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Raio-X dos juvenis brasileiros nos Grand Slam em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 11, 2017 às 10:49 pm

O fim do US Open também representou o término da participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam. Assim como feito no ano passado, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Para os resultados do ano passado, clique aqui.

Foram apenas cinco vitórias brasileiras em chaves principais de simples, ainda assim três a mais que as do ano passado, mas os resultados positivos foram obtidos por só dois nomes: Thiago Wild venceu três jogos em Roland Garros e foi às quartas, enquanto Thaísa Pedretti avançou uma rodada em Paris e outra em Wimbledon.

Wild e Pedretti também estiveram em quadra nas únicas vitórias brasileiras em duplas, três para cada um. Ao todo, então, o Brasil acumulou apenas onze vitórias entre simples e duplas, nas chaves masculinas e femininas dos Grand Slam juvenis.

Quanto ao número de jogadores, houve mínimo aumento em relação ao ano passado nas chaves principais: Wild e Pedretti tiveram a companhia de João Lucas Reis, Gabriel Décamps e Matheus Pucinelli. No ano passado, foram quatro nomes, todos do masculino.

geral correto

Entre os quatro meninos que jogaram chaves principais de Grand Slam, apenas Décamps está no último ano de juvenil. O paulista que completou 18 anos em agosto segue para o circuito universitário americano e frequentará a University of Southern California (USC).

O Brasil tem hoje quatro juvenis entre os cem do mundo no masculino, sendo que Décamps não continuará no circuito na próxima temporada. Thiago Wild (17º do ranking) e Igor Gimenez (73º) vão para o último ano de juvenil. Já Matheus Pucinelli, que é nascido em 2001, tem mais duas temporadas.

Os três nomes conseguir vagas nos Grand Slam do ano que vem. Mateus Alves, João Lucas Reis e Gilbert Klier estão próximos do top 100 e precisam de bons resultados, em especial na Gira Sul-Americana do início do ano, para conseguir disputar os maiores torneios da temporada. Dos oito brasileiros entre os 250 do mundo e treze entre os 500, três estão no último ano como juvenil.

RANKING

Depois de um ano sem participação feminina, o Brasil voltou a ser representado este ano. Entretanto, apenas Thaísa Pedretti que está no último ano de juvenil pôde disputar os Grand Slam. A jogadora que completou 18 anos em maio treina no Instituto Tênis, em São Paulo, e deverá seguir para as competições profissionais no próximo ano.

Entretanto, é provável que o cenário de 2016 se repita na próxima temporada. Afinal, as três primeiras brasileiras no ranking completaram 18 anos em 2017. Além disso, somente oito brasileiras estão entre as 500 melhores da categoria. A mineira Marina Figueiredo, de 17 anos e que está atualmente no 189º lugar, é hoje a primeira colocada entre as atletas nacionais que seguirão no juvenil.ranking-feminino

ÚLTIMOS ANOS

AO

AUSTRALIAN OPEN – Assim como aconteceu na temporada passada, nenhum jogador brasileiro disputou o Grand Slam australiano. Além do fato de ser uma viagem cara e difícil de ser encaixada com uma série maior de torneios, houve este ano uma mudança com relação aos torneios da Gira Sul-Americana no saibro. Com a antecipação dos eventos, que antes aconteciam entre fevereiro e março, para os dois primeiros meses do ano, nenhum juvenil sul-americano foi para a Austrália este ano. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

RG

ROLAND GARROS – Assim como em 2016, seis juvenis brasileiros estiveram em Paris. Mas se no ano passado houve quatro jogadores nas chaves principais, desta vez apenas Thiago Wild e Thaísa Pedretti conseguiram entrar diretamente.

Pelo terceiro ano seguido, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris, mas diferente do que havia acontecido em 2015 com Gabriel Décamps e 2016 com Rafael Wagner, o mineiro João Ferreira e a paranaense Nathalia Gasparin não conseguiram passar pela fase final contra campeões da China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e Japão.

