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Brasil tem só 8 vitórias entre Banana Bowl e Porto Alegre
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 22, 2019 às 8:16 pm

Nas duas últimas semanas, o Sul do Brasil foi palco dos maiores e mais tradicionais torneios internacionais infanto-juvenis realizados no território nacional. O Banana Bowl teve os jogos da categoria 18 anos de sua 49ª edição disputados na cidade catarinense de Criciúma, enquanto o Campeonato Internacional de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau) chegou ao seu 36ª ano, agora com o nome de Brasil Juniors Cup. Os eventos são de nível J1 e JA, as duas principais graduações abaixo dos Grand Slam no circuito mundial juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Dentro de quadra, o tênis brasileiro teve pouco a comemorar. Foram apenas oito vitórias de jogadores da casa, três no Banana Bowl e mais cinco em Porto Alegre. Os triunfos aconteceram apenas nas chaves masculinas e as melhores campanhas foram até as oitavas de final. Em Criciúma, o catarinense Pedro Boscardin e o baiano Natan Rodrigues chegaram à terceira rodada, sendo que Natan era o cabeça de chave 11 e entrou direto na segunda fase. Já em Porto Alegre, apenas Boscardin conseguiu vencer dois jogos para chegar às oitavas.

É bom registrar que individualmente, Boscardin teve dois resultados positivos. O catarinense completou 16 anos em janeiro e, em tese, tem mais dois anos de circuito juvenil pela frente. Ele acumulou quatro vitórias nas duas últimas semanas só parou no espanhol Nicolas Alvarez Varona, principal cabeça de chave e posteriormente campeão do Banana Bowl, e no norte-americano Tyler Zink, sexto favorito em Porto Alegre.

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Com uma rápida consulta nos arquivos da ITF, disponíveis em seu site oficial, é possível encontrar as chaves do Banana Bowl desde 1994 e da Copa Gerdau a partir de 1993. O único torneio antes dos dois realizados neste ano de 2019 sem nenhum brasileiro nas quartas de final foi a Copa Gerdau de 2001.

Até mesmo se fizermos um corte só pelo masculino, em que os brasileiros têm histórico de melhores resultados, apenas duas edições do Banana Bowl (1997 e 2012) e duas de Porto Alegre (2001 e 2006) não tinham brasileiros nas quartas de final. Ainda assim, em três desses torneios, houve ao menos uma brasileira nessa fase do feminino. Foi assim com Joana Cortez em 1997, Roxane Vaisemberg em 2006 e Laura Pigossi em 2012.

Banana Bowl
As chaves de simples do Banana Bowl contaram com 16 jovens tenistas do Brasil, dez no masculino e seis no feminino. Treze desses representantes se despediram ainda no primeiro dia do torneio, que contou com apenas uma vitória brasileira, no duelo nacional entre Boscardin e o paranaense vindo do quali Eduardo Taiguara. Mais que isso, todas derrotas para adversários estrangeiros aconteceram para adversários da casa. Taiguara, aliás, foi o único brasileiro a passar pelo quali de três rodadas na cidade catarinense.

No dia seguinte, Boscardin e Natan conseguiram as únicas vitórias da casa contra adversários estrangeiros, o catarinense diante do canadense Taha Baadi (cabeça 14) e o baiano sobre o espanhol vindo do quali Alejandro Garcia. Nas oitavas, Boscardin foi superado pelo principal favorito e Natan Rodrigues pelo cabeça 6 Tyler Zink.

No feminino, apenas a paulista Ana Luiza Cruz entrou diretamente na chave principal de simples em Criciúma. As outras cinco representantes nacionais disputaram o torneio como convidadas. Ana Luiza era cabeça 15 no Banana Bowl e vinha de um bom resultado no Paraguai, onde foi semifinalista, mas foi eliminada na segunda rodada, que foi sua estreia no torneio. Sua algoz foi a norte-americana Hina Inoue.

