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O que os jovens jogadores disseram em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2016 às 11:22 am

Cinco dias de Wimbledon já se passaram. O que para um torneio em condições normais representaria metade das terceiras rodadas masculina e feminina já concluídas, a chuvosa edição de 2016 atrasou bastante a programação a ponto de a organização do evento realizar jogos no tradicional Middle Sunday pela quarta vez na história.

Vários jovens jogadores estiveram em quadra nos primeiros dias do britânico e disseram coisas interessantes, que muitas vezes acabam passando batidas no noticiário pela necessidade de destacar tudo o que acontece no torneio. Busquei algumas declarações de Taylor Fritz, Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Madison Keys e Eugenie Bouchard sobre as primeiras partidas da semana na grama do All England Club.

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte. Logo em sua primeira participação em Wimbledon, deu de cara com Stan Wawrinka, mas o americano de 18 anos preferiu destacar a experiência de enfrentar um grande jogador e não se intimidou por jogar em uma quadra tão grande pela primeira vez.

“É claro que você sempre quer a melhor chave possível, mas eu estava animado por ter a chance de jogar contra um dos melhores do mundo. Quando vi a chave, eu realmente não reclamei. Tentei apenas ser positivo quanto a isso”, disse o americano após a derrota por 7/6 (7-4), 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4. “Vejo que eu não posso me dar ao luxo de me descuidar em alguns pontos e games contra esses grandes jogadores. Eles realmente tiram proveito disso e não te deixam voltar para o set depois que você faz alguns erros”.

“Foi muito bom entrar em quadra e sentir a atmosfera. Fiquei muito feliz com o fato de que isso não me incomodou. Eu não estava nervoso”, avaliou o ex-número 1 juvenil. “Isso era algo que me preocupava, mas não foi o caso. Eu estava bastante confortável e foi uma grande experiência”.

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

O precocemente eliminado Dominic Thiem, número 8 do mundo, citou a perda da quebra de vantagem que tinha no primeiro set e a postura defensiva nos três tiebreaks contra Jiri Vesely como decisivos para sua derrota na segunda rodada. “O maior erro em todo o jogo foi a quebra [sofrida] no primeiro set. Joguei muito na defensiva nos tiebreaks e cometi erros não-forçados. Tive muitos problemas com o saque dele e mesmo quando conseguia devolver a bola em quadra, joguei mal nos ralis”.

Kyrgios comentou sobre o imprevisível estilo de jogo de Dustin Brown, que foi seu adversário nesta sexta-feira pela segunda rodada e teceu muitos elogios ao show-man alemão. “Ele deu um drop-shot por entre as pernas que fez eu me sentir horrível. Tem horas que você literalmente não quer jogar, apenas guardar a raquete”.

“Ele pode bater um backhand saltando que vai parar na lona, ou então conseguir um dos melhores voleios que você já viu. Acho importante ter um cara como ele jogando. É um jogo totalmente diferente do meu, ou do Gael Monfils. É um grande atleta, muito talentoso e ótima pessoa”.

AELTC/Joel Marklund . 01 July 2016

Kyrgios e Brown fizeram duelo de cinco sets e pontos bonitos pela segunda rodada (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Nova integrante do top 10 feminino e responsável por quebrar um incômodo jejum do tênis americano, Madison Keys já foi perguntada sobre chances de assumir a liderança do ranking. “Acho que eu posso. Estou aqui, obviamente, para trabalhar a cada dia. Não acho que vai ser fácil e nem que vá acontecer só porque as pessoas estão dizendo que vai”, comentou a jovem de 21 anos.

“É por isso que sempre que ouço isso, eu só quero ir para quadra de treino e tentar ficar melhor”, acrescentou Keys. “É uma coisa boa de se ouvir e aumenta a confiança ver que as pessoas pensam isso de mim. Mas, mais do que qualquer coisa, o que apenas realmente vai me faz chegar lá é continuar trabalhando e manter minha cabeça um pouco para baixo ainda”.

AELTC/Jon Buckle . 27 June 2016

Keys já é perguntada sobre chances de ser número 1 (Foto Jon Buckle/AELTC)

Eugenie Bouchard, 22, já foi finalista em Wimbledon e tem um fã clube em cada canto do sistema solar. Mas na segunda rodada, passou pelo teste de jogar como “visitante” diante do público britânico que empurrou bastante a anfitriã Johanna Konta. “Ela é a favorita da casa, então eu não esperava nada diferente. Ainda assim era uma grande atmosfera para jogar, mesmo com toda a torcida contra mim. Eu vejo isso como um desafio e aproveitei a atmosfera, não importa qual seja, porque os fãs estão curtindo o tênis e é isso o que importa”.

Juvenil vai começar – A chave juvenil de Wimbledon dá a largada neste sábado. Os paulistas Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves serão os dois representantes brasileiros na competição. Houve apenas uma grande torneio preparatório na grama, disputado na semana passada, em Roehampton.

No masculino, o canhoto canadense Denis Shapovalov derrotou o japonês Yosuke Watanuki na decisão -não esperava ver o Watanuki tão bem na grama, aliás- e o americano Ulises Blanch teve uma grande semana com semi de simples e título de duplas ao lado de Vasil Kirkov. No feminino, final russa e título de Anastasia Potapova diante da cabeça 1 Olesya Pervushina.

