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João Lucas Reis inicia ano na Austrália e mira o 1º título
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 2, 2018 às 3:20 pm

Prestes a iniciar seu último ano no circuito mundial juvenil, o pernambucano João Lucas Reis tem objetivos claros para a temporada de 2018. O jogador de 17 anos, e que completa 18 em março, quer disputar todos os Grand Slam da categoria júnior e fazer uma boa transição para a carreira profissional visando também o primeiro título para o ano que acaba de começar.

João Lucas Reis está em seu último ano no circuito juvenil (Foto: João Pires/Fotojump)

João Lucas Reis marcou primeiro ponto na ATP em novembro e quer um título em 2018 (Foto: João Pires/Fotojump)

Natural de Recife, Reis se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. O pernambucano terminou a temporada de 2017 no 60º lugar do ranking mundial juvenil da ITF, chegando a ocupar a 51ª posição em outubro. Com a atualização desta terça-feira e que retira os jogadores nascidos em 1999, ele já saltou para o 30º lugar.

Já no circuito profissional, Reis marcou seu primeiro ponto na ATP em um future disputado na cidade de Santos em novembro. Na semana seguinte, fez uma ótima campanha na capital paulista, onde foi semifinalista. Com isso, o jovem de 17 anos está no 1.091º lugar com sete pontos conquistados.

A temporada de 2018 começa na Austrália. Reis viaja no dia 8 de janeiro para disputar um torneio ITF G1 em Tralagon, que começa no dia 14. Já a partir de 21 de janeiro, o pernambucano será um dos quatro brasileiros na chave juvenil do Australian Open, juntando-se aos paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli (seus parceiros de equipe em Barueri) e ao paranaense Thiago Wild, que treina na Tennis Route no Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Como foi seu início no tênis e como surgiu a chance para vir treinar no IT?

Eu comecei a jogar tênis com quatro anos de idade, por maior influência do meu irmão, Antônio Gabriel. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele. Comecei a jogar já com quatro anos e comecei a treinar aos sete, já três vezes por semana. Aos dez, fui disputar alguns torneios brasileiros e aí fui indo. Sobre a vinda para o IT, eu treinava na Afini, fiquei cinco meses lá e pedi para fazer um teste aqui, porque tinha uma ótima equipe, com estrutura muito grande, e eles me aceitaram.

E como foi sua vinda para São Paulo e a experiência de morar sozinho e ficar longe da família desde muito jovem?

No começo foi difícil. Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade, ficar longe da família e dos amigos era bem difícil, mas a cada eu ano eu venho me adaptando melhor e já estou bem adaptado a isso, já carrego uma bagagem grande e agora está bem melhor.

Recentemente, nos dois futures, você não apenas marcou seus primeiros pontos na ATP como também fez uma boa campanha e chegou na semifinal. O quanto isso te motiva durante essa fase de transição?

Eu fiquei bem feliz em ter conseguido meu primeiro ponto na ATP na minha primeira chave. Foi uma motivação a mais para aquelas duas semanas. Cheguei na outra semana me sentindo que eu poderia jogar de igual para igual e isso me fez crescer nos momentos importantes e foi muito boa a gira aqui no Brasil. Isso me motiva cada vez mais a jogar mais futures também, mesclar com os juvenis e ter mais semanas como a de São Paulo.

Também em São Paulo, você teve a sensação de jogar com a torcida a favor. Foi uma situação inédita? Como você se sentiu em quadra?

Eu me senti muito bem. Já joguei com torcida a favor algumas vezes, principalmente em Recife. Quando a gente vai jogar alguns torneios lá, bastante gente torce por mim e me ajudou muito principalmente nas horas decisivas. Teve dois jogos que eu ganhei por 7/6 no terceiro que a torcida acabou me ajudando e deu uma força a mais.

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open (Foto: João Pires/Fotojump)

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?

Tive duas semanas de férias para descansar um pouco. Consegui descansar bem. Tive quatro semanas de treinamento e tenho mais três. Superou um pouco das expectativas do que eu achava que iria voltar, porque eu achava que voltaria um pouco pior. Treinei muito bem e estou bem confiante para essa gira na Austrália. Espero fazer bons resultados lá.

Você já jogou com o [Denis] Shapovalov em um de seus primeiros torneios. Como foi essa experiência?

Foi uma experiência ótima. Eu joguei contra o Shapovalov no início de 2016, no quali de um future nos Estados Unidos e ele já se destacava. Estava como 20 do mundo entre os juvenis e entrando no profissional. Foi um jogo bem duro, 7/6 e 6/2, se não me engano. Tive várias chances de quebrar no primeiro set, mas ninguém acabou quebrando. Quando foi para o tiebreak ele conseguiu subir o nível. Foi bem legal sentir que estava jogando de igual para igual contra um cara desse nível. Foi uma ótima experiência.

Quais são seus objetivos para a próxima temporada?

Tenho o objetivo de jogar os quatro Grand Slam e vou mesclar com os torneios futures. Tô com o objetivo também de ganhar um torneio future, que é uma boa meta para esse início de ano de 2018.

Banana Bowl e Porto Alegre deixam gratas surpresas e um alerta
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 20, 2017 às 6:40 pm

Se as duas últimas semanas de fevereiro são dedicadas aos dois ATP em solo brasileiro, Rio Open e Brasil Open, a primeira quinzena ficou a partir de 2017 com os dois principais torneios juvenis realizados no país, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre.

Tal como ocorreu na temporada passada, os brasileiros não conseguiram títulos nos 18 anos, mas tiveram bom desempenho nos torneios de 14 e 16 anos. Nas categorias principais, destaques para a grande semana do paranaense Thiago Wild em Criciúma e duas gratas surpresas com o paulista Mateus Pucinelli e o brasiliense Gilbert Klier na capital gaúcha.

