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Geração 2000 chega com nove tenistas às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2022 às 1:31 am

Alcaraz já faz sua melhor campanha em Paris e tenta chegar às quartas em Slam pela 2ª vez (Foto: Loïc Wacziak/FFT)

A nova geração do circuito chega com cada vez mais força ao circuito profissional. Após a primeira semana de disputas em Roland Garros, teremos nove tenistas nascidos a partir de 2000 nas oitavas de final. São cinco na chave feminina, lideradas pela número 1 do mundo Iga Swiatek, e mais quatro no torneio masculino, com destaque para o sexto do ranking Carlos Alcaraz. Também seguem nas chaves Qinwen Zheng, Amanda Anisimova, Leylah Fernandez, Coco Gauff, Jannik Sinner, Felix Auger-Aliassime e Holger Rune.

Swiatek encara jovem chinesa
Swiatek terá um duelo da nova geração contra a jovem chinesa de 19 anos Qinwen Zheng, 74ª colocada. “Ouvi algumas outras jogadoras falando sobre ela. Tenho certeza de que ela merece estar nessa fase, porque está jogando muito bem. Mesmo quando ela perdeu algumas partidas, as pessoas estavam sempre diziam que ela tem talento”, disse a polonesa de 20 anos.

Zheng, que eliminou Simona Halep na segunda rodada e agora passou por Alizé Cornet, faz sua melhor campanha em Slam e projetou o duelo com a número 1. “Ela é uma jogadora maravilhosa e quero muito jogar contra ela. Então, estou empolgada para esta partida. Sei que ela é uma ótima jogadora de saibro e que será uma partida difícil. Vou dar tudo o que tenho”.

Sobre a boa fase no saibro, a chinesa destaca o treinamento na Espanha. “Estou treinando na Espanha há dois anos. E desde que estou aqui, vejo que todo jogador espanhol trabalha muito duro. Tenho melhorado muito, então acho que o trabalho está funcionando em mim e acho que deveria continuar assim”.

Anisimova e Fernandez também duelam
Duas jogadoras que já foram longe em Grand Slam também duelam nas oitavas, a canadense Leylah Fernandez e a norte-americana Amanda Anisimova tentam voltar a ter um grande resultado. Fernandez, de 19 anos, foi finalista do US Open na temporada passada, enquanto Anisimova, de 20 anos, tenta repetir a semi que fez em Paris há três temporadas.

“Acho que depois do US Open eu coloquei um pouco mais de pressão em mim mesma. Isso é normal, porque quero repetir o que fiz no US Open”, disse Fernandez. “Acho que depois dos primeiros torneios, aceitei que não jogaria da mesma maneira todas as vezes. Vou ter que encontrar soluções e continuar trabalhando duro. Ao longo do ano, tenho me apegado a isso e me esforçando todos os dias”.

Mais calma, Gauff tenta repetir as quartas
Uma temporada depois de ter feito sua melhor campanha em Grand Slam, ao chegar às quartas de final de Roland Garros, Coco Gauff está a uma vitória de igualar esse resultado. A jovem norte-americana de 18 anos e atual 23ª do ranking se sente cada vez mais preparada para chegar longe nos grandes torneios, especialmente no aspecto mental. Ela desafia nas oitavas a belga Elise Mertens.

“Acho que agora estou mentalmente melhor do que no ano passado, chegando à segunda semana. Acho que estou muito mais preparada para jogar duas semanas de tênis”, disse Gauff, já projetando o próximo jogo em Paris. “Eu já joguei com ela antes e acho que estou muito mais relaxada do que na minha partida das oitavas do ano passado”.

Alcaraz pensa nos grande nomes
Depois de ter vencido Rafael Nadal e Novak Djokovic na campanha para o título do Masters 1000 de Madri, o jovem de 19 anos Carlos Alcaraz se sente cada vez mais prontos para enfrentar os grandes nomes. Ele pode cruzar o caminho de um deles em uma possível semifinal em Paris. “Se eu continuar vencendo, é possível que enfrente um deles e acho que estou preparado para isso. Claro que aqui são cinco sets, diferente de um Masters 1000, mas ainda assim me sinto pronto”.

Treinado por Toni Nadal, Aliassime desafia Rafa
O duelo entre Rafael Nadal e Felix Auger-Aliassime pelas oitavas de final de Roland Garros terá um interessante personagem fora das quadras. Toni Nadal, tio e ex-treinador do espanhol, é agora o técnico da Aliassime. Toni declarou publicamente que não dará dicas ao canadense sobre como enfrentar Rafa, e que essa foi uma condição prévia para eles começarem a trabalhar juntos no ano passado, e Rafa diz que não veria problema algum se o adversário fosse aconselhado por seu tio.

O canadense também comentou sobre a situação. “Eu não acho que Toni vai me contar algo novo sobre como o Rafa joga. Mas nós tivemos essa discussão desde a primeira vez que começamos a trabalhar juntos. Sabíamos que era uma possibilidade de eventualmente eu enfrentar o Rafa quando estivesse trabalhando com o Toni. Mas acho que o Toni vai assistir de um lugar neutro e aproveitar a partida”.

Sinner e Rune têm jogos duros nas oitavas
O italiano de 20 anos Jannik Sinner, 12º do ranking, desafia o número 7 do mundo Andrey Rublev pelas oitavas. Sinner lidera o histórico de confrontos por 2 a 1 e tenta voltar às quartas em Paris depois de dois anos. Já Holger Rune, de 19 anos e 40º colocado, é o próximo rival do grego Stefanos Tsitsipas, quarto cabeça de chave. O jovem dinamarquês ainda não perdeu sets no torneio e faz sua melhor campanha em Slam. Sua campanha é a melhor de um homem dinamarquês em um Slam desde 1993.

Neste sábado, Rune falou ao entrevista para o ex-número 2 do mundo Alex Corretja ainda em quadra após vencer o francês Hugo Gaston por triplo 6/3 e comentou sobre o estilo pouco ortodoxo do rival, que o trazia para a rede o tempo todo. “Foi um jogo difícil. Hugo é um grande jogador e que consegue fazer golpes muito difíceis. Tenho muito respeito por esse cara e pelo time dele”, disse Rune. “Não é sempre divertido jogar contra ele. Hugo é muito talentoso e te faz correr muito. Mas tive que pensar no meu saque e ser agressivo. Estou muito feliz com meu nível hoje. Foi um jogo duro, mas permaneço focado o tempo todo”.

Boscardin, Pucinelli e Fonseca: Boas notícias dos jovens
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 14, 2022 às 12:18 am

Boscardin conquistou seu segundo título profissional e recebe 15 pontos na ATP

A semana que termina neste domingo trouxe três boas notícias para jovens jogadores brasileiros. Matheus Pucinelli conseguiu a maior vitória da carreira no qualificatório do Rio Open, Pedo Boscardin comemorou o segundo título da carreira profissional, e o juvenil de 15 anos João Fonseca teve uma campanha de destaque no Paraguai.

Convidado para a disputa do quali no Rio, Pucinelli aproveitou da melhor maneira possível sua primeira experiência em um torneio de primeira linha e conseguiu uma inédita vitória sobre um top 100. O jovem paulista de 20 anos e 282º do ranking eliminou o italiano Marco Cecchinato, ex-top 20 e atual 92º colocado, no último sábado.

Pucinelli conseguiu sua primeira vitória contra um top 100 durante o quali do Rio Open (Foto: Fotojump)

“Foi uma experiência única, estava em busca dessa chance de jogar o Rio Open. A quadra 1 é muito legal, o público fica próximo, e poder sentir o apoio das pessoas, torcendo por mim, foi uma sensação boa, emocionante”, disse Pucinelli após a vitória com parciais de 6/7 (5-7), 6/2 e 6/4 em 2h29 de partida. Seu convite veio a após temporada de franca evolução no circuito que ele teve em 2021, saltando da 689ª posição para o 270º lugar.

A campanha de Pucinelli terminou neste domingo, com derrota para o colombiano Daniel Galan, 113º do ranking, por duplo 6/3. Por ter vencido a estreia, diante do italiano Marco Cecchinato, ex-top 20 e atual 92º colocado, Pucinelli fará 10 pontos no ranking a ser divulgado pela ATP em 21 de fevereiro. A tendência é que ele se aproxime da melhor marca da carreira e ganhe confiança após essa importante vitória.

Dobradinha de Pedro Boscardin na Flórida
O catarinense 19 anos Pedro Boscardin teve uma semana perfeita no ITF M15 de Naples, na Flórida, e conquistou títulos de simples e duplas nos Estados Unidos. No sábado, ele havia sido campeão ao lado do experiente pernambucano de 31 anos José Pereira. Já neste domingo, conquistou seu segundo título profissional de simples ao vencer o boliviano Murkel Dellien Velasco, 574º do ranking, por 6/3 e 7/6 (7-5).

“Vitória super boa, estou super feliz. Foi uma semana de muita evolução em simples e duplas. Agora é descansar e me preparar para a próxima semana que tem mais um torneio aqui. Fico muito feliz com meu primeiro título fora do Brasil”, disse o catarinense.

