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Geração 2000 já tem três campeãs de Grand Slam e cinco no top 30
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 13, 2021 às 8:10 pm

Emma Raducanu se juntou a Bianca Andreescu e Iga Swiatek entre as campeãs nascidas a partir de 2000 (Foto: Darren Carroll/USTA)

O título de Emma Raducanu no US Open foi o terceiro troféu de Grand Slam para uma jogadora nascida a partir de 2000. A britânica de 18 anos se junta à canadense Bianca Andreescu, que puxou a fila ao ser campeã em Nova York há duas temporadas. Já no ano passado, foi a vez de a polonesa Iga Swiatek vencer Roland Garros.

As conquistas de jogadoras tão jovens em grandes torneios acompanham um momento de renovação no ranking, já com três tenistas com até 21 anos entre as 20 melhores do mundo e cinco nessa faixa etária dentro do top 30. Entre as cem primeiras no ranking divulgado nesta segunda-feira, são 14 jogadoras nessa idade, algumas já com títulos no circuito da WTA e quase todas com pelo menos uma campanha de terceira rodada em Grand Slam na carreira.

Entre as tenistas com até 21 anos, Swiatek é a que está em melhor momento no ranking, ocupando atualmente a oitava posição. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, caindo nas quartas de final este ano, a polonesa faz uma temporada consistente. Ela chegou pelo menos às oitavas em todos os Grand Slam e conquistou títulos em Adelaide e Roma.

Gauff é a mais jovem do top 100, Andreescu cai
Jogadora mais jovem de todo o top 100, Coco Gauff é a 19ª do ranking aos 17 anos. Ela está com o melhor ranking da carreira, já tem dois títulos de WTA, e chegou recentemente às quartas em Roland Garros. Uma posição abaixo abaixo está Bianca Andreescu, já campeã de Grand Slam, e que perdeu os pontos do título do US Open de 2019. A canadense de 21 anos tem três títulos expressivos na carreira, já que também conquistou Indian Wells e Toronto há duas temporadas.

Ainda no top 30, aparecem as duas finalistas do US Open: Emma Raducanu saltou 127 posições depois de ter feito uma campanha impressionante, com dez vitórias seguidas desde o qualificatório até conquistar o título logo no segundo Grand Slam que disputava. Agora 23ª do mundo, a britânica só havia jogado antes em Wimbledon, quando aproveitou o convite e foi até as oitavas. A vice Leylah Fernandez também deu um bom salto, da 73ª para a 28ª posição do ranking. A canadense de 19 anos recém-completados tem um título de WTA, conquistado este ano em Monterrey, já venceu quatro tenistas do top 10, e agora também tem uma final de Slam no currículo.

Nova geração pode ter mais nomes chegando
As ucranianas Dayana Yastremska, de 21 anos e 53ª do ranking, e Marta Kostyuk, 56ª colocada aos 19 anos, são fortes candidatas a também surpreenderem em grandes torneios em um futuro próximo. Yastremska já tem três títulos de WTA, chegou a ocupar o 21º lugar do ranking no ano passado e chegou às oitavas de final de Wimbledon em 2019. Kostyuk está apenas uma posição abaixdo melhor ranking da carreira e este ano fez oitavas em Roland Garros.

Atrás delas aparecem Clara Tauson e Maria Camila Osorio, números 70 e 71 do mundo. Ambas já têm títulos de WTA, Tauson em Lyon e Osorio em Bogotá. A colombiana de 19 anos fez uma surpreendente campanha do quali até a terceira rodada na grama de Wimbledon, enquanto a dinamarquesa de 18 anos ainda não conseguiu passar da segunda rodada de torneios do Grand Slam, em quatro participações.

Um pouco abaixo está a russa Varvara Gracheva, de 21 anos e 77ª do ranking. Ela ainda não tem títulos ou finais de WTA na carreira, mas já chegou à terceira rodada em três Grand Slam, incluindo dois este ano, Roland Garros e US Open. Bem mais conhecidas são Amanda Anisimova, 81ª do mundo, e Anastasia Potapova, 89ª, ambas de 20 anos. Anisimova já foi semifinalista de Roland Garros em 2019, enquanto Potapova chegou à terceira fase na Austrália este ano. Ambas foram campeãs juvenis de Grand Slam e estiveram nas primeiras posições do ranking da categoria.

Também prodígios nos tempos de juvenil, a francesa Clara Burel e a norte-americana Claire Liu aparecem no 92º e no 96º lugar, respectivamente. Burel, de 20 anos, chegou à terceira rodada de Roland Garros no ano passado, enquanto Liu está com o melhor ranking da carreira nesta segunda-feira, aos 21 anos, apesar de ainda não ter passado da segunda fase de um Grand Slam.

Jovens e filhas de imigrantes, Fernandez e Raducanu protagonizam final histórica
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2021 às 11:27 pm

Emma Raducanu, de 18 anos, disputa apenas o segundo Grand Slam da carreira e já está na final (Foto: Darren Carroll/USTA)

A final feminina do US Open é histórica por diferentes motivos. Leylah Fernandez, de 19 anos, e Emma Raducanu, 18, fazem um confronto da nova geração neste sábado, a partir das 17h (de Brasília). Nova York não assistia a uma final entre duas jogadoras tão jovens desde 1999, quando Serena Williams tinha 17 anos e superou Martina Hingis, 18, na decisão. Outro ponto em comum entre Fernandez e Raducanu está o fato de ambas serem filhas de imigrantes com heranças multiculturais.

Nascida em Montréal em setembro de 2002, Leylah Fernandez tem pai equatoriano e avós maternos das Filipinas. O pai, Jorge Fernandez, é também seu treinador, dividindo as funções com Romain Deridder. Já Raducanu tem pai romeno e mãe chinesa. Curiosamente, nasceu em Toronto, no Canadá, em novembro de 2002, mas sua família se mudou para Londres quando a filha única do casal tinha apenas dois anos. Toda a formação de Raducanu como tenista, incluindo o suporte médico, financeiro e de preparação física, foi fruto de um trabalho da Lawn Tennis Association, que desenvolve a modalidade no Reino Unido.

“Acho que ter uma mãe chinesa me fez aprender desde muito jovem a trabalhar duro e ter disciplina. Quando eu era mais jovem, eu me inspirava muito em Na Li, porque ela era muito competitiva. Ela tinha armas extremamente boas, ótimos movimentos e boa mentalidade, mas sua força interior e confiança realmente se destacaram para mim. Lembro-me de vê-la jogar com Schiavone na final de Roland Garros. Foi definitivamente uma partida longa e difícil. Mas a quantidade de força mental e resiliência que ela mostrou, naquele dia ainda fica na minha cabeça hoje”, disse Raducanu sobre sua fonte de inspiração.

A tenista ainda mantém um vínculo muito forte com a Romênia e tem a número 3 do mundo Simona Halep como fonte de inspiração. “Meu pai é romeno de Bucareste e a minha avó, Mamiya, ainda mora lá. Eu volto algumas vezes por ano e fico com ela. É muito bom. Eu amo a comida romena, e a comida da minha avó também é especial. Tenho muitos laços com Bucareste”, comentou durante o torneio de Wimbledon. Admiro muito a Simona Halep, pela movimentação dela e também a forma como ela luta e compete. Em algumas das situações do jogo, eu penso em competir da mesma forma que algumas jogadoras como a Halep fazem”.

Já Fernandez fica surpresa com a receptividade que o tênis está tendo nas Filipinas, apesar de não saber muito sobre a cultura do país. “Estou muito feliz em saber que todos nas Filipinas estão torcendo por mim e me apoiando. Infelizmente eu não sei muito sobre a cultura filipina, mas eu sei que minha família faz pratos incríveis. Espero que, quando eu voltar para o Canadá e visitá-los, façam um prato filipino especial. E mal posso esperar para aprender mais sobre a cultura no futuro”.

Duelo entre elas apenas no juvenil

Apesar da pouca diferença de idade, Fernandez e Raducanu nunca se enfrentaram pelo circuito profissional. Mas já tiveram um confronto pelo torneio juvenil de Wimbledon em 2018 e a britânica, então com 15 anos, levou a melhor. Esta é a primeira vez que o US Open tem uma final entre duas jogadoras que não são cabeças de chave. Raducanu é a número 150 do mundo e veio do quali, enquanto Fernandez é 73ª colocada. Ambas vão subir bastante no ranking, a canadense está saltando para o 27º lugar e pode ser a 19ª se for campeã, enquanto a britânica está indo para a 32ª posição, podendo alcançar o 24º posto em caso de título.

Raducanu tenta encerrar jejum britânico, Fernandez pode repetir Andreescu
Primeira jogadora vinda do qualificatório a disputar uma final de Grand Slam na Era Aberta, Raducanu é também a segunda tenista de fora do top 100 a chegar à decisão do US Open. Ela disputa apenas seu segundo Slam como profissional, repetindo o feito de Pam Shriver no US Open de 1978 ao atingir a final. Além disso, pode se tornar a primeira britânica a vencer um Grand Slam desde Virginia Wade, na grama de Wimbledon em 1977. Wade também foi a única britânica a vencer o US Open na Era Aberta, em 1968.

Já a história do tênis canadense no US Open é mais recente. Ao chegar à final, Leylah Fernandez se coloca em posição de repetir o feito de Bianca Andreescu em 2019. Há dois anos, Andreescu derrotou Serena Williams na final para conquistar seu primeiro e até hoje único título de Grand Slam. Curiosamente, ela tinha a mesma idade que sua compatriota. Outra canadense a disputar uma final de Slam recentemente foi Eugenie Bouchard, vice na grama de Wimbledon em 2014.

