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Campeão em Roland Garros, Pucinelli já pensa na grama
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2019 às 8:44 pm

O tênis brasileiro teve uma ótima notícia no último sábado com a conquista de Matheus Pucinelli na chave de duplas do torneio juvenil em Roland Garros. Ele e o argentino Thiago Tirante venceram a final contra o italiano Flavio Cobolli e o suíço Dominic Stricker por 7/6(3) e 6/4. Pucinelli repete um feito de Gustavo Kuerten, que foi campeão juvenil de duplas em Paris ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti em 1994. Três anos depois, Guga conquistaria o primeiro de seus três títulos em Paris como profissional.

Matheus Pucinelli conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Matheus Pucinelli (de azul) conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

O título de Pucinelli é o 36º Grand Slam do tênis brasileiro e o nono troféu de Roland Garros. O paulista de 18 anos também é o sétimo atleta nacional a conquistar um Slam como juvenil. Em simples, alagoano Tiago Fernandes foi campeão na Austrália em 2010, enquanto o paranaense Thiago Wild venceu o US Open no ano passado. Nas duplas, Guga venceu Roland Garros há 25 anos, Felipe Meligeni Alves tem um título do US Open em 2016 com o boliviano Jorge Aguilar, enquanto a parceria nacional de Orlando Luz e Marcelo Zormann ganhou Wimbledon em 2014.

A boa campanha de Pucinelli, que também venceu um jogo em simples, faz com que ele ganhe quatro posições no ranking mundial juvenil da ITF e apareça nesta segunda-feira no 22º lugar. O resultado também já o classifica para o US Open, em setembro. Lembrando que para a composição do ranking juvenil de um tenista são considerados os seis melhores resultados do ano em simples e mais 1/4 da soma entre as seis melhores pontuações em duplas. Esta é sua última temporada no circuito de base, mas ele poderá utilizar esse ranking para entrar em algumas competições profissionais do ano que vem.

Em entrevista ao site Roland Garros Ao Vivo, mantido pela Federação Francesa de Tênis, Pucinelli havia dito no início do torneio que o saibro não era seu melhor piso. “Não é um piso que eu prefiro tanto. Mas estou gostando bastante de jogar o torneio pela primeira vez”, disse após a vitória por duplo 6/4 sobre o francês Valentin Royer ainda na primeira rodada. Na ocasião, ele também destacava que as condições mais rápidas daquele dia o ajudaram. “Achei o jogo um pouco rápido, está mais seco, e consegui sacar bem. Acho que isso foi o diferencial”.

Atleta do Instituto Tênis, Pucinelli esteve acompanhado pelo supervisor técnico Rafael Paciaroni em Roland Garros. O calendário de competições para as próximas semanas já foi definido. Primeiro, ele joga dois futures no saibro. Nesta semana, ele atua em Kaltenkirchen, na Alemanha. Depois vai para Balatonalmadi, na Hungria. Na sequência, fará a transição para a grama. Ele disputa o ITF J1 de Roehampton e segue para Wimbledon. Será sua segunda participação no Slam londrino, onde ele caiu ainda no quali de simples no ano passado, mas alcançou as quartas de final em duplas.

“Tive a experiência no ano passado em Wimbledon e já consegui sentir um pouco a grama. Acho que é um bom piso para o meu estilo de jogo. Gosto de sacar e volear, e subir pra rede. Vou trabalhar muito para ver se eu consigo ir bem na chave de simples”, comentou Pucinelli ao Roland Garros Ao Vivo.

O ponto alto da campanha foi a rodada dupla vencida na última sexta-feira. A parceria sul-americana começou aquele dia vencendo o norte-americano Zane Khan e o chinês Bu Yunchaokete pelas quartas de final por 6/3 e 6/2. Horas depois, também venceram o tcheco Andrew Paulson e o ucraniano Eric Vanshelboim por 6/1 e 6/0. Sobre sua parceria com o argentino Tirante, Pucinelli cita que uma antiga rivalidade favoreceu o entrosamento. “Desde pequenos a gente se conhece. Já jogamos juntos muitas vezes, um contra o outro. Tínhamos uma rivalidade desde os 13 ou 14 anos, mas sempre nos demos bem e o jogo acabou encaixando. Ele tem um saque forte e uma direita forte, e eu ia fechando bem a rede”, falou à página oficial do Grand Slam francês.

