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Jovens aproveitam torneios no Brasil e somam pontos
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 24, 2021 às 8:28 pm

Pedro Boscardin conquistou seu primeiro título em Rio do Sul, superando Gustavo Heide na final (Foto: Luiz Candido/Divulgação)

A série de torneios profissionais no Brasil durante o segundo semestre tem sido positiva para tenistas da nova geração do país. Enquanto nomes como o paulista de 19 anos Gustavo Heide e o catarinense de 18 Pedro Boscardin já estão na luta por títulos e finais, outros jovens tenistas estão aproveitando a oportunidade para marcarem seus primeiros pontos no ranking da ATP.

Boscardin conquistou neste domingo seu primeiro título profissional ao superar Heide na final do ITF M25 de Rio do Sul por 7/6 e 6/4. Ex-número 6 juvenil e atual 988º colocado na ATP, ele receberá 20 pontos no ranking do dia 1º de novembro. “Em primeiro lugar, estou muito feliz por poder voltar a jogar um torneio profissional aqui no Brasil. Fazia um bom tempo que não tinha essa oportunidade por conta da pandemia e, por conta disso, boa parte dos torneios que disputei foram na Europa. Foram 4 meses e meio de gira, então estou contente por finalmente competir em casa”, disse Boscardin, que conquistou seu primeiro ponto na ATP em abril deste ano, jogando na Sérvia.

Por sua vez, Heide já disputou três finais na temporada, com dois títulos e um vice. A primeira conquista foi em Ibagué, na Colômbia, e a segunda aconteceu há duas semanas, no Recife. Atualmente com o melhor ranking da carreira, ocupando o 766º lugar, ele comemora a chance de jogar em casa. “Ganhar no meu País é muito especial, principalmente por ter a torcida me apoiando. Estou contente por novamente ter este contato com público, tirar fotos com a galera e sentir este calor que me motiva muito a seguir em frente” destacou o jovem paulista. “Jogar fora é outra realidade, é mais caro viajar, mais difícil, e jogar no Brasil é sempre muito bom, estar mais perto da sua cidade, entre outras coisas. Então, neste aspecto, são semanas muito positivas”.

Primeiros pontos na ATP para Lima, Schiessl e Obeid
Entre os jogadores que pontuaram pela primeira vez na ATP está o paranaense de 16 anos Matheus de Lima. Depois de ter atuado na Copa Davis Júnior, ele recebeu convite para jogar o ITF M25 de Rio do Sul e venceu seu primeiro jogo profissional contra Pedro Cressoni por 6/2 e 6/0. “Estou muito feliz por essa conquista. Foi um jogo muito bom, e me senti muito bem dentro de quadra. Foi um começo um pouco nervoso, por ser o meu primeiro torneio profissional, mas fiquei pensando no que o meu treinador disse, que era pra entrar em quadra e fazer o meu jogo, jogar solto. Aos poucos fui me soltando até conseguir esse bom resultado”, comemorou o curitibano, que caiu nas oitavas para o experiente Wilson Leite.

O juvenil de 16 anos Matheus de Lima marcou seu primeiro ponto na ATP nesta semana em Rio do Sul (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

Também paranaense, o jovenil de 17 anos João Eduardo Schiessl já acumula duas vitórias no circuito. Durante o ITF de Recife, há duas semanas, Schiessl derrotou o uruguaio Ignacio Carou, salvando três match-points. Já em Rio do Sul, ele foi além e eliminou o cabeça 2 Matheus Alves, 493º do ranking.

Por sua vez, o goiano de 20 anos Lucas Obeid superou uma grave lesão que o fez duvidar se poderia voltar a jogar. Ele venceu uma partida na capital pernambucana. “No começo desse ano, passei por um momento muito difícil e até pensei em parar de jogar por conta de dores no ombro direito, já que tive síndrome do impacto nessa região e fiquei 5 meses sem bater com a direita”, revelou, em entrevista ao Instituto Sports. “Meu pai, o Habib Obeid, me motivou bastante. Passamos em vários fisioterapeutas e nada de achar a solução para essa dor. Foi então que decidimos estudar por conta própria essa lesão, uma vez que ele é médico e eu entrei para a faculdade de medicina, e pude ir melhorando a cada semana”.

Meninas também aproveitam a chance em Piracicaba e Rio do Sul
As competições femininas também foram retomadas nas últimas semanas, primeiro com um ITF W15 em Piracicaba e agora com um W25 em Rio do Sul. Diferente do que acontece na ATP, a WTA exige que uma jogadora pontue em três torneios diferentes ou faça 10 pontos para entrar no ranking. Ainda assim, jovens jogadoras como Ana Candiotto, Juliana Munhoz, Ana Maria Coelho e Sofia Mendonça puderam comemorar suas primeiras vitórias no circuito profissional.

