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Começa a Davis Júnior, que já apresentou Guga, Federer e Nadal
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 25, 2019 às 6:15 pm

Em uma semana com quatro torneios dos circuitos da ATP e WTA concentrados pela Ásia, o fã de tênis tem também a oportunidade de acompanhar um pouco do futuro da modalidade. As edições de 2019 da Copa Davis Júnior e da Fed Cup Júnior começaram na última terça-feira e vão até domingo. Os jogos reúnem atletas de até 16 anos e acontecem nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida.

Realizadas desde 1985, a Davis e a Fed Cup Júnior já apresentaram lendas do esporte como Lindsay Davenport em 1991, Gustavo Kuerten em 1992, Roger Federer em 1996, Rafael Nadal (campeão pela Espanha em 2002) e a atual número 1 do mundo na WTA Ashleigh Barty, campeã pela Austrália em 2011. Recentemente, os canadenses Felix-Auger Aliassime e Denis Shapovalov, além da norte-americana Coco Gauff também conquistaram o título. Confira o quadro completo de vencedores.

https://twitter.com/ITF_Tennis/status/1174001586768613376

Regulamento e países participantes

As duas competições contam com 16 países divididos em quatro grupos. Classificam-se os dois melhores de cada chave para as quartas de final, seguidas pelas semifinais no sábado e finais no domingo. Ainda há um playoff para a definir a classificação final do 9º ao 16º lugar. Cada confronto terá dois jogos de simples e um de duplas e cada um dos países inscreve três tenistas na competição.

Copa Davis Júnior
Grupo A: Grã-Bretanha, Estados Unidos, Bolívia e Canadá. Grupo B: França, Hong Kong, Síria e Ucrânia. Grupo C: Paraguai, Sérvia, Egito e Austrália. Grupo D: República Tcheca, Japão, Marrocos e Espanha.

Fed Cup Júnior
Grupo A: Rússia, Itália, Peru e Taiwan. Grupo B: Argentina, China, República Tcheca e França. Grupo C: Canadá, Alemanha, Sérvia e Marrocos. Grupo D: Brasil, Coreia do Sul, Tailândia e Estados Unidos.

Brasileiras estão no Grupo D da competição
A equipe brasileira é formada pela goiana Lorena Cardoso, a catarinense Priscila Janikian e a paulista Juliana Munhoz. O time nacional começou perdendo para os Estados Unidos na última terça e ainda enfrenta as tailandesas nesta quarta e as sul-coreanas na quinta-feira.

“Nossa expectativa é muito boa. Temos duas meninas que jogaram o Sul-Americano, que são a Juliana e a Priscila, e a Lorena entra no time para fortalecer mais ainda com sua experiência. O Mundial é sempre muito difícil, as melhores atletas do mundo estão aqui. Nossa ideia é evoluir dentro da competição, com o objetivo de ser muito forte taticamente”, frisa o capitão do trio, o treinador Mário Mendonça, ao site da CBT.

As brasileiras conquistaram a vaga para jogar a Fed Cup Júnior após o terceiro lugar no Sul-Americano da categoria, que aconteceu em agosto no Chile. A equipe masculina do Brasil ficou apenas na quinta posição da seletiva continental e não se classificou, assim como a Argentina, sexta colocada. Os representantes sul-americanos são Paraguai e Bolívia.

Onde assistir?
Os confrontos disputados na Quadra Central são transmitidos pelo próprio canal da ITF no YouTube e podem ser acessados neste link. Para este ano, a organização do evento também viabilizou as transmissões das partidas das quadras externas, da 2 a 16, por meio do site da USTA. Também há opção de placares ao vivo para os jogos da Davis e da Fed Cup Júnior.

Bons nomes no torneio e a equipe da Síria
Dois nomes se destacam entre os participantes. Um deles é o japonês Shintaro Mochizuki, campeão juvenil de Wimbledon e vice-líder do ranking mundial da categoria. Outro top 10 na competição é o norte-americano Toby Kodat, oitavo colocado no ranking.

Vale também dar uma olhada na equipe da Síria, país que vive uma grave crise humanitária por conta da guerra civil que já dura quase uma década. É a primeira vez que o país disputa a competição. Em entrevista ao site da ITF, o capitão sírio Wassim Zinnia destacou a experiência que seus jovens jogadores terão nesta semana.

“Acho que meus jogadores aprenderam muito hoje enfrentando alguns dos principais favoritos deste torneio. Jogamos contra um dos melhores times daqui e foram placares apertados”, refletiu Zinnia depois do confronto contra a França na estreia. “Podemos competir em alto nível. Eu disse aos meninos que eles podem fazer muito melhor e espero que eles consigam”.

Esses jovens jogadores sírios já tiveram que treinar em áreas de conflito e hoje vivem longe do país. Ainda assim, defendem suas cores com orgulho. “É uma sensação incrível vestir uma camisa com a bandeira da Síria e o nome do meu país nas costas”, disse Pierre Djaroueh, jogador de 16 anos e que hoje treina no Canadá. “Minha mãe esteve lá na Síria e me disse que as antigas quadras, onde eu costumava jogar, estão com balas e marcas de tiros por toda parte”.

Taym Alazmeh, de 15 anos, está há sete sem visitar seu próprio país. Ele vive há três meses na Alemanha, e antes estava em Doha, no Qatar: “Vivi sete anos na Síria. Saí de lá porque a situação estava ficando muito difícil e não era seguro”.

Também de 15 anos, Mohamed Yaman Naghnagh diz que até jogou no meio do fogo cruzado em Damasco, capital de seu país. “É muito perigoso. Você vê foguetes pelo céu e uma bala já passou do lado da minha perna, mas continuei jogando. É isso o que nós fazemos”, afirmou.

