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Jovens promissoras ganham chance no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 9:38 am
A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

Em uma edição atípica do US Open, sem as disputas do quali e do torneio juvenil, a organização do Grand Slam norte-americano acabou dando algumas chances já na chave principal para algumas jovens promissoras. Atletas que ainda estão se firmando no circuito profissional como Leylah Fernandez, Whitney Osuigwe e Hailey Baptiste, e juvenis como Robin Montgomery e Katrina Scott são algumas das representantes da nova geração em quadra.

Desse grupo, a canadense Leylah Fernandez é quem mais se destaca no início da carreira profissional. A jogadora de 17 anos e 104ª do ranking já tem uma vitória contra top 10, obtida diante de Belinda Bencic na Fed Cup, e derrotou Sloane Stephens duas vezes este ano. A canhota também já disputou uma final de WTA, no início do ano em Acapulco.

Campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, Fernandez disputará uma chave principal de Grand Slam pela segunda vez. No início da temporada, ela furou o quali do Australian Open. Sua estreia em Nova York será em duelo de gerações contra a russa de 35 anos Vera Zvonareva, ex-número 2 do mundo. Se vencer, tem chance de encarar a número 4 do ranking Sofia Kenin já na segunda rodada.


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Outra jovem promessa que já teve a oportunidade de vivenciar um ambiente de Grand Slam é Whitney Osuigwe, que aos 18 anos vai para seu terceiro US Open e o quarto Slam. A norte-americana ocupa o 143º lugar do ranking e acabou entrando diretamente na chave, já que o torneio feminino teve muitas desistências. A estreia de Osuigwe, que busca sua primeira vitória em Grand Slam será contra a ucraniana Kateryna Kozlova, 99ª do ranking. E, se vencer, pode encarar a cabeça 6 Petra Kvitova na rodada seguinte.

O convite inicialmente reservado a Osuigwe foi para Katrina Scott, de apenas 16 anos e número 637 do mundo. Apesar da pouca experiência entre as profissionais, ela já deu trabalho para a húngara Timea Babos no WTA de San Jose do ano passado e também venceu um jogo no quali do US Open de 2019. Integrante da equipe norte-americana campeã da Fed Cup Júnior do ano passado, Scott terá sua primeira chance na chave principal de um Grand Slam. Ela estreia contra a Natalia Vikhlyantseva.

Companheira de Scott na Fed Cup Júnior do ano passado, Robin Montgomery debutará em um Grand Slam com apenas 15 anos. Ela é a atual número 5 do ranking mundial juvenil da ITF e atual campeã do Orange Bowl. Entre as profissionais, já venceu um ITF de US$ 25 mil e aparece no 597º lugar do ranking da WTA. Convidada para o US Open, Montgomery jogou o quali de Cincinnati na semana passada e estreia em Nova York contra a cazaque Yulia Putintesva.

Outra estrante em Grand Slam é Hailey Baptiste, de 18 anos e número 236 do ranking. Ela já tem uma vitória sobre Madison Keys, então número 17 do mundo, conquistada em Washington no ano passado. Baptiste já tem três títulos profissionais em torneios de US$ 25 mil e vai enfrentar na primeira rodada a francesa Kristina Mladenovic, cabeça 30 em Nova York.

Onze jogadoras com menos de 20 anos
Segundo a WTA, onze jogadoras na chave principal do US Open têm menos de 20 anos. A mais jovem é Robin Montgomery, de 15 anos. Logo depois aparecem a já consolidada Coco Gauff, número 51 do mundo aos 16 anos, e também as já citadas Scott, Fernandez, Baptiste e Whitney Osuigwe. Também com 18 anos, atuam a ucraniana Marta Kostyuk e a norte-americana Catherine McNally. Já com 19 anos, as atrações são Amanda Anisimova, Iga Swiatek e Kaja Juvan.

A entidade que comanda o circuito feminino também destaca que oito jogadoras do US Open estão disputando um Grand Slam pela primeira vez. Além das já citadas Baptiste, Scott e Montgomery, outras estreantes são a norte-americana de 21 anos Usue Arconada (128ª do ranking), a russa de 20 anos Varvara Gracheva (102ª), a polonesa de 27 anos Katarzyna Kawa (125ª), a alemã de 25 anos Tamara Korpatsch (118ª) e a ucraniana de 20 anos Katarina Zavatska (108ª).

Por outro lado, a chave principal do US Open tem 26 jogadoras com mais de 30 anos. Os destaques ficam para as ex-líderes do ranking Venus Williams, já com 40 anos, Serena Williams, que tem 38, e Kim Clijsters, que volta ao circuito aos 37 anos. A última campeã de Slam com mais de 30 anos foi Angelique Kerber, na grama de Wimbledon em 2017.

Japão conquista a Davis Júnior, Brasil é 15º na Fed
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 29, 2019 às 8:04 pm

A edição de 2019 da Copa Davis Júnior, mundial para tenistas de até 16 anos, chegou ao fim neste domingo com o título do Japão. A equipe contou com Shintaro Mochizuki, campeão juvenil de Wimbledon e vice-líder do ranking mundial da categoria, para vencer os forte time dos Estados Unidos na final e conquistar a competição pela segunda vez. O primeiro título foi ainda em 2010.

