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Tênis e WTA ganham muito com a rivalidade entre Iga e Emma
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2022 às 12:45 am

Swiatek e Raducanu se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira em Stuttgart (Foto: Jimmie48/WTA)

O confronto entre Iga Swiatek e Emma Raducanu foi o destaque na rodada das quartas de final do WTA 500 de Stuttgart. Ambas muito jovens e já campeãs de Grand Slam, elas se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira. Líder do ranking mundial e vivendo a melhor fase da carreira, Swiatek confirmou o favoritismo e venceu por duplo 6/4, marcando sua 21ª vitória consecutiva no circuito.

Já Raducanu, que fez seu melhor torneio na temporada, também deixou boas impressões e vai aos poucos reencontrando seu alto nível de tênis. E isso é uma ótima notícia, pensando em cada vez mais confrontos entre elas no futuro e em uma sadia rivalidade que pode ser muito benéfica para o circuito feminino e para o tênis de um modo geral.

Como foi a partida desta sexta-feira
Em quadra, o duelo entre Swiatek e Raducanu já começou com uma quebra a favor da polonesa logo no game de abertura. Ela usou devoluções no corpo e jogou próxima da linha de base, mandando nos pontos, até que a britânica cometesse seus primeiros erros. Depois disso, Raducanu passou a confirmar os games de serviço sem tantos riscos, em geral apostando em saques abertos, mas ficou atrás no placar o tempo todo, já que Swiatek só perdeu três pontos no saque em todo o set.

Aos poucos, Swiatek pegou o tempo das devoluções também para os saques abertos de Raducanu e passou a atacar as paralelas com o forehand. Já havia forçado um game mais longo no fim do primeiro set e conseguiu uma quebra no início do segundo. A britânica devolveu a quebra, mas voltaria a perder o saque na sequência. Raducanu pediu tempo médico de três minutos fora da quadra por um desconforto no quadril. A britânica chegou a ter um break-point no oitavo game, mas não conseguiu buscar o empate. A número 1 do mundo ainda escapou de um 15-40 quando sacava para o jogo, mas definiu a partida em seu serviço.

Tênis quer renovar sua audiência
Swiatek, de 20 anos, e Raducanu, de 19, têm grande potencial para atrair espectadores mais jovens para o tênis. Renovar a audiência do esporte é uma preocupação de dirigentes, tanto que uma série da Netflix com os bastidores do circuito mundial está sendo produzida nos mesmos moldes da premiada produção Drive to Survive, responsável por atrair o interesse de um público mais jovem para as corridas de Fórmula 1, além de fazer com que os fãs conhecessem mais e se interessassem por diferentes pilotos do grid.

Em uma era com um volume enorme de informação circulando, escolher um atleta para torcer pode levar em consideração variáveis que vão além dos resultados e estilos de jogo. Cada vez mais as pessoas vão ter como se identificar com um ídolo por sua personalidade, atitudes, estilos de vida e causas que defende. Uma relação ídolo e fã que tende a ficar cada vez mais forte.

Há ainda clara identificação pela idade que pode fazer os mais jovens torcerem por elas, e que acontece em diferentes gerações do esporte, além do fato de que alguns nomes que fizeram sucesso no passado recente estarem na reta final da carreira, fazendo com que os fãs mais antigos comecem a procurar novos nomes para torcer e continuar se emocionando com o tênis. São dois processos naturais e que muitos fãs de tênis já passaram por isso.

Personalidades parecidas, caminhos distintos
Pensando nas personalidades das duas jogadoras, há alguns traços em comum. Raducanu sempre se dedicou muito aos estudos e falava sobre a busca pelas notas mais altas no colégio durante sua campanha de destaque até as oitavas de final de Wimbledon no ano passado. Com pai romeno e mãe chinesa, aprender as duas línguas, mas sobre a cultura desses dois países. Quando disputou um WTA 250 na Romênia no fim do ano passado, já como campeã de Grand Slam, foi tratada como jogadora local pelos fãs e organizadores do evento.

Swiatek é uma devoradora de livros, fã de clássicos da literatura, mas também do Rock N’ Roll dos anos 80. A polonesa, que tem um trabalho de longo prazo com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, também levanta a bandeira da saúde mental no esporte e na vida, já arrecadou dinheiro para organizações que tratam do assunto e fala abertamente sobre o tema sempre que é perguntada. Já na atual temporada, após o início da guerra na Ucrânia, solidarizou-se de forma pública com as vítimas da guerra no país vizinho ao seu. Sinais de empatia e maturidade.

As trajetórias no esporte, entretanto, são distintas. Swiatek já se destacava nas competições juvenis há , primeiro com o título da Polônia na Fed Cup Júnior em 2016 e também com a conquista do torneio juvenil de Wimbledon em 2018. Naquele mesmo ano, terminaria a temporada no 174º lugar do ranking profissional, mas já entraria no top 50 na temporada seguinte. Seu grande salto, entretanto, foi com o título de Roland Garros em 2020, que a colocou na disputa pelas primeiras posições do ranking.

Já Raducanu era apenas a 150ª do mundo quando foi campeã do US Open e disputava só o Grand Slam da carreira. Até por isso, sabe que a polonesa tem muito mais experiência no alto nível, apesar da pouca diferença de idade. “Iga já joga tênis em tempo integral há anos”, disse a britânica ao site da WTA. “Ela estava no ITF Tour e estava no WTA Tour. Eu fiquei sem jogar durante 18 meses, enquanto estava estudando para os meus exames e não joguei tantos torneios. Eu estava treinando três vezes uma semana por 10 horas por semana no ano passado. Então é só agora que estou construindo robustez e jogando partidas semana após semana. Você não pode comparar as jornadas porque tivemos caminhos diferentes. Desde que ela venceu o Slam, ela se saiu muito bem e permaneceu consistente. Não tenho certeza de quando isso acontecerá para mim, mas tenho certeza que vou chegar lá.”

Interesse de grandes marcas e mais compromissos


As duas jogadoras também atraem o interesse de marcas importantes, inclusive no segmento de luxo, e que investem em peso no tênis. Raducanu é embaixadora de grifes como a DiorTiffany & Co. e recentemente também fechou parceria com a montadora Porsche, principal patrocinadora do torneio de Stuttgart e uma das maiores parceiras da WTA. Swiatek conta com apoio da Rolex e também da Red Bull, além de levar no uniforme a marca de seguradora polonesa PZU.

Com o interesse de tantas empresas de grande porte, há também a necessidade de administrar bem os compromissos extra-quadra. Swiatek abordou o assunto em recente entrevista ao site da WTA no fim do ano passado. “Estou conversando com a equipe que gerencia a minha carreira para que eu possa descansar mais quando estou em casa. Então, talvez no próximo ano eu consiga marcar todas as sessões de fotos e eventos com patrocinadores em blocos. Este ano, eu não pude fazer isso porque tudo era novo para nós e as parcerias são muito recentes. Então, agora, nos conhecemos melhor e acho que será mais fácil fazer isso”.

Com a chegada ao topo do ranking, a nova número 1 sabe que a preparação é cada vez mais importante. “No começo quando eu queria trabalhar com um psicólogo pensando nas coisas que estão acontecendo na quadra. Mas depois eu percebi que tudo que está acontecendo na minha vida realmente influencia no meu desempenho. Também achei muito bom trabalhar com a Daria. Eu me sinto muito confortável e que realmente posso confiar nela. Então, percebi que se eu também posso ter mais confiança fora da quadra, tenho uma saúde mental melhor e me se sinto mais calma na vida e satisfeita. Então, agora estamos trabalhando em tudo”.

Osaka e Andreescu também são ótimas opções
Outras duas campeãs de Grand Slam têm grande potencial para atrair o interesse de uma nova geração de fãs e construir rivalidades que vão trazer ainda mais olhares para o tênis. Naomi Osaka é um pouco mais velha, com 24 anos, mas tem quatro títulos de Slam no circuito e liderou o ranking, além de ser voz atuante nas lutas contra o racismo e a violência policial, e também pela causa da saúde mental no esporte. A japonesa é hoje a atleta mais bem paga do mundo, também com apoio de várias marcas de peso.

Bianca Andreescu, de 21 anos e vencedora do US Open em 2021, passou um ano sem jogar por conta de uma grave lesão no joelho e se afastou das competições por mais sete meses para cuidar da mente. A canadense reconhece que pensou em largar o tênis, mas decidiu voltar e carregar a missão de utilizar o tênis para ajudar a construir um mundo melhor.

A renovação do tênis feminino está em ótimas mãos, com jogadoras campeãs em quadra e que se expressam muito bem fora dela. Resta torcer para que esses confrontos se repitam cada vez mais e para que dirigentes e promotores do esporte saibam utilizar as personagens para ações positivas, sem sobrecarregá-las.

Iga pensa grande e tem motivos para isso
Por Mario Sérgio Cruz
março 21, 2022 às 10:09 pm

Swiatek conquistou dois WTA 1000 seguidos e é a nova número 2 do mundo (Foto: BNP Paribas Open)

Não há jogadora em melhor momento no circuito do que Iga Swiatek. Campeã dos dois primeiros WTA 1000 da temporada, em Doha e Indian Wells, a polonesa venceu onze jogos seguidos atuando só torneios grandes e escalou o ranking. Ela iniciou 2022 na nona colocação e já aparece na vice-liderança, atrás apenas de Ashleigh Barty, que está sem jogar desde o título do Australian Open.

Logo depois de conquistar na Califórnia seu quinto título no circuito e o terceiro WTA 1000, a jovem jogadora de 20 anos já deixou o recado: Quer ser a nova número 1 do mundo. E ela tem motivos para acreditar nisso, já que está conseguindo evoluir em nível de tênis e também no equilíbrio emocional.

A jovem tenista que surgiu no circuito batendo forte na bola, mas também exibindo um jogo inteligente e capaz de buscar variações quando atuava no saibro, vai se tornando cada vez mais completa. Ela sabe quando tem que ser mais agressiva e comandar os pontos ou quando tem que tirar o peso da bola e esperar pelos erros da adversária, como aconteceu na final do último domingo, com muito vento em quadra. A versão 2022 de Iga é capaz de jogar de diferentes formas, o que a ajuda a se sair bem no piso duro. Também é capaz de reverter situações adversas no placar e vencer adversárias contra quem o retrospecto era muito negativo.