Brasil Juniors Cup
Em Porto Alegre, foram 28 tenistas do Brasil, sendo 15 no masculino e 13 no feminino. O torneio tem chaves de 64 jogadores (enquanto o Banana Bowl conta com 48 em cada evento) e não dá folga aos cabeças de chave na primeira rodada. O primeiro dia do torneio teve 12 brasileiros em quadra e apenas duas vitórias, vindas de Boscardin e do paulista Raí Vicente de Araújo. No dia seguinte, 16 atletas da casa atuaram pelo complemento da primeira fase e somente o paulista Gustavo Heide e o gaúcho Guilherme Toresan venceram seus jogos. Já no terceiro dia de disputas, Boscardin foi o único atleta nacional a avançar às oitavas.

Entre as oito brasileiras que disputaram a chave feminina, apenas quatro entraram diretamente por conta do ranking: Ana Luiza Cruz, Nalanda Silva, Lorena Cardoso e Isabel Oliveira. Giovanna Pereira entrou na chave como lucky-loser e outras oito representantes nacionais foram convidadas para o torneio. No masculino, sete dos 15 brasileiros foram convidados, dois entraram como lucky-losers (Gustavo Madureira e Matheus Queiroz), enquanto Boscardin, Heide e Bruno Oliveira entraram direto na chave.

Três brasileiros conseguiram passar pelo qualificatório masculino, em que necessárias duas ou três rodadas, dependendo do ranking do jogador. Luis Fernando Reis, Breno Ferreira Marques e Joaquim de Almeida conseguiram superar a fase classificatória e garantir vaga na chave principal. No feminino, além de nenhuma brasileira ter passado pelo quali, chama ainda mais atenção o fato de nenhuma representante nacional ter vencido alguma partida contra adversárias estrangeiras.

Rio Open
É importante também citar que dois dos principais juvenis brasileiros não puderam disputar o torneio mais forte do país na categoria. Natan Rodrigues (45º no ranking mundial da ITF) e Mateus Alves (54º) estavam envolvidos no quali e na chave de duplas do Rio Open, uma experiência extremamente positiva e que deve ser incentivada, até mais pela rotina de treinos em um torneio de alto nível do que necessariamente pelos resultados. Infelizmente, por conta da recente mudança no calendário do circuito juvenil da ITF, os grandes eventos no Brasil entre profissionais e juvenis acabam coincidindo datas.

Destaques nos 16 anos avaliam 1ª experiência em ITF
Por Mario Sérgio Cruz
março 8, 2018 às 8:04 pm

Jovens tenistas brasileiros que se destacaram nos torneios da categoria 16 anos durante o circuito da Confederação Sul-Americana (Cosat) ao longo da temporada tiveram nesta semana a experiência de jogar em uma categoria acima. Nomes como o mineiro João Victor Loureiro e a goiana Lorena Cardoso, que estão com 14 anos, e o catarinense de 15 anos Pedro Boscardin Dias receberam convites para a disputa da Copa Paineiras, torneio ITF GB1 no saibro do clube Paineiras do Morumby e avaliaram a oportunidade de atuar contra alguns dos melhores juvenis do continente na categoria 18 anos, valendo pontos para o ranking mundial júnior.

“As meninas de 16 jogam muito bem, mas elas ainda não têm tanta força. Aqui as meninas são mais agressivas, conseguem ficar concentradas durante mais tempo, estão mais bem preparadas, são mais experientes e mais fortes”, comentou Lorena Cardoso, que venceu duas etapas seguidas do circuito da Cosat de 16 anos, no Equador e na Colômbia. “Eu já tinha jogado três torneios de 18 anos, mas este está bem mais forte”, complementou a goiana que só havia jogado ITFs de nível G4 e G5 até a semana passada, quando disputou o Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre.

Nos dois torneios que conquistou, Lorena venceu duelos caseiros nas finais contra a também goiana Nalanda Silva, que vem de um projeto social e atualmente treina no Rio de Janeiro. “Desde pequena e ela sempre ganhou todos os jogos de mim. Ela sempre foi a melhor de Goiás e era tipo a minha ‘rivalzinha’, mas nós somos amigas fora da quadra. E nesses dois torneios eu consegui jogar bem contra ela e acabar ganhando”.