Canadá, Dinamarca e Mouratoglou

O torneio juvenil de Roland Garros terminou com títulos para a canadense Leylah Fernandez e o dinamarquês Holger Rune. No sábado, Fernandez venceu a norte-americana Emma Navarro por 6/3 e 6/2, enquanto Rune bateu o também estadunidense Toby Kodat por 6/3, 6/7 (5-7) e 6/0.

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Fernandez é mais um prodígio do tênis canadense. Com excelente trabalho de base feito pela federação nacional nos últimos anos, já surgiram Denis Shapovalov, Felix Auger-Aliassime e Bianca Andreescu. A canhota canadense de 16 anos já havia sido finalista do Australian Open juvenil em janeiro e agora aparece no terceiro lugar do ranking da categoria. Embora não pareça muito alta, Fernadez consegue gerar potência nos golpes dos dois lados, bate reto na bola e consegue entrar na quadra para a definição dos pontos.

Já Rune completou 16 anos em abril e já é o novo número 2 no ranking da ITF. Ele dá o segundo título de Grand Slam juvenil para a Dinamarca só neste ano. Lembrando que em janeiro, Clara Tauson foi campeã na Austrália. O bom momento dos jovens dinamarqueses já havia sido comentado pelo veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen, em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open.

“Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”, afirmou Nielsen, em fevereiro. “Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”.

Outro dado a destacar de Rune é que ele é mais uma cria da academia de Patrick Mouratoglou. Nos últimos anos, a renomada escola francesa formou sete finalistas e cinco campeões de torneios juvenis de Grand Slam. Só em Roland Garros, são três conquistas seguidas no masculino com Alexei Popyrin, Jason Tseng e Holger Rune. Entre as meninas, Cori Gauff foi campeã no ano passado em Paris. Além deles, o próprio Tseng ganhou Wimbledon em 2018, enquanto o italiano Lorenzo Musetti tem um vice no US Open e um título na Austrália.

https://twitter.com/MouratoglouAcad/status/1137416514901086208

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Promessa de 16 anos já acumula 5 títulos em 2019
Por Mario Sérgio Cruz
abril 5, 2019 às 7:09 pm

Enquanto a elite do circuito feminino está sendo marcada por absoluto equilíbrio, com 14 campeãs diferentes em 14 torneios da WTA disputados neste início de ano, a situação não se repete no cenário dos torneios menores. Um dos nomes em franca evolução no começo da temporada é o de Clara Tauson. A dinamarquesa de 16 anos já venceu 12 jogos como juvenil e mais 15 como profissional nos três primeiros meses de 2019 e acumula cinco títulos somando as duas categorias. Com ótimo início de temporada, ela foi convidada para disputar seu primeiro WTA na semana que vem, no saibro de Lugano, na Suíça.

Tauson venceu ainda em janeiro o ITF J1 em Traralgon, na Austrália, competição preparatória para o torneio juvenil do Australian Open. Na semana seguinte, triunfou também em Melbourne. Com doze vitórias seguidas e apenas dois sets perdidos no período, a dinamarquesa somou 1.280 pontos no ranking mundial juvenil, suficientes para que ela saltasse do então quarto lugar para assumir a liderança.

Logo depois de conquistar o Grand Slam australiano, Tauson já passou a mirar sua transição ao profissionalismo. Em um excelente mês de março, venceu dois torneios ITF de US$ 15 mil em Monastir, na Tunísia, e em Xiamen, na China. Também em solo chinês, utilizou o ranking juvenil para entrar no ITF de US$ 60 mil de Shenzhen e terminou a semana com o título mais importante da carreira e 80 pontos no ranking da WTA.

