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Com muitos torneios, Itália acelera transição dos jovens
Por Mario Sérgio Cruz
maio 12, 2021 às 11:03 am

Jannik Sinner, de 19 anos e já 18º do ranking, é principal esperança de renovação na Itália

Na semana em que a elite do tênis está reunida em Roma para o Masters 1000 da ATP e um WTA 1000, a renovação de forças na Itália fica ainda mais em evidência. A nova geração do país é liderada pelos promissores Jannik Sinner e Lorenzo Musetti no circuito masculino, além de Elisabetta Cocciaretto como destaque entre as mulheres. Em comum entre eles estão as oportunidades recebidas em um país que sedia muitos torneios por ano e acelera a transição de seus jovens tenistas.

Além do fortíssimo torneio em Roma, a Itália recebe em 2021 outros dois torneios da ATP 250 (em Cagliari e Parma), além de mais dois WTA 250 (Parma e Palermo). No calendário de challengers, 11 torneios estão previstos até o final de junho (sete em Biella, dois em Roma, um em Milão e Forli), além de quatro torneios ITF masculinos e dois femininos. Na temporada de 2019, a última antes da pandemia, o país recebeu 18 challengers, 24 ITFs masculinos e 32 torneios profissionais femininos.

O país também tem força nos bastidores, especialmente no circuito masculino. Desde o ano passado, a ATP está sob o comando o presidente Andrea Gaudenzi e do CEO Massimo Calvelli. Outro exemplo é troca de sede do ATP Finals. Disputado em Londres desde 2009, o evento entre os oito melhores da temporada será levado para Turim a partir deste ano. Além disso, Milão já recebeu três edições do Next Gen ATP Finals, evento entre os destaques da nova geração.

Musetti jogou praticamente um ano sem sair do país

Lorenzo Musetti recebeu vários convites para challengers na Itália em seu primeiro ano como profissional (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

A evolução de Lorenzo Musetti, que tem apenas 19 anos e já ocupa o 82º lugar do ranking, exemplifica o alto número de oportunidades recebidas. Depois de conquistar o torneio juvenil do Australian Open em janeiro de 2019 e atingir a liderança do ranking mundial da categoria, Musetti iniciou seu período de transição jogando uma série de torneios em seu próprio país.

Ao longo de 2019, Musetti disputou 27 torneios, mas só precisou sair do país para cinco eventos. Ele recebeu convites para challengers italianos em Bergamo, Barletta, Francavilla, Vicenza, Parma, Milão, Recanati, Perugia, San Benedetto, Como, Gênova e Florença. Também jogou challengers entrando diretamente nas chaves em Manerbio, L’Aquila e Cordenons. Depois de começar o ano zerado no ranking profissional, ele terminaria a temporada na 360ª posição e classificado para o quali do Australian Open.

Com uma boa experiência adquirida nessa rotina de torneios profissionais desde muito jovem, o italiano iniciou uma rápida escalada ao longo de 2020 e fez uma temporada consistente em torneios de nível challenger, conquistando seu primeiro título em Forli. Também em seu país, furou o quali do Masters 1000 de Roma e foi semifinalista do ATP 250 da Sardenha, terminando a temporada já na 127ª posição, batendo na porta dos eventos maiores. Com duas finais de challenger no início de 2021 e uma incrível campanha desde o quali até a semifinal do ATP 500 de Acapulco, o italiano rapidamente se firmou no top 100.

Sinner conviveu com grandes nomes desde cedo

Considerado como a principal promessa do tênis italiano, Jannik Sinner também está com 19 anos e já ocupa o 18º lugar do ranking da ATP, com dois títulos de primeira linha e tendo alcançado recentemente a final do Masters 1000 de Miami. Ele recebe convites para torneios profissionais da ITF desde 2016 e já joga challengers desde 2018, quando tinha apenas 17 anos. Naquele ano, recebeu convites para jogar em Gênova, Como, Biella, Ortisei e Andria.