O título rende 15 pontos na ATP para Boscardin, no ranking a ser divulgado em 21 de fevereiro, quando ele terá seu novo recorde pessoal. Ele aparece atualmente no 665º lugar do ranking, apenas quatro posições abaixo de sua melhor marca. Este foi seu segundo título, sendo que no ano passado ele triunfou em Rio do Sul.

Fonseca emendou sete vitórias seguidas

Fonseca foi finalista de um ITF J1 no Paraguai e vai dar um salto no ranking mundial juvenil

Mas a principal surpresa da nova geração brasileira na semana veio com o carioca de 15 anos João Fonseca, que encerrou sua boa semana com o vice-campeonato do torneio no Paraguai que vale 300 pontos no ranking mundial juvenil. Vindo do quali, ele venceu sete jogos seguidos no torneio e só perdeu a final para o eslovaco Peter Nad, de 18 anos e 78º do ranking, por 6/2 e 6/4.

Fonseca é o atual 264º colocado no ranking mundial juvenil e a campanha até a final rendeu 210 pontos no ranking da Federação Internacional. Ele deve se firmar entre os 130 melhores juvenis do mundo, em ranking que considera jogadores de até 18 anos. Na próxima semana, não disputará torneios, mas terá uma experiência ainda mais enriquecedora, será sparring dos profissionais de alto nível no Rio Open.

Começa o Juvenil de Porto Alegre. Logo depois vem o Banana Bowl
O Sul do Brasil recebe seus dois principais torneios infanto-juvenis da temporada na próxima semana. Terá início nesta segunda-feira a chave principal do Brasil Juniors Cup. As disputas na categoria 18 anos terão início na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre (RS). As categorias 12, 14 e 16 anos serão realizada na Sogipa, também na capital gaúcha.

Depois, será a vez de Criciúma (SC) receber os talentos do tênis, a partir do dia 19, para a disputa do Banana Bowl no clube Mampituba. As listas de inscritos contam com 11 jogadores no top 30 dos rankings mundiais juvenis masculino e feminino. A paulista Ana Candiotto entrou diretamente nas duas chaves, mas outros atletas brasileiros jogam por meio de convite ou após passarem o quali.

Saiu o primeiro ATP de Aliassime!

Era uma questão de tempo para um jogador tão promissor, mas o jejum de títulos de Felix Auger-Aliassime já vinha incomodando. Top 10 aos 21 anos, o canadense vinha de oito vice-campeonatos até finalmente conquistar o título em Roterdã. Teve uma atuação de gala na vitória sobre Stefanos Tsitsipas por 6/4 e 6/2 e não enfrentou break points neste domingo.

Após a partida, resumiu seus sentimentos em duas palavras: Alívio e maturidade. “É um grande alívio. Eu tinha dúvidas, medos, e às vezes me estressava. Mas agora é um grande alívio não ter que ouvir mais sobre essas finais. Agora posso jogar ainda mais livremente quando se trata das últimas partidas dos torneios”, afirmou o canadense. “Este ano, me sinto mais maduro. Sinto que sou um jogador melhor do que nos anos anteriores, quando joguei as outras finais”.

Mais um troféu para Brenda Fruhvirtova

Brenda Fruhvirtova derrotou Carol Meligeni na semana passada e agora venceu mais um título na Argentina

A juvenil tcheca de 14 anos Brenda Fruhvirtova emendou uma sequência de dez vitórias seguidas nas duas últimas semanas e conquistou dois títulos profissionais ITF W25 em Tucuman, na Argentina. Campeã na semana passada, depois de derrotar a brasileira Carol Meligeni na final, Fruhvirtova ganhou mais um título neste domingo. Desta vez, superou a argentina Paula Ormaechea, ex-top 60 e atual 177ª do ranking, por 6/3, 1/6 e 6/4.

Fruhvirtova é a atual número 4 do ranking mundial juvenil e, por enquanto ocupa o 1.078º lugar na WTA. Mas os dois títulos seguidos vão render cem pontos para ela, os primeiros 50 já nesta segunda-feira e outros 50 na semana que vem. Como ela já tinha 66 pontos na WTA, conquistados no ano passado, já deve se aproximar da 350ª posição do ranking.

Nova geração: As perspectivas e lições das derrotas
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 22, 2022 às 4:50 pm

Aliassime chega às oitavas de final do Australian Open pelo segundo ano seguido e busca sua melhor campanha em Melbourne (Foto: Peter Staples/ATP)

A primeira semana de jogos do Australian Open chegou ao fim neste sábado, com a definição dos últimos classificados para as oitavas de final. A nova geração do tênis segue representada por Amanda Anisimova, Iga Swiatek, Jannik Sinner e Felix Auger-Aliassime, que falaram sobre suas perspectivas para a sequência na competição. Já nomes como Emma Raducanu, Carlos Alcaraz e Leylah Fernandez, eliminados ainda na primeira semana de jogos, comentaram sobre as lições de suas derrotas.

Anisimova derrubou Osaka e desafia a número 1

Responsável por eliminar Belinda Bencic e Naomi Osaka em Melbourne, a norte-americana Amanda Anisimova volta a uma segunda semana de Grand Slam pela primeira vez desde 2019, ano em que foi semifinalista de Roland Garros. A jovem jogadora de 20 anos e atual 60ª do ranking desafia na próxima segunda-feira número 1 do mundo Ashleigh Barty. Ela perdeu o único duelo anterior contra a australiana, justamente na semi de Paris há dois anos e meio.

“Ela é uma jogadora incrível. Eu me espelho muito nela. Amo o jogo dela, ela é muito consistente uma campeã. Então vai ser emocionante enfrentá-la. Vai ser outra oportunidade incrível para mim. Vou voltar para a quadra de treinos amanhã e trabalhar no meu jogo e tentar me dar a melhor chance contra a Ash”, disse Anisimova, após a vitória sobre Osaka por 4/6, 6/3 e 7/6 (10-5) na última sexta-feira. A norte-americana chegou a salvar dois match points.

Swiatek mantém regularidade em Grand Slam

Desde que conquistou seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros, no fim de 2020, a polonesa Iga Swiatek mantém uma regularidade em torneios importantes e segue imune às eliminações precoces. Ela foi a única tenista a atingir as oitavas em todos os quatro Grand Slam do ano passado e já repete a dose no início este ano.

A atual número 9 do mundo ainda não perdeu sets no caminho até as oitavas, fase que alcança pela terceira temporada seguida. Após a vitória deste sábado sobre a russa Daria Kasatkina por 6/2 e 6/3, deixou bem claro que é hora de ir além. “Com certeza estar nas quartas de final seria diferente. Nessa fase, você pode ver que as jogadoras já estão no ritmo e você provavelmente enfrenta ou uma cabeça de chave ou alguém que ganhou de uma cabeça de chave. Então, esses jogos são de um nível mais alto, eu diria. Mas com certeza os primeiros também são difíceis porque você tem que ganhar ritmo”.

“Essa série de resultados está me dando muita confiança. Ter essa consistência foi meu objetivo para o ano passado. É claro que em alguns torneios eu quero vou fazer algo maior do que as oitavas. Mas, por outro lado, não quero me concentrar nisso, porque estou muito bem agora em apenas pensar na próxima partida. Então, estou levando tudo passo a passo e está dando certo, então vou continuar fazendo isso”, explica a polonesa, que agora enfrenta a romena Sorana Cirstea.

Sinner contra a torcida australiana e destaca a evolução na Itália

Número 10 do mundo aos 20 anos, o italiano Jannik Sinner chega pela primeira vez às oitavas de final, tendo perdido apenas um set durante a primeira semana do torneio, tendo superado o português João Sousa, o norte-americano Steve Johnson e o japonês Taro Daniel. Ele agora terá a missão de enfrentar o australiano Alex de Minaur, de 22 anos e 42º do ranking, e que certamente contará com o apoio da torcida.

Mas na coletiva deste sábado, Sinner foi perguntado sobre o desenvolvimento do tênis italiano e formação de jovens jogadores no país. “Acho que temos muitos, muitos torneios na Itália. Desde eventos da ITF até os challengers. Então os jogadores mais jovens podem obter alguns convites para jogar. E mesmo se você perder, você fica lá, e treina com os caras que são melhores que você. Então você sobe seu nível imediatamente. Esse com certeza é um dos motivos”.

Aliassime tenta espantar fantasma e encara Cilic

O canadense de 20 anos e número 9 do mundo Felix Auger-Aliassime repete a campanha de oitavas de final na Austrália e tenta apagar o fantasma da eliminação sofrida para Aslan Karatsev no ano passado. Aliassime vem de uma contundente vitória sobre o britânico Daniel Evans, por 6/4, 6/1 e 6/1 e agora desafia Marin Cilic. “Tive uma das minhas melhores performances em um Grand Slam que já tive. Foi um primeiro set apertado, em que tive a sorte de conseguir uma quebra, e por algum motivo, tudo estava funcionando para mim depois disso.

