Tag Archives: Borna Coric

As jovens promessas em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 20, 2016 às 11:34 pm

O sorteio que definiu as chaves de Roland Garros traçou o roteiro das jovens promessas que estarão em quadra nas próximas duas semanas no saibro parisiense. Há quatro bons duelos de novatos, sendo dois no masculino e dois no feminino. Outros nomes de destaque da badalada nova geração do circuito da ATP conheceram não apenas os primeiros rivais, como também o caminho até eventuais duelos contra rivais de renome.

Coric é favorito para duelo da nova geração com Fritz

Coric é favorito para duelo da nova geração com Fritz

Coric x Fritz – Um confronto interessante envolve Borna Coric e Taylor Fritz. Quem passar, deve pegar Bernard Tomic e entra na rota para encontrar Novak Djokovic nas oitavas. Há um contraste de estilos eles e a proposta de jogo do croata, que prolonga mais trocas e é firme do fundo de quadra, tende a prevalecer no saibro. Um ano mais velho, o 44º colocado Coric já disputou seis chaves principais de Grand Slam contra apenas uma do americano, que é 72º do mundo aos 18 anos. Nessa faixa etária é uma diferença considerável.

Chung x Halys – Outra partida que chama atenção conta com o sul-coreano de 20 anos Hyeon Chung, 112º colocado, e o convidado local de 19 anos Quentin Halys, 154º. O vencedor estará no caminho de Pablo Cuevas para a segunda fase e Tomas Berdych na terceira rodada. Chung tem um bom jogo para o saibro, mas vem em queda no ranking, depois de ter ocupado o 51º lugar. Isso se explica pelo calendário mais ousado ao priorizar ATPs e a não-defesa de challengers vencidos em 2015. Por sua vez, Halys está com o melhor ranking da carreira e ganhou seu primeiro challenger no mês passado.

Zverev estreia contra Herbert e pode rever Thiem na 3ª rodada

Zverev estreia contra Herbert e pode rever Thiem na 3ª rodada em Paris.

Finalista de ATP pela primeira vez na carreira nesta semana, Alexander Zverev também tem uma estreia interessante. Com 1,98m aos 19 anos, o jovem alemão testará a potência de seu saque e golpes contra Pierre Hugues-Herbert, que não chega a ser nenhum novato aos 25 anos, mas está em franca ascenção e desenvolveu muito seu tênis pela experiência em alto nível. Caso Zverev passe por essa difícil estreia e vença mais uma, pode até rever Dominic Thiem, adversário deste sábado na final de Nice.

O jovem com a melhor condição entre os cabeças de chave é o australiano de 21 anos Nick Kyrgios, 17º favorito em Paris. Ele vai estrear contra o italiano Marco Cecchinato e tem o quali Adrian Ungur ou lucky loser Igor Sijsling para a segunda fase. Ainda que Richard Gasquet e John Isner tenham rankings melhores, não seria nenhum absurdo ver Kyrgios dominar este setor da chave até encontrar Andy Murray nas oitavas de final.

O torneio feminino perdeu Belinda Bencic, que não jogou na temporada europeia de saibro por conta de uma rachadura no cóccix. A suíça de 19 anos e número 8 do mundo vinha reclamando de dores na região lombar desde março, durante Indian Wells e Miami. Ainda assim, a nova geração tem outros bons nomes no torneio.

A letã Ostapenko enfrentará o bom saque da também jovem Naomi Osaka

A letã Ostapenko enfrentará o bom saque da também jovem Naomi Osaka

Duas das três mais jovens integrantes do top 100, a letã de 18 anos Jelena Ostapenko e a russa de 19 anos Daria Kasatkina entraram como cabeças de chave em Paris e também enfrentam rivais promissoras. Ostapenko será desafiada pela boa sacadora japonesa Naomi Osaka, jogadora de 1,80m aos 18 anos. Já Kasatkina tem pela frenta a alemã de 22 anos Anna-Lena Friedsam, que na temporada passada tirou set de Serena Williams em Paris.

