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Banana Bowl e Porto Alegre: Brasil recebe seus principais torneios juvenis
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 20, 2018 às 8:02 pm

Nas mesmas semanas em que as duas maiores cidades do país recebem os dois torneios ATP em solo brasileiro, o Rio Open e o Brasil Open, acontecem também as duas principais competições nacionais do calendário infanto-juvenil.

A primeira disputa será a do Banana Bowl, mais tradicional competição juvenil no Brasil e que este ano chega à sua 48ª edição. Pelo segundo ano seguido, a disputa será concentrada no Sul do país, depois três edições no interior de São Paulo. O público paulista, aliás, também poderá acompanhar tênis juvenil em alto nível dentro de duas semanas, na edição inaugural da Copa Paineiras, competição sul-americana no clube Paineiras do Morumby, na Zona Sul da capital.

A cidade catarinense de Criciúma recebe a categoria 18 anos, que vale pontos no circuito mundial da ITF. Os jogos acontecem na Sociedade Recreativa Mampituba. Já os gaúchos de Caxias do Sul podem acompanhar os jogos das categorias 12 anos (nacional), 14 anos e 16 anos (que fazem parte do circuito sul-americano da COSAT), além do Tennis Kids (categorias 8, 9, 10 e 11 anos – nacional) no Recreio da Juventude.

Já na semana que vem, dois clubes da capital gaúcha recebem a 35ª edição do Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, antigamente chamada de Copa Gerdau. A principal categoria acontece na Associação Leopoldina Juvenil, que também será palco do Tennis Kids. Já os jogos das categorias 12, 14 e 16 anos serão realizados na Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA).

ATRAÇÕES: Alguns dos principais juvenis do tênis brasileiro estarão presentes. É o caso do pernambucano João Lucas Reis e dos paulistas Mateus Alves, Igor Gimenez e Matheus Pucinelli, todos que aparecem no top 50 do ranking mundial juvenil da ITF. Já o paranaense Thiago Wild prioriza o circuito profissional, jogando o quali do Rio Open e a chave principal do Brasil Open como convidado.

Com experiência em ATP, o búlgaro de 16 anos Adrian Andreev jogará torneios juvenis no Brasil (Foto: DIEMA XTRA Sofia Open)

Com experiência em ATP, o búlgaro de 16 anos Adrian Andreev jogará torneios juvenis no Brasil (Foto: DIEMA XTRA Sofia Open)

Entre os estrangeiros, destaque para o búlgaro de 16 anos Adrian Andreev, que recentemente teve sua primeira experiência em nível ATP ao ser convidado para jogar a chave principal em Sófia. Argentina e Colômbia contam com os principais nomes no masculino e feminino: Sebastian Baez, Nicolas Mejia, Maria Camila Osorio Serrano e Maria Lourdes Carlé.

CAMPEÕES ILUSTRES: A lista de campeões na categoria principal do Banana Bowl tem nomes como Andy Roddick, John McEnroe (em final contra Ivan Lendl!), Thomas Muster, Fernando Meligeni, Fernando Gonzalez e Sevetlana Kuznetsova. Nos 16 anos, Juan Martin del Potro já foi finalista perdendo a final para o brasileiro Raony Carvalho em 2003.

Já o principal campeão da Copa Gerdau é Gustavo Kuerten, que venceu em simples e duplas na categoria principal de 1994. Nomes de destaque do tênis brasileiro como Flavio Saretta, Marcos Daniel e Thiago Monteiro também já foram campeões. No feminino, destaque para duas atletas que atingiram o top 10 da WTA: A canadense Eugenie Bouchard e a francesa Kristina Mladenovic.

