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Quem são os jovens tenistas para assistir em 2022
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 28, 2021 às 5:56 pm

Para Emma Raducanu, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias

Uma nova temporada do tênis internacional se inicia na próxima segunda-feira, com os principais nomes do circuito atuando na Austrália. Os atletas da nova geração do circuito chegam para 2022 com diferentes perspectivas, especialmente quando se fala em tênis feminino, onde vemos jogadoras muito novas já lutando por títulos importantes. Entre os homens, a renovação do circuito é mais lenta, mas também há jovens tenistas em franca evolução e que podem surpreender.

Pelo quinto ano seguido, TenisBrasil  apresenta a lista de jovens jogadores para acompanhar no próximo ano.  A relação deste ano conta com 23 nomes, com diversas ambições na temporada.

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Quatro fortes candidatas a títulos
O primeiro ponto a ser observado nas perspectivas para 2022 da nova geração são as chances de títulos para quatro jogadoras da WTA. Iga Swiatek, de 20 anos e número 9 do mundo, e Emma Raducanu, de 19 anos e 19ª colocada, já são campeãs de Grand Slam. Um pouco abaixo no ranking estão Coco Gauff, de 17 anos e 22ª do ranking, e Leylah Fernandez, 24ª do mundo aos 19 anos. Fernandez foi vice em Nova York este ano, enquanto Gauff fez quartas em Roland Garros e já tem dois títulos de WTA.

Em 2021, Swiatek deu continuidade à grande temporada que teve no ano anterior. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, a polonesa foi consistente ao chegar às oitavas de final em todos os Grand Slam e também conquistou dois títulos, o WTA 1000 de Roma e o 500 de Adelaide, fundamentais para que ela chegasse ao top 10 e disputasse o WTA Finals pela primeira vez. No fim do ano, encerrou a parceria de cinco anos que teve o técnico Piotr Sierzputowski.

Para Emma Raducanu, que começou o ano como 345ª do mundo e termina como top 20 e campeã do US Open, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias. Desde a conquista em Nova York e a mudança repentina de vida, a britânica disputou apenas mais três torneios e sofreu eliminações precoces. Disposta a ter um nome mais experiente na equipe, contratou para 2022 o técnico alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao topo do ranking.

De olho em Sinner, Alcaraz e Musetti

Sinner chegou ao top 10 em 2021 e venceu quatro títulos de ATP este ano

O espanhol Carlos Alcaraz e os italianos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti são nomes a observar de perto em 2022. Sinner, de 20 anos, conquistou quatro de seus cinco títulos de ATP na última temporada, além de conseguir outros bons resultados como a final do Masters 1000 de Miami e as oitavas no US Open. Ele iniciou o no 37º lugar e finalizou a temporada no top 10. Pupilo do experiente treinador Riccardo Piatti, o italiano conviveu com grandes nomes do circuito desde muito jovem, o que o ajudou muito em seu desenvolvimento.

Carlos Alcaraz, eleito a revelação de 2020 pela ATP e indicado entre os jogadores que mais evoluíram em 2021, também é um nome a ser visto de perto. O espanhol de 18 anos ganhou mais de cem posições no ranking na última temporada, saltando do 141º para o 32º lugar. Ele foi campeão do ATP de Umag e chegou às quartas de final do US Open, além de ter conseguido sua primeira vitória contra top 10 diante de Stefanos Tsitsipas. Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz tem exibido um tênis agressivo e bem adaptado às condições de um circuito com cada vez mais torneios no piso duro. É um nome forte para ter resultados consistentes e estará no Brasil, disputando o Rio Open.

No caso de Lorenzo Musetti, a principal meta é uma retomada dos bons resultados após um segundo semestre abaixo do esperado. Desde sua campanha até as oitavas de final em Roland Garros, o italiano de 19 anos e atual 59º do ranking só conseguiu mais quatro vitórias em chaves principais no circuito da ATP. São resultados que destoam de uma boa primeira metade da temporada com duas semifinais de ATP.

Tauson, Osorio e Parry podem surpreender

Clara Tauson, de 19 anos, conquistou dois títulos em 2021 e é uma ameaça nas quadras duras e cobertas

A temporada feminina de 2021 apresentou jogadoras que conseguiram seus primeiros resultados de destaque no circuito da WTA e são possíveis ameaças para as principais favoritas nas fases iniciais dos torneios. Entre os destaques estão a dinamarquesa Clara Tauson, de 19 anos e 44ª do ranking, a colombiana Camila Osorio, de 20 anos e 55ª colocada, e também a francesa Diane Parry, 115ª do mundo aos 19 anos.

