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O despertar da Rússia
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 3, 2016 às 7:37 pm

O tênis russo está em reconstrução depois de um período adormecido, com direito à uma debandada de jogdadores para países próximos com condições mais atrativas (Olá, Cazaquistão). Só neste final de semana, a nova geração do país comemorou um título de ATP e o da Copa Davis Júnior, além de ter uma boa campanha na Fed Cup da categoria.

Não nos esqueçamos de Andrey Rublev, que foi número 1 juvenil e já ocupa o 172º lugar do ranking aos 18 anos, com 12 vitórias em ATP na carreira, e da volta ao Grupo Mundial da Copa Davis profissional depois de cinco anos, conquistada em setembro último. Pouco a pouco, os russos estão de volta.

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Karen Khachanov foi o grande nome da semana ao conquistar o ATP 250 de Chengu. O moscovita de 20 anos tem 1,98m passou por três cabeças de chave antes, João Sousa, Feliciano López e Viktor Troicki de derrotar o canhoto espanhol Albert Ramos na final por 6/7 (4-7), 7/6 (7-3) e 6/3. O resultado, o fez ganhar 46 posições no ranking e saltar para o 55º lugar.

Medalhista de prata na chave de duplas dos Jogos Olímpicos da Juventude, Khachanov treina na Espanha com Galo Blanco e por isso, ganhou convite para o quali do ATP 500 de Barcelona este ano, onde aproveitou a chance e ganhou do top 20 Roberto Bautista Agut em seu primeiro resultado expressivo como profissional. Ele já soma 15 vitórias em ATP na carreira, sendo onze na atual temporada e também possui dois títulos de nível challenger.

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Outro grande resultado para a Rússia foi o título da Copa Davis Júnior, o Campeonato Mundial da categoria 16 anos masculino, em Budapeste, na Hungria. Foi a primeira vez que o país ganhou a competição, depois de um título da União Soviética em 1990.

O time de Timofey Skatov, Alen Avidzba e Alexey Zakharov fez uma primeira fase impecável e venceu as nove partidas (seis de simples e três de duplas) num grupo com Japão, Alemanha e Egito. No sábado, eles venceram a semifinal contra a Argentina e impediram o bicampeonato do Canadá no dia seguinte.

O Canadá, aliás, estava com equipe quase toda nova em relação ao ano passado. Exceção feita a Felix Auger-Aliassime, número 2 do ranking mundial juvenil e recém-coroado campeão do US Open. Ele foi responsável pela única derrota russa em uma partida de simples nesta Davis Júnior, marcando o único ponto canadense na final.

Menção também à Argentina, que conseguiu um terceiro lugar com Sebastian Baez (campeão de simples e duplas no Orange Bowl de 16 anos em 2015), Thiago Tirante e Tomas Descarrega. Eles venceram o forte time dos Estados Unidos na decisão do bronze. O país tentava chegar à sua terceira final de Davis Júnior, repetindo as campanhas de 2007 e 2008, sendo que o Chile foi a única nação sul-americana a vencer a competição em 2001.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild  venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

O Brasil teve pouco a comemorar ao terminar a Davis Júnior em 13º lugar entre as 16 nações participantes. O melhor resultado de Thiago Wild, Mateus Alves e Gilbert Klier foi a vitória por 2 a 1 contra os Estados Unidos ainda na fase de grupos. Em chave complicada com República Tcheca e Suíça, o Brasil venceu só mais um jogo e ficou em último lugar no grupo. A reabilitação veio no fim de semana, com vitórias contra Chile (2-0) e Marrocos (2-1).

Paralelamente, há a preocupante notícia da perda do patrocínio dos Correios para a Confederação Brasileira. Ao todo, 55 contratos (de atletas, técnicos e funcionários) foram cancelados. E mesmo que haja renovação posterior, o valor seria de até 15% do investimento atual. Muitos de nossos juvenis dependem do dinheiro dos Correios para custear suas despesas. Há algumas semanas, havia levantado as campanhas dos brasileiros em Grand Slam juvenil e relatei que houve queda no número de representantes nos últimos anos. Um quadro pode ficar mais grave nos próximos anos.

 

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

A surpresa em Budapeste foi a conquista da Polônia na Fed Cup Júnior, derrotando a até então invicta Rússia na semifinal e os Estados Unidos na decisão. É a segunda conquista do país, que também foi campeão em 2005 liderado pelas irmãs Agnieszka e Urszula Radwanska.

O time da Polônia contou com Iga Swiatek (12ª), Maja Chwalinska (96ª) e Stefanie Rogozinska-Dzik (171ª). Todas elas são de 2001 e podem defender o título no ano que vem. Para efeito de comparação, as russas tinham 2 e 3 do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova e Olesya Pervushina, e as americanas contava com a quarta e décima colocadas, Amanda Anisimova e Claire Liu.

