Tag Archives: Emma Raducanu

Com 6 técnicos em um ano, Raducanu mira o US Open
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2022 às 11:04 pm

A curta carreira de Raducanu tem sido marcada por constantes trocas de treinador (Foto: AELTC)

De volta às quadras de grama de Wimbledon um ano depois de ter feito seu primeiro resultado de destaque no circuito, ao atingir às oitavas, Emma Raducanu não repetiu o bom desempenho da última temporada. Eliminada ainda na segunda rodada pela francesa Caroline Garcia, a britânica afirma que o aspecto mental não foi um fator determinante para a derrota por duplo 6/3 nesta quarta-feira em Londres. A atual número 11 do mundo já projeta a preparação para o US Open, onde tentará defender o surpreendente título conquistado no ano passado.

“Obviamente é difícil perder qualquer partida, mas acho que Caroline fez um grande jogo. Ela é uma grande jogadora. Eu lutei para encontrar um caminho hoje. Mas tudo bem porque, eu realmente não tinha muitas expectativas. Jogar na Quadra Central novamente foi uma experiência muito positiva para mim”, disse Raducanu após a derrota para Garcia na Quadra Central de Wimbledon.

“Já me fizeram essa pergunta [sobre a pressão] em todas as coletivas de imprensa. Mas eu tenho 19 anos e sou uma campeã de Slam. Ninguém vai tirar isso de mim. Não há pressão. Por que haveria alguma pressão? Ainda tenho 19 anos. Isso é uma piada. Eu literalmente ganhei um Slam”, acrescentou a britânica, que tem apenas nove vitórias na temporada e chegou às quartas em apenas um torneio, o WTA 500 de Stuttgart.

“Voltar a Nova York vai ser legal, porque tenho ótimas lembranças de jogar em quadras grandes, com muitas pessoas no estádio, com todos os olhares em você. Para mim, tudo é aprendizado. Estou aproveitando cada momento”, comenta a jovem tenista. “É claro que isso me fará uma jogadora melhor porque esses jogos estão destacando todas as minhas fraquezas. Então, quando você joga em uma quadra grande como essa, tudo é amplificado. Mas é ótimo para mim ter todas essas lições nessa idade, para que quando eu estiver na casa dos 20 anos, esses problemas ou pequenas falhas no meu jogo serão resolvidos”.

Carrossel de treinadores nos últimos meses
Um fator que chamou atenção na curta carreira de Raducanu é o carrossel de treinadores que acompanham a britânica. Na boa campanha do ano passado em Wimbledon, ela estava ao lado de Nigel Sears. Depois, contou com o apoio de Andrew Richardson na caminhada para o título do US Open. Após a conquista, encerrou a parceria e diz que procurava um treinador mais experiente, o nome escolhido foi o alemão Torben Beltz, ex-téncico de Angelique Kerber. O trabalho durou até abril deste ano, no início da temporada de saibro.

Além disso, a britânica teve acompanhamento pontual de outros profissionais da Lawn Tennis Association (LTA). Ainda em outubro do ano passado, em Indian Wells, treinou com Jeremy Bates. Já na atual temporada, com o fim da parceria com Beltz, viajou para Roma e Madri com Iain Bates, chefe do programa de tênis feminno da LTA. E nas últimas seis semanas, treinou com o consultor sênior de alto rendimento da federação, Louis Cayer.

‘Minha preparação não foi a melhor’, diz a britânica
A preparação para Wimbledon foi prejudicada por lesão em uma das costelas sofrida ainda no início da temporada de grama, em Nottingham. Depois disso, só voltou a jogar na primeira rodada do Grand Slam londrino. Ainda assim, ela garante que estava fisicamente bem durante o jogo. “Não senti nada fisicamente. Eu me declarei totalmente apta quando entrei na quadra no primeiro dia. Mas joguei sete horas de tênis em um mês. Eu não joguei tênis por duas semanas, e na última semana eu joguei uma hora por dia. Minha preparação não foi necessariamente a melhor. Para competir nesse nível e ganhar uma rodada já é uma conquista muito boa.

Antes do torneio, Raducanu também havia feito uma comparação com sua situação no ano passado, quando jogou como convidada e era apenas a 338ª do ranking. “Acho que como tenista, eu realmente cresci e me desenvolvi. Tenho habilidades que talvez não tivesse no ano passado. Mas todo mundo me conhece agora. Todo mundo sabe o que eu faço e todas querem me vencer. Eu tomo isso como um elogio e acho que isso vai me ajudar a longo prazo, porque se as jogadores estão melhorando seu nível contra mim, eu tenho que aumentar o meu. Com o tempo, serei um tenista melhor. Ainda tenho 15 ou mais anos de carreira pela frente. Estou apenas no começo”.

Tênis e WTA ganham muito com a rivalidade entre Iga e Emma
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2022 às 12:45 am

Swiatek e Raducanu se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira em Stuttgart (Foto: Jimmie48/WTA)

O confronto entre Iga Swiatek e Emma Raducanu foi o destaque na rodada das quartas de final do WTA 500 de Stuttgart. Ambas muito jovens e já campeãs de Grand Slam, elas se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira. Líder do ranking mundial e vivendo a melhor fase da carreira, Swiatek confirmou o favoritismo e venceu por duplo 6/4, marcando sua 21ª vitória consecutiva no circuito.

Já Raducanu, que fez seu melhor torneio na temporada, também deixou boas impressões e vai aos poucos reencontrando seu alto nível de tênis. E isso é uma ótima notícia, pensando em cada vez mais confrontos entre elas no futuro e em uma sadia rivalidade que pode ser muito benéfica para o circuito feminino e para o tênis de um modo geral.

Como foi a partida desta sexta-feira
Em quadra, o duelo entre Swiatek e Raducanu já começou com uma quebra a favor da polonesa logo no game de abertura. Ela usou devoluções no corpo e jogou próxima da linha de base, mandando nos pontos, até que a britânica cometesse seus primeiros erros. Depois disso, Raducanu passou a confirmar os games de serviço sem tantos riscos, em geral apostando em saques abertos, mas ficou atrás no placar o tempo todo, já que Swiatek só perdeu três pontos no saque em todo o set.

Aos poucos, Swiatek pegou o tempo das devoluções também para os saques abertos de Raducanu e passou a atacar as paralelas com o forehand. Já havia forçado um game mais longo no fim do primeiro set e conseguiu uma quebra no início do segundo. A britânica devolveu a quebra, mas voltaria a perder o saque na sequência. Raducanu pediu tempo médico de três minutos fora da quadra por um desconforto no quadril. A britânica chegou a ter um break-point no oitavo game, mas não conseguiu buscar o empate. A número 1 do mundo ainda escapou de um 15-40 quando sacava para o jogo, mas definiu a partida em seu serviço.

Tênis quer renovar sua audiência
Swiatek, de 20 anos, e Raducanu, de 19, têm grande potencial para atrair espectadores mais jovens para o tênis. Renovar a audiência do esporte é uma preocupação de dirigentes, tanto que uma série da Netflix com os bastidores do circuito mundial está sendo produzida nos mesmos moldes da premiada produção Drive to Survive, responsável por atrair o interesse de um público mais jovem para as corridas de Fórmula 1, além de fazer com que os fãs conhecessem mais e se interessassem por diferentes pilotos do grid.

Em uma era com um volume enorme de informação circulando, escolher um atleta para torcer pode levar em consideração variáveis que vão além dos resultados e estilos de jogo. Cada vez mais as pessoas vão ter como se identificar com um ídolo por sua personalidade, atitudes, estilos de vida e causas que defende. Uma relação ídolo e fã que tende a ficar cada vez mais forte.

Há ainda clara identificação pela idade que pode fazer os mais jovens torcerem por elas, e que acontece em diferentes gerações do esporte, além do fato de que alguns nomes que fizeram sucesso no passado recente estarem na reta final da carreira, fazendo com que os fãs mais antigos comecem a procurar novos nomes para torcer e continuar se emocionando com o tênis. São dois processos naturais e que muitos fãs de tênis já passaram por isso.

Personalidades parecidas, caminhos distintos
Pensando nas personalidades das duas jogadoras, há alguns traços em comum. Raducanu sempre se dedicou muito aos estudos e falava sobre a busca pelas notas mais altas no colégio durante sua campanha de destaque até as oitavas de final de Wimbledon no ano passado. Com pai romeno e mãe chinesa, aprender as duas línguas, mas sobre a cultura desses dois países. Quando disputou um WTA 250 na Romênia no fim do ano passado, já como campeã de Grand Slam, foi tratada como jogadora local pelos fãs e organizadores do evento.