“Quero ir mais alto porque sinto que conseguir o número 1 está cada vez mais perto”, disse Swiatek após a vitória sobre a grega Maria Sakkari por 6/4 e 6/1 na final de Indian Wells. “Com certeza, a Ash é uma das jogadoras que eu me inspiro. E vai ser uma experiência muito legal competir contra ela, que é uma das jogadoras mais completas da o circuito. Ela mostrou muita força mental e acho que vai ser muito emocionante disputar a liderança”.

A disputa pelo número 1 deve se intensificar nas próximas semanas. Apesar de a diferença hoje estar na casa de 2.200 pontos, Barty vai perder os mil de Miami do ano passado, enquanto a polonesa defende só 65 pontos, da terceira rodada de 2021. Já no início da temporada de saibro, a australiana tem quartas em Charleston, título de Stuttgart e vice-campeonato em Madri a defender, enquanto Swiatek defende o troféu de Roma e as oitavas de final em Madri. Talvez haja um confronto direto em Roland Garros, Grand Slam que as duas já venceram.

Swiatek disputou 23 jogos na temporada e venceu 20. Antes de suas 11 vitórias seguidas em WTA 1000, alcançou duas semifinais, em Adelaide e no Australian Open. Suas algozes foram Barty e Danielle Collins, campeã e vice do primeiro Grand Slam do ano. Sua única semana ruim foi em Dubai, onde perdeu na segunda rodada para a letã Jelena Ostapenko. Ainda assim, a polonesa chegou a ter um match-point, e a letã terminaria a semana com o título do torneio.

Novo técnico e jogo mais agressivo
Um dos fatores que contribuíram para a grande fase de Swiatek neste início de temporada foi uma mudança na equipe, e consequentemente em seu estilo de jogo. Ela se torna mais agressiva, especialmente nas devoluções de saque, e isso tem trazido bons resultados nas quadras de piso duro. Depois de encerrar uma parceria de cinco temporadas com Piotr Sierzputowski, técnico que a levou aos três primeiros títulos na carreira, incluindo dois troféus importantes no saibro, Roland Garros em 2020 e Roma no ano passado, Swiatek contratou Tomasz Wiktorowski, ex-técnico de Agnieszka Radwanska, e está feliz com os resultados.

“Ele me convenceu a mudar minha abordagem em relação ao meu tênis. Estou sendo mais agressiva e adorando isso. No começo eu não estava realmente convencida, mas agora quero dizer muito obrigada a ele por me mostrar essa perspectiva diferente”, disse Swiatek, na entrevista coletiva após a final de Doha. Já em Indian Wells, voltou a falar sobre o trabalho recém-iniciado com seu novo treinador e a mudança de mentalidade. “Estou muito feliz por equilibrar a agressividade e o controle. Essa é a coisa mais importante no tênis, porque posso bater muito forte na bola, mas tenho que escolher os momentos certos. E antes eu não sentia que estava escolhendo os momentos certos. Acho que isso também vem com um pouco de experiência. Então parece que tenho mais opções e mais habilidades”.

A polonesa manteve as outras duas pessoas do time, o preparador físico Maciej Ryszczuk e a psicóloga Daria Abramowicz. Ela prefere trabalhar com pessoas de seu próprio país, que acompanharam de perto a repercussão da conquista de seu primeiro Grand Slam, no saibro de Roland Garros em 2020. “Toda a minha equipe é da Polônia, então é muito conveniente e não há diferenças culturais. É mais fácil de se comunicar. O Tomasz sabe o que aconteceu depois que eu ganhei Roland Garros e entendeu o hype que estava lá. Foi uma conquista muito grande na Polônia. E acho que é mais fácil para ele entender minha situação, por causa disso. Acho que para eu ter um treinador de outro país, talvez eu tenha que ter mais experiência. Mas eu não quero mudar de treinador, honestamente, então espero que dê certo com Tomasz por muitos anos”.

Polonesa começou a trabalhar com Tomasz Wiktorowski e sente que evoluiu no piso duro (Foto: Jimmie48/WTA)

Melhora nas quadras duras
Dois dos primeiros três títulos de Swiatek foram conquistados no saibro. Depois de vencer o Grand Slam francês, ela também foi campeã no WTA 1000 de Roma no ano passado. Agora, a polonesa já se sente mais confortável e competitiva também nas quadras duras. “Dois anos atrás, sentia que não conseguiria fazer o meu jogo na quadra dura. Eu estava sempre me adaptando ao que as minhas adversárias estavam fazendo. Agora é diferente porque sinto que realmente me desenvolvi e posso jogar mais em quadra dura e posso ser mais livre. Estou bastante orgulhosa disso”, comentou durante o Australian Open.

Quando foi campeã em Doha, reconheceu que a evolução no piso duro veio antes do esperado. “Eu não esperava ter um nível tão alto na quadra dura. Sempre me considerei, como as pessoas realmente diziam, uma jogadora de saibro. Eu estava melhorando em quadra dura, mas com certeza nesta temporada meu progresso foi muito mais rápido. É muito bom ter esse tipo de jogo em que você não tem problemas em manter o ritmo e em permanecer agressiva. Eu realmente amo isso, porque está dando me muita confiança dentro e fora da quadra. Isso está tornando a minha vida em quadra mais fácil”.

Maior poder de reação
A campanha de Swiatek em Indian Wells começou com jogos duros. Ela buscou três viradas seguidas nas partidas contra a ucraniana Anhelina Kalinina, a dinamarquesa Clara Tauson e a alemã Angelique Kerber. Só então, passou a vencer seus jogos com maior tranquilidade, dominando a partida das quartas contra Madison Keys e superando também em sets diretos Simona Halep e Maria Sakkari nas rodadas decisivas. A polonesa também já havia mostrado poder de reação na Austrália, virando jogos contra Sorana Cirstea nas oitavas e Kaia Kanepi nas quartas. 

“Estou muito orgulhosa de mim mesma, porque virar o jogo depois de perder o primeiro set é uma coisa nova para mim”, disse Swiatek, durante o Australian Open “Essas duas partidas me mostraram que mesmo em momentos difíceis eu posso voltar para o jogo e que eu tenho habilidades para vencer partidas mesmo quando elas são muito duras. Eu não tenho uma boa estatística em termos de virar o jogo depois de perder o primeiro set. Mas é esse tipo de resultado me dá muita confiança para o futuro”.

E para conseguir viradas, é preciso estar bem preparada nos aspecto físico e mental do jogo, outros pontos que ela tem trabalhado com sucesso. A vitória sobre Kanepi na Austrália, em partida de 3h01 de duração, serve como exemplo. “Sei que estou fisicamente bem preparada e esperava que ela estivesse mais cansada no final. Na verdade, eu queria prolongar alguns pontos, para deixá-la mais cansada, porque, na verdade, confio muito em mim em termos de minha forma física”, revelou a polonesa de 20 anos, que também teve um bom trabalho de controle emocional. “Então, essa partida mostrou que é inteligente confiar em mim mesma nesse assunto. Fico feliz por encontrar soluções e realmente pensar mais na quadra sobre o que mudar no jogo. Sinto que é parte do trabalho que estamos fazendo com Daria [Abramowicz, sua psicóloga] para controlar minhas emoções e talvez focar em encontrar soluções”.

Adaptação às adversárias e nova mentalidade
Os últimos dois pontos a destacar sobre a evolução de Swiatek são a melhor adaptação aos estilos de jogo das adversárias e os ajustes em sua mentalidade. Até então, ela muitas vezes entrava como franco-atiradora, sem nada a perder. Agora, consolidada nas primeiras posições, precisa aprender a jogar como favorita e candidata a mais títulos importantes.

Só neste começo de ano, já são duas vitórias contra Maria Sakkari, adversária para quem havia perdido três vezes no ano passado. Também igualou os retrospectos negativos que tinha contra Simona Halep e Aryna Sabalenka. A vitória sobre Halep na última sexta-feira foi simbólica. Embora tenha sido a segunda em quatro jogos contra a romena, serve para exemplificar essa mudança de patamar.

“Nas minhas primeiras partidas contra a Simona, eu sempre sentia que não tinha nada a perder, porque eu não era a favorita. Mas agora o meu ranking é mais alto e eu venho jogando muito bem. Eu precisava ajustar a minha mentalidade para entrar em quadra”, avaliou a polonesa, que já havia derrotado Halep na campanha para o título de Roland Garros, mas perdido para a romena na Austrália no ano passado.

Mesmo quando eu joguei contra ela na Austrália, foi logo depois que eu ganhei Roland Garros, eu ainda me sentia como zebra. Era só o meu segundo torneio depois de vencer um Grand Slam, então basicamente eu ainda não me sentia como se já estivesse no top 10. Mas agora é um pouco diferente e sinto que tenho muito mais experiência, mas com isso também crescem as expectativas. Não sei se está mais fácil de lidar com isso. Honestamente, acho que foi um pouco mais difícil, mas também tenho que me acostumar a não ser mais a zebra. Então, eu queria mostrar o que eu aprendi”.

 

Quem são os jovens tenistas para assistir em 2022
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 28, 2021 às 5:56 pm

Para Emma Raducanu, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias

Uma nova temporada do tênis internacional se inicia na próxima segunda-feira, com os principais nomes do circuito atuando na Austrália. Os atletas da nova geração do circuito chegam para 2022 com diferentes perspectivas, especialmente quando se fala em tênis feminino, onde vemos jogadoras muito novas já lutando por títulos importantes. Entre os homens, a renovação do circuito é mais lenta, mas também há jovens tenistas em franca evolução e que podem surpreender.

Pelo quinto ano seguido, TenisBrasil  apresenta a lista de jovens jogadores para acompanhar no próximo ano.  A relação deste ano conta com 23 nomes, com diversas ambições na temporada.

+ Confira 15 jovens tenistas para assistir em 2021
+ Dez jovens tenistas para assistir em 2020
+ Dez jovens que podem surpreender em 2019

+ Dez jovens que podem surpreender em 2018

Quatro fortes candidatas a títulos
O primeiro ponto a ser observado nas perspectivas para 2022 da nova geração são as chances de títulos para quatro jogadoras da WTA. Iga Swiatek, de 20 anos e número 9 do mundo, e Emma Raducanu, de 19 anos e 19ª colocada, já são campeãs de Grand Slam. Um pouco abaixo no ranking estão Coco Gauff, de 17 anos e 22ª do ranking, e Leylah Fernandez, 24ª do mundo aos 19 anos. Fernandez foi vice em Nova York este ano, enquanto Gauff fez quartas em Roland Garros e já tem dois títulos de WTA.

