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Reis aprende com ídolos e é firme contra o racismo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 4, 2019 às 11:48 am
João Reis tem dois títulos neste início de carreira profissional (Foto: Fotojump)

João Reis tem dois títulos neste início de carreira profissional (Foto: Fotojump)

Com apenas 19 anos, o jovem pernambucano João Reis ainda inicia sua trajetória no tênis profissional depois de encerrar o ciclo no circuito juvenil na temporada passada. Reis já tem dois títulos no circuito profissional da Federação Internacional, o mais recente conquistado no início de novembro no México, e ocupa o 556º lugar no ranking da ATP depois de ter figurado entre os 30 melhores juvenis do mundo no ano passado. Apesar da pouca idade, ele fala sobre temas de dentro e fora de quadra, como família, racismo, os ídolos e a admiração por outros jogadores negros e os desafios no aspecto mental do jogo.

Natural do Recife, Reis começou a jogar tênis com apenas quatro anos, disputa torneios desde os 10 anos e se mudou para São Paulo aos 13, treinando por cinco meses em São José dos Campos antes de ser aprovado em um teste para o Instituto Tênis, de Barueri. Os primeiros passos em quadra foram influenciados seu irmão mais velho, Gabriel, hoje com 25 anos, e que parou de jogar ainda muito novo. “Ele jogou até os 15 anos, chegou a participar de alguns torneios lá do Nordeste, mas ele só jogou isso e resolveu seguir outra carreira”, disse João Reis, em entrevista ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, disputada em São Paulo, ao longo da última semana.

A admiração pelo irmão já havia sido expressada em entrevistas anteriores. “Comecei a jogar tênis por influência do meu irmão. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele”, afirmou em janeiro de 2018. Ainda que o tenista esteja em São Paulo há mais de cinco anos, parte de sua família continua em Pernambuco. “Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade”, comentou durante a temporada passada. “Tento ir bastante para Recife, mas são eles que vêm mais para cá. Eu também tenho duas tias que moram em São Paulo e a família inteira do meu pai é daqui de São Paulo, então isso me ajuda bastante. Posso dizer que estou 100% adaptado”.

Reis também se mostrou solidário ao colega de circuito Christian Oliveira, carioca de 19 anos e que denunciou o adversário chileno Bastian Malla por racismo, em jogo válido pela semifinal de duplas de um torneio ITF disputado na capital paulista em outubro. Na época, a organização do torneio afirmou que nem o árbitro ou um dos outros jogadores em quadra teria escutado a ofensa e que não foi possível identificar o ato a partir das imagens da transmissão do jogo por streaming. Por esse motivo, não houve punição ao chileno, que negou ter ofendido Oliveira e terminou a semana como campeão de simples no torneio.

“É lamentável isso o que aconteceu com o Christian. Até conversei com ele. Nos dias de hoje é lamentável que ainda tenham casos de racismo, dentro ou fora de quadra. Também não entendi como não tiveram como punir o jogador, porque acho que bastante gente na quadra escutou”, afirmou o pernambucano, que diz nunca ter passado por situação parecida em quadra e que tem no francês Jo-Wilfried Tsonga, 29º do ranking, um ídolo de infância.

“Eu sempre falei quando eu era criança que o meu maior ídolo era o Tsonga. Até os meus 12 anos, eu idolatrava o Tsonga, e ninguém entendia por que. E talvez seja por esse lado, mas eu ainda não pensava muito nisso porque era muito novo. Mas hoje meu maior ídolo é o [Rafael] Nadal. Ele sai de alguns buracos no meio do jogo e encontra soluções que só ele consegue. É um guerreiro”.

Confira a entrevista com João Reis.

Em primeiro lugar, como você prefere que a gente escreva o seu nome? João Lucas Reis ou João Lucas Reis da Silva ou João Lucas da Silva, por exemplo. A gente vê seu nome escrito de diversas formas.
Eu me acostumei com João Reis quando eu jogo os torneios. Todo mundo me chama de João Reis, então eu me acostumei mais com esse nome.

Você sempre fala que começou a jogar por causa do seu irmão, que também jogava. Ele chegou a disputar torneios e tentar seguir carreira? Como ele está hoje?
Na verdade, ele parou meio cedo. Ele jogou até os 15 anos. Chegou a participar de alguns torneios brasileiros e disputou o circuito Rota do Sol lá do Nordeste, mas ele só jogou isso. Eu também joguei todos esses torneios. Aí ele parou com 15 anos e resolveu seguir outra carreira.

Ele está com quantos anos e faz o que hoje?
Ele está com 25. Hoje ele faz Administração.

E você tem conseguido conciliar os estudos com a carreira no tênis?
Eu terminei o Ensino Médio à distância. Primeiro, segundo e terceiro ano. E comecei no ano passado a cursar Administração, à distância também, na Estácio. O IT (Instituto Tênis) tem parceria com eles e conseguimos algumas bolsas. Aí eu estou cursando Administração.

Queria que você falasse um pouquinho dessa sua primeira temporada só focado no profissional. Você terminou a carreira juvenil no ano passado. O quanto esses dois circuitos são diferentes em termos de bola e na mentalidade dos jogadores? O que você achou?
No ano passado, eu já joguei vários torneios profissionais, no meu último ano de juvenil. Eu consegui meu primeiro título no future de 25 mil de Curitiba. E para mim foi uma bela entrada no circuito, eu me sentia bem confiante para o futuro. E aí, no meio do ano, eu não consegui bons resultados. Passei uns dois ou três meses sem muitos resultados, mas consegui recuperar no fim do ano.
No começo eu sentia mais a parte mental, sentia que os jogadores profissionais me obrigavam a jogar todos os pontos e a me manter um nível alto por mais tempo do que eu era acostumado no juvenil. E eu acabei me acostumando bem com isso. Se eu conseguir manter um bom nível no jogo inteiro, eu consigo criar boas oportunidades de vencer.


Este ano, você fez um bom jogo no challenger de Campinas contra o [Alejandro] González, que é um cara que já foi top 100 e tudo. O quanto aquele jogo te dá confiança, em termos de nível? O quanto você aprendeu com essa partida mesmo tendo perdido?
Foi um jogo bem duro do início ao fim e me motiva bastante. Eu tive minhas chances de quebrar o saque dele e não consegui, mas vendi caro meus games de saque. [A partida terminou com placar de duplo 7/5 para o colombiano de 30 anos, ex-número 70 do mundo] Consegui ver vários jogadores lá, disputando o torneio, o que me motiva estar naquele ambiente. Foi meu primeiro challenger, nunca tinha jogado um antes. E isso só me motiva mais e mais a seguir trabalhando e acreditando no futuro.

Você conseguiu treinar com algum jogador desse nível e que você pudesse tirar alguma coisa boa?
Não, não treinei.

Nas últimas semanas, você conseguiu um título e um vice no México. E jogando na quadra dura. Como você fez para adaptar seu jogo à quadra dura para ter esses bons resultados? E também como foi lidar fisicamente e mentalmente com uma sequência de jogos tão longa?
Bom, eu fiz uma bela gira lá em Cancún. Senti que estava jogando muito bem. Estava bem quente, e os jogos eram bem desgastantes, mas consegui levar isso para o lado positivo. Os outros jogadores não estavam aguentando muito e eu estava aguentando mais que eles. Como eu também estava jogando muito bem, eu me senti bem confiante. Ganhei o primeiro torneio e fiz final no segundo. Acho que foram oito ou nove vitórias seguidas.
E foi ótima essa gira. Eu precisava defender alguns pontos agora em novembro e estava há algum tempo sem muitos resultados. Quando voltei da Europa, fiz uma final lá no Paraguai e vinha me sentindo melhor na quadra. Depois de Campinas, fui para o México jogando super bem. Então estou bem confiante.

Este foi um ano de mudança no ranking. Teve um momento que você chegou a zerar antes da mudança de pontuação. E você conseguiu ficar mais ou menos na mesma posição, em torno de 500. Como foi se projeta a próxima temporada, agora com um calendário um pouco mais estável, sem tanta mudança no circuito?
Eu terminei o ranking como 550, que é exatamente o mesmo do ano passado. Não era o ranking que eu esperava terminar este ano, mas com as mudanças acabou ficando meio esquisito. Minha meta no começo ano era terminar entre 400 e 450, mas não dá para dizer que foi um ano ruim. Consegui aprender bastante. Por mais que eu tivesse altos e baixos, consegui jogar super bem. E, bom, para o ano que vem segue a mesma meta que este ano. Se até o meio do ano eu estiver entre os 450, seria bom para eu ir aos poucos entrando nos challengers.

Você treina junto com o [Matheus] Pucinelli, que é um ano mais novo e terminou a carreira juvenil agora. Vocês conseguem viajar para os mesmos torneios, mesmo com uma diferença de ranking, por enquanto?
Sim, a gente sempre jogou junto, desde o juvenil. No ano passado a gente jogou vários torneios juntos. Provavelmente, no início do ano, vamos fazer as mesmas giras. Ele ainda vai poder usar o ranking juvenil para entrar em alguns torneios. E a ideia é a gente crescer junto.

Com quem que vocês viajam normalmente?
Eu tô viajando mais com o Alan Bachiega, e ele com o Rafael Paciaroni.

