Tag Archives: Francesca Jones

Andreescu e Swiatek lideram nova geração feminina
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 5, 2021 às 6:46 pm
Bianca Andreescu está de volta ao circuito depois de um ano e quatro meses

Bianca Andreescu está de volta ao circuito depois de um ano e quatro meses

Duas campeãs de Grand Slam lideram a nova geração feminina no Australian Open, que começa na próxima segunda-feira. Mas Bianca Andreescu e Iga Swiatek chegam a Melbourne em momentos muito distintos de suas carreiras. A canadense foi campeã do US Open em 2019 e está retornando às competições depois de um longo afastamento, já a polonesa terminou o ano passado com o título de Roland Garros e quer manter sua franca evolução.

Campeã do US Open de 2019, Andreescu está com 20 anos e é a atual número 8 do mundo. Ela volta ao circuito depois de um ano e quatro meses. O Australian Open será seu primeiro torneio desde o WTA Finals de 2019, quando sofreu uma lesão no joelho esquerdo. Com o calendário de 2020 bastante prejudicado pela pandemia da Covid-19, a jovem jogadora achou melhor focar na preparação para 2021.

A canadense teve o azar de chegar a Melbourne em voo com duas pessoas contaminadas pela Covid-19, uma delas era o seu técnico Sylvain Bruneau. Com isso, fez parte do grupo de 72 tenistas (vindos de três voos) que ficaram em rígida quarentena por 14 dias, sem acesso às quadras de treino. A WTA chegou a criar um torneio só para as jogadoras que ficaram em completo isolamento por duas semanas, mas Andreescu preferiu não jogar e utilizar essa semana para treinar.

Muita dor, mas sem pressão

“Eu sei que vou estar dolorida para caramba depois da minha primeira partida. Isso é certo. E não estou nada ansiosa por isso”, disse Andreescu, que estreia no Australian Open contra a canhota romena Mihaela Buzarnescu. “Quando joguei meus primeiros sets de treino já fiquei toda dolorida no dia seguinte”.

“Todas as emoções e toda a adrenalina vão ser um pouco mais enfatizadas. Obviamente, eu não jogo há muito tempo. Não sei como vou estar. Mas provavelmente ficarei muito mais nervosa do que o normal”, acrescenta a canadense, que pode enfrentar a taiwanesa Su-Wei Hsieh ou a búlgara vinda do quali Tsvetana Pironkova na segunda rodada. Já Venus Williams, Qiang Wang, Sara Errani e Kirsten Flipkens podem pintar na fase seguinte.

Por outro lado, Andreescu pode dizer que chega a um Grand Slam sem pressão alguma por resultados. “Eu sinto que não tenho muita pressão sobre meus ombros. Sim, eu sou cabeça de chave, mas estou sem jogar há muito tempo. Eu só quero ir até lá e jogar. Tenho em mente de que preciso ser muito grata só por estar na quadra de novo”.

Vida nova para a campeã Iga Swiatek

Iga Swiatek disputa seu primeiro Grand Slam desde o título de Roland Garros

Iga Swiatek disputa seu primeiro Grand Slam desde o título de Roland Garros

Iga Swiatek desembarcou em Melbourne numa situação muito diferente da que havia chegado a Paris em setembro do ano passado. A polonesa deu um salto do 54º para o 17º lugar depois do título em Roland Garros e sabe que terá que lidar com uma carga emocional diferente. Logo no primeiro jogo da temporada, em que venceu a eslovena Kaja Juvan por 2/6, 6/2 e 6/1 pelo Gippsland Trophy, Swiatek comentou que o controle dos nervos foi fundamental para a vitória.