Swiatek é uma devoradora de livros, fã de clássicos da literatura, mas também do Rock N’ Roll dos anos 80. A polonesa, que tem um trabalho de longo prazo com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, também levanta a bandeira da saúde mental no esporte e na vida, já arrecadou dinheiro para organizações que tratam do assunto e fala abertamente sobre o tema sempre que é perguntada. Já na atual temporada, após o início da guerra na Ucrânia, solidarizou-se de forma pública com as vítimas da guerra no país vizinho ao seu. Sinais de empatia e maturidade.

As trajetórias no esporte, entretanto, são distintas. Swiatek já se destacava nas competições juvenis há , primeiro com o título da Polônia na Fed Cup Júnior em 2016 e também com a conquista do torneio juvenil de Wimbledon em 2018. Naquele mesmo ano, terminaria a temporada no 174º lugar do ranking profissional, mas já entraria no top 50 na temporada seguinte. Seu grande salto, entretanto, foi com o título de Roland Garros em 2020, que a colocou na disputa pelas primeiras posições do ranking.

Já Raducanu era apenas a 150ª do mundo quando foi campeã do US Open e disputava só o Grand Slam da carreira. Até por isso, sabe que a polonesa tem muito mais experiência no alto nível, apesar da pouca diferença de idade. “Iga já joga tênis em tempo integral há anos”, disse a britânica ao site da WTA. “Ela estava no ITF Tour e estava no WTA Tour. Eu fiquei sem jogar durante 18 meses, enquanto estava estudando para os meus exames e não joguei tantos torneios. Eu estava treinando três vezes uma semana por 10 horas por semana no ano passado. Então é só agora que estou construindo robustez e jogando partidas semana após semana. Você não pode comparar as jornadas porque tivemos caminhos diferentes. Desde que ela venceu o Slam, ela se saiu muito bem e permaneceu consistente. Não tenho certeza de quando isso acontecerá para mim, mas tenho certeza que vou chegar lá.”

Interesse de grandes marcas e mais compromissos


As duas jogadoras também atraem o interesse de marcas importantes, inclusive no segmento de luxo, e que investem em peso no tênis. Raducanu é embaixadora de grifes como a DiorTiffany & Co. e recentemente também fechou parceria com a montadora Porsche, principal patrocinadora do torneio de Stuttgart e uma das maiores parceiras da WTA. Swiatek conta com apoio da Rolex e também da Red Bull, além de levar no uniforme a marca de seguradora polonesa PZU.

Com o interesse de tantas empresas de grande porte, há também a necessidade de administrar bem os compromissos extra-quadra. Swiatek abordou o assunto em recente entrevista ao site da WTA no fim do ano passado. “Estou conversando com a equipe que gerencia a minha carreira para que eu possa descansar mais quando estou em casa. Então, talvez no próximo ano eu consiga marcar todas as sessões de fotos e eventos com patrocinadores em blocos. Este ano, eu não pude fazer isso porque tudo era novo para nós e as parcerias são muito recentes. Então, agora, nos conhecemos melhor e acho que será mais fácil fazer isso”.

Com a chegada ao topo do ranking, a nova número 1 sabe que a preparação é cada vez mais importante. “No começo quando eu queria trabalhar com um psicólogo pensando nas coisas que estão acontecendo na quadra. Mas depois eu percebi que tudo que está acontecendo na minha vida realmente influencia no meu desempenho. Também achei muito bom trabalhar com a Daria. Eu me sinto muito confortável e que realmente posso confiar nela. Então, percebi que se eu também posso ter mais confiança fora da quadra, tenho uma saúde mental melhor e me se sinto mais calma na vida e satisfeita. Então, agora estamos trabalhando em tudo”.

Osaka e Andreescu também são ótimas opções
Outras duas campeãs de Grand Slam têm grande potencial para atrair o interesse de uma nova geração de fãs e construir rivalidades que vão trazer ainda mais olhares para o tênis. Naomi Osaka é um pouco mais velha, com 24 anos, mas tem quatro títulos de Slam no circuito e liderou o ranking, além de ser voz atuante nas lutas contra o racismo e a violência policial, e também pela causa da saúde mental no esporte. A japonesa é hoje a atleta mais bem paga do mundo, também com apoio de várias marcas de peso.

Bianca Andreescu, de 21 anos e vencedora do US Open em 2021, passou um ano sem jogar por conta de uma grave lesão no joelho e se afastou das competições por mais sete meses para cuidar da mente. A canadense reconhece que pensou em largar o tênis, mas decidiu voltar e carregar a missão de utilizar o tênis para ajudar a construir um mundo melhor.

A renovação do tênis feminino está em ótimas mãos, com jogadoras campeãs em quadra e que se expressam muito bem fora dela. Resta torcer para que esses confrontos se repitam cada vez mais e para que dirigentes e promotores do esporte saibam utilizar as personagens para ações positivas, sem sobrecarregá-las.

De surpresa a alvo: Os próximos passos de Raducanu
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 16, 2022 às 6:40 pm

Campeã do US Open vinda do quali, Raducanu volta a disputar um Grand Slam sob muito mais holofotes (Foto: Tennis Australia)

Há menos de seis meses, Emma Raducanu entrava na disputa do US Open como uma jovem jogadora vinda do qualificatório. Então com 18 anos e número 150 do mundo, a britânica seria na melhor das hipóteses uma candidata a dificultar o caminho de jogadoras mais experientes ou de eventualmente derrubar um grande nome do torneio. Mas ela superou todas as expectativas, emendou uma sequência de dez vitórias seguidas e sem perder sets durante três semanas e conquistou um improvável título de Grand Slam. Aquela era apenas sua segunda participação em eventos deste porte, sendo que antes ela havia disputado Wimbledon como convidada e feito uma interessante campanha até as oitavas de final.

Chegamos, então, a janeiro de 2022 e Raducanu está na reta final de preparação para um novo Grand Slam. Ela inicia a disputa do Australian Open sob muito mais holofotes. Afinal, quais serão os próximos passos daquela surpreendente campeã? Descobriremos ao longo da temporada, que está apenas começando. A britânica, agora com 19 anos, é a número 18 do mundo e já entra em quadra muito mais visada pelo público e a mídia e também mais estudada por suas adversárias.

“Doze meses atrás, eu estava no meu quarto estudando para meus exames e assistindo ao torneio de longe no ano passado. Hoje estou aqui na Austrália e me sinto muito grata por ter essa oportunidade de jogar aqui. Na semana passada em Sydney, eu recebi muito apoio. Espero contar com os fãs aqui também. Estou muito ansiosa para encontrá-los”, disse Raducanu na entrevista coletiva do último sábado em Melbourne.

Britânica trocou de técnico e iniciou o ano com dura derrota
Uma das primeiras atitudes de Raducanu pouco depois de ter conquistado o US Open foi encerrar a parceria com o técnico Andrew Richardson, alegando que precisaria de um nome mais experiente em sua equipe para lidar com todas as mudanças de vida que acontecem após um título de Grand Slam. Ela disputou apenas mais três torneios até o final de 2021, caindo na estreia em Indian Wells e Linz e chegando às quartas de final do WTA 250 de Cluj-Napoca. No fim do ano, a busca por um técnico chegou ao fim e ela firmou uma parceria com o alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao número 1 do ranking.

No entanto, a preparação para 2022 foi comprometida por um diagnóstico de Covid-19 em dezembro, atrapalhando sua pré-temporada. E em seu primeiro jogo no ano, ela sofreu uma dura derrota da cazaque Elena Rybakina em Sydney por 6/0 e 6/1 em apenas 55 minutos de disputa. Logo após o jogo, mostrou que não estava satisfeita com seu nível de atuação e foi direto para a quadra de treino.

“Depois da partida, eu peguei uma caixa de bolas e fui direto para a quadra de treino. Eu senti que poderia ter feito algumas coisas melhor hoje e queria tentar consertar isso imediatamente, e apenas sair de lá com um sentimento melhor sobre isso. Então, nós fomos para a quadra”, explicou Raducanu, que perdeu os nove primeiros games da partida, antes de finalmente confirmar um game de saque.