O paranaense Thiago Wild venceu três jogos e só caiu nas quartas de final contra o cabeça 1 sérvio Miomir Kecmanovic. A campanha de Wild foi a melhor do Brasil desde 2014, quando Orlando Luz foi semifinalista de simples, enquanto Marcelo Zormann chegou às quartas. Nas duplas, Thaísa Pedretti venceu dois jogos, ao lado da colombiana Maria Camila Osório Serrano e também fez quartas. Há três anos, Luisa Stefani foi semifinalista de duplas em Paris.

WIM
WIMBLEDON – Assim como aconteceu na temporada passada, o Brasil só teve uma vitória em simples no Grand Slam britânico. Em 2016, coube a Felipe Meligeni Alves avançar uma rodada, enquanto este ano Thaísa Pedretti venceu um jogo. No qualificatório, o pernambucano João Lucas Reis venceu dois jogos e entrou na chave.

O melhor resultado recente em simples foi de Beatriz Haddad Maia, hoje 70ª do ranking da WTA aos 21 anos. Em 2013, Bia esteve nas oitavas e só caiu para a croata Ana Konjuh, que chegou ao top 20 em julho e está no 40º lugar. Nas duplas, o Brasil comemorou o título em 2014 com a parceria de Orlando Luz e Marcelo Zormann.

USO

US OPEN – O Grand Slam americano foi o que contou com a maior participação brasileiras. Foram quatro nomes em chaves principais (três meninos e uma menina) e mais quatro no qualificatório (de novo, com três para uma).

Lembrando que uma das vagas na chave veio por Special Exempt, após Matheus Pucinelli, que disputaria o quali em Nova York, conseguir uma boa campanha no ITF G1 de Quebec na semana anterior ao ser finalista do forte torneio canadense.

O Brasil não teve bons resultados em simples, com eliminações na estreia de todos os representantes. No qualificatório, somente Igor o paulista Gimenez chegou a avançar uma rodada. O resultado mais expressivo veio nas duplas, com a semifinal de Thiago Wild ao lado do argentino Sebastian Baez.

Wild tentava colocar o Brasil na terceira final de US Open nos últimos quatro anos. Na última temporada, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Aguilar. Foi a primeira vez que um jogador brasileiro ganhou um título juvenil no Slam americano. Em 2014, João Menezes e Rafael Matos foram vice-campeões.

O que esperar do juvenil em Roland Garros?
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2016 às 1:48 pm

A chave juvenil de Roland Garros começa neste domingo e é sempre difícil apontar favoritos em um Grand Slam na categoria. Pouco se consegue ver esses garotos jogarem durante o ano e a análise se pauta muito mais em resultados. Também é importante lembrar que uma boa posição no ranking pode ser construída por diferentes caminhos, inclusive por torneios mais fracos. E por último, porque há jogadores não tão bem colocados por já priorizarem o circuito profissional.

Entretanto, o nome do grego Stefanos Tsitsipas é destaque para além da liderança do ranking mundial da categoria e a condição de cabeça 1 do torneio. Ele vem de dezesseis vitórias seguidas, sendo campeão do Trofeo Bonfiglio em Milão há uma semana, intercalado por dois títulos de future no saibro italiano. São três semanas seguidas só de vitórias.

Blanch (esq) tem bom histórico no saibro, Tsitsipas vem de 16 vitórias

Blanch (esq) tem bom histórico no saibro, Tsitsipas vem de 16 vitórias

Há outros bons nomes na chave como o canhoto canadense Denis Shapovalov, que já venceu dois futures em 2016 e fez uma semi de challenger aos 17 anos, mas teve melhores resultados na quadra dura. O agora espanhol Nicola Kuhn (nasceu na Áustria e jogava pela Alemanha), treina na academia de Juan Carlos Ferrero há bastante tempo. Já o cabeça 3 americano Ulyses Blanch, que treina na Argentina, tem bom saque, jogo agressivo e bom histórico no saibro.

O (agora) espanhol Nicola Kuhn treinou com o staff de Raonic durante a semana.