Tauson está se firmando como uma ameaça nos torneios em quadras duras e cobertas. Ela conquistou dois títulos nessas condições, em Lyon e Luxemburgo, além de ter disputado uma final em Courmayeur no fim do ano. A dinamarquesa tem um jogo agressivo com pontos curtos e muita potência nos golpes dos dois lados. Já Osorio é formada no saibro e conquistou seu primeiro título de WTA em Bogotá, mas também tem se destacado em outros pisos, com uma terceira rodada em Wimbledon e uma vitória sobre a top 10 Elina Svitolina na quadra dura de Tenerife.

Um pouco mais abaixo no ranking, Parry se destacou em torneios sul-americanos na reta final da temporada. Ela disputou duas finai na série 125, com título em Montevidéu e vice em Buenos Aires, além de também chegar à semifinal de um forte ITF em Santiago. Ex-número 1 juvenil, a francesa também chama atenção por um eficiente backhand de uma mão, um bom uso dos slices e um forehand com muito peso. Convidada para a chave principal do Australian Open, Parry tem a chance de crescer muito rápido no ranking.

Novas realidades para brasileiros e argentinos

Matheus Pucinelli fez a transição dos torneios ITF para os challengers no meio de 2021 e tenta dar mais um passo no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O ano de 2022 pode ser de novas realidades para grupos de brasileiros e argentinos do circuito. Para Juan Manuel Cerundolo e Sebastian Baez, números 90 e 99 do ranking aos 20 anos, será interessante vê-los em um calendário de torneios de nível ATP e com maior variedade de pisos e condições. Os dois argentinos conseguiram saltar no ranking ao longo da última temporada praticamente só jogando em challengers no saibro. Baez conseguiu seis títulos e 44 vitórias no piso, enquanto Cerundolo venceu três challengers (com 38 vitórias) e mais um ATP em Córdoba.

Para os nomes da nova geração brasileira, será interessante acompanhar a evolução de Matheus Pucinelli, de 20 anos e 287º do ranking, Gustavo Heide, 477º do mundo aos 19 anos, Gilbert Klier, 410º aos 21 anos, e Gabriel Décamps, 500º colocado aos 22 anos. Os quatro jogadores tiveram destaque em competições de nível future no circuito e tentam agora se firmar nos challengers.

Pucinelli fez essa transição ao longo do ano, três títulos e dois vices de ITF, e depois vencer mais 14 partidas de challenger com uma semifinal em Santiago. Heide e Klier conquistaram cada um três títulos de ITF e venceram seus primeiros jogos de challenger já no fim do ano. Já Décamps voltou ao circuito profissional em julho, vindo do circuito universitário norte-americano. O paulista estava com ranking zerado, mas se firmou entre os 500 do mundo com um título e dois vices de ITF, além de uma semifinal de challenger.

Adolescentes promissoras no circuito feminino

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional (Foto: Luiz Candido/CBT)

Há ainda um grupo de jogadoras no circuito feminino que vale muito ficar de olho, o das adolescentes promissoras: A lista é puxada por Victoria Jimenez Kasintseva, tenista de apenas 16 anos e natural de Andorra. Ex-líder do ranking mundial juvenil, ela já aparece no 255º lugar entre as profissionais e conquistou um título no Brasil, em Aparecida de Goiânia. Destaque também para a norte-americana Robin Montgomery, de 17 anos e 372ª do ranking, campeã juvenil do US Open.

Vale ficar de olho também nas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova, números 2 e 4 do ranking mundial juvenil. Linda, de 16 anos e já 279ª da WTA. Brenda, com apenas 14 anos, teve sua primeira oportunidade no tênis profissional na última semana e avançou uma rodada no WTA 125 de Seul.

