vencido um ITF G1 na grama de Roehampton na semana anterior, mas não conseguiu confirmar a boa fase e não passou da segunda rodada do Grand Slam britânico.

BRASILEIROS MIRAM O PROFISSIONAL – Dois jogadores brasileiros aparecem atualmente entre os dez melhores juvenis do mundo, o paranaense Thiago Wild e o brasiliense Gilbert Klier Júnior. Embora tivessem condições de classificação para o evento, ambos já estão com 18 anos e priorizam as competições profissionais. Wild joga uma série de challengers no saibro sul-americano, enquanto Klier tenta qualis de future em solo nacional.

HISTÓRIA DO TORNEIO – O russo Andrey Rublev e a chinesa Xu Shilin foram campeões da edição inaugural em 2015. No ano seguinte, os títulos ficaram com o sul-coreano Seong Chan Hong e com a russa Anna Blinkova. Já em 2017, o finlandês Emil Ruusuvuori e a ucraniana Marta Kostyuk conquistaram a competição.

Andrey Rublev venceu a edição inaugural do torneio em 2015

Andrey Rublev venceu a edição inaugural do torneio em 2015

Rublev já 76º do mundo na ATP aos 21 anos e chegou ao 31º lugar em fevereiro, Hong também está com 21 anos e ocupou o 343º lugar, mas aparece atualmente apenas na 655ª posição. Já Ruusuvuori é o 318º do mundo aos 19 anos e está com o melhor ranking da carreira.

No feminino, destaque para a atual campeã Kostyuk, que chegou à terceira rodada do Australian Open e já é 121ª do mundo. Blinkova alcançou o top 100 na última segunda-feira, ao ocupar o 97º lugar. Por sua vez, Shilin é a 255ª colocada na WTA aos 20 anos.

TRANSMISSÃO – Nos dois primeiros anos, a ITF disponibilizava transmissão ao vivo pelo YouTube. A estratégia deve ser retomada a partir da fase final do torneio no fim de semana. Em 2017, foi feita uma parceria com o Olympic Channel, mas o site não anunciou transmissões para este ano. Já o placar ao vivo está disponível neste link.

Os próximos passos de Wild e o ano dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 12, 2018 às 9:33 pm

Thiago Wild fez história para o tênis brasileiro ao se tornar apenas o segundo jogador nacional a ganhar um título de simples em um Grand Slam juvenil e o primeiro a fazê-lo no US Open. Apesar da euforia pela conquista inédita e a realização de um sonho, o paranaense de 18 anos se mantém fiel às convicções de que precisa fazer uma boa transição para o circuito profissional. Ele já ensaia os próximos passos na nova etapa da carreira. Dono de dois títulos profissionais de nível future, o primeiro em Antalya na Turquia no ano passado e o segundo na cidade paulista de São José do Rio Preto em abril, Wild já ocupa o 461º lugar do ranking da ATP.

Após a conquista em Nova York, Wild retornou ao Rio de Janeiro e se prepara para uma série de challengers pela América Latina até o final da temporada. Seu primeiro compromisso será em solo brasileiro, na cidade paulista de Campinas a partir de 1º de outubro. Na semana seguinte, o paranaense segue para Santo Domingo, na República Dominicana. Depois de uma semana sem competições, Wild volta ao saibro sul-americano para cinco torneios seguidos em Lima, Guayaquil, Montevidéu, Buenos Aires e o challenger do Rio de Janeiro a partir de 19 de novembro. Até por isso, não disputará o ITF Junior Masters na China, que acontece entre os dias 22 e 28 de outubro.

“É um sonho de criança que tinha vencer um Grand Slam e ter meu nome nos grandes torneios. Era minha última chance no juvenil nesse nível, agora daqui pra frente é manter os pés no chão e trabalhando com minha equipe da Tennis Route que me apoia desde meus 14 anos”, disse Wild, por meio de sua assessoria. O paranaense de Marechal Cândido Rondon treina no Rio de Janeiro com Arthur Rabelo, João Zwetsch, Duda Matos e o preparador físico Alex Matoso.

