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Geração 2000 chega com nove tenistas às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2022 às 1:31 am

Alcaraz já faz sua melhor campanha em Paris e tenta chegar às quartas em Slam pela 2ª vez (Foto: Loïc Wacziak/FFT)

A nova geração do circuito chega com cada vez mais força ao circuito profissional. Após a primeira semana de disputas em Roland Garros, teremos nove tenistas nascidos a partir de 2000 nas oitavas de final. São cinco na chave feminina, lideradas pela número 1 do mundo Iga Swiatek, e mais quatro no torneio masculino, com destaque para o sexto do ranking Carlos Alcaraz. Também seguem nas chaves Qinwen Zheng, Amanda Anisimova, Leylah Fernandez, Coco Gauff, Jannik Sinner, Felix Auger-Aliassime e Holger Rune.

Swiatek encara jovem chinesa
Swiatek terá um duelo da nova geração contra a jovem chinesa de 19 anos Qinwen Zheng, 74ª colocada. “Ouvi algumas outras jogadoras falando sobre ela. Tenho certeza de que ela merece estar nessa fase, porque está jogando muito bem. Mesmo quando ela perdeu algumas partidas, as pessoas estavam sempre diziam que ela tem talento”, disse a polonesa de 20 anos.

Zheng, que eliminou Simona Halep na segunda rodada e agora passou por Alizé Cornet, faz sua melhor campanha em Slam e projetou o duelo com a número 1. “Ela é uma jogadora maravilhosa e quero muito jogar contra ela. Então, estou empolgada para esta partida. Sei que ela é uma ótima jogadora de saibro e que será uma partida difícil. Vou dar tudo o que tenho”.

Sobre a boa fase no saibro, a chinesa destaca o treinamento na Espanha. “Estou treinando na Espanha há dois anos. E desde que estou aqui, vejo que todo jogador espanhol trabalha muito duro. Tenho melhorado muito, então acho que o trabalho está funcionando em mim e acho que deveria continuar assim”.

Anisimova e Fernandez também duelam
Duas jogadoras que já foram longe em Grand Slam também duelam nas oitavas, a canadense Leylah Fernandez e a norte-americana Amanda Anisimova tentam voltar a ter um grande resultado. Fernandez, de 19 anos, foi finalista do US Open na temporada passada, enquanto Anisimova, de 20 anos, tenta repetir a semi que fez em Paris há três temporadas.

“Acho que depois do US Open eu coloquei um pouco mais de pressão em mim mesma. Isso é normal, porque quero repetir o que fiz no US Open”, disse Fernandez. “Acho que depois dos primeiros torneios, aceitei que não jogaria da mesma maneira todas as vezes. Vou ter que encontrar soluções e continuar trabalhando duro. Ao longo do ano, tenho me apegado a isso e me esforçando todos os dias”.

Mais calma, Gauff tenta repetir as quartas
Uma temporada depois de ter feito sua melhor campanha em Grand Slam, ao chegar às quartas de final de Roland Garros, Coco Gauff está a uma vitória de igualar esse resultado. A jovem norte-americana de 18 anos e atual 23ª do ranking se sente cada vez mais preparada para chegar longe nos grandes torneios, especialmente no aspecto mental. Ela desafia nas oitavas a belga Elise Mertens.

“Acho que agora estou mentalmente melhor do que no ano passado, chegando à segunda semana. Acho que estou muito mais preparada para jogar duas semanas de tênis”, disse Gauff, já projetando o próximo jogo em Paris. “Eu já joguei com ela antes e acho que estou muito mais relaxada do que na minha partida das oitavas do ano passado”.

Alcaraz pensa nos grande nomes
Depois de ter vencido Rafael Nadal e Novak Djokovic na campanha para o título do Masters 1000 de Madri, o jovem de 19 anos Carlos Alcaraz se sente cada vez mais prontos para enfrentar os grandes nomes. Ele pode cruzar o caminho de um deles em uma possível semifinal em Paris. “Se eu continuar vencendo, é possível que enfrente um deles e acho que estou preparado para isso. Claro que aqui são cinco sets, diferente de um Masters 1000, mas ainda assim me sinto pronto”.

Treinado por Toni Nadal, Aliassime desafia Rafa
O duelo entre Rafael Nadal e Felix Auger-Aliassime pelas oitavas de final de Roland Garros terá um interessante personagem fora das quadras. Toni Nadal, tio e ex-treinador do espanhol, é agora o técnico da Aliassime. Toni declarou publicamente que não dará dicas ao canadense sobre como enfrentar Rafa, e que essa foi uma condição prévia para eles começarem a trabalhar juntos no ano passado, e Rafa diz que não veria problema algum se o adversário fosse aconselhado por seu tio.

O canadense também comentou sobre a situação. “Eu não acho que Toni vai me contar algo novo sobre como o Rafa joga. Mas nós tivemos essa discussão desde a primeira vez que começamos a trabalhar juntos. Sabíamos que era uma possibilidade de eventualmente eu enfrentar o Rafa quando estivesse trabalhando com o Toni. Mas acho que o Toni vai assistir de um lugar neutro e aproveitar a partida”.

Sinner e Rune têm jogos duros nas oitavas
O italiano de 20 anos Jannik Sinner, 12º do ranking, desafia o número 7 do mundo Andrey Rublev pelas oitavas. Sinner lidera o histórico de confrontos por 2 a 1 e tenta voltar às quartas em Paris depois de dois anos. Já Holger Rune, de 19 anos e 40º colocado, é o próximo rival do grego Stefanos Tsitsipas, quarto cabeça de chave. O jovem dinamarquês ainda não perdeu sets no torneio e faz sua melhor campanha em Slam. Sua campanha é a melhor de um homem dinamarquês em um Slam desde 1993.

Neste sábado, Rune falou ao entrevista para o ex-número 2 do mundo Alex Corretja ainda em quadra após vencer o francês Hugo Gaston por triplo 6/3 e comentou sobre o estilo pouco ortodoxo do rival, que o trazia para a rede o tempo todo. “Foi um jogo difícil. Hugo é um grande jogador e que consegue fazer golpes muito difíceis. Tenho muito respeito por esse cara e pelo time dele”, disse Rune. “Não é sempre divertido jogar contra ele. Hugo é muito talentoso e te faz correr muito. Mas tive que pensar no meu saque e ser agressivo. Estou muito feliz com meu nível hoje. Foi um jogo duro, mas permaneço focado o tempo todo”.

Alcaraz retorna a Roland Garros com novo status
Por Mario Sérgio Cruz
maio 21, 2022 às 9:49 pm

No ano passado, Alcaraz havia disputado o quali em Paris. Agora, entra no torneio como número 6 do mundo. (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

A segunda participação de Carlos Alcaraz em Roland Garros acontece em um contexto muito diferente em comparação com a edição passada do Grand Slam francês. Se em 2021, o espanhol disputava apenas seu segundo Slam como profissional e precisou passar pelo quali, o retorno a Paris em 2022 é na condição de candidato ao título. Número 6 do mundo, Alcaraz estreia neste domingo, diante do argentino Juan Ignacio Londero, ex-top 50 e atual 141º do ranking.

Alcaraz chega para Roland Garros carregando uma invencibilidade de dez jogos e dois títulos importantes no saibro, o ATP 500 de Barcelona e o Masters 1000 de Madri. E na capital espanhola, conseguiu a façanha de superar Rafael Nadal, Novak Djokovic e Alexander Zverev em dias consecutivos para vencer seu quarto título na temporada e o segundo Masters 1000.

Em 31 jogos disputados na temporada de 2022, Alcaraz venceu 28 no total. Entre as três derrotas no ano, duas foram em jogos equilibradíssimos contra adversários do top 10, Matteo Berrettini no tiebreak do quinto set no Australian Open e Rafael Nadal em partida com 3h12 na semifinal de Indian Wells. A outra derrota foi para o norte-americano Sebastian Korda no Masters 1000 de Monte Carlo e que impediu Alcaraz de chegar a Paris invicto no saibro. Também campeão do Rio Open, em fevereiro, ele tem 16 vitórias e apenas uma derrota no piso em 2021.

Como Alcaraz estava no ano passado
Para efeito de comparação, Alcaraz era apenas o número 97 do mundo quando disputou a edição passada de Roland Garros. O espanhol fez boa campanha, tendo superado Lukas Lacko, Andrea Pellegrino e Alejandro Tabilo em sets diretos durante o quali, e depois ainda passou por Bernabe Zapata Miralles e pelo então 31º do ranking Nikoloz Basilashvili na chave principal, antes de cair diante do alemão Jan-Lennard Struff na terceira rodada em Paris. Semanas antes, ele havia disputado uma semifinal de ATP em Marbella e vencido um challenger em Oeiras. Além de ter duelo com o ídolo Nadal no Masters de Madri, no dia de seu 18º aniversário.

Chave dura para o espanhol em Paris
Caso passe pela estreia contra Londero, que entrou na chave como lucky-loser, Alcaraz pode ter um duelo espanhol contra Albert Ramos, canhoto de 34 anos e 42º do ranking, ou encarar o australiano Thanasi Kokkinakis, 85º colocado. Ele venceu nas duas vezes que enfrentou Ramos, enquanto Kokkinakis é um rival inédito em sua carreira. Existe a possibilidade de um reencontro com Korda, seu único algoz em toda a temporada de saibro, já na terceira rodada. E nas oitavas, o jovem espanhol pode enfrentar o britânico Cameron Norrie, que neste sábado venceu o ATP de Lyon. Mas Alcaraz já o derrotou duas vezes no ano. Há ainda a chance de encontrar nomes como Dominic Thiem ou Karen Khachanov.