Clara Tauson já venceu 27 jogos neste início de temporada, sendo 12 como juvenil e 15 como profissional, e aparece no 408º lugar do ranking da WTA.

Clara Tauson já venceu 27 jogos neste início de temporada, sendo 12 como juvenil e 15 como profissional, e aparece no 408º lugar do ranking da WTA.

A promessa dinamarquesa venceu três adversárias do top 200 em Shenzhen, a polonesa Magdalena Frech (176ª), a chinesa Jia-Jing Lu (186ª) e a também anfitriã Fangzhou Liu (172ª colocada e adversária da final). Outras vítimas foram a taiwanesa En-Shuo Liang (233ª) e a eslovaca Jana Cepelova, ex-top 50 e atual 247ª do mundo aos 25 anos. Até então sem ranking na WTA desde a virada do ano e a reestruturação do circuito profissional, Tauson saltou para a 408ª posição com o título na China.

Tauson já é a segunda melhor jogadora de seu país na classificação, ficando atrás apenas da ex-número 1 do mundo e atual 13ª colocada Caroline Wozniacki, que está com 28 anos. A jovem jogadora teve até a oportunidade de defender a Dinamarca pela Fed Cup, em fevereiro, sofrendo suas únicas duas derrotas no ano para a russa Natalia Vikhlyantseva e a polonesa Iga Swiatek.

Em entrevista ao site da ITF, Tauson falou sobre seu excelente início de temporada. “Até agora, 2019 foi um ano incrível para mim. Primeiro, eu ganhei dois torneios juvenis na Austrália e agora estou muito grata e feliz por ter conseguido vencer três torneios seguidos na Tunísia e na China”.

“Todas as vitórias são especiais, na minha opinião. No entanto, vencer o Australian Open é particularmente especial, já que eu sonhava em ganhar um Grand Slam desde que era uma garotinha. Tornar-se a número 1 no ranking juvenil da ITF também é incrível. Mas o torneio em Shenzhen foi, naturalmente, meu primeiro grande desafio em nível profissional”, avalia a jovem dinamarquesa.

A atleta de 16 anos também falou sobre as diferenças entre os dois circuitos e sobre suas metas para o restante da temporada. “De uma perspectiva física, você está competindo com jogadoras que estão há muito tempo em torneios profissionais. É bom para o meu desenvolvimento, pois aprendo muito a cada dia ao enfrentar jogadoras mais fortes e experientes. ”

“Meu objetivo para esta temporada é principalmente para melhorar meus fundamentos em todos os níveis. Sempre há algo para melhorar no tênis”, disse a dinamarquesa, que não está visando um ranking específico nesta temporada. “Espero disputar muitos torneios profissionais em um nível mais alto para descobrir o quão longe estou no meu desenvolvimento e onde especificamente eu preciso melhorar”.

Tauson faz parte de uma promissora nova geração de jogadores da Dinamarca. Dois jovens de 15 anos, Holger Rune e Elmer Moller, já estão no top 100 do ranking mundial juvenil da ITF e enfrentam adversários até três anos mais velhos. Além deles, Mikael Torpegaard está com 24 anos e ocupa o 229º lugar no ranking da ATP, enquanto Benjamin Hannestad tem 22 anos e disputa o circuito universitário norte-americano. Em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open, o veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen falou sobre os jovens jogadores de seu país.

“Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”, afirmou Nielsen. “Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”.

“Torpegaard é provavelmente o melhor jogador que temos agora. É muito bom que tenhamos um jogador consolidado no masculino e que possa abrir caminho para os mais jovens nos próximos anos”, avaliou. “Esses jovens são extraordinariamente bons, e mesmo os que estão um pouco atrás deverão ter a chance de ir para a faculdade. Temos o potencial para novas estrelas e também para outros jogadores muito bons e sólidos”.