Em 2021, Swiatek deu continuidade à grande temporada que teve no ano anterior. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, a polonesa foi consistente ao chegar às oitavas de final em todos os Grand Slam e também conquistou dois títulos, o WTA 1000 de Roma e o 500 de Adelaide, fundamentais para que ela chegasse ao top 10 e disputasse o WTA Finals pela primeira vez. No fim do ano, encerrou a parceria de cinco anos que teve o técnico Piotr Sierzputowski.

Para Emma Raducanu, que começou o ano como 345ª do mundo e termina como top 20 e campeã do US Open, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias. Desde a conquista em Nova York e a mudança repentina de vida, a britânica disputou apenas mais três torneios e sofreu eliminações precoces. Disposta a ter um nome mais experiente na equipe, contratou para 2022 o técnico alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao topo do ranking.

De olho em Sinner, Alcaraz e Musetti

Sinner chegou ao top 10 em 2021 e venceu quatro títulos de ATP este ano

O espanhol Carlos Alcaraz e os italianos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti são nomes a observar de perto em 2022. Sinner, de 20 anos, conquistou quatro de seus cinco títulos de ATP na última temporada, além de conseguir outros bons resultados como a final do Masters 1000 de Miami e as oitavas no US Open. Ele iniciou o no 37º lugar e finalizou a temporada no top 10. Pupilo do experiente treinador Riccardo Piatti, o italiano conviveu com grandes nomes do circuito desde muito jovem, o que o ajudou muito em seu desenvolvimento.

Carlos Alcaraz, eleito a revelação de 2020 pela ATP e indicado entre os jogadores que mais evoluíram em 2021, também é um nome a ser visto de perto. O espanhol de 18 anos ganhou mais de cem posições no ranking na última temporada, saltando do 141º para o 32º lugar. Ele foi campeão do ATP de Umag e chegou às quartas de final do US Open, além de ter conseguido sua primeira vitória contra top 10 diante de Stefanos Tsitsipas. Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz tem exibido um tênis agressivo e bem adaptado às condições de um circuito com cada vez mais torneios no piso duro. É um nome forte para ter resultados consistentes e estará no Brasil, disputando o Rio Open.

No caso de Lorenzo Musetti, a principal meta é uma retomada dos bons resultados após um segundo semestre abaixo do esperado. Desde sua campanha até as oitavas de final em Roland Garros, o italiano de 19 anos e atual 59º do ranking só conseguiu mais quatro vitórias em chaves principais no circuito da ATP. São resultados que destoam de uma boa primeira metade da temporada com duas semifinais de ATP.

Tauson, Osorio e Parry podem surpreender

Clara Tauson, de 19 anos, conquistou dois títulos em 2021 e é uma ameaça nas quadras duras e cobertas

A temporada feminina de 2021 apresentou jogadoras que conseguiram seus primeiros resultados de destaque no circuito da WTA e são possíveis ameaças para as principais favoritas nas fases iniciais dos torneios. Entre os destaques estão a dinamarquesa Clara Tauson, de 19 anos e 44ª do ranking, a colombiana Camila Osorio, de 20 anos e 55ª colocada, e também a francesa Diane Parry, 115ª do mundo aos 19 anos.

Tauson está se firmando como uma ameaça nos torneios em quadras duras e cobertas. Ela conquistou dois títulos nessas condições, em Lyon e Luxemburgo, além de ter disputado uma final em Courmayeur no fim do ano. A dinamarquesa tem um jogo agressivo com pontos curtos e muita potência nos golpes dos dois lados. Já Osorio é formada no saibro e conquistou seu primeiro título de WTA em Bogotá, mas também tem se destacado em outros pisos, com uma terceira rodada em Wimbledon e uma vitória sobre a top 10 Elina Svitolina na quadra dura de Tenerife.

Um pouco mais abaixo no ranking, Parry se destacou em torneios sul-americanos na reta final da temporada. Ela disputou duas finai na série 125, com título em Montevidéu e vice em Buenos Aires, além de também chegar à semifinal de um forte ITF em Santiago. Ex-número 1 juvenil, a francesa também chama atenção por um eficiente backhand de uma mão, um bom uso dos slices e um forehand com muito peso. Convidada para a chave principal do Australian Open, Parry tem a chance de crescer muito rápido no ranking.

Novas realidades para brasileiros e argentinos

Matheus Pucinelli fez a transição dos torneios ITF para os challengers no meio de 2021 e tenta dar mais um passo no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O ano de 2022 pode ser de novas realidades para grupos de brasileiros e argentinos do circuito. Para Juan Manuel Cerundolo e Sebastian Baez, números 90 e 99 do ranking aos 20 anos, será interessante vê-los em um calendário de torneios de nível ATP e com maior variedade de pisos e condições. Os dois argentinos conseguiram saltar no ranking ao longo da última temporada praticamente só jogando em challengers no saibro. Baez conseguiu seis títulos e 44 vitórias no piso, enquanto Cerundolo venceu três challengers (com 38 vitórias) e mais um ATP em Córdoba.

Para os nomes da nova geração brasileira, será interessante acompanhar a evolução de Matheus Pucinelli, de 20 anos e 287º do ranking, Gustavo Heide, 477º do mundo aos 19 anos, Gilbert Klier, 410º aos 21 anos, e Gabriel Décamps, 500º colocado aos 22 anos. Os quatro jogadores tiveram destaque em competições de nível future no circuito e tentam agora se firmar nos challengers.

Pucinelli fez essa transição ao longo do ano, três títulos e dois vices de ITF, e depois vencer mais 14 partidas de challenger com uma semifinal em Santiago. Heide e Klier conquistaram cada um três títulos de ITF e venceram seus primeiros jogos de challenger já no fim do ano. Já Décamps voltou ao circuito profissional em julho, vindo do circuito universitário norte-americano. O paulista estava com ranking zerado, mas se firmou entre os 500 do mundo com um título e dois vices de ITF, além de uma semifinal de challenger.

Adolescentes promissoras no circuito feminino

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional (Foto: Luiz Candido/CBT)

Há ainda um grupo de jogadoras no circuito feminino que vale muito ficar de olho, o das adolescentes promissoras: A lista é puxada por Victoria Jimenez Kasintseva, tenista de apenas 16 anos e natural de Andorra. Ex-líder do ranking mundial juvenil, ela já aparece no 255º lugar entre as profissionais e conquistou um título no Brasil, em Aparecida de Goiânia. Destaque também para a norte-americana Robin Montgomery, de 17 anos e 372ª do ranking, campeã juvenil do US Open.

Vale ficar de olho também nas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova, números 2 e 4 do ranking mundial juvenil. Linda, de 16 anos e já 279ª da WTA. Brenda, com apenas 14 anos, teve sua primeira oportunidade no tênis profissional na última semana e avançou uma rodada no WTA 125 de Seul.

A situação de Rune, Tseng e norte-americanos 

Jenson Brooksby foi escolhido o Novato do Ano no circuito da ATP

Três norte-americanos estão em situações próximas no ranking da ATP e tentam dar um novo salto de qualidade. São os casos de Sebastian Korda, 41º aos 21 anos, Jenson Brooksby, 56º aos 21 anos, e Brandon Nakashima, 69º aos 20 anos. Korda venceu um ATP em Parma e jogou final em Delray Beach. Brooksby foi eleito o Novato do Ano, disputou uma final em Newport Beach e a semi em Washigton, enquanto Nakashima disputou duas finais seguidas em Atlanta e Los Cabos.

Outros dois nomes valem ser observados no circuito masculino. Um deles é o dinamarquês Holger Rune, 103º do ranking aos 18 anos. Rune conquistou quatro títulos de challenger este ano e já venceu sete jogos de ATP, ficando cada vez mais perto do top 100. Já o taiwanês Chun-Hsin Tseng chegou ao 188º lugar do ranking aos 20 anos. Ele já tem quatro títulos de ITF e terminou o ano disputando duas finais seguidas de challenger em Portugal, com um título e um vice.

 

Geração 2000 já tem três campeãs de Grand Slam e cinco no top 30
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 13, 2021 às 8:10 pm

Emma Raducanu se juntou a Bianca Andreescu e Iga Swiatek entre as campeãs nascidas a partir de 2000 (Foto: Darren Carroll/USTA)

O título de Emma Raducanu no US Open foi o terceiro troféu de Grand Slam para uma jogadora nascida a partir de 2000. A britânica de 18 anos se junta à canadense Bianca Andreescu, que puxou a fila ao ser campeã em Nova York há duas temporadas. Já no ano passado, foi a vez de a polonesa Iga Swiatek vencer Roland Garros.

As conquistas de jogadoras tão jovens em grandes torneios acompanham um momento de renovação no ranking, já com três tenistas com até 21 anos entre as 20 melhores do mundo e cinco nessa faixa etária dentro do top 30. Entre as cem primeiras no ranking divulgado nesta segunda-feira, são 14 jogadoras nessa idade, algumas já com títulos no circuito da WTA e quase todas com pelo menos uma campanha de terceira rodada em Grand Slam na carreira.

Entre as tenistas com até 21 anos, Swiatek é a que está em melhor momento no ranking, ocupando atualmente a oitava posição. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, caindo nas quartas de final este ano, a polonesa faz uma temporada consistente. Ela chegou pelo menos às oitavas em todos os Grand Slam e conquistou títulos em Adelaide e Roma.

Gauff é a mais jovem do top 100, Andreescu cai
Jogadora mais jovem de todo o top 100, Coco Gauff é a 19ª do ranking aos 17 anos. Ela está com o melhor ranking da carreira, já tem dois títulos de WTA, e chegou recentemente às quartas em Roland Garros. Uma posição abaixo abaixo está Bianca Andreescu, já campeã de Grand Slam, e que perdeu os pontos do título do US Open de 2019. A canadense de 21 anos tem três títulos expressivos na carreira, já que também conquistou Indian Wells e Toronto há duas temporadas.

Ainda no top 30, aparecem as duas finalistas do US Open: Emma Raducanu saltou 127 posições depois de ter feito uma campanha impressionante, com dez vitórias seguidas desde o qualificatório até conquistar o título logo no segundo Grand Slam que disputava. Agora 23ª do mundo, a britânica só havia jogado antes em Wimbledon, quando aproveitou o convite e foi até as oitavas. A vice Leylah Fernandez também deu um bom salto, da 73ª para a 28ª posição do ranking. A canadense de 19 anos recém-completados tem um título de WTA, conquistado este ano em Monterrey, já venceu quatro tenistas do top 10, e agora também tem uma final de Slam no currículo.

