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Dez jovens tenistas para assistir em 2020
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 20, 2019 às 11:37 am

Pelo terceiro ano consecutivo, o TenisBrasil apresenta uma lista com dez jovens tenistas que podem surpreender na próxima temporada. Assim como em anos anteriores, a relação não considera nomes da nova geração que já estejam consolidados no circuito. É mais do que óbvio que nomes como Bianca Andreescu, Naomi Osaka, Stefanos Tsitsipas ou Alexander Zverev exigem a atenção de todos os fãs de tênis em 2020.

No entanto, é importante observar alguns tenistas que estão fora do top 50, mas em franca evolução nos circuitos da ATP e da WTA. Há ainda aqueles que estão na reta final da transição do juvenil para o tênis profissional, trilhando o caminho dos torneios menores. Atualmente, não é difícil encontrar formas de acompanhar praticamente qualquer partida do circuito e alguns jogadores certamente merecem ser vistos com mais afinco.

Para conferir as matérias de 2018 e 2019 basta clicar nos links. As listas já contavam com os nomes de Bianca Andreescu, Amanda Anisimova, Dayana Yastremska, Coco Gauff e Felix Auger-Aliassime, que hoje brilham na elite do circuito.

Coco Gauff (15 anos, 68ª do ranking, Estados Unidos)
Não há dúvidas sobre enorme potencial de Coco Gauff. A norte-americana de apenas 15 anos foi uma das revelações da temporada, saltando do 839º lugar do ranking para a atual 68ª colocação. Gauff cumpriu a ambiciosa meta de alcançar o top 100 em 2019 com ótimos resultados ao longo do ano, como as oitavas de final de Wimbledon, a terceira rodada do US Open e o título do WTA de Linz, em quadras duras e cobertas. Ela também já derrotou uma top 10, a número 8 do mundo Kiki Bertens. Em 2020, Gauff não dependerá de tantos convites e deve entrar diretamente nas chaves dos maiores torneios com chances de se surpreender ainda mais que na última temporada.

Jannik Sinner (18 anos, 78º do ranking, Itália)
Escolhido o novato do ano pela ATP, o italiano Jannik Sinner é o jogador mais jovem no top 100 do ranking masculino. Ele começou a temporada no 551º lugar do ranking e já aparece atualmente na 78ª colocação. Entre os feitos de Sinner na última temporada estão três títulos de challenger, uma semifinal de ATP na Antuérpia e o título do Next Gen ATP Finals, em Milão. O jovem italiano também conseguiu uma expressiva vitória sobre Gael Monfils, então número 13 do mundo.

Iga Swiatek é um dos destaques da nova geração feminina em 2019

Iga Swiatek (18 anos, 60ª do ranking, Polônia)
Outro nome que já está no top 100, mas que ainda tem muito a evoluir é Iga Swiatek. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, a polonesa teve uma rápida e bem sucedida transição ao circuito profissional. Dona de um estilo de jogo versátil, ela começou a temporada na 186ª colocação do ranking da WTA, mas já aparece na 60ª posição, chegando a ocupar o 49º posto em agosto. Swiatek já tem um bom resultado em Grand Slam, oitavas de final em Roland Garros, além de ter disputado uma final de WTA em Lugano, na Suíça.

Emil Ruusuvuori (20 anos, 123º do ranking, Finlândia)
O jovem finlandês Emil Ruusuvuori foi um dos recordistas de títulos de challenger na temporada. O atleta de 20 anos venceu quatro torneios deste porte e, com isso, saltou do 385º para o 123º lugar do ranking. Ruusuvuori foi campeão em Helsinque, Glasgow, Mallorca e Fergana, além de ter ficado com o vice-campeonato no challenger de Augsburg. Além do finlandês, o sueco Mikael Ymer, o lituano Ricardas Berankis e o australiano James Duckworth também venceram quatro challengers no ano.

Cathy Mcnally (18 anos, 120ª no ranking, Estados Unidos)
A norte-americana Cathy Mcnally iniciou 2019 no 408º lugar do ranking e terminou na 120ª posição. A jogadora de apenas 18 anos venceu 26 jogos pelo circuito profissional ao longo da temporada, com destaque para uma semifinal de WTA em Washington, além de um título e um vice-campeonato em torneios de US$ 100 mil no circuito da ITF. McNally também teve grandes resultados nas duplas, conquistando dois títulos de WTA com a compatriota Coco Gauff.