Naquela partida, Raducanu cometeu seis duplas faltas, colocou apenas 65% de primeiros serviços em quadra e venceu apenas dois dos 15 pontos jogados com o segundo saque. “Sinto que minha porcentagem de primeiro saque foi muito baixa e que fiz algumas duplas faltas. Eu estava apenas tentando arrumar isso. E depois então, treinei um pouco a movimentação, apenas para ter uma boa sensação da bola. Eu só queria sair com um bom pressentimento sobre as coisas”.

‘Meu maior desafio é ser paciente’, diz a britânica
Com todas as transformações que ocorrem dentro e fora de quadra para uma campeã de Grand Slam, ainda mais quando se fala de uma jogadora tão jovem, paciência é a palavra-chave. “Eu diria que o maior desafio é ser paciente. Eu sempre quero ser o melhor que puder o tempo todo, como se eu fosse um pouco perfeccionista. Seja nos treinos ou mesmo fora da quadra. Mas às vezes isso não é muito viável. Preciso apenas relaxar. Enquanto a tendência for de alta, com apenas algumas pequenas flutuações, acho que posso me orgulhar. Seja qual for o desafio, me sinto pronta para enfrentá-lo agora”.

“Sinto que por causa dos últimos meses que tive, talvez não tenha jogado ou treinado tanto quanto gostaria. Mas sinto que não há realmente nenhuma pressão sobre mim. Estou feliz por estar aqui. Tive que passar por alguns obstáculos para chegar até aqui, então só quero ir lá, me divertir, e curtir a quadra”, acrescentou a tenista, que faz sua primeira participação no Australian Open como profissional. E quando era juvenil, jogou apenas em 2019 e caiu na estreia. 

Inspiração em Li e estreia contra Stephens
Raducanu, que tem mãe chinesa, falou de suas recordações do título de Na Li, que superou a eslovaca Dominika Cibulkova na final do Australian Open de 2014. Na condição de fã, a britânica estava com apenas 11 anos.

“Lembro-me de assistir àquela partida. Foi uma partida de altos e baixos, muito apertada no terceiro set. Eu lembro de uma hora que ela caiu e bateu a cabeça no chão. Lembro-me muito claramente. Eu cresci assistindo às partidas dela e sinto que me inspirei no jogo e na movimentação dela. Gosto de pensar que temos qualidades semelhantes em termos de ser mentalmente fortes e resilientes.

A adversária de Raducanu na estreia em Melbourne será outra campeã de Grand Slam. Ela enfrenta a norte-americana Sloane Stephens, vencedora do US Open em 2017. Stephens já foi número 3 do mundo, mas atualmente aparece no 67º lugar do ranking aos 28 anos. “Eu vi a Sloane ganhar o US Open e treinei com ela no ano passado, mas nunca jogamos uma contra a outra. É uma grande adversária. Obviamente, você não ganha um Grand Slam sem ser muito capaz. Acho que vai ser um jogo difícil, com certeza. Mas preciso curtir a partida porque tive que trabalhar muito para estar aqui e jogar este Grand Slam”.

One-hit wonder?
Também durante a última semana, foi divulgada um comercial da Nike estrelado por Raducanu. Enquanto ela joga, um painel exibe uma sequência de adjetivos contrastantes para a britânica: De distraída a perfeita, do acaso ao impecável, e de lá para ‘one-hit wonder’, em referência àqueles que dizem que ela nunca vencerá mais nada. A campanha termina com a mensagem ‘Deixem que falem, e jogue’. A britânica foi perguntada sobre o comercial na entrevista e respondeu em poucas palavras: “Acho que o vídeo fala por si só. É assim que me sinto”.

Quem são os jovens tenistas para assistir em 2022
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 28, 2021 às 5:56 pm

Para Emma Raducanu, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias

Uma nova temporada do tênis internacional se inicia na próxima segunda-feira, com os principais nomes do circuito atuando na Austrália. Os atletas da nova geração do circuito chegam para 2022 com diferentes perspectivas, especialmente quando se fala em tênis feminino, onde vemos jogadoras muito novas já lutando por títulos importantes. Entre os homens, a renovação do circuito é mais lenta, mas também há jovens tenistas em franca evolução e que podem surpreender.

Pelo quinto ano seguido, TenisBrasil  apresenta a lista de jovens jogadores para acompanhar no próximo ano.  A relação deste ano conta com 23 nomes, com diversas ambições na temporada.

+ Confira 15 jovens tenistas para assistir em 2021
+ Dez jovens tenistas para assistir em 2020
+ Dez jovens que podem surpreender em 2019

+ Dez jovens que podem surpreender em 2018

Quatro fortes candidatas a títulos
O primeiro ponto a ser observado nas perspectivas para 2022 da nova geração são as chances de títulos para quatro jogadoras da WTA. Iga Swiatek, de 20 anos e número 9 do mundo, e Emma Raducanu, de 19 anos e 19ª colocada, já são campeãs de Grand Slam. Um pouco abaixo no ranking estão Coco Gauff, de 17 anos e 22ª do ranking, e Leylah Fernandez, 24ª do mundo aos 19 anos. Fernandez foi vice em Nova York este ano, enquanto Gauff fez quartas em Roland Garros e já tem dois títulos de WTA.

Em 2021, Swiatek deu continuidade à grande temporada que teve no ano anterior. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, a polonesa foi consistente ao chegar às oitavas de final em todos os Grand Slam e também conquistou dois títulos, o WTA 1000 de Roma e o 500 de Adelaide, fundamentais para que ela chegasse ao top 10 e disputasse o WTA Finals pela primeira vez. No fim do ano, encerrou a parceria de cinco anos que teve o técnico Piotr Sierzputowski.

Para Emma Raducanu, que começou o ano como 345ª do mundo e termina como top 20 e campeã do US Open, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias. Desde a conquista em Nova York e a mudança repentina de vida, a britânica disputou apenas mais três torneios e sofreu eliminações precoces. Disposta a ter um nome mais experiente na equipe, contratou para 2022 o técnico alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao topo do ranking.

De olho em Sinner, Alcaraz e Musetti

Sinner chegou ao top 10 em 2021 e venceu quatro títulos de ATP este ano

O espanhol Carlos Alcaraz e os italianos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti são nomes a observar de perto em 2022. Sinner, de 20 anos, conquistou quatro de seus cinco títulos de ATP na última temporada, além de conseguir outros bons resultados como a final do Masters 1000 de Miami e as oitavas no US Open. Ele iniciou o no 37º lugar e finalizou a temporada no top 10. Pupilo do experiente treinador Riccardo Piatti, o italiano conviveu com grandes nomes do circuito desde muito jovem, o que o ajudou muito em seu desenvolvimento.

Carlos Alcaraz, eleito a revelação de 2020 pela ATP e indicado entre os jogadores que mais evoluíram em 2021, também é um nome a ser visto de perto. O espanhol de 18 anos ganhou mais de cem posições no ranking na última temporada, saltando do 141º para o 32º lugar. Ele foi campeão do ATP de Umag e chegou às quartas de final do US Open, além de ter conseguido sua primeira vitória contra top 10 diante de Stefanos Tsitsipas. Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz tem exibido um tênis agressivo e bem adaptado às condições de um circuito com cada vez mais torneios no piso duro. É um nome forte para ter resultados consistentes e estará no Brasil, disputando o Rio Open.

No caso de Lorenzo Musetti, a principal meta é uma retomada dos bons resultados após um segundo semestre abaixo do esperado. Desde sua campanha até as oitavas de final em Roland Garros, o italiano de 19 anos e atual 59º do ranking só conseguiu mais quatro vitórias em chaves principais no circuito da ATP. São resultados que destoam de uma boa primeira metade da temporada com duas semifinais de ATP.

Tauson, Osorio e Parry podem surpreender

Clara Tauson, de 19 anos, conquistou dois títulos em 2021 e é uma ameaça nas quadras duras e cobertas

A temporada feminina de 2021 apresentou jogadoras que conseguiram seus primeiros resultados de destaque no circuito da WTA e são possíveis ameaças para as principais favoritas nas fases iniciais dos torneios. Entre os destaques estão a dinamarquesa Clara Tauson, de 19 anos e 44ª do ranking, a colombiana Camila Osorio, de 20 anos e 55ª colocada, e também a francesa Diane Parry, 115ª do mundo aos 19 anos.