Nova geração pode ter mais nomes chegando
As ucranianas Dayana Yastremska, de 21 anos e 53ª do ranking, e Marta Kostyuk, 56ª colocada aos 19 anos, são fortes candidatas a também surpreenderem em grandes torneios em um futuro próximo. Yastremska já tem três títulos de WTA, chegou a ocupar o 21º lugar do ranking no ano passado e chegou às oitavas de final de Wimbledon em 2019. Kostyuk está apenas uma posição abaixdo melhor ranking da carreira e este ano fez oitavas em Roland Garros.

Atrás delas aparecem Clara Tauson e Maria Camila Osorio, números 70 e 71 do mundo. Ambas já têm títulos de WTA, Tauson em Lyon e Osorio em Bogotá. A colombiana de 19 anos fez uma surpreendente campanha do quali até a terceira rodada na grama de Wimbledon, enquanto a dinamarquesa de 18 anos ainda não conseguiu passar da segunda rodada de torneios do Grand Slam, em quatro participações.

Um pouco abaixo está a russa Varvara Gracheva, de 21 anos e 77ª do ranking. Ela ainda não tem títulos ou finais de WTA na carreira, mas já chegou à terceira rodada em três Grand Slam, incluindo dois este ano, Roland Garros e US Open. Bem mais conhecidas são Amanda Anisimova, 81ª do mundo, e Anastasia Potapova, 89ª, ambas de 20 anos. Anisimova já foi semifinalista de Roland Garros em 2019, enquanto Potapova chegou à terceira fase na Austrália este ano. Ambas foram campeãs juvenis de Grand Slam e estiveram nas primeiras posições do ranking da categoria.

Também prodígios nos tempos de juvenil, a francesa Clara Burel e a norte-americana Claire Liu aparecem no 92º e no 96º lugar, respectivamente. Burel, de 20 anos, chegou à terceira rodada de Roland Garros no ano passado, enquanto Liu está com o melhor ranking da carreira nesta segunda-feira, aos 21 anos, apesar de ainda não ter passado da segunda fase de um Grand Slam.

Jovens brilham e US Open chega renovado às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 5, 2021 às 5:02 am
Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

A edição de 2021 do US Open, que começou marcada pela ausência de campeões históricos como Roger Federer, Rafael Nadal e as irmãs Venus e Serena Williams, chega à fase de oitavas de final bastante renovada. Três destaques da nova geração do circuito, e com apenas 18 anos, a canadense Leylah Fernandez, a britânica Emma Raducanu e o espanhol Carlos Alcaraz são alguns dos estreantes na segunda semana em Nova York. A renovação também se dá com outros jovens como Jannik Sinner, Jenson Brooksby e Iga Swiatek, que fazem suas melhores campanhas no torneio aos 20 anos. E até mesmo tenistas mais experientes, mas que nunca chegaram tão longe em Nova York, também contribuem para o cenário de mudanças.

Alcaraz e Fernandez derrubaram favoritos

A rodada da última sexta-feira no Arthur Ashe Stadium premiou Alcaraz e Fernandez, que derrubaram grandes favoritos. O espanhol, 55º no ranking da ATP, foi responsável por eliminar o número 3 do mundo Stefanos Tsitsipas em uma batalha de cinco sets e com 4h07 de duração. “Não tenho palavras para explicar como estou me sentindo agora. Não acredito que venci Stefanos Tsitsipas em uma partida épica. Para mim é um sonho que se tornou realidade”, disse após sua primeira vitória contra um top 10. “Acho que sem a torcida não teria a oportunidade de jogar um ótimo quinto set e vencer. Eu estava fisicamente no meu limite no final do terceiro set e Stefanos começou o quarto set muito bem. No começo do quinto, tive que ser muito agressivo e jogar meu melhor tênis”.

Jogador mais jovem nas oitavas de um Grand Slam desde Andrei Medvedev 1992, e o mais novo nesta fase do US Open desde Michael Chang em 1989, Alcaraz não escapa de inúmeras comparações com os feitos de Rafael Nadal, mas busca seu próprio estilo. “Eu não copio nenhum estilo de jogador. Eu apenas jogo meu jogo. Mas se eu tiver que dizer um jogador parecido com meu jogo, acho que é o Federer. Eu acho parecido com o meu jogo, porque estou tentando ser agressivo o tempo todo”, comenta o espanhol que enfrenta o alemão vindo do quali Peter Gojowczyk, experiente tenista de 32 anos e 141º do ranking.

Também na sexta-feira, Fernandez conseguiu superar Naomi Osaka, bicampeã do Grand Slam nova-iorquino, com uma vitória de virada, depois de a japonesa ter sacado para o jogo ainda no segundo set. “Eu não estava realmente focada em Naomi. Eu estava focada apenas em mim mesma, no meu jogo e no que eu precisava fazer. Ter a torcida me apoiando a cada ponto foi incrível. Isso me deu energia para continuar lutando e correndo para as bolas que ela mandava. Eu estava feliz por ter sido capaz de dar um show para todos que vieram assistir”.

Atual 73ª do ranking, a canadense marcou sua segunda vitória contra top 10 e agora desafia a campeã de 2016 Angelique Kerber. “Desde muito jovem, eu sabia que seria capaz de vencer qualquer uma que estivesse na minha frente. Mesmo praticando esportes diferentes, eu sempre fui muito competitiva. Desde quando eu queria ganhar do meu pai no futebol, mesmo que fosse impossível. Sempre acreditei nisso. Mesmo quando a Naomi conseguiu uma quebra no segundo set, eu ainda acreditava. Disse a mim mesma que estava cada vez mais perto de encontrar uma solução e teria a chance de voltar para o jogo”.

Raducanu se inspirou nas façanhas de outros jovens

A britânica Emma Raducanu, 150ª do mundo, veio do quali em Nova York e venceu seis jogos seguidos. Também de 18 anos, ela reconhece que a inspiração de Fernandez e Alcaraz a fizeram acreditar mais em suas chances.

“Acho que ter tantos jogadores jovens chegando é muito bom para o tênis, porque mostra o quão forte é a próxima geração. Acho também que todos nos inspiramos a jogar melhor. Hoje, eu queria me juntar a eles na segunda semana também, então isso foi uma motivação extra. Os dois são pessoas muito, muito legais. Estou muito feliz por eles e por poder ir para a segunda semana”, disse a britânica que derrotou a espanhola Sara Sorribes na terceira rodada por 6/0 e 6/1. Ela também passou pela suíça Stefanie Voegele e pela chinesa Shuai Zhang na chave principal, além de ter superado o quali com três rodadas. Sua próxima rival é a norte-americana Shelby Rogers.

Sinner vem de uma dura batalha contra Monfils, agora enfrenra Zverev

O italiano Jannik Sinner já é uma realidade no circuito, ocupa o 16º lugar no ranking mundial com apenas 20 anos, e vem de uma batalha de cinco sets contra Gael Monfils para chegar às oitavas de final em Nova York pela primeira vez na carreira. Em suas duas únicas participações anteriores, Sinner não havia passado da rodada de estreia.

“Estou muito feliz. Obviamente não foi fácil jogar contra ele. Joguei bem os dois primeiros sets e também o terceiro. Então ele começou a crescer no jogo. Comecei a errar, o que é normal, e tive manter o foco no presente. Acho que hoje, essa foi a chave. Para mim, é a primeira vez que estou aqui na segunda semana, aqui em Nova York, é uma sensação ótima, obviamente. Você sempre tenta fazer cada vez melhor”, disse após a vitória por 7/6, 6/2, 4/6, 4/6 e 6/4. O italiano agora desafia o número 4 do mundo Alexander Zverev, contra quem tem uma vitória e uma derrota.

Swiatek se orgulha de sua consistência

Oitava colocada no ranking da WTA e campeã de Roland Garros no ano passado, a jovem polonesa de 20 anos Iga Swiatek conseguiu uma marca bastante expressiva. Ela é a única jogadora do circuito a atingir as oitavas de final em todos os quatro Grand Slam de 2021. “É muito emocionante. Esta é a minha primeira vez nas oitavas do US Open e estou muito orgulhosa disso. Não importa qual será o meu resultado final, mas mesmo assim fizemos um ótimo trabalho. Estar nas oitavas de todos os Grand Slams deste ano mostra que realmente estou indo no caminho certo”, disse depois de superar a estoniana Anett Kontaveit no último sábado por 6/3, 4/6 e 6/3.

“Eu estava pensando nisso há dois dias, que basicamente esta é o único ano em que não tive nenhuma lesão e não precisei que lidar com isso. As coisas são mais fáceis quando meu corpo está realmente me ouvindo. Estou muito orgulhosa da minha equipe e muito grata por receber toda a ajuda de que preciso. Muito feliz por ser consistente. Mas eu sei que sem eles não estaria aqui”, revela a polonesa, que agora encara a campeã olímpica Belinda Bencic.

Brooksby desafia o número 1 Novak Djokovic

Outro jovem debutante nas oitavas de final de um Grand Slam, o norte-americano de 20 anos Jenson Brooksby segue aproveitando o convite oferecido pelos organizadores. Destaque nos torneios de nível challenger no primeiro semestre, com três títulos, ele começou a temporada apenas no 314º lugar do ranking, mas já é o 99º do mundo. Durante o verão americano, disputou sua primeira final de ATP na grama de Newport e foi semifinalista em Washington. Com isso, saltou no ranking e chamou a atenção da direção do US Open. Em Nova York, já passou por Mikael Ymer, Taylor Fritz e Aslan Karatsev. Agora, tem a missão de enfrentar o número 1 do mundo Novak Djokovic.

“Será um grande desafio, um dos mais difíceis que se pode ter. Mas estou realmente acreditando em mim mesmo. Ainda mais pelo que estou mostrando por aí até agora. Tenho uma grande equipe ao meu redor para ajudar a me recuperar. Será uma batalha no Ashe, e tenho certeza de que será muito emocionante. A torcida vai lotar o estádio e estou animado para ver como posso me concentrar, como posso jogar bem contra um dos maiores jogadores e com um grande público em quadra”.

Mais estreantes nas oitavas de final

A lista de estreantes nas oitavas de final do US Open não conta apenas com tenistas da nova geração. Atual campeã de Roland Garros, a tcheca de 25 anos Barbora Krejcikova disputa a chave principal de simples pela primeira vez em Nova York. A número 9 do mundo construiu uma carreira sólida nas duplas e só entrou no top 100 de simples no ano passado, tendo uma rápida escalada até o top 10 e ao primeiro Grand Slam na disputa individual. Sua próxima rival é a espanhola Garbiñe Muguruza, décima colocada. Elas já se enfrentaram duas vezes este ano, com uma vitória para cada lado.