Thiago Wild (19 anos, 212º do ranking, Brasil)
Terceiro melhor brasileiro no ranking da ATP e atleta nacional mais jovem entre os 500 melhores do mundo, Thiago Wild venceu 31 jogos de challenger na temporada, com direito a um título em Guayaquil, e também conseguiu sua primeira vitória no circuito da ATP em São Paulo. O paranaense de 19 anos e que adota um estilo de jogo agressivo iniciou a temporada no 449º lugar do ranking da ATP e já aparece na 212ª colocação.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Whitney Osuigwe (17 anos, 137ª no ranking, Estados Unidos)
Ex-líder do ranking mundial juvenil, Whitney Osuigwe é considerada uma das principais promessas do tênis norte-americano. Ela foi campeã juvenil de Roland Garros em 2017, com apenas 15 anos, e deu um salto no ranking da WTA durante o ano passado. Em 2018, Osuigwe foi do 1.120º lugar para a 202ª posição. Já na atual temporada, chegou a ocupar a 105ª colocação em agosto, mas termina o ano no 137º lugar. É uma forte candidata a entrar no top 100 já em 2020.

Leylah Fernandez (17 anos, 211ª no ranking, Canadá)
Atual campeã juvenil de Roland Garros, a canadense de 17 anos Leylah Fernandez já está em processo de transição para o circuito profissional. Ela iniciou a temporada no 434º lugar do ranking da WTA e já está muito próxima do top 200. Este ano, Fernandez ganhou seu primeiro título profissional em ITF de US$ 25 mil de Gatineau, além de também ter feito boas campanhas em Granby e Vancouver e de furar um quali de WTA em Hiroshima.

Daria Snigur (17 anos, 237ª no ranking, Ucrânia)
A promissora ucraniana Daria Snigur conquistou o título juvenil de Wimbledon e terminou a temporada em grande estilo. Ela venceu seis jogos seguidos pelo ITF de US$ 100 mil+H de Dubai na semana passada e foi desde o quali até a final do torneio. Duas dessas vitórias foram contra adversárias do top 100, a 95ª colocada Anastasia Potapova e a ex-top 10 e atual 38ª do ranking Kristina Mladenovic. A campanha rendeu um salto do 328º para o 237º lugar na classificação da WTA. No início do ano, ela era apenas a número 752 do mundo.

Carlos Alcaraz Garfia (16 anos, 491º no ranking, Espanha)
O jovem espanhol Carlos Alcaraz Garfia conseguiu uma façanha em 2019. Ele tinha apenas 15 anos quando conseguiu suas primeiras vitórias contra adversários no top 200 do ranking da ATP. Atleta mais jovem no top 500 e treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz estará no Brasil para a disputa do Rio Open em 2020.

Nomes já consolidados

Entre os jovens tenistas já consolidados no circuito masculino, vale destacar o nome de Alex De Minaur. O australiano de apenas 20 anos ganhou três títulos de ATP em 2019 e já aparece no 18º lugar do ranking mundial. Sempre consistente do fundo de quadra, tem potencial para ir ainda mais longe no ranking e também nos grandes torneios. Os promissores canadenses Denis Shapovalov, número 15 do mundo aos 20 anos, e Felix Auger-Aliassime, 21º colocado aos 19, também são candidatos a títulos na próxima temporada.

Já no sempre equilibrado circuito feminino, a ucraniana Dayana Yastremska chega muito forte para a próxima temporada. A jovem ucraniana de 19 anos já ocupa o 22º lugar do ranking e tem três títulos de WTA no currículo. Ela reforçou sua equipe com o treinador alemão Sascha Bajin, eleito o melhor técnico da temporada de 2018.

Vale destacar também duas jogadoras que fizeram bonito no saibro, a canhota tcheca de 19 anos e finalista de Roland Garros Marketa Vondrousova (16ª do ranking) e a norte-americana de 18 anos e 24ª colocada Amanda Anisimova, semifinalista do Grand Slam francês. Outra jovem norte-americana que chega em ótima fase para 2020 é Sofia Kenin, 14ª do ranking aos 21 anos.