TÍTULOS RECENTES: As últimas conquistas nacionais vieram com o gaúcho Orlando Luz, biampeão do Banana Bowl e também em Porto Alegre nos anos de 2014 e 2015. Já entre as meninas acontecem dois jejums. Roberta Burzagli foi a última brasileira a vencer o Banana Bowl ainda em 1991, enquanto Miriam D’Agostini venceu a Gerdau pela última vez em 1996. Entre as últimas finalistas, Roxane Vaisemberg foi vice do Banana em 2006 e Bia Haddad Maia jogou duas decisões na Gerdau em 2012 e 2013.

QUEM JÁ JOGOU: Além da galeria de campeões, os torneios juvenis no Brasil já trouxeram outros nomes que se destacaram na sequência da carreira. Só em edições recentes, podemos nos lembrar de Marion Bartoli, Sabine Lisicki, Alizé Cornet, Dominika Cibulkova, Kei Nishikori e Denis Shapovalov.

Denis Shapovalov jogou o Banana Bowl de 2015 em São José dos Campos (Foto: Marcelo Zambrana/DGW)

Denis Shapovalov jogou o Banana Bowl de 2015 em São José dos Campos (Foto: Marcelo Zambrana/DGW)

CLUBES: Essas competições costumam ser abertas ao público e ter entrada franca, mas é legal entrar em contato com os próprios clubes sobre eventuais protocolos de entrada, especialmente para quem não é associado.

Sociedade Recreativa Mampituba
Rodovia SC 446, 4, São Simão
CEP: 88811-400
Criciúma/SC
Telefone: (47) 3431-3000
www.mampituba.com.br

Recreio da Juventude
Avenida Atilio Andreazza, 3525, Sagrada Família
CEP: 95052-070
Caxias do Sul/RS
Telefone: (54) 3028-3555
www.recreiodajuventude.com.br

Associação Leopoldina Juvenil (ALJ)
Rua Marques do Herval, 280 – Porto Alegre/RS
CEP: 90570-140
Telefone: (51) 3323-4300
www.juvenil.com.br

Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA)
Rua Américo Vespucio, 580
CEP: 90540-020
Porto Alegre/RS
Telefone: (51) 3325-7200
www.sogipa.com.br

Como os japoneses trabalham a transição e o pós-Nishikori
Por Mario Sérgio Cruz
março 21, 2016 às 9:49 pm
Yosuke Watanuki foi campeão do Juvenil de Porto Alegre.  (Foto: Heusi Action)

Yosuke Watanuki foi campeão do Juvenil de Porto Alegre, principal competição da categoria no saibro sul-americano.
(Foto: Heusi Action)

Os japoneses foram destaque durante a série de competições juvenis disputadas no saibro sul-americano durante o primeiro trimestre e o título de Yosuke Watanuki no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, principal torneio da categoria no continente, deu dimensão da grande participação do país na Gira Cosat.

Em sete semanas na América do Sul, os asiáticos venceram oito categorias. O próprio Watanuki foi campeão de simples em ITF G2 em Córdoba e tem títulos de duplas na Argentina, ao lado de Toru Horie, e no Banana Bowl, torneio G1 na cidade paulista de São José dos Campos, junto do americano Ulises Blanch.

Também fizeram a dobradinha Brasil-Argentina a dupla feminina formada por Mai Hontama e Ayumi Miyamoto. Já Yuta Shimizu venceu um G2 no Peru em simples e um na Bolívia em duplas ao lado de Naoki Tajima. Também na Bolívia, Yuki Naito venceu no feminino.

Japoneses venceram oito títulos durante a Gira Cosat

Japoneses venceram oito títulos durante a Gira Cosat (Foto: Thiago Parmalat/dw

A sequência de bons resultados se deu em um momento os japoneses apostam na mudança no trabalho de transição do circuito juvenil para o profissional. Durante o Banana Bowl, pude conversar com o técnico Ko Iwamoto, que está há 14 anos na Federação Japonesa de Tênis. Ele é capitão do país para a Copa Davis Juvenil e me explicou sobre como país trabalha esses momentos importantes na carreira de um atleta. Foi a segunda vez que falei com ele, que já havia feito uma boa entrevista no Banana Bowl do ano passado.