O quadrante e o lado de Alcaraz na chave estão muito fortes. Caso alcance as quartas de final de um Grand Slam pela segunda vez na carreira, repetindo a façanha do último US Open, o espanhol pode reencontrar Alexander Zverev. E o semifinalista provavelmente enfrentará uma lenda do tênis, já que o treze vezes campeão Rafael Nadal e o número 1 do mundo e bicampeão Novak Djokovic estão no outro quadrante deste lado da chave.

Para tentar fazer sua melhor campanha em um Grand Slam na carreira, Alcaraz terá que fazer algo que se acostumou a fazer nos últimos meses, brilhar nos grandes palcos, contra grandes jogadores. Oito das onze vitórias do espanhol contra jogadores do top 10 foram conquistadas neste ano. Além da trinca sobre Zverev, Nadal e Djokovic em Madri, ele já venceu Stefanos Tsitsipas duas vezes no ano, superou Casper Ruud na final do Masters 1000 de Miami, e também já conquistou grandes vitórias sobre Hubert Hurkacz e Matteo Berrettini.

‘Acho que tenho ainda que melhorar em tudo’
Após a recente conquista em Madri, Alcaraz falou sobre sua excelente fase no circuito. “Acho que estou jogando muito bem e os números falam por si só. Acho que estou indo muito bem no saibro agora. Como eu disse em Monte Carlo, você aprende muito com as derrotas e aquele foi um exemplo claro. Perdi na primeira rodada de Monte Carlo, aprendi com aquela derrota e comecei a treinar para Barcelona e Madrid. Considero que estou jogando muito, muito bem, e acho que sou um adversário difícil para os outros jogadores”.

“Acho que tenho ainda que melhorar em tudo, e sempre digo isso. Você nunca atinge um limite. Veja Rafa, Djokovic, Federer… Todos eles melhoram e têm coisas a melhorar. Por isso são tão bons. Não é porque eu ganhei em Barcelona e venci o Djokovic e o Rafa em Madri, não que me considero o melhor jogador do mundo. Hoje sou o número 6, então ainda tenho cinco jogadores pela frente para ser o melhor”.

Alcaraz acumula façanhas e deixa lições ao circuito
Por Mario Sérgio Cruz
março 19, 2022 às 1:16 am

Alcaraz é o mais jovem semifinalista de Indian Wells desde 1988 e chegará ao top 15 do ranking com apenas 18 anos (Foto: Peter Staples/ATP Tour)

Jogador mais jovem no top 100 do ranking, Carlos Alcaraz tem acumulado façanhas neste início de temporada. Em 13 jogos disputados em 2022, o espanhol de 18 anos perdeu apenas um, a batalha de cinco sets contra Matteo Berrettini na terceira rodada do Australian Open. Nesses primeiros três meses do ano, já conquistou o maior título da carreira no Rio Open e faz sua melhor campanha em Masters 1000 ao atingir a semifinal de Indian Wells. Ele já é o mais jovem semifinalista do torneio desde Andre Agassi em 1988.

A sequência de bons resultados aparece no ranking. Alcaraz iniciou a temporada na 32ª posição e tinha como meta chegar ao top 15. Esse objetivo está muito próximo de ser alcançado. E dá para sonhar com top 10. Antes do torneio de Indian Wells, sua distância para o décimo colocado, o italiano Jannik Sinner, era de pouco mais de 1.400 pontos. O espanhol tem garantidos mais 360 pontos pela campanha na Califórnia, pode dobrar esse valor com mais uma vitória e até fazer mil pontos em caso de título. Já Sinner, que parou nas oitavas em Indian Wells, fez só 90 pontos no torneio.

Alcaraz não defende pontos no segundo Masters 1000 da temporada, em Miami, e nem no terceiro, em Monte Carlo. Durante a temporada de saibro, só tem a somar em torneios grandes como Roma e Barcelona e defende pontuações modestas de terceira rodada, em Madri e Roland Garros. É de se esperar que ele faça campanhas ainda melhores que as do ano passado, por ser mais experiente e entrar como cabeça de chave. Nesse cenário, uma chegada ao grupo dos dez melhores é muito provável, a menos que ele sofra com lesões ou tenha uma queda repentina de rendimento.

O jovem espanhol também tem deixado lições ao circuito. Uma vitória por 6/2 e 6/0 contra um top 15 consolidado como Roberto Bautista Agut ou o fato de ter levado o top 10 Berrettini ao tiebreak do quinto set em Melbourne são recados claros sobre o quanto será difícil eliminá-lo de um torneio. Apesar de toda sua formação espanhola e de muita solidez do fundo de quadra, que renderam suas primeiras conquistas no saibro em torneios juvenis e também no nível challenger, Alcaraz é um jogador para todos os pisos.

O pupilo do ex-número 1 Juan Carlos Ferrero é capaz de jogar um tênis moderno, agressivo, atuando em cima das linhas e comandando os pontos com um forehand muito potente. Também exibe um rico arsenal de golpes. Seus drop-shots fizeram sucesso durante o Rio Open e as jogadas de efeito e os reflexos rápidos junto à rede encantam a torcida em Indian Wells.

Duelo com Nadal na semifinal de Indian Wells
Na semifinal deste sábado, por volta de 19h, desafia o ídolo Rafael Nadal em um duelo de gerações do tênis espanhol. Será o segundo encontro entre eles. O primeiro foi no Masters 1000 de Madri do ano passado, no dia em que Alcaraz comemorava seu aniversário de 18 anos, e Nadal venceu com as tranquilas parciais de 6/1 e 6/2. O cenário atual prevê um duelo de maior equilíbrio, por mais que Nadal faça o melhor início de temporada da carreira aos 35 anos, com 19 vitórias seguidas. O campeão de 21 títulos de Grand Slam segue sendo favorito, mas a diferença hoje é muito menor do que a de dez meses atrás.

“É difícil jogar contra o Rafa, mas ao mesmo tempo vou curtir o momento e aproveitar a partida”, disse Alcaraz, depois de garantir seu lugar na semifinal. “Não é todo dia que você joga contra o seu ídolo. Mas estou focado agora para jogar o meu melhor contra ele e poder aproveitar minhas chances. Lembro que em Madri, eu estava muito nervoso. Mas agora eu já treinei com ele algumas vezes e sei mais como jogar contra ele. Acho que agora vai ser um pouco diferente nesta partida. Obviamente ele pode me destruir de novo, mas não sei o que vai acontecer”.

Nada de ‘Novo Nadal’
As comparações entre Alcaraz e Nadal podem ser muito frequentes e até o patrocinador comum entre os dois contribuiu indiretamente para isso, quando destinou camisetas regatas para o jovem espanhol usar na Austrália e no Rio de Janeiro. Alcaraz tem Nadal como um ídolo e um modelo a seguir por sua disciplina e espírito de luta e competitividade em quadra. Os estilos de jogo e execução dos golpes já não são tão parecidos, por mais que Nadal já tenha declarado diversas vezes que prefere condições mais rápidas quando joga na quadra dura para poder começar a controlar os pontos com o primeiro forehand depois do saque. Mas não acho certo chamá-lo de “Novo Nadal”.

Aliás, existem casos notórios de jogadores que receberam essa alcunha e não conseguiram cumprir as expectativas. Um nome bastante conhecido é o de Javier Martí, hoje com 30 anos, e que foi comparado a Nadal por seus resultados em torneios de nível challenger. Martí, que chegou ao 170º lugar do ranking, migrou para a carreira de treinador e chegou a trabalhar com Paula Badosa. No ano passado, pude perguntar a Badosa em uma entrevista coletiva durante Roland Garros sobre o quanto o trabalho com Martí a ajudava a lidar com a pressão as expectativas.

“Acho que ele está me ajudando muito a lidar com isso. Ele sabe o que é ter expectativas quando você é muito jovem e muito bom jogador, com um futuro brilhante pela frente. Acho que tivemos situações muito semelhantes quando éramos mais jovens”, disse Badosa a TenisBrasil. “Mentalmente foi um pouco difícil para mim lidar com isso, mas eu acho que gerenciei tudo muito bem e acho que ele tem um papel incrível, que tem me ajudado todos os dias”, comenta a espanhola, que atualmente treina com outro técnico, o também espanhol Jorge García.

Outro caso é o de Carlos Boluda, chamado de “Novo Nadal” por conta de feitos no circuito juvenil entre 2006 e 2007. Ele parou de jogar no início do ano passado, aos 27 anos, sem nunca ter chegado ao top 200. Ele revelou em entrevista ao site Punto de Break que o fim da carreira foi uma experiência libertadora.

“Passei um momento terrível. Precisei da ajuda de uma psicóloga. Talvez por toda a pressão que tive na carreira, pelas lesões, por todo o esforço que fiz para chegar ao 254º lugar”, comentou Boluda. “Tudo se juntou e eu desabei. Não sentia vontade de nada, nem de sair de casa. Dar este passo foi uma libertação”

Quem são os jovens tenistas para assistir em 2022
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 28, 2021 às 5:56 pm

Para Emma Raducanu, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias

Uma nova temporada do tênis internacional se inicia na próxima segunda-feira, com os principais nomes do circuito atuando na Austrália. Os atletas da nova geração do circuito chegam para 2022 com diferentes perspectivas, especialmente quando se fala em tênis feminino, onde vemos jogadoras muito novas já lutando por títulos importantes. Entre os homens, a renovação do circuito é mais lenta, mas também há jovens tenistas em franca evolução e que podem surpreender.

Pelo quinto ano seguido, TenisBrasil  apresenta a lista de jovens jogadores para acompanhar no próximo ano.  A relação deste ano conta com 23 nomes, com diversas ambições na temporada.

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Quatro fortes candidatas a títulos
O primeiro ponto a ser observado nas perspectivas para 2022 da nova geração são as chances de títulos para quatro jogadoras da WTA. Iga Swiatek, de 20 anos e número 9 do mundo, e Emma Raducanu, de 19 anos e 19ª colocada, já são campeãs de Grand Slam. Um pouco abaixo no ranking estão Coco Gauff, de 17 anos e 22ª do ranking, e Leylah Fernandez, 24ª do mundo aos 19 anos. Fernandez foi vice em Nova York este ano, enquanto Gauff fez quartas em Roland Garros e já tem dois títulos de WTA.