Com três jogos a mais, Raducanu passou menos tempo em quadra
Ainda sem perder sets no torneio, Raducanu venceu nove jogos seguidos em Nova York. E curiosamente, passou menos tempo em quadra do que Fernandez, que vem de quatro batalhas seguidas em três sets. A britânica acumula 7h42 em quadra durante a chave principal e mais 3h52 do quali. Com isso, tem 11h34 de tempo acumulado em quadra durante o torneio. Já Fernandez, que derrubou as campeãs do US Open Naomi Osaka e Angelique Kerber, a número 5 do mundo Elina Svitolina e a vice-líder do ranking Aryna Sabalenka, ficou em quadra por 12h45.

Quanto vale o título do US Open?
O prêmio em dinheiro para a campeã do US Open é de US$ 2,5 milhões, além de 2 mil pontos no ranking mundial da WTA. A vice-campeã recebe US$ 1,25 milhão e 1.300 pontos no ranking. Fernandez acumulou na carreira uma premiação de US$ 786.772, tendo conquistado um título de WTA no início deste ano em Monterrey e alcançado o 66º lugar do ranking. Já Raducanu, que não era nem top 300 há dois meses, quando recebeu convite em Wimbledon e chegou às oitavas, acumulou na carreira um prêmio de US$ 303.376.

Expectativas para a final de sábado
Raducanu acredita que o fato de ser uma jogadora jovem e sem precisar lidar com tanta pressão a ajudou na campanha até a final do US Open. “Honestamente, quando você é jovem, pode jogar completamente livre. Mas tenho certeza que quando for mais velha ou tiver mais experiência, acho que a situação vai virar e algumas jogadoras ainda mais jovens aparecerão. Mas agora estou apenas pensando no meu plano de jogo, como executá-lo. Isso foi o que me colocou nesta situação e é o que estou fazendo muito bem no momento”.

Já Fernandez se lembrou das vezes em que duvidaram de seu potencial. “Acho que muita gente duvidou de mim, da minha família e dos meus sonhos. Eles ficavam dizendo não, que eu não seria uma jogadora profissional, que deveria parar e apenas focar nos estudos. Lembro-me de uma professora que me disse para parar de jogar tênis, porque eu nunca iria conseguir, e deveria apenas me concentrar na escola”.

“Sabe de uma coisa, estou feliz que ela me disse isso, porque todos os dias tenho essa frase na minha cabeça e isso me faz querer continuar avançando, para provar à ela que posso alcançar tudo que eu sonhei. Mas isso é basicamente apenas a ponta do iceberg. Há muito mais coisas pelas quais passamos como família. Acho que agora posso dizer que fiz um ótimo trabalho na realização dos meus sonhos”.

Algoz de grandes nomes do circuito, ela se sente muito bem no Arthur Ashe Stadium e tem entretido o público. “Acho que tenho feito coisas incríveis. Estou apenas me divertindo, tentando produzir algo para o público aproveitar. Estou feliz que tudo o que estou fazendo na quadra, os fãs estão adorando e eu também estou adorando. Diremos que é um momento mágico”.

As chances de Fernandez e Raducanu nas semifinais
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 9, 2021 às 8:48 pm

Fernandez pode apostar nas variações de altura, peso e direção de bola para tentar quebrar o ritmo agressivo de Sabalenka (Foto: Darren Carroll/USTA)

Duas representantes da nova geração do tênis feminino disputam nesta quinta-feira as semifinais do US Open. A rodada começa com a canadense Leylah Fernandez, de 19 anos, desafiando a número 2 do mundo Aryna Sabalenka a partir das 20h (de Brasília). Na sequência, será a vez de Emma Raducanu, de 18 anos e vinda do qualificatório, enfrentar a grega Maria Sakkari, 18ª colocada. Apesar do favoritismo das adversárias mais experientes, Fernandez e Raducanu têm motivos para acreditar em suas chances.

Fernandez terá a missão de encarar uma das adversárias mais agressivas e de golpes mais potentes no circuito. Aryna Sabalenka é uma jogadora que prefere ter o total controle das ações dentro de quadra, sempre partindo para a definição dos pontos em poucas trocas de bola. Em seus melhores dias, é uma máquina de winners e não há muito o que fazer contra ela. Já nas atuações abaixo de seu melhor nível, acaba se perdendo com grande número de erros não-forçados e dá muitos pontos de graça.

A canadense até já enfrentou adversárias que tinham muito peso de bola no torneio e se saiu muito bem, tanto contra Naomi Osaka na terceira rodada, como diante de Angelique Kerber nas oitavas. Entre as duas, o estilo de Osaka lembra mais o de Sabalenka. Entre as soluções para a canadense estão as variações de altura e peso de bola, algo que ela faz bem desde que começou a se firmar no circuito da WTA. A ideia é tirar a bola da linha de cintura de Sabalenka e quebrar o ritmo da bielorrussa, levando a rival a cometer um número maior de erros.

Fernandez também passou no teste quando precisou controlar o ritmo do jogo. Foi assim no primeiro set e também em alguns momentos do terceiro contra Elina Svitolina nas quartas de final. A canadense conseguia mexer bastante a rival do fundo de quadra. Svitolina é uma jogadora que costuma se defender até melhor que Sabalenka, que pode se complicar se tiver que bater na bola em posições desconfortáveis. Manter a intensidade é outro ponto chave para tentar vencer a bielorrussa.

Raducanu vai precisar de boas devoluções contra Sakkari

Emma Raducanu precisa conter o saque da grega Maria Sakkari e tem boas estatísticas nas devoluções (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

No caso de Emma Raducanu, vale prestar atenção no saque de Maria Sakkari. A grega fez uma partida impecável nesse quesito contra Karolina Pliskova na última quarta-feira. Sakkari não enfrentou break-points, cedeu apenas oito pontos nos games de saque e só perdeu dois pontos quando colocou o primeiro serviço em quadra.

A boa notícia para a britânica são as estatísticas favoráveis. Raducanu é a jogadora do torneio com maior percentual de pontos vencidos no saque das adversárias, 53%. E quando as rivais dependem do segundo serviço, venceu 61% dos pontos. Com isso, divide com Salenka a liderança entre as tenistas que mais conquistaram quebras de serviço no torneio, 22 para cada uma.

Raducanu tem oito vitórias seguidas no torneio, sendo três do qualificatório e mais cinco da chave principal. Durante o torneio, conseguiu vitórias muito contundentes contra nomes como a espanhola Sara Sorribes, a norte-americana Shelby Rogers e a suíça Belinda Bencic, número 12 do mundo e atual campeã olímpica. A britânica ainda não perdeu nenhum set sequer e tem mostrado um tênis bastante agressivo, capaz de equilibrar as ações do fundo de quadra contra Sakkari, uma jogadora que se destaca pelos golpes potentes e excelente preparo físico.

Atual 150ª do mundo, Raducanu é apenas a terceira jogadora de fora do top 100 a alcançar uma semifinal de US Open. Ela é também a primeira tenista vinda do qualificatório a chegar tão longe em Nova York. Apenas outras três mulheres vindas do quali conseguiram chegar tão longe em torneios do Grand Slam, a primeria foi Christine Dorey no Australian Open de 1978, seguida por Alexandra Stevenson na grama de Wimbledon em 1999 e pela argentina Nadia Podoroska, no saibro de Roland Garros em 2020.

Jovens brilham e US Open chega renovado às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 5, 2021 às 5:02 am
Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

A edição de 2021 do US Open, que começou marcada pela ausência de campeões históricos como Roger Federer, Rafael Nadal e as irmãs Venus e Serena Williams, chega à fase de oitavas de final bastante renovada. Três destaques da nova geração do circuito, e com apenas 18 anos, a canadense Leylah Fernandez, a britânica Emma Raducanu e o espanhol Carlos Alcaraz são alguns dos estreantes na segunda semana em Nova York. A renovação também se dá com outros jovens como Jannik Sinner, Jenson Brooksby e Iga Swiatek, que fazem suas melhores campanhas no torneio aos 20 anos. E até mesmo tenistas mais experientes, mas que nunca chegaram tão longe em Nova York, também contribuem para o cenário de mudanças.

Alcaraz e Fernandez derrubaram favoritos

A rodada da última sexta-feira no Arthur Ashe Stadium premiou Alcaraz e Fernandez, que derrubaram grandes favoritos. O espanhol, 55º no ranking da ATP, foi responsável por eliminar o número 3 do mundo Stefanos Tsitsipas em uma batalha de cinco sets e com 4h07 de duração. “Não tenho palavras para explicar como estou me sentindo agora. Não acredito que venci Stefanos Tsitsipas em uma partida épica. Para mim é um sonho que se tornou realidade”, disse após sua primeira vitória contra um top 10. “Acho que sem a torcida não teria a oportunidade de jogar um ótimo quinto set e vencer. Eu estava fisicamente no meu limite no final do terceiro set e Stefanos começou o quarto set muito bem. No começo do quinto, tive que ser muito agressivo e jogar meu melhor tênis”.

Jogador mais jovem nas oitavas de um Grand Slam desde Andrei Medvedev 1992, e o mais novo nesta fase do US Open desde Michael Chang em 1989, Alcaraz não escapa de inúmeras comparações com os feitos de Rafael Nadal, mas busca seu próprio estilo. “Eu não copio nenhum estilo de jogador. Eu apenas jogo meu jogo. Mas se eu tiver que dizer um jogador parecido com meu jogo, acho que é o Federer. Eu acho parecido com o meu jogo, porque estou tentando ser agressivo o tempo todo”, comenta o espanhol que enfrenta o alemão vindo do quali Peter Gojowczyk, experiente tenista de 32 anos e 141º do ranking.