“Essa conquista não muda nada para mim, tenho que seguir na mesma linha de trabalho, seguir na mesma pegada. Pode ser que algumas portas se abram para mim como patrocínio e mídia, mas isso não vai mudar minha cabeça e meu foco que é no profissional que é onde poderei viver do tênis e atingir objetivos de ser um dos melhores do mundo”, acrescentou o jogador que completou 18 anos em março.

September 9, 2018 - 2018 US Open Junior Boy's Singles Champion Thiago Seyboth Wild.

Thiago Wild é o segundo brasileiro a vencer um título juvenil de Grand Slam (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

Na entrevista coletiva que deu em Nova York depois de vencer a final contra o italiano Lorenzo Musetti por 6/1, 2/6 e 6/2, Wild reiterou que o período de comemoração será curto. “Ganhar um Grand Slam é o maior sonho de todo jogador juvenil. Alcançar isso na minha última chance torna ainda mais especial para mim. Mas tenho que continuar trabalhando porque agora minha carreira juvenil acabou. A transição para os profissionais é muito mais difícil do que o circuito juvenil. Acho que vou ter que me concentrar nisso a partir de agora”.

Wild também falou sobre o aprendizado que teve pela semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho, quando ainda se recuperava de lesão no ombro e não atuou em seu melhor nível. “Estar na semifinal de um Grand Slam já era uma coisa enorme a ser feita, mas eu senti que queria mais porque não estava satisfeito com aquela semifinal. Eu estava lesionado naquela partida e estava sem treino por três semanas, porque não conseguia levantar o braço. Eu não pude fazer nada. Quando cheguei aqui nesta semana, eu só me concentrei em mim e no meu tênis”.

“Acho que, independentemente da sua superfície favorita, o tênis é um esporte que você pode jogar em qualquer quadra, seja qual for a bola”, avalia o jovem jogador de 18 anos. “É basicamente um jogo mental, e se você tem um mental forte e tem a mentalidade de jogar na grama, nas quadras duras, ou no saibro, pode jogar do jeito que quiser em qualquer quadra, com qualquer outra bola e contra qualquer adversário”.

Outra experiência significativa na trajetória do paranaense é a semifinal de duplas alcançada no ano passado em Nova York. “Eu não gosto muito de jogar duplas, mas foi o que consegui no ano passado e aprendi muito com isso. Foi, tipo, ‘Ok, eu cheguei às semifinais em duplas. Por que não posso fazer isso em simples? Qual é o problema de fazer isso sozinho sem ninguém ao meu lado?’ Acho que simples e duplas são dois jogos diferentes. Você tem que aprender a jogar com alguém ao seu lado, você tem que aprender a jogar em equipe. E em simples você pode se concentrar em si mesmo e pensa: ‘Eu tenho que fazer isso’. Não há ninguém para te ajudar. Tem muito mais pressão. Mas acho que lidei muito bem com isso”.

Voltando ao mês de abril, quando conquistou o future de Rio Preto, Wild falou ao TenisBrasil sobre o que tem feito para seguir evoluindo. Um dos principais fatores é a aposta na meditação para fortalecer seu lado mental. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Na época, o paranaense também estabeleceu a meta de terminar o ano no top 200 do ranking da ATP. O objetivo é evitar cair no chamado circuito de transição, que irá substituir os torneios de nível future em 2019 e que não dará mais pontos no ranking. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem e venho crescendo”, disse Wild na época. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é o ano terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”.

RAIO-X DOS JUVENIS BRASILEIROS

Assim como feito nas duas últimas temporadas, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Estão disponíveis os links para os posts de 2016 e também de 2017

geral

Os resultados em 2018 foram bastante superiores em relação às últimas temporadas. Depois de apenas duas vitórias brasileiras em 2016 e outras cinco no ano passado, a atual temporada contou com 22 vitórias de atletas nacionais. Campeão do US Open e semifinalista de Roland Garros, Thiago Wild venceu onze jogos. O brasiliense Gilbert Klier Júnior conseguiu quatro vitórias, três delas na campanha até as quartas de final em Wimbledon. O pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Mateus Alves venceram dois jogos cada um. Já o paulista Matheus Pucinelli conseguiu uma vitória na Austrália. Ao todo, seis jogadores diferentes venceram partidas de Grand Slam.