 

 

 

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ATLETAS DO INSTITUTO TÊNIS SÃO CAMPEÕES EM TORNEIO NA EUROPA Neste Sábado, João Reis(@joaolreis) e Matheus Pucinelli (@matheuspucinelli) se sagraram campeões da chave de duplas do Future M15 de Balatonalmádi, na Hungria. Os atletas foram acompanhados do treinador Rafael Paciaroni. Durante todo o torneio, a dupla do Instituto Tênis fez bons jogos, não perdendo nenhum set na competição. Na final, os brasileiros derrotaram a dupla austríaca formada por Lenny Hampel / Neil Oberleitner por 6-4 7-6(1). O próximo torneio de João e Matheus será o Future 15k de Alkmaar, na Holanda. #institutotenis #itau #vivo #taesa #leideincentivoaoesporte #secretariaespecialdoesporte #fundacaolemann #laatus #aldocomponentes #estacio Uma publicação compartilhada por Instituto Tênis (@institutotenis) em


Este ano, aconteceu um caso lamentável com o Christian em future aqui em São Paulo, que ele denunciou um caso de racismo e estavam até avaliando para ver se tinham como punir o jogador adversário. E ele até falou que já tinha acontecido antes em um torneio juvenil, na Itália. Queria saber se isso já aconteceu com você, tanto dentro da quadra, como fora também?
Comigo nunca aconteceu. É lamentável isso o que aconteceu com o Christian. Até conversei com ele. Nos dias de hoje é lamentável tenham esses casos de racismo, dentro ou fora de quadra. Também não entendi como não tiveram como punir o jogador, porque acho que bastante gente na quadra escutou. É lamentável.

E ainda um pouquinho nesse assunto. O [Felix-Auger] Aliassime falou que se inspirava muito em outros jogadores negros, como o Tsonga e o Monfils. Ele sentia que eles abriram o caminho para ele. Você pensa da mesma forma e os admira? Não apenas com eles, mas admirando também a Serena, a Venus ou a Stephens, por exemplo?
Eu sempre falei quando eu era criança que o meu maior ídolo era o Tsonga. Até os meus 12 anos, eu idolatrava o Tsonga, e ninguém entendia por que, mas eu idolatrava muito ele. E talvez seja por esse lado, mas eu ainda não pensava muito nisso porque era muito novo. Mas hoje meu maior ídolo é o Nadal.

O quanto você acha que pode tirar desses caras, como o Nadal ou Tsonga, para o seu jogo. Na mentalidade, principalmente?
O Nadal, com certeza, na mentalidade. Ele sai de alguns buracos no meio do jogo e encontra soluções que só ele consegue. Não dá nada de graça para o adversário. É um guerreiro.

Em termos de lesão, você teve algum problema físico neste ano ou foi tranquilo?
Foi tranquilo. Na verdade, no future de São Paulo eu senti o joelho. Já estava sentindo há umas duas semanas e piorou lá. Na semana seguinte, eu não consegui treinar direito antes de ir para o México. Treinei meio período, mas consegui me virar lá. Estava jogando bem na quadra rápida. Mas lesão mesmo, não foi quase nada.

Como é nesses ambientes com muitos torneios no mesmo lugar? Por exemplo, além de Cancún, sempre tem bastante torneio na Turquia e na Tunísia, por exemplo. Você enfrenta os mesmos jogadores, tem os mesmos árbitros, fica no mesmo hotel… O quanto isso pode ser bom e o quanto é desgastante?
O único lugar que eu joguei vários seguidos torneios foi lá em Cancún. Eu não achei tão cansativo, porque os donos lá do hotel são muito receptivos com os brasileiros. A dona é brasileira e o marido dela morou 15 anos no Brasil. Então, eles fazem você se sentir em casa. E quando eu joguei foi muito tranquilo. Às vezes eu penso ‘Putz, vou passar seis semanas no mesmo lugar, comendo a mesma comida’, mas lá foi tranquilo. Passou tão rápido que eu não tive essa impressão. Mas acredito que na Tunísia ou no Egito seja bem difícil passar tantas semanas no mesmo lugar.

Reis supera metas, sofre com inoportuna catapora, e sonha com a Davis
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 30, 2018 às 10:33 am

Pouco mais de um ano depois de marcar seu primeiro ponto no ranking da ATP, João Lucas Reis cumpriu e até superou algumas metas que ele próprio determinava para sua temporada de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. O pernambucano de 18 anos pretendia disputar os Grand Slam como juvenil, vencer um torneio de nível future e terminar o ano entre 650 e 700 do mundo. A primeira conquista como profissional veio ainda em maio, no saibro de Curitiba, e ele termina a temporada com o melhor ranking da carreira, já no 554º lugar.

Reis conquistou seu primeiro future e superou suas expectativas no ranking (Foto: João Pires/Fotojump)

Reis conquistou seu primeiro future e superou suas expectativas no ranking (Foto: João Pires/Fotojump)

O jovem natural de Recife disputou três dos quatro Grand Slam do circuito mundial juvenil. Por méritos, poderia ter participado de todos, mas faltou sorte. Reis pegou catapora em momento inoportuno, a poucos dias de estrear no US Open. “Foi bem frustrante, porque eu estava muito motivado para o torneio e não consegui jogar”, disse Reis ao TenisBrasil durante a Maria Esther Cup, na semana passada, em São Paulo.

Também em 2018, Reis teve sua primeira experiência acompanhando a equipe brasileira da Copa Davis. Reserva no confronto contra a Colômbia em Barranquilla, o pernambucano aprovou a experiência, apesar do revés do time nacional. “A equipe toda me acolheu muito bem no time, pude treinar com eles a semana inteira. Pude ver como os profissionais treinam e a intensidade que eles colocam no treino”, recordou. “Eu tenho o sonho de jogar a Copa Davis, defendendo o Brasil. Acho que qualquer jogador tem o sonho de vestir a camisa e representar o país”.

Reis começou a jogar tênis aos quatro anos e a treinar desde os sete, por influência do irmão mais velho Antônio Gabriel. O jovem jogador pernambucano se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. Hoje, já sente em casa, mesmo longe da família. “Foi bem difícil ficar longe da minha família e dos meus amigos, mas consegui superar o começo, que era a parte mais difícil e fui me adaptando. Agora eu posso dizer que estou 100% adaptado”.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Queria que você avaliasse um pouco sua temporada. Você até falou que queria ficar entre 650º e 700º, mas chegou a 554º do ranking, que é acima da sua meta. Como você avalia esse ano?
Acho que foi um ano muito bom. Tive alguns altos e baixos, mas achei uma temporada bem boa. Consegui meu primeiro título profissional no início do ano, fiquei bastante feliz com a evolução que eu tive no meu jogo do início do ano para agora. Tive boas experiências e pude passar dois meses na Europa, um mês nos Estados Unidos, jogando meus últimos torneios juvenis, ainda consegui jogar três Grand Slam e consegui cumprir algumas metas. Achei bem bom.

Durante a semana em que você conquistou seu primeiro título em Curitiba, o que você sente que seu jogo encaixou e em termos de confiança também?
Acho que eu consegui jogar meu melhor tênis durante a semana inteira. Consegui crescer durante o torneio, o que é o mais importante, cheguei à final jogando muito bem. E bom… Acho que ajudou a evoluir meu nível de tênis, eu consegui subir mais um nível naquela semana, e deu bastante confiança para seguir trabalhando e seguir o meu sonho.

Você acompanhou a equipe da Davis. Como que foi a experiência? Jogar a Davis é um sonho que você tem mesmo com essa mudança de formato?
Foi uma ótima semana, uma bela experiência. A equipe toda me acolheu muito bem no time, pude treinar com eles a semana inteira. Pude ver como os profissionais treinam, a intensidade que eles colocam no treino e o capricho. Treinei com Clezar, com o Monteiro, com a dupla do Melo com o Demoliner, com o Sorgi… Com todo mundo. Eu aprendi bastante na semana. Eu tenho o sonho de jogar a Copa Davis, defendendo o Brasil. Acho que qualquer jogador tem o sonho de vestir a camisa e representar o país.

Você foi contra a Colômbia ou contra República Dominicana?
Contra a Colômbia. Nós perdemos o confronto por 3 a 2, foi bem duro, mas valeu a semana da mesma forma.

Pouco antes do US Open, você pegou catapora. O quanto isso foi frustrante para você e como foi tratar a doença fora do Brasil, longe da família e longe até dos médicos que te acompanham normalmente?
Foi bem frustrante, porque antes do torneio eu estava me sentindo muito bem nos treinos. Eu estava sentindo que estava jogando muito bem na quadra rápida, estava bem confiante para o torneio, e aconteceu isso. Aí eu tive que ficar seis dias de cama, sem fazer nada. O Cristiano [Borrelli], que é o CEO do Instituto Tênis, a organização onde eu treino, ele me ajudou bastante na semana, e ficou como um enfermeiro para mim. E foi bem frustrante, porque eu estava muito motivado para o torneio e não consegui jogar. E depois eu continuei a gira, que eu não consegui jogar bem lá nos Estados Unidos.