Tauson está se firmando como uma ameaça nos torneios em quadras duras e cobertas. Ela conquistou dois títulos nessas condições, em Lyon e Luxemburgo, além de ter disputado uma final em Courmayeur no fim do ano. A dinamarquesa tem um jogo agressivo com pontos curtos e muita potência nos golpes dos dois lados. Já Osorio é formada no saibro e conquistou seu primeiro título de WTA em Bogotá, mas também tem se destacado em outros pisos, com uma terceira rodada em Wimbledon e uma vitória sobre a top 10 Elina Svitolina na quadra dura de Tenerife.

Um pouco mais abaixo no ranking, Parry se destacou em torneios sul-americanos na reta final da temporada. Ela disputou duas finai na série 125, com título em Montevidéu e vice em Buenos Aires, além de também chegar à semifinal de um forte ITF em Santiago. Ex-número 1 juvenil, a francesa também chama atenção por um eficiente backhand de uma mão, um bom uso dos slices e um forehand com muito peso. Convidada para a chave principal do Australian Open, Parry tem a chance de crescer muito rápido no ranking.

Novas realidades para brasileiros e argentinos

Matheus Pucinelli fez a transição dos torneios ITF para os challengers no meio de 2021 e tenta dar mais um passo no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O ano de 2022 pode ser de novas realidades para grupos de brasileiros e argentinos do circuito. Para Juan Manuel Cerundolo e Sebastian Baez, números 90 e 99 do ranking aos 20 anos, será interessante vê-los em um calendário de torneios de nível ATP e com maior variedade de pisos e condições. Os dois argentinos conseguiram saltar no ranking ao longo da última temporada praticamente só jogando em challengers no saibro. Baez conseguiu seis títulos e 44 vitórias no piso, enquanto Cerundolo venceu três challengers (com 38 vitórias) e mais um ATP em Córdoba.

Para os nomes da nova geração brasileira, será interessante acompanhar a evolução de Matheus Pucinelli, de 20 anos e 287º do ranking, Gustavo Heide, 477º do mundo aos 19 anos, Gilbert Klier, 410º aos 21 anos, e Gabriel Décamps, 500º colocado aos 22 anos. Os quatro jogadores tiveram destaque em competições de nível future no circuito e tentam agora se firmar nos challengers.

Pucinelli fez essa transição ao longo do ano, três títulos e dois vices de ITF, e depois vencer mais 14 partidas de challenger com uma semifinal em Santiago. Heide e Klier conquistaram cada um três títulos de ITF e venceram seus primeiros jogos de challenger já no fim do ano. Já Décamps voltou ao circuito profissional em julho, vindo do circuito universitário norte-americano. O paulista estava com ranking zerado, mas se firmou entre os 500 do mundo com um título e dois vices de ITF, além de uma semifinal de challenger.

Adolescentes promissoras no circuito feminino

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional (Foto: Luiz Candido/CBT)

Há ainda um grupo de jogadoras no circuito feminino que vale muito ficar de olho, o das adolescentes promissoras: A lista é puxada por Victoria Jimenez Kasintseva, tenista de apenas 16 anos e natural de Andorra. Ex-líder do ranking mundial juvenil, ela já aparece no 255º lugar entre as profissionais e conquistou um título no Brasil, em Aparecida de Goiânia. Destaque também para a norte-americana Robin Montgomery, de 17 anos e 372ª do ranking, campeã juvenil do US Open.

Vale ficar de olho também nas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova, números 2 e 4 do ranking mundial juvenil. Linda, de 16 anos e já 279ª da WTA. Brenda, com apenas 14 anos, teve sua primeira oportunidade no tênis profissional na última semana e avançou uma rodada no WTA 125 de Seul.

A situação de Rune, Tseng e norte-americanos 

Jenson Brooksby foi escolhido o Novato do Ano no circuito da ATP

Três norte-americanos estão em situações próximas no ranking da ATP e tentam dar um novo salto de qualidade. São os casos de Sebastian Korda, 41º aos 21 anos, Jenson Brooksby, 56º aos 21 anos, e Brandon Nakashima, 69º aos 20 anos. Korda venceu um ATP em Parma e jogou final em Delray Beach. Brooksby foi eleito o Novato do Ano, disputou uma final em Newport Beach e a semi em Washigton, enquanto Nakashima disputou duas finais seguidas em Atlanta e Los Cabos.

Outros dois nomes valem ser observados no circuito masculino. Um deles é o dinamarquês Holger Rune, 103º do ranking aos 18 anos. Rune conquistou quatro títulos de challenger este ano e já venceu sete jogos de ATP, ficando cada vez mais perto do top 100. Já o taiwanês Chun-Hsin Tseng chegou ao 188º lugar do ranking aos 20 anos. Ele já tem quatro títulos de ITF e terminou o ano disputando duas finais seguidas de challenger em Portugal, com um título e um vice.

 

Geração 2000 já tem três campeãs de Grand Slam e cinco no top 30
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 13, 2021 às 8:10 pm

Emma Raducanu se juntou a Bianca Andreescu e Iga Swiatek entre as campeãs nascidas a partir de 2000 (Foto: Darren Carroll/USTA)

O título de Emma Raducanu no US Open foi o terceiro troféu de Grand Slam para uma jogadora nascida a partir de 2000. A britânica de 18 anos se junta à canadense Bianca Andreescu, que puxou a fila ao ser campeã em Nova York há duas temporadas. Já no ano passado, foi a vez de a polonesa Iga Swiatek vencer Roland Garros.

As conquistas de jogadoras tão jovens em grandes torneios acompanham um momento de renovação no ranking, já com três tenistas com até 21 anos entre as 20 melhores do mundo e cinco nessa faixa etária dentro do top 30. Entre as cem primeiras no ranking divulgado nesta segunda-feira, são 14 jogadoras nessa idade, algumas já com títulos no circuito da WTA e quase todas com pelo menos uma campanha de terceira rodada em Grand Slam na carreira.

Entre as tenistas com até 21 anos, Swiatek é a que está em melhor momento no ranking, ocupando atualmente a oitava posição. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, caindo nas quartas de final este ano, a polonesa faz uma temporada consistente. Ela chegou pelo menos às oitavas em todos os Grand Slam e conquistou títulos em Adelaide e Roma.

Gauff é a mais jovem do top 100, Andreescu cai
Jogadora mais jovem de todo o top 100, Coco Gauff é a 19ª do ranking aos 17 anos. Ela está com o melhor ranking da carreira, já tem dois títulos de WTA, e chegou recentemente às quartas em Roland Garros. Uma posição abaixo abaixo está Bianca Andreescu, já campeã de Grand Slam, e que perdeu os pontos do título do US Open de 2019. A canadense de 21 anos tem três títulos expressivos na carreira, já que também conquistou Indian Wells e Toronto há duas temporadas.

Ainda no top 30, aparecem as duas finalistas do US Open: Emma Raducanu saltou 127 posições depois de ter feito uma campanha impressionante, com dez vitórias seguidas desde o qualificatório até conquistar o título logo no segundo Grand Slam que disputava. Agora 23ª do mundo, a britânica só havia jogado antes em Wimbledon, quando aproveitou o convite e foi até as oitavas. A vice Leylah Fernandez também deu um bom salto, da 73ª para a 28ª posição do ranking. A canadense de 19 anos recém-completados tem um título de WTA, conquistado este ano em Monterrey, já venceu quatro tenistas do top 10, e agora também tem uma final de Slam no currículo.

Nova geração pode ter mais nomes chegando
As ucranianas Dayana Yastremska, de 21 anos e 53ª do ranking, e Marta Kostyuk, 56ª colocada aos 19 anos, são fortes candidatas a também surpreenderem em grandes torneios em um futuro próximo. Yastremska já tem três títulos de WTA, chegou a ocupar o 21º lugar do ranking no ano passado e chegou às oitavas de final de Wimbledon em 2019. Kostyuk está apenas uma posição abaixdo melhor ranking da carreira e este ano fez oitavas em Roland Garros.

Atrás delas aparecem Clara Tauson e Maria Camila Osorio, números 70 e 71 do mundo. Ambas já têm títulos de WTA, Tauson em Lyon e Osorio em Bogotá. A colombiana de 19 anos fez uma surpreendente campanha do quali até a terceira rodada na grama de Wimbledon, enquanto a dinamarquesa de 18 anos ainda não conseguiu passar da segunda rodada de torneios do Grand Slam, em quatro participações.