A goiana de 14 anos Lorena Cardoso deve priorizar torneios de 18 anos (Foto: Thiago Parmalat/CBT)

A goiana de 14 anos Lorena Cardoso deve priorizar torneios de 18 anos (Foto: Thiago Parmalat/CBT)

Loureiro também destacou a diferença entre as duas categorias. “Mais volume de jogo! Os caras sobem o nível de jogo nos pontos importantes”, avaliou o mineiro, que venceu quatro eventos da gira Cosat. Campeão do Banana Bowl de 16 anos, o jogador que treina em Santa Catarina também venceu a etapa paraguaia em Assunção e tem mais duas conquistas em Cali, na Colômbia, e Córdoba, na Argentina.

Em São Paulo, Loureiro manteve o embalo e marcou seus primeiros pontos no ranking mundial juvenil da ITF com as vitórias sobre o argentino Facundo Tumosa e no duelo nacional contra Gustavo Madureira antes de cair para o brasiliense Gilbert Klier Júnior nas oitavas. “Estava um pouco gripado, então ficava um pouco mais cansado que o comum após o término de alguns pontos, mas consegui manter a confiança que estou tendo desses últimos torneios para vencer. Muito feliz em marcar meus primeiros pontos no ranking mundial”.

“Foi uma gira muito boa. Comecei na Colômbia já com o título, estava confiante e consegui aproveitar o convite aqui no ITF. Ganhei duas rodadas e caí nas oitavas. Foi uma boa experiência. Agora é voltar e treinar para a gira europeia”, complementou o mineiro que completa 15 anos em março e já mede 1,85m.

O mineiro João Loureiro venceu quatro etapas do circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

O mineiro João Loureiro venceu quatro etapas do circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

“A diferença mais na força e na maturidade dos caras durante o jogo. Eles sabem melhor escolher as horas de escolher as jogadas e isso faz a diferença”, explicou Pedro Boscardin Dias, que na temporada passada disputou importantes competições de 14 anos como o Les Petits As na França e o Le Mondial Lacoste em Londres durante o ATP Finals, mesclando o calendário com torneios sul-americanos de 16 anos.

“Eu consegui jogar os principais torneios do mundo e pude ver como os meninos jogam. É importante para ver que estou no nível dos caras, não estou muito longe”, comentou o catarinense, que voltará ao velho continente para jogar em categorias acima. “A experiência no Cosat foi muito boa e consegui conquistar meu objetivo que era classificar para a gira europeia”.

Para a sequência na temporada, a prioridade é tentar os torneios de 18 anos.”Pelo que eu conversei com o Rico [Schlachter, seu técnico] a ideia é jogar mais torneios de 18 anos. Acho que tem um ou dois torneios de 16 anos na gira europeia. Foi bom conseguir esse ponto na ITF para começar a transição”, avaliou o catarinense que fez seu primeiro ponto no ranking mundial juvenil ao avançar uma rodada na chave de duplas no Paineiras.

Pedro Boscardin Dias jogou os principais torneios do mundo nos 14 anos e o circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

Pedro Boscardin Dias jogou os principais torneios do mundo nos 14 anos e o circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

Lorena Cardoso também deve seguir o caminho do circuito mundial juvenil apesar de sua pouca idade. As únicas competições de 16 anos deverão ser os torneios por equipes. “Acho que o Sul-americano e o Mundial vão ser os únicos que eu vou jogar de 16 este ano, porque eu vou focar no 18. Vai ser um pouco difícil no início, mas servirá para conseguir resultados bons e subir no ranking para já estar bem posicionada”, explicou a goiana que treina desde os doze anos no Instituto Tênis, em Barueri.

“Eu tava jogando um torneio de duplas com uma integrante do IT e eu tinha dez anos, mas já jogava torneio de 12 anos. Então um treinador me viu e perguntou a minha idade porque eu já era grande e forte. Perguntaram se eu queria fazer um teste no IT e treinar, mas eu ainda era muito nova e tinha dez anos, então meus pais não deixaram. Fiquei mais dois anos em Goiás ainda, e só depois fui fazer o teste, gostei e estou lá até hoje”.