“Com certeza, o início foi difícil. Eu sentia que não conseguia me concentrar muito bem e minha cabeça não estava no lugar certo”, disse ao site da WTA. “Eu não diria que estava nervosa, mas me senti estressada de uma maneira diferente. Estava muito lenta no início do jogo, mas não foi a primeira partida que me senti assim. Às vezes eu estava chegando atrasada para muitas bolas e não estava jogando tênis consistente. Mas estou muito feliz por ter sido paciente o suficiente para mudar isso e não ficar com raiva”.

https://twitter.com/iga_swiatek/status/1357300057750466564

A polonesa acabou caindo nas oitavas do torneio preparatório para o Australian Open, superada pela russa Ekaterina Alexandrova por 6/4 e 6/2. Depois do jogo, mostrou plena consciência de que precisa assimilar lições da derrota. “Nem sempre as coisas são brilhantes. Com certeza esse jogo vai ficar comigo. Às vezes você sabe como e o que fazer, mas quando você pisa na quadra, há estresse e muita luta. Vou me recuperar e fazer melhor”.

A estreia de Swiatek no Australian Open será contra a holandesa Arantxa Rus. Em caso de vitória, pode enfrentar a italiana Camila Giorgi ou a cazaque Yarolasva Shvedova. A cabeça de chave mais próxima é também cazaque Elena Rybakina, de 21 anos. Já nas oitavas, há possibilidade de um reencontro com a número 2 do mundo Simona Halep, a quem eliminou na mesma fase da campanha vitoriosa em Roland Garros.

Gauff é a caçula, Fernandez e Kostyuk tiveram bons resultados


Como de costume, a norte-americana de 16 anos Coco Gauff será a caçula do torneio e estreia contra a suíça Jil Teichmann. Elas já se enfrentaram nesta semana pelo Gippsland Trophy e Gauff venceu uma batalha de 2h45 por 6/3, 6/7 (6-8) e 7/6 (7-5). “Honestamente, acho que a chave apenas foi positiva mentalmente. Acho que também que todo o treinamento que fiz na pré-temporada me deixou capaz de jogar três sets difíceis e não me sentir tão cansada”.

A canadense de 18 anos Leylah Fernandez vem de uma vitória sobre Sloane Stephens em Melbourne e terá uma estreia difícil diante da top 20 belga Elise Mertens. Já a ucraniana de 18 anos Marta Kostyuk, 78ª do ranking, está de volta ao Australian Open três temporadas depois de uma incrível campanha desde o quali até a terceira rodada. Ela começou a temporada chegando à semifinal do WTA 500 de Abu Dhabi e estreia no Slam australiano contra a russa Veronika Kudermetova.

Seis jovens promessas furaram o quali

Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

A nova geração do circuito feminino mostrou força no qualificatório, disputado em Dubai. Ao todo, seis jovens jogadoras com até 21 anos conseguiram suas vagas na chave principal. Um dos destaques é a eslovena Kaja Juvan, que já vai disputar seu sexto Grand Slam com apenas 20 anos e desafia a britânica Johanna Konta na estreia. Também furou o quali foi a norte-americana de 18 anos Whitney Osuigwe. A filha de imigrante nigeriano e 163ª do ranking já vai para o quinto Slam da carreira e enfrenta a chinesa Lin Zhu.

Outras jovens jogadoras que passaram pelas três rodadas da fase prévia são a sérvia Olga Danilovic, a francesa Clara Burel, a italiana Elisabetta Cocciaretto (todas de 19 anos) e a britânica de 20 anos Francesca Jones. Essa última, aliás, nasceu com uma síndrome rara chamada displasia ectrodactilia ectodérmica e tem apenas quatro dedos em cada mão. Ela chegou a ser aconselhada por médicos a não jogar tênis. Jones, que disputará seu primeiro Slam, estreia contra a norte-americana Shelby Rogers.

Britânica com síndrome rara conquista título profissional
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2018 às 11:31 pm

Com apenas 17 anos, Francesca Jones é protagonista de uma das mais bonitas histórias de superação do tênis feminino. A jovem britânica sofre de uma doença chamada displasia ectodérmica e nasceu com apenas o polegar e mais três dedos em cada uma das mãos, além de possuir apenas sete dedos nos pés. Nada disso a impede de seguir sua carreira no circuito e até mesmo conquistar títulos como profissional.