Também houve aumento na participação brasileira em relação aos dois últimos anos. Ao todo, foram oito jogadores disputando os torneios juvenis de Grand Slam, sete meninos e uma menina. Em 2016, apenas quatro juvenis diferentes estiveram nas chaves principais, com apenas cinco ano passado. Entretanto, quase todos os brasileiros que atuaram em chaves juvenis de Grand Slam estavam no último ano do circuito juvenil: É o caso de Wild, Klier, Reis, Gimenez, Reyes e Ana Paula Melilo. Apenas Mateus Alves e Matheus Pucinelli, nascidos em 2001, têm mais um ano de juvenil pela frente. É possível que no próximo ano, nomes como Natan Rodrigues e João Ferreira tenham a oportunidade de disputar chaves principais de Grand Slam.

É bom destacar que Klier também teve bons resultados fora dos Grand Slam. O brasiliense de 18 anos iniciou a temporada conquistando a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Já em agosto, ele venceu o ITF de College Park, em Maryland, evento de nível G1 nos Estados Unidos e preparatório para o US Open. Dessa forma, ele chegou a figurar entre dos dez melhores juvenis do mundo.

ranking meninos

No feminino, quem pode buscar uma vaga é a canhota paulista de 17 anos Ana Luiza Cruz, que está com o melhor ranking da carreira no 172º lugar. Mesmo que não consiga uma vaga direta por conta do ranking, há a possibilidade de vencer as seletivas do Roland-Garros Junior Wild Card Competition, que tem uma fase nacional e um triangular final com atletas da Índia e da China. Foi dessa forma que Ana Paula Melilo conseguiu sua vaga no Grand Slam francês.

ranking meninas

Australian Open

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Depois de dois anos sem representantes brasileiros  -sendo que em 2017, nenhum sul-americano disputou o torneio- o Australian Open voltou a ter jogadores nacionais na chave juvenil. O paulista Igor Gimenez teve o melhor resultado ao vencer dois jogos na chave principal e chegar às oitavas, repetindo a campanha que Marcelo Zormann fez em 2014. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

Roland Garros

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Sete brasileiros disputaram o torneio juvenil de Roland Garros, um a mais que no ano passado. A representação foi a maior desde 2012. Thiago Wild se destacou com as semifinais de simples e duplas, embora ainda sofresse com uma lesão no ombro. Outro bom resultado veio com o pernambucano João Lucas Reis, que alcançou as oitavas. Mateus Alves furou o quali e ainda venceu mais um jogo na chave principal, enquanto Gilbert Klier também venceu um jogo. Apenas Mateo Reyes e Ana Paula Melilo não venceram no torneio principal, enquanto Igor Gimenez e João Ferreira caíram ainda na fase classificatória.

Nos últimos anos, o Brasil já teve representantes em três finais de duplas. Beatriz Haddad Maia foi vice-campeã nas temporadas de 2012 e 2013, enquantoo gaícho Orlando Luz repetiu a dose em 2016. O gaúcho Guilherme Clezar também já foi vice de duplas em 2009. Em simples, Thomaz Koch jogou duas finais seguidas em 1962 e 1963, Edison Mandarino foi vice em 1959, mesma campanha de Luis Felipe Tavares em 1967.

Wimbledon

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Com seis brasileiros, a equipe nacional em Wimbledon teve sua maior representação desde 2014. O brasiliense Gilbert Klier Júnior venceu três jogos antes de perder um equilibrado duelo sul-americano contra o cabeça 5 colombiano Nicolas Mejia nas quartas de final. Nas duplas, João Lucas Reis e Matheus Pucinelli também caíram nas quartas de final.