Shintaro Mochizuki e Yamato Sueoka (de boné) definiram a série com vitória nas duplas. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Os norte-americanos jogavam em casa, nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida, e tinham dois top 10, o quarto colocado Martin Damm e o oitavo Toby Kodat. A série começou com Kodat vencendo Kokoro Isomura por duplo 6/3. Na sequência, Mochizuki empatou o confronto ao vencer Damm por 7/6 (7-3) e 7/5.

A decisão ficou para o jogo de duplas. Mochizuki voltou à quadra, ao lado de Yamato Sueoka, e ajudou o time japonês a vencer a forte parceria de Damm e Kodat por 6/3 e 6/4. A partida teve um momento divertido ainda no primeiro set, quando Sueoka aplicou um incrível lob e correu para o abraço, mas foi solenemente ignorado pelo parceiro.

https://twitter.com/DavisCup/status/1178393273775382535

Tenho gostado bastante dos jogos de Mochizuki, especialmente pela maneira como ele executa o backhand saltando, algo parecido com o que Gael Monfils ou Daria Kasatkina fazem atualmente nos circuitos profissionais masculino ou feminino. O japonês de 16 anos tem golpes potentes, mas também mostra ter muitos recursos. Sabe bem o que fazer quando está à rede e varia bem o saque. Um grande potencial a ser explorado.

Outra coisa que me anima na conquista dos japoneses é ver o capitão Ko Iwamoto conquistar o título. Ele vem sempre ao Brasil para trazer alguns jovens jogadores japoneses para jogar no saibro durante o Banana Bowl e o Juvenil de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau). Tive a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes, a primeira ainda em 2015 e também em 2016 para este blog. Ambas foram conversas muito proveitosas.

Norte-americanas conquistam o terceiro título seguido
O título da Fed Cup Júnior ficou mais uma vez com os Estados Unidos, que conquistam a competição pela sétima vez na história e pela terceira ocasião seguida. Diferente do que havia acontecido nos últimos anos, quando Whitney Osuigwe, Caty McNally e Coco Gauff estiveram em quadra, a capitã Jamea Jackson (ex-top 50) levou uma equipe sem campeãs ou finalistas de Grand Slam juvenil.

As norte-americanas escaladas para a competição foram Robin Montgomery (39ª colocada no ranking da ITF), Katrina Scott (43ª) e Connie Ma (329ª). Menos conhecida entre as três atletas dos Estados Unidos, Ma não é uma jogadora alta, tampouco forte fisicamente, mas isso não a impedia de jogar em cima da linha, bater reto na bola e controlar a direção dos pontos. Um bom exemplo para outras meninas da mesma idade e de mesma estrutura física.

Na final diante da República Tcheca, Connie Ma marcou 6/1 e 6/3 contra Barbora Palicova. O confronto ficou empatado depois que Linda Noskova venceu Katrina Scott por 6/2, 3/6 e 6/3. Nas duplas, Ma e Montgomery venceram Noskova e Palicova por 6/2 e 7/5.

Brasil termina apenas no 15º lugar
A equipe brasileira da Fed Cup Júnior terminou a competição na 15ª posição entre 16 equipes. O único confronto vencido pelo Brasil foi neste domingo diante da Coreia do Sul, no playoff que definiu as duas últimas posições da competição. A catarinense Priscila Janikian venceu Ji Min Kwon por 6/1 e 6/3, a paulista Juliana Munhoz perdeu para Bo Young Jeong 4/6, 6/1 e 6/4. Nas duplas, Janikian e a goiana Lorena Cardoso venceram Hyeongju Han e Bo Young Jeong por 6/1 e 6/3.

O Brasil não havia vencido nenhum confronto na fase de grupos, em que enfrentou Estados Unidos, Coreia do Sul e Tailândia. Sem chances de disputa pelo título, a equipe nacional participou do playoff que define do 9º ao 16º lugar. Elas foram superadas nos duelos sul-americanos contra Peru e Argentina antes de reencontrarem e vencerem a equipe sul-coreana neste domingo. Demos todos os resultados no TenisBrasil, basta clicar nos nomes dos países adversários.

Do que eu acompanhei entre as brasileiras (todas são nascidas em 2003), a Lorena me pareceu um pouco mais pronta para jogar torneios juvenis de 18 anos e os primeiros ITFs no circuito profissional. É quem eu mais vi jogar mais em cima da linha de base e pegando mais bolas na subida. Pude ver também a Juliana devolvendo saques mais fracos das rivais com um ou dois passos dentro da quadra. Mas também vi algumas vezes as brasileiras indo para trás e apostando em bolas altas, algo bem comum entre as sul-americanas.

Em termos de resultado, preocupa ver que o Brasil perder cinco dos seis confrontos na semana, e vencer apenas três jogos em 16 possíveis. Em simples, a equipe do capitão Mário Mendonça só ganhou uma partida das doze que disputou. É extremamente injusto criticar ou atribuir culpa a meninas de 15 ou 16 anos. E não farei isso. Mas é preciso olhar com mais atenção para as etapas de formação dessas jogadoras e torcer para que um dia possamos noticiar e divulgar mais vitórias e bons resultados dessas meninas, como tantas vezes fizemos para outros bons nomes do tênis feminino brasileiro.

Não custa lembrar que as brasileiras conquistaram a vaga para jogar a Fed Cup Júnior após um terceiro lugar no Sul-Americano da categoria, que aconteceu em agosto no Chile. A equipe masculina do Brasil sequer se classificou para a Davis Júnior, já que ficou apenas na quinta posição da seletiva continental.