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Título de Angella Okutoyi em Wimbledon torna tênis popular no Quênia
Por Mario Sérgio Cruz
julho 11, 2022 às 6:31 pm

 

Angella Okutoyi foi a primeira queniana a vencer um Grand Slam, jogando ao lado da holandesa Rose Marie Nijkamp (Foto: Daniel Kopatsch/ITF)

A histórica conquista de Angella Okutoyi na chave de duplas do torneio juvenil de Wimbledon tem um impacto valioso para a popularização do tênis no Quênia. Primeira tenista de seu país a ganhar um Grand Slam, considerando todos os níveis de competição, Okutoyi foi campeã no último sábado ao lado da holandesa Rose Marie Nijkamp com a vitória sobre as canadenses Kayla Cross e Victoria Mboko por 3/6, 6/4 e 11-9. A queniana já vinha se destacando no circuito juvenil a partir do Australian Open, em janeiro, e desde então o impacto já é sentido no aumento no número de jogadores.

“No Quênia as pessoas se concentram mais no atletismo, o tênis não é tão conhecido. Mas depois que eu fui bem na Austrália, o esporte está começando a ser conhecido e eu aprecio o fato de que muitas crianças estão vindo para o tênis. Agora que eu estou jogando aqui em Wimbledon inspirarei muitas mais”, disse Okutoyi, em entrevista ao site da ITF.

“Meu objetivo é que o mundo do tênis reconheça os jogadores do meu país. É triste que em um chave de 64 jogadoras haja apenas uma jogadora queniana. Mas em um futuro próximo eu sinto que isso vai mudar. Na verdade, eu sei que vai. É um momento de muito orgulho, estou muito feliz”, acrescentou a tenista, que chegou a viver em um orfanato de Nairóbi com a irmã gêmea Roselida quando era criança, já que já que elas perderam a mãe logo após seu nascimento.

Okutoyi, de 18 anos e 61ª do ranking juvenil, já havia sido recebida com muita festa em seu país após a boa campanha no Australian Open, em que avançou duas rodadas. Já em Wimbledon, ela se tornou a primeira jogadora de seu país a competir no torneio mais tradicional do mundo desde Susan Wakhungu em 1978 e também se torna a única a vencer uma partida nas quadras de grama do All England Club. O reconhecimento em seu país foi tão grande que até a atriz vencedora do Oscar Lupita Nyong’o a parabenizou publicamente pelos feitos.

Secretária geral da Tennis Kenya, Wanjiru Mbugua-Karani falou à ITF sobre a popularização do tênis no país. “Ter a Angella jogando em Wimbledon é maravilhoso e um grande momento. A procura pelo tênis no Quênia cresceu muito desde que ela fez o que fez na Austrália. Uma semana depois do torneio, foi uma loucura e havia muitos meninos e meninas nas quadras e outros tantos querendo fazer parte do nosso programa de juvenis, enquanto as academias registram números crescentes. Posso garantir que nos próximos anos será incrível. Todo mundo agora acredita que é possível porque Angella mostrou o caminho”.

“Posso dizer neste minuto que não recebemos transmissões ao vivo no Quênia, mas todos estarão acompanhando as partidas de Angella nos placares ao vivo. De jogadores de outros esportes a funcionários do governo, o Quênia está seguindo a Angella o tempo todo. Agora que ela está participando de Grand Slam, o impacto foi incrível, e posso garantir que nos próximos anos será incrível”.

A queniana faz parte do programa de desenvolvimento de jogadores da ITF, que oferece aos tenistas de países em desenvolvimento a chance de competir no mais alto nível do circuito juvenil. Ela viajou nas últimas nove semanas acompanhada de um técnico indicado pela Federação Internacional, atuando em competições no saibro e na grama na Europa. “Foi um passo importante no meu desenvolvimento. Esta é a minha primeira vez jogando na grama e pelo menos agora tenho uma ideia de como é o piso. No Quênia, a superfície mais popular é o saibro. É difícil encontrar uma quadra dura no Quênia, e não existem quadras de grama”.

Parceira da queniana na conquista Rose Marie Nijkamp se junta a outras três holandesas que já venceram o torneio juvenil de Wimbledon, todas em simples: Fanny ten Bosch em 1952, Judith Salome em 1967 e Brenda Schultz em 1988. No masculino, Thiemo de Bakker venceu em 2006. E a parceria foi formada por acaso: “É uma história engraçada”, explicou Okutoyi. “Ela me procurou no Instagram e me disse: ‘Você quer jogar em duplas?’ Eu disse que sim, porque naquela época eu estava procurando para sempre um parceira. E todas já estavam acertadas. Então nós jogamos juntas. É a primeira vez que jogamos juntas e conseguimos um título de Grand Slam. Então é um grande feito para nós”.