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Como a medalha pode mudar formação de nossas tenistas
Por Mario Sérgio Cruz
julho 31, 2021 às 4:08 pm
Luísa Stefani e Laura Pigossi deram a primeira medalha olímpica da história do tênis brasileiro. (Foto Kopatsch/Sato/Sidorjak)

Luísa Stefani e Laura Pigossi deram a primeira medalha olímpica da história do tênis brasileiro. (Foto Kopatsch/Sato/Sidorjak)

A primeira medalha olímpica na história do tênis brasileiro pode dar início a uma mudança na maneira como o esporte é praticado no país, especialmente para as nossas meninas e mulheres. Muito além do discurso da maior exposição e o consequente aumento de pessoas interessadas na modalidade, o bronze Luísa Stefani e Laura Pigossi em Tóquio deixa uma lição a respeito da formação de nossas jogadoras. É possível ter um ganho técnico significativo ao ver como essas meninas jogam no alto nível.

O que se viu em Tóquio são jogadoras que buscam um tênis mais moderno e condizente com o que é jogado na elite do circuito. Mas quando visitamos um torneio juvenil ou profissional, costumeiramente vemos as brasileiras e demais sul-americanas muito atrás da linha de base, usando bolas mais altas e tendo que se defender muito a cada ponto. É um modelo adotado devido ao grandes número de quadras de saibro no país. Mas que não faz mais sentido para quem pensa no alto nível. Em primeiro lugar, porque o circuito é cada vez mais focado nas quadras duras, e segundo porque mesmo as campeãs de grandes torneios no saibro já não jogam mais assim há muito tempo.

Entre as explicações para isso está a falta de técnicos conectados com a elite do tênis feminino profissional. Temos a ótima Roberta Burzagli, capitã da equipe brasileira na Copa Billie Jean King e que chegou a viajar o circuito e acompanhar juvenis estrangeiras nos torneios do Grand Slam. Mas ela não pode ser a única. A formação de tenistas no Brasil ainda é muito focada no circuito masculino. Isso vai desde a designação dos técnicos nos centros de treinamento, passa pelo número de torneios promovidos no país (cenário que tem mudado nos últimos anos) e chega até a destinação de repasses de projetos olímpicos. Se as oportunidades de intercâmbio e recursos para nossos tenistas já não são muitas, para as meninas é menos ainda.

Não por acaso, o Brasil ficou entre 1989 e 2013 sem ter uma jogadora no top 100 do ranking. Ou até 2014 sem uma representante numa chave principal de Grand Slam. Ou até 2015 sem uma campeã de WTA. Coube à pernambucana Teliana Pereira derrubar todas essas escritas durante a década passada, ainda com um jogo típico de saibro sul-americano. Brilhantemente chegou ao seu limite, o 43º lugar do ranking e dois títulos em seu piso favorito, mas mostrou que o caminho era possível. A atual número 1 do Brasil em simples, Beatriz Haddad, chegou a ser 58ª do mundo e vai seguindo essa rota, já com um tênis mais moderno. Aos 25 anos, tem potencial enorme para ir além.

Também não é por acaso que todo ano o Brasil coloque dois ou três jogadores em chaves juvenis de Grand Slam e nas primeiras posições do ranking da categoria. A participação dos meninos é frequente, e muitas vezes com merecido destaque. Já entre as meninas, foram poucas as que tiveram essas oportunidades em Grand Slam. Bia, Laura e Stefani felizmente puderam vivenciar esse ambiente do alto nível desde muito novas. A esperança é de que mais meninas tenham essas mesmas chances e cresçam no circuito.

Vaga conquistada de última hora

Stefani e Pigossi conquistaram a vaga olímpica de última hora, confirmada apenas no dia 16 de julho, uma semana antes da abertura dos Jogos de Tóquio. Brasileira mais bem colocada no ranking de duplas, Luísa Stefani é atual 23ª colocada e poderia ter garantido sua classificação direta se estivesse no top 10 logo após Roland Garros. Como não foi possível, a chance estaria estaria no ranking combinado entre as duas jogadoras. A escolha da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) foi de inscrevê-la junto com Pigossi, (então 190ª colocada e atual 188ª), e esperar por desistências, que de fato aconteceram. Destaque também para o rápido entrosamento da parceria, que disputou apenas três torneios lado a lado, o último no confronto contra a Alemanha na Fed Cup do ano passado.

