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O que esperar da nova geração em Roland Garros?
Por Mario Sérgio Cruz
maio 25, 2019 às 5:06 pm

Com diferentes metas e expectativas, a nova geração do circuito dá as caras em Roland Garros a partir deste domingo. Ao mesmo tempo em que vemos Naomi Osaka, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas na disputa pelo título, também teremos nomes como Felix-Auger Aliassime, Bianca Andreescu, Dayana Yastremska e Marketa Vondrousova na rota de favoritos e dispostos a supreender. A campeã de 2017 Jelena Ostapenko quer recuperar a confiança, enquanto outros jovens jogadores estão de olho no futuro e buscam recordes pessoais no ranking e em Grand Slam. Veja o que esperar da nova geração em Roland Garros.

Osaka luta por mais um troféu de Grand Slam
Líder do ranking mundial feminino e vencedora dos dois últimos torneios do Grand Slam, Naomi Osaka chega a Paris em busca de mais um título importante. Campeã do US Open na temporada passada e na Austrália em janeiro, a japonesa de 21 anos faz sua quarta participação em Roland Garros e nunca passou da terceira rodada. Apesar do histórico negativo, ela tem expectativas bem altas. “Não estou pensando em chegar às quartas. Claro que eu nunca cheguei tão longe neste torneio antes, mas meu objetivo é ser campeã”, disse em entrevista coletiva na última sexta-feira.

Osaka fez três campanhas razoáveis no saibro, uma semifinal em Stuttgart e as quartas em Madri e Roma. Entretanto, a japonesa sofreu com duas lesões, uma no músculo abdominal durante o torneio alemão e outra na mão direita em sua campanha na capital italiana.

A estreia de Osaka em Roland Garros será contra a eslovaca Anna Schmiedlova. Caso vença seu primeiro compromisso, a japonesa certamente enfrentaria uma campeã de Grand Slam na fase seguinte, vinda do duelo entre Victoria Azarenka e Jelena Ostapenko. A cabeça de chave mais próxima de Osaka é a grega Maria Sakkari, 29ª favorita e semifinalista em Roma, enquanto Madison Keys ou Caroline Garcia podem pintar nas oitavas.

Veja como ficou a chave feminina em Roland Garros

Os altos e baixos de Zverev no saibro
A busca de Alexander Zverev por seu primeiro título de Grand Slam continua em Roland Garros. Embora já tenha onze títulos de ATP no currículo, com destaque para o Finals do ano passado e mais três Masters 1000, o alemão de 22 anos aidna deixa a desejar nos Grand Slam. Seu melhor resultado em competições desse porte foi exatamente em Paris, no ano passado, quando chegou às quartas.

 

Zverev apostou em um calendário bastante cheio na temporada de saibro e disputou sete torneios seguidos. Campeão em Genebra nesta semana, o alemão enfim conseguiu uma boa sequência de jogos. Nos seis torneios anteriores, havia acumulado apenas cinco vitórias. Ele fez quartas em Madri e Munique, parou nas oitavas em Marrakech e Monte Carlo e caiu ainda na estreia em Roma e Barcelona.

A estreia de Zverev em Paris será contra o australiano John Millman. Se vencer, encara o sueco Mikael Ymer ou o esloveno Blaz Rola, ambos vindos do quali. O cabeça de chave mais próximo é o sérvio Dusan Lajovic, enquanto Fabio Fognini e Roberto Bautista Agut são possíveis adversários nas oitavas de final.

Confira a chave masculina em Roland Garros

Tsitsipas chega com muita confiança
Outro jovem jogador no top 10 do ranking da ATP é Stefanos Tsitsipas, que chega a Paris com o melhor ranking da carreira ao ocupar o sexto lugar. Depois de patinar em seus dois primeiros torneios no saibro, parando nas oitavas em Monte Carlo e Barcelona, o grego de 20 anos emendou três boas campanhas na reta final de preparação para Roland Garros: Foi campeão em Estoril, vice em Madri e semifinalista em Roma. Além de vencer nomes como Rafael Nadal, Fabio Fognini e Alexander Zverev pelo caminho.