A situação de Rune, Tseng e norte-americanos 

Jenson Brooksby foi escolhido o Novato do Ano no circuito da ATP

Três norte-americanos estão em situações próximas no ranking da ATP e tentam dar um novo salto de qualidade. São os casos de Sebastian Korda, 41º aos 21 anos, Jenson Brooksby, 56º aos 21 anos, e Brandon Nakashima, 69º aos 20 anos. Korda venceu um ATP em Parma e jogou final em Delray Beach. Brooksby foi eleito o Novato do Ano, disputou uma final em Newport Beach e a semi em Washigton, enquanto Nakashima disputou duas finais seguidas em Atlanta e Los Cabos.

Outros dois nomes valem ser observados no circuito masculino. Um deles é o dinamarquês Holger Rune, 103º do ranking aos 18 anos. Rune conquistou quatro títulos de challenger este ano e já venceu sete jogos de ATP, ficando cada vez mais perto do top 100. Já o taiwanês Chun-Hsin Tseng chegou ao 188º lugar do ranking aos 20 anos. Ele já tem quatro títulos de ITF e terminou o ano disputando duas finais seguidas de challenger em Portugal, com um título e um vice.

 

Next Gen ATP Finals inicia 4ª edição nesta terça. Saiba tudo!
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 8, 2021 às 8:01 pm
Competição em Milão terá oito jogadores de até 21 anos e testa novas regras para o circuito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Competição em Milão terá oito jogadores de até 21 anos e testa novas regras para o circuito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Depois de uma edição cancelada no ano passado, por conta da pandemia e a necessidade de readequação do calendário do circuito, o Next Gen ATP Finals está de volta em 2021. A quarta edição do torneio terá oito jogadores de até 21 anos que se destacaram ao longo da temporada e começa nesta terça-feira em Milão.

A edição deste ano também contará pela primeira vez com tenistas sul-americanos, os argentinos Sebastian Baez e Juan Manuel Cerundolo, além de contar com estrelas em ascensão como Carlos Alcaraz, Holger Rune, Lorenzo Musetti, Sebastian Korda, Hugo Gaston e Brandon Nakashima. Os oito tenistas estão divididos em dois grupos, classificam-se os dois melhores de cada chave para as semifinais até a decisão do torneio no sábado.

Além de apresentar novos nomes do circuito, o evento também vai servir novamente para o teste de novas regras, que pode entrar ou não em vigor nos próximos anos.

Veja quem joga:

GRUPO A
Carlos Alcaraz: Escolhido como a Revelação do Ano em 2020 pela ATP, Carlos Alcaraz confirmou as expectativas e evoluiu muito na temporada. O espanhol de 18 anos já ocupa o 32º lugar do ranking, depois de ter iniciado a temporada na 141ª posição. Em 2021, Alcaraz conquistou seu primeiro ATP em Umag e as três primeiras vitórias contra top 10, sobre Stefanos Tsitsipas, Matteo Berrettini e Jannik Sinner.

Ele também disputou os quatro torneios do Grand Slam, furando qualis na Austrália e Roland Garros e chegando às quartas de final do US Open. Além disso, fez outros resultados de destaque como as semifinais de ATP em Marbella, Winston-Salem e Viena. O espanhol também venceu um challenger, no saibro português de Oeiras. De suas 28 vitórias em nível ATP, 27 foram conquistadas este ano.

Brandon Nakashima: O norte-americano de 20 anos iniciou a temporada no 166º lugar do ranking e já ocupa a 63ª posição. Nakashima venceu 15 jogos de nível ATP em 2021 e disputou duas finais seguidas, nas quadras duras de Atlanta e Los Cabos, em julho. Há três semanas, também fez boa campanha no ATP da Antuérpia, indo do quali até as quartas. Já em torneios challenger, conquistou dois títulos em quadras cobertas na França.

Juan Manuel Cerundolo: Canhoto de 19 anos, Juan Manuel Cerundolo praticamente só jogou no saibro durante o ano, exceto apenas pelo quali de Wimbledon, e foi recompensado com vários bons resultados. O argentino conquistou seu primeiro ATP jogando em casa, na cidade de Córdoba, mas só teve seis vitórias em nível ATP no ano. Já em torneios challenger, venceu 36 partidas, com três títulos e dois vices. Ele começou a temporada no 341º lugar e já é o número 91 do mundo.