Um pouco abaixo está a russa Varvara Gracheva, de 21 anos e 77ª do ranking. Ela ainda não tem títulos ou finais de WTA na carreira, mas já chegou à terceira rodada em três Grand Slam, incluindo dois este ano, Roland Garros e US Open. Bem mais conhecidas são Amanda Anisimova, 81ª do mundo, e Anastasia Potapova, 89ª, ambas de 20 anos. Anisimova já foi semifinalista de Roland Garros em 2019, enquanto Potapova chegou à terceira fase na Austrália este ano. Ambas foram campeãs juvenis de Grand Slam e estiveram nas primeiras posições do ranking da categoria.

Também prodígios nos tempos de juvenil, a francesa Clara Burel e a norte-americana Claire Liu aparecem no 92º e no 96º lugar, respectivamente. Burel, de 20 anos, chegou à terceira rodada de Roland Garros no ano passado, enquanto Liu está com o melhor ranking da carreira nesta segunda-feira, aos 21 anos, apesar de ainda não ter passado da segunda fase de um Grand Slam.

Jovens e filhas de imigrantes, Fernandez e Raducanu protagonizam final histórica
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2021 às 11:27 pm

Emma Raducanu, de 18 anos, disputa apenas o segundo Grand Slam da carreira e já está na final (Foto: Darren Carroll/USTA)

A final feminina do US Open é histórica por diferentes motivos. Leylah Fernandez, de 19 anos, e Emma Raducanu, 18, fazem um confronto da nova geração neste sábado, a partir das 17h (de Brasília). Nova York não assistia a uma final entre duas jogadoras tão jovens desde 1999, quando Serena Williams tinha 17 anos e superou Martina Hingis, 18, na decisão. Outro ponto em comum entre Fernandez e Raducanu está o fato de ambas serem filhas de imigrantes com heranças multiculturais.

Nascida em Montréal em setembro de 2002, Leylah Fernandez tem pai equatoriano e avós maternos das Filipinas. O pai, Jorge Fernandez, é também seu treinador, dividindo as funções com Romain Deridder. Já Raducanu tem pai romeno e mãe chinesa. Curiosamente, nasceu em Toronto, no Canadá, em novembro de 2002, mas sua família se mudou para Londres quando a filha única do casal tinha apenas dois anos. Toda a formação de Raducanu como tenista, incluindo o suporte médico, financeiro e de preparação física, foi fruto de um trabalho da Lawn Tennis Association, que desenvolve a modalidade no Reino Unido.

“Acho que ter uma mãe chinesa me fez aprender desde muito jovem a trabalhar duro e ter disciplina. Quando eu era mais jovem, eu me inspirava muito em Na Li, porque ela era muito competitiva. Ela tinha armas extremamente boas, ótimos movimentos e boa mentalidade, mas sua força interior e confiança realmente se destacaram para mim. Lembro-me de vê-la jogar com Schiavone na final de Roland Garros. Foi definitivamente uma partida longa e difícil. Mas a quantidade de força mental e resiliência que ela mostrou, naquele dia ainda fica na minha cabeça hoje”, disse Raducanu sobre sua fonte de inspiração.

A tenista ainda mantém um vínculo muito forte com a Romênia e tem a número 3 do mundo Simona Halep como fonte de inspiração. “Meu pai é romeno de Bucareste e a minha avó, Mamiya, ainda mora lá. Eu volto algumas vezes por ano e fico com ela. É muito bom. Eu amo a comida romena, e a comida da minha avó também é especial. Tenho muitos laços com Bucareste”, comentou durante o torneio de Wimbledon. Admiro muito a Simona Halep, pela movimentação dela e também a forma como ela luta e compete. Em algumas das situações do jogo, eu penso em competir da mesma forma que algumas jogadoras como a Halep fazem”.

Já Fernandez fica surpresa com a receptividade que o tênis está tendo nas Filipinas, apesar de não saber muito sobre a cultura do país. “Estou muito feliz em saber que todos nas Filipinas estão torcendo por mim e me apoiando. Infelizmente eu não sei muito sobre a cultura filipina, mas eu sei que minha família faz pratos incríveis. Espero que, quando eu voltar para o Canadá e visitá-los, façam um prato filipino especial. E mal posso esperar para aprender mais sobre a cultura no futuro”.

Duelo entre elas apenas no juvenil

Apesar da pouca diferença de idade, Fernandez e Raducanu nunca se enfrentaram pelo circuito profissional. Mas já tiveram um confronto pelo torneio juvenil de Wimbledon em 2018 e a britânica, então com 15 anos, levou a melhor. Esta é a primeira vez que o US Open tem uma final entre duas jogadoras que não são cabeças de chave. Raducanu é a número 150 do mundo e veio do quali, enquanto Fernandez é 73ª colocada. Ambas vão subir bastante no ranking, a canadense está saltando para o 27º lugar e pode ser a 19ª se for campeã, enquanto a britânica está indo para a 32ª posição, podendo alcançar o 24º posto em caso de título.

Raducanu tenta encerrar jejum britânico, Fernandez pode repetir Andreescu
Primeira jogadora vinda do qualificatório a disputar uma final de Grand Slam na Era Aberta, Raducanu é também a segunda tenista de fora do top 100 a chegar à decisão do US Open. Ela disputa apenas seu segundo Slam como profissional, repetindo o feito de Pam Shriver no US Open de 1978 ao atingir a final. Além disso, pode se tornar a primeira britânica a vencer um Grand Slam desde Virginia Wade, na grama de Wimbledon em 1977. Wade também foi a única britânica a vencer o US Open na Era Aberta, em 1968.

Já a história do tênis canadense no US Open é mais recente. Ao chegar à final, Leylah Fernandez se coloca em posição de repetir o feito de Bianca Andreescu em 2019. Há dois anos, Andreescu derrotou Serena Williams na final para conquistar seu primeiro e até hoje único título de Grand Slam. Curiosamente, ela tinha a mesma idade que sua compatriota. Outra canadense a disputar uma final de Slam recentemente foi Eugenie Bouchard, vice na grama de Wimbledon em 2014.

Com três jogos a mais, Raducanu passou menos tempo em quadra
Ainda sem perder sets no torneio, Raducanu venceu nove jogos seguidos em Nova York. E curiosamente, passou menos tempo em quadra do que Fernandez, que vem de quatro batalhas seguidas em três sets. A britânica acumula 7h42 em quadra durante a chave principal e mais 3h52 do quali. Com isso, tem 11h34 de tempo acumulado em quadra durante o torneio. Já Fernandez, que derrubou as campeãs do US Open Naomi Osaka e Angelique Kerber, a número 5 do mundo Elina Svitolina e a vice-líder do ranking Aryna Sabalenka, ficou em quadra por 12h45.

Quanto vale o título do US Open?
O prêmio em dinheiro para a campeã do US Open é de US$ 2,5 milhões, além de 2 mil pontos no ranking mundial da WTA. A vice-campeã recebe US$ 1,25 milhão e 1.300 pontos no ranking. Fernandez acumulou na carreira uma premiação de US$ 786.772, tendo conquistado um título de WTA no início deste ano em Monterrey e alcançado o 66º lugar do ranking. Já Raducanu, que não era nem top 300 há dois meses, quando recebeu convite em Wimbledon e chegou às oitavas, acumulou na carreira um prêmio de US$ 303.376.

Expectativas para a final de sábado
Raducanu acredita que o fato de ser uma jogadora jovem e sem precisar lidar com tanta pressão a ajudou na campanha até a final do US Open. “Honestamente, quando você é jovem, pode jogar completamente livre. Mas tenho certeza que quando for mais velha ou tiver mais experiência, acho que a situação vai virar e algumas jogadoras ainda mais jovens aparecerão. Mas agora estou apenas pensando no meu plano de jogo, como executá-lo. Isso foi o que me colocou nesta situação e é o que estou fazendo muito bem no momento”.

Já Fernandez se lembrou das vezes em que duvidaram de seu potencial. “Acho que muita gente duvidou de mim, da minha família e dos meus sonhos. Eles ficavam dizendo não, que eu não seria uma jogadora profissional, que deveria parar e apenas focar nos estudos. Lembro-me de uma professora que me disse para parar de jogar tênis, porque eu nunca iria conseguir, e deveria apenas me concentrar na escola”.

