Tag Archives: Naomi Osaka

Zverev quebra escrita de oito anos, Pouille já pensa em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 26, 2016 às 10:17 pm

O fim de semana da ATP foi muito positivo para dois integrantes da nova geração que comemoraram seus primeiros títulos, derrotando adversários do top 10 nas finais. Alexander Zverev foi campeão na cidade russa de São Petersburgo ao marcar 6/2, 3/6 e 7/5 diante de Stan Wawrinka na decisão. Já Lucas Pouille passou por Dominic Thiem, com 7/6 (7-5) e 6/2 na final do ATP de Metz.

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Aos 19 anos, Zverev é o primeiro teenager/”adolescente” a vencer um ATP desde agosto de 2008, quando Marin Cilic foi campeão de New Haven aos 19 anos. Naquela mesma temporada, Kei Nishikori foi campeão de Delray Beach em fevereiro, com apenas 18 anos.

“Ganhar um título é um sonho que se tornou realidade agora e ser o primeiro desde 2008 a vence com tão pouca idade é ótimo, estou muito orgulhoso de mim mesmo”, disse Zverev em entrevista à ATP.

“Vencer Tomas Berdych na semifinal e Stan Wawrinka, que é o campeão do US Open, na final é algo de que eu me orgulho ainda mais”, acrescentou o alemão que saltou do 27º para o 24º lugar no ranking. Antes da última semana, ele tinha apenas uma vitória contra top 10 na carreira, obtida diante de seu ídolo Roger Federer na grama de Halle.

CtYEWQzXEAECXiR
Zverev tenta ser o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar uma temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006. Considerando apenas os resultados da atual temporada, o jovem alemão já é o 19º tenista que mais pontuou em 2016.

 

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Já o francês Pouille alcançou o 16º no ranking mundial com o título em seu país. Algoz de Rafael Nadal no US Open, o jovem de 22 anos chegou à quinta vitória contra top 10 na temporada e na carreira e já saltou mais de sessenta posições em relação ao ranking que ocupava na primeira semana de 2016.

“Estou muito feliz. É uma honra ganhar meu primeiro título de ATP na França, junto da família e amigos. É ainda mais especial vencer quando eles estão aqui e poder compartilhar a felicidade com todos eles”.

Pouille passou pelos cabeças de chave 1 e 2 nas rodadas finais, David Goffin e Dominic Thiem. “Eu tive vitórias no passado contra esses dois jogadores e estava me sentindo bem física e mentalmente, então eu sabia que se desse 100%, teria chance de ganhar”.

Depois de chegar às quartas de final em dois Grand Slam, Pouille espera manter sua posição estratégica no ranking ou até mesmo melhorar já projetando a próxima temporada. “Eu adoraria terminar o ano no Top 16, para que eu possa ter uma boa posição entre os cabeças de chave no Aberto da Austrália”.

Osaka é top 50 – A japonesa de 18 anos Naomi Osaka não conseguiu título na semana, mas teve uma expressiva campanha até a final do WTA Premier de Tóquio. Ela passou pela 12ª do ranking Dominika Cibulkova nas oitavas e por Elina Svitolina, 20 do mundo, na semi antes de parar na ex-número 1 e então 28ª colocada Caroline Wozniacki, que a venceu por 7/5 e 6/3.

Osaka não sacou tão bem quanto pode na final e sofreu com algumas devoluções de segundo saque com backhand na paralela de Wozniacki. Os 32 erros não-forçados, muitas vezes na tentativa de antecipar a definição dos pontos, contra só 16 da dinamarquesa também minaram seu plano tático no jogo decisivo.

Tímida durante sua primeira premiação de torneio, Osaka tem dado poucas entrevistas, mesmo na boa campanha que fez em seu país, mas já assinou contrato com a IMG para gerenciar sua carreira. A japonesa de 1,80m tem pai haitiano e treina na Flórida. Com os 305 pontos somados em Tóquio, ela já tem o melhor ranking da carreira ao alcançar o 47º lugar. Além disso, ela passa a ser a atleta mais jovem do top 50.

Osaka tem sido mais aberta nas coletivas de imprensa, onde consegue se expressar melhor sobre as partidas. Exemplo disso está na transcrição do que ela disse após a dura derrota para Madison Keys no US Open. É uma personagem interessante para os próximos anos do circuito, tenista legal de torcer e um mito do Twitter.

https://twitter.com/NaomiOsakaWTA/status/776933066489102336

Monteiro tem melhor ranking – Finalista no challenger de Santos, Thiago Monteiro poderia ter saído do litoral paulista com seu segundo título neste porte e o posto de número 1 do Brasil, mas o argentino Renzo Olivo foi campeão com parciais de 6/4 e 7/6 (7-5). A conquista não veio, mas o canhoto de 22 anos bateu o recorde pessoal no ranking ao ocupar o 87º lugar

20160922jp2_942223_m

Monteiro tem seu recorde pessoal no ranking ao alcançar o 87º lugar (Foto: João Pires)

Monteiro é o décimo jogador mais jovem no top 100 e vê apenas sete jogadores mais novos do que ele melhor colocados. Com apenas 52 pontos a defender até o fim do ano, dos quais apenas 32 contam para seu ranking atual, ele deverá fechar a temporada entre os cem melhores e disputar seu primeiro Grand Slam na Austrália, em 2017.

2016-09-26

Na semana que vem, Monteiro joga o challenger de campinas. O cearense será um dos favoritos do torneio, ao lado do dominicano Victor Estrella Burgos, do paulista Rogério Dutra Silva e dos argentinos Carlos Berlocq e Leonardo Mayer.