O capitão do time também espera que o esporte possa ser um caminho para transformações na vida de desses jovens e de outros no país. “Estou muito orgulhoso de meus jogadores. Taym, Pierre e Yaman são todos muitos bons. Nós vivendo esse sonho juntos e estou muito feliz em vê-los competindo aqui entre os 16 melhores times do mundo”, comenta o treinador. “Nossa missão é fazer com que o tênis continue existindo na Síria. Só se vive uma vez e você tem que lutar. Nós lutamos no tênis porque é o que amamos”.

 

O que esperar da nova geração no US Open?
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 24, 2019 às 12:07 am

Em meio a diferentes expectativas, tenistas da nova geração do circuito iniciam a disputa do US Open na próxima segunda-feira. Primeiras colocadas no ranking, Naomi Osaka e Ashleigh Barty chegam como fortes candidatas ao título da chave feminina, enquanto Sofia Kenin e Bianca Andreescu ganharam moral após os resultados das últimas semanas. Entre os homens, evidente destaque para a grande fase de Daniil Medvedev, enquanto Karen Khachanov, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas seus buscam melhores resultados em Grand Slam. Nomes como Andrey Rublev e Felix Auger-Aliassime também estão dispostos a surpreender.

As jovens líderes do ranking feminino

Como tem sido frequente no circuito, a nova geração feminina mostra força no US Open e terá as duas principais cabeças de chave. Líder do ranking mundial e atual campeã em Nova York, Naomi Osaka é a principal cabeça de chave da competição. A japonesa de 21 anos tem a missão de defender 2 mil pontos no ranking. Já a australiana Ashleigh Barty, vice-líder do ranking e campeã de Roland Garros, é grande candidata a terminar o torneio na primeira posição. Ela defende apenas 240 pontos das oitavas de final de 2018.


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Osaka estreia contra a russa Anna Blinkova. Depois pode enfrentar a polonesa Magda Linette ou a australiana Astra Sharma. Quem pode cruzar o caminho da japonesa na terceira rodada é a ex-top 10 espanhola Carla Suárez Navarro, enquanto a suíça Belinda Bencic pode pintar nas oitavas. O quadrante ainda tem o duelo entre as bielorrussas Victoria Azarenka e Aryna Sabalenka, além da sétima favorita Kiki Bertens.

Já Barty, que está com 23 anos, estreia contra a cazaque Zarina Diyas. Na rodada seguinte, pode pintar a norte-americana Lauren Davis ou uma rival vinda do quali. A australiana pode encarar a grega Maria Sakkari na terceira rodada, antes de um eventual duelo contra a ex-líder do ranking Angelique Kerber nas oitavas. Caso chegue às quartas, ela pode cruzar o caminho da hexacampeã Serena Williams.

Andreescu e Kenin chegam voando, Gauff retorna

Outros três bons nomes para prestar atenção na chave feminina em Nova York são a canadense Bianca Andreescu e as norte-americanas Sofia Kenin e Cori Gauff. Andreescu, de 19 anos, já é número 15 do mundo e foi campeã do Premier de Toronto em uma campanha espetacular, eliminando jogadoras do top 10 como Karolina Pliskova e Kiki Bertens. A final contra Serena Williams foi breve, já que a rival abandonou por lesão nas costas. Kenin, de 20 anos, aparece no top 20 do ranking após semifinais no Canadá e em Cincinnati, com quatro vitórias sobre top 10 no período. Já Gauff, de apenas 15 anos e 141ª do ranking, recebeu convite após a campanha até as oitavas em Wimbledon.

A estreia de Andreescu é contra a convidada local Katie Volynets. Depois, ela pode enfrentar Mona Barthel ou Lesia Tsurenko, enquanto a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki pode pintar na terceira rodada. A canadense pode enfrentar Petra Kvitova ou Sloane Stephens nas oitavas e Simona Halep nas quartas. Kenin terá um duelo norte-americano contra a ex-top 10 CoCo Vandeweghe e pode reeditar a semi de Cincinnati contra Madison Keys já na terceira rodada. Já Gauff estreia contra a russa Anastasia Potapova e pode cruzar o caminho de Osaka na terceira rodada.

https://twitter.com/WTA/status/1162172668365307904

A nova geração norte-americana ainda apresenta duas jovens de 17 anos, Whitney Osuigwe e Catherine McNally. A estreia de Osuigwe será contra a número 5 do mundo Elina Svitolina, enquanto McNally desafia a ex-top 10 Timea Bacsinszky. McNally foi semifinalista no WTA de Washington e aparece no 111º lugar do ranking. Já Osuigwe optou por torneios menores, mas já está muito perto de entrar no top 100. Ela ocupa atualmente a 107ª colocação.

Medvedev em grande fase, Tsitsipas tem estreia dura

O principal nome da nova geração masculina no US Open é Daniil Medvedev. O russo de 23 anos venceu 14 dos 16 jogos que fez em torneios preparatórios, chegando às finais de Washington e Montréal antes de conquistar o maior título da carreira no Masters 1000 de Cincinnati. A grande fase faz com que o russo alcance o inédito lugar no ranking mundial.

Para melhorar a situação, Medvedev tem uma chave favorável. Ele estreia contra o indiano Prajnesh Gunneswaran. Depois, pode enfrentar o boliviano Hugo Dellien ou um jogador vindo do quali. O cabeça de chave mais próximo do russo é o norte-americano Taylor Fritz, enquanto Nikoloz Basilashvili ou Fabio Fognini podem pintar nas oitavas. O primeiro encontro com um rival melhor colocado seria nas quartas, diante do número 1 do mundo Novak Djokovic, a quem já venceu duas vezes este ano.

Outros três jovens jogadores do top 10 estão do outro lado da chave. O grego de 20 anos Stefanos Tsitsipas, número 8 do mundo, terá um duelo da nova geração contra o russo de 21 anos Andrey Rublev, 47º colocado, logo na rodada de estreia. Tsitsipas está no mesmo setor da chave de Nick Kyrgios, seu possível adversário na terceira rodada. Caso chegue até as quartas, pode cruzar o caminho de Dominic Thiem.