Desde 2008 que um brasileiro não chegava tão longe na chave juvenil de simples em Wimbledon. O último a conseguir tal campanha foi o canhoto Henrique Cunha. Flavio Saretta também fez quartas em 1998. O último brasileiro semifinalista foi Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, em 1987, enquanto as melhores campanhas nacionais foram os vice-campeonatos de Ivo Ribeiro em 1957 e Ronald Barnes em 1959. O melhor resultado recente foi o título de duplas de Orlando Luz e Marcelo Zormann em 2014.

US Open

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Em Nova York, o Brasil teve seu menor número de jogadores, mas o melhor resultado da história com o título de Thiago Wild. Apenas Gilbert Klier entrou diretamente na chave por conta do ranking, enquanto Mateus Alves furou o quali e avançou uma rodada na chave principal e Igor Gimenez perdeu ainda na fase classificatória. Wild foi o primeiro brasileiro a disputar uma final de simples em Nova York. Em toda a história o país esteve em oito finais de Grand Slam, com sete jogadores diferentes.

Antes da histórica conquista do paranaense, os melhores resultados recentes foram nas duplas. Além da semifinal alcançada pelo próprio Wild no ano passado, a parceria nacional formada pelo gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes ficou com o vice-campeonato em 2014. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Juan Carlos Aguilar.

Grande semana de Wild e Pedretti
Por Mario Sérgio Cruz
abril 30, 2018 às 10:41 pm

A última semana foi boa para dois nomes da nova geração do tênis brasileiro. Tenistas de 18 anos, o paranaense Thiago Wild e a paulista Thaísa Pedretti obtiveram o segundo título de suas carreiras profissionais, ele em São José do Rio Preto, ela no saibro argentino de Villa del Dique.

Wild passou outros dois jovens brasileiros durante a semana, o paulista Marcelo Zormann e o canhoto gaúcho Rafael Matos, além de também derrotar o experiente Daniel Dutra Silva na semifinal. O paranaense, que não perdeu sets durante a semana, derrotou na final o argentino de 18 anos Camilo Carabelli por 7/6 (7-5) e 6/3.

 Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)


Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)

Os dezoito pontos pelo título serão computados no dia 7 de maio e farão com que Wild tenha o melhor rankig da carreira. O paranaense aparece nesta semana no 606º lugar, mas deve se aproximar da 520ª posição na próxima segunda-feira quando terá apenas um ponto a descontar.

Wild falou ao TenisBrasil durante a última semana. O paranaense sempre foi um jogador vibrante e intenso em quadra desde os tempos de juvenil e falou sobre o trabalho psicológico que faz para transformar isso em coisas positivas. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Diante da mudança no ranking a partir da próxima temporada, com torneios de nível future parando de oferecer pontos, Wild quer dar um salto já no segundo semestre, priorizando competições maiores e tem uma meta ambiciosa. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”, afirmou o paranaense. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição e não precisar jogá-lo. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem, venho crescendo e posso muito bem jogar só challenger a partir do segundo semestre”.

Confira a entrevista completa com Thiago Wild.

O paranaense continuará jogando em solo brasileiro nas próximas três semanas, totalizando quatro futures em território nacional. Seu próximo compromisso será no Clube Paineiras do Morumby, na capital paulista. O torneio em São Paulo ainda atrai bons nomes da nova geração brasileira como Marcelo Zormann, Rafael Matos, João Lucas Reis e Igor Gimenez. A entrada é gratuita durante toda a semana.

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Já Thaísa Pedretti encerrou uma sequência de nove jogos no saibro argentino com oito vitórias e apenas uma derrota. Antes do título em Villa Del Dique, a paulista já havia sido semifinalista em Villa Dolores. Na final disputada no último sábado, ela derrotou a chilena Fernanda Brito, principal cabeça de chave do torneio e 364ª do ranking, por 6/0 e 6/4.