“Antes, os juvenis jogavam apenas torneios na categoria deles, mas agora alguns dos melhores estão mesclando o calendário com futures”, explica o treinador. “Nós tentamos viabilizar convites nas chaves para que eles somem pontos. Não temos tanto dinheiro na Federação, então nossa forma de apoio é colocá-los em torneios de alto nível”.

Um dos segredos para o sucesso japonês vem do alto nível de treinamento e das muitas observações feitas pelos técnicos da Federação. “Nós tentamos reunir os melhores juvenis juntos entre 12 ou 13 vezes por ano no Centro Nacional de Tênis para fazermos avaliações”, explica. “Vamos a quase todos os torneios nacionais para observá-los, então começamos a pegar diferentes jogadores para vê-los treinarem juntos e competirem entre si. Nos 16 anos, temos a Davis e a Fed Cup juvenis”.

Quando Kei Nishikori começou a se destacar na transição entre o juvenil e o profissionalismo, era chamado ‘projeto 45′ em referência ao melhor ranking da história do tênis masculino japonês com Shuzo Matsuoka, que foi 46º do mundo em julho de 1992.

Mas a carreira do atual número 6 do mundo foi majoritariamente construída nos Estados Unidos, na academia de Nick Bollettieri. Então cabe a pergunta, se seria um sonho formar um atleta japonês desde a base até o topo. Segundo Iwamoto, a filosofia da federação é de apoiar independemente de onde o atleta treina.

“Kei tem patrocinadores japoneses desde que tinha 12 anos”, lembra. “Não há apenas um caminho para o sucesso. Se um jogador chega no nível do Kei, não interessa onde ele estiver treinando, quando ele estiver no Japão nós vamos apoiá-lo. O Japão é uma ilha pequena, eles têm que sair em algum momento”, acrescenta. “Nós temos pouco dinheiro, então se outro jogador tem patrocínio de fora, está tudo bem”.

E o que a filosofia japonesa têm a oferecer ao Brasil? “Nós tentamos o melhor e não sei o que seria bom para o Brasil. Tudo o que sei é que para um país grande é necessário ter um técnico nacional e um local. E todos devem se comunicar. Porque quando um jogador viaja com outros técnicos, o treinador precisa saber o que deve ser feito, se não estará perdendo tempo”.

Americanas se destacam no saibro

Americana de 14 anos Natasha Subhash fez duas boas campanhas no saibro brasileiro. (Foto: Heusi Action)

Americana de 14 anos Natasha Subhash fez duas boas campanhas no saibro brasileiro.
(Foto: Heusi Action)

É muito relevante o fato de três jogadoras americanas alcançarem as semifinais em Porto Alegre. Além da campeã Usue Arconada, duas jogadoras de apenas 14 anos surpreenderam na categoria principal, sendo a vice Amanda Anisimova e Natasha Subhash, que parou na semi. Subhash é uma das atletas que viajaram com a equipe nacional da USTA. Entre os quatro técnicos que o acompanharam o time estavam o brasileiro Léo Azevedo e a ex-top 50 Jamea Jackson, que atua com juvenis da federação há três anos.

Brasileiros – Depois de dois anos seguidos com títulos do gaúcho Orlando Luz, tanto no Banana Bowl quanto em Porto Alegre, o tênis brasileiro não venceu nenhum evento na categoria 18 anos. Os destaques foram as quartas de final do paulista Gabriel Décamps em São José e do paranaense Thiago Wild no Sul.

Nos 16 anos masculino, duas conquistas nacionais com o brasiliense Gilbert Klier e o paulista Mateus Alves. Entre as meninas, dois vices no Banana Bowl, com a mineira Marina Figueiredo nos 16 anos e a goiana Nalanda Silva, que vem de projetos sociais, nos 14. Os resultados importantes para que os melhores tenistas sul-americanos disputem as Giras Europeias nos próximos meses, respeitando os limites de dois atletas por país em cada categoria.