O (agora) espanhol Nicola Kuhn treinou com o staff de Raonic durante a semana.

Chama atenção o caso de Orlando Luz, que decidiu jogar em Roland Garros pela terceira vez seguida. Não, o gaúcho não está “baixando de categoria” ou “voltando ao juvenil”. Ele apenas entrou em uma chave de Grand Slam no ano em que completou 18. A prioridade de seu calendário já são os torneios de nível future, tanto que jogou um na semana passada e jogará outro logo depois de Paris.

As oportunidades que você tem em termos de treinamento e intercâmbio num Grand Slam juvenil, ainda mais para alguém de fora do eixo Europa-Estados Unidos, são muito valiosas. É fato que ele precisa evoluir, ganhar ritmo de jogo e subir no ranking profissional. Mas future de US$ 10 mil tem o ano inteiro, inclusive na semana do Natal se ele quiser jogar, é perfeitamente compreensível encaixar um Grand Slam juvenil no calendário. Eu no lugar dele faria o mesmo.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlando Luz não está “voltando ao juvenil”, apenas entrou na chave de um Grand Slam, o que é normal.

Não é o primeiro, nem será o último jovem a fazer essa escolha. Nos últimos anos, tem sido mais comum no feminino, já que Elina Svitolina, Eugenie Bouchard e Annika Beck entraram em chaves juvenis de Slam, num momento que já eram profissionais. Thiago Monteiro fez o mesmo em 2012, quando jogou só Roland Garros e US Open. Na própria chave de Roland Garros, há exemplo do cabeça 2 húngaro Mate Valkusz que liderou o ranking juvenil por algumas semanas este ano, mas só jogou juvenil no Australian Open.

Orlando fez a lição de casa na estreia contra o francês Louis Tessa e agora irá enfrentar o canadense Felix Auger Aliassime, jogador que é dois anos mais novo, mas já tem vitórias em challenger e no ano passado liderou seu país para o título da Copa Davis Juvenil (campeonato para atletas de até 16 anos).

Entre os quatro brasileiros, Gabriel Décamps é quem tem a chave mais interessante, com possibilidade de encontrar o bom sacador americano Ulyses Blanch nas oitavas de final. Os dois chegaram a se enfrentar no Banana Bowl em março, com vitória Blanch que seria campeão do torneio. Felipe Meligeni Alves estreia já contra um cabeça de chave, o sétimo favorito Yunseong Chung, enquanto Rafael Wagner pode cruzar o caminho do cabeça 1 logo na segunda rodada.

Começam os principais eventos da Gira Europeia Juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
maio 11, 2016 às 9:10 pm

Ao mesmo tempo em que os olhos do tênis mundial estão voltados para Roma nesta semana, com disputa de um Masters 1000 e um WTA Premier, o circuito juvenil também tem uma parada importante no saibro italiano. O tradicional torneio Città Di Santa Croce, que este ano chega à sua 38ª edição, dá início à série de competições mais importantes no saibro que vai até o término de Roland Garros.

O Santa Croce é um torneio nível G1 do circuito de 18 anos da ITF, que dá 150 pontos ao campeão. A Gira Europeia seguirá na Itália por mais uma semana, com a disputa do 57° Trofeo Bonfiglio em Milão. O evento vencido pelo gaúcho Orlando Luz em 2015 é da categoria GA com 250 pontos para o vencedor, além de um bônus na pontuação a partir de oitavas de final.

O último torneio preparatório para o segundo Grand Slam do ano será o Astrid Bowl, na cidade belga de Charlenoi. Ele acontece simultaneamente à primeira semana de Roland Garros, já que os torneios juvenis em Grand Slam acontecem a partir da segunda semana. Em Paris, os jovens lutam por 375 pontos, sendo 250 pelo nível do torneio (GA) e outros 125 em bônus.