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Pedretti está com o melhor ranking da carreira e entrará no grupo das 500 melhores do mundo (Foto: Éric Visintainer)

Nesta segunda-feira, Pedretti ganhou 21 posições no ranking e aparece com o melhor marca da carreira ao ocupar o 546º lugar. Esse número certamente será superado na próxima segunda-feira, quando os doze pontos pelo título na Argentina forem computados. A jovem de 18 entrará no grupo das 500 melhores jogadoras do mundo pela primeira vez na carreira. Sétima brasileira mais bem colocado no ranking com 53 pontos, Pedretti irá ultrapassar Carolina Alves e Teliana Pereira na semana que vem. Com isso, ela ficará atrás apenas de Beatriz Haddad Maia, Gabriela Cé, Nathaly Kurata e Laura Pigossi.

Juvenis na Europa – Alguns juvenis brasileiros estão lutando por pontos no saibro europeu de olho na chave juvenil de Roland Garros. Destaque para Gilbert Klier Júnior, brasiliense de 17 anos, que conseguiu um título e um vice-campeonato de duplas nas últimas semanas, na cidade búlgara de Plovdiv e no saibro francês de Beaulieu Sur Mer. Nos mesmos torneios, fez quartas em simples.

O paulista Igor Gimenez foi semifinalista em Medias, na Romênia, na última semana e tem um tíulo de duplas com Klier na Búlgária. Já o baiano Natan Rodrigues teve dois vice-campeonatos de duplas na França. O primeiro em Istres, ao lado do argentino Roman Burruchaga e o segundo em Beaulieu Sur Mer com Klier. Natan parou nas oitavas dos dois torneios de simples.

Começam a valer as mudanças no ranking juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
abril 4, 2018 às 6:10 pm

Começa a valer a partir desta semana a reestruturação no sistema de pontos para o ranking mundial juvenil da ITF. Anunciada em novembro do ano passado, a iniciativa da Federação Internacional é valorizar os torneios mais fortes do calendário. Para evitar distorções, a ITF postergou a mudança no ranking para o quarto mês da temporada. Dessa forma, o modelo anterior do ranking ainda serviu como base para as inscrições nos torneios dos primeiros três meses do ano.

Os Grand Slam e Jogos Olímpicos da Juventude passam a dar 1.000 pontos para o campeão e 600 para o vice, enquanto o vencedor do ITF Junior Masters receberá 750 pontos com 450 para o outro finalista. Os torneios de nível GA passam a dar 500 pontos para o campeão e não mais 250 como acontecia anteriormente. Já as competições continentais de nível GB1, GB2 e GB3 terão pontuação equivalente aos torneios G1, G2 e G3.

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Mudanças significativas – A primeira das mudanças expressivas na classificação é a mudança do número 1 no ranking masculino. Campeão do Australian Open, o norte-americano Sebastian Korda aproveitou o bônus na pontuação por seu título de Grand Slam e ultrapassou o argentino Sebastian Baez.

O norte-americano Sebastian Korda volta à liderança do ranking mundial juvenil (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

O norte-americano Sebastian Korda volta à liderança do ranking mundial juvenil (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Outro que saltou na tabela foi o espanhol Nicola Khun, agora 24º colocado depois de ganhar 60 posições. Kuhn completou 18 anos em março e já privilegia o circuito profissional, mas esse ganho expressivo de posições para o atual vice-campeão juvenil de Roland Garros exemplifica o que uma boa campanha um torneio grande pode significar.

No feminino, a principal mudança de pontuação também acabou beneficiando uma jogadora que já é profissional. A norte-americana de 16 anos Amanda Anisimova, 128ª no ranking da WTA. Ela subiu 23 posições na lista juvenil e aparece no 12º lugar, mesmo contabilizando só o título do US Open e as quartas de Roland Garros.

Brasileiros: Entre os sete brasileiros no top 100, apenas o paranaense Thiago Wild ganhou posições. Ele foi beneficiado pelo título do Torneo Città Di Santa Croce, ITF G1 disputado no saibro italiano no ano passado, e pelas quartas de Roland Garros. Com isso, ele sobe 15 poisções e aparece no 31º lugar.

ranking juvenil abril brasil

O brasiliense Gilbert Klier Júnior, campeão Sul-Americano, perdeu só uma posição e está no 38º lugar. Logo atrás, está o pernambucano João Lucas Reis, utrapassado por sete concorrentes. Outro que perdeu sete posições é o paulista Mateus Alves, agora 43º do ranking. O paulista Matheus Pucinelli é o 52º do mundo e perdeu só um lugar. As maiores quedas aconteceram com o paulista Igor Gimenez, que perdeu 15 postos e está no 65º lugar, e do mineiro João Ferreira, ultrapassado por 24 jogadores e agora 73º colocado.