Também na sexta-feira, Fernandez conseguiu superar Naomi Osaka, bicampeã do Grand Slam nova-iorquino, com uma vitória de virada, depois de a japonesa ter sacado para o jogo ainda no segundo set. “Eu não estava realmente focada em Naomi. Eu estava focada apenas em mim mesma, no meu jogo e no que eu precisava fazer. Ter a torcida me apoiando a cada ponto foi incrível. Isso me deu energia para continuar lutando e correndo para as bolas que ela mandava. Eu estava feliz por ter sido capaz de dar um show para todos que vieram assistir”.

Atual 73ª do ranking, a canadense marcou sua segunda vitória contra top 10 e agora desafia a campeã de 2016 Angelique Kerber. “Desde muito jovem, eu sabia que seria capaz de vencer qualquer uma que estivesse na minha frente. Mesmo praticando esportes diferentes, eu sempre fui muito competitiva. Desde quando eu queria ganhar do meu pai no futebol, mesmo que fosse impossível. Sempre acreditei nisso. Mesmo quando a Naomi conseguiu uma quebra no segundo set, eu ainda acreditava. Disse a mim mesma que estava cada vez mais perto de encontrar uma solução e teria a chance de voltar para o jogo”.

Raducanu se inspirou nas façanhas de outros jovens

A britânica Emma Raducanu, 150ª do mundo, veio do quali em Nova York e venceu seis jogos seguidos. Também de 18 anos, ela reconhece que a inspiração de Fernandez e Alcaraz a fizeram acreditar mais em suas chances.

“Acho que ter tantos jogadores jovens chegando é muito bom para o tênis, porque mostra o quão forte é a próxima geração. Acho também que todos nos inspiramos a jogar melhor. Hoje, eu queria me juntar a eles na segunda semana também, então isso foi uma motivação extra. Os dois são pessoas muito, muito legais. Estou muito feliz por eles e por poder ir para a segunda semana”, disse a britânica que derrotou a espanhola Sara Sorribes na terceira rodada por 6/0 e 6/1. Ela também passou pela suíça Stefanie Voegele e pela chinesa Shuai Zhang na chave principal, além de ter superado o quali com três rodadas. Sua próxima rival é a norte-americana Shelby Rogers.

Sinner vem de uma dura batalha contra Monfils, agora enfrenra Zverev

O italiano Jannik Sinner já é uma realidade no circuito, ocupa o 16º lugar no ranking mundial com apenas 20 anos, e vem de uma batalha de cinco sets contra Gael Monfils para chegar às oitavas de final em Nova York pela primeira vez na carreira. Em suas duas únicas participações anteriores, Sinner não havia passado da rodada de estreia.

“Estou muito feliz. Obviamente não foi fácil jogar contra ele. Joguei bem os dois primeiros sets e também o terceiro. Então ele começou a crescer no jogo. Comecei a errar, o que é normal, e tive manter o foco no presente. Acho que hoje, essa foi a chave. Para mim, é a primeira vez que estou aqui na segunda semana, aqui em Nova York, é uma sensação ótima, obviamente. Você sempre tenta fazer cada vez melhor”, disse após a vitória por 7/6, 6/2, 4/6, 4/6 e 6/4. O italiano agora desafia o número 4 do mundo Alexander Zverev, contra quem tem uma vitória e uma derrota.

Swiatek se orgulha de sua consistência

Oitava colocada no ranking da WTA e campeã de Roland Garros no ano passado, a jovem polonesa de 20 anos Iga Swiatek conseguiu uma marca bastante expressiva. Ela é a única jogadora do circuito a atingir as oitavas de final em todos os quatro Grand Slam de 2021. “É muito emocionante. Esta é a minha primeira vez nas oitavas do US Open e estou muito orgulhosa disso. Não importa qual será o meu resultado final, mas mesmo assim fizemos um ótimo trabalho. Estar nas oitavas de todos os Grand Slams deste ano mostra que realmente estou indo no caminho certo”, disse depois de superar a estoniana Anett Kontaveit no último sábado por 6/3, 4/6 e 6/3.

“Eu estava pensando nisso há dois dias, que basicamente esta é o único ano em que não tive nenhuma lesão e não precisei que lidar com isso. As coisas são mais fáceis quando meu corpo está realmente me ouvindo. Estou muito orgulhosa da minha equipe e muito grata por receber toda a ajuda de que preciso. Muito feliz por ser consistente. Mas eu sei que sem eles não estaria aqui”, revela a polonesa, que agora encara a campeã olímpica Belinda Bencic.

Brooksby desafia o número 1 Novak Djokovic

Outro jovem debutante nas oitavas de final de um Grand Slam, o norte-americano de 20 anos Jenson Brooksby segue aproveitando o convite oferecido pelos organizadores. Destaque nos torneios de nível challenger no primeiro semestre, com três títulos, ele começou a temporada apenas no 314º lugar do ranking, mas já é o 99º do mundo. Durante o verão americano, disputou sua primeira final de ATP na grama de Newport e foi semifinalista em Washington. Com isso, saltou no ranking e chamou a atenção da direção do US Open. Em Nova York, já passou por Mikael Ymer, Taylor Fritz e Aslan Karatsev. Agora, tem a missão de enfrentar o número 1 do mundo Novak Djokovic.

“Será um grande desafio, um dos mais difíceis que se pode ter. Mas estou realmente acreditando em mim mesmo. Ainda mais pelo que estou mostrando por aí até agora. Tenho uma grande equipe ao meu redor para ajudar a me recuperar. Será uma batalha no Ashe, e tenho certeza de que será muito emocionante. A torcida vai lotar o estádio e estou animado para ver como posso me concentrar, como posso jogar bem contra um dos maiores jogadores e com um grande público em quadra”.

Mais estreantes nas oitavas de final

A lista de estreantes nas oitavas de final do US Open não conta apenas com tenistas da nova geração. Atual campeã de Roland Garros, a tcheca de 25 anos Barbora Krejcikova disputa a chave principal de simples pela primeira vez em Nova York. A número 9 do mundo construiu uma carreira sólida nas duplas e só entrou no top 100 de simples no ano passado, tendo uma rápida escalada até o top 10 e ao primeiro Grand Slam na disputa individual. Sua próxima rival é a espanhola Garbiñe Muguruza, décima colocada. Elas já se enfrentaram duas vezes este ano, com uma vitória para cada lado.

Na chave masculina, são vários os estreantes nas oitavas: Os alemães Oscar Otte, de 28 anos e 144º do ranking, e Peter Gojowczyk, de 32 anos e 141º colocado, vieram do quali. Otte enfrenta o italiano Matteo Berrettini, enquanto Gojowczyk é o próximo adversário de Alcaraz. Outro atleta vindo do quali a atingir as otavas é o holandês Botic Van de Zandschulp, de 25 anos e 117º do ranking. Ele já eliminou o cabeça 8 Casper Ruud e vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman. Além deles, destaque também para o confronto entre o norte-americano Reilly Opelka, 24º do mundo, e o sul-africano Lloyd Harris, 46º colocado. Os dois tenistas de 24 anos fazem ótimas temporadas no circuito e alcançam esta fase em um Grand Slam pela primeira vez.

Andreescu e Aliassime também vivos na disputa
Além da estreante Leylah Fernandez, o Canadá ainda conta com mais dois nomes da nova geração nas oitavas de final. Campeã em 2019 e número 7 do mundo Bianca Andreescu nunca perdeu um jogo de US Open, já que não atuou na edição passada. Invicta há dez jogos em Nova York, a jogadora de 21 anos encara a grega Maria Sakkari. Também com 21 anos, o número 15 da ATP Felix Auger-Aliassime repete a campanha do ano passado e enfrenta o norte-americano Frances Tiafoe em busca de quartas inéditas.

 

Canhota de 18 anos, Fernandez desafia Osaka nesta sexta
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 3, 2021 às 7:07 pm

Leylah Fernandez já faz seu melhor resultado no US Open e busca uma inédita campanha até as oitavas em Grand Slam

Adversária de Naomi Osaka na terceira rodada do US Open, a canadense Leylah Fernandez tenta surpreender a japonesa nesta sexta-feira, a partir das 20h (de Brasília). Fernandez, de apenas de 18 anos e atual 73ª do mundo, é a terceira jogadora mais jovem no atual top 100 e já tem um título de WTA na carreira, conquistado no início da temporada em Monterrey. Nas fases iniciais do US Open, superou sem perder sets adversárias experientes no circuito, a croata Ana Konjuh a estoniana Kaia Kanepi, para garantir o melhor resultado da carreira em Nova York e igualar sua melhor performance em Grand Slam, alcançada no ano passado em Roland Garros. Ela agora busca oitavas inéditas.

Canhota e com apenas 1,68m, Fernandez tem como características a aplicação tática e as variações jogo, para compensar a falta de tanto peso de bola. Ex-líder do ranking juvenil e campeã de Roland Garros na categoria em 2019, ela rapidamente conseguiu se firmar entre as 100 melhores do mundo, alcançando essa marca ainda em setembro de 2020. Já na atual temporada, atingiu em junho o melhor ranking da carreira, quando ocupou o 66º lugar.

“Quero conquistar meu espaço no circuito e ser considerada uma campeã”, disse Fernandez, em entrevista ao site da ITF no ano passado. “Amo o tênis e realmente acredito que sou competitiva. Acho que ter essas características vai me ajudar a chegar lá. Também foco em ter uma ótima inteligência tática, acreditando no meu estilo e utilizando outros atletas de diferentes modalidades como motivação. Não sou tão alta quanto as outras jogadoras do circuito, então presumo que houve momentos em que fui subestimada”.