Campeão em Roland Garros, Pucinelli já pensa na grama
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2019 às 8:44 pm

O tênis brasileiro teve uma ótima notícia no último sábado com a conquista de Matheus Pucinelli na chave de duplas do torneio juvenil em Roland Garros. Ele e o argentino Thiago Tirante venceram a final contra o italiano Flavio Cobolli e o suíço Dominic Stricker por 7/6(3) e 6/4. Pucinelli repete um feito de Gustavo Kuerten, que foi campeão juvenil de duplas em Paris ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti em 1994. Três anos depois, Guga conquistaria o primeiro de seus três títulos em Paris como profissional.

Matheus Pucinelli conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Matheus Pucinelli (de azul) conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

O título de Pucinelli é o 36º Grand Slam do tênis brasileiro e o nono troféu de Roland Garros. O paulista de 18 anos também é o sétimo atleta nacional a conquistar um Slam como juvenil. Em simples, alagoano Tiago Fernandes foi campeão na Austrália em 2010, enquanto o paranaense Thiago Wild venceu o US Open no ano passado. Nas duplas, Guga venceu Roland Garros há 25 anos, Felipe Meligeni Alves tem um título do US Open em 2016 com o boliviano Jorge Aguilar, enquanto a parceria nacional de Orlando Luz e Marcelo Zormann ganhou Wimbledon em 2014.

A boa campanha de Pucinelli, que também venceu um jogo em simples, faz com que ele ganhe quatro posições no ranking mundial juvenil da ITF e apareça nesta segunda-feira no 22º lugar. O resultado também já o classifica para o US Open, em setembro. Lembrando que para a composição do ranking juvenil de um tenista são considerados os seis melhores resultados do ano em simples e mais 1/4 da soma entre as seis melhores pontuações em duplas. Esta é sua última temporada no circuito de base, mas ele poderá utilizar esse ranking para entrar em algumas competições profissionais do ano que vem.

Em entrevista ao site Roland Garros Ao Vivo, mantido pela Federação Francesa de Tênis, Pucinelli havia dito no início do torneio que o saibro não era seu melhor piso. “Não é um piso que eu prefiro tanto. Mas estou gostando bastante de jogar o torneio pela primeira vez”, disse após a vitória por duplo 6/4 sobre o francês Valentin Royer ainda na primeira rodada. Na ocasião, ele também destacava que as condições mais rápidas daquele dia o ajudaram. “Achei o jogo um pouco rápido, está mais seco, e consegui sacar bem. Acho que isso foi o diferencial”.

Atleta do Instituto Tênis, Pucinelli esteve acompanhado pelo supervisor técnico Rafael Paciaroni em Roland Garros. O calendário de competições para as próximas semanas já foi definido. Primeiro, ele joga dois futures no saibro. Nesta semana, ele atua em Kaltenkirchen, na Alemanha. Depois vai para Balatonalmadi, na Hungria. Na sequência, fará a transição para a grama. Ele disputa o ITF J1 de Roehampton e segue para Wimbledon. Será sua segunda participação no Slam londrino, onde ele caiu ainda no quali de simples no ano passado, mas alcançou as quartas de final em duplas.

“Tive a experiência no ano passado em Wimbledon e já consegui sentir um pouco a grama. Acho que é um bom piso para o meu estilo de jogo. Gosto de sacar e volear, e subir pra rede. Vou trabalhar muito para ver se eu consigo ir bem na chave de simples”, comentou Pucinelli ao Roland Garros Ao Vivo.

O ponto alto da campanha foi a rodada dupla vencida na última sexta-feira. A parceria sul-americana começou aquele dia vencendo o norte-americano Zane Khan e o chinês Bu Yunchaokete pelas quartas de final por 6/3 e 6/2. Horas depois, também venceram o tcheco Andrew Paulson e o ucraniano Eric Vanshelboim por 6/1 e 6/0. Sobre sua parceria com o argentino Tirante, Pucinelli cita que uma antiga rivalidade favoreceu o entrosamento. “Desde pequenos a gente se conhece. Já jogamos juntos muitas vezes, um contra o outro. Tínhamos uma rivalidade desde os 13 ou 14 anos, mas sempre nos demos bem e o jogo acabou encaixando. Ele tem um saque forte e uma direita forte, e eu ia fechando bem a rede”, falou à página oficial do Grand Slam francês.