Na chave masculina, são vários os estreantes nas oitavas: Os alemães Oscar Otte, de 28 anos e 144º do ranking, e Peter Gojowczyk, de 32 anos e 141º colocado, vieram do quali. Otte enfrenta o italiano Matteo Berrettini, enquanto Gojowczyk é o próximo adversário de Alcaraz. Outro atleta vindo do quali a atingir as otavas é o holandês Botic Van de Zandschulp, de 25 anos e 117º do ranking. Ele já eliminou o cabeça 8 Casper Ruud e vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman. Além deles, destaque também para o confronto entre o norte-americano Reilly Opelka, 24º do mundo, e o sul-africano Lloyd Harris, 46º colocado. Os dois tenistas de 24 anos fazem ótimas temporadas no circuito e alcançam esta fase em um Grand Slam pela primeira vez.

Andreescu e Aliassime também vivos na disputa
Além da estreante Leylah Fernandez, o Canadá ainda conta com mais dois nomes da nova geração nas oitavas de final. Campeã em 2019 e número 7 do mundo Bianca Andreescu nunca perdeu um jogo de US Open, já que não atuou na edição passada. Invicta há dez jogos em Nova York, a jogadora de 21 anos encara a grega Maria Sakkari. Também com 21 anos, o número 15 da ATP Felix Auger-Aliassime repete a campanha do ano passado e enfrenta o norte-americano Frances Tiafoe em busca de quartas inéditas.

 

Wimbledon é território estranho para três campeãs de Slam
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2021 às 1:04 am
Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos

Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos (Foto: Jimmie48/WTA)

Apesar de serem três campeãs de Grand Slam e integrantes no top 10 do ranking mundial, Sofia Kenin, Bianca Andreescu e Iga Swiatek têm pouca experiência em quadras de grama e tentam se adaptar ao piso em busca de bons resultados em Wimbledon. Fatores como a rápida ascensão no circuito nas últimas temporadas e o cancelamento de todos os torneios no piso previstos para 2020 fizeram com que Andreescu e Swiatek só conseguissem suas primeiras vitórias na grama pelo circuito da WTA na última semana, quando atuaram em Eastbourne. Kenin, de 22 anos, tem um pouco mais de bagagem, mas a estreia no Grand Slam londrino marcou sua volta ao piso depois de duas temporadas.

“É a minha primeira partida na grama nesta temporada, já que eu não joguei nenhum torneio antes. Claro que estava um pouco mais nervosa, mas fui capaz de controlar e estou feliz com isso”, disse Kenin, depois de vencer a chinesa Xinyu Wang por 6/4 e 6/2 nesta segunda-feira. Ela agora espera pela vencedora do duelo norte-americano entre Madison Brengle e Christina McHale.

“No geral, achei que eu saquei bem e senti que meio que me salvou durante a partida de hoje. E, claro, fui bem nas devoluções. Portanto, há algumas pequenas coisas que tenho que melhorar, mas no geral estou muito feliz com a maneira como joguei”, completa a número 6 do mundo. Campeã do Australian Open e vice de Roland Garros no ano passado, a norte-americana disputa seu terceiro Wimbledon e nunca passou da segunda rodada.

Swiatek disputa Wimbledon pela primeira vez

Mais jovem do trio, com 20 anos recém-completados, Iga Swiatek faz sua primeira participação na chave principal de Wimbledon e venceu nesta segunda-feira a taiwensa Su-Wei Hsieh por duplo 6/4. “Eu precisava jogar com muita potência, porque quando a bola vai muito rápida na grama, é difícil de controlar e eu sei que a Su-Wei é bem habilidosa e meu principal objetivo era não deixá-la usar isso. E fico feliz que a minha tática tenha funcionado”, comenta a polonesa, que fez 20 winners e 18 erros na partida.

“Foi emocionante, porque a última partida que eu venci em Wimbledon havia sido na final do juvenil, nessa mesma quadra. Quando eu entrei aqui, tive muitas lembranças”, acrescentou Swiatek, que foi campeã juvenil do Grand Slam britânico em 2018.

Campeã de Roland Garros em 2020 e atual número 9 do ranking, a polonesa rechaça qualquer tipo de favoritismo e diz que uma boa campanha em Wimbledon pode ser muito mais importante pensando no futuro. “Eu simplesmente não penso tanto nisso, porque na grama há algum tipo de ranking à parte, porque você sabe quem está jogando bem na grama e também sabe quem geralmente é ruim na grama. Mesmo eu sendo, a sétima cabeça de chave, não me pressiono tanto, porque sei que não tenho experiência. Eu apenas tento aprender o máximo possível. Só estou ciente de que não treinei por muito tempo na grama, porque joguei a final de duplas em Roland Garros”.

“É uma parte importante da temporada, mas é ainda mais importante aprender, porque acho que o trabalho que fizer aqui vai dar resultado em alguns anos. Eu só preciso de experiência na grama. Na verdade, é legal porque eu posso jogar sem nenhuma expectativa”, avalia a jovem jogadora, que espera pela vencedora entre a tcheca Marie Bouzkova e a russa Vera Zvonareva. “Depois de toda aquela confusão durante a temporada de saibro, durante o Roland Garros, já que eu era a atual campeã, é mais fácil agora e estou gostando. Talvez meu tênis não seja tão bom quanto em outros torneios, mas estou me sentindo ótima e muito feliz por estar aqui.

Andreescu estreia nesta terça e reencontra Cornet
A canadense Bianca Andreescu, de 21 anos e número 7 do mundo, estreia em Wimbledon nesta terça-feira contra a francesa Alizé Cornet, 59ª colocada. As duas se enfrentaram há duas semanas em Berlim e Cornet levou a melhor em dois sets equilibrados. A única participação de Andreescu na chave principal de Wimbledon havia acontecido ainda em 2017, quando ela caiu na estreia. Dois anos atrás, quando já era um dos principais nomes do circuito, uma lesão no ombro a impediu de atuar na temporada de grama. Recuperada meses depois, conquistou o US Open de 2019.

“A semana de Berlim não foi tão boa quanto eu esperava para o meu primeiro torneio na grama, mas preciso de tempo. Não jogo há três anos e não fiz tantas partidas neste ano por causa de outras coisas. Mas tenho treinado muito na grama, tenho ficado muito tempo em quadra e espero que eu possa progredir nas partidas”, disse Andreescu, em entrevista coletiva durante o WTA 500 de Eastbourne na última semana.

“Tenho uma boa imagem mental de como quero jogar na grama, mas sei que não vai acontecer de imediato. Eu preciso de bom tempo de treinos e de mais jogos, e foi por isso também que eu joguei em duplas em Eastbourne. Acho que isso ajuda muito no meu jogo de grama, porque posso trabalhar no meu saque e nos meus voleios, porque eu quero ir muito para a rede”, acrescenta a canadense, que chegou às oitavas no último torneio preparatório, vencendo Christina McHale e perdendo para Anett Kontaveit.

Apesar de ser uma tenista com muito peso de bola, Andreescu sabe que só isso não é o suficiente na grama. “A minha bola alta e pesada nem sempre é tão eficaz só porque a bola realmente não quica. É literalmente perfeito para a adversária atacar. Às vezes, gosto de dar slice, mas a bola literalmente desliza de forma superaleatória. Quero continuar trabalhando, avançando, usando meu saque a meu favor e mexendo muito com os pés, já que as bolas estão chegando rápido”.

Swiatek mantém rotina, mas muda a trilha sonora
Por Mario Sérgio Cruz
junho 6, 2021 às 12:22 am

Swiatek mantém a escolha pelos clássicos do rock na busca por mais um título de Roland Garros (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

Apesar de todas as transformações em sua vida desde que conquistou seu primeiro título de Roland Garros, Iga Swiatek garante que não muda sua rotina em busca do bicampeonato. Na verdade, a única novidade está na trilha sonora. Fã declarada de grandes clássicos do rock, a polonesa de 20 anos deixou um pouco de lado a faixa Welcome to the Jungle do Guns N’ Roses e fez mais uma viagem no tempo, e é embalada pelo som do Led Zeppelin. Ela diz que a estratégia já deu certo, porque fez parte da sua caminhada para o título do WTA 1000 de Roma há três semanas.

“Tenho a mesma playlist de Roma, então é o Led Zeppelin agora. No ano passado foi o Guns N’
Roses. Então, é uma banda diferente, mas o mesmo estilo de música”, disse Swiatek a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva após seu jogo da terceira rodada em Paris. “Já gostava de rock e acho que comecei a ouvir mais quando assisti ao filme do ‘Thor’, alguns anos atrás, na Austrália. Também comecei a ouvir música polonesa e isso é novo para mim porque, na verdade, eu nunca tinha escutado músicas poloneas. É muito legal. Eu recomendaria. Mas provavelmente, apenas duas pessoas desse grupo [de jornalistas] iriam entender”.

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Swiatek faz questão de ressaltar que o hábito de manter a playlist não é uma superstição. “Não tenho superstições. Nada contra isso, mas há algumas situações que você fica nervosa por isso, e simplesmente não é necessário. Quando você tem um chance de evitar, é melhor. Acho que há uma diferença entre superstição e rotinas. Sou grande fã de rotinas, porque gosto de ouvir as mesmas músicas antes de eu entrar na quadra. Mas não é como se eu comer uma coisa diferente no café da manhã, vai dar tudo errado. É bom ter distância dessas coisas e apenas manter suas rotinas, porque isso é muito importante nos esportes”.

https://twitter.com/rolandgarros/status/1401238994197823493

Psicóloga se junta ao time na próxima fase
Durante a primeira semana de Roland Garros, Swiatek não teve a companhia da psicóloga esportiva Daria Abramowicz. Ela deve se juntar ao time a partir das oitavas, ao lado do técnico Piotr Sierzputowski e do preparador físico Maciej Ryszczuk. Desta vez é diferente porque Daria não está no estádio. No momento, ainda estou encontrando minhas rotinas, porque na segunda semana ela vai estar aqui com a gente. Ela está comigo na maioria dos torneios e ela é o cérebro da nossa equipe. Acho que a química do nosso time fica melhor com dois meninos e duas meninas.