Um dos segredos para a evolução da jovem tenista foi observar atletas de diferentes épocas e modalidades, como os casos de Pelé e Lionel Messi no futebol, Mike Tyson e Floyd Mayweather no boxe, além de Sidney Crosby, Wayne Gretzky do hóquei. Tudo isso para que ela formasse seu próprio estilo de jogo. “Meu pai [e o técnico Jorge Fernandez] insiste que eu estude diferentes modalidades esportivas para entender que minha estatura é perfeita para minha personalidade e habilidades. Eu observo sua criatividade, singularidade, uso de ângulos, velocidade, defesa agressiva e a fluidez de seus movimentos”

Diante de Osaka, em confronto inédito no circuito, Fernandez vai em busca de sua segunda vitória contra top 10 na carreira. A primeira foi diante da suíça Belinda Bencic, então número 5 do mundo, durante a Copa Billie Jean King em fevereiro de 2020. “A vitória sobre a Bencic realmente me deu a confiança de que posso jogar no nível de uma jogadora do top 5. Tenho muitos objetivos para o meu futuro e carreira e gostaria de continuar a enfrentando adversárias do top 5 e do top 10 de nível e derrotar esses tipos de jogadoras durante a temporada”.

Confira 15 jovens tenistas para assistir em 2021
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 31, 2020 às 7:01 am

O ano de 2020 termina nesta quinta-feira e a temporada 2021 do circuito profissional tem início já na próxima semana, com os homens em Delray Beach e as mulheres em Abu Dhabi. Em meio às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, o calendário do tênis internacional passou por uma série de adaptações e o primeiro Grand Slam de 2021, o Australian Open, só começa no dia 8 de fevereiro.

O que não muda é o ímpeto da nova geração do circuito em evoluir e bater de frente com as principais estrelas do esporte. Alguns desses nomes, aliás, já têm títulos expressivos no currículo mesmo com tão pouca idade. Neste último dia do ano, TenisBrasil destaca 15 jovens tenistas nascidos a partir de 2000 e que mostram grande potencial para se destacar no circuito.

Bianca Andreescu (20 anos, Canadá, 7ª da WTA)

Sensação da temporada de 2019, quando conquistou seu primeiro Grand Slam no US Open e também venceu torneios grandes em Indian Wells e Toronto, Bianca Andreescu está afastada do circuito há mais de um ano, mas fará seu retorno às competições no início de 2021.

A canadense, ainda com 20 anos, sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo no fim de 2019, quando atuava no WTA Finals. Ela tentaria voltar no meio deste ano, mas a pandemia paralisou o circuito por praticamente cinco meses. Além disso, Andreescu também teve que tratar de uma lesão crônica no pé e preferiu focar sua preparação na próxima temporada. Sua volta ao circuito deve acontecer em um dos dois torneios WTA 500 que Melbourne receberá às vésperas do US Open.

Apesar do longo período de inatividade, Andreescu não teve prejuízo no ranking. Isso porque a WTA modificou temporariamente o cálculo das pontuações, considerando os 16 melhores resultados obtidos entre março de 2019 e dezembro de 2020. Assim, a canadense conseguiu se manter no top 10 com os o resultados do ano passado. 

Iga Swiatek (19 anos, Polônia, 17ª da WTA)

Outra campeã de Grand Slam que merece bastante atenção dos fãs é Iga Swiatek. A polonesa de apenas 19 anos brilhou em Roland Garros ao vencer sete jogos seguidos sem perder um set sequer e deu um salto no ranking do 53º para o 17º lugar. Tanto Swiatek quanto Andreescu apostam em trabalhos muito elaborados de preparação psicológica para as partidas. 

Com um jogo inteligente e muitos recursos técnicos à disposição, Swiatek pode exibir um tênis competitivo em diferentes pisos e condições de quadra e tem grandes chances de ampliar sua sala de troféus. É questão de tempo para que ela logo apareça entre as dez primeiras do ranking. Fora do WTA 500 de Abu Dhabi, que acontece na semana que vem, deve iniciar a temporada já em solo australiano.

Felix Auger-Aliassime (20 anos, Canadá, 21º da ATP)
Apesar de ainda não ter conquistado um título de ATP, Felix Auger-Aliassime vem de duas temporadas consistentes no circuito e já disputou seis finais em torneios deste porte, sendo três em 2019 e mais três este ano. A lista inclui torneios no saibro, como o Rio Open e o ATP de Lyon, na grama de Stuttgart, e no piso duro de Roterdã, Colônia e Adelaide.

O canadense até já chegou a figurar entre os 20 melhores do mundo, ocupando o 17º lugar em 2019. Além do desempenho ruim em finais, ainda falta a Aliassime ter uma boa sequência de resultados em torneios grandes. Ele fez sua pré-temporada na academia de Rafael Nadal estabeleceu como metas para 2021 a chegada ao top 10 e a classificação para o ATP Finals.

Jannik Sinner (19 anos, Itália, 37º da ATP)

Jogador mais jovem no top 100 do ranking da ATP, Jannik Sinner terminou a temporada com seu primeiro título no circuito, em Sófia, e ocupando a melhor marca da carreira no 37º lugar. Também em 2020, o italiano venceu seus três primeiros jogos contra top 10 e alcançou as quartas de final de Roland Garros.

Sinner tem uma boa oportunidade de evoluir como jogador no início de 2021 por ter sido escolhido como o parceiro de treinos de Rafael Nadal na primeira semana de preparação para o Australian Open.

Dayana Yastremska (20 anos, Ucrânia, 29ª da WTA)
Apesar da pouca idade, Dayana Yastremska já é um nome consolidado na elite do circuito. A ucraniana de 20 anos já tem três títulos de WTA e chegou a ocupar o 21º lugar do ranking no início da temporada. Mas para dar outro salto, precisa melhorar seu desempenho nos Grand Slam, já que nunca passou da terceira rodada em torneios deste porte.

Thiago Wild (20 anos, Brasil, 116º da ATP)

Grande esperança para o futuro do tênis brasileiro, Thiago Wild se tornou o tenista mais jovem do país a conquistar um título de ATP em Santiago. Ele também foi o primeiro jogador nascido a partir de 2000 a vencer um evento na elite do circuito. Na última temporada, o paranaense também debutou na Copa Davis e disputou seu primeiro Grand Slam no US Open.

Número 2 do Brasil com apenas 20 anos, Wild começa 2021 jogando o quali do Australian Open, que foi excepcionalmente transferido para Doha e acontece entre os dias 10 e 13 de janeiro. Depois, parte para o challenger de Istambul, na Turquia. Depois de terminar o ano com uma sequência de resultados negativos, a volta ao caminho das vitórias, a vaga na chave principal do Grand Slam australiano e a entrada no top 100 são os primeiros objetivos no curto prazo.

Amanda Anisimova (19 anos, Estados Unidos, 30ª da WTA)
A norte-americana Amanda Anisimova não repetiu em 2020 a ótima temporada que teve no ano passado, quando foi semifinalista de Roland Garros e chegou a ser número 21 do mundo. Ainda assim, conseguiu permanecer entre as 30 melhores e deverá ser uma das cabeças de chave do Australian Open. Ela já começa a temporada na semana que vem, em Abu Dhabi.

Coco Gauff (16 anos, Estados Unidos, 48ª da WTA)

 

 

 

 

 

 

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Com apenas 16 anos, completados em março, Coco Gauff já aparece entre as 50 melhores jogadoras do mundo. A promissora atleta norte-americana ocupa atualmente a 48ª colocação no ranking, apenas uma abaixo da melhor marca da carreira.

Gauff já tem boas campanhas em Grand Slam, como as oitavas de Wimbledon e do Australian Open e a terceira rodada em Nova York, além de já ter vencido seu primeiro WTA no ano passado em Linz. Fora das quadras, a jovem jogadora também se mostra bastante consciente de seu papel na sociedade e é engajada na luta contra o racismo e por maior justiça social.

Carlos Alcaraz (17 anos, Espanha, 141º da ATP)

Escolhido como a Revelação do Ano pela ATP, o espanhol Carlos Alcaraz deu um salto de 350 posições no ranking ao longo de 2020. Ele iniciou a temporada no 491º lugar e termina na 141ª colocação. O novato de apenas 17 anos conquistou seus três primeiros títulos de challenger na última temporada, em Trieste, Barcelona e Alicante. Além de ficar com o vice em Cordenons.

Apenas Alcaraz e o argentino Francisco Cerundolo venceram três challengers em 2020. O espanhol é também o segundo mais jovem de seu país a conquistar um torneio deste porte, ficando atrás apenas do ídolo Rafael Nadal. Seu treinador, o ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, aposta em um futuro promissor e diz que o jovem espanhol logo chegará aos Grand Slam.

Leylah Fernandez (18 anos, Canadá, 88ª da WTA)

A canhota Leylah Fernandez foi uma das revelações da última temporada feminina. Ela derrotou jogadoras de destaque como a então número 5 do mundo Belinda Bencic e a campeã de Slam Sloane Stephens. A canadense também alcançou uma final de WTA em Acapulco, fez uma boa terceira rodada em Roland Garros e terminou o ano com o melhor ranking da carreira, no 88º lugar.

Em recente entrevista ao site da ITF, Fernandez declarou que parte de seu treinamento consiste em estudar os movimentos de atletas de diferentes modalidades. Isso inclui nomes do passado como Pelé, ou contemporâneos como Lionel Messi e o boxeador Floyd Mayweather.

Lorenzo Musetti (18 anos, Itália, 128º da ATP)

Outro prodígio do tênis italiano, Lorenzo Musetti aproveitou muito bem a oportunidade que teve no Masters 1000 de Roma e derrotou jogadores de respeito como Stan Wawrinka e Kei Nishikori. O jovem de 18 anos também conquistou seu primeiro challenger em Forli, vencendo o brasileiro Thiago Monteiro na final, e foi semifinalista no ATP 250 da Sardenha.

Em 2020, Musetti ganhou 233 posições ao longo do ano, saltando do 361º para o 128º lugar. Já na próxima temporada, o italiano tentará em 2021 disputar seu primeiro Grand Slam e entrar no top 100 do ranking mundial.