Canadá, Dinamarca e Mouratoglou

O torneio juvenil de Roland Garros terminou com títulos para a canadense Leylah Fernandez e o dinamarquês Holger Rune. No sábado, Fernandez venceu a norte-americana Emma Navarro por 6/3 e 6/2, enquanto Rune bateu o também estadunidense Toby Kodat por 6/3, 6/7 (5-7) e 6/0.

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Fernandez é mais um prodígio do tênis canadense. Com excelente trabalho de base feito pela federação nacional nos últimos anos, já surgiram Denis Shapovalov, Felix Auger-Aliassime e Bianca Andreescu. A canhota canadense de 16 anos já havia sido finalista do Australian Open juvenil em janeiro e agora aparece no terceiro lugar do ranking da categoria. Embora não pareça muito alta, Fernadez consegue gerar potência nos golpes dos dois lados, bate reto na bola e consegue entrar na quadra para a definição dos pontos.

Já Rune completou 16 anos em abril e já é o novo número 2 no ranking da ITF. Ele dá o segundo título de Grand Slam juvenil para a Dinamarca só neste ano. Lembrando que em janeiro, Clara Tauson foi campeã na Austrália. O bom momento dos jovens dinamarqueses já havia sido comentado pelo veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen, em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open.

“Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”, afirmou Nielsen, em fevereiro. “Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”.

Outro dado a destacar de Rune é que ele é mais uma cria da academia de Patrick Mouratoglou. Nos últimos anos, a renomada escola francesa formou sete finalistas e cinco campeões de torneios juvenis de Grand Slam. Só em Roland Garros, são três conquistas seguidas no masculino com Alexei Popyrin, Jason Tseng e Holger Rune. Entre as meninas, Cori Gauff foi campeã no ano passado em Paris. Além deles, o próprio Tseng ganhou Wimbledon em 2018, enquanto o italiano Lorenzo Musetti tem um vice no US Open e um título na Austrália.

https://twitter.com/MouratoglouAcad/status/1137416514901086208

https://twitter.com/MouratoglouAcad/status/1136945942219886592

Osaka salta do 72º lugar ao número 1 em um ano
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2019 às 9:36 pm

A chegada de Naomi Osaka à liderança do ranking mundial com apenas 21 anos marca o ápice de uma rápida evolução no circuito ao longo dos últimos doze meses. Vencedora dos dois últimos Grand Slam, o US Open do ano passado e o Australian Open deste ano, Osaka aparecia apenas no 72º lugar do ranking em janeiro de 2018 e teve uma incrível escalada para o topo.

“Eu sinto que nos últimos dois anos, tudo que eu realmente queria fazer era estar no top 10, porque eu pensei que é assim que você constrói o seu nome. Estar nesta posição agora é realmente surreal”, disse Osaka, em entrevista ao site da WTA após a vitória por 7/6 (7-2), 5/7 e 6/4 na final do Australian Open contra Petra Kvitova no último sábado.

Introvertida para falar em público, a japonesa expressa com simplicidade o sentimento de ser a nova número 1. “Ainda não sinto que isso tenha acontecido. Talvez no próximo torneio eu jogar e vir o número 1 ao lado do meu nome, eu sentirei algo. Mas agora, estou mais feliz poque ganhei este troféu”, falou durante a coletiva de imprensa após a final em Melbourne.

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Atualmente com 7.030 pontos no ranking, Osaka acumulava apenas 871 na lista divulgada em 15 de janeiro de 2018, a última antes de chegar pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam. Superada pela então número 1 do mundo Simona Halep no Australian Open do ano passado, Osaka sairia do torneio com 240 pontos (defendia apenas 70) para chegar ao 52º lugar. Aquele era apenas o segundo torneio que ela disputava com seu então novo treinador, o alemão Sascha Bajin, que durante uma década atuou como rebatedor nas equipes de Serena Williams, Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki e fazia sua primeira experiência como técnico principal de uma jogadora.

O segundo salto no ranking aconteceria em março. A japonesa era a 44ª colocada e enfrentaria a ex-número 1 e então 41ª do mundo Maria Sharapova logo na primeira rodada do Premier de Indian Wells. Depois de eliminar a russa com uma vitória por duplo 6/4, Osaka também passou na fase seguinte por outra adversária expressiva, a polonesa Agnieszka Radwanska.