“Estou muito feliz porque as duas primeiras partidas foram muito difíceis para mim, então estou feliz por ter terminado em dois sets”, comenta o canadense, que havia disputado cinco sets contra o finlandês Emil Ruusuvuori na estreia. E na segunda rodada, precisou jogar quatro tiebreaks diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina. Ele agora busca uma vitória inédita contra Cilic após três derrotas. “Será uma grande oportunidade para eu me testar e ver em que nível está o meu jogo”.

Alcaraz se vê mais perto dos melhores

Apesar da derrota na terceira rodada, Carlos Alcaraz saiu de quadra bastante satisfeito com seu nível de atuação na última sexta-feira, quando ele foi superado pelo número 7 do mundo Matteo Berrettini em um duelo de cinco sets. “Eu saio triste pela derrota, mas também fico com a sensação de que no tiebreak fui agressivo, como fiz em toda a partida. Essa é a chave. No fundo, vou embora feliz porque sei que deixei tudo em quadra. Estou saindo com uma boa sensação, com jogos e experiências que vão me fazer bem para o futuro. Depois do jogo de hoje, saio com a sensação de que estou muito perto dos melhores”, disse Alcaraz, que já ocupa o 31º lugar do ranking com apenas 18 anos.

“O Berrettini está no top 10, é o número 7 do mundo e eu estive perto de vencê-lo. Já venci vários jogadores do Top 10. Depois do nível que mostrei, sinto que estou pronto e perto de estar esses jogadores. Tenho me sentido bem em todas as partidas de cinco sets. Fisicamente e mentalmente, me senti bem. Já posso dizer que estou preparado esse tipo de situação: jogos muito longos. Eu sou capaz de me cuidar ao máximo fisicamente e mentalmente. Já estou preparado para todas as situações que vivi”.

Raducanu jogou com dor e aprende novos golpes

Quem também buscou aspectos positivos depois de uma derrota foi Emma Raducanu. A britânica de 19 anos e atual campeã do US Open sofreu com dores causadas por bolhas na mão e foi orientada por sua equipe a nem entrar em quadra para enfrentar a montenegrina Danka Kovinic, mas conseguiu lutar por 2h40. Um dos destaques foi mais frequente dos slices de forehand, que ela pretende incorporar ao seu estilo de jogo no futuro.

“Foi uma experiência de aprendizado muito boa para mim. Descobri elementos sobre mim e sobre o meu jogo que eu não sabia que tinha antes, então sim, eu posso tirar alguns pontos positivos. Eu também fiquei orgulhosa de como continuei lutando mesmo na situação em que estava. Eu realmente não poderia fazer muito, mas continuei lá. Tenho orgulho disso”, explicou a britânica, que precisou reduzir a carga de treinos.

“Eu não estava nem treinando o forehand nos últimos dias. Eu só estava guardando para o jogo. Eu também não estava treinando o saques. Então, a única coisa que eu estava realmente praticando era meu backhand, porque eu ia apenas tentar salvar tudo para o jogo de hoje. Então, o meu treino foi esse jogo. Consegui vencer o segundo set com basicamente um golpe, não posso acreditar”.

Fernandez não passou da primeira rodada

Depois de ter feito uma grande campanha no US Open do ano passado, eliminando três top 10 no caminho para sua primeira final de Grand Slam, Leylah Fernandez não conseguiu repetir o mesmo desempenho na Austrália e acabou se despedindo ainda na primeira rodada, superada pela convidada local Maddison Inglis.

“Não foi um bom dia. Cometi muitos erros. Vou dar crédito a Maddie, ela fez uma grande partida do começo ao fim. Infelizmente, não encontrei soluções para voltar ao jogo e forçar o terceiro set. Acontece. Eu estava me sentindo ótima, fisicamente e mentalmente eu estava muito bem. Estava realmente animada para jogar. Mas como disse, não era o meu dia”, disse a jovem canadense de 19 anos e número 24 do mundo. “Fizemos uma boa pré-temporada. Nós trabalhamos duro e melhoramos meu jogo de tênis. Infelizmente não apareceu hoje, mas acontece. Antes desses torneios, eu estava extremamente feliz com a forma como estava progredindo e como estava treinando. Agora tenho que voltar para a quadra de treinos e me preparar para o próximo torneio”.

Canadá enfim assiste brilho de Aliassime e Shapovalov em um Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
julho 7, 2021 às 12:56 am

Após eliminar Zverev nas oitavas, Aliassime faz seu melhor resultado em Grand Slam (Foto: AELTC/Florian Eisele)

Acompanhados com bastante atenção desde quando eram muito jovens, os canadenses Denis Shapovalov e Felix Auger-Aliassime enfim colhem os frutos de uma grande campanha em Grand Slam. Ambos estão nas quartas de final em Wimbledon e entram quadra nesta quarta-feira em busca de semifinais inéditas em suas carreiras profissionais. É a primeira vez que o país tem dois jogadores nas quartas de final de um Slam. Eles tentam repetir as recentes finais de Eugenie Bouchard (2014) e Milos Raonic (2016) em Wimbledon e o título de Bianca Andreescu no US Open de 2019.

Mais jovem da dupla canadense, Aliassime vive seu melhor resultado em torneios deste porte aos 20 anos e destaca o apoio recebido de todo o país. “As muitas de mensagens que recebo das pessoas me ajudaram a chegar onde estou hoje. Elas significam muito para mim”, disse Aliassime, depois de garantir seu lugar nas quartas. “Para mim, retribuir isso a eles também é ótimo. É uma sensação muito boa. O país está atrás conosco e a minha cidade [Montréal] está comigo. É muito bom ter tanto apoio. Foi um grande dia para nós canadenses e espero que isso continue”.

O atual 18º do ranking vem de uma expressiva vitória sobre Alexander Zverev, número 6 do mundo, em uma batalha de cinco sets, com parciais de 6/4, 7/6 (8-6), 3/6, 3/6 e 6/4 na última segunda-feira. “Acho que minha celebração depois do jogo foi muito honesta e genuína. É um grande marco para a minha carreira. Você quer jogar bem nos Grand Slam, especialmente aqui sendo meu torneio favorito. E também pela forma como aconteceu, tantos altos e baixos. Estava com quebra atrás nos dois primeiros sets, consegui virar os dois, perdendo os dois sets seguintes, e novamente lutei muito para fechar no quinto. Este jogo realmente teve tudo. E exigiu muito fisicamente e mentalmente. Isso torna a vitória ainda mais doce”.

Fim do fantasma do Australian Open e duelo com Berrettini nas quartas
Aliassime também espantou o fantasma da eliminação nas oitavas de final do Australian Open, em que havia vencido os dois primeiros sets contra o russo Aslan Karatsev e permitiu a virada. “Eu pensei um pouco sobre isso, com certeza. Mas era um jogador diferente e circunstâncias diferentes. Eu me sentia melhor fisicamente hoje do que no Austrália. Naquele dia, eu realmente não consegui me mover muito no final do jogo. Essa foi uma história diferente. Mas é claro que eu não queria deixar isso acontecer comigo duas vezes. Partidas como essa ao longo da minha carreira certamente nem sempre acontecerão do meu jeito, mas estou feliz que eu tenha vencido esta noite.

Ao longo do torneio, Aliassime também já passou pelo brasileiro Thiago Monteiro e pelo sueco Mikael Ymer, além de contar com a desistência do australiano Nick Kyrgios. Seu próximo compromisso será contra um forte candidato a títulos na grama, o italiano Matteo Berrettini, número 9 do mundo e campeão recentemente no ATP 500 de Queen’s. Os dois já se enfrentaram apenas uma vez, na final do ATP 250 de Stuttgart de 2019, também na grama, e o italiano levou a melhor. Fora das quadras, são muito amigos e passam bastante tempo juntos.

“Ele é um dos meus melhores amigos no circuito e uma ótima pessoa. Eu me dou muito bem com ele”, disse Aliassime. “Quero dizer, já que estamos na bolha, às vezes jantamos juntos e assistimos aos jogos juntos. Nossas namoradas são primas. E estou feliz por chamá-lo de bom amigo. Acho que vai ser bom jogar um com o outro. Ambos fizemos um grande torneio até agora”.

“Acho que posso falar por muitos jogadores no circuito que somos capazes de fazer a diferença entre o que acontece dentro e fora dela. Matteo é um bom amigo. Posso conversar e jantar com ele. Mas quando chega o dia da partida, então você se concentra no que tem que fazer. Você tenta jogar o seu melhor tênis e vencer. São duas coisas distintas”, acrescentou o tenista de 20 anos, que pode enfrentar Roger Federer ou Hubert Hurkacz, caso vença mais uma.

Aos 22 anos, Shapovalov destaca maturidade e adaptação à grama

Shapovalov já venceu o bicampeão Murray o top 10 Bautista Agut no caminho para as quartas (Foto: AELTC)

Por sua vez, o número 12 do mundo Denis Shapovalov repete a boa campanha do US Open do ano passado, em que alcançou as quartas, e quer ir além. Aos 22 anos, ele destaca o amadurecimento que teve nas últimas temporadas, especialmente se comparado ao que aconteceu na edição passada de Wimbledon, disputada ainda em 2019, quando o canadense foi eliminado ainda na primeira fase.