Marta Kostyuk (18 anos, Ucrânia, 99ª da WTA)
Considerada como uma das principais apostas para a nova geração do circuito, a ucraniana de 18 anos Marta Kostyuk chegou enfim ao top 100 já na reta final da última temporada. Apesar da pouca idade, ela já se destaca há algum tempo. Exemplo disso foi a campanha até a terceira rodada do Australian Open de 2018, quando ela tinha apenas 15 anos.

Campeã juvenil do Australian Open de 2017 e ex-número 2 no ranking da categoria, Kostyuk não conseguia ter um calendário completo nas últimas temporadas por causa das restrições da WTA para tenistas com menos de 18 anos. Além disso, sofreu uma lesão nas costas no ano passado. Este ano, chegou à terceira fase do US Open e só foi superada pela campeã Naomi Osaka.

Sebastian Korda (20 anos, Estados Unidos, 118º da ATP)

 

 

 

 

 

 

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O norte-americano Sebastian Korda foi um dos destaques na reta final da temporada, especialmente depois da ótima campanha que fez em Roland Garros, onde foi desde o quali até as oitavas de final, sendo superado pelo campeão Rafael Nadal. Além disso, conquistou seu primeiro challenger nas quadras de carpete de Eckental, na Alemanha, e ficou mais perto de entrar no top 100.

O jovem jogador de 20 anos vem de uma família com muita história no tênis. Ele é filho de Petr Korda, ex-número 2 do mundo e campeão do Australian Open de 1998, e de Regina Kordova, que também jogou profissionalmente e chegou a ser número 26 do ranking da WTA. A mãe, aliás, foi sua principal mentora no início da carreira. Durante a pré-temporada, foi acompanhado de perto por duas lendas do tênis, Andre Agassi e Steffi Graf.

Clara Tauson (18 anos, Dinamarca, 152ª da WTA)


A dinamarquesa Clara Tauson comemorou na última temporada sua primeira vitória em Grand Slam. Vinda do qualificatório em Roland Garros, ela derrubou a favorita Jennifer Brady, número 25 do mundo. Tauson completou 18 anos agora em dezembro e aparece atualmente no 152º lugar do ranking da WTA. Até por isso, tentará o quali para o Australian Open.

Sua principal inspiração é a compatriota Caroline Wozniacki, que encerrou sua carreira profissional no início desta temporada, ainda aos 29 anos, no Australian Open. Nos últimos 31 anos, Wozniacki e Tauson foram as únicas dinamarquesas a vencer partidas de Grand Slam, mas a jovem jogadora tenta evitar comparações com a ex-número 1 do mundo. Elas até já treinaram juntas e têm os pais como mentores no tênis, mas há uma clara diferença em estilos de jogo. Enquanto Wozniacki se destacava pela consistência e pela construção de pontos mais longos, Tauson joga um tênis mais agressivo e tenta definir cedo suas jogadas.

Brandon Nakashima (19 anos, Estados Unidos, 166º da ATP)
O norte-americano de 19 anos Brandon Nakashima terminou a temporada conquistando seu primeiro challenger em Orlando e ocupando o melhor ranking da carreira no 166º lugar. Ele já foi número 3 do mundo como juvenil e campeão do ITF Junior Masters em 2018. Nakashima começou a se firmar no tênis profissional este ano, com boas campanhas em challengers e três vitórias em nível ATP, uma delas no US Open.

* Três ótimos nomes de 1999
Como a lista destacou apenas os tenistas nascidos a partir de 2000 e que completam até 21 anos em 2021, alguns jovens em franca evolução acabaram ficando fora. Mas ainda assim, é interessante olhar com atenção para dois nomes. O principal destaque é para a cazaque de 21 anos Elena Rybakina disputou cinco finais de WTA em 2020, ganhando um título em Hobart, e venceu nomes de destaque como Sofia Kenin e Karolina Pliskova para terminar o ano no 19º lugar.

Outra jogadora de 21 anos que merece destaque é Catherine Bellis. Considerada uma grande promessa do tênis norte-americano desde que venceu um jogo no US Open de 2014 com apenas 15 anos, Bellis chegou a ser 35ª do mundo em 2017, antes de sofrer com lesões no punho e no cotovelo, que a fizeram passar por quatro cirurgias em pouco menos de dois anos. Atualmente no 133º lugar, está voltando aos poucos a ter bons resultados.

Já no circuito da ATP, destaque para o finlandês de 21 anos Emil Ruusuvuori, que venceu quatro challengers em 2019 e manteve sua evolução na última temporada. Ruusuvuori debutou no top 100, chegou a uma semifinal de ATP em Nur-Sultan e aparece atualmente na 86ª posição.

Jovens promissoras ganham chance no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 9:38 am
A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

Em uma edição atípica do US Open, sem as disputas do quali e do torneio juvenil, a organização do Grand Slam norte-americano acabou dando algumas chances já na chave principal para algumas jovens promissoras. Atletas que ainda estão se firmando no circuito profissional como Leylah Fernandez, Whitney Osuigwe e Hailey Baptiste, e juvenis como Robin Montgomery e Katrina Scott são algumas das representantes da nova geração em quadra.

Desse grupo, a canadense Leylah Fernandez é quem mais se destaca no início da carreira profissional. A jogadora de 17 anos e 104ª do ranking já tem uma vitória contra top 10, obtida diante de Belinda Bencic na Fed Cup, e derrotou Sloane Stephens duas vezes este ano. A canhota também já disputou uma final de WTA, no início do ano em Acapulco.

Campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, Fernandez disputará uma chave principal de Grand Slam pela segunda vez. No início da temporada, ela furou o quali do Australian Open. Sua estreia em Nova York será em duelo de gerações contra a russa de 35 anos Vera Zvonareva, ex-número 2 do mundo. Se vencer, tem chance de encarar a número 4 do ranking Sofia Kenin já na segunda rodada.


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Outra jovem promessa que já teve a oportunidade de vivenciar um ambiente de Grand Slam é Whitney Osuigwe, que aos 18 anos vai para seu terceiro US Open e o quarto Slam. A norte-americana ocupa o 143º lugar do ranking e acabou entrando diretamente na chave, já que o torneio feminino teve muitas desistências. A estreia de Osuigwe, que busca sua primeira vitória em Grand Slam será contra a ucraniana Kateryna Kozlova, 99ª do ranking. E, se vencer, pode encarar a cabeça 6 Petra Kvitova na rodada seguinte.

O convite inicialmente reservado a Osuigwe foi para Katrina Scott, de apenas 16 anos e número 637 do mundo. Apesar da pouca experiência entre as profissionais, ela já deu trabalho para a húngara Timea Babos no WTA de San Jose do ano passado e também venceu um jogo no quali do US Open de 2019. Integrante da equipe norte-americana campeã da Fed Cup Júnior do ano passado, Scott terá sua primeira chance na chave principal de um Grand Slam. Ela estreia contra a Natalia Vikhlyantseva.

Companheira de Scott na Fed Cup Júnior do ano passado, Robin Montgomery debutará em um Grand Slam com apenas 15 anos. Ela é a atual número 5 do ranking mundial juvenil da ITF e atual campeã do Orange Bowl. Entre as profissionais, já venceu um ITF de US$ 25 mil e aparece no 597º lugar do ranking da WTA. Convidada para o US Open, Montgomery jogou o quali de Cincinnati na semana passada e estreia em Nova York contra a cazaque Yulia Putintesva.

Outra estrante em Grand Slam é Hailey Baptiste, de 18 anos e número 236 do ranking. Ela já tem uma vitória sobre Madison Keys, então número 17 do mundo, conquistada em Washington no ano passado. Baptiste já tem três títulos profissionais em torneios de US$ 25 mil e vai enfrentar na primeira rodada a francesa Kristina Mladenovic, cabeça 30 em Nova York.

Onze jogadoras com menos de 20 anos
Segundo a WTA, onze jogadoras na chave principal do US Open têm menos de 20 anos. A mais jovem é Robin Montgomery, de 15 anos. Logo depois aparecem a já consolidada Coco Gauff, número 51 do mundo aos 16 anos, e também as já citadas Scott, Fernandez, Baptiste e Whitney Osuigwe. Também com 18 anos, atuam a ucraniana Marta Kostyuk e a norte-americana Catherine McNally. Já com 19 anos, as atrações são Amanda Anisimova, Iga Swiatek e Kaja Juvan.

A entidade que comanda o circuito feminino também destaca que oito jogadoras do US Open estão disputando um Grand Slam pela primeira vez. Além das já citadas Baptiste, Scott e Montgomery, outras estreantes são a norte-americana de 21 anos Usue Arconada (128ª do ranking), a russa de 20 anos Varvara Gracheva (102ª), a polonesa de 27 anos Katarzyna Kawa (125ª), a alemã de 25 anos Tamara Korpatsch (118ª) e a ucraniana de 20 anos Katarina Zavatska (108ª).

Por outro lado, a chave principal do US Open tem 26 jogadoras com mais de 30 anos. Os destaques ficam para as ex-líderes do ranking Venus Williams, já com 40 anos, Serena Williams, que tem 38, e Kim Clijsters, que volta ao circuito aos 37 anos. A última campeã de Slam com mais de 30 anos foi Angelique Kerber, na grama de Wimbledon em 2017.

Dez jovens tenistas para assistir em 2020
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 20, 2019 às 11:37 am

Pelo terceiro ano consecutivo, o TenisBrasil apresenta uma lista com dez jovens tenistas que podem surpreender na próxima temporada. Assim como em anos anteriores, a relação não considera nomes da nova geração que já estejam consolidados no circuito. É mais do que óbvio que nomes como Bianca Andreescu, Naomi Osaka, Stefanos Tsitsipas ou Alexander Zverev exigem a atenção de todos os fãs de tênis em 2020.