– Era cabeça 1 nos futures, mas acabou perdendo na primeira e tal…
Sim. Nas primeiras semanas eu estava com uma energia baixa, sem ritmo, e não consegui jogar. Na terceira semana eu consegui jogar um pouquinho melhor. Mas foi um aprendizado. Mesmo nessas piores ocasiões, a gente aprende um pouco.

Mas como foi para diagnosticar? Você começou a sentir alguma coisa e já passou no médico do torneio?
Eu achei que eu estava com umas espinhas a mais, apareceram umas bolinhas, e aí eu fui no médico do torneio e eles me diagnosticaram errado. Eles falaram que eu estava com impetigo, que é um vírus que tem bastante lá nos Estados Unidos, e eu achei que eu podia jogar, porque ele falou que com aquilo eu podia jogar. Bom, eu falei: ‘Tô bem’. Mas aí um dia depois eu passei muito mal à noite, tive bastante febre, pioraram muito as bolinhas e aí eu fui de manhã num médico e eles falaram que eu estava com catapora e provavelmente não poderia jogar e tinha que ficar isolado.

E o médico era do US Open mesmo ou do torneio juvenil que você estava jogando na semana anterior?
Era o que estava no US Open juvenil, na semana do quali. Foi bem difícil. Talvez se ele falasse que eu estava com catapora e eu pudesse tratar uns três dias antes do torneio, talvez eu poderia estar um pouquinho melhor, mas ainda é difícil. Acho que, de todo jeito, não era para acontecer mesmo.

E você saiu da sua casa muito novo, com 14 anos, foi para São José [dos Campos] e depois foi para o IT (Instituto Tênis, em Barueri). Sua família continua em Recife ou se mudou para São Paulo depois?
Eu saí com 13 anos, ainda quando jogava torneios de 14, e vou bastante para Recife. Foi bem difícil ficar longe da minha família e dos meus amigos, mas consegui superar o começo, que era a parte mais difícil e fui me adaptando. E agora estou muito bem. Mantenho bastante contato com todos os meus amigos e família, tento ir bastante para lá, mas eles vêm mais para cá. Eu também tenho duas tias que moram em São Paulo, a família inteira do meu pai é daqui de São Paulo, então isso me ajuda bastante a não dar tanto valor à distância. E agora eu posso dizer que estou 100% adaptado.

A gente sabe que o circuito de futures tem um custo muito alto para o jogador e pouco retorno financeiro imediato. Como você tem feito para se manter? O IT oferece passagem e hospedagem? Vocês conseguem viajar com o técnico?
Bom, o IT me ajuda bastante nessa parte. Esse é meu primeiro ano que eu joguei future, e não joguei só future, joguei juvenil também, e eu não tenho como te dizer como é a vida dos profissionais que estão jogando já há algum tempo, mas este ano o IT me ajudou bastante. Em alguns torneios com hotéis e passagens, então eu não tive tanta necessidade quanto a isso. Eu só tenho a agradecer a eles por me dar toda essa estrutura.

Você é um cara bem tranquilo na quadra, não é muito de vibrar muito, de gritar muito. É algo que você traz de fora das quadras também e você consegue transformar isso em coisas positivas?
É, eu sou um cara bem tranquilo. Pelo menos, me falam isso, e eu também me considero. Acho que na quadra isso me ajuda a manter a concentração, mentalmente focado no que eu tenho que fazer. Em alguns momentos tenho que subir a energia, porque o tênis exige isso, fazer um pouco mais de barulho e vibrar mais. Eu também tenho a tendência de ficar um pouco apático às vezes, mas tenho que lutar contra isso todos os dias. É mais o temperamento mesmo.

Tem alguma meta para o ano que vem, não só de ranking, mas de desempenho. De repente, ganhar mais alguns futures, tentar jogar um challenger…
Acho que agora eu não tenho como falar isso, ainda não sei do meu calendário do ano que vem. Vou jogar esse torneio aqui, que vale bastante, e depois ficar de férias e pensar no meu calendário.

Os próximos passos de Wild e o ano dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 12, 2018 às 9:33 pm

Thiago Wild fez história para o tênis brasileiro ao se tornar apenas o segundo jogador nacional a ganhar um título de simples em um Grand Slam juvenil e o primeiro a fazê-lo no US Open. Apesar da euforia pela conquista inédita e a realização de um sonho, o paranaense de 18 anos se mantém fiel às convicções de que precisa fazer uma boa transição para o circuito profissional. Ele já ensaia os próximos passos na nova etapa da carreira. Dono de dois títulos profissionais de nível future, o primeiro em Antalya na Turquia no ano passado e o segundo na cidade paulista de São José do Rio Preto em abril, Wild já ocupa o 461º lugar do ranking da ATP.

Após a conquista em Nova York, Wild retornou ao Rio de Janeiro e se prepara para uma série de challengers pela América Latina até o final da temporada. Seu primeiro compromisso será em solo brasileiro, na cidade paulista de Campinas a partir de 1º de outubro. Na semana seguinte, o paranaense segue para Santo Domingo, na República Dominicana. Depois de uma semana sem competições, Wild volta ao saibro sul-americano para cinco torneios seguidos em Lima, Guayaquil, Montevidéu, Buenos Aires e o challenger do Rio de Janeiro a partir de 19 de novembro. Até por isso, não disputará o ITF Junior Masters na China, que acontece entre os dias 22 e 28 de outubro.

“É um sonho de criança que tinha vencer um Grand Slam e ter meu nome nos grandes torneios. Era minha última chance no juvenil nesse nível, agora daqui pra frente é manter os pés no chão e trabalhando com minha equipe da Tennis Route que me apoia desde meus 14 anos”, disse Wild, por meio de sua assessoria. O paranaense de Marechal Cândido Rondon treina no Rio de Janeiro com Arthur Rabelo, João Zwetsch, Duda Matos e o preparador físico Alex Matoso.

“Essa conquista não muda nada para mim, tenho que seguir na mesma linha de trabalho, seguir na mesma pegada. Pode ser que algumas portas se abram para mim como patrocínio e mídia, mas isso não vai mudar minha cabeça e meu foco que é no profissional que é onde poderei viver do tênis e atingir objetivos de ser um dos melhores do mundo”, acrescentou o jogador que completou 18 anos em março.

September 9, 2018 - 2018 US Open Junior Boy's Singles Champion Thiago Seyboth Wild.

Thiago Wild é o segundo brasileiro a vencer um título juvenil de Grand Slam (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

Na entrevista coletiva que deu em Nova York depois de vencer a final contra o italiano Lorenzo Musetti por 6/1, 2/6 e 6/2, Wild reiterou que o período de comemoração será curto. “Ganhar um Grand Slam é o maior sonho de todo jogador juvenil. Alcançar isso na minha última chance torna ainda mais especial para mim. Mas tenho que continuar trabalhando porque agora minha carreira juvenil acabou. A transição para os profissionais é muito mais difícil do que o circuito juvenil. Acho que vou ter que me concentrar nisso a partir de agora”.

Wild também falou sobre o aprendizado que teve pela semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho, quando ainda se recuperava de lesão no ombro e não atuou em seu melhor nível. “Estar na semifinal de um Grand Slam já era uma coisa enorme a ser feita, mas eu senti que queria mais porque não estava satisfeito com aquela semifinal. Eu estava lesionado naquela partida e estava sem treino por três semanas, porque não conseguia levantar o braço. Eu não pude fazer nada. Quando cheguei aqui nesta semana, eu só me concentrei em mim e no meu tênis”.

“Acho que, independentemente da sua superfície favorita, o tênis é um esporte que você pode jogar em qualquer quadra, seja qual for a bola”, avalia o jovem jogador de 18 anos. “É basicamente um jogo mental, e se você tem um mental forte e tem a mentalidade de jogar na grama, nas quadras duras, ou no saibro, pode jogar do jeito que quiser em qualquer quadra, com qualquer outra bola e contra qualquer adversário”.

Outra experiência significativa na trajetória do paranaense é a semifinal de duplas alcançada no ano passado em Nova York. “Eu não gosto muito de jogar duplas, mas foi o que consegui no ano passado e aprendi muito com isso. Foi, tipo, ‘Ok, eu cheguei às semifinais em duplas. Por que não posso fazer isso em simples? Qual é o problema de fazer isso sozinho sem ninguém ao meu lado?’ Acho que simples e duplas são dois jogos diferentes. Você tem que aprender a jogar com alguém ao seu lado, você tem que aprender a jogar em equipe. E em simples você pode se concentrar em si mesmo e pensa: ‘Eu tenho que fazer isso’. Não há ninguém para te ajudar. Tem muito mais pressão. Mas acho que lidei muito bem com isso”.

Voltando ao mês de abril, quando conquistou o future de Rio Preto, Wild falou ao TenisBrasil sobre o que tem feito para seguir evoluindo. Um dos principais fatores é a aposta na meditação para fortalecer seu lado mental. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Na época, o paranaense também estabeleceu a meta de terminar o ano no top 200 do ranking da ATP. O objetivo é evitar cair no chamado circuito de transição, que irá substituir os torneios de nível future em 2019 e que não dará mais pontos no ranking. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem e venho crescendo”, disse Wild na época. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é o ano terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”.