Já Alexander Zverev, número 6 do mundo aos 22 anos, e Karen Khachanov, nono colocado aos 23 anos, estão no quadrante do número 2 do mundo e tricampeão Rafael Nadal. Zverev estreia contra o moldavo Radu Albot e pode enfrentar o francês Benoit Paire na terceira rodada. Já Khachanov inicia sua campanha diante do canadense Vasek Pospisil e tem Diego Schwartzman como cabeça de chave mais próximo.

O duelo canadense e os jovens estreantes

Um jogo que merece a atenção do público envolve os canadenses Felix Auger-Aliassime, de 19 anos e 19º do ranking, e Denis Shapovalov, 38º colocado aos 20 anos. Eles já se enfrentaram no US Open do ano passado, quando Aliassime precisou abandonar durante o terceiro set. Este ano, o mais jovem canadense levou a melhor no Masters 1000 de Madri. Já Shapovalov venceu pelo challenger de Drummondville em 2017.

Entre os estreantes nesta edição do US Open, destaque para o italiano de 18 anos Jannik Sinner, que disputará seu primeiro Grand Slam. Ele passou por três rodadas do quali e confirmou sua boa fase. Só neste ano, saltou do 551º lugar do ranking que ocupava em janeiro para a atual 131ª posição. Também furaram o quali o sul-coreano de 23 anos Hyeon Chung, ex-top 20 e atual 151º colocado após ficar cinco meses sem jogar por lesão nas costas, e o norte-americano de 18 anos Jenson Brooksby.

jovem norte-americano de 16 anos Zachary Svajda, jogador que ocupa o modesto 1.410º lugar no ranking da ATP e tem apenas três vitórias em nível future em sua carreira profissional e conseguiu convite para a chave principal do Grand Slam norte-americano depois de ser campeão do USTA Boys’ 18s National Championship, o torneio nacional infanto-juvenil. Seu adversário será o sul-africano Kevin Anderson, ex-top 5 e atual 17º do ranking.

Ashleigh Barty, uma campeã que joga diferente
Por Mario Sérgio Cruz
junho 10, 2019 às 11:30 pm

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O título de Ashleigh Barty em Roland Garros representa mais do que uma conquista individual. A jovem australiana de 23 anos e agora número 2 do mundo também mostrou que é possível se manter competitiva e lutar pelas primeiras posições do ranking com um estilo de jogo diferente ao utilizado pela maioria dos grandes nomes da atualidade. Desde a década passada, vimos a consolidação de um estilo dominante no tênis feminino. Costumam levar vantagem as jogadoras mais altas, fortes fisicamente e detentoras de um estilo de jogo agressivo, capazes de bater muito forte na bola dos dois lados. Era quase veredicto de quem não jogasse assim ficaria pra trás. Barty desafiou essa lógica.

Já falamos no blog em fevereiro de 2018 sobre essas características da australiana, quando ela era postulante a um lugar no top 10: Barty tem um bom forehand, mas não compete em potência dos golpes contra nomes como Petra Kvitova, Karolina Pliskova e Garbiñe Muguruza. Nem mesmo a consistência defensiva de uma Caroline Wozniacki ou Simona Halep aparecem tanto no jogo da australiana. Suas apostas são em frequentes slices, drop shots e subidas à rede. A variação aparece também nas devoluções, que em alguns momentos apenas bloqueiam o saque das adversárias. Junte isso com tempo de resposta muito rápido para a tomada de decisões de improviso e temos uma adversária bem chata de ser enfrentada até mesmo pelas melhores do mundo.

Tal como já acontecia nos últimos anos, Barty segue com bom aproveitamento no saque. Atualmente, ela é a sexta jogadora que mais disparou aces na atual temporada e está entre as quatro primeiras no aproveitamento de pontos e games vencidos em seu serviço. Ela também está entre as dez que mais salvaram break points em 2019.  Com apenas 1,66m, a australiana pode não ser dona de um dos saques mais velozes do circuito, mas tem um dos mais eficientes. Barty coloca muito bem o saque e sabe como poucas variar efeito e direção. Jogando ora aberto, ora no T, ora no corpo, ela faz tudo muito bem.

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Uma vítima do próprio sucesso

Barty já começava a dar sinais de que teria um futuro promissor quando tinha apenas 15 anos. Ela foi campeã juvenil de Wimbledon em 2011 e conseguiu vaga na chave principal do Australian Open do ano seguinte depois de vencer a forte seletiva nacional contra jogadoras profissionais. Lidando desde cedo com pressão e expectativas, fez uma pausa na carreira em 2014 e foi jogar críquete. Naquele momento, tinha como melhor ranking em simples o 129º lugar. Entre as duplistas, havia alcançado o 13º posto e disputado três finais de Grand Slam. “Eu era uma desconhecida até ganhar o juvenil de Wimbledon. Seis meses depois, eu estava jogando o Australian Open. Tudo aconteceu rápido demais. Fui vítima do meu próprio sucesso”, disse ao site da WTA em fevereiro de 2016.

A volta às quadras aconteceria em maio de 2016. Em 6 de junho daquele ano, reapareceu no ranking mundial, ocupando o modesto 623º lugar. Disputando apenas torneios menores e ainda sofrendo com lesões, terminaria aquele ano ainda no 325º lugar do ranking mundial. O grande salto no ranking se deu em 2017. Ao longo de uma temporada consistente, conquistou seu primeiro WTA em Kuala Lumpur e disputou finais de torneios grandes em Wuhan e Birmingham, além de conquistar quatro vitórias contra top 10. Terminou aquele ano no 17º lugar, depois de saltar 308 posições. Já em 2018, outro bom ano, com títulos em Nottingham e Zhuhai. Também comemorou seu primeiro Grand Slam nas duplas, o US Open ao lado de Coco Vandeweghe.