Tsitsipas faz sua terceira participação em Roland Garros, parando na primeira fase em 2017 e na segunda rodada no ano passado. A estreia do grego em Paris será contra o alemão Maximilian Marterer, depois pode enfrentar o indiano Prajnesh Gunneswaran ou o boliviano Hugo Dellien. Há a chance de um duelo de jovens contra o norte-americano Frances Tiafoe na terceira rodada, enquanto Marin Cilic e Stan Wawrinka podem pintar na fase seguinte

Ostapenko quer voltar a sorrir
Campeã de Roland Garros em 2017 e ex-número 5 do mundo, a letã Jelena Ostapenko aparece atualmente apenas no 40º lugar do ranking mundial e sequer será cabeça de chave em Paris. A letã de 21 anos venceu só oito jogos em 2019 e conseguiu apenas três vitórias no saibro, uma em Charleston e duas em Madri. Logo na estreia, ela terá um duelo duríssimo contra a ex-número 1 do mundo Victoria Azarenka, 44ª colocada, mas em melhor fase no saibro. E se vencer, pode cruzar o caminho da atual líder do ranking Naomi Osaka.

Andreescu volta ao circuito
A canadense de apenas 18 anos Bianca Andreescu teve um início de temporada espetacular, com 31 vitórias e apenas quatro derrotas entre janeiro e março, com evidente destaque para o título do Premier de Indian Wells. Depois de começar o ano no 152º lugar do ranking, ela já aparece na 22ª posição desde a última segunda-feira. Andreescu está sem jogar desde Miami, por conta de lesão no ombro direito e sequer atuou na temporada de saibro.

 

Depois de estar finalmente sem dores, Andreescu está pronta para voltar ao circuito em Roland Garros. Sua estreia será contra a lucky-loser tcheca de 20 anos Marie Bouzkova, 121ª do ranking. Em caso de vitória, pode encarar a norte-americana de 20 anos Sofia Kenin ou a italiana Giulia Gatto-Monticone. A maior expectativa, entretanto, é para um possível duelo com Serena Williams pela terceira rodada.

Jovens tenistas em grande fase
Alguns nomes da nova geração do circuito conquistaram bons resultados durante a temporada de saibro e estão em rota de colisão com os favoritos. É o caso do jovem canadense de 18 anos Felix Auger-Aliassime, finalista do ATP 250 de Lyon nesta semana. Ele estreia contra o norte-americano Jordan Thompson e depois pode enfrentar um veterano vindo do duelo entre Ivo Karlovic e Feliciano López antes de um eventual encontro com Juan Martin del Potro na terceira fase. O que preocupa Aliassime é um desconforto na região do adutor e da virilha, sofrido durante a final do ATP francês neste sábado.

No feminino, destaque para duas jogadoras de 19 anos, a canhota tcheca Marketa Vondrousova e a ucraniana Dayana Yastremska. As duas, aliás, podem até se enfrentar em uma possível terceira rodada em Paris. Durante a temporada de saibro, Vondrousova foi finalista em Istambul e fez quartas em Roma, eliminando nomes como Simona Halep e Daria Kasatkina. A atual 38ª do ranking estreia em Paris contra a chinesa Yafan Wang e pode cruzar o caminho de Angelique Kerber na rodada seguinte. Já Yastremska, 42ª do ranking, acabou de conquistar o WTA de Estrasburgo, o terceiro título da carreira. Ela estreia contra a espanhola Carla Suárez Navarro e depois pode encarar a norte-americana Shelby Rogers ou a australiana Astra Sharma.

Outros bons nomes a observar
Também vale prestar atenção nas atrações norte-americanas Amanda Anisimova e Taylor Fritz, na bielorrussa Aryna Sabalenka, no chileno Christian Garin, no espanhol Jaume Munar e em um forte setor da chave que tem o crota Borna Coric e o canadense Denis Shapovalov.