Caminhos distintos e evolução no exterior
Apesar de ambas terem sido juvenis de destaque, as medalhistas de bronze trilharam caminhos distintos e tiveram grande parte de suas formações fora do Brasil. Luísa Stefani, de 23 anos e nascida em São Paulo, teve grande parte de sua formação como tenista nos Estados Unidos. A família se mudou para a Flórida em 2011, quando ela tinha apenas 14 anos, para que Luísa e o irmão Arthur tivessem mais oportunidades no esporte e pudessem também desenvolver a língua inglesa. 

Também paulista, Laura Pigossi está com 26 anos e se mudou para a Espanha há cinco temporadas, trocando a equipe inteira, disposta a dar um salto qualitativo em seu nível de tênis. A nítida evolução de Pigossi no piso duro era vista quando a jogadora, apenas 326ª no ranking de simples, conseguia ser agressiva nas devoluções e sustentar ralis de fundo com jogadoras que estão na primeira prateleira do circuito individual, como Karolina Pliskova, Marketa Vondrousova e Jessica Pegula. Também mostrou alto nível para jogar no piso duro quando foi escolhida para defender o Brasil no confronto da Copa Billie Jean King contra a Polônia, em abril, e teve grandes atuações, com uma vitória e uma derrota nos detalhes contra rivais melhor colocadas. Na atual temporada, tem 22 vitórias em simples, sendo 21 em quadras sintéticas, e só uma no saibro.

Já Stefani, que treina na Saddlebrook Academy e jogou o circuito universitário por Pepperdine, tem se destacado no circuito de duplas nos últimos anos, especialmente ao lado da norte-americana Hayley Carter. Juntas, elas venceram dois torneios da WTA, em Tashkent (2019) e Lexington (2020) e disputaram outras seis finais. Só em 2021, já decidiram os WTA 500 de Abu Dhabi e Adelaide e também o WTA 1000 de Miami.

Seu técnico, o indiano Sanjay Singh, treinou o exímio duplista Leander Paes e falou a TenisBrasil no ano passado sobre a versatilidade de Stefani. “Ela é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como fazer. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah“, explicou o treinador.

Brasileiras derrubaram favoritas

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A caminhada olímpica das brasileiras em Tóquio começou com uma vitória por 7/6 (7-3) e 6/4 sobre as canadenses Gabriela Dabrowski e Sharon Fichman, cabeças de chave 7 do torneio. Curiosamente, Dabrowski será parceira de Stefani no segundo semestre. Veio os confronto das oitavas contra as tchecas Marketa Vondrousova e Karolina Pliskova, duas tenistas que priorizam o jogo de simples e vivem ótimo momento. Tanto é que Vondrousova foi medalhista de prata em Tóquio e Pliskova chegou à final de Wimbledon há três semanas. As brasileiras salvaram quatro match points para vencer por 2/6, 6/4 e 13-11.

A vaga nas quartas já garantia a Stefani e Pigossi a melhor campanha da história do tênis feminino brasileiro em Jogos Olímpicos. Havia a missão de enfrentar Bethanie Mattek-Sands, uma lenda do jogo de duplas, com cinco títulos de Grand Slam na modalidade, além de mais um Slam e um ouro olímpico nas duplas mistas, e sua parceira Jessica Pegula. As brasileiras novamente começaram atrás, mas venceram as norte-americanas por 1/6, 6/3 e 10-6.

A semifinal foi o único revés das brasileiras que perderam para as suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic, que venceram por 7/5 e 6/3, sendo que Stefani e Pigossi chegaram a liderar o set inicial por 4/0 e tiveram um set point. “No momento estamos bem frustradas, mas vamos falar com nossos técnicos para ver onde podemos melhorar e dar a volta por cima. Temos que lembrar a semana que fizemos e onde estamos”, afirmou Pigossi, logo após a partida. Stefani completou: “É mudar a cabeça para não cometer os mesmos erros. Dá para xingar e lamentar por umas duas horas, mas depois a gente volta com a cabeça pronta”.