No entanto, é importante observar alguns tenistas que estão fora do top 50, mas em franca evolução nos circuitos da ATP e da WTA. Há ainda aqueles que estão na reta final da transição do juvenil para o tênis profissional, trilhando o caminho dos torneios menores. Atualmente, não é difícil encontrar formas de acompanhar praticamente qualquer partida do circuito e alguns jogadores certamente merecem ser vistos com mais afinco.

Para conferir as matérias de 2018 e 2019 basta clicar nos links. As listas já contavam com os nomes de Bianca Andreescu, Amanda Anisimova, Dayana Yastremska, Coco Gauff e Felix Auger-Aliassime, que hoje brilham na elite do circuito.

Coco Gauff (15 anos, 68ª do ranking, Estados Unidos)
Não há dúvidas sobre enorme potencial de Coco Gauff. A norte-americana de apenas 15 anos foi uma das revelações da temporada, saltando do 839º lugar do ranking para a atual 68ª colocação. Gauff cumpriu a ambiciosa meta de alcançar o top 100 em 2019 com ótimos resultados ao longo do ano, como as oitavas de final de Wimbledon, a terceira rodada do US Open e o título do WTA de Linz, em quadras duras e cobertas. Ela também já derrotou uma top 10, a número 8 do mundo Kiki Bertens. Em 2020, Gauff não dependerá de tantos convites e deve entrar diretamente nas chaves dos maiores torneios com chances de se surpreender ainda mais que na última temporada.

Jannik Sinner (18 anos, 78º do ranking, Itália)
Escolhido o novato do ano pela ATP, o italiano Jannik Sinner é o jogador mais jovem no top 100 do ranking masculino. Ele começou a temporada no 551º lugar do ranking e já aparece atualmente na 78ª colocação. Entre os feitos de Sinner na última temporada estão três títulos de challenger, uma semifinal de ATP na Antuérpia e o título do Next Gen ATP Finals, em Milão. O jovem italiano também conseguiu uma expressiva vitória sobre Gael Monfils, então número 13 do mundo.

Iga Swiatek é um dos destaques da nova geração feminina em 2019

Iga Swiatek (18 anos, 60ª do ranking, Polônia)
Outro nome que já está no top 100, mas que ainda tem muito a evoluir é Iga Swiatek. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, a polonesa teve uma rápida e bem sucedida transição ao circuito profissional. Dona de um estilo de jogo versátil, ela começou a temporada na 186ª colocação do ranking da WTA, mas já aparece na 60ª posição, chegando a ocupar o 49º posto em agosto. Swiatek já tem um bom resultado em Grand Slam, oitavas de final em Roland Garros, além de ter disputado uma final de WTA em Lugano, na Suíça.

Emil Ruusuvuori (20 anos, 123º do ranking, Finlândia)
O jovem finlandês Emil Ruusuvuori foi um dos recordistas de títulos de challenger na temporada. O atleta de 20 anos venceu quatro torneios deste porte e, com isso, saltou do 385º para o 123º lugar do ranking. Ruusuvuori foi campeão em Helsinque, Glasgow, Mallorca e Fergana, além de ter ficado com o vice-campeonato no challenger de Augsburg. Além do finlandês, o sueco Mikael Ymer, o lituano Ricardas Berankis e o australiano James Duckworth também venceram quatro challengers no ano.

Cathy Mcnally (18 anos, 120ª no ranking, Estados Unidos)
A norte-americana Cathy Mcnally iniciou 2019 no 408º lugar do ranking e terminou na 120ª posição. A jogadora de apenas 18 anos venceu 26 jogos pelo circuito profissional ao longo da temporada, com destaque para uma semifinal de WTA em Washington, além de um título e um vice-campeonato em torneios de US$ 100 mil no circuito da ITF. McNally também teve grandes resultados nas duplas, conquistando dois títulos de WTA com a compatriota Coco Gauff.

Thiago Wild (19 anos, 212º do ranking, Brasil)
Terceiro melhor brasileiro no ranking da ATP e atleta nacional mais jovem entre os 500 melhores do mundo, Thiago Wild venceu 31 jogos de challenger na temporada, com direito a um título em Guayaquil, e também conseguiu sua primeira vitória no circuito da ATP em São Paulo. O paranaense de 19 anos e que adota um estilo de jogo agressivo iniciou a temporada no 449º lugar do ranking da ATP e já aparece na 212ª colocação.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Whitney Osuigwe (17 anos, 137ª no ranking, Estados Unidos)
Ex-líder do ranking mundial juvenil, Whitney Osuigwe é considerada uma das principais promessas do tênis norte-americano. Ela foi campeã juvenil de Roland Garros em 2017, com apenas 15 anos, e deu um salto no ranking da WTA durante o ano passado. Em 2018, Osuigwe foi do 1.120º lugar para a 202ª posição. Já na atual temporada, chegou a ocupar a 105ª colocação em agosto, mas termina o ano no 137º lugar. É uma forte candidata a entrar no top 100 já em 2020.

Leylah Fernandez (17 anos, 211ª no ranking, Canadá)
Atual campeã juvenil de Roland Garros, a canadense de 17 anos Leylah Fernandez já está em processo de transição para o circuito profissional. Ela iniciou a temporada no 434º lugar do ranking da WTA e já está muito próxima do top 200. Este ano, Fernandez ganhou seu primeiro título profissional em ITF de US$ 25 mil de Gatineau, além de também ter feito boas campanhas em Granby e Vancouver e de furar um quali de WTA em Hiroshima.

Daria Snigur (17 anos, 237ª no ranking, Ucrânia)
A promissora ucraniana Daria Snigur conquistou o título juvenil de Wimbledon e terminou a temporada em grande estilo. Ela venceu seis jogos seguidos pelo ITF de US$ 100 mil+H de Dubai na semana passada e foi desde o quali até a final do torneio. Duas dessas vitórias foram contra adversárias do top 100, a 95ª colocada Anastasia Potapova e a ex-top 10 e atual 38ª do ranking Kristina Mladenovic. A campanha rendeu um salto do 328º para o 237º lugar na classificação da WTA. No início do ano, ela era apenas a número 752 do mundo.

Carlos Alcaraz Garfia (16 anos, 491º no ranking, Espanha)
O jovem espanhol Carlos Alcaraz Garfia conseguiu uma façanha em 2019. Ele tinha apenas 15 anos quando conseguiu suas primeiras vitórias contra adversários no top 200 do ranking da ATP. Atleta mais jovem no top 500 e treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz estará no Brasil para a disputa do Rio Open em 2020.

Nomes já consolidados

Entre os jovens tenistas já consolidados no circuito masculino, vale destacar o nome de Alex De Minaur. O australiano de apenas 20 anos ganhou três títulos de ATP em 2019 e já aparece no 18º lugar do ranking mundial. Sempre consistente do fundo de quadra, tem potencial para ir ainda mais longe no ranking e também nos grandes torneios. Os promissores canadenses Denis Shapovalov, número 15 do mundo aos 20 anos, e Felix Auger-Aliassime, 21º colocado aos 19, também são candidatos a títulos na próxima temporada.

Já no sempre equilibrado circuito feminino, a ucraniana Dayana Yastremska chega muito forte para a próxima temporada. A jovem ucraniana de 19 anos já ocupa o 22º lugar do ranking e tem três títulos de WTA no currículo. Ela reforçou sua equipe com o treinador alemão Sascha Bajin, eleito o melhor técnico da temporada de 2018.

Vale destacar também duas jogadoras que fizeram bonito no saibro, a canhota tcheca de 19 anos e finalista de Roland Garros Marketa Vondrousova (16ª do ranking) e a norte-americana de 18 anos e 24ª colocada Amanda Anisimova, semifinalista do Grand Slam francês. Outra jovem norte-americana que chega em ótima fase para 2020 é Sofia Kenin, 14ª do ranking aos 21 anos.

Campeão em Roland Garros, Pucinelli já pensa na grama
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2019 às 8:44 pm

O tênis brasileiro teve uma ótima notícia no último sábado com a conquista de Matheus Pucinelli na chave de duplas do torneio juvenil em Roland Garros. Ele e o argentino Thiago Tirante venceram a final contra o italiano Flavio Cobolli e o suíço Dominic Stricker por 7/6(3) e 6/4. Pucinelli repete um feito de Gustavo Kuerten, que foi campeão juvenil de duplas em Paris ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti em 1994. Três anos depois, Guga conquistaria o primeiro de seus três títulos em Paris como profissional.

Matheus Pucinelli conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Matheus Pucinelli (de azul) conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

O título de Pucinelli é o 36º Grand Slam do tênis brasileiro e o nono troféu de Roland Garros. O paulista de 18 anos também é o sétimo atleta nacional a conquistar um Slam como juvenil. Em simples, alagoano Tiago Fernandes foi campeão na Austrália em 2010, enquanto o paranaense Thiago Wild venceu o US Open no ano passado. Nas duplas, Guga venceu Roland Garros há 25 anos, Felipe Meligeni Alves tem um título do US Open em 2016 com o boliviano Jorge Aguilar, enquanto a parceria nacional de Orlando Luz e Marcelo Zormann ganhou Wimbledon em 2014.

A boa campanha de Pucinelli, que também venceu um jogo em simples, faz com que ele ganhe quatro posições no ranking mundial juvenil da ITF e apareça nesta segunda-feira no 22º lugar. O resultado também já o classifica para o US Open, em setembro. Lembrando que para a composição do ranking juvenil de um tenista são considerados os seis melhores resultados do ano em simples e mais 1/4 da soma entre as seis melhores pontuações em duplas. Esta é sua última temporada no circuito de base, mas ele poderá utilizar esse ranking para entrar em algumas competições profissionais do ano que vem.