A goiana que já tem 1,74m tenta ser uma jogadora agressiva e se inspira em Beatriz Haddad Maia: “Ela é alta, forte e joga bem firme”, comentou. “Eu gosto de jogar agressiva, pegando bem na bola. No 16 eu ainda conseguia ter diferença de força, mas agora não tem muita diferença para as meninas mais velhas, meio que iguala todo mundo. Sou um pouco lenta ainda por causa da altura, mas é o caminho. Sinto que minha agressividade é onde fico com energia e consigo jogar bem”.

O técnico Ricardo Schlachter acompanha os juvenis Pedro Dias e João Loureiro (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

O técnico Ricardo Schlachter acompanha os juvenis Pedro Dias e João Loureiro (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

O técnico Ricardo Schlachter, treinador que trabalhou com Ricardo Mello quando o campineiro conquistou o ATP 250 de Delray Beach em 2004, é quem acompanha Boscardin e Loureiro atualmente. Schlachter, que coordena um centro de treinamento de alto rendimento em Joinvlle (SC), fez uma análise sobre as diferenças entre as competições de formação e a elite do circuito juvenil.

“Acredito que existe uma diferença, mas não acredito mais ser tão grande, principalmente fisicamente. Claro que sempre tem jogadores acima da média, mas eles [Boscardin e Loureiro] conseguem competir de igual para igual na maioria das vezes. Esse é ponto principal. Que eles entrem em torneios e consigam ser competitivos”.

Schlachter também afirma que deve testar seus jovens jogadores nos torneios maiores e em competições profissionais ainda este ano. “Agora o foco vai virar para os torneios de 18 anos. A ideia era terminar a gira Cosat de 16 e agora sim focar nos 18. E esse ano ainda algumas eles terão poucas semanas para experimentar um pouco do profissional, em termos de futures ou de torneios com a premiação apenas em dinheiro, para que eles joguem com adultos que são bons jogadores e que têm muito a ensinar a eles. Mas essa é uma parcela menor do calendário que vai se basear muito nos ITFs de 18 anos”.

O treinador também avaliou o desempenho e evolução dos dois atletas e reconhece que a grande fase de Loureiro o surpreendeu. Ele treina o juvenil mineiro desde agosto de 2015, quando o jogador saiu de Belo Horizonte e mudou-se para Santa Catarina. Já com Boscardin, o acompanhamento vem desde as escolinhas ainda aos sete anos.

“Eu diria que os resultados foram acima da expectativa. É claro que a gente sempre se prepara para entrar em um torneio para ganhar, mas de oito etapas ganhar quatro, ou seja ganhar um a cada dois torneios, realmente nos surpreendeu. O que não é uma surpresa é a evolução dele. Eu que acompanho o dia a dia, vejo que ele vem se dedicando há muito tempo. Esses resultados deram a ele um dos quatro postos para a gira europeia, mas agora ele precisa correr atrás de pontos na ITF. Por isso até a gente solicitou para a CBT e eles nos concederam o wildcard para os meninos jogarem aqui”, explicou Schlachter.

“Como não existe ranking internacional nessa categoria e pelo que eu conheci na Europa, eu poderia dizer até o ano passado que o Pedro estaria entre os 15 ou 20 melhores jogadores do mundo na idade dele, até 14 anos. Isso numa avaliação minha como treinador. Agora já não deve ser mais assim entre os garotos de 15 anos, também por causa da evolução dos outros. O tênis é muito dinâmico e esses garotos evoluem muito rápido em seis meses ou um ano”, avaliou.

“E dentro da minha própria estrutura, que tenho só dois jogadores, vejo que existe uma diferença. O João Loureiro estava um pouquinho abaixo dele, hoje não só se equivaleu como já está um pouco à frente dele. E aí envolvem outras coisas, que são os amadurecimentos. É lógico que o porte físico dele também ajuda, é um jogador alto e essas coisas fazem diferença”.