“Sabe de uma coisa, estou feliz que ela me disse isso, porque todos os dias tenho essa frase na minha cabeça e isso me faz querer continuar avançando, para provar à ela que posso alcançar tudo que eu sonhei. Mas isso é basicamente apenas a ponta do iceberg. Há muito mais coisas pelas quais passamos como família. Acho que agora posso dizer que fiz um ótimo trabalho na realização dos meus sonhos”.

Algoz de grandes nomes do circuito, ela se sente muito bem no Arthur Ashe Stadium e tem entretido o público. “Acho que tenho feito coisas incríveis. Estou apenas me divertindo, tentando produzir algo para o público aproveitar. Estou feliz que tudo o que estou fazendo na quadra, os fãs estão adorando e eu também estou adorando. Diremos que é um momento mágico”.

As chances de Fernandez e Raducanu nas semifinais
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 9, 2021 às 8:48 pm

Fernandez pode apostar nas variações de altura, peso e direção de bola para tentar quebrar o ritmo agressivo de Sabalenka (Foto: Darren Carroll/USTA)

Duas representantes da nova geração do tênis feminino disputam nesta quinta-feira as semifinais do US Open. A rodada começa com a canadense Leylah Fernandez, de 19 anos, desafiando a número 2 do mundo Aryna Sabalenka a partir das 20h (de Brasília). Na sequência, será a vez de Emma Raducanu, de 18 anos e vinda do qualificatório, enfrentar a grega Maria Sakkari, 18ª colocada. Apesar do favoritismo das adversárias mais experientes, Fernandez e Raducanu têm motivos para acreditar em suas chances.

Fernandez terá a missão de encarar uma das adversárias mais agressivas e de golpes mais potentes no circuito. Aryna Sabalenka é uma jogadora que prefere ter o total controle das ações dentro de quadra, sempre partindo para a definição dos pontos em poucas trocas de bola. Em seus melhores dias, é uma máquina de winners e não há muito o que fazer contra ela. Já nas atuações abaixo de seu melhor nível, acaba se perdendo com grande número de erros não-forçados e dá muitos pontos de graça.

A canadense até já enfrentou adversárias que tinham muito peso de bola no torneio e se saiu muito bem, tanto contra Naomi Osaka na terceira rodada, como diante de Angelique Kerber nas oitavas. Entre as duas, o estilo de Osaka lembra mais o de Sabalenka. Entre as soluções para a canadense estão as variações de altura e peso de bola, algo que ela faz bem desde que começou a se firmar no circuito da WTA. A ideia é tirar a bola da linha de cintura de Sabalenka e quebrar o ritmo da bielorrussa, levando a rival a cometer um número maior de erros.

Fernandez também passou no teste quando precisou controlar o ritmo do jogo. Foi assim no primeiro set e também em alguns momentos do terceiro contra Elina Svitolina nas quartas de final. A canadense conseguia mexer bastante a rival do fundo de quadra. Svitolina é uma jogadora que costuma se defender até melhor que Sabalenka, que pode se complicar se tiver que bater na bola em posições desconfortáveis. Manter a intensidade é outro ponto chave para tentar vencer a bielorrussa.

Raducanu vai precisar de boas devoluções contra Sakkari

Emma Raducanu precisa conter o saque da grega Maria Sakkari e tem boas estatísticas nas devoluções (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

No caso de Emma Raducanu, vale prestar atenção no saque de Maria Sakkari. A grega fez uma partida impecável nesse quesito contra Karolina Pliskova na última quarta-feira. Sakkari não enfrentou break-points, cedeu apenas oito pontos nos games de saque e só perdeu dois pontos quando colocou o primeiro serviço em quadra.

A boa notícia para a britânica são as estatísticas favoráveis. Raducanu é a jogadora do torneio com maior percentual de pontos vencidos no saque das adversárias, 53%. E quando as rivais dependem do segundo serviço, venceu 61% dos pontos. Com isso, divide com Salenka a liderança entre as tenistas que mais conquistaram quebras de serviço no torneio, 22 para cada uma.

Raducanu tem oito vitórias seguidas no torneio, sendo três do qualificatório e mais cinco da chave principal. Durante o torneio, conseguiu vitórias muito contundentes contra nomes como a espanhola Sara Sorribes, a norte-americana Shelby Rogers e a suíça Belinda Bencic, número 12 do mundo e atual campeã olímpica. A britânica ainda não perdeu nenhum set sequer e tem mostrado um tênis bastante agressivo, capaz de equilibrar as ações do fundo de quadra contra Sakkari, uma jogadora que se destaca pelos golpes potentes e excelente preparo físico.

Atual 150ª do mundo, Raducanu é apenas a terceira jogadora de fora do top 100 a alcançar uma semifinal de US Open. Ela é também a primeira tenista vinda do qualificatório a chegar tão longe em Nova York. Apenas outras três mulheres vindas do quali conseguiram chegar tão longe em torneios do Grand Slam, a primeria foi Christine Dorey no Australian Open de 1978, seguida por Alexandra Stevenson na grama de Wimbledon em 1999 e pela argentina Nadia Podoroska, no saibro de Roland Garros em 2020.

Jovens brilham e US Open chega renovado às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 5, 2021 às 5:02 am
Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

A edição de 2021 do US Open, que começou marcada pela ausência de campeões históricos como Roger Federer, Rafael Nadal e as irmãs Venus e Serena Williams, chega à fase de oitavas de final bastante renovada. Três destaques da nova geração do circuito, e com apenas 18 anos, a canadense Leylah Fernandez, a britânica Emma Raducanu e o espanhol Carlos Alcaraz são alguns dos estreantes na segunda semana em Nova York. A renovação também se dá com outros jovens como Jannik Sinner, Jenson Brooksby e Iga Swiatek, que fazem suas melhores campanhas no torneio aos 20 anos. E até mesmo tenistas mais experientes, mas que nunca chegaram tão longe em Nova York, também contribuem para o cenário de mudanças.

Alcaraz e Fernandez derrubaram favoritos

A rodada da última sexta-feira no Arthur Ashe Stadium premiou Alcaraz e Fernandez, que derrubaram grandes favoritos. O espanhol, 55º no ranking da ATP, foi responsável por eliminar o número 3 do mundo Stefanos Tsitsipas em uma batalha de cinco sets e com 4h07 de duração. “Não tenho palavras para explicar como estou me sentindo agora. Não acredito que venci Stefanos Tsitsipas em uma partida épica. Para mim é um sonho que se tornou realidade”, disse após sua primeira vitória contra um top 10. “Acho que sem a torcida não teria a oportunidade de jogar um ótimo quinto set e vencer. Eu estava fisicamente no meu limite no final do terceiro set e Stefanos começou o quarto set muito bem. No começo do quinto, tive que ser muito agressivo e jogar meu melhor tênis”.

Jogador mais jovem nas oitavas de um Grand Slam desde Andrei Medvedev 1992, e o mais novo nesta fase do US Open desde Michael Chang em 1989, Alcaraz não escapa de inúmeras comparações com os feitos de Rafael Nadal, mas busca seu próprio estilo. “Eu não copio nenhum estilo de jogador. Eu apenas jogo meu jogo. Mas se eu tiver que dizer um jogador parecido com meu jogo, acho que é o Federer. Eu acho parecido com o meu jogo, porque estou tentando ser agressivo o tempo todo”, comenta o espanhol que enfrenta o alemão vindo do quali Peter Gojowczyk, experiente tenista de 32 anos e 141º do ranking.

Também na sexta-feira, Fernandez conseguiu superar Naomi Osaka, bicampeã do Grand Slam nova-iorquino, com uma vitória de virada, depois de a japonesa ter sacado para o jogo ainda no segundo set. “Eu não estava realmente focada em Naomi. Eu estava focada apenas em mim mesma, no meu jogo e no que eu precisava fazer. Ter a torcida me apoiando a cada ponto foi incrível. Isso me deu energia para continuar lutando e correndo para as bolas que ela mandava. Eu estava feliz por ter sido capaz de dar um show para todos que vieram assistir”.

Atual 73ª do ranking, a canadense marcou sua segunda vitória contra top 10 e agora desafia a campeã de 2016 Angelique Kerber. “Desde muito jovem, eu sabia que seria capaz de vencer qualquer uma que estivesse na minha frente. Mesmo praticando esportes diferentes, eu sempre fui muito competitiva. Desde quando eu queria ganhar do meu pai no futebol, mesmo que fosse impossível. Sempre acreditei nisso. Mesmo quando a Naomi conseguiu uma quebra no segundo set, eu ainda acreditava. Disse a mim mesma que estava cada vez mais perto de encontrar uma solução e teria a chance de voltar para o jogo”.