“Estou muito feliz com a minha primeira vitória no profissional, ainda mais sendo no Brasil. Com certeza lá na frente eu vou olhar para trás e me lembrar desse momento. Acho que é um começo muito importante na minha carreira, consegui fazer um bom jogo, apesar de um pouco de nervosismo pelo primeiro torneio”, disse Ana Candiotto, de 17 anos, que venceu uma partida em Piracicaba contra Beatriz Verdial por 6/0 e 6/2, antes de cair para a italiana Miriana Tona nas oitavas. A paulista é a atual 181ª colocada no ranking juvenil e disputou a chave de Roland Garros na categoria no ano passado.

Juliana Munhoz, de 17 anos, aproveitou a chance em Piracicaba e venceu dois jogos para chegar às quartas (Foto: João Pires)

Juliana Munhoz também se destacou. A tenista de 17 anos venceu dois jogos em Piracicaba, contra a paraguaia Susan Doldan e a brasileira Sofia Mendonça. Ela caiu nas quartas de final para a argentina de 27 anos Victoria Bosio, principal cabeça de chave do torneio e 446ª do ranking, em uma partida de 3h03. “Estou muito feliz com a minha performance, foi realmente acima do que eu estava esperando. Um dos melhores jogos da minha vida. Acho que foi muito no detalhe. Eu tive vários match points, mas não é que eu joguei mal naqueles momentos. Ela jogou muito bem, subiu o nível. Eu fiz tudo que pude, é frustrante não sair com a vitória, mas é uma experiência que vou levar”, analisou a paulista. “Eu levo muita experiência, aprendizado de como ela lidou com situações adversas e também de como eu consegui lidar. Ela estava sacando em 5/4 no segundo set, 30-0, eu consegui virar e botar muita energia e acho que tudo soma para o aprendizado”.

“Estou mais acostumada a jogar torneios juvenis e a de um torneio profissional organização é totalmente diferente. Fiquei muito surpresa com as quadras de treino, tem para quando a gente quer. A bola é um pouco rápida, as quadras estão muito boas e adorei a organização”, comentou a juvenil de 17 anos. “Eu acho que é para isso que a gente treina, né? Eu ainda sou júnior e estar tendo essa experiência é incrível. Jogar contra a cabeça 1 de um torneio profissional é uma bela experiência e também um jeito de medir o nível”.

Ana Maria Coelho, de apenas 14 anos, também marcou sua primeira vitória no tênis profissional (Foto: João Pires)

Ainda mais jovem, Ana Maria Coelho conseguiu sua primeira vitória como profissional aos 14 anos no interior paulista. Vinda do quali em Piracicaba, ela passou por Mariana Galvão Borges por 7/6 (7-5), 4/6 e 6/1. Ela só caiu nas oitavas para a chilena Fernanda Astete. “Não caiu a ficha ainda. Oito dias antes, eu nem sabia que ia ter o torneio e agora estou fazendo ponto na WTA. Eu não sei nem explicar. Estou muito feliz, não só pelo resultado, mas comigo mesma. No primeiro set eu estive o tempo todo atrás, ela coloca muita bola na quadra. No segundo eu estava ganhando de 4/3, perdi de 6/4 e estava destruída fisicamente”.

Já Sofia Mendonça, de 19 anos, tenta entrar no ranking depois de ter conseguido vitórias nas chaves principais de Piracicaba e Rio do Sul. Para ela, basta apenas pontuar em mais um torneio. A jovem tenista lembra da dificuldade que teve para manter um calendário durante a pandemia. “Foi muito difícil, por conta da pandemia, a gente se manter ativa no circuito. Eu tive só uma oportunidade de viajar nesses dois anos. Então, ter oportunidade de jogar no Brasil foi crucial. Esse período de transição já é difícil, a gente na América do Sul já tem dificuldade de competir por ser muito afastado de onde tem mais torneios, na Europa, na África. Poder competir no Brasil é muito bom e espero que aumentem os torneios para os próximos anos”.

Circuito juvenil também em andamento
O calendário de competições do circuito mundial juvenil também foi retomado em solo brasileiro. Nas últimas semanas, já foram disputadas etapas em Itajaí, Gaspar, Blumenau e Londrina. As jogadoras que mais estão se destacando são Maria Turchetto e Olivia Carneiro, que já dipsutaram três finais seguidas de ITF. Carneiro foi campeã em Gaspar, enquanto Turchetto ganhou os torneios de Blumenau e Londrina. A catarinense Carolina Laydner levou a melhor em Itajaí.

No masculino, Victor Tosetto jogou duas finais, com título em Itajaí e vice em Londrina, sendo superado pelo rival argentino Segundo Goity Zapico. Luis Felipe Miguel e Bruno Fernandez também venceram etapas valendo pontos no ranking juvenil.