O melhor estaria por vir em 2019. Barty começou o ano disputando uma final em Sydney, conquistou o Premier de Miami e debutou no top 10 com os mil pontos conquistados. Mesmo sem um histórico tão positivo no saibro, que não é considerado seu melhor piso, Barty havia feito uma boa preparação para Roland Garros, chegando às quartas de final em Madri e conquistando um título de duplas em Roma. Na condição de cabeça de chave, só precisou enfrentar uma top 20 no caminho para o título de Roland Garros, a norte-americana Madison Keys, 14ª colocada. Após as quedas de outras jogadoras mais bem cotadas, chegou à semifinal na condição de favorita e venceu duas jovens promessas do circuito Amanda Anisimova e Marketa Vondrousova.

Jovens promessas brilham em Paris

Marketa Vondrousova foi finalista em Paris (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Marketa Vondrousova foi finalista em Paris (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Roland Garros também foi o palco para Vondrousova e Anisimova brilhassem pela primeira vez em um Grand Slam. Finalista em Paris, a canhota tcheca de 19 anos jamais havia passado da segunda rodada do torneio e tinha como melhor feito em Slam as oitavas de final do US Open do ano passado. É verdade que ela aproveitou a queda precoce de Angelique Kerber na estreia, mas depois eliminou rivais do quilate das duas ex-top 10 Carla Suárez Navarro e Johanna Konta, além de uma especialista no saibro Petra Martic e da versátil Anastasija Sevastova no caminho para a final. Não jogou bem contra Barty e perdeu por 6/1 e 6/3. O nervosismo e a falta de referências em um estádio onde nunca havia atuado podem ter interferido em seu desempenho.

“Se alguém tivesse me dito antes do torneio que eu chegaria à final, eu diria que essa pessoa estaria louca. Ainda não consigo acreditar e acho que isso vai mudar minha vida agora. Estou orgulhosa, porque tenho apenas 19 anos e venci seis partidas difíceis. Foram incríveis duas semanas para mim e estou muito orgulhosa de mim mesma de estar na final aqui”, disse Vondrousova após a final. Em uma temporada bastante consistente, ela chegou pelo menos às quartas em seis dos sete torneios que disputou e além de ter alcançado três finais este ano. Ela também tem duas vitórias contra top 10, ambas sobre Simona Halep. No ranking, saltou do 67º para o 16º lugar ao longo de seu bom primeiro semestre. Ela poderia terminar Roland Garros como número 11 do mundo se fosse campeã.

https://twitter.com/rolandgarros/status/1136593763718053889

Já Anisimova foi responsável por uma das maiores surpresas do torneio ao derrotar a campeã do ano passado Simona Halep nas quartas de final. A norte-americana de 17 anos já havia feito uma boa campanha na Austrália, onde chegou às oitavas de final. Ela conquistou seu primeiro no saibro de Bogotá em abril e subiu da 95ª para a 26ª posição ao longo da temporada. “Apesar de eu estar obviamente chateada por perder, eu cheguei na semifinal pela primeira vez. Então, é um torneio positivo para mim. Só tenho a comemorar esse resultado. Estou muito animada com a temporada de grama. Ganhei muita confiança nas últimas duas semanas”.

O que esperar da nova geração no Australian Open?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 11, 2019 às 9:31 pm

Primeiro Grand Slam de 2019, o Australian Open começa na próxima segunda-feira (ou noite de domingo, pelo horário brasileiro). Os vários nomes da nova geração do circuito que estão nas chaves principais masculina ou feminina em Melbourne chegam com diferentes ambições. Há os que chegam com expectativa de título ou de uma campanha expressiva, mas há também aqueles que estão na rota dos favoritos e os que terão suas primeiras experiências em torneios deste tamanho.

A consolidação de Osaka

Depois de conquistar seu primeiro título de Grand Slam no US Open, Naomi Osaka mudou de patamar. Passou a ser mais conhecida do grande público, concedeu um número maior de entrevistas e foi alçada à condição de próxima estrela do esporte. Ela inclusive está na capa da edição de 21 de janeiro da revista TIME.

Em trechos já divulgados da entrevista, Osaka falou de sua idolatria por Serena Williams, a quem superou na final em Nova York, e das comparações que são feitas. Mas a jovem japonesa de 21 anos espera trilhar seu próprio caminho. “Não acho que um dia haverá outra Serena Williams. Acho que serei apenas eu mesma”.

Apesar das várias mudanças em sua vida, a jovem japonesa tem conseguido bons resultados depois do título mais importante da carreira. Foi finalista em Tóquio e semifinalista em Pequim ainda no fim de 2018, além de começar a temporada de 2019 com uma semifinal em Brisbane.

Quarta colocada no ranking, Osaka é uma das onze jogadoras que podem terminar o Grand Slam australiano como número 1 do mundo. Mesmo que a liderança ainda não venha, ela já está muito próxima de ter a melhor marca já alcançada pelo tênis japonês, considerando homens e mulheres. Basta a Osaka ganhar mais uma posição para alcançar um inédito top 3 na história de seu país.

Osaka estreia em Melbourne contra a polonesa Magda Linette, 86ª do ranking, para quem perdeu no único duelo anterior, realizado em Washington no ano passado. A cabeça de chave mais próxima é a experiente taiwanesa Su-Wei Hsieh, 28ª favorita. Qiang Wang e Anastasija Sevastova são possíveis cruzamentos nas oitavas, enquanto Madison Keys ou Elina Svitolina podem pintar nas quartas.