Números de Zverev impressionam
Por Mario Sérgio Cruz
abril 21, 2016 às 6:01 pm

No dia em que completa seu 19º aniversário, Alexander Zverev chegou à sua 31ª vitória em chaves principais de ATP ao eliminar Thomaz Bellucci na segunda rodada do ATP 500 de Barcelona. A expressiva marca do jovem alemão é mais uma que confirma sua posição entre os nomes mais promissores do circuito masculino.

Uma estatística divulgada nesta quarta-feira vem da equipe de comunicação e redes sociais de Wimbledon compara o ranking de Zverev com os dos atuais membros do top 5. Ocupando o 51º lugar no dia em que completa 19 anos, o alemão tem marca melhor que o 63º de Novak Djokovic na mesma idade e próximo do 46º posto de Andy Murray e do 39º lugar de Roger Federer na época. Só não dá para comparar com Rafael Nadal, que já era top 5.

Nadal foi extremamente precoce. O Touro Miúra já acumulava 44 vitórias na carreira ao fim de 2004, ainda aos 18 anos, e venceu outras 79 partidas só na temporada seguinte. Quando completou 19 anos, no meio da campanha para o primeiro título de Roland Garros, ele já havia vencido quase 90 partida em ATP. Um fenômeno que dificilmente será repetirá.

Chegar (e ultrapassar) a marca de 30 vitórias em ATP tão cedo chama atenção. Muito mais que tentar ver a que ponto da carreira outras lendas chegaram a esse número -Federer, Murray e Djokovic o fizeram na mesma idade- a comparação mais importante é com outros talentos da nova geração.

O australiano Nick Kyrgios que é 20º do mundo e está próximo de completar 21 anos já tem 50 triunfos, mas havia vencido apenas três partidas neste nível antes do 19º aniversário em abril de 2014. Até o fim da temporada passada, ele acumulava 36.

Já o agora top 15 aos 22 anos Dominic Thiem acumula 90 vitórias, sendo 26 somente na atual temproada. No entanto, os resultados positivos em ATP ficaram mais frequentes em 2014, quando completou 21 anos. Aos 19, o austríaco havia vencido só quatro partidas em primeira linha.

O único jovem com números melhores que os de Zverev é Borna Coric, que é cinco meses mais velho. Quando completou 19 anos em novembro, o croata já acumulava 33 resultados positivos e já teve ranking até melhor que o do alemão. Coric já foi 33º mundo com apenas 18 anos e hoje ocupa o 41º lugar.

Perigosas comparações
Por Mario Sérgio Cruz
abril 11, 2016 às 5:55 pm

Uma cena comum neste início de temporada masculina tem sido os duelos entre jovens promessas. Aconteceram nos três primeiros Masters 1000 de 2016 e também no ATP de Houston na semana passada. Neste cenário são feitas comparações com Orlando Luz, um jogador que rivalizava com muitos deles durante o circuito juvenil e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Comparar é um processo natural, mas perigoso.

A participação de Orlandinho no 2º ITF Junior Masters durante a última semana deu margem a alguns questionamentos. O gaúcho, que completou 18 anos em fevereiro, não disputava competições juvenis desde o US Open e venceu umas das três partidas que fez no evento, terminando em sétimo lugar.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlandinho optou por disputar Junior Masters pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Eu gosto da proposta do Masters, principalmente por aquilo que o torneio oferece aos jogadores. A ITF e os organizadores entendem que é um momento na carreira deles que pontos no ranking juvenil não são mais interessantes. Então, a premiação é oferecida em garantias de viagens (torneio juvenil não pode pagar em dinheiro) e prioridade de escolha em convites para torneios de alto nível. Campeão do ano passado, o russo Andrey Rublev já disputou 16 torneios ATP, sendo 13 por meio de convites diretamente para chaves principais.

Quando a gente vê Fritz ou Zverev no top 100, Tiafoe vencer jogo de Masters 1000 ou Tommy Paul furar quali de ATP, fica a sensação no público de que Orlando teria “ficado para trás”. Mas essa comparação não leva em consideração uma série de variáveis. Por melhores que sejam suas condições aqui no Brasil – e estamos falando de um garoto que está em um excelente centro de treinamento e que tem um contrato com a Nike desde os 16 anos – as situações de um americano ou europeu são ainda mais favoráveis para que atinjam o alto nível mais cedo. Tem o lado econômico e o fato de poderem ser mais testados em competições. O mais importante é que o próprio Orlando Luz está ciente disso e já deu declarações anteriores nesse ponto.