Juvenis brasileiros priorizam futures na transição
Por Mario Sérgio Cruz
março 7, 2018 às 8:09 pm

Diante da mudança nas regras do circuito profissional no ano que vem, quando será criado um circuito de transição e os torneios de nível future de US$ 15 mil não darão mais a dar pontos no ranking da ATP, alguns dos principais jogadores juvenis brasileiros sinalizam que devem priorizar as competições profissionais já no segundo semestre deste ano. Os atletas nacionais que estão na última ou penúltima temporada das competições de base também pretendem já iniciar rapidamente o longo caminho dos futures, sem passar por uma transição no tênis universitário norte-americano que já atraiu nomes como Gabriel Décamps, Lucas Koelle e Luisa Stefani nos últimos anos.

“Por enquanto o meu foco é entrar no profissional, a começar pelos futures e seguir evoluindo. A transição é bem difícil, principalmente para nós brasileiros. A gente já teve muito juvenil top, mas a transição é um ponto mais difícil. Então acho essa etapa a mais importante a partir de agora”, disse o paulista de 17 anos Mateus Alves, treinado pelo ex-top 100 Thiago Alves.

“A gente já está conversando sobre calendário e sobre misturar os torneios juvenis com profissionais. Este ano a gente já vai montar uma programação de jogar mais futures a partir de agora e mesclar com os ITFs. Fiquei sabendo dessa mudança que vai ter para o ano que vem e a gente ainda não sabe como vai ser essa mudança, o que ela vai afetar e o que vai trazer de bom, mas espero que tudo isso seja bem feito e ajude a gente do juvenil a ir para o profissional”, complementou o jovem paulista, que ainda poderá jogar torneios juvenis em 2019.

“Meu sonho sempre foi jogar como profissional mesmo. Eu nunca fui muito atraído pela ideia de jogar pela faculdade no College, então eu vou seguir no ano que vem nos futures e challengers em busca do sonho que eu sempre tive”, comentou o brasiliense Gilbert Klier Junior, que completa 18 anos em maio e treina na Tennis Route do Rio de Janeiro.

Para o pernambucano de 17 anos João Lucas Reis e o paulista Matheus Pucinelli, um ano mais novo, que treinam juntos em Barueri, a mudança na regra pode facilitar a entrada dos jovens nos torneios profissionais já que o ranking juvenil servirá como base para incluir nomes nas chaves principais. “É bem nova essa regra e acho que ela vai ajudar um pouco os juvenis em transição, mas a gente ainda não conversou muito [com os técnicos] sobre isso. Acho que mais para o final do ano a gente vai acabar sabendo mais e jogar alguns futures também”, disse Reis, que reitera o desejo de seguir a carreira como tenista profissional. “O desejo é seguir no profissional e jogar nos torneios futures”.

João Lucas Reis vem de dois bons resultados no Banana Bowl e em Porto Alegre (Foto: Matheus Joffre/CBT)

João Lucas Reis vem de dois bons resultados no Banana Bowl e em Porto Alegre (Foto: Matheus Joffre/CBT)

Pucinelli, que ainda terá mais um ano de juvenil pela frente, deve ter um calendário parecido com o de seus parceiros de treino. Além dele e de Reis, o também paulista Igor Gimenez treina junto com eles no Instituto Tênis e todos têm ranking juvenil próximo. “Para esse ano, o calendário deve ser mais parecido. Não deve mudar tanto, mas para o ano que vem vou mesclar bastante os torneios profissionais com os juvenis com o ranking juvenil ajudando para entrar”.

Até mesmo para o catarinense Pedro Boscardin Dias, jogador que completou 15 anos em janeiro e ainda luta pelo primeiro ponto na ITF, a intenção de seguir para os torneios profissionais é prioridade. “Para mim a ideia é seguir direto para o profissional sem passar pela transição nos Estados Unidos”.

Nas entrevistas feitas durante a disputa da Copa Paineiras, torneio exclusivamente sul-americano e de nível GB1 para o circuito de 18 anos da ITF, os jovens jogadores brasileiros falaram sobre o quanto esse torneio é decisivo para a definição do calendário. Nos últimos dois anos, Felipe Meligeni Alves e Thiago Wild venceram a competição continental e, com os 180 pontos conquistados, deram um salto no ranking juvenil e puderam já antecipar as vagas nas chaves principais de Roland Garros e Wimbledon.