Os próximos passos de Zverev

Alexander Zverev terminou a temporada passada conquistando o título mais importante de sua carreira no ATP Finals, em Londres, onde derrotou Roger Federer e Novak Djokovic nas fases decisivas da competição. Número 4 do mundo e vencedor de dez títulos de ATP, incluindo três Masters 1000, o alemão de 21 anos ainda é cobrado pela falta de bons resultados em Grand Slam.

Em 14 disputas de Grand Slam na chave principal, Zverev tem como melhor resultado a chegada às quartas de final de Roland Garros no ano passado. Antes disso, a campanha de maior destaque havia sido uma até as oitavas na grama de Wimbledon em 2017. Apesar de ainda jovem, ele já fará sua quarta participação no Australian Open e parou na terceira rodada nos dois últimos anos.

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No início de 2019, Zverev disputou quatro partidas de simples e mais quatro nas duplas mistas durante a semana passada pela Copa Hopman. Vice-campeão ao lado de Angelique Kerber na competição entre países, o alemão preferiu se poupar na segunda semana do ano. Uma lesão na coxa o impediu de fazer uma exibição contra Borna Coric em Adelaide na última segunda-feira, e uma leve torção no tornozelo durante os treinos em Melbourne também preocupou durante a semana.

A estreia de Zverev no primeiro Grand Slam do ano será contra o esloveno Aljaz Bedene, 67º colocado, a quem derrotou em dois embates anteriores. Caso confirme o favoritismo, o alemão enfrentará o vencedor do duelo francês entre o veterano de 31 anos Jeremy Chardy e o novato de 20 anos Ugo Humbert. O também francês Gilles Simon pode pintar na terceira rodada, enquanto o canadense Milos Raonic é um possível adversário nas oitavas. Borna Coric e Dominic Thiem são as maiores ameaças em possíveis quartas.

Um duelo de jovens promessas

A primeira rodada em Melbourne reserva um duelo entre duas jovens promessas do circuito, a canadense de 18 anos Bianca Andreescu e a norte-americana de 16 anos Whitney Osuigwe. E quem vencer, já pode cruzar o caminho da cabeça 13 Anastasija Sevastova logo na fase seguinte.

Andreescu é uma das jogadoras em melhor fase neste início de temporada. A canadense venceu sete jogos seguidos em Auckland, incluindo duelos contra as ex-líderes do ranking Caroline Wozniacki (atual campeã do Australian Open) e Venus Williams, que a fizeram sair do 178º lugar para a melhor marca da carreira na 107ª posição. Já em Melbourne, passou por um qualificatório de três rodadas para alcançar o segundo Grand Slam de sua carreira e deverá debutar no top 100 após o Australian Open.

Osuigwe vem de um excelente ano em que saltou do 1.120º lugar para a atual 202ª posição no ranking da WTA, com direito a um título no ITF de US$ 80 mil em Tyler, no Texas, vencendo Beatriz Haddad Maia na final. Mesmo sem ter disputado nenhuma competição oficial nas duas primeiras semanas da temporada e participando apenas de exibições, a jovem norte-americana já conseguiu o melhor ranking da carreira ao ocupar o 199º lugar. Convidada para atuar na Austrália, ela também disputará seu segundo Grand Slam.

Quem chega com moral

Alguns nomes da nova geração do circuito chegam com moral para o Australian Open após bons resultados no começo do ano. São os casos de Aryna Sabalenka, Ashleigh Barty e Alex de Minaur. Também vale o destaques para quem se destacou no fim do ano passado, como Borna Coric e Karen Khachanov.

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Depois de saltar do 78º para o 11º lugar do ranking em 2018, a bielorrussa Aryna Sabalenka iniciou a temporada conquistando seu terceiro título de WTA em Shenzhen. Com estilo de jogo agressivo, a jovem de 20 anos tenta chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez, depois de ter parado nas oitavas no US Open, e tem chances matemáticas até mesmo de encerrar o Australian Open como número 1 do mundo. Sabalenka estreia contra a russa Anna Kalinskaya e pode encarar Petra Kvitova nas oitavas.

Ashleigh Barty é uma tenista com golpes mais clássicos e que sabe variar alturas e velocidades, sabendo usar drop-shots e slices a seu favor. A australiana de 22 anos e número 15 do mundo foi bem na Copa Hopman e também é finalista do WTA de Sydney, onde já derrotou a número 1 do mundo Simona Halep e a top 10 Kiki Bertens. Barty inicia a campanha contra a tailandesa Luksika Kumkhum e está na rota de Jelena Ostapenko para a terceira rodada, e de Caroline Wozniacki ou Maria Sharapova nas oitavas.

Alex de Minaur saltou do 208º para o 31º lugar do ranking em 2018 e começou a nova temporada com quartas em Brisbane e conquistando seu primeiro título de ATP em Sydney, com vitórias na semi e na final neste sábado. Cada vez mais consolidado, o jovem australiano pode ser uma ameaça ao número 2 do mundo Rafael Nadal logo na terceira rodada em Melbourne.

https://twitter.com/TennisTV/status/1083277652121796608

Números 11 e 12 do mundo aos 22 anos, Khachanov e Coric chegam amparados pelos feitos na reta final de 2018. O russo venceu seu primeiro Masters 1000 em Paris, enquanto o croata foi vice-campeão em Xangai. Khachanov estreia contra o alemão Peter Gojowczyk e pode encarar o atual vice-campeão Marin Cilic nas oitavas, enquanto Coric está no caminho de Dominic Thiem.

Na rota de favoritos 

Jovens tenistas aparecem também como possíveis adversários de alguns dos principais cabeças de chave. Logo na primeira rodada, o chileno de 22 anos e 86º do mundo Christian Garin desafia o belga David Goffin, ex-top 10 e atual 22º do ranking. Na fase seguinte, o francês de 19 anos e 98º colocado Ugo Humbert é um possível rival de Alexander Zverev, enquanto o convidado australiano de 19 anos e 149º colocado Alexei Popyrin é um possível adversário de Dominic Thiem.