“Dois anos é muito tempo, especialmente para jogadores de tênis. Acho que sou uma pessoa diferente e um jogador diferente. Como eu disse antes, eu sabia que seria um longo processo nessa superfície para que eu pudesse realmente desenvolver meu jogo. Obviamente, tive grande sucesso no juvenil, mas o jogo no profissional é completamente diferente”, disse Shapovalov, que venceu o torneio juvenil de Wimbledon em 2016, mas nunca havia passado da segunda rodada entre os profissionais. “Sempre adorei jogar na grama, mas a temporada é tão curta, que você não tem muito tempo para treinar. Então, eu sabia que demoraria alguns anos. Acho que mentalmente, fisicamente, e também no que diz respeito ao tênis, sou uma pessoa diferente do que era há dois anos”.

O adversário de Shapovalov nas quartas será o russo Karen Khachanov, ex-top 10 e atual 29º do ranking. O canadense levou a melhor no único duelo entre eles, válido pela Copa Davis de 2019. “Já faz um tempo que eu não jogo contra ele, e aquela partida era em uma superfície completamente diferente, com quadra dura e altitude. Foi outro jogo e sinto que também somos jogadores diferentes daquela época”, disse o jovem de 22 anos.

“Ele está muito bem no torneio e é um grande jogador, que já provou que é capaz de derrotar os melhores jogadores. Ele é um jogador muito agressivo, que gosta de ditar os pontos com o forehand e tem um ótimo saque. Ele gosta de controlar o jogo. Na verdade, é muito parecido comigo. Somos dois tenistas que batem muito forte na bola e vai ser um jogo bastante agressivo”, explica o canadense, que pode enfrentar Novak Djokovic ou Marton Fucsovics se for semifinalista.

‘Sinto que estou melhorando a cada partida’, diz Shapovalov 

Shapovalov começou o torneio vencendo uma batalha de cinco sets contra o alemão Philipp Kohlschreiber, depois sequer entrou em quadra para enfrentar o espanhol Pablo Andujar, que desistiu por lesão nas costelas. O canadense eliminou o bicampeão e ex-líder do ranking Andy Murray na Quadra Central pela terceira rodada e depois passou pelo número 10 do mundo Roberto Bautista Agut nas oitavas.

“Eu disse a Andy [Murray] na rede que ele é meu herói. Conquistas à parte, é incrível ver o que ele foi capaz de fazer, voltando a jogar depois de uma lesão tão grave. Ele é uma inspiração para muitas pessoas, inclusive para mim“, disse a respeito da vitória contra o britânico por 6/4, 6/2 e 6/2. Já contra o espanhol, outra vitória em três sets, e parciais de 6/1, 6/3 e 7/5. “Joguei um tênis de alto nível. Obviamente, fiquei um pouco nervoso no terceiro set, mas acho que isso é completamente normal e pude lidar muito bem. Fora isso, eu joguei muito, sem cometer erros. Estou super feliz comigo mesmo e com meu jogo. Obviamente, Roberto é um jogador muito difícil de enfrentar. Vencê-lo em sets diretos em um torneio como este só reforça o meu nível desde a partida contra o Andy. Sinto que estou melhorando a cada partida”.

Oito jovens tenistas para acompanhar em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2021 às 10:10 pm

Com diferentes perspectivas, oito tenistas da nova geração do circuito merecem destaque antes de Roland Garros, que começa neste domingo em Paris. O Grand Slam tem uma jovem candidata ao título, a atual campeã Iga Swiatek e ponto de interrogação sobre Bianca Andreescu. Embalados por recentes conquistas no saibro de Parma, Coco Gauff e Sebastian Korda estão em rota de colisão com favoritos. Destaque também para os recém-chegados ao top 100, Carlos Alcaraz e Maria Camila Osorio, vindos do quali. Vale ficar de olho também no italiano Jannik Sinner, que chegou às quartas no ano passado, e no canadense Felix Auger-Aliassime, que aposta na parceria com Toni Nadal.

Confira oito grandes histórias envolvendo a nova geração em Roland Garros:

Swiatek luta pelo bicampeonato em Paris

Atual campeã, Swiatek focou a preparação nos torneios grandes (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Atual campeã, Swiatek focou a preparação nos torneios grandes (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Menos de um ano depois de ter conquistado seu primeiro Grand Slam em Roland Garros, Iga Swiatek está de volta às quadras de saibro da capital francesa. A polonesa, que completa 20 anos na segunda-feira, era apenas a 54ª do ranking na campanha para o título do ano passado e agora já é a número 9 do mundo e uma das favoritas ao título, ainda mais depois da categórica conquista do WTA 1000 de Roma há duas semanas. Ela estreia contra sua melhor amiga no circuito, a eslovena Kaja Juvan, pode enfrentar a norte-americana Shelby Rogers ou a sueca Rebecca Peterson na segunda fase e a estoniana Anett Kontaveit na terceira fase.

“Depois que ganhei Roland Garros, minha vida mudou completamente todo mundo começou a me tratar de forma diferente totalmente. Foi muito bom encontrar um equilíbrio e ainda ser capaz de aproveitar aquela vitória, mesmo numa situação tão caótica”, disse Swiatek, durante a entrevista coletiva na última sexta-feira. “Estou voltando à mesma forma que eu tive quando fui campeã de Roland Garros, já ganhei mais dois títulos desde então, e foi incrível para mim, porque eu ainda não sei se vou ser consistente pelo resto da minha carreira. E isso mostrou que posso realmente ter um bom desempenho não apenas uma vez, mas posso repetir. Então essa é a coisa mais importante para mim”.

Swiatek priorizou os torneios grandes em sua preparação para Roland Garros e só jogou em Roma e Madri e foi perguntada por TenisBrasil sobre sua estratégia. “Na verdade, o meu treinador é que foi responsável por isso. E acho que ele está fazendo um ótimo trabalho com todo o planejamento do meu calendário. E foi muito bom, porque sinto que estou progredindo. Eu estou jogando contra as top 10 com mais frequência e posso realmente ter mais experiência e aprender mais, porque isso é o mais importante para mim agora. Preciso aprender a estar em diferentes situações na quadra para que eu possa ter mais experiência depois”.

Andreescu em dúvidas após lesão abdominal

Andreescu fez bons jogos em Estrasburgo, mas sentiu lesão abdominal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Andreescu fez bons jogos em Estrasburgo, mas sentiu lesão abdominal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Outra top 10 a ser observada em Roland Garros é Bianca Andreescu, de apenas 20 anos e número 7 do mundo. A canadense conquistou seu primeiro Grand Slam ainda no US Open de 2019, mas possui um longo histórico de lesões, chegando a ficar mais de um ano parada por problema no joelho esquerdo. Na semana passada, disputou o WTA 250 de Estrasburgo e fez dois bons jogos, mas desistiu antes das quartas por lesão muscular na região abdominal. Cabeça 6 em Paris, Andreescu estreia contra a eslovena Tamara Zidansek.

“Não é nada sério, apenas um desconforto. Mas eu não quero arriscar antes de Roland Garros”, disse Andreescu na última terça-feira, em Estrasburgo. Perguntada por TenisBrasil sobre como faz para manter o ritmo de jogo e o bom nível de tênis mesmo com tantas lesões, a canadense comentou que aprendeu com os erros do passado e consegue ter melhor planejamento de treinos e competições. “Isso faz parte da carreira de qualquer atleta, sempre tem algumas coisas que você pode fazer e aprender com os erros do passado. Hoje eu tenho um calendário melhor de torneios, e estou ficando melhor na quadra e nos treinos físicos, com exercícios diferentes. É claro que a situação é decepcionante. Mas eu fiz o meu melhor para lidar com a situação”.

Gauff empolgada por título no saibro italiano

Gauff diz que resultados recentes não trazem pressão, mas sim confiança (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Gauff diz que resultados recentes não trazem pressão, mas sim confiança (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Com apenas 17 anos, a norte-americana Coco Gauff é uma das jogadoras mais jovens na chave de Roland Garros. Ela chega a Paris empolgada pela recente conquista do WTA 250 de Parma e ocupando o 25º lugar do ranking da WTA. Uma semana antes, também foi semifinalista do WTA 1000 de Roma, superada apenas por Swiatek. Acostumada a lidar com grandes expectativas desde muito jovem, ela garante que os resultados recentes trazem mais confiança do que pressão.

“Para ser honesta, não acho que esses resultados realmente coloquem qualquer pressão sobre mim. Apenas me deram confiança. Fiz muitas quartas de final e semifinais em 2020 e isso me deixou mais forte para terminar o torneio e levantar um troféu. Não sinto nenhuma pressão. Talvez porque tenha sido só um 250, então é um torneio um pouco menor, e não tinha tanta pressão quanto um 1000. Mas de qualquer forma, sinto que ganhar um título só dá a você mais confiança e mais experiência. Esse é o meu objetivo aqui”, comentou Gauff, que estreia contra a sérvia Aleksandra Krunic e pode cruzar o caminho da número 1 do mundo Ashleigh Barty nas oitavas.