“Este é um G1 com bônus e dá bastante ponto e te aproxima do corte do ranking para alguns torneios. É claro que um torneio desse vai modificar bastante o meu calendário, independente se eu for bem ou se eu for mal, porque ele define para quais torneios eu vou viajar. Então se eu for bem, é um calendário, e se eu for mal é outro. Então com certeza alguns pensam nisso aqui”, avaliou Klier, que só pôde começar a temporada há duas semanas, no Banana Bowl, por conta de uma lesão no joelho.

“Seria muito importante ir bem nesse torneio para já estar com os pontos na média para conseguir jogar os Grand Slam e começar a jogar os futures. Mas independente disso, acho que este ano eu já vou fazer um bom calendário de futures no segundo semestre”, explicou o tenista brasiliense que está no último ano como juvenil.

O brasiliense Gilbert Klier Júnior teve que iniciar sua temporada mais tarde por conta de lesão (Foto: Matheus Joffre/CBT)

O brasiliense Gilbert Klier Júnior teve que iniciar sua temporada mais tarde por conta de lesão (Foto: Matheus Joffre/CBT)

“No meu caso, os torneios que eu joguei antes já me ajudaram nesse aspecto. Com os torneios que eu fiz antes acho que eu já garanti a entrada em Roland Garros e Wimbledon, mas esse GB1 só com jogadores aqui da América do Sul acaba sendo um torneio bom para pontuar, mas também é duro e requer bastante esforço”, explicou Reis, que está no 32º lugar no ranking mundial juvenil da ITF.

“Acho que o torneio é importante nessa parte da pontuação e por ser o último torneio da gira. Porque diferencia jogar o quali ou chave dos Grand Slam”, avaliou Pucinelli. “A Gerdau (Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre) e o GB1 são muito importantes no calendário para a gente que é daqui do Brasil. Aqui só tem os sul-americanos e fica melhor ainda para jogar e pontuar. Sim, a gente pensa bastante nisso, mas o mais importante é entrar na quadra e fazer o trabalho bem feito”, complementou Alves.

Reis comemorou o nível técnico apresentado no início de temporada. O pernambucano disputou a chave juvenil do Australian Open e equilibrou as ações contra o segundo favorito sérvio Marko Miladinovic. Depois, engatou três bons resultados seguidos em ITFs no saibro sul-americano, com semifinal em Assunção e quartas tanto no Banana Bowl quanto no Juvenil de Porto Alegre.

“Na Austrália eu fiz um jogo bem duro com o cabeça 2, foi um bom torneio e depois desses torneios eu consegui uma boa constância nos jogos. Acho que venho jogando meu melhor tênis nesses torneios e espero continuar assim”, explicou o jogador de 17 anos que está de volta ao Paineiras, clube onde foi semifinalista de um future no ano passado. “Gosto bastante de jogar aqui, as quadras são boas. É bom que esse GB1 seja aqui no Brasil este ano. Estou bem confiante para essa semana aqui no Paineiras de novo”.

Alves não foi à Austrália e começou o ano jogando no piso duro da Costa Rica, onde foi vice-campeão. Depois, o paulista voltou ao saibro e chegou às quartas tanto no Equador quanto no Juvenil de Porto Alegre. Os resultados renderam boa evolução no ranking para o atual 34º lugar. “Acho que foi uma gira bem produtiva. Fiz ótimos torneios no começo do ano, na Costa Rica, Colômbia e Equador. Consegui uma semifinal, final e quartas. Na Costa Rica era piso duro e tinha bastante diferença de clima e condições de jogo. Consegui me adaptar bem em todos esses e isso deu uma alavancada no ranking e agora na Copa Gerdau, fiz jogos bem duros, ganhei de um cara que era 13 do mundo [o americano Drew Baird] e acabei perdendo nas quartas para o japonês [Naoki Tajima], que eu tive match point, mas mesmo assim serviu bastante de aprendizado”.

