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Começam os principais eventos da Gira Europeia Juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
maio 11, 2016 às 9:10 pm

Ao mesmo tempo em que os olhos do tênis mundial estão voltados para Roma nesta semana, com disputa de um Masters 1000 e um WTA Premier, o circuito juvenil também tem uma parada importante no saibro italiano. O tradicional torneio Città Di Santa Croce, que este ano chega à sua 38ª edição, dá início à série de competições mais importantes no saibro que vai até o término de Roland Garros.

O Santa Croce é um torneio nível G1 do circuito de 18 anos da ITF, que dá 150 pontos ao campeão. A Gira Europeia seguirá na Itália por mais uma semana, com a disputa do 57° Trofeo Bonfiglio em Milão. O evento vencido pelo gaúcho Orlando Luz em 2015 é da categoria GA com 250 pontos para o vencedor, além de um bônus na pontuação a partir de oitavas de final.

O último torneio preparatório para o segundo Grand Slam do ano será o Astrid Bowl, na cidade belga de Charlenoi. Ele acontece simultaneamente à primeira semana de Roland Garros, já que os torneios juvenis em Grand Slam acontecem a partir da segunda semana. Em Paris, os jovens lutam por 375 pontos, sendo 250 pelo nível do torneio (GA) e outros 125 em bônus.

Os brasileiros não foram bem no Santa Croce, já que Felipe Meligeni Alves e Lucas Koelle caíram logo na rodada de estreia e para jogadores da casa, além de Thiago Wild e Arion dos Reis que se despediram ainda durante o qualificatório. Nas próximas semanas, o paulista Gabriel Décamps deve se juntar à equipe brasileira na Europa.

A chave feminina do Santa Croce já começou com surpresas, com as eliminações da britânica Katie Swan e a canadense Charlotte Robillard-Millette. As cabeças 1 e 2 do torneio estiveram há pouco tempo no ITF Juniors Masters na China e resultados expressivos. A melhor cabeça de chave já nas quartas é a britânica Emily Appleton, finalista do Banana Bowl e sexta pré-classificada na Itália.

Perigosas comparações
Por Mario Sérgio Cruz
abril 11, 2016 às 5:55 pm

Uma cena comum neste início de temporada masculina tem sido os duelos entre jovens promessas. Aconteceram nos três primeiros Masters 1000 de 2016 e também no ATP de Houston na semana passada. Neste cenário são feitas comparações com Orlando Luz, um jogador que rivalizava com muitos deles durante o circuito juvenil e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Comparar é um processo natural, mas perigoso.

A participação de Orlandinho no 2º ITF Junior Masters durante a última semana deu margem a alguns questionamentos. O gaúcho, que completou 18 anos em fevereiro, não disputava competições juvenis desde o US Open e venceu umas das três partidas que fez no evento, terminando em sétimo lugar.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlandinho optou por disputar Junior Masters pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Eu gosto da proposta do Masters, principalmente por aquilo que o torneio oferece aos jogadores. A ITF e os organizadores entendem que é um momento na carreira deles que pontos no ranking juvenil não são mais interessantes. Então, a premiação é oferecida em garantias de viagens (torneio juvenil não pode pagar em dinheiro) e prioridade de escolha em convites para torneios de alto nível. Campeão do ano passado, o russo Andrey Rublev já disputou 16 torneios ATP, sendo 13 por meio de convites diretamente para chaves principais.

Quando a gente vê Fritz ou Zverev no top 100, Tiafoe vencer jogo de Masters 1000 ou Tommy Paul furar quali de ATP, fica a sensação no público de que Orlando teria “ficado para trás”. Mas essa comparação não leva em consideração uma série de variáveis. Por melhores que sejam suas condições aqui no Brasil – e estamos falando de um garoto que está em um excelente centro de treinamento e que tem um contrato com a Nike desde os 16 anos – as situações de um americano ou europeu são ainda mais favoráveis para que atinjam o alto nível mais cedo. Tem o lado econômico e o fato de poderem ser mais testados em competições. O mais importante é que o próprio Orlando Luz está ciente disso e já deu declarações anteriores nesse ponto.

É muito difícil comparar esse estágio de desenvolvimento com o de um sul-americano. Thiago Monteiro foi número 2 no juvenil e começa colher os frutos só agora aos 21 anos, poderia ser um espelho, mas ele não recebeu a mesma cobrança durante a transição ao profissionalismo. Saindo do Brasil, temos o exemplo do chileno Garin, que ganhou o juvenil de Roland Garros há alguns anos e ele ainda rema nos torneios future e challenger. Os novos argentinos têm um desenvolvimento até mais rápido que brasileiros, mas também se metem no top 100 na casa dos 24 anos. É preciso de tempo.

Impressões do Masters

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Hong e Blinkova venceram o Junior Masters (Foto: Susan Mullane/ITF)

Durante o Masters, pude ver uma das três partidas de Orlando Luz e justamente a mais peculiar. Na derrota por 6/4 e 6/1 para o americano William Blumberg, o jogo começou no sábado no estádio principal, foi interrompido por chuva, e terminou no domingo na Quadra 1, que me pareceu mais rápida.

Na primeira parte do jogo, vi Orlandinho fazer quatro bons games de saque -cedeu só dois pontos no serviço até o 4/4- mas tomou uma quebra pouco antes da interrupção. Chamou atenção também seu posicionamento para devolver saques no lado da vantagem, ficando à esquerda do corredor de duplas para tentar responder saques abertos com forehand. Já na segunda parcial, em condições de quadra bem diferentes, o gaúcho teve bem mais dificuldade de lidar com o saque do adversário.

