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O que esperar do juvenil em Roland Garros?
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2016 às 1:48 pm

A chave juvenil de Roland Garros começa neste domingo e é sempre difícil apontar favoritos em um Grand Slam na categoria. Pouco se consegue ver esses garotos jogarem durante o ano e a análise se pauta muito mais em resultados. Também é importante lembrar que uma boa posição no ranking pode ser construída por diferentes caminhos, inclusive por torneios mais fracos. E por último, porque há jogadores não tão bem colocados por já priorizarem o circuito profissional.

Entretanto, o nome do grego Stefanos Tsitsipas é destaque para além da liderança do ranking mundial da categoria e a condição de cabeça 1 do torneio. Ele vem de dezesseis vitórias seguidas, sendo campeão do Trofeo Bonfiglio em Milão há uma semana, intercalado por dois títulos de future no saibro italiano. São três semanas seguidas só de vitórias.

Blanch (esq) tem bom histórico no saibro, Tsitsipas vem de 16 vitórias

Blanch (esq) tem bom histórico no saibro, Tsitsipas vem de 16 vitórias

Há outros bons nomes na chave como o canhoto canadense Denis Shapovalov, que já venceu dois futures em 2016 e fez uma semi de challenger aos 17 anos, mas teve melhores resultados na quadra dura. O agora espanhol Nicola Kuhn (nasceu na Áustria e jogava pela Alemanha), treina na academia de Juan Carlos Ferrero há bastante tempo. Já o cabeça 3 americano Ulyses Blanch, que treina na Argentina, tem bom saque, jogo agressivo e bom histórico no saibro.

O (agora) espanhol Nicola Kuhn treinou com o staff de Raonic durante a semana.

O (agora) espanhol Nicola Kuhn treinou com o staff de Raonic durante a semana.

Chama atenção o caso de Orlando Luz, que decidiu jogar em Roland Garros pela terceira vez seguida. Não, o gaúcho não está “baixando de categoria” ou “voltando ao juvenil”. Ele apenas entrou em uma chave de Grand Slam no ano em que completou 18. A prioridade de seu calendário já são os torneios de nível future, tanto que jogou um na semana passada e jogará outro logo depois de Paris.

As oportunidades que você tem em termos de treinamento e intercâmbio num Grand Slam juvenil, ainda mais para alguém de fora do eixo Europa-Estados Unidos, são muito valiosas. É fato que ele precisa evoluir, ganhar ritmo de jogo e subir no ranking profissional. Mas future de US$ 10 mil tem o ano inteiro, inclusive na semana do Natal se ele quiser jogar, é perfeitamente compreensível encaixar um Grand Slam juvenil no calendário. Eu no lugar dele faria o mesmo.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlando Luz não está “voltando ao juvenil”, apenas entrou na chave de um Grand Slam, o que é normal.

Não é o primeiro, nem será o último jovem a fazer essa escolha. Nos últimos anos, tem sido mais comum no feminino, já que Elina Svitolina, Eugenie Bouchard e Annika Beck entraram em chaves juvenis de Slam, num momento que já eram profissionais. Thiago Monteiro fez o mesmo em 2012, quando jogou só Roland Garros e US Open. Na própria chave de Roland Garros, há exemplo do cabeça 2 húngaro Mate Valkusz que liderou o ranking juvenil por algumas semanas este ano, mas só jogou juvenil no Australian Open.

Orlando fez a lição de casa na estreia contra o francês Louis Tessa e agora irá enfrentar o canadense Felix Auger Aliassime, jogador que é dois anos mais novo, mas já tem vitórias em challenger e no ano passado liderou seu país para o título da Copa Davis Juvenil (campeonato para atletas de até 16 anos).

Entre os quatro brasileiros, Gabriel Décamps é quem tem a chave mais interessante, com possibilidade de encontrar o bom sacador americano Ulyses Blanch nas oitavas de final. Os dois chegaram a se enfrentar no Banana Bowl em março, com vitória Blanch que seria campeão do torneio. Felipe Meligeni Alves estreia já contra um cabeça de chave, o sétimo favorito Yunseong Chung, enquanto Rafael Wagner pode cruzar o caminho do cabeça 1 logo na segunda rodada.

Ranking mundial juvenil tem novo líder
Por Mario Sérgio Cruz
maio 23, 2016 às 11:04 pm

O ranking mundial juvenil tem novo líder a partir desta segunda-feira. O grego Stefanos Tsitsipas deu salto de oito posições, do nono ao primeiro lugar, ao conquistar o título do Trofeo Bonfiglio, O tradicional evento dá 250 pontos ao campeão, por ser um torneio GA do circuito de 18 anos da ITF, além de um bônus de 62,5 pontos por conta dos nomes de peso da chave.

No saibro italiano de Milão, Tsitsipas venceu a final contra o norte-americano que treina na Argentina Ulises Blanch por 6/4 e 6/3. Blanch, que em março venceu o Banana Bowl, é o novo terceiro colocado.

O grego Stefanos Tsitsipas, que tem 1,93m aos 17 anos, chegou à liderança após título em Milão. (Foto: Corinne Dubreuil)

O grego Stefanos Tsitsipas, que tem 1,93m aos 17 anos, chegou à liderança após título em Milão. (Foto: Corinne Dubreuil)

“Este é o troféu mais importante da minha carreira”, disse Tsitsipas em entrevista ao site da ITF. “Acho que melhorei minhas habilidades e meu jogo. Acredito que a parte física é o que eu tenho mais a melhorar, porque isso é muito importante hoje em dia. Posso dizer que eu também preciso melhorar meu saque, embora ele tenha funcionado muito bem na final, e ainda posso melhorar meu backhand de uma mão”.

Com apenas 17 anos, Tsitsipas já em 1,93m. O grego teve uma parte considerável de sua formação na França, na academia de Patrick Mouratoglu, técnico de Serena Williams, e hoje treina em seu país de origem. Além do potente saque beneficiado pela altura, o grego também se destaca pelo cada vez mais raro backhand de uma mão. O estilo de jogo chama atenção tanto pela pouca idade, quando por sua estrutura física, mas faz sentido com relação ao seu jogador favorito, Stan Wawrinka.

A posição no ranking vem do bom final do ano passado, na Flórida, em que ele foi semifinalista do Eddie Herr (perdeu para o canadense de 15 anos e que já tem até vitória em challenger Felix Auger-Aliassime) e vice-campeão do Orange Bowl (caiu no tiebreak do terceiro para o sérvio Miomir Kecmanovic). Foi, aliás, a segunda vez seguida que ele decidiu o Orange. Já em 2016, ele começou o ano disputando só dois eventos juvenis, com destaque para as quartas no Australian Open.

O título também coroou a boa série do jovem tenista grego saibro italiano já como profissional. Ele venceu dois futures num intervalo de quatro semanas com ainda uma campanha até as quartas e outra até a semi. Na carreira já são três conquistas em simples e outras cinco em duplas.

Feminino – A liderança do ranking juvenil feminino continua com a bielorrussa Vera Lapko, campeã do Australian Open. No entanto, a russa Olesya Pervushina deu salto de doze posições e agora está no segundo lugar com título em Milão. Pervushina venceu a final em Milão por 6/4 e 6/0 contra a eslovena vinda do quali Kaja Juvan.