Começando pelo feminino: Sabalenka é número 11 do mundo aos 21 anos e tem uma estreia complicada contra a ex-top 5 Dominika Cibulkova. Se vencer, pode encarar Anisimova, norte-americana de 17 anos e já 51ª colocada, que encara a convidada local Harmony Tan. Lembrando que Anisimova já venceu seu primeiro WTA no saibro de Bogotá.

Fritz teve bons resultados nos Masters de saibro e estreia contra o australiano Bernard Tomic, podendo encarar Roberto Bautista Agut na segunda fase e Fabio Fognini na terceira. Garin venceu dois títulos na temporada, em Houston e Munique, e pode encarar o campeão de 2015 Stan Wawrinka já na segunda rodada, caso vença a estreia contra o norte-americano Reilly Opelka.

Coric e Shapovalov são os cabeças 13 e 20, respectivamente e podem se encontrar na terceira rodada antes de um eventual duelo com o número 1 do mundo Novak Djokovic. Outro que pode desafiar o líder do ranking mundial é Jaume Munar, espanhol de 22 anos e 52º do ranking, que pode encarar Djokovic na terceira rodada do Grand Slam francês.

Jovens saltam no ranking após ATPs no Brasil
Por Mario Sérgio Cruz
março 4, 2019 às 9:19 pm

As duas semanas de torneios da ATP em solo brasileiro foram positivas para jogadores da nova geração do circuito. Ao fim das competições no saibro do Rio de Janeiro e São Paulo, nomes como Laslo Djere, Felix Auger-Aliassime, Christian Garin, Hugo Dellien e Casper Ruud aparecem nesta segunda-feira com os melhores rankings de suas carreiras. Estive no Brasil Open, na capital paulista, durante a última semana e pude falar com esses jovens jogadores sobre o ótimo momento que vivem no circuito.

Felix Auger-Aliassime (18 anos, 58º do ranking, Canadá)

Em duas semanas, Felix Auger-Aliassime conquistou 345 pontos, com o vice-campeonato do Rio Open e a chegada às quartas de final em São Paulo e saltou do 104º para o atual 60º lugar do ranking mundial. O jovem canadense de 18 anos também ganhou muita popularidade com torcedores cariocas e paulistas, vestiu a camisa da seleção brasileira no Rio, participou de uma emocionante ação social com o garoto brasiliense Pablo, e teve torcida a favor sempre que jogou no Jockey Clube Brasileiro ou no Ginásio do Ibirapuera.

Apontado como uma das principais apostas para o futuro do circuito mundial desde que tinha 14 anos, em 2015, e começou a vencer seus primeiros jogos de nível challenger, Aliassime precisou lidar com a pressão e com as expectativas desde muito jovem e, por isso, acredita que amadureceu mais cedo que outros adolescentes de sua idade.

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em  São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Obviamente, eu amadureci mais cedo que outros jovens da minha idade. Acho que meu desenvolvimento foi bom, tive meus pais e minha equipe por perto para colocar coisas positivas ao meu redor. Ainda assim é difícil lidar com a situação de ser um jogador jovem a cada semana, mas tento me expressar da melhor maneira possível e ser a mesma pessoa”, disse Aliassime, após a vitória sobre Pablo Cuevas na rodada de estreia em São Paulo.

Os bons resultados do canadense no saibro também vão ao encontro de uma decisão tomada no meio do ano passado. Pouco depois de perder na segunda rodada do quali de Roland Garros, Aliassime abriu mão de tentar a sorte no quali de Wimbledon e ter a chance de disputar seu primeiro Grand Slam para encarar uma série de challengers no piso. Menos de um ano depois, o jovem jogador acredita ter feito a escolha certa.