RAIO-X DOS JUVENIS BRASILEIROS

Assim como feito nas duas últimas temporadas, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Estão disponíveis os links para os posts de 2016 e também de 2017

geral

Os resultados em 2018 foram bastante superiores em relação às últimas temporadas. Depois de apenas duas vitórias brasileiras em 2016 e outras cinco no ano passado, a atual temporada contou com 22 vitórias de atletas nacionais. Campeão do US Open e semifinalista de Roland Garros, Thiago Wild venceu onze jogos. O brasiliense Gilbert Klier Júnior conseguiu quatro vitórias, três delas na campanha até as quartas de final em Wimbledon. O pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Mateus Alves venceram dois jogos cada um. Já o paulista Matheus Pucinelli conseguiu uma vitória na Austrália. Ao todo, seis jogadores diferentes venceram partidas de Grand Slam.

Também houve aumento na participação brasileira em relação aos dois últimos anos. Ao todo, foram oito jogadores disputando os torneios juvenis de Grand Slam, sete meninos e uma menina. Em 2016, apenas quatro juvenis diferentes estiveram nas chaves principais, com apenas cinco ano passado. Entretanto, quase todos os brasileiros que atuaram em chaves juvenis de Grand Slam estavam no último ano do circuito juvenil: É o caso de Wild, Klier, Reis, Gimenez, Reyes e Ana Paula Melilo. Apenas Mateus Alves e Matheus Pucinelli, nascidos em 2001, têm mais um ano de juvenil pela frente. É possível que no próximo ano, nomes como Natan Rodrigues e João Ferreira tenham a oportunidade de disputar chaves principais de Grand Slam.

É bom destacar que Klier também teve bons resultados fora dos Grand Slam. O brasiliense de 18 anos iniciou a temporada conquistando a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Já em agosto, ele venceu o ITF de College Park, em Maryland, evento de nível G1 nos Estados Unidos e preparatório para o US Open. Dessa forma, ele chegou a figurar entre dos dez melhores juvenis do mundo.

ranking meninos

No feminino, quem pode buscar uma vaga é a canhota paulista de 17 anos Ana Luiza Cruz, que está com o melhor ranking da carreira no 172º lugar. Mesmo que não consiga uma vaga direta por conta do ranking, há a possibilidade de vencer as seletivas do Roland-Garros Junior Wild Card Competition, que tem uma fase nacional e um triangular final com atletas da Índia e da China. Foi dessa forma que Ana Paula Melilo conseguiu sua vaga no Grand Slam francês.

ranking meninas

Australian Open

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Depois de dois anos sem representantes brasileiros  -sendo que em 2017, nenhum sul-americano disputou o torneio- o Australian Open voltou a ter jogadores nacionais na chave juvenil. O paulista Igor Gimenez teve o melhor resultado ao vencer dois jogos na chave principal e chegar às oitavas, repetindo a campanha que Marcelo Zormann fez em 2014. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

Roland Garros

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Sete brasileiros disputaram o torneio juvenil de Roland Garros, um a mais que no ano passado. A representação foi a maior desde 2012. Thiago Wild se destacou com as semifinais de simples e duplas, embora ainda sofresse com uma lesão no ombro. Outro bom resultado veio com o pernambucano João Lucas Reis, que alcançou as oitavas. Mateus Alves furou o quali e ainda venceu mais um jogo na chave principal, enquanto Gilbert Klier também venceu um jogo. Apenas Mateo Reyes e Ana Paula Melilo não venceram no torneio principal, enquanto Igor Gimenez e João Ferreira caíram ainda na fase classificatória.

Nos últimos anos, o Brasil já teve representantes em três finais de duplas. Beatriz Haddad Maia foi vice-campeã nas temporadas de 2012 e 2013, enquantoo gaícho Orlando Luz repetiu a dose em 2016. O gaúcho Guilherme Clezar também já foi vice de duplas em 2009. Em simples, Thomaz Koch jogou duas finais seguidas em 1962 e 1963, Edison Mandarino foi vice em 1959, mesma campanha de Luis Felipe Tavares em 1967.

Wimbledon

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Com seis brasileiros, a equipe nacional em Wimbledon teve sua maior representação desde 2014. O brasiliense Gilbert Klier Júnior venceu três jogos antes de perder um equilibrado duelo sul-americano contra o cabeça 5 colombiano Nicolas Mejia nas quartas de final. Nas duplas, João Lucas Reis e Matheus Pucinelli também caíram nas quartas de final.

Desde 2008 que um brasileiro não chegava tão longe na chave juvenil de simples em Wimbledon. O último a conseguir tal campanha foi o canhoto Henrique Cunha. Flavio Saretta também fez quartas em 1998. O último brasileiro semifinalista foi Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, em 1987, enquanto as melhores campanhas nacionais foram os vice-campeonatos de Ivo Ribeiro em 1957 e Ronald Barnes em 1959. O melhor resultado recente foi o título de duplas de Orlando Luz e Marcelo Zormann em 2014.

US Open

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Em Nova York, o Brasil teve seu menor número de jogadores, mas o melhor resultado da história com o título de Thiago Wild. Apenas Gilbert Klier entrou diretamente na chave por conta do ranking, enquanto Mateus Alves furou o quali e avançou uma rodada na chave principal e Igor Gimenez perdeu ainda na fase classificatória. Wild foi o primeiro brasileiro a disputar uma final de simples em Nova York. Em toda a história o país esteve em oito finais de Grand Slam, com sete jogadores diferentes.

Antes da histórica conquista do paranaense, os melhores resultados recentes foram nas duplas. Além da semifinal alcançada pelo próprio Wild no ano passado, a parceria nacional formada pelo gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes ficou com o vice-campeonato em 2014. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Juan Carlos Aguilar.

Grande semana de Wild e Pedretti
Por Mario Sérgio Cruz
abril 30, 2018 às 10:41 pm

A última semana foi boa para dois nomes da nova geração do tênis brasileiro. Tenistas de 18 anos, o paranaense Thiago Wild e a paulista Thaísa Pedretti obtiveram o segundo título de suas carreiras profissionais, ele em São José do Rio Preto, ela no saibro argentino de Villa del Dique.

Wild passou outros dois jovens brasileiros durante a semana, o paulista Marcelo Zormann e o canhoto gaúcho Rafael Matos, além de também derrotar o experiente Daniel Dutra Silva na semifinal. O paranaense, que não perdeu sets durante a semana, derrotou na final o argentino de 18 anos Camilo Carabelli por 7/6 (7-5) e 6/3.

 Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)


Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)

Os dezoito pontos pelo título serão computados no dia 7 de maio e farão com que Wild tenha o melhor rankig da carreira. O paranaense aparece nesta semana no 606º lugar, mas deve se aproximar da 520ª posição na próxima segunda-feira quando terá apenas um ponto a descontar.

Wild falou ao TenisBrasil durante a última semana. O paranaense sempre foi um jogador vibrante e intenso em quadra desde os tempos de juvenil e falou sobre o trabalho psicológico que faz para transformar isso em coisas positivas. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Diante da mudança no ranking a partir da próxima temporada, com torneios de nível future parando de oferecer pontos, Wild quer dar um salto já no segundo semestre, priorizando competições maiores e tem uma meta ambiciosa. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”, afirmou o paranaense. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição e não precisar jogá-lo. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem, venho crescendo e posso muito bem jogar só challenger a partir do segundo semestre”.

Confira a entrevista completa com Thiago Wild.

O paranaense continuará jogando em solo brasileiro nas próximas três semanas, totalizando quatro futures em território nacional. Seu próximo compromisso será no Clube Paineiras do Morumby, na capital paulista. O torneio em São Paulo ainda atrai bons nomes da nova geração brasileira como Marcelo Zormann, Rafael Matos, João Lucas Reis e Igor Gimenez. A entrada é gratuita durante toda a semana.

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Já Thaísa Pedretti encerrou uma sequência de nove jogos no saibro argentino com oito vitórias e apenas uma derrota. Antes do título em Villa Del Dique, a paulista já havia sido semifinalista em Villa Dolores. Na final disputada no último sábado, ela derrotou a chilena Fernanda Brito, principal cabeça de chave do torneio e 364ª do ranking, por 6/0 e 6/4.

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Pedretti está com o melhor ranking da carreira e entrará no grupo das 500 melhores do mundo (Foto: Éric Visintainer)

Nesta segunda-feira, Pedretti ganhou 21 posições no ranking e aparece com o melhor marca da carreira ao ocupar o 546º lugar. Esse número certamente será superado na próxima segunda-feira, quando os doze pontos pelo título na Argentina forem computados. A jovem de 18 entrará no grupo das 500 melhores jogadoras do mundo pela primeira vez na carreira. Sétima brasileira mais bem colocado no ranking com 53 pontos, Pedretti irá ultrapassar Carolina Alves e Teliana Pereira na semana que vem. Com isso, ela ficará atrás apenas de Beatriz Haddad Maia, Gabriela Cé, Nathaly Kurata e Laura Pigossi.

Juvenis na Europa – Alguns juvenis brasileiros estão lutando por pontos no saibro europeu de olho na chave juvenil de Roland Garros. Destaque para Gilbert Klier Júnior, brasiliense de 17 anos, que conseguiu um título e um vice-campeonato de duplas nas últimas semanas, na cidade búlgara de Plovdiv e no saibro francês de Beaulieu Sur Mer. Nos mesmos torneios, fez quartas em simples.