A chave abriu para a japonesa, que eliminou Sachia Vickery (100ª) e Maria Sakkari (58ª) antes de cruzar o caminho da número 5 do mundo Karolina Pliskova nas quartas. Com uma boa vitória por 6/2 e 6/3, a jovem jogadora garantiu uma revanche contra Halep e despachou a líder do ranking marcando 6/3 e 6/0. Na final, venceu um duelo da nova geração contra a favorita russa de 20 anos e 19ª do ranking Daria Kasatkina por 6/3 e 6/2 para conquistar seu primeiro título na elite do circuito, faturar mil pontos no ranking e ir parar na 22ª posição.

O que se viu nos meses seguintes ao de seu primeiro título foi uma Osaka bastante instável no circuito. Os destaques ficavam para a vitória em Miami sobre uma Serena Williams que ainda fazia seu segundo torneio desde o nascimento da filha e para uma semifinal alcançada na grama inglesa de Nottingham. Passando a lidar com o favoritismo a pressão, a japonesa desabafou nas redes sociais. Três semanas antes de conquistar seu primeiro Grand Slam, Osaka escreveu uma mensagem em que admitia que sua vida havia mudado muito, mas mas que sentia estar voltando à direção certa e que estava novamente se divertindo em jogar tênis.

https://twitter.com/Naomi_Osaka_/status/1030201441309343749

Eu não sentia muito bem a bola e isso me levou a um ponto em que eu comecei a ficar muito frustrada e deprimida durante os treinos. Tive muita pressão no começo da temporada de quadras duras, porque havia senti que havia muita expectativa sobre mim desde Indian Wells e eu não me sentia mais uma ‘zebra’, o que é totalmente novo para mim.

Se alguém acompanhou o torneio de Cincinnati deve saber que que no jogo que eu perdi eu dei um passo na direção certa. As coisas não estavam funcionando da maneira como eu queria, mas finalmente eu senti que estava me divertindo ao jogar tênis, o que eu não sentia desde Miami. Então estou muito feliz e animada por isso.

Osaka chegou ao US Open como número 18 do mundo e vinda de duas eliminações em terceiras rodadas de Grand Slam, em Roland Garros e Wimbledon. Nas duas primeiras fases em Nova York, passou por adversárias de fora do top 100, a alemã Laura Siegemund (uma ex-top 30, mas que voltava de grave lesão no joelho) e a israelense Julia Glushko antes da primeira grande vitória, um duplo 6/0 sobre a bielorrussa Aliaksandra Sasnovich, número 33 do mundo. Na fase seguinte, mais uma bielorrussa pelo caminho, a 20ª colocada Aryna Sabalenka, e o único jogo de três sets da campanha para o título. A japonesa ainda passaria por Lesia Tsurenko e Madison Keys antes de chegar à sua primeira final de Grand Slam e reencontrar Serena Williams.

A admiração de Osaka por Serena era evidente. Respondeu com um “Eu te amo” a uma pergunta feita após a vitória na semi se teria alguma algo a dizer à próxima adversária. O que se viu dois dias depois no Arthur Ashe Stadium foi um ambiente montado para celebração do 24º título de Grand Slam de Serena Williams, o primeiro depois de passar por uma gravidez de risco e se tornar mãe, que a igualaria à australiana Margaret Court como as maiores vencedoras em todos tempos.

Em sua primeira final de Slam, Osaka não se intimidou em nenhum momento da partida, nem mesmo durante e depois das ríspidas discussões entre Serena e o árbitro português Carlos Ramos. Com a vitória por 6/2 e 6/4, a japonesa conquistou Nova York e se tornou a primeira jogadora de seu país a vencer um Grand Slam, além de ser apenas a quarta atleta da nação a debutar no top 10, chegando ao sétimo lugar.

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Depois da partida, Osaka foi às lágrimas por conta do clima hostil no estádio após a derrota da favorita da casa. A japonesa preferiu esconder o rosto durante a cerimônia de premiação. “Eu não queria que as pessoas me vissem chorando, porque isso é patético”, disse em entrevista á revista norte-americana Time, de janeiro de 2019.

Ainda assim, ela insiste que continua a admirar Serena e não mudaria nada do que aconteceu. “Em um sonho perfeito, as coisas aconteceriam exatamente do jeito que você gostaria. Mas é mais interessante que na vida real, as coisas não são exatamente como você planejou. E há certas situações que você não espera, mas elas vêm até você e criam uma base para novas experiências”, afirmou à Time. “Serena é Serena. Eu não vivi a vida dela. Não posso dizer a ela o que ela deveria fazer, porque tem coisas que só ela passou. Não tenho nada contra ela. Na verdade, eu ainda a amo muito”.