Em 2021, Swiatek deu continuidade à grande temporada que teve no ano anterior. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, a polonesa foi consistente ao chegar às oitavas de final em todos os Grand Slam e também conquistou dois títulos, o WTA 1000 de Roma e o 500 de Adelaide, fundamentais para que ela chegasse ao top 10 e disputasse o WTA Finals pela primeira vez. No fim do ano, encerrou a parceria de cinco anos que teve o técnico Piotr Sierzputowski.

Para Emma Raducanu, que começou o ano como 345ª do mundo e termina como top 20 e campeã do US Open, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias. Desde a conquista em Nova York e a mudança repentina de vida, a britânica disputou apenas mais três torneios e sofreu eliminações precoces. Disposta a ter um nome mais experiente na equipe, contratou para 2022 o técnico alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao topo do ranking.

De olho em Sinner, Alcaraz e Musetti

Sinner chegou ao top 10 em 2021 e venceu quatro títulos de ATP este ano

O espanhol Carlos Alcaraz e os italianos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti são nomes a observar de perto em 2022. Sinner, de 20 anos, conquistou quatro de seus cinco títulos de ATP na última temporada, além de conseguir outros bons resultados como a final do Masters 1000 de Miami e as oitavas no US Open. Ele iniciou o no 37º lugar e finalizou a temporada no top 10. Pupilo do experiente treinador Riccardo Piatti, o italiano conviveu com grandes nomes do circuito desde muito jovem, o que o ajudou muito em seu desenvolvimento.

Carlos Alcaraz, eleito a revelação de 2020 pela ATP e indicado entre os jogadores que mais evoluíram em 2021, também é um nome a ser visto de perto. O espanhol de 18 anos ganhou mais de cem posições no ranking na última temporada, saltando do 141º para o 32º lugar. Ele foi campeão do ATP de Umag e chegou às quartas de final do US Open, além de ter conseguido sua primeira vitória contra top 10 diante de Stefanos Tsitsipas. Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz tem exibido um tênis agressivo e bem adaptado às condições de um circuito com cada vez mais torneios no piso duro. É um nome forte para ter resultados consistentes e estará no Brasil, disputando o Rio Open.

No caso de Lorenzo Musetti, a principal meta é uma retomada dos bons resultados após um segundo semestre abaixo do esperado. Desde sua campanha até as oitavas de final em Roland Garros, o italiano de 19 anos e atual 59º do ranking só conseguiu mais quatro vitórias em chaves principais no circuito da ATP. São resultados que destoam de uma boa primeira metade da temporada com duas semifinais de ATP.

Tauson, Osorio e Parry podem surpreender

Clara Tauson, de 19 anos, conquistou dois títulos em 2021 e é uma ameaça nas quadras duras e cobertas

A temporada feminina de 2021 apresentou jogadoras que conseguiram seus primeiros resultados de destaque no circuito da WTA e são possíveis ameaças para as principais favoritas nas fases iniciais dos torneios. Entre os destaques estão a dinamarquesa Clara Tauson, de 19 anos e 44ª do ranking, a colombiana Camila Osorio, de 20 anos e 55ª colocada, e também a francesa Diane Parry, 115ª do mundo aos 19 anos.

Tauson está se firmando como uma ameaça nos torneios em quadras duras e cobertas. Ela conquistou dois títulos nessas condições, em Lyon e Luxemburgo, além de ter disputado uma final em Courmayeur no fim do ano. A dinamarquesa tem um jogo agressivo com pontos curtos e muita potência nos golpes dos dois lados. Já Osorio é formada no saibro e conquistou seu primeiro título de WTA em Bogotá, mas também tem se destacado em outros pisos, com uma terceira rodada em Wimbledon e uma vitória sobre a top 10 Elina Svitolina na quadra dura de Tenerife.

Um pouco mais abaixo no ranking, Parry se destacou em torneios sul-americanos na reta final da temporada. Ela disputou duas finai na série 125, com título em Montevidéu e vice em Buenos Aires, além de também chegar à semifinal de um forte ITF em Santiago. Ex-número 1 juvenil, a francesa também chama atenção por um eficiente backhand de uma mão, um bom uso dos slices e um forehand com muito peso. Convidada para a chave principal do Australian Open, Parry tem a chance de crescer muito rápido no ranking.

Novas realidades para brasileiros e argentinos

Matheus Pucinelli fez a transição dos torneios ITF para os challengers no meio de 2021 e tenta dar mais um passo no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O ano de 2022 pode ser de novas realidades para grupos de brasileiros e argentinos do circuito. Para Juan Manuel Cerundolo e Sebastian Baez, números 90 e 99 do ranking aos 20 anos, será interessante vê-los em um calendário de torneios de nível ATP e com maior variedade de pisos e condições. Os dois argentinos conseguiram saltar no ranking ao longo da última temporada praticamente só jogando em challengers no saibro. Baez conseguiu seis títulos e 44 vitórias no piso, enquanto Cerundolo venceu três challengers (com 38 vitórias) e mais um ATP em Córdoba.

Para os nomes da nova geração brasileira, será interessante acompanhar a evolução de Matheus Pucinelli, de 20 anos e 287º do ranking, Gustavo Heide, 477º do mundo aos 19 anos, Gilbert Klier, 410º aos 21 anos, e Gabriel Décamps, 500º colocado aos 22 anos. Os quatro jogadores tiveram destaque em competições de nível future no circuito e tentam agora se firmar nos challengers.

Pucinelli fez essa transição ao longo do ano, três títulos e dois vices de ITF, e depois vencer mais 14 partidas de challenger com uma semifinal em Santiago. Heide e Klier conquistaram cada um três títulos de ITF e venceram seus primeiros jogos de challenger já no fim do ano. Já Décamps voltou ao circuito profissional em julho, vindo do circuito universitário norte-americano. O paulista estava com ranking zerado, mas se firmou entre os 500 do mundo com um título e dois vices de ITF, além de uma semifinal de challenger.

Adolescentes promissoras no circuito feminino

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional (Foto: Luiz Candido/CBT)

Há ainda um grupo de jogadoras no circuito feminino que vale muito ficar de olho, o das adolescentes promissoras: A lista é puxada por Victoria Jimenez Kasintseva, tenista de apenas 16 anos e natural de Andorra. Ex-líder do ranking mundial juvenil, ela já aparece no 255º lugar entre as profissionais e conquistou um título no Brasil, em Aparecida de Goiânia. Destaque também para a norte-americana Robin Montgomery, de 17 anos e 372ª do ranking, campeã juvenil do US Open.

Vale ficar de olho também nas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova, números 2 e 4 do ranking mundial juvenil. Linda, de 16 anos e já 279ª da WTA. Brenda, com apenas 14 anos, teve sua primeira oportunidade no tênis profissional na última semana e avançou uma rodada no WTA 125 de Seul.

A situação de Rune, Tseng e norte-americanos 

Jenson Brooksby foi escolhido o Novato do Ano no circuito da ATP

Três norte-americanos estão em situações próximas no ranking da ATP e tentam dar um novo salto de qualidade. São os casos de Sebastian Korda, 41º aos 21 anos, Jenson Brooksby, 56º aos 21 anos, e Brandon Nakashima, 69º aos 20 anos. Korda venceu um ATP em Parma e jogou final em Delray Beach. Brooksby foi eleito o Novato do Ano, disputou uma final em Newport Beach e a semi em Washigton, enquanto Nakashima disputou duas finais seguidas em Atlanta e Los Cabos.

Outros dois nomes valem ser observados no circuito masculino. Um deles é o dinamarquês Holger Rune, 103º do ranking aos 18 anos. Rune conquistou quatro títulos de challenger este ano e já venceu sete jogos de ATP, ficando cada vez mais perto do top 100. Já o taiwanês Chun-Hsin Tseng chegou ao 188º lugar do ranking aos 20 anos. Ele já tem quatro títulos de ITF e terminou o ano disputando duas finais seguidas de challenger em Portugal, com um título e um vice.

 

Título ratifica que Alcaraz está alguns degraus acima
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 14, 2021 às 12:36 am

Alcaraz cedeu apenas um set durante os cinco jogos que fez no Next Gen ATP Finals (Foto: ATP)

A maneira como Carlos Alcaraz conquistou o título do Next Gen ATP Finals nesta semana em Milão ratifica sua condição como o grande nome entre os jovens jogadores que disputaram a competição. Em cinco jogos no torneio, o espanhol de 18 anos e já número 32 do mundo cedeu apenas um set e confirmou não apenas sua posição de principal cabeça de chave do evento, como também a diferença para os jovens em diferentes estágios de evolução no tênis profissional.

Alcaraz superou o norte-americano Sebastian Korda, 39º do ranking, na final deste sábado. E antes disso também havia passado pelo dinamarquês Holger Rune, pelos argentinos Sebastian Baez e Juan Manuel Cerundolo e também pelo norte-americano Brandon Nakashima. Apenas Cerundolo, 91º colocado, escapou de uma derrota por 3 a 0.

“Esses jogadores com menos de 21 anos estão jogando em ótimo nível. Cada um deles derrotou muitos grandes jogadores. Eles estão ganhando experiência, assim como eu. Tenho certeza de que todos esses jogadores estarão entre os 100 primeiros em breve. E com certeza eles vão jogar os melhores torneios, senão no próximo ano, em dois anos. É claro que existem diferenças entre eles e os jogadores de ponta, mas com certeza eles estarão lá muito em breve”, disse Alcaraz, durante entrevista coletiva em Milão.