Holger Rune: O dinamarquês de 18 anos Holger Rune foi um dos jogadores que mais evoluíram na temporada. O ex-número 1 juvenil ocupava o 474º lugar na virada do ano e atingiu nesta segunda-feira o melhor ranking da carreira, no 109º lugar. Ele conquistou quatro títulos de challenger, com 36 vitórias nesse nível, além de ter vencido seis partidas no circuito da ATP. Rune disputou seu primeiro Grand Slam no US Open, em furou o quali e teve boa apresentação contra o número 1 do mundo Novak Djokovic e também chegou às quartas no ATP de Metz. Rune chegará a Milão embalado por um título no challenger de Bérgamo, conquistado no domingo.

GRUPO B
Sebastian Korda: Mais velho entre os oito jogadores do torneio, Sebastian Korda está com 21 anos e ocupa o 39º lugar do ranking. Ele já iniciou a temporada disputando sua primeira final de ATP em Delray Beach. Meses depois, venceu seu primeiro título, no saibro de Parma. Ele venceu 27 jogos na elite do circuito, duas sobre top 10 contra Roberto Bautista Agut e Diego Schwartzman, e teve outros bons resultados como as quartas em Miami e oitavas em Wimbledon. Korda é o atual 39º do mundo e ocupava o 119º lugar no início do ano.

Lorenzo Musetti: Representante da casa no torneio, Lorenzo Musetti teve ótimo início de temporada, mas não vem bem no segundo semestre. Ainda assim, o italiano de 19 anos está no 58º lugar do ranking, uma posição abaixo da melhor marca da carreira. Musetti venceu 20 jogos de ATP, com destaque para a semifinal de Acapulco e as oitavas em Roland Garros, e disputou duas finais de challenger. Ele também conseguiu sua primeira vitória contra top 10. Na virada de ano, aparecia apenas no 128º lugar.

Sebastian Baez: Com um calendário focado em challengers no saibro, Sebastian Baez aproveitou bem o grande número de torneios no piso. Foram 39 vitórias, cinco títulos e três vices. Ele teve 84,8% nesse nível de competição, com apenas sete derrotas. Também marcou sua primeira vitória em chave principal de ATP, no saibro de Hamburgo. O argentino de 20 anos saltou do 309º para o atual 111º lugar do ranking. Seus únicos torneios fora do saibro foram os qualis de Wimbledon e US Open.

Hugo Gaston: Embalado por uma ótima campanha no Masters 1000 de Paris, em que foi do quali até as quartas de final, Hugo Gaston saltou 36 posições no ranking e está agora com o melhor ranking da carreira no 67º lugar. O francês de 21 anos conseguiu nove vitórias na ATP e mais 32 em challenger, disputando quatro finais, mas ficando com quatro vices. Ele ocupava o 162º lugar do ranking na virada do ano.

Confira a programação do primeiro dia do torneio:

Allianz Cloud – 10h
[4]Brandon Nakashima (EUA) vs. [5]Juan Manuel Cerundolo (ARG)
Não antes de 11h
[1]Carlos Alcaraz (ESP) vs. [7]Holger Rune (DIN)
Não antes de 15h30
[2]Sebastian Korda (EUA) vs. [8]Hugo Gaston (FRA)
[3]Lorenzo Musetti (ITA) vs. [6]Sebastian Baez (ARG)

Transmissão: ESPN e Star+

Evento testa regras diferentes:
Como de costume desde sua primeira edição em 2017, o evento serve para testar algumas regras do circuito. Entre as novidades para este ano estão a redução do tempo de aquecimento, de quatro minutos para apenas um minuto, a presença dos técnicos em quadra, podendo instruir os jogadores e limitações de tempo médico (o jogador só pode pedir um por partida) e de idas ao banheiro (com cronômetro de três minutos).

Outras regras que já foram testadas antes foram mantidas: As partidas são disputadas em cinco sets de até quatro games, sem juízes de linha (substituídos pela marcação eletrônica), games com No-Ad e ponto decisivo nos 40-iguais, e liberdade de circulação do público durante os pontos. Pontos que já estão em vigor no circuito, como o relógio de saque e o uso de ganchos para as toalhas, também valem para o torneio.

Prêmios em dinheiro:
Apesar de o torneio não valer pontos no ranking da ATP, há uma boa premiação em dinheiro em jogo. O evento distribui US$ 1,3 milhão em prêmios e um campeão invicto pode receber US$ 400 mil. A simples participação no torneio já rende US$ 80 mil. Cada vitória na fase de grupos paga US$ 23 mil, a vitória na semi paga US$ 109 mil e a na final US$ 142 mil.