Bronze contra finalistas de WimbledonE7nJmNbVIAA3PjrNa disputa pelo bronze, havia mais uma dupla favorita pela frente. As brasileiras enfrentaram as russas Elena Vesnina e Veronika Kudermetova, finalistas de Wimbledon recentemente. Vesnina é outra ex-número 1 do mundo em duplas e tem três títulos de Grand Slam. A parceria do Comitê Olímpico Russo venceu o primeiro set, aproveitando-se de um ótimo início de partida e de um momento de maior tensão das brasileiras.

Com mais confiança e mudanças no jogo, a partida mudou. Pigossi estava cada vez mais à vontade do fundo de quadra, trocando bola com Kudermetova e devolvendo firme. Isso embalou Stefani, que já abandonava a tática de tentar os lobs para responder os saques da rivais e também exercia pressão. Após um 6/4 para cada lado nos dois sets regulares, a decisão ficou para o match tiebeak, em que as russas abriram vantagem no início e chegaram a ter quatro match points quando venciam por 9-5, mas Stefani e Pigossi foram brilhantes nos momentos de maior pressão e conseguiram vencer seis pontos seguidos para virar o jogo e fazer história.

“Ainda não caiu a ficha do quanto isso é importante. Entramos na competição de última hora, aos 45 do segundo tempo, e fizemos valer a pena. Aproveitamos cada momento, cada partida, para representar o tênis brasileiro da melhor maneira e estamos muito felizes de trazer a medalha para casa”, comemorou Luisa Stefani após a partida. Pigossi emendou: “Nós nunca deixamos de acreditar que podíamos. Desde que recebemos a confirmação da classificação, sabíamos que poderíamos jogar de igual para igual contra todas que estão aqui. A derrota na semifinal foi muito dura, mas tivemos forças para reorganizar, juntar energias e defender as cores do Brasil da melhor maneira”.

Stefani também espera que a conquista também motive uma nova geração de jogadoras. “Não há nada mais importante do que representar o Brasil. É uma conquista brilhante. Talvez nos traga mais jogadoras no Brasil e motive mais meninas a jogar tênis. Isso é o que é maravilhoso no esporte: quero ver o esporte brasileiro crescer, para que sejamos mais importantes no cenário dos esportes, especialmente para as meninas”.

Técnico de Paes prepara Stefani: ‘Vai dominar o mundo’
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 19, 2020 às 9:12 am
O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O título de Luisa Stefani na chave de duplas do WTA de Lexington e o bom momento vivido pela brasileira, que atingiu o melhor ranking da carreira no 39º lugar, passam pelas mãos de um dos maiores especialistas na modalidade. O técnico indiano Sanjay Singh, que trabalha há quase três décadas com o veteraníssimo Leander Paes, é também o treinador pessoal de Stefani há duas temporadas e fez parte da constante evolução da jovem paulista de 23 anos.

Sob o comando de Sanjay, Stefani ganhou seus dois primeiros títulos na elite do circuito. Ela foi campeã em Tashkent no ano passado e em Lexington no último domingo. As duas conquistas foram ao lado da norte-americana Hayley Carter. A parceria também foi finalista em Seul em 2019 e venceu nesta temporada um torneio da série 125k (equivalente a um challenger) em Newport Beach.

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No fim de 2018, quando a parceria com Sanjay ainda vinha em formação, Stefani aparecia apenas no 182º lugar do ranking. E a meta do experiente treinador é ambiciosa: Colocar a brasileira entre as 10 melhores jogadoras do mundo na modalidade. Segundo o indiano, Stefani apresenta totais condições de dominar o circuito, por sua capacidade técnica e disciplina nos treinos.

“Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve”, disse Sanjay Singh ao TenisBrasil. “Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e estar em uma das melhores duplas do mundo”.