“Vencer este torneio significa muito para mim. Estou muito animado e emocionado. Eu estava muito nervoso no início e tive que ficar calmo para salvar os break points no primeiro set. Sei que Korda estava sacando muito bem, então eu tive que jogar o meu melhor nesses momentos”, comenta o espanhol, após superar Korda por 4/3 (7-5), 4/2 e 4/2. O momento de maior pressão foi durante o primeiro set, em que salvou cinco break points. “Estou tentando me concentrar em cada saque. Acho que o saque é muito, muito importante neste tipo de quadra coberta e eu sabia disso. Estou tentando melhorar o saque e acho que é a chave para jogar um bom nível”.

Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, o espanhol pôde aproveitar a experiência que teve de receber instruções dentro de quadra durante as partidas desta semana. “Quando você está jogando a partida, não percebe muitas coisas. Mas fora da quadra é possível perceber as coisas melhor. Em algumas devoluções ou algumas bolas que eu errava, ele pôde me dizer como fazer melhor”, comentou jovem de 18 anos. “Juan Carlos também me disse que nos momentos difíceis você tem que jogar de forma agressiva e é isso que eu faço. Estou trabalhando também para ficar mais calmo nos momentos difíceis. Essa é a chave para vencer os pontos importantes”.

Escolhido como a Revelação do Ano em 2020 pela ATP, Alcaraz confirmou as expectativas e evoluiu muito. Ele iniciou a temporada ocupando apenas a 141ª posição do ranking. Em 2021, conquistou seu primeiro ATP em Umag e as três primeiras vitórias contra top 10, sobre Stefanos Tsitsipas, Matteo Berrettini e Jannik Sinner. Além disso, disputou os quatro Grand Slam, chegando às quartas de final do US Open.

“Foi uma temporada muito boa para mim e estou muito feliz com os momentos que vivi. Derrotei Stefanos [Tsitsipas] no US Open, cheguei às quartas de final em um Grand Slam e ganhei meu primeiro ATP. Mas acho que isso não teria sido possível sem a experiência que ganhei em Madri, jogando contra o Rafa [Nadal] ou em Acapulco, contra o [Alexander] Zverev. Foram muitos jogos que me deram muita experiência para me tornar mais maduro”.

Vice-campeão do torneio em Milão, Korda acredita que o algoz logo estará ainda melhor no ranking. “Carlos jogou incrivelmente bem. Ele definitivamente está jogando muito melhor do que seu ranking mostra e não ficará nessa posição por muito tempo”, afirma o norte-americano de 21 anos. “Tive algumas chances no primeiro set e não as aproveitei, mas ele estava apenas jogando um ótimo tênis nos momentos difíceis, especialmente no tiebreak. Foi uma grande partida dele e às vezes não há nada que eu pudesse realmente fazer”.

Espanhol começou a temporada na 141ª posição do ranking e já está na 32ª posição (Foto: Peter Staples/ATP)

Next Gen ATP Finals inicia 4ª edição nesta terça. Saiba tudo!
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 8, 2021 às 8:01 pm
Competição em Milão terá oito jogadores de até 21 anos e testa novas regras para o circuito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Competição em Milão terá oito jogadores de até 21 anos e testa novas regras para o circuito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Depois de uma edição cancelada no ano passado, por conta da pandemia e a necessidade de readequação do calendário do circuito, o Next Gen ATP Finals está de volta em 2021. A quarta edição do torneio terá oito jogadores de até 21 anos que se destacaram ao longo da temporada e começa nesta terça-feira em Milão.

A edição deste ano também contará pela primeira vez com tenistas sul-americanos, os argentinos Sebastian Baez e Juan Manuel Cerundolo, além de contar com estrelas em ascensão como Carlos Alcaraz, Holger Rune, Lorenzo Musetti, Sebastian Korda, Hugo Gaston e Brandon Nakashima. Os oito tenistas estão divididos em dois grupos, classificam-se os dois melhores de cada chave para as semifinais até a decisão do torneio no sábado.

Além de apresentar novos nomes do circuito, o evento também vai servir novamente para o teste de novas regras, que pode entrar ou não em vigor nos próximos anos.

Veja quem joga:

GRUPO A
Carlos Alcaraz: Escolhido como a Revelação do Ano em 2020 pela ATP, Carlos Alcaraz confirmou as expectativas e evoluiu muito na temporada. O espanhol de 18 anos já ocupa o 32º lugar do ranking, depois de ter iniciado a temporada na 141ª posição. Em 2021, Alcaraz conquistou seu primeiro ATP em Umag e as três primeiras vitórias contra top 10, sobre Stefanos Tsitsipas, Matteo Berrettini e Jannik Sinner.

Ele também disputou os quatro torneios do Grand Slam, furando qualis na Austrália e Roland Garros e chegando às quartas de final do US Open. Além disso, fez outros resultados de destaque como as semifinais de ATP em Marbella, Winston-Salem e Viena. O espanhol também venceu um challenger, no saibro português de Oeiras. De suas 28 vitórias em nível ATP, 27 foram conquistadas este ano.

Brandon Nakashima: O norte-americano de 20 anos iniciou a temporada no 166º lugar do ranking e já ocupa a 63ª posição. Nakashima venceu 15 jogos de nível ATP em 2021 e disputou duas finais seguidas, nas quadras duras de Atlanta e Los Cabos, em julho. Há três semanas, também fez boa campanha no ATP da Antuérpia, indo do quali até as quartas. Já em torneios challenger, conquistou dois títulos em quadras cobertas na França.

Juan Manuel Cerundolo: Canhoto de 19 anos, Juan Manuel Cerundolo praticamente só jogou no saibro durante o ano, exceto apenas pelo quali de Wimbledon, e foi recompensado com vários bons resultados. O argentino conquistou seu primeiro ATP jogando em casa, na cidade de Córdoba, mas só teve seis vitórias em nível ATP no ano. Já em torneios challenger, venceu 36 partidas, com três títulos e dois vices. Ele começou a temporada no 341º lugar e já é o número 91 do mundo.

Holger Rune: O dinamarquês de 18 anos Holger Rune foi um dos jogadores que mais evoluíram na temporada. O ex-número 1 juvenil ocupava o 474º lugar na virada do ano e atingiu nesta segunda-feira o melhor ranking da carreira, no 109º lugar. Ele conquistou quatro títulos de challenger, com 36 vitórias nesse nível, além de ter vencido seis partidas no circuito da ATP. Rune disputou seu primeiro Grand Slam no US Open, em furou o quali e teve boa apresentação contra o número 1 do mundo Novak Djokovic e também chegou às quartas no ATP de Metz. Rune chegará a Milão embalado por um título no challenger de Bérgamo, conquistado no domingo.

GRUPO B
Sebastian Korda: Mais velho entre os oito jogadores do torneio, Sebastian Korda está com 21 anos e ocupa o 39º lugar do ranking. Ele já iniciou a temporada disputando sua primeira final de ATP em Delray Beach. Meses depois, venceu seu primeiro título, no saibro de Parma. Ele venceu 27 jogos na elite do circuito, duas sobre top 10 contra Roberto Bautista Agut e Diego Schwartzman, e teve outros bons resultados como as quartas em Miami e oitavas em Wimbledon. Korda é o atual 39º do mundo e ocupava o 119º lugar no início do ano.

Lorenzo Musetti: Representante da casa no torneio, Lorenzo Musetti teve ótimo início de temporada, mas não vem bem no segundo semestre. Ainda assim, o italiano de 19 anos está no 58º lugar do ranking, uma posição abaixo da melhor marca da carreira. Musetti venceu 20 jogos de ATP, com destaque para a semifinal de Acapulco e as oitavas em Roland Garros, e disputou duas finais de challenger. Ele também conseguiu sua primeira vitória contra top 10. Na virada de ano, aparecia apenas no 128º lugar.

Sebastian Baez: Com um calendário focado em challengers no saibro, Sebastian Baez aproveitou bem o grande número de torneios no piso. Foram 39 vitórias, cinco títulos e três vices. Ele teve 84,8% nesse nível de competição, com apenas sete derrotas. Também marcou sua primeira vitória em chave principal de ATP, no saibro de Hamburgo. O argentino de 20 anos saltou do 309º para o atual 111º lugar do ranking. Seus únicos torneios fora do saibro foram os qualis de Wimbledon e US Open.

Hugo Gaston: Embalado por uma ótima campanha no Masters 1000 de Paris, em que foi do quali até as quartas de final, Hugo Gaston saltou 36 posições no ranking e está agora com o melhor ranking da carreira no 67º lugar. O francês de 21 anos conseguiu nove vitórias na ATP e mais 32 em challenger, disputando quatro finais, mas ficando com quatro vices. Ele ocupava o 162º lugar do ranking na virada do ano.

Confira a programação do primeiro dia do torneio:

Allianz Cloud – 10h
[4]Brandon Nakashima (EUA) vs. [5]Juan Manuel Cerundolo (ARG)
Não antes de 11h
[1]Carlos Alcaraz (ESP) vs. [7]Holger Rune (DIN)
Não antes de 15h30
[2]Sebastian Korda (EUA) vs. [8]Hugo Gaston (FRA)
[3]Lorenzo Musetti (ITA) vs. [6]Sebastian Baez (ARG)

Transmissão: ESPN e Star+

Evento testa regras diferentes:
Como de costume desde sua primeira edição em 2017, o evento serve para testar algumas regras do circuito. Entre as novidades para este ano estão a redução do tempo de aquecimento, de quatro minutos para apenas um minuto, a presença dos técnicos em quadra, podendo instruir os jogadores e limitações de tempo médico (o jogador só pode pedir um por partida) e de idas ao banheiro (com cronômetro de três minutos).