Novata no top 100, Osorio disputa seu primeiro Slam

A colombiana Maria Camila Osorio chegou recentemente ao top 100 e disputa o 1º Slam (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

A colombiana Maria Camila Osorio chegou recentemente ao top 100 e disputa o 1º Slam (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Recém-chegada ao top 100 do ranking mundial, a colombiana de 19 anos Maria Camila Osorio disputará seu primeiro Grand Slam em Roland Garros. A atual 98ª do ranking conseguiu passar pelo qualificatório de três rodadas em Paris. A temporada de 2021 tem sido de feitos importantes para Osorio, que começou o ano apenas no 186º lugar do ranking. Ela conquistou seu primeiro título de WTA no saibro de Bogotá e disputou outras duas semifinais, em Charleston e Belgrado, antes de furar o quali em Paris.

“Já joguei muitos torneios da WTA, então sinto mais confiança quando entro na quadra. Não fico mais com medo quando estou jogando neste nível”, disse Osorio, em entrevista ao site de Roland Garros. “Estou vivendo um momento muito especial e trabalhei muito para chegar aqui. Foi muito bom chegar ao top 100. Era um dos meus objetivos no início do ano. Tudo aconteceu tão rápido que não pensei que pudesse fazer isso até o final da temporada, mas mostra o quanto estou melhorando”, comenta a colombiana, que estreará contra a norte-americana Madison Brengle e pode cruzar o caminho de Andreescu já na segunda rodada.

Korda chega a Paris após título em Parma

Korda chega a Paris com moral após título em Parma (Foto: Marta Magni Images)

Korda chega a Paris com moral após título em Parma (Foto: Marta Magni Images)

Depois de ir do quali até as oitavas de final na edição passada de Roland Garros, o norte-americano Sebastian Korda chegará ao Grand Slam francês com ainda mais moral. Ele conquistou neste sábado seu primeiro título no circuito, o ATP 250 de Parma, vencendo o ex-top 20 Marco Cecchinato na final por 6/2 e 6/4. O atual 63º do ranking e filho do ex-número 2 do mundo Petr Korda teve um ótimo início de temporada, com a final em Delray Beach, um título de challenger em Quimper e também a campanha até as quartas de final do Masters 1000 de Miami. No entanto, vinha de resultados negativos no saibro e conseguiu se reerguer.

“Tive que continuar otimista, mesmo com os resultados ruins na primeira parte da temporada de saibro. Tirei alguns dias de folga, recarreguei minhas baterias e fiz uma semana de treinos muito boa em Praga com meu pai e meu treinador. Voltei com mais fome e estou jogando um tênis muito bom agora”, explicou Korda, que estreia em Roland Garros contra o espanhol Pedro Martinez e pode cruzar o caminho do número 5 do mundo Stefanos Tsitsipas na rodada seguinte.

Alcaraz fura o quali e tem chave boa em Paris

Alcaraz disputará seu segundo Grand Slam e se sente mais preparado agora do que na Austrália (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Alcaraz disputará seu segundo Grand Slam e se sente mais preparado agora do que na Austrália (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Grande promessa do tênis espanhol, Carlos Alcaraz chega com bastante moral para a disputa de seu primeiro Roland Garros e o segundo Grand Slam da carreira. O espanhol de 18 anos e 94º do ranking conquistou recentemente o challenger português de Oeiras, entrou no top 100 e furou o quali de Roland Garros. Sua estreia em Paris será contra outro espanhol vindo do quali, Bernabe Zapata Miralles. Se vencer, enfrenta o sérvio Dusan Lajovic ou o georgiano Nikoloz Basilashvili (cabeça 28) antes de um eventual encontro com o russo Andrey Rublev na terceira fase.

“Estou muito feliz. Jogar a chave principal aqui em Roland Garros é uma sensação muito boa. Estou me sentindo muito confortável na quadra. Sei que não é fácil jogar melhor de cinco sets, mas acho que estou pronto. Não é minha primeira participação na chave principal em um Grand Slam, então vou melhorar o que fiz na Austrália. Acho que estou mais pronto agora do que estava na Austrália”, comentou o espanhol, em entrevista ao site da ATP.

Sinner tenta repetir boa campanha de 2020

Sinner enfrentou Nadal e Djokovic durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Sinner enfrentou Nadal e Djokovic durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Com apenas 19 anos Jannik Sinner já aparece na 19ª colocação do ranking mundial e tenta repetir a ótima campanha que fez no ano passado em Paris, quando chegou às quartas de final. Durante a temporada de saibro, sua principal campanha foi uma semifinal em Barcelona, mas ele teve a oportunidade de enfrentar Novak Djokovic em Monte Carlo e Rafael Nadal em Roma, e tira várias lições daqueles jogos, mesmo com resultados negativos contra lendas do esporte. Ele estreia em Paris contra o francês Pierre-Hugues Herbert.

“Quando eu perco, sempre tento tirar os pontos positivos e descobrir o que deveria ter feito melhor” disse Sinner após o recente duelo com Nadal. “Obviamente, é difícil falar logo depois da partida. Tenho que me reunir com a minha equipe e assistir muitas e muitas vezes a este jogo a partir de hoje. Então veremos o que deveríamos ter feito melhor”, comenta o italiano, que teve postura parecida quando perdeu para Djokovic em Mônaco. “O foco é sempre melhorar. É isso que estou tentando fazer. Vou tentar aprender com esta partida também hoje, mesmo que às vezes seja difícil de aceitar a derrota. Mas só há uma maneira de melhorar. Eu tenho um bom time e tenho as pessoas certas perto de mim, que sabem o que eu preciso fazer”.

Aliassime aposta na parceria com Toni Nadal

Aliassime trabalhou com Toni Nadal durante a temporada de saibro

Aliassime trabalhou com Toni Nadal durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

O canadense de 20 anos Felix Auger-Aliassime, 21º do ranking, trouxe um reforço de peso para sua equipe. Durante toda a temporada de saibro, ele treinou com Toni Nadal e aposta na experiência do técnico para buscar melhores resultados. Ainda em busca de seu primeiro título de ATP, o canadense tem como melhores campanhas em Grand Slam as oitavas de final do US Open no ano passado e do Australian Open na atual temporada. Sua estreia em Paris será contra o experiente italiano de 37 anos Andreas Seppi.

“Minhas expectativas não mudaram desde que comecei a trabalhar com o Toni. Sempre tive expectativas muito altas durante toda a minha carreira. O que estou tentando fazer é chegar ao top 10 e ganhar títulos de Grand Slam. Não há nada melhor do que isso. Trabalhar com alguém que já fez isso traz mais calma e confiança, ao invés de pressão”, disse Aliassime na entrevista coletiva da última sexta-feira. “Decidi trabalhar com ele porque acredito que ele pode me ajudar a alcançar meus objetivos e meu potencial. É nisso que trabalhamos todos os dias. A preparação não é diferente da que fizemos em qualquer outro torneio. Procuramos trabalhar com muito empenho, intensidade e foco, e a cada dia tentamos fazer um pouco melhor. Temos um bom trabalho a fazer”.

 

As lições das derrotas de Swiatek e Aliassime
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 15, 2021 às 2:38 pm

Representantes mais jovens nas oitavas de final feminina e masculina do Australian Open, Iga Swiatek e Felix Auger-Aliassime se despediram do torneio no último domingo em momentos muito distintos. A polonesa de 19 anos reencontrou a número 2 do mundo Simona Halep, a quem havia derrotado na campanha para o título de Roland Garros, e começou bem, mas não conseguiu lidar com as mudanças táticas que a experiente romena adotou a partir do segundo set. Já o canadense de 20 anos entrou como favorito diante do russo vindo do quali Aslan Karatsev, 114º do ranking, e venceu os dois primeiros sets, mas deixou escapar uma grande chance de chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez ao permitir a virada. Para ambos, ficam as lições das derrotas para a sequência da temporada.

“Estou um pouco decepcionada, porque o primeiro set foi perfeito para mim. Senti que estava jogando bem. Acho que a Simona conseguiu mudar suas táticas, começou a jogar com mais topspin e isso foi difícil para mim. Eu já não conseguia controlar os golpes”, disse Swiatek, depois da derrota por 3/6, 6/1 e 6/4 para Halep em 1h50 de partida. “Eu tenho muito respeito pela Simona. Parece que ela tem muitas opções. E quando algo não está dando certo, ela apenas muda a tática e isso é ótimo. Essa é a diferença entre as campeãs e as jogadoras menos experientes, porque eu não sentia que tinha muitas opções”.

Apesar de ser uma tenista com muita habilidade e capaz de variar bastante o jogo com muitos recursos, Swiatek mostrou que também tinha condição física e potência nos golpes para sustentar as trocas de fundo contra uma rival tão sólida como Halep. A polonesa fez um primeiro set muito consistente, ao anotar 14 winners contra 8 e cometer 11 erros, apenas um a mais que a romena.