Os brasileiros não foram bem no Santa Croce, já que Felipe Meligeni Alves e Lucas Koelle caíram logo na rodada de estreia e para jogadores da casa, além de Thiago Wild e Arion dos Reis que se despediram ainda durante o qualificatório. Nas próximas semanas, o paulista Gabriel Décamps deve se juntar à equipe brasileira na Europa.

A chave feminina do Santa Croce já começou com surpresas, com as eliminações da britânica Katie Swan e a canadense Charlotte Robillard-Millette. As cabeças 1 e 2 do torneio estiveram há pouco tempo no ITF Juniors Masters na China e resultados expressivos. A melhor cabeça de chave já nas quartas é a britânica Emily Appleton, finalista do Banana Bowl e sexta pré-classificada na Itália.

Uma conquista em boa hora para Felipe Meligeni
Por Mario Sérgio Cruz
março 29, 2016 às 5:33 pm

Um título é sempre bem vindo, mas o momento e as circunstâncias que ele ocorre podem representar importância ainda maior. A conquista de Felipe Meligeni Alves no Campeonato Sul-Americano Individual Juvenil no último sábado é um bom exemplo para este caso.

Adição recente no calendário, o torneio foi criado em 2011 e teve cinco edições na Bolívia antes de mudar este ano para o saibro argentino de Mar Del Plata. Embora não seja um evento tradicional como as principais competições do circuito, é muito valioso em termos de pontuação.

Os melhores juvenis sul-americanos disputavam entre 180 pontos no ranking de 18 anos da ITF. Isso é mais que os 150 de um título de torneio G1 (como o Banana Bowl) e o mesmo que um vice-campeonato em torneio GA (caso do Campeonato Internacional de Porto Alegre). Sem a concorrência de escolas europeias, americanas e japonesas.

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

A conquista rendeu 57 posições e fez com que Felipe se tornasse o 35º no ranking mundial juvenil. Bater um recorde pessoal é muito bom, mas mais importante que isso é poder entrar diretamente nas chaves dos principais torneios na Europa, o que inclui Roland Garros e Wimbledon. No período entre maio e julho acontecem competições tradicionais no saibro e na grama, como Santa Croce, Milão, Charlenoi e Rohampton que distribuem muitos pontos e contam com os melhores juvenis do mundo, que estarão no Grand Slam semanas depois.

Para quem está com 18 anos e ainda em fase de transição do circuito juvenil para o profissional, faz uma diferença enorme saber com antecedência se você vai entrar diretamente nas chaves ou disputar os qualis. O primeiro fator é a gratuidade na hospedagem dos torneios ITF que for disputar. A redução nos gastos é considerável e há uma segurança maior para planejar as datas das viagens. Nesta fase da carreira qualquer incentivo extra-quadra é vital para a continuidade.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

Além do título de Meligeni, o Brasil colocou Lucas Koelle e Thaísa Pedretti nas quartas de final de suas respectivas chaves, enquanto a paranaense Nathalia Gasparin foi finalista de duplas. Koelle que ganhou seis posições e agora é 57º deve se juntar a Meligeni e Gabriel Décamps nos torneios europeus.

Outro destaque fica para o pernambucano João Lucas Reis, que depois de disputar o Banana Bowl e o Internacional de Porto Alegre na categoria 16 anos, onde conseguiu um vice-campeonato e uma semi, chegou até as oitavas em um torneio de 18 e só perdeu para o campeão. Reis, que completou seu 16º aniversário no último sábado, já disputou até três qualis de future nos Estados Unidos, em janeiro.

Sinal amarelo para a participação das meninas, já que apenas Pedretti conseguiu avançar mais que uma rodada. Essa mesma geração, com Nathalia Gasparin e Marcelle Cirino, há menos de um ano foi campeã Sul-Americana por equipes na categoria 16 anos, vencendo quatro dos cinco confrontos por 3-0 e um por 2-1. As adversárias eram praticamente as mesas. As brasileiras também em nono lugar na última Fed Cup juvenil, sendo as melhores do continente. O trabalho está sendo feito, então chama atenção quando acontecem quedas precoces.