Outras regras que já foram testadas antes foram mantidas: As partidas são disputadas em cinco sets de até quatro games, sem juízes de linha (substituídos pela marcação eletrônica), games com No-Ad e ponto decisivo nos 40-iguais, e liberdade de circulação do público durante os pontos. Pontos que já estão em vigor no circuito, como o relógio de saque e o uso de ganchos para as toalhas, também valem para o torneio.

Prêmios em dinheiro:
Apesar de o torneio não valer pontos no ranking da ATP, há uma boa premiação em dinheiro em jogo. O evento distribui US$ 1,3 milhão em prêmios e um campeão invicto pode receber US$ 400 mil. A simples participação no torneio já rende US$ 80 mil. Cada vitória na fase de grupos paga US$ 23 mil, a vitória na semi paga US$ 109 mil e a na final US$ 142 mil.

Jovens brilham e US Open chega renovado às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 5, 2021 às 5:02 am
Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz, ambos de 18 anos, são destaques da nova geração nas oitavas (Foto: Jennifer Pottheiser/USTA)

A edição de 2021 do US Open, que começou marcada pela ausência de campeões históricos como Roger Federer, Rafael Nadal e as irmãs Venus e Serena Williams, chega à fase de oitavas de final bastante renovada. Três destaques da nova geração do circuito, e com apenas 18 anos, a canadense Leylah Fernandez, a britânica Emma Raducanu e o espanhol Carlos Alcaraz são alguns dos estreantes na segunda semana em Nova York. A renovação também se dá com outros jovens como Jannik Sinner, Jenson Brooksby e Iga Swiatek, que fazem suas melhores campanhas no torneio aos 20 anos. E até mesmo tenistas mais experientes, mas que nunca chegaram tão longe em Nova York, também contribuem para o cenário de mudanças.

Alcaraz e Fernandez derrubaram favoritos

A rodada da última sexta-feira no Arthur Ashe Stadium premiou Alcaraz e Fernandez, que derrubaram grandes favoritos. O espanhol, 55º no ranking da ATP, foi responsável por eliminar o número 3 do mundo Stefanos Tsitsipas em uma batalha de cinco sets e com 4h07 de duração. “Não tenho palavras para explicar como estou me sentindo agora. Não acredito que venci Stefanos Tsitsipas em uma partida épica. Para mim é um sonho que se tornou realidade”, disse após sua primeira vitória contra um top 10. “Acho que sem a torcida não teria a oportunidade de jogar um ótimo quinto set e vencer. Eu estava fisicamente no meu limite no final do terceiro set e Stefanos começou o quarto set muito bem. No começo do quinto, tive que ser muito agressivo e jogar meu melhor tênis”.

Jogador mais jovem nas oitavas de um Grand Slam desde Andrei Medvedev 1992, e o mais novo nesta fase do US Open desde Michael Chang em 1989, Alcaraz não escapa de inúmeras comparações com os feitos de Rafael Nadal, mas busca seu próprio estilo. “Eu não copio nenhum estilo de jogador. Eu apenas jogo meu jogo. Mas se eu tiver que dizer um jogador parecido com meu jogo, acho que é o Federer. Eu acho parecido com o meu jogo, porque estou tentando ser agressivo o tempo todo”, comenta o espanhol que enfrenta o alemão vindo do quali Peter Gojowczyk, experiente tenista de 32 anos e 141º do ranking.

Também na sexta-feira, Fernandez conseguiu superar Naomi Osaka, bicampeã do Grand Slam nova-iorquino, com uma vitória de virada, depois de a japonesa ter sacado para o jogo ainda no segundo set. “Eu não estava realmente focada em Naomi. Eu estava focada apenas em mim mesma, no meu jogo e no que eu precisava fazer. Ter a torcida me apoiando a cada ponto foi incrível. Isso me deu energia para continuar lutando e correndo para as bolas que ela mandava. Eu estava feliz por ter sido capaz de dar um show para todos que vieram assistir”.

Atual 73ª do ranking, a canadense marcou sua segunda vitória contra top 10 e agora desafia a campeã de 2016 Angelique Kerber. “Desde muito jovem, eu sabia que seria capaz de vencer qualquer uma que estivesse na minha frente. Mesmo praticando esportes diferentes, eu sempre fui muito competitiva. Desde quando eu queria ganhar do meu pai no futebol, mesmo que fosse impossível. Sempre acreditei nisso. Mesmo quando a Naomi conseguiu uma quebra no segundo set, eu ainda acreditava. Disse a mim mesma que estava cada vez mais perto de encontrar uma solução e teria a chance de voltar para o jogo”.

Raducanu se inspirou nas façanhas de outros jovens

A britânica Emma Raducanu, 150ª do mundo, veio do quali em Nova York e venceu seis jogos seguidos. Também de 18 anos, ela reconhece que a inspiração de Fernandez e Alcaraz a fizeram acreditar mais em suas chances.

“Acho que ter tantos jogadores jovens chegando é muito bom para o tênis, porque mostra o quão forte é a próxima geração. Acho também que todos nos inspiramos a jogar melhor. Hoje, eu queria me juntar a eles na segunda semana também, então isso foi uma motivação extra. Os dois são pessoas muito, muito legais. Estou muito feliz por eles e por poder ir para a segunda semana”, disse a britânica que derrotou a espanhola Sara Sorribes na terceira rodada por 6/0 e 6/1. Ela também passou pela suíça Stefanie Voegele e pela chinesa Shuai Zhang na chave principal, além de ter superado o quali com três rodadas. Sua próxima rival é a norte-americana Shelby Rogers.

Sinner vem de uma dura batalha contra Monfils, agora enfrenra Zverev

O italiano Jannik Sinner já é uma realidade no circuito, ocupa o 16º lugar no ranking mundial com apenas 20 anos, e vem de uma batalha de cinco sets contra Gael Monfils para chegar às oitavas de final em Nova York pela primeira vez na carreira. Em suas duas únicas participações anteriores, Sinner não havia passado da rodada de estreia.

“Estou muito feliz. Obviamente não foi fácil jogar contra ele. Joguei bem os dois primeiros sets e também o terceiro. Então ele começou a crescer no jogo. Comecei a errar, o que é normal, e tive manter o foco no presente. Acho que hoje, essa foi a chave. Para mim, é a primeira vez que estou aqui na segunda semana, aqui em Nova York, é uma sensação ótima, obviamente. Você sempre tenta fazer cada vez melhor”, disse após a vitória por 7/6, 6/2, 4/6, 4/6 e 6/4. O italiano agora desafia o número 4 do mundo Alexander Zverev, contra quem tem uma vitória e uma derrota.

Swiatek se orgulha de sua consistência

Oitava colocada no ranking da WTA e campeã de Roland Garros no ano passado, a jovem polonesa de 20 anos Iga Swiatek conseguiu uma marca bastante expressiva. Ela é a única jogadora do circuito a atingir as oitavas de final em todos os quatro Grand Slam de 2021. “É muito emocionante. Esta é a minha primeira vez nas oitavas do US Open e estou muito orgulhosa disso. Não importa qual será o meu resultado final, mas mesmo assim fizemos um ótimo trabalho. Estar nas oitavas de todos os Grand Slams deste ano mostra que realmente estou indo no caminho certo”, disse depois de superar a estoniana Anett Kontaveit no último sábado por 6/3, 4/6 e 6/3.

“Eu estava pensando nisso há dois dias, que basicamente esta é o único ano em que não tive nenhuma lesão e não precisei que lidar com isso. As coisas são mais fáceis quando meu corpo está realmente me ouvindo. Estou muito orgulhosa da minha equipe e muito grata por receber toda a ajuda de que preciso. Muito feliz por ser consistente. Mas eu sei que sem eles não estaria aqui”, revela a polonesa, que agora encara a campeã olímpica Belinda Bencic.

Brooksby desafia o número 1 Novak Djokovic

Outro jovem debutante nas oitavas de final de um Grand Slam, o norte-americano de 20 anos Jenson Brooksby segue aproveitando o convite oferecido pelos organizadores. Destaque nos torneios de nível challenger no primeiro semestre, com três títulos, ele começou a temporada apenas no 314º lugar do ranking, mas já é o 99º do mundo. Durante o verão americano, disputou sua primeira final de ATP na grama de Newport e foi semifinalista em Washington. Com isso, saltou no ranking e chamou a atenção da direção do US Open. Em Nova York, já passou por Mikael Ymer, Taylor Fritz e Aslan Karatsev. Agora, tem a missão de enfrentar o número 1 do mundo Novak Djokovic.

“Será um grande desafio, um dos mais difíceis que se pode ter. Mas estou realmente acreditando em mim mesmo. Ainda mais pelo que estou mostrando por aí até agora. Tenho uma grande equipe ao meu redor para ajudar a me recuperar. Será uma batalha no Ashe, e tenho certeza de que será muito emocionante. A torcida vai lotar o estádio e estou animado para ver como posso me concentrar, como posso jogar bem contra um dos maiores jogadores e com um grande público em quadra”.

Mais estreantes nas oitavas de final

A lista de estreantes nas oitavas de final do US Open não conta apenas com tenistas da nova geração. Atual campeã de Roland Garros, a tcheca de 25 anos Barbora Krejcikova disputa a chave principal de simples pela primeira vez em Nova York. A número 9 do mundo construiu uma carreira sólida nas duplas e só entrou no top 100 de simples no ano passado, tendo uma rápida escalada até o top 10 e ao primeiro Grand Slam na disputa individual. Sua próxima rival é a espanhola Garbiñe Muguruza, décima colocada. Elas já se enfrentaram duas vezes este ano, com uma vitória para cada lado.