O título masculino ficou com o sul-coreano Seong Chan Hong, com vitória por 7/5 e 6/3 contra o norueguês Casper Ruud. Acompanhei duas de suas partidas e me pareceu um tenista muito sólido do fundo de quadra (um pouco parecido com Hyeon Chung, mesmo sem a mesma estrutura física, e seu modelo é Kei Nishikori) e com bom jogo de transição e contra-ataque, que funcionaram muito contra o agressivo chileno Marcelo Barrios Vera na semi. Hong está fazendo um ano muito bom já no profissional. Venceu três futures seguidos na Turquia e tem 20 vitórias e apenas uma derrota na temporada, sem contar as três vitórias no juvenil.

Quem venceu o feminino foi a russa Anna Blinkova, com 6/4, 6/7 (1-7) e 7/6 (7-4) contra a britânica Katie Swan. A russa chegou a sacar para o jogo no segundo set e viu a adversária -a meu ver, favorita- ter a mesma chance na última parcial. Resultado importante para Blinkova, que havia sofrido uma derrota muito dura na final de Wimbledon no ano passado para outra russa, Sofya Zhuk.

Rendez Vous

No Rendez Vous à Roland Garros, em São Paulo, Lucas Koelle confirmou seu favoritismo. Próximo do top 50 no ranking mundial juvenil, ele já havia ficado perto da vaga direta em Paris. Já Marcelle Cirino, campeã do feminino, teve como destaque a virada incrível na semifinal contra Georgia Gulin, em que reverteu 6/3 e 5/1 para salvar três match points e vencer onze games seguidos. Impressionante reação para a jogadora de 17 anos e que executa um raro backhand de uma mão.

Pelo mundo

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

O destaque da nova geração da semana foi o vice-campeonato de Borna Coric no ATP de Marrakech. Nos challengers, Stefan Kozlov foi vice em Guadalupe com Taylor Fritz, e Yoshihito Nishioka nas semifinais, mas o título ficou com o veterano Malek Jaziri. Já pelo circuito future, o japonês Yosuke Watanuki (campeão da Copa Gerdau) venceu o segundo torneio seguido em seu país. Dois títulos profissionais também tem agora o canhoto canadense de 16 anos Denis Shapovalov, após vencer o future de Memphis.

Uma conquista em boa hora para Felipe Meligeni
Por Mario Sérgio Cruz
março 29, 2016 às 5:33 pm

Um título é sempre bem vindo, mas o momento e as circunstâncias que ele ocorre podem representar importância ainda maior. A conquista de Felipe Meligeni Alves no Campeonato Sul-Americano Individual Juvenil no último sábado é um bom exemplo para este caso.

Adição recente no calendário, o torneio foi criado em 2011 e teve cinco edições na Bolívia antes de mudar este ano para o saibro argentino de Mar Del Plata. Embora não seja um evento tradicional como as principais competições do circuito, é muito valioso em termos de pontuação.

Os melhores juvenis sul-americanos disputavam entre 180 pontos no ranking de 18 anos da ITF. Isso é mais que os 150 de um título de torneio G1 (como o Banana Bowl) e o mesmo que um vice-campeonato em torneio GA (caso do Campeonato Internacional de Porto Alegre). Sem a concorrência de escolas europeias, americanas e japonesas.

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

A conquista rendeu 57 posições e fez com que Felipe se tornasse o 35º no ranking mundial juvenil. Bater um recorde pessoal é muito bom, mas mais importante que isso é poder entrar diretamente nas chaves dos principais torneios na Europa, o que inclui Roland Garros e Wimbledon. No período entre maio e julho acontecem competições tradicionais no saibro e na grama, como Santa Croce, Milão, Charlenoi e Rohampton que distribuem muitos pontos e contam com os melhores juvenis do mundo, que estarão no Grand Slam semanas depois.

Para quem está com 18 anos e ainda em fase de transição do circuito juvenil para o profissional, faz uma diferença enorme saber com antecedência se você vai entrar diretamente nas chaves ou disputar os qualis. O primeiro fator é a gratuidade na hospedagem dos torneios ITF que for disputar. A redução nos gastos é considerável e há uma segurança maior para planejar as datas das viagens. Nesta fase da carreira qualquer incentivo extra-quadra é vital para a continuidade.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

Além do título de Meligeni, o Brasil colocou Lucas Koelle e Thaísa Pedretti nas quartas de final de suas respectivas chaves, enquanto a paranaense Nathalia Gasparin foi finalista de duplas. Koelle que ganhou seis posições e agora é 57º deve se juntar a Meligeni e Gabriel Décamps nos torneios europeus.

Outro destaque fica para o pernambucano João Lucas Reis, que depois de disputar o Banana Bowl e o Internacional de Porto Alegre na categoria 16 anos, onde conseguiu um vice-campeonato e uma semi, chegou até as oitavas em um torneio de 18 e só perdeu para o campeão. Reis, que completou seu 16º aniversário no último sábado, já disputou até três qualis de future nos Estados Unidos, em janeiro.

Sinal amarelo para a participação das meninas, já que apenas Pedretti conseguiu avançar mais que uma rodada. Essa mesma geração, com Nathalia Gasparin e Marcelle Cirino, há menos de um ano foi campeã Sul-Americana por equipes na categoria 16 anos, vencendo quatro dos cinco confrontos por 3-0 e um por 2-1. As adversárias eram praticamente as mesas. As brasileiras também em nono lugar na última Fed Cup juvenil, sendo as melhores do continente. O trabalho está sendo feito, então chama atenção quando acontecem quedas precoces.