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Mesmo durante a paralisação de cinco meses do circuito, devido à pandemia da Covid-19, Sanjay acompanhou de perto a evolução de Stefani. A brasileira conseguiu se manter em atividade, disputando exibições de simples na Acadmia Saddlebrook, onde ela mora e treina na Flórida. Ela conseguiu 16 vitórias em 28 jogos entre maio e julho. Uma das vitórias foi sobre Whitney Osuigwe, uma das jovens promessas do tênis norte-americano: “Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade”.

O treinador conta que o próprio Leander Paes, ex-número 1 de duplas e vencedor de oito Grand Slam nas duplas masculinas e dez nas duplas mistas, enalteceu o trabalho com a brasileira. A lenda do tênis indiano está com 47 anos e segue em atividade. “Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso”, comentou. “Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora”.

“Ela é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como fazer. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah“, explicou o treinador.

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Confira a entrevista com Sanjay Singh.

Você está trabalhando com ela há mais de um ano. Como o jogo dela evoluiu durante esse tempo? Que sinais você pode ver na evolução dela?
Estou trabalhando com a Luisa há dois anos e ela realmente melhorou muito e entende muito bem o plano de jogo. Ela é uma menina muito trabalhadora, como o Leander também é, joga muito bem e é rápida na rede. Essa é sua força, além de seu saque. Ela pode colocar a bola em qualquer lugar.

Como foi a comunicação com Luisa quando o circuito parou por causa da pandemia?
Nossa comunicação foi boa porque eu também moro aqui. Então nós podíamos treinar pela manhã. E depois, durante a tarde, eu podia falar com ela sobe o que fazer e o que tinha sido bom no treino. Não é apenas bater na bola que importa. Então nós trabalhamos no lado físico, mental e também no tênis, o que foi ótimo. Tivemos um tempo de muita qualidade em quadra, trabalhando em pontos e golpes específicos a cada dia. Então foi um tempo muito bom aqui na Saddlebrook, em Tampa.

A Stefani fez muitas partidas de exibição entre maio e julho e obteve alguns bons resultados. Foram 16 vitórias em 28 jogos. Como você avaliou o desempenho dela nesses meses?
Ela fez boas exibições aqui. Estamos trabalhando no jogo dela de simples e esse evento deu a oportunidade para ela ganhar experiência. Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade. Estava usando saque e voleios, drop-shots, lobs, e as meninas não faziam ideia dessas coisas, porque ela só batiam na bola. E Luisa era tão boa na rede, que ela subia, voleava, e as adversárias não sabiam o que fazer.

 

Você trabalhou com Leander por muito tempo. O quanto essa experiência agregou à sua carreira de treinador?
Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. Temos o melhor aproveitamento em Copa Davis no mundo. É claro que tivemos alguns altos e baixos juntos, mas temos muita experiência. Isso impacta no jeito dele jogar e no meu jeito de passar as informações para ele. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora, porque eu a vejo sacando e voleando, entrando na quadra, sendo bastante energética na quadra e eu amo ver isso. Estou feliz que ela está ficando mais forte a cada dia.

Eu gostaria que a Luisa tivesse mais patrocinadores no Brasil, porque isso pode ajudá-la a conseguir vencer ainda mais, porque tudo no tênis é muito caro. E ela está trabalhando muito duro. Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve. Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e ter uma das melhores duplas do mundo. E também vamos trabalhar no jogo de simples. Então em novembro ou dezembro, ela vai jogar muitas partidas de simples.

Também sobre Leander. Você sabe se ele mudou seus planos de aposentadoria este ano devido à pandemia? Você acha que ele pode jogar mais um ano e ir para as Olimpíadas em 2021?
Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso. Então ele disse: ‘Parabéns! Mas eu preciso treinar de novo, porque eu quero voltar a jogar e quero me aposentar depois das Olimpíadas’.

Então eu acho que ele vai voltar a jogar. Em novembro, ele vem para Tampa e vai treinar comigo. E acho que ele jogar mais cinco ou seis torneios, pedir um convite para Wimbledon e tentar jogar em Tóquio e se aposentar. Seria a oitava vez dele nas Olimpíadas.