Em entrevista ao site Roland Garros Ao Vivo, mantido pela Federação Francesa de Tênis, Pucinelli havia dito no início do torneio que o saibro não era seu melhor piso. “Não é um piso que eu prefiro tanto. Mas estou gostando bastante de jogar o torneio pela primeira vez”, disse após a vitória por duplo 6/4 sobre o francês Valentin Royer ainda na primeira rodada. Na ocasião, ele também destacava que as condições mais rápidas daquele dia o ajudaram. “Achei o jogo um pouco rápido, está mais seco, e consegui sacar bem. Acho que isso foi o diferencial”.

Atleta do Instituto Tênis, Pucinelli esteve acompanhado pelo supervisor técnico Rafael Paciaroni em Roland Garros. O calendário de competições para as próximas semanas já foi definido. Primeiro, ele joga dois futures no saibro. Nesta semana, ele atua em Kaltenkirchen, na Alemanha. Depois vai para Balatonalmadi, na Hungria. Na sequência, fará a transição para a grama. Ele disputa o ITF J1 de Roehampton e segue para Wimbledon. Será sua segunda participação no Slam londrino, onde ele caiu ainda no quali de simples no ano passado, mas alcançou as quartas de final em duplas.

“Tive a experiência no ano passado em Wimbledon e já consegui sentir um pouco a grama. Acho que é um bom piso para o meu estilo de jogo. Gosto de sacar e volear, e subir pra rede. Vou trabalhar muito para ver se eu consigo ir bem na chave de simples”, comentou Pucinelli ao Roland Garros Ao Vivo.

O ponto alto da campanha foi a rodada dupla vencida na última sexta-feira. A parceria sul-americana começou aquele dia vencendo o norte-americano Zane Khan e o chinês Bu Yunchaokete pelas quartas de final por 6/3 e 6/2. Horas depois, também venceram o tcheco Andrew Paulson e o ucraniano Eric Vanshelboim por 6/1 e 6/0. Sobre sua parceria com o argentino Tirante, Pucinelli cita que uma antiga rivalidade favoreceu o entrosamento. “Desde pequenos a gente se conhece. Já jogamos juntos muitas vezes, um contra o outro. Tínhamos uma rivalidade desde os 13 ou 14 anos, mas sempre nos demos bem e o jogo acabou encaixando. Ele tem um saque forte e uma direita forte, e eu ia fechando bem a rede”, falou à página oficial do Grand Slam francês.

Canadá, Dinamarca e Mouratoglou

O torneio juvenil de Roland Garros terminou com títulos para a canadense Leylah Fernandez e o dinamarquês Holger Rune. No sábado, Fernandez venceu a norte-americana Emma Navarro por 6/3 e 6/2, enquanto Rune bateu o também estadunidense Toby Kodat por 6/3, 6/7 (5-7) e 6/0.

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Fernandez é mais um prodígio do tênis canadense. Com excelente trabalho de base feito pela federação nacional nos últimos anos, já surgiram Denis Shapovalov, Felix Auger-Aliassime e Bianca Andreescu. A canhota canadense de 16 anos já havia sido finalista do Australian Open juvenil em janeiro e agora aparece no terceiro lugar do ranking da categoria. Embora não pareça muito alta, Fernadez consegue gerar potência nos golpes dos dois lados, bate reto na bola e consegue entrar na quadra para a definição dos pontos.

Já Rune completou 16 anos em abril e já é o novo número 2 no ranking da ITF. Ele dá o segundo título de Grand Slam juvenil para a Dinamarca só neste ano. Lembrando que em janeiro, Clara Tauson foi campeã na Austrália. O bom momento dos jovens dinamarqueses já havia sido comentado pelo veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen, em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open.

“Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”, afirmou Nielsen, em fevereiro. “Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”.

Outro dado a destacar de Rune é que ele é mais uma cria da academia de Patrick Mouratoglou. Nos últimos anos, a renomada escola francesa formou sete finalistas e cinco campeões de torneios juvenis de Grand Slam. Só em Roland Garros, são três conquistas seguidas no masculino com Alexei Popyrin, Jason Tseng e Holger Rune. Entre as meninas, Cori Gauff foi campeã no ano passado em Paris. Além deles, o próprio Tseng ganhou Wimbledon em 2018, enquanto o italiano Lorenzo Musetti tem um vice no US Open e um título na Austrália.

https://twitter.com/MouratoglouAcad/status/1137416514901086208

https://twitter.com/MouratoglouAcad/status/1136945942219886592

Osaka salta do 72º lugar ao número 1 em um ano
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2019 às 9:36 pm

A chegada de Naomi Osaka à liderança do ranking mundial com apenas 21 anos marca o ápice de uma rápida evolução no circuito ao longo dos últimos doze meses. Vencedora dos dois últimos Grand Slam, o US Open do ano passado e o Australian Open deste ano, Osaka aparecia apenas no 72º lugar do ranking em janeiro de 2018 e teve uma incrível escalada para o topo.

“Eu sinto que nos últimos dois anos, tudo que eu realmente queria fazer era estar no top 10, porque eu pensei que é assim que você constrói o seu nome. Estar nesta posição agora é realmente surreal”, disse Osaka, em entrevista ao site da WTA após a vitória por 7/6 (7-2), 5/7 e 6/4 na final do Australian Open contra Petra Kvitova no último sábado.

Introvertida para falar em público, a japonesa expressa com simplicidade o sentimento de ser a nova número 1. “Ainda não sinto que isso tenha acontecido. Talvez no próximo torneio eu jogar e vir o número 1 ao lado do meu nome, eu sentirei algo. Mas agora, estou mais feliz poque ganhei este troféu”, falou durante a coletiva de imprensa após a final em Melbourne.

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Atualmente com 7.030 pontos no ranking, Osaka acumulava apenas 871 na lista divulgada em 15 de janeiro de 2018, a última antes de chegar pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam. Superada pela então número 1 do mundo Simona Halep no Australian Open do ano passado, Osaka sairia do torneio com 240 pontos (defendia apenas 70) para chegar ao 52º lugar. Aquele era apenas o segundo torneio que ela disputava com seu então novo treinador, o alemão Sascha Bajin, que durante uma década atuou como rebatedor nas equipes de Serena Williams, Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki e fazia sua primeira experiência como técnico principal de uma jogadora.

O segundo salto no ranking aconteceria em março. A japonesa era a 44ª colocada e enfrentaria a ex-número 1 e então 41ª do mundo Maria Sharapova logo na primeira rodada do Premier de Indian Wells. Depois de eliminar a russa com uma vitória por duplo 6/4, Osaka também passou na fase seguinte por outra adversária expressiva, a polonesa Agnieszka Radwanska.

A chave abriu para a japonesa, que eliminou Sachia Vickery (100ª) e Maria Sakkari (58ª) antes de cruzar o caminho da número 5 do mundo Karolina Pliskova nas quartas. Com uma boa vitória por 6/2 e 6/3, a jovem jogadora garantiu uma revanche contra Halep e despachou a líder do ranking marcando 6/3 e 6/0. Na final, venceu um duelo da nova geração contra a favorita russa de 20 anos e 19ª do ranking Daria Kasatkina por 6/3 e 6/2 para conquistar seu primeiro título na elite do circuito, faturar mil pontos no ranking e ir parar na 22ª posição.

O que se viu nos meses seguintes ao de seu primeiro título foi uma Osaka bastante instável no circuito. Os destaques ficavam para a vitória em Miami sobre uma Serena Williams que ainda fazia seu segundo torneio desde o nascimento da filha e para uma semifinal alcançada na grama inglesa de Nottingham. Passando a lidar com o favoritismo a pressão, a japonesa desabafou nas redes sociais. Três semanas antes de conquistar seu primeiro Grand Slam, Osaka escreveu uma mensagem em que admitia que sua vida havia mudado muito, mas mas que sentia estar voltando à direção certa e que estava novamente se divertindo em jogar tênis.

https://twitter.com/Naomi_Osaka_/status/1030201441309343749

Eu não sentia muito bem a bola e isso me levou a um ponto em que eu comecei a ficar muito frustrada e deprimida durante os treinos. Tive muita pressão no começo da temporada de quadras duras, porque havia senti que havia muita expectativa sobre mim desde Indian Wells e eu não me sentia mais uma ‘zebra’, o que é totalmente novo para mim.

Se alguém acompanhou o torneio de Cincinnati deve saber que que no jogo que eu perdi eu dei um passo na direção certa. As coisas não estavam funcionando da maneira como eu queria, mas finalmente eu senti que estava me divertindo ao jogar tênis, o que eu não sentia desde Miami. Então estou muito feliz e animada por isso.

Osaka chegou ao US Open como número 18 do mundo e vinda de duas eliminações em terceiras rodadas de Grand Slam, em Roland Garros e Wimbledon. Nas duas primeiras fases em Nova York, passou por adversárias de fora do top 100, a alemã Laura Siegemund (uma ex-top 30, mas que voltava de grave lesão no joelho) e a israelense Julia Glushko antes da primeira grande vitória, um duplo 6/0 sobre a bielorrussa Aliaksandra Sasnovich, número 33 do mundo. Na fase seguinte, mais uma bielorrussa pelo caminho, a 20ª colocada Aryna Sabalenka, e o único jogo de três sets da campanha para o título. A japonesa ainda passaria por Lesia Tsurenko e Madison Keys antes de chegar à sua primeira final de Grand Slam e reencontrar Serena Williams.

A admiração de Osaka por Serena era evidente. Respondeu com um “Eu te amo” a uma pergunta feita após a vitória na semi se teria alguma algo a dizer à próxima adversária. O que se viu dois dias depois no Arthur Ashe Stadium foi um ambiente montado para celebração do 24º título de Grand Slam de Serena Williams, o primeiro depois de passar por uma gravidez de risco e se tornar mãe, que a igualaria à australiana Margaret Court como as maiores vencedoras em todos tempos.