Além disso, Sinner se acostumou a seguir os grandes nomes. Treinado pelo experiente técnico Riccardo Piatti, que já trabalhou com estrelas como Maria Sharapova e Novak Djokovic, o italiano teve a oportunidade de treinar e acompanhar alguns campeões. Ainda muito jovem, já havia treinado com Roger Federer e com a própria Sharapova. Já no início deste ano, durante o período da quarentena na Austrália, passou duas semanas treinando com Rafael Nadal em Adelaide antes do Australian Open.

“Não sou eu que iria explicar para ele as lições do circuito, mas sim pessoas como Nadal ou Maria. Ele precisava ver a mentalidade desses jogadores e Maria foi muito importante para mim e para ele”, disse Piatti, em recente entrevista ao site da ATP. “Você precisa vivenciar esses caras. Eles são simples e muito focados no que estão fazendo e Jannik gosta disso, entende que Rafa é um pouco parecido com ele. A única diferença é que já venceu 20 títulos de Grand Slam”, brincou o treinador. “Acho que aqueles 14 dias foram perfeitos para Jannik, que conseguiu entender bem como funciona a cabeça de Rafa”.

Cocciaretto tenta seguir legado italiano

Elisabetta Cocciaretto, de 20 anos, é a primeira jovem a surgir desde a ‘geração de ouro’ da década passada

A esperança de renovação do tênis feminino italiano está nas mãos de Elisabetta Cocciaretto, jovem de 20 anos e 111ª do ranking. Recentemente, ela disputou sua primeira semifinal de WTA em Guadalajara. E assim como os compatriotas do masculino, também aproveitou as oportunidades que teve em torneios em seu país. Ano passado, recebeu convite para o WTA de Palermo e chegou às quartas de final. Em seus primeiros sete torneios torneios da carreira profissional, ela ganhou convite para seis (todos ITFs W25 na Itália) e avançou pelo menos uma rodada em quatro deles, marcando assim seus primeiros pontos no ranking.

Cocciaretto tenta seguir o legado da geração de ouro da Itália, que teve num curto espaço de tempo Francesca Schiavone, Flavia Pennetta, Roberta Vinci e Sara Errani. Todas foram, no mínimo, finalistas de Slam em simples, com destaque para as conquistas de Schiavone em Roland Garros (2010) e de Pennetta no US Open (2015, superando Vinci na final). “Todas elas são ídolos para mim. Não houve apenas uma que fez muitas coisas importantes em um torneio, foram quatro. E muitas meninas começaram a jogar tênis por causa delas”, disse Cocciaretto ao site da WTA.

Ela destacou, principalmente, a convivência com Sara Errani, ex-top 5 e finalista de Roland Garros em 2012. Errani também foi número 1 de duplas e ganhou cinco Grand Slam ao lado de Vinci. “Sara me deu muitos conselhos. Se eu tivesse um problema ou alguma dúvida, poderia perguntar a ela porque ela é muito, muito legal. Ela não é apenas uma boa jogadora de tênis, mas uma ótima pessoa. Lembro que meu primeiro conselho dela foi na Copa Billie Jean King em 2018. Eu estava com tanto medo, mas ela lembrou que também já foi uma jovem jogadora e já teve os mesmos problemas que eu. Ela me ajudava muito toda vez que eu perguntava algo a ela”, explica a jovem italiana.

“Não conheço muito bem a Vinci, a Schiavone ou a Pennetta. Dizemos um oi, mas nada mais, porque eles se aposentaram antes de eu começar a jogar os torneios. Mas eu me lembro de quando era jovem e sempre assistia aos jogos delas. Assisti Pennetta e Vinci na final do US Open. As coisas que eles fizeram no passado são um sonho para mim. Então farei o meu melhor para repetir o que eles fizeram”.

Cobolli tenta seguir o mesmo caminho

A nova geração italiana já tem mais um nome a caminho dessa transição para a elite do circuito. Flavio Cobolli, que completou 19 anos agora em maio, disputou recentemente sua primeira final de challenger em Roma. Convidado para o torneio como 639º do ranking, ele venceu quatro jogos seguidos e só perdeu para o argentino Juan Manuel Cerundolo, 176º colocado, na final. A campanha rendeu 48 pontos e um salto para a atual 449ª posição. Cobolli já jogou quatro challengers na Itália este ano, dois em Roma e mais dois em Biella. Também atuou em Zadar, na quase vizinha Croácia.