O paulista Igor Gimenez foi semifinalista em Medias, na Romênia, na última semana e tem um tíulo de duplas com Klier na Búlgária. Já o baiano Natan Rodrigues teve dois vice-campeonatos de duplas na França. O primeiro em Istres, ao lado do argentino Roman Burruchaga e o segundo em Beaulieu Sur Mer com Klier. Natan parou nas oitavas dos dois torneios de simples.

Juvenis brasileiros priorizam futures na transição
Por Mario Sérgio Cruz
março 7, 2018 às 8:09 pm

Diante da mudança nas regras do circuito profissional no ano que vem, quando será criado um circuito de transição e os torneios de nível future de US$ 15 mil não darão mais a dar pontos no ranking da ATP, alguns dos principais jogadores juvenis brasileiros sinalizam que devem priorizar as competições profissionais já no segundo semestre deste ano. Os atletas nacionais que estão na última ou penúltima temporada das competições de base também pretendem já iniciar rapidamente o longo caminho dos futures, sem passar por uma transição no tênis universitário norte-americano que já atraiu nomes como Gabriel Décamps, Lucas Koelle e Luisa Stefani nos últimos anos.

“Por enquanto o meu foco é entrar no profissional, a começar pelos futures e seguir evoluindo. A transição é bem difícil, principalmente para nós brasileiros. A gente já teve muito juvenil top, mas a transição é um ponto mais difícil. Então acho essa etapa a mais importante a partir de agora”, disse o paulista de 17 anos Mateus Alves, treinado pelo ex-top 100 Thiago Alves.

“A gente já está conversando sobre calendário e sobre misturar os torneios juvenis com profissionais. Este ano a gente já vai montar uma programação de jogar mais futures a partir de agora e mesclar com os ITFs. Fiquei sabendo dessa mudança que vai ter para o ano que vem e a gente ainda não sabe como vai ser essa mudança, o que ela vai afetar e o que vai trazer de bom, mas espero que tudo isso seja bem feito e ajude a gente do juvenil a ir para o profissional”, complementou o jovem paulista, que ainda poderá jogar torneios juvenis em 2019.

“Meu sonho sempre foi jogar como profissional mesmo. Eu nunca fui muito atraído pela ideia de jogar pela faculdade no College, então eu vou seguir no ano que vem nos futures e challengers em busca do sonho que eu sempre tive”, comentou o brasiliense Gilbert Klier Junior, que completa 18 anos em maio e treina na Tennis Route do Rio de Janeiro.

Para o pernambucano de 17 anos João Lucas Reis e o paulista Matheus Pucinelli, um ano mais novo, que treinam juntos em Barueri, a mudança na regra pode facilitar a entrada dos jovens nos torneios profissionais já que o ranking juvenil servirá como base para incluir nomes nas chaves principais. “É bem nova essa regra e acho que ela vai ajudar um pouco os juvenis em transição, mas a gente ainda não conversou muito [com os técnicos] sobre isso. Acho que mais para o final do ano a gente vai acabar sabendo mais e jogar alguns futures também”, disse Reis, que reitera o desejo de seguir a carreira como tenista profissional. “O desejo é seguir no profissional e jogar nos torneios futures”.

João Lucas Reis vem de dois bons resultados no Banana Bowl e em Porto Alegre (Foto: Matheus Joffre/CBT)

João Lucas Reis vem de dois bons resultados no Banana Bowl e em Porto Alegre (Foto: Matheus Joffre/CBT)

Pucinelli, que ainda terá mais um ano de juvenil pela frente, deve ter um calendário parecido com o de seus parceiros de treino. Além dele e de Reis, o também paulista Igor Gimenez treina junto com eles no Instituto Tênis e todos têm ranking juvenil próximo. “Para esse ano, o calendário deve ser mais parecido. Não deve mudar tanto, mas para o ano que vem vou mesclar bastante os torneios profissionais com os juvenis com o ranking juvenil ajudando para entrar”.

Até mesmo para o catarinense Pedro Boscardin Dias, jogador que completou 15 anos em janeiro e ainda luta pelo primeiro ponto na ITF, a intenção de seguir para os torneios profissionais é prioridade. “Para mim a ideia é seguir direto para o profissional sem passar pela transição nos Estados Unidos”.

Nas entrevistas feitas durante a disputa da Copa Paineiras, torneio exclusivamente sul-americano e de nível GB1 para o circuito de 18 anos da ITF, os jovens jogadores brasileiros falaram sobre o quanto esse torneio é decisivo para a definição do calendário. Nos últimos dois anos, Felipe Meligeni Alves e Thiago Wild venceram a competição continental e, com os 180 pontos conquistados, deram um salto no ranking juvenil e puderam já antecipar as vagas nas chaves principais de Roland Garros e Wimbledon.

“Este é um G1 com bônus e dá bastante ponto e te aproxima do corte do ranking para alguns torneios. É claro que um torneio desse vai modificar bastante o meu calendário, independente se eu for bem ou se eu for mal, porque ele define para quais torneios eu vou viajar. Então se eu for bem, é um calendário, e se eu for mal é outro. Então com certeza alguns pensam nisso aqui”, avaliou Klier, que só pôde começar a temporada há duas semanas, no Banana Bowl, por conta de uma lesão no joelho.

“Seria muito importante ir bem nesse torneio para já estar com os pontos na média para conseguir jogar os Grand Slam e começar a jogar os futures. Mas independente disso, acho que este ano eu já vou fazer um bom calendário de futures no segundo semestre”, explicou o tenista brasiliense que está no último ano como juvenil.

O brasiliense Gilbert Klier Júnior teve que iniciar sua temporada mais tarde por conta de lesão (Foto: Matheus Joffre/CBT)

O brasiliense Gilbert Klier Júnior teve que iniciar sua temporada mais tarde por conta de lesão (Foto: Matheus Joffre/CBT)

“No meu caso, os torneios que eu joguei antes já me ajudaram nesse aspecto. Com os torneios que eu fiz antes acho que eu já garanti a entrada em Roland Garros e Wimbledon, mas esse GB1 só com jogadores aqui da América do Sul acaba sendo um torneio bom para pontuar, mas também é duro e requer bastante esforço”, explicou Reis, que está no 32º lugar no ranking mundial juvenil da ITF.

“Acho que o torneio é importante nessa parte da pontuação e por ser o último torneio da gira. Porque diferencia jogar o quali ou chave dos Grand Slam”, avaliou Pucinelli. “A Gerdau (Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre) e o GB1 são muito importantes no calendário para a gente que é daqui do Brasil. Aqui só tem os sul-americanos e fica melhor ainda para jogar e pontuar. Sim, a gente pensa bastante nisso, mas o mais importante é entrar na quadra e fazer o trabalho bem feito”, complementou Alves.

Reis comemorou o nível técnico apresentado no início de temporada. O pernambucano disputou a chave juvenil do Australian Open e equilibrou as ações contra o segundo favorito sérvio Marko Miladinovic. Depois, engatou três bons resultados seguidos em ITFs no saibro sul-americano, com semifinal em Assunção e quartas tanto no Banana Bowl quanto no Juvenil de Porto Alegre.

“Na Austrália eu fiz um jogo bem duro com o cabeça 2, foi um bom torneio e depois desses torneios eu consegui uma boa constância nos jogos. Acho que venho jogando meu melhor tênis nesses torneios e espero continuar assim”, explicou o jogador de 17 anos que está de volta ao Paineiras, clube onde foi semifinalista de um future no ano passado. “Gosto bastante de jogar aqui, as quadras são boas. É bom que esse GB1 seja aqui no Brasil este ano. Estou bem confiante para essa semana aqui no Paineiras de novo”.

Alves não foi à Austrália e começou o ano jogando no piso duro da Costa Rica, onde foi vice-campeão. Depois, o paulista voltou ao saibro e chegou às quartas tanto no Equador quanto no Juvenil de Porto Alegre. Os resultados renderam boa evolução no ranking para o atual 34º lugar. “Acho que foi uma gira bem produtiva. Fiz ótimos torneios no começo do ano, na Costa Rica, Colômbia e Equador. Consegui uma semifinal, final e quartas. Na Costa Rica era piso duro e tinha bastante diferença de clima e condições de jogo. Consegui me adaptar bem em todos esses e isso deu uma alavancada no ranking e agora na Copa Gerdau, fiz jogos bem duros, ganhei de um cara que era 13 do mundo [o americano Drew Baird] e acabei perdendo nas quartas para o japonês [Naoki Tajima], que eu tive match point, mas mesmo assim serviu bastante de aprendizado”.

Mateus Alves treina com o ex-top 100 Thiago Alves e tenta usar de sua altura para ter um bom saque e um tênis agressivo (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Mateus Alves treina com o ex-top 100 Thiago Alves e tenta usar de sua altura para ter um bom saque e um tênis agressivo (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

O jogador de 1,93m está ciente de que seu estilo de jogo pode trazer uma vantagem no futuro, já que muitos dos principais jovens destaques do circuito apostam em bons saques e estilo agressivo. Ele inclusive cita o chileno Nicolas Jarry, jogador de 22 anos e que foi semifinalista do Rio Open e vice do Brasil Open, como um de seus modelos. “Sempre fui maior que o pessoal da minha idade e isso sempre me trouxe bastante vantagem, principalmente no saque que é um ponto mais forte meu. O saque e a direita. Agora o Nicolas Jarry foi bem nos ATPs. Ele é alto como eu, tem um jogo bem agressivo e é um cara muito bom para eu me espelhar. É um cara novo, que está despontando agora e a maneira de jogo dele, indo para a frente é uma maneira que eu tenho que jogar também”.