“Quando eu olho para trás, sinto que foi uma boa decisão. Depois de Roland Garros eu senti que não tinha vitórias o suficiente, que não tinha feito o número de partidas que gostaria, e que jogar na grama talvez não fosse a melhor opção naquele momento. Então eu decidi continuar disputando torneios no saibro e construindo o meu jogo. Acho que os resultados estão aparecendo agora, quando eu sou capaz de jogar e vencer muitas partidas”, avaliou o vencedor de quatro challengers na carreira, três deles no saibro.

Laslo Djere (23 anos, 32º do ranking, Sérvia)

Logo em seu primeiro jogo da série de torneios no saibro brasileiro, Djere já conseguiu a façanha de eliminar o número 8 do mundo Dominic Thiem na rodada do Rio Open. A primeira vitória contra top 10 deu confiança ao jovem jogador sérvio, que começou o tonreio carioca como número 90 do mundo e saiu do Rio de Janeiro com o troféu em mãos e ocupando o 37º lugar. Em São Paulo foram mais três vitórias antes da queda na semifinal e um salto de mais cinco posições.

Quando conquistou seu primeiro título, Djere se emocionou durante a cerimônia de premiação ao falar abertamente sobre a perda precoce dos pais por câncer, a mãe há sete anos e o pai no ano passado. Depois disso, o sérvio recebeu inúmeras mensagens de apoio do público e de outros colegas do circuito, além de ver jogadores como Novak Djokovic e Nick Kyrgios divulgarem sua história de superação nas redes sociais.

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida. (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Recebi muitas mensagens de apoio e sou muito grato por isso, mas por outro lado, eu tento ser o mesmo cara que eu era há uma semana e continuar trabalhando”, comentou depois de sua partida de estreia no Brasil Open, contra o italiano Alessandro Giannessi. “Não esperava por nada dessa dimensão, mas acredito que é para isso que eu trabalho, para chegar ao top 50, para ser mais reconhecido pelo público e para jogar os grandes torneios”.

Embora a mudança de status após o primeiro título de ATP e o salto no ranking fossem experiências inéditas, o sérvio buscou motivação nas vezes em que conseguia bons resultados em semanas consecutivas por torneios menores para seguir avançando no torneio paulistano. “É sempre difícil jogar um novo torneio logo depois de conquistar um título, mas no passado eu já consegui fazer torneios muito bons e manter o ritmo na semana seguinte”.

Casper Ruud (20 anos, 94º do ranking, Noruega)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Destaque nas competições de base durante a carreira juvenil, chegando a ser o número 1 da categoria, Casper Ruud debutou no top 100 nesta segunda-feira. O norueguês de 20 anos chegou às quartas no Rio de Janeiro e foi semifinalista em São Paulo, saltando 41 posições, do 135º para o 94º lugar em apenas duas semanas. “É um grande passo para o início da minha carreira, mas o objetivo principal é continuar evoluindo e não apenas ser top 100. Espero continuar nessa jornada”.

Ruud já havia se destacado em solo brasileiro há dois anos, quando recebeu convite para a disputa do Rio Open e alcançou sua primeira semifinal no circuito. O jovem norueguês acredita estar hoje mais preparado para manter a regularidade em alto nível. “Estou mais estável do que era há dois anos, no Rio. Tive um grande torneio e fui muito rápido do 230º para o 120º lugar do ranking, mas tudo era muito novo para mim. Talvez eu ainda não estivesse pronto para competir em alto nível por muitas semanas seguidas. Sinto que estou mais pronto agora e tenho mais experiência”.

Christian Garin (22 anos, 72º do ranking, Chile)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Depois de cair ainda nas oitavas no Rio de Janeiro, Christian Garin viveu a melhor semana da carreira no Brasil Open, em São Paulo, onde venceu quatro jogos seguidos e alcançou sua primeira final de ATP, o que o fez saltar do 92º lugar para a 72ª posição. O jovem chileno já se destaca desde que foi campeão juvenil de Roland Garros em 2013, superando Borna Coric e Alexander Zverev nas duas últimas rodadas, e chegou o quarto lugar no ranking mundial da categoria.