Entre as mulheres, destaque para Sofia Kenin. Jogadora de apenas 20 anos, Kenin já começou a temporada com um título de duplas em Auckland e conquistando o WTA de Hobart. Atual 56ª do ranking, a norte-americana já chegará a Melbourne com o melhor ranking da carreira, já entre as 40 melhores do mundo.

A estreia de Kenin será contra a russa de 21 anos, vinda do qualificatório e estreante em Grand Slam Veronika Kudermetova. Em caso de vitória, a norte-americana pode cruzar o caminho da número 1 do mundo Simona Halep já na segunda rodada. Lembrando que Halep está sem vencer desde agosto, encerrou a última temporada mais cedo por conta de lesão nas costas e já tem uma estreia difícil contra a experiente estoniana de 33 anos Kaia Kanepi, sua algoz no último US Open.

Estreantes

A polonesa de 17 anos Iga Swiatek disputará o primeiro Grand Slam da carreira. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, Swiatek também venceu quatro torneios profissionais da ITF e saltou da 690ª para a 175ª posição do ranking. Ela começou a temporada de 2019 parando na última rodada do quali em Auckland e furando o quali do Australian Open. Sua primeira rival será a romena Ana Bogdan.

Iga Swiatek só está disputando os Grand Slam como juvenil este ano. Ela já venceu cinco torneios profissionais

Iga Swiatek é atual campeã juvenil de Wimbledon

Já o alemão de 18 anos Rudolf Molleker saltou do 597º para o atual 198º lugar do ranking mundial ao longo do ano passado e aparece atualmente na 207ª posição. Vindo do quali em Melbourne, o jovem germâncio inicia a caminhada contra o cabeça 18 Diego Schwartzman e pode cruzar o caminho de Kyle Edmund ou Tomas Berdych na terceira rodada.

Os jovens destaques da temporada de grama
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2018 às 8:18 pm

Ao longo de três semanas de torneios em quadras de grama, vários nomes da nova geração do circuito se destacaram e conseguiram resultados expressivos, como títulos, boas campanhas e vitórias sobre adversários bem colocados no ranking. Com a definição das chaves masculina e feminina de Wimbledon, jovens tenistas que participarão do Grand Slam britânico conheceram nesta sexta-feira seus caminhos até os confrontos diante de favoritos na grama do All England Club.

Borna Coric (21 anos, 21º do ranking, Croácia)

Coric só tinha duas vitórias na grama antes da incrível campanha até o titulo em Halle.

Coric só tinha duas vitórias na grama antes da incrível campanha até o titulo em Halle.

Coric não chega a ser uma surpresa no circuito, mas seu desempenho na grama superou suas próprias expectativas. Campeão do ATP 500 de Halle no último domingo, o croata só tinha duas vitórias na grama como tenista profissional antes de disputar forte torneio alemão, em que venceu cinco jogos seguidos. Destaque para as vitórias sobre Alexander Zverev na primeira rodada e diante do nove vezes campeão Roger Federer na final. Durante a perfeita semana em Halle, seu saque foi bastante elogiado.

“Eu não esperava por isso. Estou feliz por ter vencido meu primeiro torneio em quadra de grama aqui e contra Roger Federer. Estou realmente surpreso, nem sonhava com isso”, disse Coric após a vitória por 7/6 (8-6), 3/6 e 6/2 na final diante de Federer. Até então ele só tinha um título de ATP, conquistado no saibro de Marrakech. “Durante toda a semana eu estava sacando muito bem. Fiquei confiante de que poderia manter isso para jogar menos pressionado”, acrescentou o jovem croata de 21 anos.

Com os 500 pontos recém conquistados, Coric saltou do 34º para o 21º lugar do ranking mundial, marca que já é a mais alta de sua carreira, e foi designado como cabeça 16 em Wimbledon. Seu adversário de estreia é o russo Daniil Medvedev, a quem derrotou no único duelo anterior. Depois podem pintar o espanhol Guillermo Garcia-Lopez ou o português Gastão Elias antes de um duelo com o francês Adrian Mannarino na terceira rodada e um possível reencontro com Federer nas oitavas.

Ashleigh Barty (22 anos, 17ª do ranking, Austrália)

Ashleigh Barty foi campeã do WTA de Nottingham há duas semanas

Ashleigh Barty foi campeã do WTA de Nottingham há duas semanas

Quem também comemorou um título durante a temporada de grama foi Ashleigh Barty, australiana de 22 anos que foi campeã do WTA de Nottingham há duas semanas. Ela derrotou as também integrantes do top 20 Naomi Osaka e Johanna Konta nas fases finais do torneio. A atual 17ª colocada está a uma posição de igualar seu melhor ranking da carreira, que foi o 16º lugar alcançado em janeiro.

Depois da conquista em Nottingham, Barty chegou às oitavas em Birmingham e às quartas em Eastbourne. A australiana é uma das jogadoras com maior variedade de recursos no circuito feminino, já que consegue usar muito bem os slices e drop shots, além de subir bem à rede. Mesmo sem ter um saque muito potente, é uma jogadora difícil de ser derrotada na grama e já foi campeã juvenil de Wimbledon em 2011.

Seu caminho em Wimbledon começa contra a 95ª colocada suíça Stefanie Voegele, a quem derrotou em dois dos três duelos anteriores, incluindo uma partida na campanha para o título em Nottingham. Depois podem pintar a convidada Gabriella Taylor ou a ex-top 5 vinda do quali Eugenie Bouchard. A russa Daria Kasatkina, cabeça 14, é uma possível adversária na terceira rodada, enquanto a número 3 do mundo e atual campeã Garbiñe Muguruza pode pintar nas oitavas.