Em sua primeira final de Slam, Osaka não se intimidou em nenhum momento da partida, nem mesmo durante e depois das ríspidas discussões entre Serena e o árbitro português Carlos Ramos. Com a vitória por 6/2 e 6/4, a japonesa conquistou Nova York e se tornou a primeira jogadora de seu país a vencer um Grand Slam, além de ser apenas a quarta atleta da nação a debutar no top 10, chegando ao sétimo lugar.

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Depois da partida, Osaka foi às lágrimas por conta do clima hostil no estádio após a derrota da favorita da casa. A japonesa preferiu esconder o rosto durante a cerimônia de premiação. “Eu não queria que as pessoas me vissem chorando, porque isso é patético”, disse em entrevista á revista norte-americana Time, de janeiro de 2019.

Ainda assim, ela insiste que continua a admirar Serena e não mudaria nada do que aconteceu. “Em um sonho perfeito, as coisas aconteceriam exatamente do jeito que você gostaria. Mas é mais interessante que na vida real, as coisas não são exatamente como você planejou. E há certas situações que você não espera, mas elas vêm até você e criam uma base para novas experiências”, afirmou à Time. “Serena é Serena. Eu não vivi a vida dela. Não posso dizer a ela o que ela deveria fazer, porque tem coisas que só ela passou. Não tenho nada contra ela. Na verdade, eu ainda a amo muito”.

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Diferente do que aconteceu com muitas jogadoras que recentemente conquistavam seus primeiros títulos de Grand Slam, mas caíam de rendimento logo depois, Osaka se manteve competitiva. Duas semanas após o título em Nova York, já disputava mais uma final, desta vez em Tóquio, onde perdeu para Karolina Pliskova. A japonesa também foi semifinalista em Pequim antes de terminar 2018 eliminada ainda na fase de grupos do WTA Finals. Ao alcançar a posição de número 4 do mundo, a jovem jogadora já havia igualado os melhores rankings da história de seu país, de Kei Nishikori e Kimiko Date. Por sua vez, o técnico Sacha Bajin foi eleito entre seus pares como o melhor da temporada. Logo no início de 2019, outra boa campanha: uma semifinal em Brisbane que a deixou muito próxima de um inédito top 3.

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

De volta a Melbourne, agora na condição de campeã de Grand Slam, e com quatro semifinais nos últimos cinco torneios que havia disputado, Osaka era também uma das onze candidatas à liderança do ranking mundial. Depois de passar pela polonesa Magda Linette e pela eslovena Tamara Zidansek nas fases iniciais, veio o primeiro teste para a japonesa no torneio. Ela perdeu o primeiro set para a taiwanesa Su-Wei Hsieh e estava bastante frustrada em quadra, mas conseguiu buscar a virada com parciais de 5/7, 6/4 e 6/1.

“Estou feliz com o quanto eu lutei. Para mim, essa é uma das maiores coisas que eu sempre achei que poderia melhorar, porque parece que antes eu aceitaria a derrota”, disse em entrevista coletiva após a partida. “Eu entrei no jogo sabendo que ela ia fazer um monte de coisas estranhas, sem ofensas (sorrindo). Mas ela estava jogando tão bem que eu fiquei impressionada. E no começo do segundo set eu tentei fazer coisas que eu sei que não são necessariamente do meu jogo, como se eu estivesse tentando acertar bolas mais altas. Eu nem treino isso”.

“Então depois de um tempo, comecei a pensar que estou em um Grand Slam. Eu não deveria estar triste, estava jogando contra uma jogadora muito boa, então eu deveria aproveitar o meu tempo e tentar colocar toda a minha energia em fazer o melhor que posso em cada ponto”, comenta a japonesa, que ainda passou por Anastasija Sevastova nas oitavas e Elina Svitolina nas quartas antes de vencer a semifinal contra Pliskova por 6/2, 4/6 e 6/4.

“Não acho necessariamente que joguei o meu melhor tênis, mas nunca desisti, e isso é algo de que eu realmente me orgulho”, avaliou a japonesa após vencer a difícil semifinal em três sets. “Em alguns momentos eu pensei ‘O jogo está ficando muito equilibrado’, mas eu não me perdoaria se eu tivesse um pequeno vacilo ou se aceitasse a derrota”, comentou a jovem jogadora. “Quando você é pequena, você assiste os Grand Slam e vê todos os grandes jogadores. Para mim, são os torneios mais importantes. Há apenas quatro deles por ano, então é claro que quero fazer o melhor que posso aqui. São os lugares onde eu acho que vale todo o treinamento”.

Já na final contra Petra Kvitova, Osaka teve a chance de definir a disputa em sets diretos, mas viu a canhota tcheca salvar três match points no saque quando perdia o segundo set por 5/3 e forçar o terceiro set, mas ainda assim pôde se manter mentalmente na disputa. “Os match points foram no saque dela, então ela deveria confirmar seu saque. Ela é uma das melhores jogadoras do mundo, então não achei que fosse um drama”, argumentou após a partida sobre como lidou com a situação. “Quero dizer, não demorou muito. Eu não tive escolha. Acho que se eu não me reagrupasse depois do segundo set, eu provavelmente teria chorado ou algo assim”.

A origem da família e a inspiração nas Williams – Filha da japonesa Tamaki Osaka e do haitiano Leonard Maxine François, Naomi Osaka é a mais filha mais nova do casal. Sua irmã, Mari Osaka, está com 22 anos e também é tenista profissional, ocupando atualmente a posição de número 332 do ranking da WTA. Os dois se conheceram quando estudavam juntos em Sapporo e se mudaram para Osaka, no sul do país, porque os pais de Tamaki não aceitavam o relacionamento da filha com um homem estrangeiro. A família migrou do Japão para os Estados Unidos quando Naomi tinha apenas três anos e se estabeleceu na Flórida a partir de 2006 para que as meninas tivessem mais oportunidades no tênis.


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A inspiração para que Naomi e Mari jogassem tênis veio após o pai assistir a uma partida entre as irmãs Venus e Serena Williams pela TV. Leonard até repetiu os passos de Richard Williams ao evitar colocar as filhas em torneios juvenis e treiná-las jogando sucessivamente uma contra a outra. Em entrevista ao New York Times em agosto do ano passado, Naomi Osaka falou sobre o desafio diário de enfrentar a irmã mais velha. “O mais importante para mim era ganhar da minha irmã. Para ela, não era uma competição, mas para mim, todo dia era uma competição. Todo dia eu dizia, ‘eu vou ganhar de você amanhã'”.

No Japão, pessoas de origem multirracial são chamadas de hafu (da palavra inglesa ‘half’, ou metade). Até por isso, Osaka encontrou algumas barreiras dentro de seu próprio país. Um exemplo disso vinha das próprias colegas de circuito, como na declaração da atual 115ª colocada Nao Hibino ao New York Times no ano passado. “Para ser honesta, nós nos sentimos um pouco distantes dela, porque ela é fisicamente diferente, cresceu em um lugar diferente e não fala muito japonês. Não é como Kei [Nishikori], que é um jogador japonês puro”.

Até por isso, o legado de Naomi Osaka pode ir além do tênis e aumentar a representatividade étnica dentro da sociedade japonesa. É o que aposta seu agente Stuart Duguid, da IMG. “Quando olho 15 anos para o futuro, vejo Naomi tendo uma ótima carreira no tênis”, falou em agosto ao New York Times. “Mas também espero que ela tenha mudado a percepção cultural sobre as pessoas multirraciais no Japão. Espero que ela tenha aberto as portas para outras pessoas seguirem, não apenas no tênis ou nos esportes, mas em toda a sociedade. Ela pode ser uma embaixadora da mudança”.

Osaka chegou a receber ofertas para defender os Estados Unidos, mas a escolha por defender o Japão e ser uma pioneira no tênis de seu país, em vez de ser apenas mais uma promissora atleta norte-americana, trouxe uma série de contratos com grandes empresas japonesas. Em recente entrevista à revista Time, a jovem jogadora mais uma vez fez o simples ao definir sua nacionalidade. “Eu realmente não sei como é se sentir japonesa, haitiana ou americana. Eu me sinto apenas como eu”.

O torneio juvenil – Chegou ao fim no último sábado o torneio juvenil do Australian Open. Como de costume, o Grand Slam australiano é o único que disponibiliza sua principal quadra para a nova geração e as duas finais foram disputadas na Rod Laver Arena.

No feminino, Clara Tauson conquistou o título ao vencer a canhota canadense Leylah Fernandez por 6/4 e 6/3. Esta foi a terceira final entre as duas jogadoras de 16 anos no circuito, que iniciaram a rivalidade com uma vitória de Fernandez no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre do ano passado, enquanto Tauson já havia levado a melhor no torneio torneio preparatório para o Australian Open em Traralgon.

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Tauson é a quarta jogadora dinamarquesa a conquistar um título de Grand Slam como juvenil, e a primeira desde que Caroline Wozniacki venceu Wimbledon em 2006. Ela também se torna a primeira jogadora de seu país a liderar o ranking mundial da categoria, lembrando que Wozniacki chegou a segunda posição durante as competições de base. A ITF ainda cita que Eva Dyrberg foi número de duplas, antes da Federação Internacional estabelecer um ranking unificado para os juvenis.

No masculino, o campeão foi o italiano Lorenzo Musetti, que já havia sido finalista no US Open e perdido para Thiago Wild na decisão. O jogador de 16 anos venceu uma equilibrada final contra o norte-americano Emilio Nava por 4/6, 6/2 e 7/6 (14-12) e recebeu o troféu das mãos de Ivan Lendl. Musetti sobe do quarto para o segundo lugar no ranking juvenil, atrás apenas do taiwanês Chun Hsin, atual campeão de Roland Garros e Wimbledon.