Cinco ‘adolescentes’ já venceram challengers este ano
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2016 às 7:28 pm

Ainda estamos em maio e cinco nomes da nova geração do tênis masculino já conquistaram títulos em challenger antes de completarem 20 anos de idade. Depois de Taylor Fritz, Andrey Rublev, Blake Mott e Quentin Halys, o russo Karen Khachanov se juntou ao grupo de jovens vencedores ao ficar com o troféu em Samarkland no último sábado.

Russo Khachanov é o 5º com menos de 20 anos a vencer um challenger no ano (Foto: Barcelona Open Banc Sabadell)

Russo Khachanov é o 5º com menos de 20 anos a vencer um challenger no ano
(Foto: Barcelona Open Banc Sabadell)

Aqui cabe uma observação sobre o termo. Os americanos e demais países de língua inglesa usam teenager, para designar o jovem com menos de 20 anos. Como o tênis não trabalha com categorias “Sub-20″, a palavra que transmite melhor essa ideia quando traduzimos para o português, é “adolescente”, embora o termo seja usado com mais frequência por aqui para falar de quem tem menos de 18 anos.

Um exemplo de como a há uma geração muito boa por vir é um breve quadro comparativo com as últimas temporadas. Em 2014, apenas seis jogadores com menos de 20 anos venceram torneios de nível challenger. Já no ano passado, foram treze conquistas de atletas da mesma faixa etária (sendo oito títulos para quem tinha até 18 anos). Antes da metade do ano, os jovens já repetiram quase 40% dos ótimos números de 2015.

Entre os jovens vencedores deste início de temporada, os nomes de Taylor Fritz e Andrey Rublev são certamente os mais conhecidos. Ambos são ex-líderes do ranking mundial juvenil e foram campeões de Grand Slam na categoria de acesso. Em 2016, o americano venceu o challenger de Happy Valley, na Austrália, e o russo triunfou na cidade francesa de Quimper.

Para Fritz, até mesmo os challengers já são parte do passado, apesar da pouca idade. O atual 72º do mundo entrou no top 100 em fevereiro e foi finalista do ATP de Memphis. Ele já tem nove vitórias em ATP na carreira (sendo oito este ano) e monta um calendário já priorizando os grandes torneios. Por sua vez, Rublev subiu bastante graças aos treze(!) convites para chaves de ATP que já recebeu em apenas dois anos de circuito, mas ocupa ainda o 149º lugar. O jovem russo venceu dez partidas em ATP, mas só uma este ano.

Promessa francesa Halys ganhou convite para a chave de Roland Garros

Promessa francesa Halys ganhou convite para a chave de Roland Garros

Quentin Halys foi campeão há duas semanas em Tallahassee, nos Estados Unidos. O atual 154º colocado aos 19 anos chamou a atenção pela primeira vez em janeiro, quando fez uma boa apresentação contra Novak Djokovic no Australian Open. A promessa francesa está com seu melhor ranking na carreira e foi convidado para a chave principal de Roland Garros.

Karen Khachanov é um grandalhão de 1,98m aos 19 anos. Natural de Moscou, o russo treina em Barcelona com Galo Blanco e, por isso, ganhou convite para o quali do ATP 500 espanhol. Ele aproveitou a chance e foi até às oitavas, derrotando o top 20 Roberto Bautista Agut. O russo, que foi medalhista de prata na chave de duplas dos Jogos Olímpicos da Juventude, concilia a circuito com faculdade de Educação Física. Ele aparece com o melhor ranking ao ocupar o 109º lugar e tentará o quali em Paris.

Mott é o jogador menos conhecido entre os jovens vencedores, já que não teve resultados expressivos como juvenil e ainda está no 336º lugar da ATP. Ele chegou a engatar uma sequência de nove vitórias seguidas ao ser campeão em Launceston e depois ser vice no future de Port Pirie, ambos em seu país de origem. Por ter vencido um challenger quando era 721º do mundo, é o quinto atleta de ranking mais baixo a ganhar um torneio neste nível desde 2000.

Fortes torneios juvenis na Itália – Na semana passada, falamos sobre o início da série de principais competições juvenis no saibro europeu. O tradicional evento G1 Città Di Santa Croce, na Itália, teve título masculino para o cabeça 4 australiano Alexei Popyrin, com os americanos Brandon Holt e Vasil Kyrkov nas duplas. A chave feminina teve surpresas com as eliminações precoces das favoritas Katie Swan e Charlotte Robillard-Millette e título da espanhola Eva Guerrero Alvarez, que bateu a cabeça 6 britânica Emily Appleton na decisão.

O torneio desta semana é o 57º Trofeo Bonfiglio, em Milão, que será a principal competição preparatória para Roland Garros. São seis top 10 no masculino e outras duas no evento feminino. Os brasileiros Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves estão na chave principal da competição de nível GA com 250 pontos para o vencedor, além de um bônus na pontuação a partir de oitavas de final.

Zormann vence future – Uma boa notícia para a nova geração do tênis brasileiro foi o primeiro título do ano de Marcelo Zormann. O jovem paulista de 19 anos foi campeão de simples e duplas (ao lado de João Sorgi) no saibro argentino de Villa Del Dique. Ele já tem três títulos de future em cinco em duplas.