Três dos quatro títulos de challenger de Garin foram conquistados durante a temporada passada, um deles na cidade paulista de Campinas. O chileno, que ocupava a 373ª posição em janeiro do ano passado e chegou ao top 100 já em outubro, acredita ter agora um maior comprometimento com o tênis. “Creio que cheguei a um ponto de maturidade. Comecei a perceber o quanto gostava de jogar tênis e passei a melhorar no físico, no nível tenístico e no lado mental e creio que isso foi fundamental”.

Hugo Dellien (25 anos, 87º do ranking, Bolívia)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Aos 25 anos, Hugo Dellien não chega a ser exatamente um novato no circuito, mas evoluiu muito nos últimos meses. Ex-número 2 do ranking mundial juvenil, o boliviano debutou no top 100 no ano passado, quando conquistou seus três primeiros títulos de challenger. Ao chegar às quartas tanto no Rio quanto em São Paulo, ele subiu do então 113º para o inédito 87º lugar.

“Chegar duas vezes seguidas às quartas ratifica que estou em alto nível e estou fazendo as coisas certas. Esses resultados fazem valer a pena todo o esforço e sacrifício. Creio que para os bons resultados não há mistério. Com o passar do tempo eu fui aprendendo muitas coisas e isso me levou a um estado mental em que pude acreditar que chegaria ao top 100″.

O que esperar da nova geração no Australian Open?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 11, 2019 às 9:31 pm

Primeiro Grand Slam de 2019, o Australian Open começa na próxima segunda-feira (ou noite de domingo, pelo horário brasileiro). Os vários nomes da nova geração do circuito que estão nas chaves principais masculina ou feminina em Melbourne chegam com diferentes ambições. Há os que chegam com expectativa de título ou de uma campanha expressiva, mas há também aqueles que estão na rota dos favoritos e os que terão suas primeiras experiências em torneios deste tamanho.

A consolidação de Osaka

Depois de conquistar seu primeiro título de Grand Slam no US Open, Naomi Osaka mudou de patamar. Passou a ser mais conhecida do grande público, concedeu um número maior de entrevistas e foi alçada à condição de próxima estrela do esporte. Ela inclusive está na capa da edição de 21 de janeiro da revista TIME.

Em trechos já divulgados da entrevista, Osaka falou de sua idolatria por Serena Williams, a quem superou na final em Nova York, e das comparações que são feitas. Mas a jovem japonesa de 21 anos espera trilhar seu próprio caminho. “Não acho que um dia haverá outra Serena Williams. Acho que serei apenas eu mesma”.

Apesar das várias mudanças em sua vida, a jovem japonesa tem conseguido bons resultados depois do título mais importante da carreira. Foi finalista em Tóquio e semifinalista em Pequim ainda no fim de 2018, além de começar a temporada de 2019 com uma semifinal em Brisbane.

Quarta colocada no ranking, Osaka é uma das onze jogadoras que podem terminar o Grand Slam australiano como número 1 do mundo. Mesmo que a liderança ainda não venha, ela já está muito próxima de ter a melhor marca já alcançada pelo tênis japonês, considerando homens e mulheres. Basta a Osaka ganhar mais uma posição para alcançar um inédito top 3 na história de seu país.

Osaka estreia em Melbourne contra a polonesa Magda Linette, 86ª do ranking, para quem perdeu no único duelo anterior, realizado em Washington no ano passado. A cabeça de chave mais próxima é a experiente taiwanesa Su-Wei Hsieh, 28ª favorita. Qiang Wang e Anastasija Sevastova são possíveis cruzamentos nas oitavas, enquanto Madison Keys ou Elina Svitolina podem pintar nas quartas.