Na chave masculina, são vários os estreantes nas oitavas: Os alemães Oscar Otte, de 28 anos e 144º do ranking, e Peter Gojowczyk, de 32 anos e 141º colocado, vieram do quali. Otte enfrenta o italiano Matteo Berrettini, enquanto Gojowczyk é o próximo adversário de Alcaraz. Outro atleta vindo do quali a atingir as otavas é o holandês Botic Van de Zandschulp, de 25 anos e 117º do ranking. Ele já eliminou o cabeça 8 Casper Ruud e vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman. Além deles, destaque também para o confronto entre o norte-americano Reilly Opelka, 24º do mundo, e o sul-africano Lloyd Harris, 46º colocado. Os dois tenistas de 24 anos fazem ótimas temporadas no circuito e alcançam esta fase em um Grand Slam pela primeira vez.

Andreescu e Aliassime também vivos na disputa
Além da estreante Leylah Fernandez, o Canadá ainda conta com mais dois nomes da nova geração nas oitavas de final. Campeã em 2019 e número 7 do mundo Bianca Andreescu nunca perdeu um jogo de US Open, já que não atuou na edição passada. Invicta há dez jogos em Nova York, a jogadora de 21 anos encara a grega Maria Sakkari. Também com 21 anos, o número 15 da ATP Felix Auger-Aliassime repete a campanha do ano passado e enfrenta o norte-americano Frances Tiafoe em busca de quartas inéditas.

 

Para Sinner, experiência com ídolos foi fundamental
Por Mario Sérgio Cruz
junho 4, 2021 às 5:52 pm

Sinner treinou com grandes nomes no início da carreira e diz que isso o ajudou a amadurecer (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

Com apenas 19 anos, Jannik Sinner já aparece bem posicionado no ranking e em condições de lutar por resultados expressivos no circuito. O jovem italiano está na terceira rodada de Roland Garros e tenta repetir a ótima campanha da última temporada, quando chegou às quartas. Já vencedor de dois títulos de ATP e finalista do Masters 1000 de Miami, o atual 19º do ranking teve seu início de carreira impulsionado pelas muitas oportunidades de torneios profissionais disputados na Itália, mas também pela experiência de treinar com ídolos do tênis, o que ele considera fundamental para ter evoluído tão rápido no circuito.

Sinner se acostumou a seguir os grandes nomes. Treinado pelo experiente técnico Riccardo Piatti, que já trabalhou com estrelas como Maria Sharapova e Novak Djokovic, o italiano teve a oportunidade de treinar e acompanhar alguns campeões. Ainda muito jovem, já havia treinado com Roger Federer e com a própria Sharapova. Já no início deste ano, durante o período da quarentena na Austrália, passou duas semanas treinando com Rafael Nadal em Adelaide antes do Australian Open.

Leia mais: Com muitos torneios, Itália acelera transição dos jovens e vira ‘fábrica de tenistas’

“Treinar com jogadores e atletas desse nível obviamente faz você crescer. Eu tive muita sorte por ter a oportunidade de treinar com Rafa por duas semanas e de ficar alguns torneios treinando com o Novak também”, disse Sinner a TenisBrasil, durante sua entrevista coletiva na última quinta-feira em Roland Garros. “Também tive o prazer de conhecer um pouco mais a Maria. Treinamos juntos às vezes e pude conhecer a personalidade dela também, o que é ótimo, especialmente para alguém de 18 anos na época. Isso faz você crescer um pouco mais rápido, eu diria. Fico muito feliz e honrado por ter chance de conhecê-los e às vezes de jogar com eles também, o que torna as coisas obviamente mais divertidas e agradáveis”.

Em recente entrevista ao site da ATP, Piatti também destacou a importância dessas experiências. “Não sou eu que iria explicar para ele as lições do circuito, mas sim pessoas como Nadal ou Maria. Ele precisava ver a mentalidade desses jogadores. Eles são simples e muito focados no que estão fazendo e Jannik gosta disso. Acho que aqueles 14 dias na Austrália foram perfeitos para Jannik, que conseguiu entender bem como funciona a cabeça do Rafa”.

Match-point salvo na estreia e ganho de confiança

https://twitter.com/rolandgarros/status/1399346442867777538

Sinner salvou match-point na estreia em Paris diante do francês Pierre-Hugues Herbert. Já na segunda rodada, venceu um duelo italiano contra Gianluca Mager por 6/1, 7/5, 3/6 e 6/3. Perguntado na coletiva após o jogo se o fato de ter escapado da derrota na estreia trouxe algum ganho de confiança, o jovem jogador prefere focar na melhora de seu nível de tênis.

“Quando você enfrenta um match-point, já sabe que se perder aquele ponto, volta para casa. Então é uma situação um pouco diferente. Talvez ‘impulso mental’ seja uma palavra um pouco grande, mas acho que meu nível do tênis cresceu desde a primeira rodada para a segunda. Eu continuo no torneio e estou tentando manter meu nível alto e tentando melhorar dia após dia, e então veremos o que vai acontecer contra o Ymer na terceira rodada”.

Duelo com Ymer na próxima rodada em Paris
O próximo jogo de Sinner será contra o sueco de 22 anos Mikael Ymer, 105º colocado. Eles já se enfrentaram duas vezes, com uma vitória para cada lado, e protagonizam o primeiro confronto no saibro. “Obviamente vai ser em um piso diferente. Já jogamos duas vezes na quadra dura e coberta. Na primeira rodada, ele também ganhou um jogo de cinco sets. Depois, ele ganhou do Monfils. É sempre difícil ganhar do Monfils aqui. Com certeza ele é muito consistente, é um jogador muito sólido, e que se move muito bem. Então, tenho certeza de que não vai ser um jogo fácil”, comenta o italiano, que perdeu o duelo mais recente, ano passado em Montpellier. “Na ultima vez que nos enfrentamos, eu perdi para ele. Estou muito ansioso para ver o que eu melhorei, o que ele melhorou e como vai ficar o nível do jogo”.

Três jovens na terceira rodada em Paris
Além de Sinner, outros dois jogadores com menos de 20 anos estão na terceira rodada de Roland Garros. Ele se junta ao também italiano de 19 anos Lorenzo Musetti e ao espanhol de 18 anos Carlos Alcaraz entre os representantes da nova geração na próxima fase em Paris. Musetti terá um duelo italiano contra Marco Cecchinato, enquanto Alcaraz enfrenta o alemão Jan-Lennard Struff. A última vez que o torneio teve três jogadores tão jovens nessa fase foi em 2001, com Roger Federer, Andy Roddick e Tommy Robredo.

Oito jovens tenistas para acompanhar em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2021 às 10:10 pm

Com diferentes perspectivas, oito tenistas da nova geração do circuito merecem destaque antes de Roland Garros, que começa neste domingo em Paris. O Grand Slam tem uma jovem candidata ao título, a atual campeã Iga Swiatek e ponto de interrogação sobre Bianca Andreescu. Embalados por recentes conquistas no saibro de Parma, Coco Gauff e Sebastian Korda estão em rota de colisão com favoritos. Destaque também para os recém-chegados ao top 100, Carlos Alcaraz e Maria Camila Osorio, vindos do quali. Vale ficar de olho também no italiano Jannik Sinner, que chegou às quartas no ano passado, e no canadense Felix Auger-Aliassime, que aposta na parceria com Toni Nadal.

Confira oito grandes histórias envolvendo a nova geração em Roland Garros:

Swiatek luta pelo bicampeonato em Paris

Atual campeã, Swiatek focou a preparação nos torneios grandes (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Atual campeã, Swiatek focou a preparação nos torneios grandes (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Menos de um ano depois de ter conquistado seu primeiro Grand Slam em Roland Garros, Iga Swiatek está de volta às quadras de saibro da capital francesa. A polonesa, que completa 20 anos na segunda-feira, era apenas a 54ª do ranking na campanha para o título do ano passado e agora já é a número 9 do mundo e uma das favoritas ao título, ainda mais depois da categórica conquista do WTA 1000 de Roma há duas semanas. Ela estreia contra sua melhor amiga no circuito, a eslovena Kaja Juvan, pode enfrentar a norte-americana Shelby Rogers ou a sueca Rebecca Peterson na segunda fase e a estoniana Anett Kontaveit na terceira fase.

“Depois que ganhei Roland Garros, minha vida mudou completamente todo mundo começou a me tratar de forma diferente totalmente. Foi muito bom encontrar um equilíbrio e ainda ser capaz de aproveitar aquela vitória, mesmo numa situação tão caótica”, disse Swiatek, durante a entrevista coletiva na última sexta-feira. “Estou voltando à mesma forma que eu tive quando fui campeã de Roland Garros, já ganhei mais dois títulos desde então, e foi incrível para mim, porque eu ainda não sei se vou ser consistente pelo resto da minha carreira. E isso mostrou que posso realmente ter um bom desempenho não apenas uma vez, mas posso repetir. Então essa é a coisa mais importante para mim”.

Swiatek priorizou os torneios grandes em sua preparação para Roland Garros e só jogou em Roma e Madri e foi perguntada por TenisBrasil sobre sua estratégia. “Na verdade, o meu treinador é que foi responsável por isso. E acho que ele está fazendo um ótimo trabalho com todo o planejamento do meu calendário. E foi muito bom, porque sinto que estou progredindo. Eu estou jogando contra as top 10 com mais frequência e posso realmente ter mais experiência e aprender mais, porque isso é o mais importante para mim agora. Preciso aprender a estar em diferentes situações na quadra para que eu possa ter mais experiência depois”.

Andreescu em dúvidas após lesão abdominal

Andreescu fez bons jogos em Estrasburgo, mas sentiu lesão abdominal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Andreescu fez bons jogos em Estrasburgo, mas sentiu lesão abdominal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Outra top 10 a ser observada em Roland Garros é Bianca Andreescu, de apenas 20 anos e número 7 do mundo. A canadense conquistou seu primeiro Grand Slam ainda no US Open de 2019, mas possui um longo histórico de lesões, chegando a ficar mais de um ano parada por problema no joelho esquerdo. Na semana passada, disputou o WTA 250 de Estrasburgo e fez dois bons jogos, mas desistiu antes das quartas por lesão muscular na região abdominal. Cabeça 6 em Paris, Andreescu estreia contra a eslovena Tamara Zidansek.