O pupilo de Thiago Alves também comentou sobre a experiência de treinar com um jogador que terminou recentemente a carreira no circuito. “Ele é um cara que mostra bem os caminhos. Já foi bom juvenil e vivenciou toda essa careira de profissional, então ele já passou por tudo o que eu estou passando agora e sabe me orientar bastante sobre onde vou jogar e como vou jogar. Então ele tá me passando bastante experiência”.

Para Klier, apesar da lesão e da pré-temporada reduzida, o balanço dos três primeiros torneios do ano foi positivo. “Meu primeiro torneio foi o Banana, mas foi uma gira muito boa para mim. Eu ia para a Austrália, mas machuquei o joelho e não pude ir. Não tive muito bem uma pré-temporada, porque eu fiquei um mês e meio sem sair da cama, machucado, mas dentro do possível foi um bom começo de ano. Fiz duas ou três semanas intensas e fui para o Banana. Joguei super bem, ganhei de bons jogadores, mas acabei não avançando mais por causa de problemas físicos. Eu estava com muita câimbra e abandonei nas oitavas. Na Gerdau também fiz um torneio muito bom e perdi para o japonês Tajima que vinha jogando muito bem. Faltou pouco, mas agora estou bem melhor”.

Ineditismo cobra o preço a Chung e Edmund
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 26, 2018 às 5:39 pm

Os dois nomes da nova geração que mais se destacaram durante o Australian Open terminaram suas campanhas de forma parecida. Semifinalistas da chave masculina, o sul-coreano Hyeon Chung e o britânico Kyle Edmund encantaram o público ao longo de duas semanas e venceram adversários de peso, mas ambos chegaram para os jogos mais importantes do início de suas carreiras na elite do circuito com muitas limitações físicas.

Edmund sentiu um incômodo no quadril e precisou de atendimento durante a partida contra Marin Cilic. O britânico de 22 anos e 49º do mundo acabou oferecendo resistência ao croata apenas durante dois dos três sets da partida disputada na última quinta-feira. Por sua vez, Chung lidou com bolhas nos pé esquerdo ao longo da segunda semana do torneio e o problema se agravou antes de enfrentar Roger Federer nesta sexta-feira. A melhor solução encontrada pelo sul-coreano de 21 anos e 58º colocado foi abandonar a partida ainda no segundo set.

Não é mera coincidência que dois jogadores que chegam tão longe em Grand Slam pela primeira vez acabem sendo traídos pelo próprio corpo. Esse é um caso em que a juventude pesa mais contra que a favor. Edmund passou 14h48 em quadra nos cinco primeiros jogos do torneio, o que inclui duas partidas definidas apenas no quinto set. Chung atuou por menos tempo, 11h55, muito por conta da desistência do alemão Mischa Zverev ainda na rodada de estreia.

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chungNenhum dos dois está tão habituado à uma sequência tão desgastante de jogos, ainda mais com a intensidade que as partidas de Grand Slam têm. Edmund tem apenas quatro semifinais de ATP na carreira, com somente duas para Chung (sendo uma delas no Next Gen ATP Finals com regras diferentes do habitual). As únicas vezes em que haviam disputado seis jogos em um mesmo torneio aconteceram quando vieram do qualificatório ou jogando competições de nível challenger e future.

A capacidade de lidar melhor com essa situação para chegar às fases decisivas em condições de lutar pelo título só virá com o tempo e, principalmente, com a experiência em competições de alto nível. Não há uma idade certa para que isso aconteça, mas quanto mais cedo eles se habituarem com fases rodadas finais nos torneios regulares da ATP, mais prontos para dar um novo salto nos Grand Slam eles estarão. Por ora, é comemorar a boa campanha e trabalhar para a recuperação física.

Sensações parecidas

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Tanto Chung quanto Edmund lamentaram os problemas físicos em jogos tão importantes, mas preferiram enaltecer as boas campanhas que fizeram. Chung foi o algoz do hexacampeão Novak Djokovic e do número 4 do mundo Alexander Zverev, enquanto Edmund passou pelo terceiro do ranking e semifinalista do ano passado Grigor Dimitrov e pelo sul-africano Kevin Anderson que foi vice no US Open. Os dois jovens jogadores terão os melhores rankings de suas carreiras na próxima segunda-feira e aparecerão entre os 30 melhores do mundo.

“Eu aproveitei as duas semanas dentro e fora de quadra. Estou realmente feliz. Cheguei pela primeira vez às oitavas, depois às quartas e à semifinal. Joguei contra Sascha, Novak e Roger”, disse Chung após a partida contra Federer, que abandonou quando perdia por 6/1 e 5/2. “Acho que ganhei confiança, enfrentei bons jogadores e estarei mais confortável em quadra contra esses grandes nomes na próxima vez”.

Como o sul-coreano não tem tanto o domínio da língua inglesa, Stuart Duguid, seu agente na IMG, explicou aos jornalistas sobre a condição física do jogador. “Posso responder por ele”, disse Diguid. “É algo pior do que bolhas regulares. Nos últimos dias, foi se formando bolha sobre bolha. Ele raspou e agora ficou em carne viva. Ele tomou injeções para ver se aliviaria a dor, mas não funcionou. É muito pior do que uma bolha regular”.

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund adotou discurso parecido com o de Chung sobre sua boa campanha. “Este tipo de torneio só lhe dá vontade de querer mais. Depois sentir o gosto, é como se eu pensasse: ‘Sim, eu quero mais disso'”, disse o britânico de 22 anos. “É claro que estou decepcionado pela derrota, mas foram duas boas semanas. Chegar em uma semifinal de um Grand Slam definitivamente é algo de que eu posso me orgulhar e levar isso para frente. Pude também jogar algumas partidas na Rod Laver e vencer partidas difíceis contra grandes jogadores”.

Até mesmo os desgastantes jogos de cinco sets foram comemorados pelo britânico. “Não há nada melhor do que ganhar um jogo de cinco sets. Os jogos em melhor-de-cinco devem permanecer sempre no circuito masculino. É um verdadeiro teste de qualidade e prova sua resistência física e mental”.

Os quatro juvenis brasileiros 

Ausentes nos últimos dois anos, os brasileiros voltaram à chave juvenil do Australian Open. Em 2018, quatro jogadores nacionais jogadores nacionais estiveram em quadra: o paranaense Thiago Wild, o pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli.

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

A melhor campanha foi de Gimenez, que venceu o holandês Lodewijk Weststrate e o uzbeque Sergey Fomin antes de cair nas oitavas para o taiwanês Chun Hsin Tseng, que aliás está na final do torneio. Wild e Pucinelli conseguiram uma vitória cada um, enquanto Reis não teve sorte com a chave e perdeu na estreia para o cabeça 2 sérvio Marko Miladinovic, que só parou na semifinal.

Se por um lado, os resultados dos brasileiros foram discretos, é legal destacar que a representação nacional no torneio é a maior desde 2014 e que quatro brasileiros não disputavam uma chave principal de um Grand Slam juvenil desde 2016 em Roland Garros. Depois de dois anos sem representantes, resta torcer para que um torneio com quatro jogadores nacionais se torne uma regra, não exceção.

Thiago Wild terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Thiago Wild treinou com Zverev e terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Wild, que já é top 10 no ranking mundial juvenil, ainda teve duas boas oportunidades. Ainda em Melbourne, ele treinou com o número 4 do mundo Alexander Zverev e recebeu a notícia da convocação para a equipe brasileira da Copa Davis, que enfrenta a República Dominicana na semana que vem.

O filho de Korda e o discípulo de Murray

Por muito pouco, a final da chave juvenil não envolveu dois nomes com DNA de peso. O norte-americano Sebastian Korda é filho do tcheco Petr Korda, ex-número 2 do mundo e campeão do Australian Open em 1998, e se garantiu na final ao derrotar o sérvio Marko Miladinovic por 7/5, 5/7 e 6/4. Vinte anos depois do título de seu pai, ele terá a oportunidade de jogar na Rod Laver Arena neste sábado, quando disputará o título contra o taiwanês Chun Hsin Tseng.

“Com certeza, é um sentimento especial”, disse Korda em entrevista ao site da ITF. “Meu pai completou 50 anos há alguns dias e disse a ele que levaria alguma coisa para seu aniversário. Espero que o troféu seja um bom presente”.

Semifinalista na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray

Eliminado na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Já o taiwanês Tseng foi o responsável por eliminar o britânico Aidan McHugh por 6/3, 5/7 e 6/4. Apesar da queda na semi, é legal ficar de olho na trajetória de McHugh. O escocês de 17 anos tem sua carreira acompanhada de perto e administrada por Andy Murray desde o fim do ano passado. Vale acompanhar as entrevistas de Murray e McHugh à BBC realizadas em novembro último sobre a parceria, que já começa a mostrar bons resultados.