Os próximos passos de Zverev

Alexander Zverev terminou a temporada passada conquistando o título mais importante de sua carreira no ATP Finals, em Londres, onde derrotou Roger Federer e Novak Djokovic nas fases decisivas da competição. Número 4 do mundo e vencedor de dez títulos de ATP, incluindo três Masters 1000, o alemão de 21 anos ainda é cobrado pela falta de bons resultados em Grand Slam.

Em 14 disputas de Grand Slam na chave principal, Zverev tem como melhor resultado a chegada às quartas de final de Roland Garros no ano passado. Antes disso, a campanha de maior destaque havia sido uma até as oitavas na grama de Wimbledon em 2017. Apesar de ainda jovem, ele já fará sua quarta participação no Australian Open e parou na terceira rodada nos dois últimos anos.

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No início de 2019, Zverev disputou quatro partidas de simples e mais quatro nas duplas mistas durante a semana passada pela Copa Hopman. Vice-campeão ao lado de Angelique Kerber na competição entre países, o alemão preferiu se poupar na segunda semana do ano. Uma lesão na coxa o impediu de fazer uma exibição contra Borna Coric em Adelaide na última segunda-feira, e uma leve torção no tornozelo durante os treinos em Melbourne também preocupou durante a semana.

A estreia de Zverev no primeiro Grand Slam do ano será contra o esloveno Aljaz Bedene, 67º colocado, a quem derrotou em dois embates anteriores. Caso confirme o favoritismo, o alemão enfrentará o vencedor do duelo francês entre o veterano de 31 anos Jeremy Chardy e o novato de 20 anos Ugo Humbert. O também francês Gilles Simon pode pintar na terceira rodada, enquanto o canadense Milos Raonic é um possível adversário nas oitavas. Borna Coric e Dominic Thiem são as maiores ameaças em possíveis quartas.

Um duelo de jovens promessas

A primeira rodada em Melbourne reserva um duelo entre duas jovens promessas do circuito, a canadense de 18 anos Bianca Andreescu e a norte-americana de 16 anos Whitney Osuigwe. E quem vencer, já pode cruzar o caminho da cabeça 13 Anastasija Sevastova logo na fase seguinte.

Andreescu é uma das jogadoras em melhor fase neste início de temporada. A canadense venceu sete jogos seguidos em Auckland, incluindo duelos contra as ex-líderes do ranking Caroline Wozniacki (atual campeã do Australian Open) e Venus Williams, que a fizeram sair do 178º lugar para a melhor marca da carreira na 107ª posição. Já em Melbourne, passou por um qualificatório de três rodadas para alcançar o segundo Grand Slam de sua carreira e deverá debutar no top 100 após o Australian Open.

Osuigwe vem de um excelente ano em que saltou do 1.120º lugar para a atual 202ª posição no ranking da WTA, com direito a um título no ITF de US$ 80 mil em Tyler, no Texas, vencendo Beatriz Haddad Maia na final. Mesmo sem ter disputado nenhuma competição oficial nas duas primeiras semanas da temporada e participando apenas de exibições, a jovem norte-americana já conseguiu o melhor ranking da carreira ao ocupar o 199º lugar. Convidada para atuar na Austrália, ela também disputará seu segundo Grand Slam.

Quem chega com moral

Alguns nomes da nova geração do circuito chegam com moral para o Australian Open após bons resultados no começo do ano. São os casos de Aryna Sabalenka, Ashleigh Barty e Alex de Minaur. Também vale o destaques para quem se destacou no fim do ano passado, como Borna Coric e Karen Khachanov.

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Depois de saltar do 78º para o 11º lugar do ranking em 2018, a bielorrussa Aryna Sabalenka iniciou a temporada conquistando seu terceiro título de WTA em Shenzhen. Com estilo de jogo agressivo, a jovem de 20 anos tenta chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez, depois de ter parado nas oitavas no US Open, e tem chances matemáticas até mesmo de encerrar o Australian Open como número 1 do mundo. Sabalenka estreia contra a russa Anna Kalinskaya e pode encarar Petra Kvitova nas oitavas.