Título recompensa o jogo mental de Cerundolo
Por Mario Sérgio Cruz
março 1, 2021 às 9:24 pm

Com estilo de jogo cada vez menos comum, Cerundolo se destacou pela disciplina e pelo preparo mental para jogar muitos pontos longos (Foto: Cordoba Open)

Um campeão improvável marcou o início da breve temporada de torneios sul-americanos em quadras de saibro. O argentino de 19 anos Juan Manuel Cerundolo disputou em Córdoba uma chave principal de ATP 250 pela primeira vez na carreira e terminou a semana com o troféu nas mãos. Cerundolo é o primeiro jogador desde 2004 a vencer um torneio logo em sua estreia na elite do circuito. O último a conseguir essa façanha foi o espanhol Santiago Ventura no saibro de Casablanca.

Cerundolo chegou a ser número 9 do ranking mundial juvenil e ainda dá os primeiros passos no tênis profissional. Então 335º do ranking na campanha, ele se tornou o quinto pior colocado a vencer um torneio deste porte. O recorde de Lleyton Hewitt, que foi campeão em Adelaide em 1998 ocupando o 550º lugar dificilmente será alcançado. Pelo título no saibro argentino, o jovem jogador de 19 anos salta para o 181º lugar. Além disso, é o argentino mais jovem a vencer um torneio deste porte desde Guillermo Coria em 2001.

Mas o que mais chamou atenção ao longo da semana de Cerundolo foi seu estilo de jogo cada vez menos comum e a possibilidade de ‘entrar na cabeça’ dos adversários. O argentino não força o saque, joga bem atrás da linha de base, sustenta várias trocas longas do fundo de quadra e muitas vezes recorre às bolas mais altas. Ele teve muita disciplina para manter esse padrão de jogo mesmo em partidas muito longas, mas também mostrou que tinha outros recursos nos momentos em que precisava atacar mais a bola ou disputar um ponto junto à rede.

“Na quadra, sou um jogador mais defensivo e de contra-ataque. Gosto de usar o ritmo dos meus adversários contra eles, e quando posso atacar com o forehand, eu o uso para ditar os pontos”, disse Cerundolo, em entrevista ao site da ATP após a conquista do título em Córdoba.

Seu pai, Alejandro, jogou profissionalmente na década de 1980 e deu um apelido muito curioso para o filho. “Eu o chamo de Hannibal Lecter. Ele come miolos de rivais”, confessa Alejandro, em entrevista ao jornal argentino La Nación. A referência é o personagem de ficção criado pelo escritor Thomas Harris no livro ‘Dragão Vermelho‘, de 1981, e interpretado no cinema por Anthony Hopkins.

Monteiro relata a dificuldade para enfrentar o argentino
O brasileiro Thiago Monteiro, que enfrentou Cerundolo nas quartas de final do torneio, teve dificuldades para lidar com as frequentes trocas longas do fundo de quadra e cometendo muitos erros não-forçados que custaram caro na partida. “O adversário foi muito sólido. Ele tem um jogo muito diferente do que estou acostumado a jogar, com muita bola alta e variação. É um bom jogador e que exige muito, ele teve o mérito de vencer o jogo. Não consegui encontrar uma forma de ser agressivo com consistência, cometi muitos erros e isso custou um pouco o jogo, principalmente no terceiro set”, disse após a derrota por 6/2, 2/6 e 6/3 na última sexta-feira.

Ao longo da incrível campanha em Córdoba, Cerundolo venceu oito jogos seguidos. Inclui três brasileiros, já que ele também derrotou João Menezes e Thiago Wild. Outras vitórias expressivas foram sobre o sérvio Miomir Kecmanovic (número 41 do mundo), além da final contra o experiente espanhol Albert Ramos, jogador de 33 anos e então 46º do ranking.

“Sinceramente, nunca pensei ou imaginei que pudesse ser campeão. Acho que foi acontecendo passo a passo, aos poucos. Primeiro, o meu objetivo era passar pelo quali e depois queria vencer uma rodada”, admitiu o argentino. “Aí comecei a pensar no jogo contra o [Miomir] Kecmanovic, depois o venci. Eu só estava pensando partida a partida. Nunca na minha vida imaginei que poderia ganhar o torneio. Então talvez essa fosse a chave, porque nunca me senti ansioso”.