Menezes de volta, Orlando e Zormann na chave – Fim de semana positivo também para outros nomes da nova geração brasileira. Orlando Luz e Marcelo Zormann furaram o quali do challenger de Medellín e cada um já soma cinco pontos no ranking.

Zormann, aliás, já até conseguiu uma vitória na chave principal sobre o argentino Andrea Collarini por 6/3, 2/6 e 6/4 para chegar à sua quarta em nível challenger na carreira.

Outra novidade do torneio colombiano foi a volta de João Menezes às competições. O mineiro de 19 anos passou dez meses sem jogar e precisou de três cirurgias no joelho esquerdo. Ele chegou a avançar uma rodada no quali, antes de cair para Orlando Luz.

Chung defende título – Também na última semana, o sul-coreano Hyeon Chung defendeu o título do challenger de Kaohsiung, em Taiwan, ao derrotar o compatriota Duckhee Lee por 6/4 e 6/2. Depois de ficar quatro meses parado por lesão abdominal, o ex-número 51 do mundo aparece apenas no 132º lugar.

Foi apenas o segundo torneio desde a volta às quadras, sendo que na semana anterior ele foi finalista na cidade chinesa de Nanchang. Chung já tem seis títulos de challenger e venceu ao menos um título por ano nas últimas três temporadas.

 

Kyrgios encontra a regularidade
Por Mario Sérgio Cruz
abril 4, 2016 às 6:55 pm

Esta segunda-feira representa um marco na carreira de um dos principais nomes da nova geração do tênis masculino. Aos 20 anos, Nick Kyrgios entra pela primeira vez no grupo dos 20 melhores do mundo, sendo o mais jovem desta faixa de ranking. A chegada ao melhor momento da carreira vem logo depois de sua melhor campanha em Masters 1000, uma semifinal em Miami

Miami+Open+Day+11+kwiiH8CAJJzl

Kyrgios consegue ser mais regular, manter sequências de bons resultados em torneios diferentes, além de “apagar” mais rápido as chances perdidas em seus jogos. E mesmo quando velho e problemático Kyrgios deu às caras, e aconteceu na vitória contra o russo Andrey Kuznetsov, o descontrole foi breve e não o tirou do jogo. Tudo isso vem à tona quando o ranking atualiza.

Em Miami, Kyrgios foi beneficiado por eliminações precoces de Rafael Nadal, Stan Wawrinka e John Isner. Quando a chave ficou aberta à sua frente, o australiano aproveitou a oportunidade da melhor maneira possível, ao vencer três partidas em que era favorito em sets diretos. Contra Milos Raonic, nas quartas, quebrou logo na abertura da partida e atacou um segundo saque no tiebreak do segundo set. Acabou sendo o suficiente, porque soube fechar a porta.

Voltando a fevereiro, quando conquistou seu primeiro ATP em Marselha, Kyrgios mostrou solidez nas rodadas finais contra outros favoritos. Nas rodadas finais, ele encarou dois top 10, Richard Gasquet e Tomas Berdych, além do campeão de Grand Slam Marin Cilic no jogo decisivo. Em três dias, o australiano sequer teve o serviço quebrado, venceu as partidas em sets diretos e ainda acumulou 49 aces. A série de vitórias também foi a primeira de um jogador com 20 ou menos anos sobre dois top 10 desde 2009, quando Juan Martin Del Potro bateu Rafael Nadal e Roger Federer no US Open.

Só nos três primeiros meses de 2016, o australiano já acumula 14 vitórias em ATP e apenas quatro derrotas. O único torneio em que perdeu na estreia foi em Indian Wells, quando estava voltando de lesão nas costas e um problema de sáude que o tirou da Copa Davis. Ele já tem quatro vitórias a mais que no ano de 2014 (quando entrou no top 100) e apenas dez a menos que em toda a temporada passada. Para efeito de comparação, ele só chegou a 14 triunfos em 2015 durante Roland Garros.

A perspectiva para os próximos meses é bastante animadora, embora o saibro não seja seu melhor piso. Kyrgios está a 1075 pontos do top 10, não tem resultados a defender em abril e tem só 270 a serem descontados em maio, mês que tem mais de 2 mil em disputa. Outra vantagem vai ser entrar como cabeça de chave nos principais torneios e fugir de encontros com favoritos em rodadas iniciais, o que não acontecia no ano passado.

Além de ser o 20º melhor do mundo, o australiano é o 12º melhor da temporada a apenas 10 pontos do 11º Tomas Berdych e 150 pontos distante do oitavo melhor da temporada. Dá para sonhar…

Naomi+Osaka+Miami+Open+Day+5+YPjqrP1JYmSl

Promessa japonesa no top 100 feminino – No ranking feminino, destaque para a entrada de Naomi Osaka no top 100. A japonesa de 18 anos foge aos padrões de outras jogadoras de seu país, tradicionalmente mais baixas e mais magras. Osaka tem 1,80m e se destaca pelo físico. Ela saltou do 104º para o 95º lugar depois de ter chegado à terceira rodada em Miami, aproveitando o convite dos organizadores.

Osaka tem o saque como principal golpe e chegou a derrotar Sara Errani na Flórida. Ela já está no radar de quem acompanha a nova geração desde julho de 2014, quando tinha apenas 16 anos e derrotou Samantha Stosur em Stanford. Na ocasião, a japonesa já atingia velocidades próximas a 190 km/h com seu primeiro serviço.

Outro destaque fica para a russa de 18 anos Daria Kasatkina, que bateu o melhor ranking da carreira ao alcançar o 35º lugar. Em Miami, ela equilibrou as ações com Simona Halep e seu backhand com salto, inspirado em Marat Safin, ainda vai tirar muitas favoritas do sério.