Alex de Minaur (19 anos, 77º do ranking, Austrália)

Alex de Minaur disputou duas finais de challenger na grama e debutou no top 100

Alex de Minaur disputou duas finais de challenger na grama e debutou no top 100

A Austrália também tem um destaque da nova geração masculina na temporada de grama. Alex de Minaur venceu nove dos onze jogos que disputou no piso este ano. O jovem jogador de 19 anos fez duas finais de challengers seguidas, ficando com o vice-campeonato em Surbiton e conquistando o título em Nottingham. Com isso, saltou em duas semanas do 105º para o 78º lugar, além de ganhar mais uma posição na lista da última segunda-feira. De Minaur só não manteve o embalo no ATP 250 de Eastbourne, onde caiu ainda na estreia.

Dias depois de receber um convite para a chave principal de Wimbledon, De Minaur acabou herdando uma vaga direta por conta de algumas desistências. Sua estreia no Grand Slam britânico será contra o italiano Marco Cecchinato, cabeça 29 e semifinalista de Roland Garros. Depois, podem pintar o francês Pierre-Hugues Herbert ou o alemão Mischa Zverev antes de um possível encontro com o bicampeão do torneio e número 1 do mundo Rafael Nadal na terceira rodada.

Aryna Sabalenka (20 anos, 45ª do ranking, Belarus)

Sabalenka derrotou quatro jogadoras do top 20 na campanha até a final de Eastbourne

Sabalenka derrotou quatro jogadoras do top 20 na campanha até a final de Eastbourne

A jovem bielorrussa Aryna Sabalenka chegará embalada a Wimbledon depois de uma ótima campanha no WTA Premier de Eastbourne nesta semana, em que venceu cinco jogos e enfrentará a número 2 do mundo Caroline Wozniacki na decisão marcada para este sábado. Depois de estrear vencendo a lucky-loser norte-americana Sachia Vickery, Sabalenka buscou três vitórias contra top 20 seguidas, diante de Julia Goerges, Elise Mertens e Karolina Pliskova. Já na semifinal, bateu a experiente Agnieszka Radwanska, ex-número 2 e atual 31ª do ranking. Duas semanas atrás, também fez quartas na grama holandesa de ‘s-Hertogenbosch.

Sabalenka tem muita potência nos golpes e um estilo de jogo extremamente ofensivo, que lembra um pouco o jeito de jogar de Madison Keys. Em um dia inspirado ou numa semana em que esteja bem habituada às condições, pode fazer um estrago e seu jogo agressivo é favorecido nas rápidas quadras de grama. Atual 45ª colocada, ela certamente chegará a Wimbledon com o melhor ranking da carreira, seja ele o 32º lugar com vice em Eastbourne ou o 30º se vencer o torneio preparatório.

A estreia de Sabalenka em Wimbledon será contra a romena Mihaela Buzarnescu, cabeça de chave 29. Depois, pode enfrentar a convidada local Katie Swan ou a também romena Irina Begu. Em uma eventual terceira rodada, podem pintar as ex-líderes do ranking Victoria Azarenka ou Karolina Pliskova.

Katie Boulter (21 anos, 144ª do ranking, Grã-Bretanha)

Katie Boulter foi convidada para Wimbledon depois de bons resultados em WTA e ITF na grama

Katie Boulter foi convidada para Wimbledon depois de bons resultados em WTA e ITF na grama

Convidada para disputar a chave principal de Wimbledon pelo segundo ano seguido, Katie Boulter vem de bons resultados em quadras de grama. Na primeira semana de junho, ela fez quartas no ITF de US$ 100 mil em Surbiton, depois repetiu a campanha no WTA de Nottingham, onde derrotou nomes experientes Yanina Wickmayer e Samantha Stosur antes de cair para Ashleigh Barty nas quartas de final. Eliminada na estreia do Premier de Birmingham na semana passada, Boulter jogou mais um ITF de US$ 100 mil, desta vez em Southsea.

A atual 144ª do ranking era a 163ª colocada no início do mês e chegará a Wimbledon na inédita 122ª posição. Ela vai estrear no Grand Slam britânico contra a paraguaia Veronica Cepede Royg antes de um possível reencontro com a cabeça 18 Naomi Osaka, para quem perdeu em Birmingham e que estreia em Londres contra a romena Monica Niculescu.

Claire Liu (18 anos, 238ª do ranking, Estados Unidos)

Claire Liu, norte-americana de 18 anos, foi campeã juvenil de Wimbledon no ano passado e furou o quali do Slam britânico

Claire Liu, norte-americana de 18 anos, foi campeã juvenil de Wimbledon no ano passado e furou o quali do Slam britânico

Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, Claire Liu recebeu um convite para o quali em Londres e aproveitou a chance para vencer os três jogos que fez na fase classificatória. A norte-americana de apenas 18 anos disputará o segundo Grand Slam da carreira, já que também atuou no US Open do ano passado. O melhor ranking da carreira de Liu foi o 181º lugar, alcançado em abril. A estreia da norte-americana será contra a croata de 20 anos Ana Konjuh e depois pode enfrentar Angelique Kerber ou Vera Zvonareva, ambas que já foram finalistas do torneio.

Melhores rankings de Tsitsipas e Tiafoe

Tsitsipas atingiu o melhor ranking da carreira e será cabeça de chave em Wimbledon

Tsitsipas atingiu o melhor ranking da carreira e será cabeça de chave em Wimbledon

Também durante a temporada de grama, dois nomes da nova geração masculina atingiram os melhores rankings de suas carreiras. O grego de 19 anos Stefanos Tsitsipas chegou ao 35º lugar, depois de chegar às quartas no ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch e nas oitavas do ATP 500 de Halle. Ele será cabeça 31 em Wimbledon e estreia contra o francês vindo do quali Gregoire Barrere. Já o norte-americano de 20 anos Frances Tiafoe saltou do 62º para o inédito 52º lugar depois de fazer quartas no ATP 500 de Queen’s, em Londres. Ele inicia a campanha em Wimbledon diante do cabeça 30 espanhol Fernando Verdasco.