No último sábado, Jones foi campeã do ITF de US$ 15 mil disputado no saibro argentino. O segundo troféu de sua carreira veio após uma vitória sobre a anfitriã Victoria Bosio por 4/6, 6/4 e 6/2 na decisão. A britânica ainda passou por duas brasileiras durante a semana, a paulista Carolina Meligeni Alves e a brasiliense Alice Garcia.

Francesca Jones, de 17 anos, venceu torneio no saibro argentino (Foto: Daniel Corujo)

Francesca Jones, de 17 anos, venceu torneio no saibro argentino (Foto: Daniel Corujo)

Jones, que havia conquistado seu primeiro troféu em Assunção no ano passado, está com o melhor ranking da carreira ao ocupar o 664º lugar. Ela irá subir ainda mais na próxima segunda-feira, quando os doze pontos conquistados na Argentina forem computados. Como juvenil, foi 31ª do mundo e está atualmente na 97ª posição, mas encerrou sua trajetória em Wimbledon na temporada passada.

“Minha síndrome é algo que realmente me ajudou a ser a pessoa que sou hoje”, disse Jones ao jornal The Daily Telegraph durante sua participação na chave juvenil de Wimbledon em 2016. “Até certo ponto, estou feliz por tê-la, porque me fez quem eu sou. Espero que isso me ajude a alcançar um futuro de sucesso. Eu não teria começado a jogar tênis tão competitivamente quanto agora ou ter a mesma motivação para o futuro sem ela. Isso faz uma grande diferença no lado mental”.

“Não me importo de ser definida por isso, porque é algo de que eu estou realmente orgulhosa. Não vou deixar isso me decepcionar porque não é negativo. Qualquer um que tenha algum tipo de síndrome pode tentar o seu melhor, seja o que for que estiver fazendo. Muitas pessoas já me criticaram e disseram coisas desagradáveis. Isso só me motiva mais”, complementou a jovem britânica.

Também em 2016, Jones falou ao jornal Daily Mail sobre as adaptações que teve que fazer em seu jogo. “Quando eu era mais nova, eu jogava com um grip muito fino, que precisavam raspar para que eu pudesse segurar a raquete. Quando minhas mãos ficaram maiores, eu já podia jogar com uma empunhadura mais normal. Meu forehand hoje é muito bom por causa do tanto que eu precisei trabalhar nele”.

‘Fiz três operações em doze meses no meu punho e certamente tive mais de dez operações na minha vida, provavelmente quinze. Eu estava morando em um hospital quase quando eu era jovem”, afirmou a jogadora que tinha apenas 15 anos na época das entrevistas aos jornais britânicos.

Neozelandês tem um ponto – Em setembro do ano passado, o neozelandês Alex Hunt se tornou o primeiro jogador com deficiência física permanente a marcar um ponto no ranking da ATP ao avançar uma rodada num future em Guan. A história foi internacionalmente difundida. Aqui no Brasil, foi relatada em reportagem do canal por assinatura SporTV, em matéria de Manuela Franceschini direto da Austrália. Confira no site da emissora.

Juvenil brasileira jogou em situação parecida – No início da década, a brasiliense Thalita Rodrigues se destacou no Circuito Nacional Infanto-Juvenil em condições parecidas com as de Hunt. Ela nasceu sem o antebraço esquerdo, após a mãe contrair rubéola durante a gravidez.

A brasiliense Thalita Rodrigues se destacou em competições juvenis no início da década (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

A brasiliense Thalita Rodrigues se destacou em competições juvenis no início da década (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

Treinada pelo pai, Oseias, Thalita chegou a estar entre as principais jogadoras do país no ranking juvenil da CBT, mas disputou poucas competições internacionais de nível ITF entre 2011 e 2012, ano em que atuou nos dois únicos torneios profissionais de sua carreira.