Quanto o jogo de duplas evoluiu nesses anos? E você acha que o estilo de jogo feminino e o masculino são muito diferentes para as duplas?
O jogo de duplas mudou demais, por causa da bola e dos pisos. Hoje temos tenistas que ficam no fundo da quadra e batem na bola o mais forte que podem, mas se você tem um bom jogo de rede pode dar problema para os outros jogadores, porque eles não sabem o que fazer. É por isso que o Leander continua jogando o seu melhor e a Luisa está indo tão bem. Acredito que o jogo masculino seja um pouco diferente, com mais potência nos golpes.

Mas a Luisa está jogando muito bem e é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como passar. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah.

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Raio-X dos juvenis brasileiros em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2016 às 12:44 pm

A participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam na temporada termina neste sábado, quando Felipe Meligeni Alves disputa a final de duplas masculinas no US Open. O paulista de 18 anos joga ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar enfrenta os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin na quadra 17 do complexo Billie Jean King em Flushing Meadows.

Em 2016, os principais resultados foram obtidos nas duplas, já que além do resultado de Meligeni, o gaúcho Orlando Luz foi vice-campeão em Roland Garros. Em simples foram apenas duas vitórias em chaves principais, exatamente com Orlando e Felipe.

Em número de jogadores, houve queda na representação. Somente quatro meninos participaram de chaves principais na temporada: Gabriel Décamps, Orlando Luz, Felipe Meligeni Alves e Rafael Wagner. Outros dois jogaram qualis: Lucas Koelle e Thiago Wild.

Infelizmente nenhuma menina conseguiu entrar em chave de Grand Slam na temporada. Quem esteve mais perto foi a paulista Marcelle Cirino, que venceu a etapa brasileira do Rendez-Vous à Roland Garros e disputou uma seletiva mundial em Paris.

2016-09-09 (10)

A menos que alguém suba muito no ranking, o quadro mais provável é que de novo apenas três meninos disputem os Grand Slam juvenis no ano que vem. Décamps ainda tem mais um ano na categoria, enquanto o pernambucano João Lucas Reis e o paranaense Thiago Wild estão com 16 anos e entre os 200 no ranking da ITF. O paulista Mateus Alves, de apenas 15 anos, tem potencial para ganhar terreno, mas apostaria nele mais para 2018.

No feminino, a situação está ainda mais difícil depois que as ex-top 15 Bia Haddad Maia e Luisa Stefani deixaram as competições juvenis. Nenhuma menina brasileira disputou um Grand Slam juvenil, cenário bem diferente dos quatro anos anteriores que tiveram no mínimo uma brasileira em cada torneio.

Nossas cinco primeiras jogadoras no ranking da categoria vão para o último ano de juvenil em 2017 e apenas a paulista Thaísa Pedretti está próxima do top 100 e podendo projetar um quali de Slam, a menos que alguém ganhe muitas posições. A possibilidade de mudar o quadro seria acumular bons resultados na Gira Cosat entre janeiro e fevereiro do ano que vem, além de aproveitar bastante os valiosos pontos em disputa do Campeonato Sul-Americano Individual, marcado para 20 de fevereiro do ano que vem.

ÚLTIMOS ANOS

2016-09-09 (5)

Australian Open – Nenhum jogador brasileiro participou da competição, que já teve o alagoano Tiago Fernandes campeão de simples há seis anos. De fato é uma viagem cara e o calendário é difícil de encaixar com uma série maior de torneios, o que afugenta alguns jogadores mesmo que eles tenham ranking para entrar diretamente. Fato é que o Brasil chegou a colocar quatro jogadores no Australian Open há dois anos e em 2016 não houve representação.

Os principais resultados nos últimos cinco anos foi a campanha do paulista Marcelo Zormann até às oitavas de final de simples em 2014, além das presenças de Thiago Monteiro e Orlando Luz nas quartas de duplas.

2016-09-09 (4)

ROLAND GARROS – Tradicionalmente o Grand Slam de maior sucesso brasileiro, Roland Garros teve seis representantes. Desde o ano passado, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris. Foi assim que Rafael Wagner conseguiu uma vaga na chave principal, mas a paulista Marcelle Cirino não conseguiu avançar.