Barty mostra que é possível jogar diferente
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 12, 2018 às 9:00 pm

Em um circuito dominado por jogadoras cada vez mais altas, mais fortes e mais agressivas, a australiana Ashleigh Barty mostra que é possível atuar em alto nível jogando de maneira diferente. A australiana de 21 anos é uma das atletas mais versáteis da atualidade e suas atuais décima sexta posição no ranking de simples e décima nas duplas ratificam essa condição.

Barty tem um bom forehand, mas não compete em potência dos golpes contra nomes como Petra Kvitova, Karolina Pliskova e Garbiñe Muguruza. Nem mesmo a consistência defensiva de uma Caroline Wozniacki ou Simona Halep aparecem tanto no jogo da australiana. Suas apostas são em frequentes slices, drop shots e subidas à rede. A variação aparece também nas devoluções, que em alguns momentos apenas bloqueiam o saque das adversárias. Junte isso com tempo de resposta muito rápido para a tomada de decisões de improviso e temos uma adversária bem chata de ser enfrentada até mesmo pelas melhores do mundo.

Barty mostra a cada semana que é possível jogar em alto nível sem ter o estilo dominante do circuito

Barty mostra a cada semana que é possível jogar em alto nível sem ter o estilo dominante do circuito (Foto: SMP Images)

Com apenas 1,66m, Barty pode não ser dona de um dos saques mais velozes do circuito, mas tem um das mais eficientes. A australiana é sexta jogadora que mais fez aces neste começo de ano com 50 no total. Ela é também a nona jogadora que melhor aproveita os pontos disputados em seu serviço, com 62,2%.

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No ano passado, Barty teve o quinto melhor aproveitamento de pontos jogados no saque com 62% em 41 jogos e venceu 70% dos pontos jogados em primeiro saque, média que fez dela a oitava melhor do circuito nesse quesito. A australiana também apareceu entre as dez que mais venceram pontos com segundo saque e entre as que mais salvaram break points. Como isso é possível? Barty coloca muito bem o saque e sabe como poucas variar efeito e direção. Jogando ora aberto, ora no T, ora no corpo, ela faz tudo muito bem.

barty

No último fim de semana, Barty defendeu a Austrália no Grupo Mundial II da Fed Cup e responsável pelos três pontos no confronto diante da Ucrânia em quadra de grama em Camberra. Além de vencer seus dois jogos de simples, ela também marcou a vitória decisiva nas duplas, ao lado de Casey Dellacqua. A atuação mais impactante do fim de semana veio diante da promessa ucraniana de 15 anos Marta Kostyuk, uma das principais revelações deste início de temporada e adepta do estilo agressivo. Barty criou uma verdadeira armadilha para sua jovem rival e não a deixou confortável em nenhum momento. Resultado, 6/2 e 6/3 em dos jogos mais importantes do confronto.

Uma trajetória diferente –  Barty começou a chamar atenção no mundo tênis em 2011 quando foi campeã juvenil de Wimbledon e vice-líder no ranking mundial da categoria com apenas 15 anos. Pouco depois, conseguiu uma vaga na chave principal do Australian Open do ano seguinte ao vencer a forte seletiva nacional entre jogadoras profissionais tradicionalmente disputada em dezembro. Já em 2013, foi finalista de duplas em três Grand Slam, Australian Open, Wimbledon e US Open, todos ao lado de Dellacqua.

Entretanto, depois de ter alcançado o 129º lugar no ranking de simples e o 13º em duplas, Barty fez uma pausa na carreira após o US Open de 2014. Estava cansada da pressão sofrida no circuito e tentou a sorte no críquete, chegando a jogar profissionalmente em seu país. “Tudo aconteceu rápido demais”, disse Barty ao site da WTA, em fevereiro de 2016, quando voltou às quadras jogando ITFs. “Eu era uma desconhecida até ganhar o juvenil de Wimbledon e seis meses depois jogar o Australian Open. Fui vítima do meu próprio sucesso”.

Depois de jogar torneios menores e lesionar o braço direito há dois anos, a australiana só pôde efetivamente voltar ao circuito de WTA no início do ano passado. Ainda em março, conquistou seu primeiro título na elite do circuito em Kuala Lumpur, entrou no top 100 e não parou mais. Fez boas campanhas ao longo do ano, com destaque para os vice-campeonatos em Wuhan e Birmingham e venceu quatro jogos contra top 10. Ao final da temporada, a australiana havia saltado 308 posições do 325º para o 17º lugar, tendo a segunda maior evolução na elite do circuito.
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De promessa no circuito juvenil, a uma jovem jogadora estafada no início da carreira profissional à volta ao circuito em alto nível. O que mudou? Ela mesma explicou em entrevista coletiva antes do Australian Open. “Isso foi há muito tempo e para mim foi uma surpresa. Simplesmente aconteceu muito rápido e eu não estava pensando muito à frente. Acho que se você é um bom juvenil, não há garantias de que você vá se dar bem no circuito e isso foi muito difícil para mim. Mas acho que isso já passou e hoje me sinto ótima em quadra. Tenho uma equipe realmente sólida em torno de mim. São pessoas genuínas que estão me ajudando em tudo”.

A cada semana, Barty mostra que jogar diferente da maioria não é uma sentença de morte no circuito. Também serve para refutar o argumento simplista, preguiçoso (e preconceituoso, por que não?) de que não há variação no tênis feminino. Além da própria australiana, nomes como Anastasija Sevastova, Magdalena Rybarikova, Elise Mertens e a veterana Svetlana Kuznetsova aparecem hoje no top 20 e nenhuma delas é adepta de “quebrar a bola e atacar a todo custo”. O caminho pode até ser mais longo, mas ainda há espaço para quem subverta os padrões.