Mas Swiatek perdeu consistência do fundo de quadra a partir do segundo set e as estatísticas mostram isso. Enquanto no set inicial ela havia vencido 19 dos 31 pontos com cinco ou mais trocas de bola, o número de ralis caiu para apenas 17 na parcial seguinte com 10 a 7 para Halep. A romena também dominava os pontos mais curtos, com até quatro trocas, por 16 a 6. E não foi necessário para a vice-líder do ranking encurtar os pontos ou jogar de forma mais agressiva, porque era Swiatek quem errava cedo demais. “Ela jogou de forma muito inteligente. Talvez eu estivesse batendo muito forte na bola e arriscando demais, mas tive que fazer isso porque ela estava variando muito o jogo e eu precisava definir os pontos”, avalia a 17ª do ranking.

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“Os golpes dela estavam mais pesados que no primeiro set, e eu precisava atacá-la mais vezes e cometi muitos erros não-forçados”, comentou a polonesa, que cometeu 12 erros não-forçados na parcial, sendo sete ainda nas quatro primeiras trocas de cada ponto. Halep cedeu apenas quatro pontos em seus games de serviço, pressionou nas devoluções para quebrar duas vezes, e só precisou fazer cinco winners no set, um a mais que Swiatek, além de cometer apenas três erros não-forçados. “E eu senti que eu não tinha tanta energia no segundo set, tentei me poupar para o terceiro. Mas aí no terceiro, quando tive o saque quebrado, eu não consegui devolver a quebra. Mas assim é o tênis”.

A campeã de Roland Garros acredita que soube lidar bem melhor com a pressão a expectativa por um outro resultado depois de seu primeiro título de Grand Slam. “Eu me sinto muito melhor agora do que na minha primeira semana aqui, quando eu joguei o torneio da WTA. Eu não tive nenhum problema com isso nessa semana. E mesmo no jogo de hoje, eu ainda me sentia como a zebra, porque estava jogando contra a Simona. Mas no geral isso não me incomodou aqui. Vamos ver como será nos próximos torneios, porque cada semana é diferente. Eu não posso dizer com certeza que vou ter a mesma atitude pelo resto do ano, mas esse é o meu objetivo”.

A derrota difícil de engolir para Aliassime

Já Aliassime sente que deixou escapar uma ótima oportunidade de conseguir uma campanha expressiva em Grand Slam e dar continuidade ao bom início de temporada que está fazendo. Depois de ter superado o compatriota Denis Shapovalov, número 12 do mundo na terceira rodada, ele não repetiu o mesmo desempenho diante de Karatsev e reconhece que é um resultado difícil de assimilar. Entretanto, o canadense tenta tirar as lições da derrota para que situações como a do último domingo não se repitam.

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“É difícil de engolir, mas o tênis é assim. A vida é assim. Sinceramente, acho que esse jogo pode me ajudar no futuro. É a primeira vez que jogo uma partida de cinco sets e é a primeira vez que isso acontece comigo. Talvez não seja a última. Veremos, mas tentarei aprender com isso e ser melhor da próxima vez”, comentou depois de perder por 3/6, 1/6, 6/3, 6/3 e 6/4.

“Com certeza há muitos pontos positivos para tirar desse torneio. É realmente uma pena que não consegui passar hoje, mas eu não desisti. Tentei de tudo. Eu joguei bem. Claro que eu gostaria de ter sacado melhor, mas não posso simplesmente estalar os dedos para fazer isso acontecer. Eu só tenho que ser um jogador melhor no geral para superar essas situações. Acho que o lado bom é que mentalmente continuei pensando positivo. Eu acreditei até o fim. Mesmo quando estava atrás no quinto set eu ainda tentei e ainda acreditei”, explica Aliassime, que atingiu as oitavas de um Grand Slam pela segunda vez na carreira.

O jovem de 20 anos acredita que está evoluindo no aspecto mental do jogo e que, em outros tempos, não conseguiria sequer continuar lutando até o final da partida. “Acho que em comparação com o jogador que fui, digamos em 2019 ou mesmo no ano passado, acho que foi uma melhoria contra um jogador que, como todos vimos, fez uma grande partida e está jogando em um bom nível. Mentalmente tentei ficar no jogo e acreditar. Acho que isso é positivo para o futuro”, explica o canadense, que ainda persegue seu primeiro título de ATP.

“Eu só preciso de um pouco de tempo. Na semana passada, eu simplesmente não tive escolha. Então eu tive que me recuperar muito rápido. Agora tenho um pouco de tempo até o próximo torneio, então preciso me recuperar. Foi um longo período aqui na Austrália, um período difícil. Preciso me recuperar fisicamente, mentalmente e voltar a treinar”.

Aliassime: ‘Estou cada vez mais maduro e consistente’
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 13, 2021 às 2:23 pm
Aliassime, de 20 anos, é o mais jovem entre os jogadores nas oitavas em Melbourne (Foto: Natasha Morello/Tennis Australia)

Aliassime, de 20 anos, é o mais jovem entre os jogadores nas oitavas em Melbourne (Foto: Natasha Morello/Tennis Australia)

Jogador mais jovem entre os classificados para as oitavas de final da chave masculina do Australian Open, Felix Auger-Aliassime se sente cada vez mais maduro e pronto para atuar de forma consistente no circuito. Ainda sem perder sets em Melbourne, ele já repete o melhor resultado da carreira em um Grand Slam, alcançado no último US Open. O canadense de apenas 20 anos e 19º do ranking da ATP tenta agora dar um novo passo e ficar entre os oito melhores de um Slam pela primeira vez.

“Estou cada vez mais maduro na forma como jogo e sendo mais estável. A minha sensação é que consigo ter consistência durante os jogos a cada semana”, disse Aliassime, durante entrevista coletiva em Melbourne. “Meu objetivo este ano é jogar no meu melhor nível em todas as semanas e fazer muito bem as coisas que estão sob meu controle. Sinto que sou um jogador melhor do que era há 12 meses. Espero que possamos jogar uma temporada um tanto normal este ano e que eu tenha resultados consistentes”.

Aliassime comemorou o desempenho na grande vitória contra o compatriota Denis Shapovalov, um ano mais velho e número 12 do mundo, por 7/5, 7/5 e 6/3 pela terceira rodada. O duelo da última sexta-feira foi o quarto entre os dois jovens canadenses na elite do circuito, sendo o terceiro em Grand Slam. Shapovalov já havia vencido duas vezes no US Open, em 2018 e 2019, enquanto Aliassime prevaleceu no saibro de Madri há dois anos. Houve ainda um confronto no challenger de Drummondville em 2017, também com vitória de Shapovalov.

“Foi um bom jogo da minha parte. Nunca é fácil enfrentar o Denis. Jogamos contra pela primeira vez quando tínhamos nove e dez anos. Ele já me venceu bastante algumas vezes, mas esta noite, o jogo foi mais para o meu lado”, comentou ainda em quadra, depois da partida da terceira rodada. “É uma pena que tivemos que jogar um ao outro tão cedo. Espero que nos futuro, possamos nos enfrentar nas fases finais dos torneios”.

Os dois primeiros sets do jogo tiveram andamento muito parecido. Em ambos os casos, Shapovalov foi o primeiro a quebrar, mas cedia o empate no oitavo e voltava a perder o saque no fim de cada parcial. Aliassime soube variar bastante nas devoluções, ora com bolas profundas, ora fazendo escolhas sem peso, e assim Shapovalov não ficava em situação confortável para mandar nos pontos. Além disso, o mais jovem entre os dois canadenses era quem vinha confirmando os games de saque com maior tranquilidade. Já no terceiro set, ele abriu 3/0 muito rápido e escapou dos break points que enfrentou já na reta final da partida.

“Eu estava impecável e joguei uma partida incrível. Estou muito feliz com meu desempenho. Vencer um jogo como o de hoje em três sets significa muito. É bom para o meu nível, minha confiança e espero poder continuar a partir disso”, complementou o jovem canadense, que caiu ainda no quali em 2019 e na estreia da chave principal no ano passado. “Não tive tanta sorte nos últimos anos, mas sempre adorei este lugar. Finalmente, estou jogando um bom tênis este ano”.

Pressão pelo primeiro título após sete finais perdidas
Muito promissor desde os tempos de juvenil, Aliassime novamente nesta semana falou sobre como tem lidado com a pressão e expectativa, especialmente na busca pelo primeiro título de ATP, já que ele perdeu as sete primeiras finais que disputou, uma delas no último domingo para Daniel Evans.

“Os nervos estão sempre lá. Estou bem ciente do meu histórico, mas tive partidas muito difíceis nas minhas últimas finais em termos de ranking. Enfrentei adversário que, no papel, estão melhores do que eu. Acho que você precisa querer muito. Quando estou assim, eu mantenho o foco em cada ponto e tento ser firme no que faço desde o início. Mas eu não vejo isso de querer muito como uma preocupação, para ser honesto”.

Muito respeito ao adversário das oitavas

O adversário de Aliassime nas oitavas será o russo Aslan Karatsev, jogador de 27 anos e vindo do qualificatório. Karatsev conseguiu na terceira rodada uma expressiva vitória por duplo 6/3 sobre o top 10 argentino Diego Schwartzman. Até por isso, o canadense prega muito respeito ao rival. “Do meu ponto de vista, ele não é mais um russo vindo do quali agora. Ele é um russo que está jogando nas oitavas de final. E será uma partida difícil. Nós vimos o que ele conseguiu fazer contra o Diego, que é um grande jogador e um adversário difícil de vencer”.