Com o salto no ranking, apesar de não entrar no top 100, Cerundolo já traça os objetivos para os próximos meses. “Tenho pensado um pouco sobre isso. Vou competir nas chaves principais dos challengers e talvez jogar qualis em mais torneios da ATP e nos Grand Slam, que é o que me deixa mais feliz. Antes disso, eu nem pensava no top 100. Estava mirando no Top 200, e que ainda assim parecia muito longe. Agora, só preciso continuar jogando e aproveitar ao máximo”.

Conquista brasileira nas duplas

A semana em Córdoba também foi ótima para dois brasileiros, Rafael Matos e Felipe Meligeni Alves, que conquistaram o título de duplas no saibro argentino. Com histórico ainda pequeno em torneios deste porte, ambos atuavam apenas pela terceira vez em eventos de nível ATP, sendo que Meligeni já havia disputado uma semifinal no Rio Open do ano passado, ao lado de Thiago Monteiro. Nenhum deles havia ainda alcançado uma final, mesmo atuando com outros parceiros.

Com a conquista, ambos saltam no ranking e se aproximam do top 100. Aos 25 anos, o gaúcho Rafael Matos era o número 131 do mundo e passou a ser o 102º colocado. Já o paulista Felipe Meligeni, de 22 anos, saltou do 123º para o 101º lugar. “Foi uma semana especial. Estávamos inscritos como alternates [na lista de espera] e entramos na chave de última hora. Foi uma experiência muito boa para nós, que jogamos juntos em um torneio da ATP pela primeira vez”, disse Meligeni, que havia atuado ao lado de Matos em dois challengers na Turquia este ano.

“Espero que possamos ganhar mais títulos juntos, e até mesmo em simples também”, afirmou o paulista ao site da ATP, após a vitória na final contra o monegasco Romain Arneodo e o francês Benoit Paire por 6/4 e 6/1. “Acho que a cada jogo estávamos melhorando. As quartas e as semifinais foram muito difíceis contra grandes jogadores. Conseguimos jogar nosso melhor tênis nos momentos difíceis. Então na final sabíamos o que fazer, embora estivéssemos um pouco nervosos no início”.

O Filho da Lenda
No sul do Brasil, Porto Alegre recebeu mais uma etapa do Brasil Juniors Cup (antiga Copa Gerdau e Campeonato Internacional Juvenil). O título do torneio ITF J1 deste ano ficou com Leo Borg, sueco de 17 anos e então 43º colocado no ranking mundial da categoria. Filho do ex-número 1 do mundo Bjorn Borg, dono de 11 títulos de Grand Slam, Leo recebeu convite para jogar o quali na capital gaúcha e teve a presença do pai nas arquibancadas da Associação Leopoldina Juvenil, que não poderia receber público externo.

“É um sentimento indescritível, este é meu primeiro título de um torneio J1 e estou muito feliz”, disse Leo Borg após a vitória na final sobre o norte-americano Bruno Kuzuhara por 3/6, 6/4 e 6/2. “Consegui jogar muito bem durante a semana inteira e certamente ir para o próximo torneio com um título destes me faz chegar ainda mais confiante. Só tenho a agradecer a todos, que foram muito gentis durante toda a semana”.

Seu pai, a lenda do tênis Bjorn Borg, comemorou a campanha do filho e a estadia no Brasil. “Eu e minha esposa estamos muito felizes por estar no Brasil. Não é minha primeira vez no país e, em todas as vezes que estive aqui, adorei as cidades e as pessoas, que sempre foram muito hospitaleiras. Parabenizo a organização por realizar esse torneio mesmo nos tempos difíceis que atravessamos e com certeza estaremos aqui no ano que vem se formos convidados”, disse ao site da CBT.

Victoria Barros rouba a cena

Outro nome que merece destaque ao fim do Brasil Juniors Cup é o da paranaense Victoria Barros. Com apenas 11 anos e vinda do projeto social Instituto Ícaro, de Curitiba, ela conseguiu chegar à final da categoria 14 anos, enfrentando adversárias mais velhas. A diferença de idade nessa categoria costuma ser considerável. Ainda assim, ela fez ótima campanha e só parou na argentina Sara Conde, que venceu a final disputada na Sogipa por 6/4 e 6/2.