Raducanu se inspirou nas façanhas de outros jovens

A britânica Emma Raducanu, 150ª do mundo, veio do quali em Nova York e venceu seis jogos seguidos. Também de 18 anos, ela reconhece que a inspiração de Fernandez e Alcaraz a fizeram acreditar mais em suas chances.

“Acho que ter tantos jogadores jovens chegando é muito bom para o tênis, porque mostra o quão forte é a próxima geração. Acho também que todos nos inspiramos a jogar melhor. Hoje, eu queria me juntar a eles na segunda semana também, então isso foi uma motivação extra. Os dois são pessoas muito, muito legais. Estou muito feliz por eles e por poder ir para a segunda semana”, disse a britânica que derrotou a espanhola Sara Sorribes na terceira rodada por 6/0 e 6/1. Ela também passou pela suíça Stefanie Voegele e pela chinesa Shuai Zhang na chave principal, além de ter superado o quali com três rodadas. Sua próxima rival é a norte-americana Shelby Rogers.

Sinner vem de uma dura batalha contra Monfils, agora enfrenra Zverev

O italiano Jannik Sinner já é uma realidade no circuito, ocupa o 16º lugar no ranking mundial com apenas 20 anos, e vem de uma batalha de cinco sets contra Gael Monfils para chegar às oitavas de final em Nova York pela primeira vez na carreira. Em suas duas únicas participações anteriores, Sinner não havia passado da rodada de estreia.

“Estou muito feliz. Obviamente não foi fácil jogar contra ele. Joguei bem os dois primeiros sets e também o terceiro. Então ele começou a crescer no jogo. Comecei a errar, o que é normal, e tive manter o foco no presente. Acho que hoje, essa foi a chave. Para mim, é a primeira vez que estou aqui na segunda semana, aqui em Nova York, é uma sensação ótima, obviamente. Você sempre tenta fazer cada vez melhor”, disse após a vitória por 7/6, 6/2, 4/6, 4/6 e 6/4. O italiano agora desafia o número 4 do mundo Alexander Zverev, contra quem tem uma vitória e uma derrota.

Swiatek se orgulha de sua consistência

Oitava colocada no ranking da WTA e campeã de Roland Garros no ano passado, a jovem polonesa de 20 anos Iga Swiatek conseguiu uma marca bastante expressiva. Ela é a única jogadora do circuito a atingir as oitavas de final em todos os quatro Grand Slam de 2021. “É muito emocionante. Esta é a minha primeira vez nas oitavas do US Open e estou muito orgulhosa disso. Não importa qual será o meu resultado final, mas mesmo assim fizemos um ótimo trabalho. Estar nas oitavas de todos os Grand Slams deste ano mostra que realmente estou indo no caminho certo”, disse depois de superar a estoniana Anett Kontaveit no último sábado por 6/3, 4/6 e 6/3.

“Eu estava pensando nisso há dois dias, que basicamente esta é o único ano em que não tive nenhuma lesão e não precisei que lidar com isso. As coisas são mais fáceis quando meu corpo está realmente me ouvindo. Estou muito orgulhosa da minha equipe e muito grata por receber toda a ajuda de que preciso. Muito feliz por ser consistente. Mas eu sei que sem eles não estaria aqui”, revela a polonesa, que agora encara a campeã olímpica Belinda Bencic.

Brooksby desafia o número 1 Novak Djokovic

Outro jovem debutante nas oitavas de final de um Grand Slam, o norte-americano de 20 anos Jenson Brooksby segue aproveitando o convite oferecido pelos organizadores. Destaque nos torneios de nível challenger no primeiro semestre, com três títulos, ele começou a temporada apenas no 314º lugar do ranking, mas já é o 99º do mundo. Durante o verão americano, disputou sua primeira final de ATP na grama de Newport e foi semifinalista em Washington. Com isso, saltou no ranking e chamou a atenção da direção do US Open. Em Nova York, já passou por Mikael Ymer, Taylor Fritz e Aslan Karatsev. Agora, tem a missão de enfrentar o número 1 do mundo Novak Djokovic.

“Será um grande desafio, um dos mais difíceis que se pode ter. Mas estou realmente acreditando em mim mesmo. Ainda mais pelo que estou mostrando por aí até agora. Tenho uma grande equipe ao meu redor para ajudar a me recuperar. Será uma batalha no Ashe, e tenho certeza de que será muito emocionante. A torcida vai lotar o estádio e estou animado para ver como posso me concentrar, como posso jogar bem contra um dos maiores jogadores e com um grande público em quadra”.

Mais estreantes nas oitavas de final

A lista de estreantes nas oitavas de final do US Open não conta apenas com tenistas da nova geração. Atual campeã de Roland Garros, a tcheca de 25 anos Barbora Krejcikova disputa a chave principal de simples pela primeira vez em Nova York. A número 9 do mundo construiu uma carreira sólida nas duplas e só entrou no top 100 de simples no ano passado, tendo uma rápida escalada até o top 10 e ao primeiro Grand Slam na disputa individual. Sua próxima rival é a espanhola Garbiñe Muguruza, décima colocada. Elas já se enfrentaram duas vezes este ano, com uma vitória para cada lado.

Na chave masculina, são vários os estreantes nas oitavas: Os alemães Oscar Otte, de 28 anos e 144º do ranking, e Peter Gojowczyk, de 32 anos e 141º colocado, vieram do quali. Otte enfrenta o italiano Matteo Berrettini, enquanto Gojowczyk é o próximo adversário de Alcaraz. Outro atleta vindo do quali a atingir as otavas é o holandês Botic Van de Zandschulp, de 25 anos e 117º do ranking. Ele já eliminou o cabeça 8 Casper Ruud e vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman. Além deles, destaque também para o confronto entre o norte-americano Reilly Opelka, 24º do mundo, e o sul-africano Lloyd Harris, 46º colocado. Os dois tenistas de 24 anos fazem ótimas temporadas no circuito e alcançam esta fase em um Grand Slam pela primeira vez.

Andreescu e Aliassime também vivos na disputa
Além da estreante Leylah Fernandez, o Canadá ainda conta com mais dois nomes da nova geração nas oitavas de final. Campeã em 2019 e número 7 do mundo Bianca Andreescu nunca perdeu um jogo de US Open, já que não atuou na edição passada. Invicta há dez jogos em Nova York, a jogadora de 21 anos encara a grega Maria Sakkari. Também com 21 anos, o número 15 da ATP Felix Auger-Aliassime repete a campanha do ano passado e enfrenta o norte-americano Frances Tiafoe em busca de quartas inéditas.

 

Destaque em Wimbledon, Raducanu fura quali em NY
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 27, 2021 às 11:23 pm

Emma Raducanu, de 18 anos, havia chegado às oitavas em Wimbledon e agora furou o quali do US Open (Foto: Darren Carroll/USTA)

Depois de se destacar durante o torneio de Wimbledon, ao receber convite e chegar às oitavas de final, a britânica de 18 anos Emma Raducanu disputará seu segundo Grand Slam. Ela furou o qualificatório do US Open e garantiu vaga na chave principal depois de superar nesta sexta-feira a egípcia Mayar Sherif por 6/1 e 6/4.

Durante a semana, Raducanu também passou pela holandesa Bibiane Schoofs e a georgiana Mariam Bolkvadze. A atual 150ª do ranking estreia na chave principal contra a norte-americana Jennifer Brady, número 14 do mundo. Já Sherif, apesar da derrota, herdou uma vaga de lucky-loser e enfrenta a ucraniana Anhelina Kalinina.

+ Rune disputa seu 1º Slam aos 18 anos e encara Djokovic

Outra jovem jogadora a furar o quali foi a sérvia de 20 anos Olga Danilovic, que derrotou a norte-americana Caroline Dolehide por 6/4, 0/6 e 6/2. Ela agora enfrenta outra jovem tenista de 20 anos, a convidada local Alycia Parks.

Primeiro Slam para Galfi, Masarova e Parrizas
A húngara Dalma Galfi, ex-líder do ranking juvenil, garantiu vaga em seu primeiro Slam aos 23 anos depois de vencer a romena Monica Niculescu. Na mesma situação está a espanhola de 22 anos Rebeka Masarova, que já foi número 2 juvenil, e derrotou a romena Jaqueline Cristian por 2/6, 6/2 e 6/4. Na chave, Galfi enfrenta a croata Petra Martic e Masarova encara a romena Ana Bogan.