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Diferente do que aconteceu com muitas jogadoras que recentemente conquistavam seus primeiros títulos de Grand Slam, mas caíam de rendimento logo depois, Osaka se manteve competitiva. Duas semanas após o título em Nova York, já disputava mais uma final, desta vez em Tóquio, onde perdeu para Karolina Pliskova. A japonesa também foi semifinalista em Pequim antes de terminar 2018 eliminada ainda na fase de grupos do WTA Finals. Ao alcançar a posição de número 4 do mundo, a jovem jogadora já havia igualado os melhores rankings da história de seu país, de Kei Nishikori e Kimiko Date. Por sua vez, o técnico Sacha Bajin foi eleito entre seus pares como o melhor da temporada. Logo no início de 2019, outra boa campanha: uma semifinal em Brisbane que a deixou muito próxima de um inédito top 3.

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

De volta a Melbourne, agora na condição de campeã de Grand Slam, e com quatro semifinais nos últimos cinco torneios que havia disputado, Osaka era também uma das onze candidatas à liderança do ranking mundial. Depois de passar pela polonesa Magda Linette e pela eslovena Tamara Zidansek nas fases iniciais, veio o primeiro teste para a japonesa no torneio. Ela perdeu o primeiro set para a taiwanesa Su-Wei Hsieh e estava bastante frustrada em quadra, mas conseguiu buscar a virada com parciais de 5/7, 6/4 e 6/1.

“Estou feliz com o quanto eu lutei. Para mim, essa é uma das maiores coisas que eu sempre achei que poderia melhorar, porque parece que antes eu aceitaria a derrota”, disse em entrevista coletiva após a partida. “Eu entrei no jogo sabendo que ela ia fazer um monte de coisas estranhas, sem ofensas (sorrindo). Mas ela estava jogando tão bem que eu fiquei impressionada. E no começo do segundo set eu tentei fazer coisas que eu sei que não são necessariamente do meu jogo, como se eu estivesse tentando acertar bolas mais altas. Eu nem treino isso”.

“Então depois de um tempo, comecei a pensar que estou em um Grand Slam. Eu não deveria estar triste, estava jogando contra uma jogadora muito boa, então eu deveria aproveitar o meu tempo e tentar colocar toda a minha energia em fazer o melhor que posso em cada ponto”, comenta a japonesa, que ainda passou por Anastasija Sevastova nas oitavas e Elina Svitolina nas quartas antes de vencer a semifinal contra Pliskova por 6/2, 4/6 e 6/4.

“Não acho necessariamente que joguei o meu melhor tênis, mas nunca desisti, e isso é algo de que eu realmente me orgulho”, avaliou a japonesa após vencer a difícil semifinal em três sets. “Em alguns momentos eu pensei ‘O jogo está ficando muito equilibrado’, mas eu não me perdoaria se eu tivesse um pequeno vacilo ou se aceitasse a derrota”, comentou a jovem jogadora. “Quando você é pequena, você assiste os Grand Slam e vê todos os grandes jogadores. Para mim, são os torneios mais importantes. Há apenas quatro deles por ano, então é claro que quero fazer o melhor que posso aqui. São os lugares onde eu acho que vale todo o treinamento”.

Já na final contra Petra Kvitova, Osaka teve a chance de definir a disputa em sets diretos, mas viu a canhota tcheca salvar três match points no saque quando perdia o segundo set por 5/3 e forçar o terceiro set, mas ainda assim pôde se manter mentalmente na disputa. “Os match points foram no saque dela, então ela deveria confirmar seu saque. Ela é uma das melhores jogadoras do mundo, então não achei que fosse um drama”, argumentou após a partida sobre como lidou com a situação. “Quero dizer, não demorou muito. Eu não tive escolha. Acho que se eu não me reagrupasse depois do segundo set, eu provavelmente teria chorado ou algo assim”.

