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A melhor semana de Bia e Sorgi
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 7, 2016 às 10:18 pm

Cinco jogos, cinco vitórias e nenhum set perdido. Assim foi a melhor semana da carreira de Beatriz Haddad Maia, que conquistou seu quinto e mais importante título profissional. A canhota de 20 anos foi campeã do ITF de US$ 50 mil nas quadras duras americanas de Scottsdale no último domingo, após vencer um jogo de dois tiebreaks contra a anfitriã Kristie Ahn.

Foi o primeiro torneio nos Estados Unidos para uma jogadora que vinha de boas campanhas durante sete semanas na Europa nos últimos meses. Com os oitenta pontos, Bia ganhou sessenta posições e saiu do 271º lugar para o 211º. Há dois meses, quando iniciou uma série de torneios europeus, que mesclou saibro e quadra dura, ela estava na 342ª posição.

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia fica a apenas 26 pontos do top 200. A WTA considera o ranking de hoje como o “Year-End”, por ser a semana seguinte ao término dos torneios da entidade, mas a paulista ainda pode ganhar posições em 2016, jogando um ITF de US$ 50 mil de Waco e um de US$ 25 mil em Nashville.

“Estou muito feliz com a conquista desse meu primeiro título em um torneio de US$ 50 mil e com o meu desempenho esta semana”, disse Bia Haddad, por meio de sua assessoria de imprensa. “Consegui me manter firme e focada durante todas as partidas e evoluir a cada jogo, fazendo o meu melhor. Agora é curtir um pouquinho o título e já me preparar para o challenger de Waco”.

A posição atual no ranking já a coloca em condição de tentar o qualificatório do Australian Open, mas ainda não foi decidido se este será o plano dela. Ela vai terminar essa temporada tarde e precisaria de um período de descanso e pré-temporada para 2017. O melhor a fazer é aguardar o término da jornada americana da tenista.

Como a WTA sempre usa o segundo ranking de novembro como base para o final do ano, dá a entender que Bia caiu em relação 185º lugar que ocupava há exatamente um ano, mas não é bem assim. Ela perdeu todo o segundo semestre de 2015, quando operou o ombro direito e ainda tinha pontos a descontar no mês de dezembro último. Na prática, ela iniciou 2016 no 246ª lugar e ainda precisando defender quartas de final de um WTA logo em fevereiro. Conclusão: Bia passou a maior parte do ano fora do top 300 e vem se recuperando nos últimos meses.

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

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Um dos pontos altos do título na última semana foi a vitória sobre a 76ª do ranking e cabeça 1 do torneio, a americana Nicole Gibbs, em dia com muito vento em quadra. “Entrei nesse jogo acreditando que poderia vencer, me impondo e jogando profundo. Sabia que eu tinha muito mais peso de bola do que ela”, comentou após ter vencido o jogo das oitavas no Arizona.

Aquela foi sua segunda vitória na carreira contra uma top 100, já que ela havia superado a eslovena Polona Hercog no Rio Open do ano passado. “Eu consegui, com respeito, sabendo que ela era 70 do mundo, fazer o meu melhor. Cheguei a abrir 4 a 0, ela buscou, é muito experiente, mudou um pouco o padrão de jogo, mas fiquei firme e controlar as minhas emoções”.

Como ela mesma pontuou, tão importante quanto a sequência de boas partidas foi a atitude positiva e a postura nos momentos decisivos. Mesmo nos momentos de vantagem para as adversárias, ou quando Bia perdia alguma oportunidade nos jogos, ela não permitiu que isso acarretasse numa queda de rendimento e a possibilidade deixar a rival assumisse o controle das partidas.

Bia não perdeu sets nas lentas condições de Scottsdale, mesmo lidando com uma série de situações complicadas. Ela havia deixado escapar uma vantagem por 4/0 escapar no set inicial contra Nicole Gibbs, mas conseguiu voltar rapidamente ao jogo para ter novamente quebra de vantagem. Soube jogar como favorita contra a jovem, porém embalada, Kayla Day na semi.

Já na final, a brasileira esteve com quebra abaixo nos dois sets e buscou a igualdade. Ela também “esqueceu” rápido o match point perdido de quando liderava o set por 5/4. Mesmo perdendo o saque no game seguinte, conseguiu devolver a quebra quando a rival sacava para o set e dominou o tiebreak.

No começo do ano, ela havia dito em entrevista para mim que a prioridade para este ano seria o trabalho físico e o controle emocional. Para ganhar cinco jogos seguidos em uma semana, sem perder sets, a parte física e emocional se mostrou mais do que em dia. Até por isso, ela dedicou a conquista ao fisioterapeuta Paulo Roberto Santos, aniversariante do último domingo. “Foi um presente para mim e para o Paulão que faz aniversário hoje”.

Melhor semana também para Sorgi 

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

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Outra boa notícia para a nova geração brasileira veio com João Pedro Sorgi, que saiu do quali até as semifinais do challenger de Guayaquil, no saibro equatoriano. Com o resultado, o paulista de Sertãozinho saiu do 478ª para a 375ª colocação.

Passar pela fase de qualificação de torneios challenger já vinha sendo frequente para o paulista de 23 anos, que furou qualis em Campinas, Buenos Aires, Santiago e Lima antes de ir a Guyaquil. Mas na última semana, ele emendou três vitórias expressivas contra Victor Estrella Burgos, Leonardo Mayer e o então 68º do ranking Facundo Bagnis.

Sorgi poderia ter entrado diretamente na chave de Bogotá como “Special Exempt”, vaga que a ATP (WTA e ITF também) reserva para jogadores que disputariam o quali, mas disputavam uma semifinal de torneio de porte igual ou maior no fim de semana anterior. Ele preferiu ter um período a mais de descanso depois de jogar por sete dias seguidos no Equador. O paulista que treina na cidade catarinense de Itajaí voltou à sua terra natal, Sertãozinho, fica até quarta-feira e depois segue para um challenger e dois futures no Uruguai.

Orlando, Marina e Pedretti – O gaúcho de 18 anos Orlando Luz foi convidado pela ATP para uma semana de treinamentos em Londres durante o ATP Finals; A mineira de 16 anos Marina Figueiredo venceu seu primeiro título no circuito de 18 da ITF, na cidade boliviana de Santa Cruz; Já no saibro colombiano de Cúcuta, a paulista de 17 anos Thaísa Pedretti fez sua melhor campanha profissional na carreira ao vencer três jogos e parar na semifinal do ITF local de US$ 10 mil.

Mais títulos de novos americanos

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

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Com apenas 17 anos, Catherine ‘CiCi’ Bellis entrou no top 100 e já passa a ser a mais jovem desta lista na temporada. Ela saltou do 101º para o 90º lugar com título do ITF de US$ 50 mil de Toronto. Também na última semana, o americano de 19 anos Reilly Opelka conquistou seu primeiro challenger em Charlottesville e saltou 68 posições no ranking da ATP para ter a melhor marca da carreira na 208ª posição.