“Não é nada sério, apenas um desconforto. Mas eu não quero arriscar antes de Roland Garros”, disse Andreescu na última terça-feira, em Estrasburgo. Perguntada por TenisBrasil sobre como faz para manter o ritmo de jogo e o bom nível de tênis mesmo com tantas lesões, a canadense comentou que aprendeu com os erros do passado e consegue ter melhor planejamento de treinos e competições. “Isso faz parte da carreira de qualquer atleta, sempre tem algumas coisas que você pode fazer e aprender com os erros do passado. Hoje eu tenho um calendário melhor de torneios, e estou ficando melhor na quadra e nos treinos físicos, com exercícios diferentes. É claro que a situação é decepcionante. Mas eu fiz o meu melhor para lidar com a situação”.

Gauff empolgada por título no saibro italiano

Gauff diz que resultados recentes não trazem pressão, mas sim confiança (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Gauff diz que resultados recentes não trazem pressão, mas sim confiança (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Com apenas 17 anos, a norte-americana Coco Gauff é uma das jogadoras mais jovens na chave de Roland Garros. Ela chega a Paris empolgada pela recente conquista do WTA 250 de Parma e ocupando o 25º lugar do ranking da WTA. Uma semana antes, também foi semifinalista do WTA 1000 de Roma, superada apenas por Swiatek. Acostumada a lidar com grandes expectativas desde muito jovem, ela garante que os resultados recentes trazem mais confiança do que pressão.

“Para ser honesta, não acho que esses resultados realmente coloquem qualquer pressão sobre mim. Apenas me deram confiança. Fiz muitas quartas de final e semifinais em 2020 e isso me deixou mais forte para terminar o torneio e levantar um troféu. Não sinto nenhuma pressão. Talvez porque tenha sido só um 250, então é um torneio um pouco menor, e não tinha tanta pressão quanto um 1000. Mas de qualquer forma, sinto que ganhar um título só dá a você mais confiança e mais experiência. Esse é o meu objetivo aqui”, comentou Gauff, que estreia contra a sérvia Aleksandra Krunic e pode cruzar o caminho da número 1 do mundo Ashleigh Barty nas oitavas.

Novata no top 100, Osorio disputa seu primeiro Slam

A colombiana Maria Camila Osorio chegou recentemente ao top 100 e disputa o 1º Slam (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

A colombiana Maria Camila Osorio chegou recentemente ao top 100 e disputa o 1º Slam (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Recém-chegada ao top 100 do ranking mundial, a colombiana de 19 anos Maria Camila Osorio disputará seu primeiro Grand Slam em Roland Garros. A atual 98ª do ranking conseguiu passar pelo qualificatório de três rodadas em Paris. A temporada de 2021 tem sido de feitos importantes para Osorio, que começou o ano apenas no 186º lugar do ranking. Ela conquistou seu primeiro título de WTA no saibro de Bogotá e disputou outras duas semifinais, em Charleston e Belgrado, antes de furar o quali em Paris.

“Já joguei muitos torneios da WTA, então sinto mais confiança quando entro na quadra. Não fico mais com medo quando estou jogando neste nível”, disse Osorio, em entrevista ao site de Roland Garros. “Estou vivendo um momento muito especial e trabalhei muito para chegar aqui. Foi muito bom chegar ao top 100. Era um dos meus objetivos no início do ano. Tudo aconteceu tão rápido que não pensei que pudesse fazer isso até o final da temporada, mas mostra o quanto estou melhorando”, comenta a colombiana, que estreará contra a norte-americana Madison Brengle e pode cruzar o caminho de Andreescu já na segunda rodada.

Korda chega a Paris após título em Parma

Korda chega a Paris com moral após título em Parma (Foto: Marta Magni Images)

Korda chega a Paris com moral após título em Parma (Foto: Marta Magni Images)

Depois de ir do quali até as oitavas de final na edição passada de Roland Garros, o norte-americano Sebastian Korda chegará ao Grand Slam francês com ainda mais moral. Ele conquistou neste sábado seu primeiro título no circuito, o ATP 250 de Parma, vencendo o ex-top 20 Marco Cecchinato na final por 6/2 e 6/4. O atual 63º do ranking e filho do ex-número 2 do mundo Petr Korda teve um ótimo início de temporada, com a final em Delray Beach, um título de challenger em Quimper e também a campanha até as quartas de final do Masters 1000 de Miami. No entanto, vinha de resultados negativos no saibro e conseguiu se reerguer.

“Tive que continuar otimista, mesmo com os resultados ruins na primeira parte da temporada de saibro. Tirei alguns dias de folga, recarreguei minhas baterias e fiz uma semana de treinos muito boa em Praga com meu pai e meu treinador. Voltei com mais fome e estou jogando um tênis muito bom agora”, explicou Korda, que estreia em Roland Garros contra o espanhol Pedro Martinez e pode cruzar o caminho do número 5 do mundo Stefanos Tsitsipas na rodada seguinte.

Alcaraz fura o quali e tem chave boa em Paris

Alcaraz disputará seu segundo Grand Slam e se sente mais preparado agora do que na Austrália (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Alcaraz disputará seu segundo Grand Slam e se sente mais preparado agora do que na Austrália (Foto: Cédric Lecocq/FFT)

Grande promessa do tênis espanhol, Carlos Alcaraz chega com bastante moral para a disputa de seu primeiro Roland Garros e o segundo Grand Slam da carreira. O espanhol de 18 anos e 94º do ranking conquistou recentemente o challenger português de Oeiras, entrou no top 100 e furou o quali de Roland Garros. Sua estreia em Paris será contra outro espanhol vindo do quali, Bernabe Zapata Miralles. Se vencer, enfrenta o sérvio Dusan Lajovic ou o georgiano Nikoloz Basilashvili (cabeça 28) antes de um eventual encontro com o russo Andrey Rublev na terceira fase.

“Estou muito feliz. Jogar a chave principal aqui em Roland Garros é uma sensação muito boa. Estou me sentindo muito confortável na quadra. Sei que não é fácil jogar melhor de cinco sets, mas acho que estou pronto. Não é minha primeira participação na chave principal em um Grand Slam, então vou melhorar o que fiz na Austrália. Acho que estou mais pronto agora do que estava na Austrália”, comentou o espanhol, em entrevista ao site da ATP.

Sinner tenta repetir boa campanha de 2020

Sinner enfrentou Nadal e Djokovic durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Sinner enfrentou Nadal e Djokovic durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Com apenas 19 anos Jannik Sinner já aparece na 19ª colocação do ranking mundial e tenta repetir a ótima campanha que fez no ano passado em Paris, quando chegou às quartas de final. Durante a temporada de saibro, sua principal campanha foi uma semifinal em Barcelona, mas ele teve a oportunidade de enfrentar Novak Djokovic em Monte Carlo e Rafael Nadal em Roma, e tira várias lições daqueles jogos, mesmo com resultados negativos contra lendas do esporte. Ele estreia em Paris contra o francês Pierre-Hugues Herbert.

“Quando eu perco, sempre tento tirar os pontos positivos e descobrir o que deveria ter feito melhor” disse Sinner após o recente duelo com Nadal. “Obviamente, é difícil falar logo depois da partida. Tenho que me reunir com a minha equipe e assistir muitas e muitas vezes a este jogo a partir de hoje. Então veremos o que deveríamos ter feito melhor”, comenta o italiano, que teve postura parecida quando perdeu para Djokovic em Mônaco. “O foco é sempre melhorar. É isso que estou tentando fazer. Vou tentar aprender com esta partida também hoje, mesmo que às vezes seja difícil de aceitar a derrota. Mas só há uma maneira de melhorar. Eu tenho um bom time e tenho as pessoas certas perto de mim, que sabem o que eu preciso fazer”.

Aliassime aposta na parceria com Toni Nadal

Aliassime trabalhou com Toni Nadal durante a temporada de saibro

Aliassime trabalhou com Toni Nadal durante a temporada de saibro (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

O canadense de 20 anos Felix Auger-Aliassime, 21º do ranking, trouxe um reforço de peso para sua equipe. Durante toda a temporada de saibro, ele treinou com Toni Nadal e aposta na experiência do técnico para buscar melhores resultados. Ainda em busca de seu primeiro título de ATP, o canadense tem como melhores campanhas em Grand Slam as oitavas de final do US Open no ano passado e do Australian Open na atual temporada. Sua estreia em Paris será contra o experiente italiano de 37 anos Andreas Seppi.

“Minhas expectativas não mudaram desde que comecei a trabalhar com o Toni. Sempre tive expectativas muito altas durante toda a minha carreira. O que estou tentando fazer é chegar ao top 10 e ganhar títulos de Grand Slam. Não há nada melhor do que isso. Trabalhar com alguém que já fez isso traz mais calma e confiança, ao invés de pressão”, disse Aliassime na entrevista coletiva da última sexta-feira. “Decidi trabalhar com ele porque acredito que ele pode me ajudar a alcançar meus objetivos e meu potencial. É nisso que trabalhamos todos os dias. A preparação não é diferente da que fizemos em qualquer outro torneio. Procuramos trabalhar com muito empenho, intensidade e foco, e a cada dia tentamos fazer um pouco melhor. Temos um bom trabalho a fazer”.

 

Jovens brilham no início da temporada de saibro
Por Mario Sérgio Cruz
abril 12, 2021 às 6:43 pm

O início da temporada da temporada de saibro foi bastante positivo para alguns integrantes da nova geração do tênis internacional. O principal destaque ficou para o título da colombiana Maria Camila Osorio, que aproveitou da melhor maneira possível o convite para o WTA 250 de Bogotá e conquistou seu primeiro troféu na elite do circuito. Mas além dela, a semana também foi boa para Coco Gauff, Carlos Alcaraz e Lorenzo Musetti.