Aliassime e Karatsev já se enfrentaram duas vezes em torneios de nível challenger, entre 2018 e 2019, com uma vitória para cada lado. “Eu conheço um pouco o jogo dele. Já o enfrentei antes e sei o quanto ele pode jogar bem. Será um um adversário difícil, então vou tentar relaxar agora e me preparar para jogar meu melhor tênis novamente”.

Alcaraz e Sinner são os caçulas em Melbourne
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 5, 2021 às 5:17 pm
Alcaraz cumpriu uma quarentena rígida na Austrália e conseguiu vencer Goffin no ATP 250 da semana

Alcaraz cumpriu uma quarentena rígida na Austrália e conseguiu vencer Goffin no ATP 250 da semana

Apenas dois jogadores com menos de 20 anos vão disputar a chave principal masculina do Australian Open, que começa na próxima segunda-feira. O espanhol Carlos Alcaraz será o caçula da competição, ao disputar seu primeiro Grand Slam com apenas 17 anos. O segundo jogador mais jovem do torneio é o italiano Jannik Sinner, com 19 anos.

Vindo de um qualificatório com três rodadas e disputado em Doha, Alcaraz é o jogador mais jovem da chave desde 2014, quando Thanasi Kokkinakis entrou no torneio como convidado. Aos 17 anos e 292 dias, o espanhol é também o mais jovem a furar o quali do Australian Open desde 2005, quando Novak Djokovic conseguiu esse feito com 17 anos e 253 dias.

A estreia de Alcaraz no Australian Open será contra o holandês Botic van de Zandschulp, outro que disputa seu primeiro Grand Slam. Van de Zandschulp está com 25 anos e também veio do quali. Quem vencer encara o sueco Mikael Ymer ou o polonês Hubert Hurkacz (cabeça 26 do torneio). Já para uma eventual terceira rodada, o adversário mais cotado é o grego Stefanos Tsitsipas, número 6 do mundo.

Espanhol cumpriu quarentena rígida e ganhou de Goffin
Escolhido como a Revelação de 2020 pela ATP, Alcaraz deu um salto de 350 posições no ranking ao longo da última temporada ao conquistar três títulos de challenger. Este ano, depois de furar o quali do Australian Open, ele teve o azar de chegar a Melbourne em um voo que tinha uma pessoa contaminada pela Covid-19. Com isso, acabou fazendo parte do grupo de 72 jogadores (vindos de três voos diferentes) que ficaram em quarentena rígida na Austrália, sem acesso às quadras de treino durante 14 dias.

Mesmo com a limitação nas condições de treinamento, anotou uma expressiva vitória sobre o número 14 do mundo David Goffin por duplo 6/3 no Great Ocean Road Open, um dos dois ATP 250 da semana no Melbourne Park, e só caiu nas oitavas de final, superado pelo brasileiro Thiago Monteiro em partida equilibrada e com grande atuação do número 1 do país. Monteiro chegou a salvar set point na vitória por 7/6 (7-3) e 6/3.

Sinner e Alissime chegam embalados por semis de ATP

Sinner chegou às quartas em Roland Garros e disputa o quinto Slam da carreira (Foto: Tennis Australia/ Natasha Morello)

Sinner chegou às quartas em Paris e disputa o quinto Slam da carreira (Foto: Tennis Australia/Natasha Morello)

Enquanto Alcaraz é um novato em Grand Slam, Jannik Sinner já vai para seu quinto torneio deste porte e tenta repetir o ótimo desempenho que teve em Roland Garros, onde chegou às quartas de final. O italiano de 19 anos e 36º do ranking já tem um título de ATP, conquistado em Sófia no ano passado, e está entre os semifinalistas do Great Ocean Road Open. Ele enfrenta o russo Karen Khachanov neste sábado. Já na final, pode encarar Monteiro ou o também italiano Stefano Travaglia.

A estreia de Sinner no Australian Open será em um duelo da nova geração contra o canadense de 21 anos Denis Shapovalov, número 12 do mundo, em confronto inédito no circuito. O vencedor enfrenta o japonês Yuichi Sugita ou o australiano Bernard Tomic. Um possível rival para eles na terceira rodada é o também jovem canadense Felix Auger-Aliassime, de 20 anos e 21º do ranking.

Aliassime iniciou a temporada com bons resultados e pode alcançar sua sétima final com apenas 20 anos

Aliassime iniciou a temporada com bons resultados e pode alcançar sua sétima final com apenas 20 anos

Aliassime inicia o Grand Slam australiano contra o lucky-loser alemão Cedrik-Marcel Stebe, e pode enfrentar o bósnio Damir Dzumhur ou o australiano James Duckworth na segunda fase. O jovem canadense é outro que começou bem a temporada e está na semifinal do Murray River Open e tenta alcançar a sétima final e o primeiro título da carreira. No sábado, ele enfrenta o francês Corentin Moutet. Se vencer, encara Jeremy Chardy ou Daniel Evans.

Sete jogadores disputam o 1º Slam
O Australian Open deste ano tem 18 jogadores que disputam o torneio pela primeira vez. Desse número, fazem parte oito tenistas vindos do quali, seis que entraram diretamente na chave, três convidados e um lucky-loser. Sete jogadores disputam o primeiro Grand Slam da carreira. Além dos já citados Alcaraz e Van de Zandschulp, estão na lista o português Frederico Ferreira Silva, os russos Aslan Karatsev e Roman Safiullin, o dinamarquês Mikael Torpegaard, o convidado local Li Tu.

US Open tem mais jovens nas oitavas em 19 anos
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 6, 2020 às 2:41 pm
Aos 20 anos, Aliassime é o mais jovem nas oitavas e faz melhor campanha em Slam (Foto: Adam Glanzman/USTA)

Aos 20 anos, Aliassime é o mais jovem nas oitavas e faz melhor campanha em Slam (Foto: Adam Glanzman/USTA)

Com a definição dos 16 classificados para as oitavas de final do US Open, é certo que a edição deste ano é com maior número de jogadores nessa fase nos últimos 19 anos. Em uma temporada atípica, com várias desistências, dez tenistas com até 24 anos estão nas oitavas. Isso não acontecia desde 2001 em Nova York. Além disso, o último Grand Slam com tantos jovens nas oitavas foi o Australian Open de 2009.

O jogador mais jovem nas oitavas de final é o canadense Felix Auger-Aliassime, que completou 20 anos em agosto e faz sua melhor campanha em Grand Slam. Algoz do brasileiro Thiago Monteiro na estreia, Aliassime teve uma atuação de gala contra Andy Murray na segunda rodada e bateu o jovem francês Corentin Moutet na fase seguinte.

Três jogadores com 21 anos estão nas oitavas. Um deles é o também canadense Denis Shapovalov, que iguala o resultado de 2017 depois de ter vencido uma batalha de cinco sets contra Taylor Fritz. Com a mesma idade nas oitavas, estão o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, que faz seu melhor resultado em Slam, e também o australiano Alex De Minaur.

Tiafoe é o último norte-americano na chave

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O último norte-americano na chave masculina de simples é Frances Tiafoe, de 22 anos. Filho de imigrantes de Serra Leoa e bastante engajado na luta contra o racismo e em outras causas sociais para tornar o tênis mais acessível em comunidades pobres, Tiafoe é também o anfitrião mais jovem nas oitavas desde Donald Young, em 2011.

Outro atleta de 22 anos nas oitavas de final do US Open é o russo Andrey Rublev, que já tem até um resultado melhor no torneio. Ele já foi às quartas em 2017. Já com 23 anos, estão nas oitavas o alemão Alexander Zverev e croata Borna Coric, dois dos principais expoentes da nova geração.

Dois jovens jogadores de 24 anos tentam repetir as ótimas campanhas da temporada passada. O russo Daniil Medvedev foi vice-campeão em 2019, enquanto o italiano Matteo Berrettini parou na semifinal no ano passado.

Apenas dois trintões nas oitavas
Por outro lado, apenas dois jogadores com mais de 30 anos estão nas oitavas de final. Um deles é o número 1 do mundo Novak Djokovic, tricampeão do US Open e vencedor de 17 títulos de Grand Slam. O sérvio completou 33 anos em maio e é o único campeão de Slam restante na chave.

O segundo mais velho nas oitavas é o canadense Vasek Pospisil, de 30 anos. Ele vem de boas vitórias contra Milos Raonic e Roberto Bautista Agut. Esse o menor número de trintões nas oitavas do US Open desde 2011, com Roger Federer e Juan Carlos Ferrero. Já o último Grand Slam com dois jogadores com mais de 30 anos nas oitavas foi o Australian Open de 2013, com o mesmo Federer e também David Ferrer.

Nova geração protagoniza a luta contra o racismo
Por Mario Sérgio Cruz
junho 7, 2020 às 10:32 am

Enquanto as competições oficiais do circuito permanecem suspensas por conta da pandemia da Covid-19, alguns expoentes da nova geração do tênis voltaram a se destacar nas últimas semanas por suas ações e posicionamentos fora de quadra.