Estou fazendo as mesmas coisas, mas não é tão divertido. Tenho conversado mais com Piotr sobre táticas e outras coisas e fazendo todo o aquecimento e estou pronto. É basicamente o mesmo que em todos os torneios, mas agora é melhor porque eu conheço alguns lugares aqui onde eu posso descansar e ficar mais calma. Nos primeiros dois anos eu estava, eu ficava confusa, porque não sabia para onde ir. Agora eu me sinto em casa (sorrindo).

Com plena confiança em sua equipe, ela priorizou uma preparação focada em torneios grandes e acredita que teve sucesso na empreitada. “Na verdade, o meu treinador é que foi responsável por isso. E acho que ele está fazendo um ótimo trabalho com todo o planejamento do meu calendário”, disse Swiatek a TenisBrasil na coletiva pré-torneio. “No começo do ano eu estava me perguntando se seria uma boa ideia jogar torneios menores, apenas para sentir a confiança e sentir que eu poderia continuar vencendo. Afinal, só existe um vencedor no tênis, e mesmo que você alcance uma semifinal ou seja finalista, você acaba perdendo a última partida”.

“Então, eu estava conversando sobre isso com meu treinador e com a minha equipe, mas eles disseram que, da perspectiva deles, seria melhor que eu me concentrasse em torneios maiores.
“E foi muito bom, porque sinto que estou progredindo. Eu estou jogando contra as top 10 com mais frequência e posso realmente ter mais experiência e aprender mais, porque isso é o mais importante para mim agora. Preciso aprender a estar em diferentes situações na quadra para que eu possa ter mais experiência depois”.

Jogo duro com Kontaveit neste sábado

Em seu terceiro compromisso no torneio, Swiatek venceu a estoniana Anett Kontaveit por 7/6 (7-4) e 6/0 neste sábado. Diante de uma rival bastante agressiva, especialmente no início do jogo, a polonesa chegou a estar perdendo o primeiro set por 4/2, mas conseguiu reagir. “Acho que eu tive comecei um pouco abaixo, pensando não no primeiro set de um modo geral, mas game a game. Então, se eu não tivesse sofrido uma quebra no primeiro game, acho que o placar poderia ser diferente, a pontuação. Mas estou muito feliz por fazer um tiebreak consistente e liderar com bastante facilidade. Mas no segundo set, Anett cometeu mais erros, porque eu acho que ela estava arriscando muito, e no segundo set, seus golpes não estavam mais tão precisos. Ela
apenas cometeu muitos mais erros. Acho que foi um bom para mim recuar um pouco e reagir
mais rápido porque ela estava jogando muito rápido desde o começo”.

Eu estava apenas focada em quebrar o saque dela. E eu sabia que tinha recursos para fazer isso. Na verdade, ela fez três aces em um game. E com certeza seria impossível quebrá-la naquele momento. Mas eu sabia se eu colocasse boas devoluções e fizesse com que ela tivesse que se mover desde o início dos pontos, seria bom. Eu apenas me concentrei nisso e quebrei o saque dela.
Acho que jogamos uma vez no juvenil, mas não tenho certeza na verdade.

Duelo da nova geração nas oitavas de final
A próxima adversária de Swiatek será a ucraniana Marta Kostyuk, tenista de apenas 18 anos e 81ª do ranking. Elas nunca se enfrentaram pelo circuito profissional, mas já tiveram um duelo na época do juvenil, em 2017, com vitória da polonesa na Austrália. “Provavelmente foi no início da minha carreira juvenil. Mas realmente não tenho certeza. Na verdade, acabei de saber que vou jogar contra ela, então não estava realmente preparada para essa pergunta. Ainda não a vi jogar, porque estava apenas focada na minha partida contra Anett. Mas obviamente meu treinador fará um ótimo trabalho. Ele é muito bom nas tática, então estou me sentindo segura”.

Oito jovens tenistas para acompanhar em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2021 às 10:10 pm

Com diferentes perspectivas, oito tenistas da nova geração do circuito merecem destaque antes de Roland Garros, que começa neste domingo em Paris. O Grand Slam tem uma jovem candidata ao título, a atual campeã Iga Swiatek e ponto de interrogação sobre Bianca Andreescu. Embalados por recentes conquistas no saibro de Parma, Coco Gauff e Sebastian Korda estão em rota de colisão com favoritos. Destaque também para os recém-chegados ao top 100, Carlos Alcaraz e Maria Camila Osorio, vindos do quali. Vale ficar de olho também no italiano Jannik Sinner, que chegou às quartas no ano passado, e no canadense Felix Auger-Aliassime, que aposta na parceria com Toni Nadal.

Confira oito grandes histórias envolvendo a nova geração em Roland Garros:

Swiatek luta pelo bicampeonato em Paris

Atual campeã, Swiatek focou a preparação nos torneios grandes (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Atual campeã, Swiatek focou a preparação nos torneios grandes (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Menos de um ano depois de ter conquistado seu primeiro Grand Slam em Roland Garros, Iga Swiatek está de volta às quadras de saibro da capital francesa. A polonesa, que completa 20 anos na segunda-feira, era apenas a 54ª do ranking na campanha para o título do ano passado e agora já é a número 9 do mundo e uma das favoritas ao título, ainda mais depois da categórica conquista do WTA 1000 de Roma há duas semanas. Ela estreia contra sua melhor amiga no circuito, a eslovena Kaja Juvan, pode enfrentar a norte-americana Shelby Rogers ou a sueca Rebecca Peterson na segunda fase e a estoniana Anett Kontaveit na terceira fase.

“Depois que ganhei Roland Garros, minha vida mudou completamente todo mundo começou a me tratar de forma diferente totalmente. Foi muito bom encontrar um equilíbrio e ainda ser capaz de aproveitar aquela vitória, mesmo numa situação tão caótica”, disse Swiatek, durante a entrevista coletiva na última sexta-feira. “Estou voltando à mesma forma que eu tive quando fui campeã de Roland Garros, já ganhei mais dois títulos desde então, e foi incrível para mim, porque eu ainda não sei se vou ser consistente pelo resto da minha carreira. E isso mostrou que posso realmente ter um bom desempenho não apenas uma vez, mas posso repetir. Então essa é a coisa mais importante para mim”.

Swiatek priorizou os torneios grandes em sua preparação para Roland Garros e só jogou em Roma e Madri e foi perguntada por TenisBrasil sobre sua estratégia. “Na verdade, o meu treinador é que foi responsável por isso. E acho que ele está fazendo um ótimo trabalho com todo o planejamento do meu calendário. E foi muito bom, porque sinto que estou progredindo. Eu estou jogando contra as top 10 com mais frequência e posso realmente ter mais experiência e aprender mais, porque isso é o mais importante para mim agora. Preciso aprender a estar em diferentes situações na quadra para que eu possa ter mais experiência depois”.

Andreescu em dúvidas após lesão abdominal

Andreescu fez bons jogos em Estrasburgo, mas sentiu lesão abdominal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Andreescu fez bons jogos em Estrasburgo, mas sentiu lesão abdominal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Outra top 10 a ser observada em Roland Garros é Bianca Andreescu, de apenas 20 anos e número 7 do mundo. A canadense conquistou seu primeiro Grand Slam ainda no US Open de 2019, mas possui um longo histórico de lesões, chegando a ficar mais de um ano parada por problema no joelho esquerdo. Na semana passada, disputou o WTA 250 de Estrasburgo e fez dois bons jogos, mas desistiu antes das quartas por lesão muscular na região abdominal. Cabeça 6 em Paris, Andreescu estreia contra a eslovena Tamara Zidansek.

“Não é nada sério, apenas um desconforto. Mas eu não quero arriscar antes de Roland Garros”, disse Andreescu na última terça-feira, em Estrasburgo. Perguntada por TenisBrasil sobre como faz para manter o ritmo de jogo e o bom nível de tênis mesmo com tantas lesões, a canadense comentou que aprendeu com os erros do passado e consegue ter melhor planejamento de treinos e competições. “Isso faz parte da carreira de qualquer atleta, sempre tem algumas coisas que você pode fazer e aprender com os erros do passado. Hoje eu tenho um calendário melhor de torneios, e estou ficando melhor na quadra e nos treinos físicos, com exercícios diferentes. É claro que a situação é decepcionante. Mas eu fiz o meu melhor para lidar com a situação”.

Gauff empolgada por título no saibro italiano

Gauff diz que resultados recentes não trazem pressão, mas sim confiança (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Gauff diz que resultados recentes não trazem pressão, mas sim confiança (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Com apenas 17 anos, a norte-americana Coco Gauff é uma das jogadoras mais jovens na chave de Roland Garros. Ela chega a Paris empolgada pela recente conquista do WTA 250 de Parma e ocupando o 25º lugar do ranking da WTA. Uma semana antes, também foi semifinalista do WTA 1000 de Roma, superada apenas por Swiatek. Acostumada a lidar com grandes expectativas desde muito jovem, ela garante que os resultados recentes trazem mais confiança do que pressão.

“Para ser honesta, não acho que esses resultados realmente coloquem qualquer pressão sobre mim. Apenas me deram confiança. Fiz muitas quartas de final e semifinais em 2020 e isso me deixou mais forte para terminar o torneio e levantar um troféu. Não sinto nenhuma pressão. Talvez porque tenha sido só um 250, então é um torneio um pouco menor, e não tinha tanta pressão quanto um 1000. Mas de qualquer forma, sinto que ganhar um título só dá a você mais confiança e mais experiência. Esse é o meu objetivo aqui”, comentou Gauff, que estreia contra a sérvia Aleksandra Krunic e pode cruzar o caminho da número 1 do mundo Ashleigh Barty nas oitavas.

Novata no top 100, Osorio disputa seu primeiro Slam

A colombiana Maria Camila Osorio chegou recentemente ao top 100 e disputa o 1º Slam (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

A colombiana Maria Camila Osorio chegou recentemente ao top 100 e disputa o 1º Slam (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Recém-chegada ao top 100 do ranking mundial, a colombiana de 19 anos Maria Camila Osorio disputará seu primeiro Grand Slam em Roland Garros. A atual 98ª do ranking conseguiu passar pelo qualificatório de três rodadas em Paris. A temporada de 2021 tem sido de feitos importantes para Osorio, que começou o ano apenas no 186º lugar do ranking. Ela conquistou seu primeiro título de WTA no saibro de Bogotá e disputou outras duas semifinais, em Charleston e Belgrado, antes de furar o quali em Paris.