Osorio faz a festa em casa

Convidada para o WTA de Bogotá, Osorio Serrano aproveitou a chance e conquistou o título (Foto: Copa Colsanitas)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Maria Camila Osorio se tornou apenas a terceira colombiana a vencer o torneio, que atualmente é o único na América do Sul pela elite do circuito. Antes dela, Fabíola Zuluaga venceu as edições de 1999, 2002 e 2004, enquanto Mariana Duque Mariño foi campeã na temporada de 2010. A última sul-americana a vencer o torneio antes de Osorio havia sido a brasileira Teliana Pereira, na melhor temporada de sua carreira em 2015.

Osorio frequenta o ambiente do WTA de Bogotá desde muito jovem. Mesmo com apenas 19 anos, ela já fazia sua terceira aparição na chave principal e a quinta no torneio de um modo geral. Ela já disputa o evento desde 2016, quando tinha apenas 14 anos e recebeu um convite para o quali. Há duas temporadas, em 2019, já havia feito uma grande campanha e alcançado as quartas de final. Já em 2021, a colombiana se aproveitou das eliminações precoces de muitas cabeças de chave e conseguiu cinco vitórias seguidas.

Apesar de ter um estilo de jogo tipicamente sul-americano no saibro, prolongando os ralis e jogando mais atrás da linha de base, ela também mostrou muita qualidade quando precisava usar os slices ou entrar mais na quadra para atacar com o forehand. Ela derrotou a norte-americana Sachia Vickery, a tcheca Tereza Martincova (cabeça 7), a experiente suíça de 31 anos Stefanie Voegele, a francesa vinda do quali Harmony Tan e a eslovena Tamara Zidansek, cabeça 5 do torneio e 93º do ranking.

“Vencer esse torneio era o meu sonho. Foi uma semana incrível para mim. Ainda não consigo acreditar que ganhei o título”, disse Osorio, após a vitória na final sobre a Zidansek por 5/7, 6/3 e 6/4. “Fiz uma partida muito boa contra a Tamara, mas não sabia como consegui virar o jogo. Perdi o primeiro set e estava um pouco tensa, por isso ainda não consigo acreditar que ganhei”.

Os 280 pontos do título fazem com que Osorio salte do 186º para o 135º lugar do ranking e possa disputar torneios mais fortes com maior frequência. Isso acaba sendo fundamental para o desenvolvimento de uma jogadora sul-americana, com poucas opções de calendário. “Com este torneio, o meu calendário vai ficar mais aberto, terei mais opções para jogar torneios maiores, por isso estou muito feliz com esta vitória”.

A colombiana também foi perguntada sobre quem ela gostaria de enfrentar na elite do circuito e citou a número 1 do mundo Ashleigh Barty e a atual sexta colocada Bianca Andreescu. “Eu amo a Barty. Adoro ver os jogos dela. Já tive a chance de enfrentar a Bianca em um torneio da ITF [em 2018] e simplesmente amo o jeito que ela joga também. Ela sempre joga com o coração em quadra, é uma loucura! Acho que foi isso que fiz esta semana, igual a ela”.

A colombiana já falou ao Primeiro Set em março de 2018, quando ainda disputava um evento do circuito mundial juvenil em São Paulo. Na época, então com 16 anos, afirmou que sonhava se tornar a número 1 do mundo. Ainda é muito cedo para saber se ela vai conseguir alcançar essa meta tão ambiciosa, mas a conquista de um torneio de elite da WTA com tão pouca idade, ainda mais com todas as dificuldades que envolvem as tenistas sul-americanas, é um ótimo começo.

Gauff faz sua melhor campanha no saibro

Campanha até as quartas no WTA 500 de Charleston foi a melhor de Gauff em um torneio no saibro (Foto: Volvo Car Open)

A norte-americana de 17 anos Coco Gauff conseguiu seu melhor resultado da carreira em quadras de saibro ao vencer três jogos no WTA 500 de Charleston até alcançar as quartas de final. Com isso, ela atingiu o melhor ranking da carreira, ocupando agora a 35ª posição apesar de sua pouca idade. Ela já tem um título nas quadras duras e cobertas de Linz em 2019, quando tinha só 15 anos, e no início da atual temporada já havia disputado uma semifinal nas quadras sintéticas de Adelaide.

“Sinto que, quando estou confiante na quadra, jogo meu melhor tênis”, disse Gauff, que venceu a búlgara Tsvetana Pironkova, a russa Liudmila Samsonova e também a norte-americana Lauren Davis em Charleston, sendo superada pela tunisiana Ons Jabur nas quartas. A promessa norte-americana destacou que a intensidade dos treinos tem feito a diferença.

“Obviamente, quando você está ganhando, sua confiança aumenta. Mas isso é apenas um dado. Tento dar 100% nos treinos as vezes, porque é isso o que eu tento fazer nos jogos. Eu acho que se você faz algo mil vezes nos treinos, você se sente confortável para fazer durante uma partida quando há momentos de pressão”.

Musetti derrubou favorito em Cagliari

Musetti está bastante confiante para a temporada de saibro e já chegou às quartas no primeiro torneio (Foto: Giampiero Sposito)

O italiano Lorenzo Musetti deu continuidade à sua franca evolução no circuito e atingiu as quartas de final do ATP 250 de Cagliari na última semana. Depois de estrear vencendo o austríaco Dennis Novak com autoridade, por 6/0 e 6/1, o jovem de 19 anos surpreendeu o britânico Daniel Evans, cabeça 1 do torneio, e venceu por 6/1, 1/6 e 7/6 (10-8), salvando quatro match points. Sua campanha só foi encerrada após a derrota por 6/4, 4/6 e 6/2 para o sérvio Laslo Djere.

“O segredo para mim foi não pensar no ranking dele e jogar como se ele fosse um adversário como qualquer outro. Tentei fazer o meu jogo e tentei jogar o melhor que posso. Isso é o que eu fiz. Contra adversários desse nível, eu não tenho pressão e me sinto leve em quadra. E nesse jogo foi igual”, disse Musetti a respeito da vitória contra Evans. Ele também já tem currículo vitórias sobre outros grandes nomes como Grigor Dimitrov, Stan Wawrinka, Diego Schwartzman e Kei Nishikori.

Durante a entrevista coletiva após a expressiva vitória sobre Evans, ele acusou o britânico de tê-lo desrespeitado durante a partida. “Existem jogadores respeitosos e experientes, enquanto outros como Evans me tratam como um jovem para tentar bagunçar o jogo. Ele me desrespeitou e eu não quero ser tratado como um menino”, afirmou a respeito do rival de 30 anos e atual 33 do ranking.

Antes do torneio, Musetti já havia dito em entrevista ao site da ATP que esperava surpreender durante a temporada de saibro. “Quando estávamos treinando nestes últimos dias, senti a bola muito bem e me sinto bem. Acho que vou jogar bem e surpreender na temporada de saibro. Estou realmente ansioso para os próximos torneios”, comenta o italiano, que saltou do 90º para o 84º lugar do ranking da ATP após a boa campanha.

Alcaraz disputou sua primeira semi de ATP

Apesar da derrota em Marbella, Alcaraz diz que tem muito a aprender e saiu satisfeito com a campanha (Foto: Alvaro Diaz/Andalucia Open)

Outro novato no circuito a conseguir um grande resultado na última semana foi o espanhol de 17 anos Carlos Alcaraz, semifinalista do ATP 250 de Marbella. Ele se tornou o jogador mais jovem a atingir essa fase de um torneio da elite do circuito desde Alexander Zverev em 2014.

Alcaraz venceu o sérvio Nikola Milojevic, o espanhol Feliciano Lopez e o norueguês Casper Ruud (número 26 do mundo), antes de ser superado pelo compatriota Jaume Munar, 95º colocado, com parciais de 7/6 (7-4) e 6/4. A campanha rendeu 90 pontos na ATP e um salto de 15 posições no ranking para o atual 118º lugar.

“É claro que teria sido ótimo ganhar mais uma partida e jogar uma final de ATP. Mas agora que estou pensando nas coisas com um pouco mais de calma, saio daqui com mais experiência e com bons sentimentos”, disse Alcaraz, eleito a revelação da temporada passada no circuito, quando venceu três challengers e saltou mais de 350 posições no ranking. “Você tem que ser capaz de ver o lado positivo das coisas. No final do dia, vim aqui para aprender e jogar algumas boas partidas e acho que consegui fazer isso. ”

“Há algo que posso aprender com esta derrota. Tenho que aprender com essas situações, então da próxima vez que estiver em uma situação como essa, espero que possa ser diferente. Mas, principalmente, quero continuar aprendendo com todas as minhas partidas e sendo quem eu sou. Estou gostando da jornada”.

Mais pontos para os torneios menores
Outra boa notícia para as jogadoras de ranking mais baixo, e que pode ajudar muitas tenistas tenistas jovens e sul-americanas, foi o acordo entre Federação Internacional de Tênis (ITF) com a WTA para melhorar as condições das jogadoras que disputam torneios menores. A entidade anunciou na última sexta-feira que os torneios do circuito ITF com premiações entre US$ 25 mil e US$ 80 mil darão mais pontos no ranking profissional feminino.

A ideia é beneficiar as jogadoras que tenham poucas opções de calendário e que seriam prejudicadas por restrições de viagens ou dificuldades financeiras no momento em que a WTA começa a descongelar seu ranking e iniciar o processo de defesa de pontos na elite do circuito.

A brasileira Beatriz Haddad Maia, que venceu dois títulos seguidos de ITF W25 na Argentina, já será beneficiada desde já pela nova regra. Enquanto o primeiro torneio, disputado em Villa Maria, rendeu a ela 50 pontos no ranking da WTA, a recente conquista em Córdoba já vai valer 65 pontos.

Confira a tabela completa.