Pucinelli foi o brasileiro que mais se destacou nessas duas semanas. O paulista de apenas 15 anos foi campeão da categoria 16 anos do Banana Bowl, que foi disputado na cidade gaúcha de Caxias do Sul, e seguiu para a capital gaúcha onde pôde disputar a categoria mais alta do Campeonato Internacional (antiga Copa Gerdau), que por ser um torneio de nível GA (a que oferece maior pontuação) aceita um número maior de inscrições para a chave em relação ao Banana que é G1.

Matheus Pucinelli venceu o Banana Bowl de 16 anos e chegou às quartas na categoria principal em Porto Alegre (Foto: Gabriel Heusi)

Matheus Pucinelli venceu o Banana Bowl de 16 anos e chegou às quartas na categoria principal em Porto Alegre (Foto: Gabriel Heusi)

Mesmo com a diferença de altitude, Caxias tem 817m e Porto Alegre apenas 10m, que faziam o jogo ficar bem mais lento e o pouco tempo de adaptação, ele conseguiu chegar às quartas na capital gaúcha contra adversários até três anos mais velhos. Gilbert Klier, que havia vencido o Banana Bowl de 16 anos na temporada passada e só completará seu 17º aniversário em maio, também conseguiu chegar às quartas de final.

Na semana anterior, foi Wild quem teve um grande resultado. O paranaense que completa 17 anos em março venceu cinco jogos na categoria 18 anos do Banana Bowl que teve sua 47ª edição realizada nas quadras de saibro da Sociedade Recreativa Mampituba, em Criciúma. Wild ficou a uma vitória de se tornar o sétimo brasileiro a vencer a chave masculina do Banana e dar o oitavo título ao país, mas foi superado na final por Marko Miladinovic, primeiro sérvio a ser campeão na história do tradicional torneio que voltou ao estado de Santa Catarina depois de três anos no interior paulista (um em São José do Rio Preto e dois em São José dos Campos).

Thiago Wild foi vice-campeão no Banana Bowl de 18 anos (Foto: Mauricio Vieira)

Thiago Wild foi vice-campeão no Banana Bowl de 18 anos (Foto: Mauricio Vieira)

“Foi uma grande semana, tive ótimos jogos, jogos até que eu estive bem abaixo e consegui voltar, jogar bem”, disse Wild a respeito de sua boa campanha no saibro catarinense. “Foi o meu primeiro torneio do ano e é sempre bom voltar fazendo uma final, sempre ajuda na confiança e sem contar o ranking. Não tenho muitos pontos para defender no primeiro semestre”, lembrou o paranaense que não teve a mesma sorte em Porto Alegre e foi superado na estreia. Ainda assim, ele termina essas duas semanas com salto do 93º para o 56º lugar no ranking, Pucinelli ganhou 49 posições e é o 119º, enquanto Klier ultrapassou 52 concorrentes e ocupa o 122º lugar.

Sinal de Alerta: Mesmo com os três bons resultados já citados, a participação brasileira poderia ter sido melhor. Em duas semanas, os jogadoras da casa acumularam 23 vitórias, sendo dez no Banana Bowl e treze em Porto Alegre. O tênis masculino conseguiu vinte vitórias, totalizando 86% do total, enquanto as meninas conseguiram apenas três. Vem do feminino, entretanto, a única brasileira a vencer nos dois torneios, Thaísa Pedretti.

2017-02-20 (1)

Dos treze brasileiros que jogaram a chave principal masculina dos 18 anos em Criciúma, nove foram eliminados na primeira rodada, três passaram passaram pela estreia e Gabriel Décamps entrou já na segunda fase do torneio por ser o cabeça de chave número 4. Somente Wild e Décamps passaram pela segunda fase para atingir as oitavas de final. O vice-campeão garantiu cinco das nove vitórias brasileiras no torneio masculino.

O qualificatório teve 38 brasileiros, com apenas o paulista Gabriel Bugiga e o carioca Christian Oliveira, que é morador da comunidade Gardênia Azul no Rio de Janeiro, conseguindo passar pelas três rodadas da fase de classificação.

Já em Porto Alegre, foram 50 meninos brasileiros jogando o qualificatório. Novamente, Christian Oliveira conseguiu passar pela fase de classificação e teve a companhia do catarinense Mateo Barreiros Reyes e do mineiro João Ferreira.

A chave principal do Campeonato Internacional contou com dezoito brasileiros, dos quais apenas seis passaram da estreia. Além dos já citados Klier Júnior e Pucinelli, o pernambucano João Lucas Reis -vice no Banana de 16 anos em 2016- foi às oitavas de final na capital gaúcha, enquanto Bruno Pessoa, Gabriel Ciro e João Pedro Guedes avançaram uma rodada no torneio. Ao todo, os brasileiros acumularam onze vitórias, sendo que três delas vieram em partidas entre dois atletas do país.

Feminino: O Banana Bowl teve dez brasileiras na chave principal, das quais nove pararam na primeira rodada. A paulista Thaísa Pedretti teve Bye por ser cabeça de chave número 4 e superou sua estreia já na segunda rodada, mas se despediu nas oitavas de final. O quali teve 22 meninas, mas nenhuma delas chegou à terceira e última rodada. As onze vitórias brasileiras no qualificatório em Criciúma foram em partidas entre tenistas da casa.

Em Porto Alegre, foram doze brasileiras na chave principal. Pedretti teve apenas a companhia Ana Luiza Cruz entre as atletas da casa que estrearam com vitória. O quali teve 28 jogadoras brasileiras, das quais seis venceram compatriotas na primeira fase, além de uma classificação por w.o. As sete brasileiras que ficaram na fase final do quali e caíram diante de estrangeiras na rodada seguinte.