Primeiro ano na elite do juvenil motiva Pucinelli
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 5, 2018 às 3:55 pm

Destaque no circuito juvenil na última temporada, Matheus Pucinelli será um dos quatro brasileiros no Australian Open de sua categoria. O paulista de 16 anos, que treina desde 2012 no Instituto Tênis, em Barueri, ainda tem dois anos de juvenil pela frente, mas os bons resultados na última temporada o deixam motivado para o ano de 2018. Ele também projeta bons resultados no início de sua carreira profissional, depois de ter marcado seu primeiro ponto no ranking da ATP em novembro, no future de Santos.

Matheus Pucinelli tem 16 anos e ocupa o 31º lugar do ranking juvenil (Foto João Pires/Fotojump)

Matheus Pucinelli tem 16 anos e ocupa o 31º lugar do ranking juvenil (Foto João Pires/Fotojump)

Pucinelli chegou às quartas de final do Campeonato Internacional Juvenil de Tenis de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau), competição nível GA no circuito mundial de 18 anos e foi finalista no ITF G1 de Repentigny, no Canadá, resultado que lhe rendeu uma vaga na chave juvenil do US Open. Depois de terminar 2017 no 61º lugar do ranking mundial juvenil, ele irá iniciar a nova temporada já na 31ª posição após a profissionalização dos jogadores nascidos em 1999.

O jovem paulista viaja para a Austrália no dia 8 de janeiro e disputará seu primeiro torneio da temporada em Tralagon, a partir do dia 14. Já na semana seguinte, o paulista terá a companhia dos parceiros de treinos Igor Gimenez e João Lucas Reis e do paranaense que treina no Rio de Janeiro Thiago Wild na chave juvenil do Australian Open, em Melbourne.

Confira a entrevista com Matheus Pucinelli.

Logo no começo do ano você se destacou na Copa Gerdau, em Porto Alegre. Como foi a experiência de ir tão bem um torneio tão importante?
Acho que foi uma experiência boa. Consegui aproveitar bem um pouco da parte de estar jogando no Brasil e da torcida. Era um torneio muito bem organizado, com quadras muito boas, e pude aproveitar muito bem essa parte. Consegui me sentir tranquilo e tive um bom resultado.

Você também fez uma campanha muito boa no Canadá, pouco antes do US Open. O quanto esses resultados te motivaram ao ver que você conseguiu ser competitivo contra alguns dos melhores do mundo na sua categoria?
Acho que isso motiva muito porque a gente consegue ter a noção de que podemos estar entre os melhores da nossa categoria. Com esses resultados, finais de torneios grandes, semifinais e quartas, a gente tem a ideia de que pode estar sempre entre os melhores.

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?
Os futures foram bem legais para a gente sentir um pouco da atmosfera dos torneios profissionais e das rotinas, que são diferentes do juvenil. Depois tive duas semanas para descansar, ficar tranquilo, esquecer um pouco do tênis, e agora já voltei a treinar. Estamos na pré-temporada e trabalhando duro para chegar bem na Austrália.

Este é o último ano de juvenil de dois de seus parceiros de treino, o João Lucas e o Igor, mas você ainda pode jogar mais um ano. Como será o planejamento do calendário já os rankings de vocês são próximos?
A princípio para este ano, o meu calendário deve ser idêntico ao deles, mesclando bastante o juvenil com o profissional, em 50% de cada. Talvez em 2019 tenha uma mudança e eu jogue alguns torneios juvenis.

Aqui no Instituto a gente está sempre sendo cobrado e respondendo bem nós três juntos. A gente cria uma amizade, está sempre convivendo junto e a gente está conseguindo subir junto, todo mundo mundo melhorando a cada dia e um puxando o outro.

Quais sãos seus objetivos para a próxima temporada?
É conseguir me firmar bem no juvenil para estar nas chaves de Grand Slam e talvez conseguir um resultado bom em um deles e também conseguir resultados constantes nos futures para conseguir subir no ranking profissional.

João Lucas Reis inicia ano na Austrália e mira o 1º título
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 2, 2018 às 3:20 pm

Prestes a iniciar seu último ano no circuito mundial juvenil, o pernambucano João Lucas Reis tem objetivos claros para a temporada de 2018. O jogador de 17 anos, e que completa 18 em março, quer disputar todos os Grand Slam da categoria júnior e fazer uma boa transição para a carreira profissional visando também o primeiro título para o ano que acaba de começar.

João Lucas Reis está em seu último ano no circuito juvenil (Foto: João Pires/Fotojump)

João Lucas Reis marcou primeiro ponto na ATP em novembro e quer um título em 2018 (Foto: João Pires/Fotojump)

Natural de Recife, Reis se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. O pernambucano terminou a temporada de 2017 no 60º lugar do ranking mundial juvenil da ITF, chegando a ocupar a 51ª posição em outubro. Com a atualização desta terça-feira e que retira os jogadores nascidos em 1999, ele já saltou para o 30º lugar.

Já no circuito profissional, Reis marcou seu primeiro ponto na ATP em um future disputado na cidade de Santos em novembro. Na semana seguinte, fez uma ótima campanha na capital paulista, onde foi semifinalista. Com isso, o jovem de 17 anos está no 1.091º lugar com sete pontos conquistados.

A temporada de 2018 começa na Austrália. Reis viaja no dia 8 de janeiro para disputar um torneio ITF G1 em Tralagon, que começa no dia 14. Já a partir de 21 de janeiro, o pernambucano será um dos quatro brasileiros na chave juvenil do Australian Open, juntando-se aos paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli (seus parceiros de equipe em Barueri) e ao paranaense Thiago Wild, que treina na Tennis Route no Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Como foi seu início no tênis e como surgiu a chance para vir treinar no IT?

Eu comecei a jogar tênis com quatro anos de idade, por maior influência do meu irmão, Antônio Gabriel. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele. Comecei a jogar já com quatro anos e comecei a treinar aos sete, já três vezes por semana. Aos dez, fui disputar alguns torneios brasileiros e aí fui indo. Sobre a vinda para o IT, eu treinava na Afini, fiquei cinco meses lá e pedi para fazer um teste aqui, porque tinha uma ótima equipe, com estrutura muito grande, e eles me aceitaram.

E como foi sua vinda para São Paulo e a experiência de morar sozinho e ficar longe da família desde muito jovem?

No começo foi difícil. Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade, ficar longe da família e dos amigos era bem difícil, mas a cada eu ano eu venho me adaptando melhor e já estou bem adaptado a isso, já carrego uma bagagem grande e agora está bem melhor.

Recentemente, nos dois futures, você não apenas marcou seus primeiros pontos na ATP como também fez uma boa campanha e chegou na semifinal. O quanto isso te motiva durante essa fase de transição?

Eu fiquei bem feliz em ter conseguido meu primeiro ponto na ATP na minha primeira chave. Foi uma motivação a mais para aquelas duas semanas. Cheguei na outra semana me sentindo que eu poderia jogar de igual para igual e isso me fez crescer nos momentos importantes e foi muito boa a gira aqui no Brasil. Isso me motiva cada vez mais a jogar mais futures também, mesclar com os juvenis e ter mais semanas como a de São Paulo.

Também em São Paulo, você teve a sensação de jogar com a torcida a favor. Foi uma situação inédita? Como você se sentiu em quadra?

Eu me senti muito bem. Já joguei com torcida a favor algumas vezes, principalmente em Recife. Quando a gente vai jogar alguns torneios lá, bastante gente torce por mim e me ajudou muito principalmente nas horas decisivas. Teve dois jogos que eu ganhei por 7/6 no terceiro que a torcida acabou me ajudando e deu uma força a mais.

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open (Foto: João Pires/Fotojump)

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?

Tive duas semanas de férias para descansar um pouco. Consegui descansar bem. Tive quatro semanas de treinamento e tenho mais três. Superou um pouco das expectativas do que eu achava que iria voltar, porque eu achava que voltaria um pouco pior. Treinei muito bem e estou bem confiante para essa gira na Austrália. Espero fazer bons resultados lá.

Você já jogou com o [Denis] Shapovalov em um de seus primeiros torneios. Como foi essa experiência?

Foi uma experiência ótima. Eu joguei contra o Shapovalov no início de 2016, no quali de um future nos Estados Unidos e ele já se destacava. Estava como 20 do mundo entre os juvenis e entrando no profissional. Foi um jogo bem duro, 7/6 e 6/2, se não me engano. Tive várias chances de quebrar no primeiro set, mas ninguém acabou quebrando. Quando foi para o tiebreak ele conseguiu subir o nível. Foi bem legal sentir que estava jogando de igual para igual contra um cara desse nível. Foi uma ótima experiência.

Quais são seus objetivos para a próxima temporada?

Tenho o objetivo de jogar os quatro Grand Slam e vou mesclar com os torneios futures. Tô com o objetivo também de ganhar um torneio future, que é uma boa meta para esse início de ano de 2018.

Raio-X dos juvenis brasileiros nos Grand Slam em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 11, 2017 às 10:49 pm

O fim do US Open também representou o término da participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam. Assim como feito no ano passado, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Para os resultados do ano passado, clique aqui.