Ineditismo cobra o preço a Chung e Edmund
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 26, 2018 às 5:39 pm

Os dois nomes da nova geração que mais se destacaram durante o Australian Open terminaram suas campanhas de forma parecida. Semifinalistas da chave masculina, o sul-coreano Hyeon Chung e o britânico Kyle Edmund encantaram o público ao longo de duas semanas e venceram adversários de peso, mas ambos chegaram para os jogos mais importantes do início de suas carreiras na elite do circuito com muitas limitações físicas.

Edmund sentiu um incômodo no quadril e precisou de atendimento durante a partida contra Marin Cilic. O britânico de 22 anos e 49º do mundo acabou oferecendo resistência ao croata apenas durante dois dos três sets da partida disputada na última quinta-feira. Por sua vez, Chung lidou com bolhas nos pé esquerdo ao longo da segunda semana do torneio e o problema se agravou antes de enfrentar Roger Federer nesta sexta-feira. A melhor solução encontrada pelo sul-coreano de 21 anos e 58º colocado foi abandonar a partida ainda no segundo set.

Não é mera coincidência que dois jogadores que chegam tão longe em Grand Slam pela primeira vez acabem sendo traídos pelo próprio corpo. Esse é um caso em que a juventude pesa mais contra que a favor. Edmund passou 14h48 em quadra nos cinco primeiros jogos do torneio, o que inclui duas partidas definidas apenas no quinto set. Chung atuou por menos tempo, 11h55, muito por conta da desistência do alemão Mischa Zverev ainda na rodada de estreia.

edmund

chungNenhum dos dois está tão habituado à uma sequência tão desgastante de jogos, ainda mais com a intensidade que as partidas de Grand Slam têm. Edmund tem apenas quatro semifinais de ATP na carreira, com somente duas para Chung (sendo uma delas no Next Gen ATP Finals com regras diferentes do habitual). As únicas vezes em que haviam disputado seis jogos em um mesmo torneio aconteceram quando vieram do qualificatório ou jogando competições de nível challenger e future.

A capacidade de lidar melhor com essa situação para chegar às fases decisivas em condições de lutar pelo título só virá com o tempo e, principalmente, com a experiência em competições de alto nível. Não há uma idade certa para que isso aconteça, mas quanto mais cedo eles se habituarem com fases rodadas finais nos torneios regulares da ATP, mais prontos para dar um novo salto nos Grand Slam eles estarão. Por ora, é comemorar a boa campanha e trabalhar para a recuperação física.

Sensações parecidas

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Tanto Chung quanto Edmund lamentaram os problemas físicos em jogos tão importantes, mas preferiram enaltecer as boas campanhas que fizeram. Chung foi o algoz do hexacampeão Novak Djokovic e do número 4 do mundo Alexander Zverev, enquanto Edmund passou pelo terceiro do ranking e semifinalista do ano passado Grigor Dimitrov e pelo sul-africano Kevin Anderson que foi vice no US Open. Os dois jovens jogadores terão os melhores rankings de suas carreiras na próxima segunda-feira e aparecerão entre os 30 melhores do mundo.

“Eu aproveitei as duas semanas dentro e fora de quadra. Estou realmente feliz. Cheguei pela primeira vez às oitavas, depois às quartas e à semifinal. Joguei contra Sascha, Novak e Roger”, disse Chung após a partida contra Federer, que abandonou quando perdia por 6/1 e 5/2. “Acho que ganhei confiança, enfrentei bons jogadores e estarei mais confortável em quadra contra esses grandes nomes na próxima vez”.