“Já joguei muitos torneios da WTA, então sinto mais confiança quando entro na quadra. Não fico mais com medo quando estou jogando neste nível”, disse Osorio, em entrevista ao site de Roland Garros. “Estou vivendo um momento muito especial e trabalhei muito para chegar aqui. Foi muito bom chegar ao top 100. Era um dos meus objetivos no início do ano. Tudo aconteceu tão rápido que não pensei que pudesse fazer isso até o final da temporada, mas mostra o quanto estou melhorando”, comenta a colombiana, que estreará contra a norte-americana Madison Brengle e pode cruzar o caminho de Andreescu já na segunda rodada.

Korda chega a Paris após título em Parma

Korda chega a Paris com moral após título em Parma (Foto: Marta Magni Images)

Korda chega a Paris com moral após título em Parma (Foto: Marta Magni Images)

Depois de ir do quali até as oitavas de final na edição passada de Roland Garros, o norte-americano Sebastian Korda chegará ao Grand Slam francês com ainda mais moral. Ele conquistou neste sábado seu primeiro título no circuito, o ATP 250 de Parma, vencendo o ex-top 20 Marco Cecchinato na final por 6/2 e 6/4. O atual 63º do ranking e filho do ex-número 2 do mundo Petr Korda teve um ótimo início de temporada, com a final em Delray Beach, um título de challenger em Quimper e também a campanha até as quartas de final do Masters 1000 de Miami. No entanto, vinha de resultados negativos no saibro e conseguiu se reerguer.

“Tive que continuar otimista, mesmo com os resultados ruins na primeira parte da temporada de saibro. Tirei alguns dias de folga, recarreguei minhas baterias e fiz uma semana de treinos muito boa em Praga com meu pai e meu treinador. Voltei com mais fome e estou jogando um tênis muito bom agora”, explicou Korda, que estreia em Roland Garros contra o espanhol Pedro Martinez e pode cruzar o caminho do número 5 do mundo Stefanos Tsitsipas na rodada seguinte.

Alcaraz fura o quali e tem chave boa em Paris

Alcaraz disputará seu segundo Grand Slam e se sente mais preparado agora do que na Austrália (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Alcaraz disputará seu segundo Grand Slam e se sente mais preparado agora do que na Austrália (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Grande promessa do tênis espanhol, Carlos Alcaraz chega com bastante moral para a disputa de seu primeiro Roland Garros e o segundo Grand Slam da carreira. O espanhol de 18 anos e 94º do ranking conquistou recentemente o challenger português de Oeiras, entrou no top 100 e furou o quali de Roland Garros. Sua estreia em Paris será contra outro espanhol vindo do quali, Bernabe Zapata Miralles. Se vencer, enfrenta o sérvio Dusan Lajovic ou o georgiano Nikoloz Basilashvili (cabeça 28) antes de um eventual encontro com o russo Andrey Rublev na terceira fase.

“Estou muito feliz. Jogar a chave principal aqui em Roland Garros é uma sensação muito boa. Estou me sentindo muito confortável na quadra. Sei que não é fácil jogar melhor de cinco sets, mas acho que estou pronto. Não é minha primeira participação na chave principal em um Grand Slam, então vou melhorar o que fiz na Austrália. Acho que estou mais pronto agora do que estava na Austrália”, comentou o espanhol, em entrevista ao site da ATP.

Sinner tenta repetir boa campanha de 2020

Sinner enfrentou Nadal e Djokovic durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Sinner enfrentou Nadal e Djokovic durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Com apenas 19 anos Jannik Sinner já aparece na 19ª colocação do ranking mundial e tenta repetir a ótima campanha que fez no ano passado em Paris, quando chegou às quartas de final. Durante a temporada de saibro, sua principal campanha foi uma semifinal em Barcelona, mas ele teve a oportunidade de enfrentar Novak Djokovic em Monte Carlo e Rafael Nadal em Roma, e tira várias lições daqueles jogos, mesmo com resultados negativos contra lendas do esporte. Ele estreia em Paris contra o francês Pierre-Hugues Herbert.

“Quando eu perco, sempre tento tirar os pontos positivos e descobrir o que deveria ter feito melhor” disse Sinner após o recente duelo com Nadal. “Obviamente, é difícil falar logo depois da partida. Tenho que me reunir com a minha equipe e assistir muitas e muitas vezes a este jogo a partir de hoje. Então veremos o que deveríamos ter feito melhor”, comenta o italiano, que teve postura parecida quando perdeu para Djokovic em Mônaco. “O foco é sempre melhorar. É isso que estou tentando fazer. Vou tentar aprender com esta partida também hoje, mesmo que às vezes seja difícil de aceitar a derrota. Mas só há uma maneira de melhorar. Eu tenho um bom time e tenho as pessoas certas perto de mim, que sabem o que eu preciso fazer”.

Aliassime aposta na parceria com Toni Nadal

Aliassime trabalhou com Toni Nadal durante a temporada de saibro

Aliassime trabalhou com Toni Nadal durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

O canadense de 20 anos Felix Auger-Aliassime, 21º do ranking, trouxe um reforço de peso para sua equipe. Durante toda a temporada de saibro, ele treinou com Toni Nadal e aposta na experiência do técnico para buscar melhores resultados. Ainda em busca de seu primeiro título de ATP, o canadense tem como melhores campanhas em Grand Slam as oitavas de final do US Open no ano passado e do Australian Open na atual temporada. Sua estreia em Paris será contra o experiente italiano de 37 anos Andreas Seppi.

“Minhas expectativas não mudaram desde que comecei a trabalhar com o Toni. Sempre tive expectativas muito altas durante toda a minha carreira. O que estou tentando fazer é chegar ao top 10 e ganhar títulos de Grand Slam. Não há nada melhor do que isso. Trabalhar com alguém que já fez isso traz mais calma e confiança, ao invés de pressão”, disse Aliassime na entrevista coletiva da última sexta-feira. “Decidi trabalhar com ele porque acredito que ele pode me ajudar a alcançar meus objetivos e meu potencial. É nisso que trabalhamos todos os dias. A preparação não é diferente da que fizemos em qualquer outro torneio. Procuramos trabalhar com muito empenho, intensidade e foco, e a cada dia tentamos fazer um pouco melhor. Temos um bom trabalho a fazer”.

 

Como Swiatek foi da adversidade ao brilhantismo em Roma
Por Mario Sérgio Cruz
maio 18, 2021 às 10:35 am
Swiatek salvou match-points nas oitavas e terminou com duplo 6/0 na final (Foto: Giampiero Sposito)

Swiatek salvou match-points nas oitavas e terminou com duplo 6/0 na final (Foto: Giampiero Sposito)

Campeã do WTA 1000 de Roma no último domingo, Iga Swiatek corou sua vitoriosa trajetória nas quadras de saibro do Foro Itálico com uma arrasadora vitória por duplo 6/0 em apenas 46 minutos sobre Karolina Pliskova no último domingo. Mas a campanha da jovem polonesa de 19 anos e agora número 9 do mundo não tão tranquila quanto o placar do último jogo faça parecer. Com seis vitórias seguidas na semana, Swiatek escapou de dois match-points no duelo contra Barbora Krejcikova nas oitavas de final e teve que superar uma rodada dupla de quartas e semifinal no último sábado, contra Elina Svitolina e Coco Gauff. Também algoz das norte-americanas Alison Riske e Madison Keys nas fases iniciais, a polonesa sente que foi elevando seu nível de tênis ao longo da semana, indo da adversidade ao brilhantismo.

“Foi muito dramático por tudo o que aconteceu esta semana. Sinto que, apesar de ter conquistado o título, o mais importante é que ganhei tanta experiência e aprendi tanta coisa que isso vai surtir efeito no futuro. Estou muito feliz com isso”, disse Swiatek, em entrevista ao site da WTA. “Aprendi que posso ser uma jogadora consistente e que posso vencer mesmo quando não estou me sentindo muito bem. As três primeiras rodadas foram realmente complicadas para mim, mas fui me sentindo melhor a cada dia. Mesmo assim, pensei que não seria o suficiente ganhar um torneio. E de repente tudo mudou”.

A polonesa tentou lidar com as situações adversas de forma positiva. “Também aprendi que quando está situações que não pode controlar, como ter que jogar pelas quartas e semifinal no mesmo dia, você só precisa se concentrar nos aspectos positivos. No começo, eu estava muito frustrada por ter estar nessa situação, mas depois percebi que isso realmente me ajudou. Depois da minha partida contra a Elina Svitolina, eu consegui manter o ritmo e ficar mais tempo em quadra e isso me deu muita confiança para a final. Não sei como jogaria se não tivesse um dia de folga. Portanto, olhar para o lado positivo das coisas foi muito importante”.

É possível vencer sem jogar bem
A atual campeã de Roland Garros também aposta no trabalho de preparação mental ao lado da psicóloga esportiva Daria Abramowicz e tem evoluído no sentido de conseguir buscar as vitórias mesmo quando não joga o seu melhor tênis. “Quando eu era mais jovem, ou mesmo no ano passado, eu tinha em mente que não poderia ganhar jogando mal. Normalmente, nessa situação, eu era o tipo de pessoa que desistia mentalmente. Mas agora eu sei que ainda posso vencer. Mesmo não me sentindo totalmente perfeita em quadra, consegui administrar tudo e apenas ganhar os pontos. Talvez não fosse o meu estilo, mas o mais importante foi ganhar ponto a ponto e tentar permanecer focada”.

A resiliência de Swiatek em quadra tem como principal exemplo a vitória sobre Krejcikova por 3/6, 7/6 (7-5) e 7/5 em 2h50 de partida nas oitavas de final. A polonesa sofreu quatro quebras no primeiro set e começou a parcial seguinte perdendo por 2/0. Mesmo buscando o empate no quarto game, teve que evitar novas chances de quebra durante a parcial e salvar dois match-points quando perdia por 6/5 para forçar o tiebreak e conseguir igualar a partida. Já no set decisivo, Krejcikova vinha confirmando seus serviços com maior tranquilidade até o empate por 5/5, enquanto Swiatek já havia evitado a quebra em três oportunidades. Já no último game da partida, quando vencia por 6/5, a campeã de Roland Garros não deu pontos de graça, foi muito firme e precisa do fundo de quadra em uma das subidas à rede para chegar ao match-point e aproveitar a chance.