Nos últimos anos, tivemos três vice-campeonatos de duplas, dois deles com a canhota Beatriz Haddad Maia. Bia, que já está com 19 anos, ainda fez oitavas em Paris em duas ocasiões e perdeu apenas para as campeãs Annika Beck em 2012 e Belinda Bencic no ano seguinte.

A temporada de 2014 foi a mais promissora para os juvenis brasileiros nos últimos anos e teve três bons resultados em Paris, as semis de simples e duplas para Orlando Luz, as quartas de Marcelo Zormann e a semi de duplas de Luisa Stefani, que foi 10 do mundo em sua categoria.

Encerrando seu ciclo juvenil com apenas três torneios no ano, Orlando Luz encaixou o Grand Slam francês no meio de uma gira de torneios profissionais no saibro europeu. Semanas depois de ser vice-campeão de duplas em Paris, ele venceu seu primeiro título future na República Tcheca. A escolha pelo US Open agora em setembro não foi tão produtiva no calendário, já que ele vinha de uma boa semana no saibro polonês e mudou repentinamente de piso. Pode ter valer apenas pelo intercâmbio e menos para a confiança e possibilidade de pontuar na ATP.


2016-09-09 (6)

Wimbledon – Na grama londrina, o Brasil conseguiu seu último título de Grand Slam juvenil há dois anos com Orlando Luz e Marcelo Zormann. No mesmo ano, o canhoto gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes foram às quartas de duplas.

Em simples, novamente destaque para Bia Haddad Maia, que há três anos esteve nas oitavas. Sua algoz na ocasião foi a cabeça 2 croata Ana Konjuh, a mesma que nesta semana chegou às quartas de final na chave principal do US Open.

O ano passado foi atípico, porque os principais juvenis brasileiros foram convocados para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o tênis saiu sem medalhas do Canadá. Já neste ano, apenas Felipe Meligeni Alves e Gabriel Décamps conseguiram entrar diretamente na chave.

2016-09-09 (9)

US Open – Os três brasileiros que estavam na chave de simples este ano caíram ainda na rodada de estreia. Orlando Luz e Gabriel Décamps enfrentaram os cabeças 3 e 4 Ulises Blanch e  Geoffrey Blancaneaux (campeão de Roland Garros). Felipe Meligeni Alves perdeu um jogo equilibrado de três sets para o australiano Blake Ellis, em duelo entre dois top 50 separados por apenas oito posições. Ainda assim, o setor na chave era duro e teria o líder do ranking Stefanos Tsitsipas na segunda rodada.

Nas duplas, o Brasil conseguiu recentemente as duas primeiras finais juvenis de US Open na história. Primeiro, o mineiro João Menezes e o gaúcho Rafael Matos foram vice-campeões em 2014 e caíram diante do australiano Omar Jasika e do japonês Naoki Nakagawa. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves tenta o inédito título junto do boliviano Aguilar.

TÍTULOS E FINAIS

O tênis brasileiro tem três títulos juvenis de Grand Slam. O primeiro foi conquistado por Gustavo Kuerten nas duplas em Roland Garros em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. Em 2010, o alagoano Tiago Fernandes foi campeão de simples no Australian Open. Infelizmente, ele deixou o tênis em 2014 com apenas 21 anos e se dedica aos estudos de engenharia civil. Já há dois anos, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões de Wimbledon nas duplas.

Outros brasileiros já estiveram em finais de Grand Slam juvenil. No saibro de Roland Garros, Edison Mandarino em 1959, Thomaz Koch em 1962 e 1963, além de Luis Felipe Tavares em 1967 decidiram o torneio individual. Já na grama inglesa de Wimbledon, Ivo Ribeiro foi vice em 1957 e Ronald Barnes fez o mesmo dois anos depois.

Nas duplas, Guilherme Clezar foi vice de Roland Garros em 2009, tal como Bia Haddad nas temporadas de 2012 e 2013 e Orlando Luz este ano. Antes disso, em 1994 foi a vez de Ricardo Schlachter ser finalista de duplas no juvenil de Wimbledon.