Grande semana de Orlando Luz – O jovem gaúcho fez sua melhor semana do ano ao furar o quali e conquistar o future de US$ 25 mil de Pardubice, na República Tcheca. Foi o primeiro título profissional de simples na terceira vez em que disputou uma final.

Orlando chegou a vencer adversários com mais de 300 posições à frente dele no ranking nesta semana. Três desses rivais, inclusive, têm ranking melhor que o alemão Peter Torebko, adversário da final deste sábado. Os 27 pontos conquistados garantem um salto de mais de cem posições e o aproximam do melhor ranking. Ele agora segue para o saibro italiano de Nápoles.

O futuro de Thiem
Por Mario Sérgio Cruz
junho 7, 2016 às 10:33 pm

A principal novidade no ranking divulgado nesta semana foi a entrada de Dominic Thiem no top 10. Semifinalista em Paris, o austríaco de 22 anos já aparece em sétimo lugar na lista dos melhores tenistas do mundo, além de ser o quinto que mais pontuou no ano.

Thiem é apenas o terceiro jogador nascido na década de 1990 a entrar no top 10, em lista que também conta com o atual nono colocado Milos Raonic e o ex-top 8 e hoje apenas 36º Grigor Dimitrov. A dificuldade que a nova geração tem enfrentado para quebrar essa barreira dos dez melhores reflete a força da geração anterior e a possibilidade que esses jogadores mais velhos têm hoje para prolongarem as carreiras e atingirem o auge um pouco mais tarde.

Depois de três títulos no ano, austríaco faz primeira boa campanha em torneio grande. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Depois de três títulos no ano, austríaco faz primeira boa campanha em torneio grande. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Pontos e calendário – Os bons resultados no saibro, piso em que conquistou cinco de seus seis títulos de ATP, impulsionam o ranking do austríaco. Dos 3.105 pontos acumulados nos últimos doze meses, 2.090 vieram em quadras de terra batida, o que representam pouco mais de dois terços do total.

Conseguir uma campanha expressiva em Grand Slam também segura um pouco as críticas sobre sua escolha de calendário. Ele já jogou em 14 semanas da temporada, mais que qualquer membro do top 10, e em 30 ao longo das últimas 52 semanas. Quatro títulos em torneios ATP 250 estão entrando na conta para seu atual ranking. É bem verdade que um desses torneios 250 foi Buenos Aires, que contou com chave bem forte este ano.

Thiem terá no mês de julho quinhentos pontos a serem descontados referentes às conquistas de Gstaad e Umag do ano passado, que hoje seriam substituídos por 240 de duas melhores campanhas abaixo das válidas para o ranking. Na prática, esses pontos garantem três posições a ele. Uma boa campanha na grama (onde defende apenas 45 pontos) já sustentaria o ranking dele e abre espaço para enxugar um pouco o calendário, o que não parece provável visto que ele abriu mão das Olimpíadas para jogar outro ATP 250.

Onde ele pode chegar? A partir do momento que Thiem bate o melhor ranking da carreira começam os questionamentos sobre o futuro. Com quatro vitórias e quinze derrotas contra top 10, sendo que todos os resultados positivos aconteceram no saibro, é prudente dizer que os próximos passos serão um pouco mais lentos.

Salvo uma lesão ou queda brusca de rendimento, ele vai terminar o ano entre os dez melhores e lutar até por um lugar no ATP Finals, mas é necessário ser mais consistente em torneios grandes para entrar no top 5 e um dia ameaçar os quatro primeiros.

Thiem é o segundo jogador com mais vitórias no ano, 41, apenas três a menos que Novak Djokovic, que jogou cinco torneios a menos e o derrotou na semi de Roland Garros. Apenas a queda para o número 1 do mundo, o austríaco se mostrou bastante ciente do quanto precisa evoluir. “Isso me inspira a trabalhar ainda mais e espero ter uma nova chance em breve no futuro”, disse em entrevista coletiva. Na ocasião, o próprio Djokovic o colocou como “o líder de uma nova geração” e disse “Ele se comporta muito bem dentro e fora de quadra para a sua idade”.

E o que ele pode trabalhar? Um artigo da última sexta-feira da revista New Yorker lembra que Thiem, embora tenha saído de uma família de tenistas, deu seu grande salto de qualidade quando passou a trabalhar com o Gunter Bresnik, ex-treinador de Boris Becker, que promoveu a mudança no backhand de duas para uma mão, além de desenvolver propriedades mais agressivas em seu jogo.

Há espaço para melhorar no saque e a própria mentalidade em quadra. Não que ele seja um jogador “instável” mentalmente (e a fala do Djokovic está aí para negar isso), mas no sentido de poder fazer boas escolhas de golpes e tomar decisões que aproveitem melhor o grande número de chances que cria por partida. É assim que ele pode conseguir ser mais efetivo e acumular bons resultados em semanas seguidas. É assim que ele pode ir muito além do sétimo lugar.