É muito difícil comparar esse estágio de desenvolvimento com o de um sul-americano. Thiago Monteiro foi número 2 no juvenil e começa colher os frutos só agora aos 21 anos, poderia ser um espelho, mas ele não recebeu a mesma cobrança durante a transição ao profissionalismo. Saindo do Brasil, temos o exemplo do chileno Garin, que ganhou o juvenil de Roland Garros há alguns anos e ele ainda rema nos torneios future e challenger. Os novos argentinos têm um desenvolvimento até mais rápido que brasileiros, mas também se metem no top 100 na casa dos 24 anos. É preciso de tempo.

Impressões do Masters

hong_blinkova

Hong e Blinkova venceram o Junior Masters (Foto: Susan Mullane/ITF)

Durante o Masters, pude ver uma das três partidas de Orlando Luz e justamente a mais peculiar. Na derrota por 6/4 e 6/1 para o americano William Blumberg, o jogo começou no sábado no estádio principal, foi interrompido por chuva, e terminou no domingo na Quadra 1, que me pareceu mais rápida.

Na primeira parte do jogo, vi Orlandinho fazer quatro bons games de saque -cedeu só dois pontos no serviço até o 4/4- mas tomou uma quebra pouco antes da interrupção. Chamou atenção também seu posicionamento para devolver saques no lado da vantagem, ficando à esquerda do corredor de duplas para tentar responder saques abertos com forehand. Já na segunda parcial, em condições de quadra bem diferentes, o gaúcho teve bem mais dificuldade de lidar com o saque do adversário.

O título masculino ficou com o sul-coreano Seong Chan Hong, com vitória por 7/5 e 6/3 contra o norueguês Casper Ruud. Acompanhei duas de suas partidas e me pareceu um tenista muito sólido do fundo de quadra (um pouco parecido com Hyeon Chung, mesmo sem a mesma estrutura física, e seu modelo é Kei Nishikori) e com bom jogo de transição e contra-ataque, que funcionaram muito contra o agressivo chileno Marcelo Barrios Vera na semi. Hong está fazendo um ano muito bom já no profissional. Venceu três futures seguidos na Turquia e tem 20 vitórias e apenas uma derrota na temporada, sem contar as três vitórias no juvenil.

Quem venceu o feminino foi a russa Anna Blinkova, com 6/4, 6/7 (1-7) e 7/6 (7-4) contra a britânica Katie Swan. A russa chegou a sacar para o jogo no segundo set e viu a adversária -a meu ver, favorita- ter a mesma chance na última parcial. Resultado importante para Blinkova, que havia sofrido uma derrota muito dura na final de Wimbledon no ano passado para outra russa, Sofya Zhuk.

Rendez Vous

No Rendez Vous à Roland Garros, em São Paulo, Lucas Koelle confirmou seu favoritismo. Próximo do top 50 no ranking mundial juvenil, ele já havia ficado perto da vaga direta em Paris. Já Marcelle Cirino, campeã do feminino, teve como destaque a virada incrível na semifinal contra Georgia Gulin, em que reverteu 6/3 e 5/1 para salvar três match points e vencer onze games seguidos. Impressionante reação para a jogadora de 17 anos e que executa um raro backhand de uma mão.

Pelo mundo

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

O destaque da nova geração da semana foi o vice-campeonato de Borna Coric no ATP de Marrakech. Nos challengers, Stefan Kozlov foi vice em Guadalupe com Taylor Fritz, e Yoshihito Nishioka nas semifinais, mas o título ficou com o veterano Malek Jaziri. Já pelo circuito future, o japonês Yosuke Watanuki (campeão da Copa Gerdau) venceu o segundo torneio seguido em seu país. Dois títulos profissionais também tem agora o canhoto canadense de 16 anos Denis Shapovalov, após vencer o future de Memphis.