A morte de George Floyd, homem negro que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis, foi o estopim para uma onda de protestos contra o racismo que se espalhou pelos Estados Unidos e também por diversas partes do mundo. Nesse cenário, nomes como Naomi Osaka, Frances Tiafoe, Coco Gauff, Felix Auger-Aliassime e Taylor Townsend compartilharam suas experiências e marcaram posições firmes contra o preconceito.

Tiafoe se sente um estranho no ninho

“A morte do George Floyd fez eu me sentir horrível. Especialmente por pensar que poderia ser um dos meus entes queridos e talvez pudesse acontecer até comigo”, revelou Tiafoe ao programa Tennis United, produzido para as redes sociais da ATP e da WTA. “Quando se é negro nos Estados Unidos, mesmo para quem é uma pessoa comum e não um atleta, você sente que precisa ser duas vezes melhor para ter reconhecimento”.

https://twitter.com/FTiafoe/status/1267202313057427458

O jovem jogador de 22 anos e 81º do ranking é um dos poucos negros entre os 100 melhores do mundo e ressalta que a falta de diversidade no tênis às vezes o faz se sentir como um estranho no ninho. “Quanto mais sucesso eu tenho, mais me sinto um outsider“, afirmou, em entrevista à CNN. “É claro que eu recebo muito apoio e reconhecimento, mas sinto que nem todo mundo quer me ver fazendo sucesso. Sinto como se estivesse tomando algo de alguém que gostaria de estar no meu lugar. Com certeza, sinto isso porque no fundo eles não querem nos ver no topo”.

Filho de imigrantes de Serra Leoa, Tiafoe foi campeão do ATP 250 de Delray Beach em 2018 e chegou a ser 29º do ranking em fevereiro do ano passado, depois de alcançar as quartas de final do Australian Open. Mas para o ex-top 30, ainda há muito a ser feito para promover a igualdade de oportunidades no tênis. “O tênis não é como o basquete, que você só precisa de uma tabela e da bola, ou o futebol que você precisa de um gramado e da bola. Então, como podemos tornar isso acessível? Como conseguir uma grande quantidade de raquetes, cordas, redes, bolas e calçados? Essa é a parte mais difícil”.

Gauff, com apenas 16 anos, discursou em protesto

Ainda mais jovem que Tiafoe, a norte-americana de 16 anos Coco Gauff tem encorajado os fãs a agirem além das redes sociais. E para dar o exemplo, ela própria compareceu a um protesto pacífico em sua cidade natal, Delray Beach, e discursou diante dos manifestantes. Gauff lamentou ter que protestar pela mesma causa que os avós já lutavam há 50 anos, relembrou outros casos recentes de violência contra os negros, incentivou o voto (que não é obrigatório nos Estados Unidos) e falou sobre como tem trazido cada vez mais pessoas para apoiar suas causas.

“Acho que é triste que eu esteja protestando pela mesma causa que a minha avó teve que protestar há 50 anos”, disse Gauff, na última quarta-feira. “Passei toda a semana conversando com amigos que não são negros, tentando educá-los sobre como eles poderiam ajudar o movimento. Nós temos que agir, e é por isso que estamos aqui. Eu ainda não tenho idade para votar, mas está nas mãos de vocês decidirem sobre o meu futuro, o do meu irmão e também o de vocês”.

“Vocês precisam usar suas vozes. Não importa o tamanho e o alcance de suas plataformas. Como o Martin Luther King disse: ‘O silêncio das pessoas boas é pior que a brutalidade das pessoas ruins’. Então, não devemos ficar em silêncio. Se você escolhe ficar em silêncio, você fica ao lado do opressor”, acrescentou a atual 52ª colocada no ranking mundial e vencedora do WTA de Linz no ano

“Eu exijo mudanças agora. É triste que outra vida negra tenha sido perdida para que tudo isso estivesse acontecendo. Não estamos aqui apenas por causa do George Floyd, mas também pelo Eric Garner, pelo Travyon Martin, pela Breonna Taylor e muitos outros”, afirmou a jovem tenista norte-americana. “Eu tinha apenas oito anos quando o Travyon Martin foi morto. Por que estou aqui, aos 16 anos, ainda protestando por isso? Eu estou lutando pelo futuro do meu irmão e dos meus futuros filhos. Então, precisamos mudar isso agora. E eu prometo usar a minha plataforma para divulgar informações vitais”.

Atleta mais bem paga, Osaka também foi às ruas


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Há pouco mais de duas semanas, revista norte-americana Forbes divulgou que a japonesa Naomi Osaka foi a atleta mais bem paga de 2019. Ela ficou pela primeira vez à frente de Serena Williams, que liderava essa lista desde 2016. Osaka faturou US$ 37,4 milhões entre premiações de torneios e contratos de patrocínio. Considerando os ganhos de atletas homens e mulheres, a japonesa de 22 anos está na 29ª posição do ranking, enquanto Serena esta na 33ª posição. Elas são as únicas mulheres entre os 100 atletas mais bem pagos.

É bem comum que personalidades com muitos contratos publicitários busquem maior neutralidade e evitem se posicionar, mas essa não foi uma opção para Osaka. A jogadora que tem pai haitiano e mãe japonesa já foi vítima de preconceito por diversas vezes, até mesmo em seu país de origem. Atualmente em Los Angeles, ela fez questão de comparecer a um dos protestos pela morte de Floyd e tem sido bastante atuante também nas redes sociais.

“Só porque não está acontecendo com você, não significa que não esteja acontecendo”, escreveu Osaka, em seu perfil no Twitter. Ela também questionou aqueles que criticaram os protestos, mas que ficaram em silêncio sobre a morte de Floyd. “Vejo que algumas pessoas ficaram quietas no Twitter por uma semana quando tudo começou, mas assim que começaram os saques, já vieram para falar de hora em hora sobre como estão se sentindo. Eles falam sobre os saques antes de falar da morte de um homem negro desarmado”.

Aliassime lembra racismo sofrido por seu pai

O canadense de apenas 19 anos Felix Auger-Aliassime é um dos grandes nomes da nova geração, ocupando atualmente o 20º lugar do ranking mundial e já com cinco finais de ATP no currículo. Aliassime também é filho de um imigrante. Seu pai, Sam, é professor de tênis, nasceu no Togo e já foi discriminado durante uma abordagem policial.

Em vídeo publicado no Instagram, Aliassime conta que seu pai estava voltando do trabalho para casa em Québec quando passou a ser seguido pela polícia. “Ele virou à esquerda, à direita, fez um círculo completo, e a polícia continuava seguindo. Até que ele parou o carro. E então o carro da polícia parou logo atrás e uma policial bateu na janela dele”.

“Meu pai perguntou se havia cometido alguma infração e ela respondeu que não. Então ele perguntou: ‘Então por que estou sendo abordado?’ e ela explicou que era raro ver ‘uma pessoa de cor’ [reproduzindo palavras da policial] dirigindo aquele tipo de carro (uma Mercedes) naquele bairro. Meu pai ainda perguntou se havia alguma denúncia de roubo de carro nas redondezas, e ela novamente respondeu que não”, acrescentou o jovem jogador.

“Esta pequena história, que não foi violenta, e que tudo acabou em paz. Mas este tipo de situação cria coisas como as que estamos vendo hoje. Acho que as pessoas precisam ficar cientes que isso não acontece com ‘os outros’. Pode acontecer com seus amigos, professores, treinadores e com qualquer pessoa”, complementou Aliassime, que ainda assim se sente privilegiado por ter crescido em um lugar onde há maior liberdade de expressão.

Townsend relata preconceito nos torneios

A canhota norte-americana Taylor Townsend ocupa o 73º lugar do ranking mundial e ganhou notoriedade no ano passado por seu estilo de jogo com saque e voleio e pela surpreendente vitória sobre Simona Halep no US Open. Apesar disso, ela conta que sofre com a discriminação até mesmo no ambiente dos torneios.

“Quando estou circulando, pedem para checar a minha bolsa, checar a minha credencial, checar bolsas e credenciais do meu técnico. Tem uma segurança extra e precauções extras para ter certeza de que nós pertencemos àquele lugar. Isso acontece toda semana, em qualquer torneio que eu jogar, nos Estados Unidos ou no exterior”, revelou ao Tennis United.

“Mesmo no tênis, nós perdemos nossa identidade, como se todas nós fôssemos iguais. Todo mundo que vê uma mulher negra nos torneios já pensa que é a Venus, a Serena ou a Sloane [Stephens]. Tem pessoas que perguntam para mim se eu sou a Coco Gauff!”, explicou a jogadora de 24 anos.

“Aqui nos Estados Unidos temos muitas tensões raciais, muitas revoltas, mas também muitos protestos pacíficos”, acrescentou Townsend. “A comunidade negra foi suprimida. Nossa identidade foi roubada de nós. Homens negros estão sendo baleados e mortos no meio da rua, em plena luz do dia, por policiais. Essa foi a nossa realidade por muitos anos, mas agora as pessoas estão começando a acordar”.