Como o sul-coreano não tem tanto o domínio da língua inglesa, Stuart Duguid, seu agente na IMG, explicou aos jornalistas sobre a condição física do jogador. “Posso responder por ele”, disse Diguid. “É algo pior do que bolhas regulares. Nos últimos dias, foi se formando bolha sobre bolha. Ele raspou e agora ficou em carne viva. Ele tomou injeções para ver se aliviaria a dor, mas não funcionou. É muito pior do que uma bolha regular”.

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund adotou discurso parecido com o de Chung sobre sua boa campanha. “Este tipo de torneio só lhe dá vontade de querer mais. Depois sentir o gosto, é como se eu pensasse: ‘Sim, eu quero mais disso'”, disse o britânico de 22 anos. “É claro que estou decepcionado pela derrota, mas foram duas boas semanas. Chegar em uma semifinal de um Grand Slam definitivamente é algo de que eu posso me orgulhar e levar isso para frente. Pude também jogar algumas partidas na Rod Laver e vencer partidas difíceis contra grandes jogadores”.

Até mesmo os desgastantes jogos de cinco sets foram comemorados pelo britânico. “Não há nada melhor do que ganhar um jogo de cinco sets. Os jogos em melhor-de-cinco devem permanecer sempre no circuito masculino. É um verdadeiro teste de qualidade e prova sua resistência física e mental”.

Os quatro juvenis brasileiros 

Ausentes nos últimos dois anos, os brasileiros voltaram à chave juvenil do Australian Open. Em 2018, quatro jogadores nacionais jogadores nacionais estiveram em quadra: o paranaense Thiago Wild, o pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli.

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

A melhor campanha foi de Gimenez, que venceu o holandês Lodewijk Weststrate e o uzbeque Sergey Fomin antes de cair nas oitavas para o taiwanês Chun Hsin Tseng, que aliás está na final do torneio. Wild e Pucinelli conseguiram uma vitória cada um, enquanto Reis não teve sorte com a chave e perdeu na estreia para o cabeça 2 sérvio Marko Miladinovic, que só parou na semifinal.

Se por um lado, os resultados dos brasileiros foram discretos, é legal destacar que a representação nacional no torneio é a maior desde 2014 e que quatro brasileiros não disputavam uma chave principal de um Grand Slam juvenil desde 2016 em Roland Garros. Depois de dois anos sem representantes, resta torcer para que um torneio com quatro jogadores nacionais se torne uma regra, não exceção.

Thiago Wild terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Thiago Wild treinou com Zverev e terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Wild, que já é top 10 no ranking mundial juvenil, ainda teve duas boas oportunidades. Ainda em Melbourne, ele treinou com o número 4 do mundo Alexander Zverev e recebeu a notícia da convocação para a equipe brasileira da Copa Davis, que enfrenta a República Dominicana na semana que vem.

O filho de Korda e o discípulo de Murray

Por muito pouco, a final da chave juvenil não envolveu dois nomes com DNA de peso. O norte-americano Sebastian Korda é filho do tcheco Petr Korda, ex-número 2 do mundo e campeão do Australian Open em 1998, e se garantiu na final ao derrotar o sérvio Marko Miladinovic por 7/5, 5/7 e 6/4. Vinte anos depois do título de seu pai, ele terá a oportunidade de jogar na Rod Laver Arena neste sábado, quando disputará o título contra o taiwanês Chun Hsin Tseng.

“Com certeza, é um sentimento especial”, disse Korda em entrevista ao site da ITF. “Meu pai completou 50 anos há alguns dias e disse a ele que levaria alguma coisa para seu aniversário. Espero que o troféu seja um bom presente”.

Semifinalista na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray

Eliminado na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Já o taiwanês Tseng foi o responsável por eliminar o britânico Aidan McHugh por 6/3, 5/7 e 6/4. Apesar da queda na semi, é legal ficar de olho na trajetória de McHugh. O escocês de 17 anos tem sua carreira acompanhada de perto e administrada por Andy Murray desde o fim do ano passado. Vale acompanhar as entrevistas de Murray e McHugh à BBC realizadas em novembro último sobre a parceria, que já começa a mostrar bons resultados.