A origem da família e a inspiração nas Williams – Filha da japonesa Tamaki Osaka e do haitiano Leonard Maxine François, Naomi Osaka é a mais filha mais nova do casal. Sua irmã, Mari Osaka, está com 22 anos e também é tenista profissional, ocupando atualmente a posição de número 332 do ranking da WTA. Os dois se conheceram quando estudavam juntos em Sapporo e se mudaram para Osaka, no sul do país, porque os pais de Tamaki não aceitavam o relacionamento da filha com um homem estrangeiro. A família migrou do Japão para os Estados Unidos quando Naomi tinha apenas três anos e se estabeleceu na Flórida a partir de 2006 para que as meninas tivessem mais oportunidades no tênis.


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A inspiração para que Naomi e Mari jogassem tênis veio após o pai assistir a uma partida entre as irmãs Venus e Serena Williams pela TV. Leonard até repetiu os passos de Richard Williams ao evitar colocar as filhas em torneios juvenis e treiná-las jogando sucessivamente uma contra a outra. Em entrevista ao New York Times em agosto do ano passado, Naomi Osaka falou sobre o desafio diário de enfrentar a irmã mais velha. “O mais importante para mim era ganhar da minha irmã. Para ela, não era uma competição, mas para mim, todo dia era uma competição. Todo dia eu dizia, ‘eu vou ganhar de você amanhã'”.

No Japão, pessoas de origem multirracial são chamadas de hafu (da palavra inglesa ‘half’, ou metade). Até por isso, Osaka encontrou algumas barreiras dentro de seu próprio país. Um exemplo disso vinha das próprias colegas de circuito, como na declaração da atual 115ª colocada Nao Hibino ao New York Times no ano passado. “Para ser honesta, nós nos sentimos um pouco distantes dela, porque ela é fisicamente diferente, cresceu em um lugar diferente e não fala muito japonês. Não é como Kei [Nishikori], que é um jogador japonês puro”.

Até por isso, o legado de Naomi Osaka pode ir além do tênis e aumentar a representatividade étnica dentro da sociedade japonesa. É o que aposta seu agente Stuart Duguid, da IMG. “Quando olho 15 anos para o futuro, vejo Naomi tendo uma ótima carreira no tênis”, falou em agosto ao New York Times. “Mas também espero que ela tenha mudado a percepção cultural sobre as pessoas multirraciais no Japão. Espero que ela tenha aberto as portas para outras pessoas seguirem, não apenas no tênis ou nos esportes, mas em toda a sociedade. Ela pode ser uma embaixadora da mudança”.

Osaka chegou a receber ofertas para defender os Estados Unidos, mas a escolha por defender o Japão e ser uma pioneira no tênis de seu país, em vez de ser apenas mais uma promissora atleta norte-americana, trouxe uma série de contratos com grandes empresas japonesas. Em recente entrevista à revista Time, a jovem jogadora mais uma vez fez o simples ao definir sua nacionalidade. “Eu realmente não sei como é se sentir japonesa, haitiana ou americana. Eu me sinto apenas como eu”.

O torneio juvenil – Chegou ao fim no último sábado o torneio juvenil do Australian Open. Como de costume, o Grand Slam australiano é o único que disponibiliza sua principal quadra para a nova geração e as duas finais foram disputadas na Rod Laver Arena.

No feminino, Clara Tauson conquistou o título ao vencer a canhota canadense Leylah Fernandez por 6/4 e 6/3. Esta foi a terceira final entre as duas jogadoras de 16 anos no circuito, que iniciaram a rivalidade com uma vitória de Fernandez no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre do ano passado, enquanto Tauson já havia levado a melhor no torneio torneio preparatório para o Australian Open em Traralgon.

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Tauson é a quarta jogadora dinamarquesa a conquistar um título de Grand Slam como juvenil, e a primeira desde que Caroline Wozniacki venceu Wimbledon em 2006. Ela também se torna a primeira jogadora de seu país a liderar o ranking mundial da categoria, lembrando que Wozniacki chegou a segunda posição durante as competições de base. A ITF ainda cita que Eva Dyrberg foi número de duplas, antes da Federação Internacional estabelecer um ranking unificado para os juvenis.

No masculino, o campeão foi o italiano Lorenzo Musetti, que já havia sido finalista no US Open e perdido para Thiago Wild na decisão. O jogador de 16 anos venceu uma equilibrada final contra o norte-americano Emilio Nava por 4/6, 6/2 e 7/6 (14-12) e recebeu o troféu das mãos de Ivan Lendl. Musetti sobe do quarto para o segundo lugar no ranking juvenil, atrás apenas do taiwanês Chun Hsin, atual campeão de Roland Garros e Wimbledon.