Ashleigh Barty é uma tenista com golpes mais clássicos e que sabe variar alturas e velocidades, sabendo usar drop-shots e slices a seu favor. A australiana de 22 anos e número 15 do mundo foi bem na Copa Hopman e também é finalista do WTA de Sydney, onde já derrotou a número 1 do mundo Simona Halep e a top 10 Kiki Bertens. Barty inicia a campanha contra a tailandesa Luksika Kumkhum e está na rota de Jelena Ostapenko para a terceira rodada, e de Caroline Wozniacki ou Maria Sharapova nas oitavas.

Alex de Minaur saltou do 208º para o 31º lugar do ranking em 2018 e começou a nova temporada com quartas em Brisbane e conquistando seu primeiro título de ATP em Sydney, com vitórias na semi e na final neste sábado. Cada vez mais consolidado, o jovem australiano pode ser uma ameaça ao número 2 do mundo Rafael Nadal logo na terceira rodada em Melbourne.

https://twitter.com/TennisTV/status/1083277652121796608

Números 11 e 12 do mundo aos 22 anos, Khachanov e Coric chegam amparados pelos feitos na reta final de 2018. O russo venceu seu primeiro Masters 1000 em Paris, enquanto o croata foi vice-campeão em Xangai. Khachanov estreia contra o alemão Peter Gojowczyk e pode encarar o atual vice-campeão Marin Cilic nas oitavas, enquanto Coric está no caminho de Dominic Thiem.

Na rota de favoritos 

Jovens tenistas aparecem também como possíveis adversários de alguns dos principais cabeças de chave. Logo na primeira rodada, o chileno de 22 anos e 86º do mundo Christian Garin desafia o belga David Goffin, ex-top 10 e atual 22º do ranking. Na fase seguinte, o francês de 19 anos e 98º colocado Ugo Humbert é um possível rival de Alexander Zverev, enquanto o convidado australiano de 19 anos e 149º colocado Alexei Popyrin é um possível adversário de Dominic Thiem.

Entre as mulheres, destaque para Sofia Kenin. Jogadora de apenas 20 anos, Kenin já começou a temporada com um título de duplas em Auckland e conquistando o WTA de Hobart. Atual 56ª do ranking, a norte-americana já chegará a Melbourne com o melhor ranking da carreira, já entre as 40 melhores do mundo.

A estreia de Kenin será contra a russa de 21 anos, vinda do qualificatório e estreante em Grand Slam Veronika Kudermetova. Em caso de vitória, a norte-americana pode cruzar o caminho da número 1 do mundo Simona Halep já na segunda rodada. Lembrando que Halep está sem vencer desde agosto, encerrou a última temporada mais cedo por conta de lesão nas costas e já tem uma estreia difícil contra a experiente estoniana de 33 anos Kaia Kanepi, sua algoz no último US Open.

Estreantes

A polonesa de 17 anos Iga Swiatek disputará o primeiro Grand Slam da carreira. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, Swiatek também venceu quatro torneios profissionais da ITF e saltou da 690ª para a 175ª posição do ranking. Ela começou a temporada de 2019 parando na última rodada do quali em Auckland e furando o quali do Australian Open. Sua primeira rival será a romena Ana Bogdan.

Iga Swiatek só está disputando os Grand Slam como juvenil este ano. Ela já venceu cinco torneios profissionais

Iga Swiatek é atual campeã juvenil de Wimbledon

Já o alemão de 18 anos Rudolf Molleker saltou do 597º para o atual 198º lugar do ranking mundial ao longo do ano passado e aparece atualmente na 207ª posição. Vindo do quali em Melbourne, o jovem germâncio inicia a caminhada contra o cabeça 18 Diego Schwartzman e pode cruzar o caminho de Kyle Edmund ou Tomas Berdych na terceira rodada.