+ Maria Turchetto ganha 2º ITF seguido em Londrina
+ Luis Miguel e Maria Turchetto vencem ITF de Blumenau

+ Olivia Carneiro e Bruno Fernandez vencem ITF de Gaspar

Boscardin tem 60% das vitórias brasileiras nos principais torneios juvenis
Por Mario Sérgio Cruz
março 5, 2021 às 9:47 pm

Boscardin disputou duas semifinais seguidas nos torneios juvenis da ITF no Brasil (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Com o fim dos dois principais torneios infanto-juvenis em solo brasileiro, o catarinense Pedro Boscardin foi o destaque entre os atletas nacionais que disputaram a Brasil Juniors Cup em Porto Alegre (RS) e o Banana Bowl em Criciúma (SC). O catarinense de 18 anos e número 9 no ranking mundial da categoria atingiu duas semifinais seguidas e foi responsável por 60% das vitórias brasileiras nas chaves principais de simples de 18 anos.

Brasil Juniors Cup, 18 anos
Boscardin foi um dos sete atletas nacionais na chave masculina da Brasil Juniors Cup, torneio ITF J1 na semana passada e conseguiu três vitórias, sobre o eslovaco Peter Benjamin Privara e os norte-americanos Victor Lilov e Alexander Bernard. Ele caiu na semifinal para o sueco Leo Borg, que terminou o torneio como campeão.

O paranaense de 16 anos João Schiessl venceu jogos no Banana Bowl e em Porto Alegre e dará um salto no ranking (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Além dele, outros dois brasileiros passaram pela primeira rodada, o mineiro João Victor Loureiro (36º do ranking) venceu o o paraguaio Adolfo Vallejo. Já o convidado paranaense de 16 anos João Schiessl conseguiu superar o português Miguel Gomes em sua estreia na capital gaúcha e saltou 49 posições no ranking para assumir o 141º lugar do ranking.

A chave masculina ainda teve Pedro Sasso, Murilo Antunes, Victor Tosetto e Lorenzo Esquici. Entre eles, Tosetto entrou diretamente e foi superado pelo norte-americano Alexander Bernard (cabeça 4) e os demais receberam convites. No feminino, as brasileiras só entraram na chave por convite e não conseguiram vitórias. Marjorie Souza e Juliana Munhoz tiveram o azar de enfrentarem as principais favoritas, a húngara Natalia Szabanin e a russa Diana Shnaider. Camilla Bossi e Priscila Janikian também caíram na estreia.

Banana Bowl, 18 anos
Já no Banana Bowl, torneio ITF JA, Boscardin também venceu três jogos. Ele estreou superando o sérvio Veljko Krstic, e depois passou pelo norte-americano Victor Lilov e pelo equatoriano Alvaro Guillen Meza. O catarinense foi superado em uma semifinal equilibrada pelo português Miguel Gomes, com parciais de 6/4, 2/6 e 14-12. Por conta das medidas sanitárias de controle da pandemia no estado de Santa Catarina, o Banana Bowl foi bem mais curto que o habitual, com quali na segunda e terça. Boscardin fez duas partidas na quarta-feira e mais duas na quinta.

Além de Boscardin, as outras duas vitórias brasileiras vieram com João Schiessl, que deve subir mais ainda no ranking da semana que vem após a vitória sobre o paraguaio Adolfo Vallejo, e com a paulista de 16 anos Ana Candiotto, que venceu a peruana Daianne Hayashida. Única atleta nacional a superar a rodada de estreia no Banana Bowl, Candiotto é apenas a 364ª do ranking, mas já teve a oportunidade de atuar no torneio juvenil de Roland Garros no ano passado depois de vencer uma seletiva da CBT e superar uma rival mexicana em Paris.

A chave masculina ainda teve Joao Victor Loureiro, que perdeu para o chinês Juncheng Shang (campeão do torneio), além dos convidados Lorenzo Esquici e Gabriel Generoso. Já no feminino, Juliana Munhoz, Carolina Xavier Laydner e Priscila Janikian também receberam convites e caíram na primiera fase.

Títulos na categoria 16 anos do Banana Bowl

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Na categoria 16 anos, o Brasil conseguiu dois títulos. Kauã Cressoni venceu um duelo nacional contra Henrique Brito na final masculina por duplo 6/3. O último brasileiro a vencer nos 16 anos havia sido João Loureiro em 2018, e antes dele Gilbert Klier Júnior e Matheus Pucinelli haviam triunfado nem 2016 e 2017. A lista de atletas nacionais a vencer na categoria também inclui nomes como Cassio Motta, Fernando Roese, Jaime Oncins, Gustavo Kuerten, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e Marcelo Zormann.

No feminino, a paulista Olivia Carneiro é a segunda brasileira seguida a vencer a categoria 16 anos do Banana Bowl. Ela superou na final a peruana Daniela Rúbio por 5/7, 6/4 e 7/5. No ano passado, o título ficou com Amanda de Oliveira. Antes delas, a campeã mais recente havia sido Luisa Stefani em 2013, com conquistas de Carol Meligeni Alves em 2011 e Suellen Abel em 2012. Vale destacar que a última brasileira campeã da categoria 18 anos do Banana Bowl foi Roberta Burzagli em 1991. Burzagli atualmente é treinadora e capitã da equipe brasileira da Copa Billie Jean King, antiga Fed Cup.

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