Mateus Alves treina com o ex-top 100 Thiago Alves e tenta usar de sua altura para ter um bom saque e um tênis agressivo (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Mateus Alves treina com o ex-top 100 Thiago Alves e tenta usar de sua altura para ter um bom saque e um tênis agressivo (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

O jogador de 1,93m está ciente de que seu estilo de jogo pode trazer uma vantagem no futuro, já que muitos dos principais jovens destaques do circuito apostam em bons saques e estilo agressivo. Ele inclusive cita o chileno Nicolas Jarry, jogador de 22 anos e que foi semifinalista do Rio Open e vice do Brasil Open, como um de seus modelos. “Sempre fui maior que o pessoal da minha idade e isso sempre me trouxe bastante vantagem, principalmente no saque que é um ponto mais forte meu. O saque e a direita. Agora o Nicolas Jarry foi bem nos ATPs. Ele é alto como eu, tem um jogo bem agressivo e é um cara muito bom para eu me espelhar. É um cara novo, que está despontando agora e a maneira de jogo dele, indo para a frente é uma maneira que eu tenho que jogar também”.

O pupilo de Thiago Alves também comentou sobre a experiência de treinar com um jogador que terminou recentemente a carreira no circuito. “Ele é um cara que mostra bem os caminhos. Já foi bom juvenil e vivenciou toda essa careira de profissional, então ele já passou por tudo o que eu estou passando agora e sabe me orientar bastante sobre onde vou jogar e como vou jogar. Então ele tá me passando bastante experiência”.

Para Klier, apesar da lesão e da pré-temporada reduzida, o balanço dos três primeiros torneios do ano foi positivo. “Meu primeiro torneio foi o Banana, mas foi uma gira muito boa para mim. Eu ia para a Austrália, mas machuquei o joelho e não pude ir. Não tive muito bem uma pré-temporada, porque eu fiquei um mês e meio sem sair da cama, machucado, mas dentro do possível foi um bom começo de ano. Fiz duas ou três semanas intensas e fui para o Banana. Joguei super bem, ganhei de bons jogadores, mas acabei não avançando mais por causa de problemas físicos. Eu estava com muita câimbra e abandonei nas oitavas. Na Gerdau também fiz um torneio muito bom e perdi para o japonês Tajima que vinha jogando muito bem. Faltou pouco, mas agora estou bem melhor”.

Campeã juvenil do Australian Open tem apenas 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 30, 2017 às 9:40 pm
O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O término da chave juvenil do Australian Open coroou uma de suas campeãs mais precoces. A ucraniana Marta Kostyuk conquistou o título aos 14 anos e sete meses depois da vitória por 7/5, 1/6 e 6/4 sobre a cabeça 1 suíça de 17 anos Rebeka Masarova no último sábado.

Por muito pouco, a jogadora é nascida em 28 de junho de 2002 não se tornou a mais jovem campeã da história do torneio. O feito cabe à russa Anastasia Pavyluchenkova, que tinha 14 anos, seis meses e 27 dias quando foi campeã juvenil em Melbourne em 2006. A russa, aliás, é uma das raras bicampeãs de um Grand Slam juvenil já que voltaria a vencer o torneio no ano seguinte.

Kostyuk teve um desempenho impressionante em competições de base. Em 2015, ela venceu a categoria 14 anos do Eddie Herr e do Orange Bowl. Já no ano passado, ela fez parte da equipe ucraniana campeã do World Junior Tennis (mundial de 14 anos por equipes na cidade tcheca de Prostejov) e já chegou às quartas da categoria principal do Eddie Herr e Orange Bowl, o que a levaram para a Austrália já em boa situação no ranking.

Fora de quadra, a jovem ucraniana tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic, ex-número 3 do mundo e que atua na equipe técnica de Roger Federer, outro campeão do fim de semana em Melbourne.”Eu finalmente conheci o Roger hoje” disse, sorrindo na entrevista coletiva. “Ele me cumprimentou. E tirei uma foto com ele, então fiquei muito animada”, acrescentou a jogadora que é treinada pela mãe e divide sua base entre Kiev e a cidade francesa de Cannes.