Foram apenas cinco vitórias brasileiras em chaves principais de simples, ainda assim três a mais que as do ano passado, mas os resultados positivos foram obtidos por só dois nomes: Thiago Wild venceu três jogos em Roland Garros e foi às quartas, enquanto Thaísa Pedretti avançou uma rodada em Paris e outra em Wimbledon.

Wild e Pedretti também estiveram em quadra nas únicas vitórias brasileiras em duplas, três para cada um. Ao todo, então, o Brasil acumulou apenas onze vitórias entre simples e duplas, nas chaves masculinas e femininas dos Grand Slam juvenis.

Quanto ao número de jogadores, houve mínimo aumento em relação ao ano passado nas chaves principais: Wild e Pedretti tiveram a companhia de João Lucas Reis, Gabriel Décamps e Matheus Pucinelli. No ano passado, foram quatro nomes, todos do masculino.

geral correto

Entre os quatro meninos que jogaram chaves principais de Grand Slam, apenas Décamps está no último ano de juvenil. O paulista que completou 18 anos em agosto segue para o circuito universitário americano e frequentará a University of Southern California (USC).

O Brasil tem hoje quatro juvenis entre os cem do mundo no masculino, sendo que Décamps não continuará no circuito na próxima temporada. Thiago Wild (17º do ranking) e Igor Gimenez (73º) vão para o último ano de juvenil. Já Matheus Pucinelli, que é nascido em 2001, tem mais duas temporadas.

Os três nomes conseguir vagas nos Grand Slam do ano que vem. Mateus Alves, João Lucas Reis e Gilbert Klier estão próximos do top 100 e precisam de bons resultados, em especial na Gira Sul-Americana do início do ano, para conseguir disputar os maiores torneios da temporada. Dos oito brasileiros entre os 250 do mundo e treze entre os 500, três estão no último ano como juvenil.

RANKING

Depois de um ano sem participação feminina, o Brasil voltou a ser representado este ano. Entretanto, apenas Thaísa Pedretti que está no último ano de juvenil pôde disputar os Grand Slam. A jogadora que completou 18 anos em maio treina no Instituto Tênis, em São Paulo, e deverá seguir para as competições profissionais no próximo ano.

Entretanto, é provável que o cenário de 2016 se repita na próxima temporada. Afinal, as três primeiras brasileiras no ranking completaram 18 anos em 2017. Além disso, somente oito brasileiras estão entre as 500 melhores da categoria. A mineira Marina Figueiredo, de 17 anos e que está atualmente no 189º lugar, é hoje a primeira colocada entre as atletas nacionais que seguirão no juvenil.ranking-feminino

ÚLTIMOS ANOS

AO

AUSTRALIAN OPEN – Assim como aconteceu na temporada passada, nenhum jogador brasileiro disputou o Grand Slam australiano. Além do fato de ser uma viagem cara e difícil de ser encaixada com uma série maior de torneios, houve este ano uma mudança com relação aos torneios da Gira Sul-Americana no saibro. Com a antecipação dos eventos, que antes aconteciam entre fevereiro e março, para os dois primeiros meses do ano, nenhum juvenil sul-americano foi para a Austrália este ano. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

RG

ROLAND GARROS – Assim como em 2016, seis juvenis brasileiros estiveram em Paris. Mas se no ano passado houve quatro jogadores nas chaves principais, desta vez apenas Thiago Wild e Thaísa Pedretti conseguiram entrar diretamente.

Pelo terceiro ano seguido, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris, mas diferente do que havia acontecido em 2015 com Gabriel Décamps e 2016 com Rafael Wagner, o mineiro João Ferreira e a paranaense Nathalia Gasparin não conseguiram passar pela fase final contra campeões da China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e Japão.

O paranaense Thiago Wild venceu três jogos e só caiu nas quartas de final contra o cabeça 1 sérvio Miomir Kecmanovic. A campanha de Wild foi a melhor do Brasil desde 2014, quando Orlando Luz foi semifinalista de simples, enquanto Marcelo Zormann chegou às quartas. Nas duplas, Thaísa Pedretti venceu dois jogos, ao lado da colombiana Maria Camila Osório Serrano e também fez quartas. Há três anos, Luisa Stefani foi semifinalista de duplas em Paris.

WIM
WIMBLEDON – Assim como aconteceu na temporada passada, o Brasil só teve uma vitória em simples no Grand Slam britânico. Em 2016, coube a Felipe Meligeni Alves avançar uma rodada, enquanto este ano Thaísa Pedretti venceu um jogo. No qualificatório, o pernambucano João Lucas Reis venceu dois jogos e entrou na chave.

O melhor resultado recente em simples foi de Beatriz Haddad Maia, hoje 70ª do ranking da WTA aos 21 anos. Em 2013, Bia esteve nas oitavas e só caiu para a croata Ana Konjuh, que chegou ao top 20 em julho e está no 40º lugar. Nas duplas, o Brasil comemorou o título em 2014 com a parceria de Orlando Luz e Marcelo Zormann.

USO

US OPEN – O Grand Slam americano foi o que contou com a maior participação brasileiras. Foram quatro nomes em chaves principais (três meninos e uma menina) e mais quatro no qualificatório (de novo, com três para uma).

Lembrando que uma das vagas na chave veio por Special Exempt, após Matheus Pucinelli, que disputaria o quali em Nova York, conseguir uma boa campanha no ITF G1 de Quebec na semana anterior ao ser finalista do forte torneio canadense.

O Brasil não teve bons resultados em simples, com eliminações na estreia de todos os representantes. No qualificatório, somente Igor o paulista Gimenez chegou a avançar uma rodada. O resultado mais expressivo veio nas duplas, com a semifinal de Thiago Wild ao lado do argentino Sebastian Baez.

Wild tentava colocar o Brasil na terceira final de US Open nos últimos quatro anos. Na última temporada, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Aguilar. Foi a primeira vez que um jogador brasileiro ganhou um título juvenil no Slam americano. Em 2014, João Menezes e Rafael Matos foram vice-campeões.

Uma conquista em boa hora para Felipe Meligeni
Por Mario Sérgio Cruz
março 29, 2016 às 5:33 pm

Um título é sempre bem vindo, mas o momento e as circunstâncias que ele ocorre podem representar importância ainda maior. A conquista de Felipe Meligeni Alves no Campeonato Sul-Americano Individual Juvenil no último sábado é um bom exemplo para este caso.

Adição recente no calendário, o torneio foi criado em 2011 e teve cinco edições na Bolívia antes de mudar este ano para o saibro argentino de Mar Del Plata. Embora não seja um evento tradicional como as principais competições do circuito, é muito valioso em termos de pontuação.

Os melhores juvenis sul-americanos disputavam entre 180 pontos no ranking de 18 anos da ITF. Isso é mais que os 150 de um título de torneio G1 (como o Banana Bowl) e o mesmo que um vice-campeonato em torneio GA (caso do Campeonato Internacional de Porto Alegre). Sem a concorrência de escolas europeias, americanas e japonesas.

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

A conquista rendeu 57 posições e fez com que Felipe se tornasse o 35º no ranking mundial juvenil. Bater um recorde pessoal é muito bom, mas mais importante que isso é poder entrar diretamente nas chaves dos principais torneios na Europa, o que inclui Roland Garros e Wimbledon. No período entre maio e julho acontecem competições tradicionais no saibro e na grama, como Santa Croce, Milão, Charlenoi e Rohampton que distribuem muitos pontos e contam com os melhores juvenis do mundo, que estarão no Grand Slam semanas depois.

Para quem está com 18 anos e ainda em fase de transição do circuito juvenil para o profissional, faz uma diferença enorme saber com antecedência se você vai entrar diretamente nas chaves ou disputar os qualis. O primeiro fator é a gratuidade na hospedagem dos torneios ITF que for disputar. A redução nos gastos é considerável e há uma segurança maior para planejar as datas das viagens. Nesta fase da carreira qualquer incentivo extra-quadra é vital para a continuidade.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

Além do título de Meligeni, o Brasil colocou Lucas Koelle e Thaísa Pedretti nas quartas de final de suas respectivas chaves, enquanto a paranaense Nathalia Gasparin foi finalista de duplas. Koelle que ganhou seis posições e agora é 57º deve se juntar a Meligeni e Gabriel Décamps nos torneios europeus.

Outro destaque fica para o pernambucano João Lucas Reis, que depois de disputar o Banana Bowl e o Internacional de Porto Alegre na categoria 16 anos, onde conseguiu um vice-campeonato e uma semi, chegou até as oitavas em um torneio de 18 e só perdeu para o campeão. Reis, que completou seu 16º aniversário no último sábado, já disputou até três qualis de future nos Estados Unidos, em janeiro.

Sinal amarelo para a participação das meninas, já que apenas Pedretti conseguiu avançar mais que uma rodada. Essa mesma geração, com Nathalia Gasparin e Marcelle Cirino, há menos de um ano foi campeã Sul-Americana por equipes na categoria 16 anos, vencendo quatro dos cinco confrontos por 3-0 e um por 2-1. As adversárias eram praticamente as mesas. As brasileiras também em nono lugar na última Fed Cup juvenil, sendo as melhores do continente. O trabalho está sendo feito, então chama atenção quando acontecem quedas precoces.