“Estou ciente de que algumas partidas não vão ser perfeitas. Agora, tenho tempo para realmente me desenvolver durante o torneio, e isso é muito melhor. Isso é um tipo de coisa que todo mundo tem que aprender e acho que fiz isso muito rapidamente. Então, estou feliz. Nem sempre é fácil e às vezes você fica frustrada por se esforçar tanto nos treinos e não jogar as partidas tão bem. O tênis é meio frustrante às vezes. Você apenas tem que aceitar e continuar. Foi o que fiz esta semana. E é por isso que este torneio é tão especial para mim”, complementou Swiatek, treinada por Piotr Sierzputowski, eleito o melhor técnico do circuito em 2020.

Novas responsabilidades e expectativas
Desde a conquista de seu primeiro Grand Slam no ano passado, Swiatek teve que lidar com uma realidade na carreira, com mais compromissos extra-quadra e uma mudança nas expectativas, já que ela passava a ser vista como candidata aos títulos importante e favorita em grande parte dos jogos. Ela reconhece que teve dificuldades nos primeiros torneios com novas responsabilidades.

“Com certeza, aprender a lidar com o lado empresarial do tênis foi difícil, porque você tem mais obrigações e mais coisas com que se preocupar. E você não sabe se isso vai influenciar o seu jogo ou não. Com certeza influencia, mas você tem que aprender a lidar com tudo isso. É difícil encontrar o equilíbrio no início entre trabalhar e fazer outras coisas. Então, esse também é o tipo de coisa com que minha equipe me ajudou muito. Também tive que aprender a lidar com as expectativas. Lembro-me da minha primeira partida da temporada, antes do Australian Open, foi muito, muito difícil. Porque eu ficava pensando: ‘Ei, há tantas pessoas que confiaram em mim, eu [tenho que] jogar bem’. Isso realmente me destruiu por alguns dias e também durante a minha partida. Foi muito difícil”.

Segredo foi não pensar no placar

Já sobre a arrasadora vitória sobre Pliskova, campeã de Roma em 2019 e vice no ano passado, Swiatek diz que o segredo foi não pensar no placar. “Quando meu treinador me disse que foi 6/0, 6/0, eu perguntei: ‘Sério? Tem certeza de que não está errado?’ Durante as viradas de lado, eu visualizava que estava apenas começando aquela partida desde o início. Todas as vezes. Na verdade, fiz isso tão bem que nem sabia que havia feito 6/0 no primeiro set. O segredo foi não pensar sobre isso e apenas continuar jogando. Porque quando você começa pensar demais sobre o placar, você pode realmente arruinar sua mentalidade e sua atitude”, falou durante a entrevista coletiva após o jogo.

Swiatek liderou a estatística de winners na final de Roma por 17 a  5, e cometeu apenas cinco erros contra 23 de Pliskova. No total de pontos, a polonesa fez 51 a 13. Ela destaca, principalmente, o começo do jogo. A polonesa sentiu que a rival parecia mais nervosa e já tentou abrir vantagem, aproveitando-se das quatro duplas-faltas que Pliskova fez em seus dois primeiros games serviço e dos erros não-forçados da tcheca. “Desde o início, achei que ela pudesse estar um pouco nervosa. Eu queria usar isso e realmente jogar o máximo de games possíveis com aquela vibe. É por isso que o jogo estava muito rápido no início. Eu vi isso, porque achei que o movimento dela não era muito bom, mas também tinha em mente que começaria logo a se sentir melhor e entrar no ritmo”.

‘Foi difícil ganhar um ponto’, diz Pliskova
Amplamente dominada na final de Roma, Pliskova reconhece que teve um dia ruim, mas enalteceu a grande partida de sua adversária. “Acho que ela teve um dia incrível e eu um dia horrível. E isso pode acontecer. Eu estava me sentindo péssima hoje. Mas acho que ela tornou tudo extremamente difícil para mim. Eu não conseguia ganhar qualquer ponto ou fazer qualquer coisa no meu jogo. Ela estava jogando super rápido e sendo agressiva. Eu fiz apenas algumas boas jogadas, e acho que ela conseguia redirecionar muito bem a bola e jogar ainda mais rápido, especialmente no saibro. Hoje ela teve um posicionamento incrível da bola. Tudo era super profundo e perto das linhas”.

As lições das derrotas de Swiatek e Aliassime
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 15, 2021 às 2:38 pm

Representantes mais jovens nas oitavas de final feminina e masculina do Australian Open, Iga Swiatek e Felix Auger-Aliassime se despediram do torneio no último domingo em momentos muito distintos. A polonesa de 19 anos reencontrou a número 2 do mundo Simona Halep, a quem havia derrotado na campanha para o título de Roland Garros, e começou bem, mas não conseguiu lidar com as mudanças táticas que a experiente romena adotou a partir do segundo set. Já o canadense de 20 anos entrou como favorito diante do russo vindo do quali Aslan Karatsev, 114º do ranking, e venceu os dois primeiros sets, mas deixou escapar uma grande chance de chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez ao permitir a virada. Para ambos, ficam as lições das derrotas para a sequência da temporada.

“Estou um pouco decepcionada, porque o primeiro set foi perfeito para mim. Senti que estava jogando bem. Acho que a Simona conseguiu mudar suas táticas, começou a jogar com mais topspin e isso foi difícil para mim. Eu já não conseguia controlar os golpes”, disse Swiatek, depois da derrota por 3/6, 6/1 e 6/4 para Halep em 1h50 de partida. “Eu tenho muito respeito pela Simona. Parece que ela tem muitas opções. E quando algo não está dando certo, ela apenas muda a tática e isso é ótimo. Essa é a diferença entre as campeãs e as jogadoras menos experientes, porque eu não sentia que tinha muitas opções”.

Apesar de ser uma tenista com muita habilidade e capaz de variar bastante o jogo com muitos recursos, Swiatek mostrou que também tinha condição física e potência nos golpes para sustentar as trocas de fundo contra uma rival tão sólida como Halep. A polonesa fez um primeiro set muito consistente, ao anotar 14 winners contra 8 e cometer 11 erros, apenas um a mais que a romena.

Mas Swiatek perdeu consistência do fundo de quadra a partir do segundo set e as estatísticas mostram isso. Enquanto no set inicial ela havia vencido 19 dos 31 pontos com cinco ou mais trocas de bola, o número de ralis caiu para apenas 17 na parcial seguinte com 10 a 7 para Halep. A romena também dominava os pontos mais curtos, com até quatro trocas, por 16 a 6. E não foi necessário para a vice-líder do ranking encurtar os pontos ou jogar de forma mais agressiva, porque era Swiatek quem errava cedo demais. “Ela jogou de forma muito inteligente. Talvez eu estivesse batendo muito forte na bola e arriscando demais, mas tive que fazer isso porque ela estava variando muito o jogo e eu precisava definir os pontos”, avalia a 17ª do ranking.

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“Os golpes dela estavam mais pesados que no primeiro set, e eu precisava atacá-la mais vezes e cometi muitos erros não-forçados”, comentou a polonesa, que cometeu 12 erros não-forçados na parcial, sendo sete ainda nas quatro primeiras trocas de cada ponto. Halep cedeu apenas quatro pontos em seus games de serviço, pressionou nas devoluções para quebrar duas vezes, e só precisou fazer cinco winners no set, um a mais que Swiatek, além de cometer apenas três erros não-forçados. “E eu senti que eu não tinha tanta energia no segundo set, tentei me poupar para o terceiro. Mas aí no terceiro, quando tive o saque quebrado, eu não consegui devolver a quebra. Mas assim é o tênis”.

A campeã de Roland Garros acredita que soube lidar bem melhor com a pressão a expectativa por um outro resultado depois de seu primeiro título de Grand Slam. “Eu me sinto muito melhor agora do que na minha primeira semana aqui, quando eu joguei o torneio da WTA. Eu não tive nenhum problema com isso nessa semana. E mesmo no jogo de hoje, eu ainda me sentia como a zebra, porque estava jogando contra a Simona. Mas no geral isso não me incomodou aqui. Vamos ver como será nos próximos torneios, porque cada semana é diferente. Eu não posso dizer com certeza que vou ter a mesma atitude pelo resto do ano, mas esse é o meu objetivo”.

A derrota difícil de engolir para Aliassime

Já Aliassime sente que deixou escapar uma ótima oportunidade de conseguir uma campanha expressiva em Grand Slam e dar continuidade ao bom início de temporada que está fazendo. Depois de ter superado o compatriota Denis Shapovalov, número 12 do mundo na terceira rodada, ele não repetiu o mesmo desempenho diante de Karatsev e reconhece que é um resultado difícil de assimilar. Entretanto, o canadense tenta tirar as lições da derrota para que situações como a do último domingo não se repitam.

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“É difícil de engolir, mas o tênis é assim. A vida é assim. Sinceramente, acho que esse jogo pode me ajudar no futuro. É a primeira vez que jogo uma partida de cinco sets e é a primeira vez que isso acontece comigo. Talvez não seja a última. Veremos, mas tentarei aprender com isso e ser melhor da próxima vez”, comentou depois de perder por 3/6, 1/6, 6/3, 6/3 e 6/4.

“Com certeza há muitos pontos positivos para tirar desse torneio. É realmente uma pena que não consegui passar hoje, mas eu não desisti. Tentei de tudo. Eu joguei bem. Claro que eu gostaria de ter sacado melhor, mas não posso simplesmente estalar os dedos para fazer isso acontecer. Eu só tenho que ser um jogador melhor no geral para superar essas situações. Acho que o lado bom é que mentalmente continuei pensando positivo. Eu acreditei até o fim. Mesmo quando estava atrás no quinto set eu ainda tentei e ainda acreditei”, explica Aliassime, que atingiu as oitavas de um Grand Slam pela segunda vez na carreira.

O jovem de 20 anos acredita que está evoluindo no aspecto mental do jogo e que, em outros tempos, não conseguiria sequer continuar lutando até o final da partida. “Acho que em comparação com o jogador que fui, digamos em 2019 ou mesmo no ano passado, acho que foi uma melhoria contra um jogador que, como todos vimos, fez uma grande partida e está jogando em um bom nível. Mentalmente tentei ficar no jogo e acreditar. Acho que isso é positivo para o futuro”, explica o canadense, que ainda persegue seu primeiro título de ATP.

“Eu só preciso de um pouco de tempo. Na semana passada, eu simplesmente não tive escolha. Então eu tive que me recuperar muito rápido. Agora tenho um pouco de tempo até o próximo torneio, então preciso me recuperar. Foi um longo período aqui na Austrália, um período difícil. Preciso me recuperar fisicamente, mentalmente e voltar a treinar”.