Histórico – A Ucrânia agora tem quatro títulos juvenis de Grand Slam em simples. O primeiro foi de Andrei Medvedev, no ano de 1991 em Roland Garros. Depois, triunfaram Kateryna Bondarenko em Wimbledon-2004 e Elina Svitolina em Roland Garros-2010.

O título masculino do Australian Open juvenil ficou com o húngaro  Zsombor Piros, que venceu a final contra o israelense Yshai Oliel por 4/6, 6/4 e 6/3. Piros repete o feito de Aniko Kapros, campeão em Melbourne no ano 2000. Outros três húngaros foram campeões juvenis de Grand Slam: Agnes Szavay em Roland Garros-2005, Marton Fucsovics em Wimbledon-2010 e Dalma Galfi no US Open de 2015.

Entrevistas – A quem interessar, o Australian Open disponibiliza as transcrições completas das entrevistas coletivas de Kostyuk e Piros após as finais do último sábado.

Les Petits As – Há pouco mais de um ano, Kostyuk estava na cidade francesa de Tarbes e foi campeã do tradicional torneio Les Petis As, que é considerado um mundial da categoria 14 anos. Promovido pela fornecedora de material esportivo Lacoste, o evento teve sua 35ª edição também na última semana de janeiro. Este ano, os títulos ficaram com a russa Maria Timofeeva e o italiano Luca Nardi.

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O italiano Luca Nardi e a russa Maria Timofeeva venceram um importante torneio de 14 anos na França

O Brasil teve o catarinense Pedro Boscardin Dias na chave masculina. Ele venceu o francês Sean Cenin por 6/2 e 7/5 na estreia e depois perdeu para o cabeça 5 norte-americano Toby Kodat na segunda rodada por 6/3 e 6/1.

Nos últimos anos, o Les Petits As antecipou algumas jogadoras que viriam ganhar um Grand Slam juvenil, já que além da própria Kostyuk, vale citar a russa Anastasia Potapova (vencedora do torneio em 2015 e campeã júnior de Wimbledon ano passado) e jogadoras que entrariam no top 100, casos de Jelena Ostapenko e Catherine Bellis (que triunfaram na França em 2011 e 2013, respectivamente).

O quadro de campeões do torneio francês tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Martina Hingis, Kim Clijsters e Timea Bacsinszky. A lista de grandes nomes que passaram pelo evento também inclui Roger Federer, Juan Martin del Potro, Novak Djokovic, Andy Murray, Agnieszka Radwanska, Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Justine Henin.

As corridas – Ao término do primeiro mês de competições no circuito da ATP, o russo de 20 anos Daniil Medvedev lidera a corrida para a edição inaugural do Next Gen ATP Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro na cidade italiana de Milão. Atual 63º do mundo, Medvedev recebeu 150 pontos quando foi finalista do ATP de Chennai e outros 10 por ter entrado diretamente na chave do Australian Open, onde perdeu na estreia.

2017-01-30

O segundo colocado nesta lista é o sul-coreano Hyeon Chung que havia vencido um jogo em Chennai (onde veio do quali) e outro no Australian Open. Já na última semana, ele foi campeão do challenger de Maui, no Havaí. Com apenas 20 anos, o atual 73º do mundo já acumula oito títulos de challenger.

Os nomes de Andrey Rublev, Alexander Zverev, Ernesto Escobedo, Noah Rubin, Alex De Minaur e Frances Tiafoe completam o top 8 após quatro semanas de competições. O evento terá os sete melhores jogadores de até 21 anos e um convidado. Confira o ranking completo neste link.

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Já a corrida para o ITF Junior Masters ainda é fortemente influenciada pelos resultados do fim do ano passado. Exemplo disso é a liderança do sérvio Miomir Kecmanovic, destaque nos torneios americanos de novembro e dezembro. Ainda assim, Piros já é o terceiro colocado e Kostyuk assumiu a ponta da lista feminina. A terceira edição do torneio com os oito melhores juvenis do mundo acontecerá em outubro, na cidade chinesa de Chengdu.