Já a espanhola de 30 anos Nuria Parrizas Diaz conseguiu finalmente uma vaga em Slam. Ela venceu a húngara Reka-Luca Jani por 6/3 e 6/2. Sua próxima rival será a russa Varvara Gracheva.

Konjuh, Marino e Schmiedlova conseguem furar o quali
Jogadoras que estão voltando ao circuito, como a canadense Rebecca Marino e a croata Ana Konjuh também conseguiram vagas na chave principal do US Open. Marino vai desafiar a número 6 do mundo Elina Svitolina, enquanto Konjuh encara a jovem canadense de 18 anos Leylah Fernandez. Outras duas top 10 conheceram rivais vindas do quali, a tcheca Barbora Krejcikova encara a australiana Astra Sharma, enquanto a polonesa Iga Swiatek duela com a norte-americana Jamie Loeb.

Havia chance de uma jovem tenista de 16 anos, a norte-americana Reese Brantmeier, conseguir vaga na chave. Mas ela perdeu na fase final do quali para a eslovaca Anna Schmiedlova por 7/6 (7-5) e 6/3. Schmiedlova, que já foi top 30 e é atual 92ª do ranking aos 26 anos, encara outra adversária muito nova, a convidada de 17 anos Ashlyn Krueger. O convite de Krueger veio por ela conseguir uma façanha muito rara no Orange Bowl, ao vencer as categorias de 16 e 18 anos de forma consecutiva, repetindo um feito de Bianca Andreescu.

Pai romeno, mãe chinesa e aluna exemplar: Conheça a maior surpresa de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2021 às 6:14 pm

A convidada de 18 anos Emma Raducanu, 338ª do ranking, disputa seu primeiro Grand Slam e já está na terceira rodada (Foto: AELTC)

Principal surpresa na primeira semana de Wimbledon, a convidada de 18 anos Emma Raducanu é também a única britânica a alcançar a terceira rodada nas quadras de grama em Londres. Logo em sua primeira participação na chave principal de um Grand Slam, a atual 338ª do ranking já eliminou a russa vinda do quali Vitalia Diatchenko (150ª) e a tcheca Marketa Vondrousova (42ª), ambas em sets diretos. Fora das quadras, Raducanu concilia sua rotina de treinamentos e viagens com um desempenho escolar de altíssimo nível, já que não aceita menos que uma nota A.

“Fiz meus exames finais de nível A em abril. Na verdade, estava fazendo provas há dois meses. Portanto, estar aqui agora em Wimbledon é inacreditável e surreal”, disse Raducanu, depois da vitória sobre Vondrousova na segunda rodada por 6/2 e 6/4. “Estudei Matemática e Economia na Newstead Wood. Essa escola foi muito flexível, eles me deixaram viajar ou treinar sempre que eu precisava. Estou com eles há sete anos e sei que é um pouco triste sair, mas estou pronta para o próximo capítulo”.

“Estou tentando seguir uma carreira no tênis. Mas acho que ficar na escola me ajudou muito em termos de ter outro grupo de amigos. É um modo de vida completamente diferente e também uma espécie de fuga também para mim. Ter outra coisa para fazer junto com o tênis manteve minha mente ocupada”, explica a jovem jogadora de 18 anos. “Quando você apenas treina por uma certa quantidade de horas por dia, ainda tem muito tempo para preencher. E isso também me ajudou com minha carreira na quadra, porque eu posso absorver muitas informações. Acho que em quadra sou mais astuta taticamente do que algumas outras jogadoras”.

Raducanu garante que a cobrança por boas notas sempre veio de si própria, e não da família, e que isso até a ajuda a jogar melhor. “Meus pais devem pensar que sou louca. Eu não aceito nada menos do que uma nota A. Acho que é isso que as pessoas ao meu redor pensam de mim (risos). Eu também sinto que tenho que viver de acordo com essa expectativa. É por isso que também me esforço muito para tentar obter essas notas. Não tenho certeza sobre quais serão os resultados, mas posso dizer que fiz a minha parte e fiz o meu melhor”.

Mas se tivesse que escolher entre o boletim perfeito na escola e mais uma vitória em Wimbledon, a resposta é clara. “Eu escolheria as oitavas de final em Wimbledon. Acho que qualquer pessoa que me conhece diria: ‘O quê?’ Todos pensam que sou absolutamente fanática pelas minhas notas da escola. Eles acham que tenho um ego muito inflado sobre isso. Mas na verdade, eu diria que tenho expectativas muito altas de mim mesma. Isso me ajudou a chegar onde estou em termos de tênis e também em termos de desempenho escolar. Mas eu ainda escolheria as oitavas”.

Pai romeno, mãe chinesa, nascida em Toronto
Raducanu tem pai romeno e mãe chinesa e nasceu no Canadá, mas sua família se mudou para o Reino Unido quando ela tinha dois anos. A tenista ainda mantém um vínculo muito forte com a Romênia e tem a número 3 do mundo Simona Halep como fonte de inspiração. “Meu pai é romeno de Bucareste e a minha avó, Mamiya, ainda mora lá. Eu volto algumas vezes por ano e fico com ela. É muito bom. Eu amo a comida romena, e a comida da minha avó também é especial. Tenho muitos laços com Bucareste”.

https://twitter.com/the_LTA/status/1410678765232001027

“Eu definitivamente admiro a Simona Halep, pela movimentação dela e também a forma como ela luta e compete. Acho que em algumas das situações do jogo, eu estava pensando em competir da mesma forma que algumas jogadoras como a Halep fazem. Ela ganhou Wimbledon e disse a si mesma que não esperava. Isso mostra que se você colocar sua mente e coração nisso, você realmente pode alcançar qualquer coisa. Eu admiro muito a forma como ela luta”.

A relação com a Romênia aparece até mesmo na próxima adversária. Ela enfrenta a experiente Sorana Cirstea, de 31 anos e 45ª do ranking. “Sei que ela fez grandes coisas em sua carreira. Acho que para mim é mais uma partida em que não tenho mais nada a perder. Na verdade, estou aqui apenas me divertindo e tentando ficar no torneio o máximo que puder. Acho que essa é a motivação para mim. A torcida tem me apoiado muito, e eu realmente quero dar orgulho a todos que têm me apoiado por todos esses anos”.

Britânica vai investir o prêmio para qualificar sua equipe
O prêmio para a vaga na terceira rodada de Wimbledon é de 115 mil libras esterlinas, muito maior que os US$ 39 mil que acumulou ao longo da carreira profissional. Ela pretende investir esse dinheiro para qualificar sua equipe técnica. “É realmente incrível. Com certeza vou usar esse dinheiro. Estou no início da minha carreira e entrando em contato com grandes treinadores. O tênis é um esporte caro. Você precisa viajar e competir semana após semana, então definitivamente isso vai me financiar. Sou muito grata pela oportunidade que recebi esta semana. Estou apenas tentando tirar o máximo proveito disso”.

A jovem tenista já é acompanhada de perto pelo experiente técnico britânico Nigel Sears, que já treinou Ana Ivanovic, Daniela Hantuchova, Barbara Schett, e atualmente também trabalha com a número 25 do mundo Anett Kontaveit. “Começamos quando eu tinha 15 anos. Eu treinava com ele por algumas semanas. Nigel é um grande treinador, com muita experiência, e também um cara alegre e engraçado. Acho que nos damos muito bem fora da quadra. Isso também é importante em um relacionamento profissional. Ter alguém como ele ao meu lado, com certeza me dá muita confiança nessas situações, porque sei que ele acredita em mim. Sou muito grata por ele ter se arriscado comigo”.

https://twitter.com/andy_murray/status/1410674869105217538

Quem também já fez questão de manifestar seu apoio foi o ex-número 1 do mundo Andy Murray, por meio das redes sociais. “Estou muito grata por todas as mensagens que tenho recebido. Lamento se não posso responder a todos eles agora. Mas sei que isso definitivamente ajuda. Quando eu tenho algum tempo livre, eu começo a rolar e ler todas aquelas mensagens positivas e isso me dá uma ótima sensação de ter tantas pessoas comigo. Estou muito, muito grata pelo apoio de todos”.