Finalistas, Iga e Coco carregam importantes bandeiras
Por Mario Sérgio Cruz
junho 3, 2022 às 11:35 pm

Swiatek venceu os dois duelos anteriores contra Gauff, em Roma no ano passado e Miami neste ano (Foto: Jimmie48/WTA)

Protagonistas da final de Roland Garros, Iga Swiatek e Coco Gauff se enfrentam neste sábado, às 10h (de Brasília) pelo título do segundo Grand Slam da temporada. A polonesa com 21 anos recém-completados e a norte-americana de apenas 18 têm personalidades fortes e são conscientes sobre o que acontece fora das quadras, carregando bandeiras importantes a cada declaração.

Ao longo das campanhas em Paris e demais semanas no circuito, foi possível acompanhá-las falando sobre saúde mental e pressões externas. Elas tiveram posições firmes contra o racismo, a violência nos Estados Unidos e a guerra na Ucrânia. A preocupação constante com a Covid-19, o incentivo à leitura, aos estudos e às mulheres no topo também fizeram parte das entrevistas. Apesar de muito jovens, as duas finalistas são completamente integradas à sociedade, e não vivendo apenas numa ‘bolha’ do esporte que praticam, atuando como excelentes exemplos para as novas gerações.

Saúde mental
Líder do ranking e campeã do Grand Slam francês em 2020, Swiatek sempre colocou em evidência o tema da saúde mental no esporte. A polonesa que costuma viajar pelo circuito acompanhada da psicóloga esportiva Daria Abramowicz e sempre valoriza o trabalho dela na equipe. Ano passado, durante o WTA 1000 de Indian Wells, anunciou que doaria o prêmio do torneio para organizações que trabalhem com o tema.

Decidi doar meu prêmio em dinheiro em Indian Wells para alguma organização sem fins lucrativos, já que hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental. Para mim, sempre foi importante usar esse tipo de ajuda”, disse em entrevista coletiva. “Não acho que já seja a hora de começar uma fundação ou algo assim, porque ainda preciso me concentrar no tênis, mas posso fazer algumas ações menores e talvez ir passo a passo para aprender como fazer esse tipo de coisa. Senti que seria um bom momento para fazer isso por causa do dia que temos hoje”.

Pressão pelo número 1 e comparações com Serena
Invicta há 34 jogos no circuito e vencedora dos cinco últimos torneios que disputou (Doha, Indian Wells, Miami, Stuttgart e Roma), Swiatek tem lidado muito bem com o favoritismo e a condição de número 1 do mundo. “Eu precisava de tempo para aprender como lidar com isso corretamente, e como usar a sequência de vitórias ou o ranking para pressionar as minhas oponentes. Sinto que estou aprendendo a usar isso de maneira positiva. No ano passado, quando eu subia no ranking, parecia que era algo me pressionava. Desta vez é totalmente diferente. Estou muito feliz que minha equipe e eu trabalhamos duro para mudar minha mentalidade em relação a isso”.

Já Coco Gauff foi comparada à Serena Williams desde a infância e diz que que por muito tempo “caía na armadilha” dessas frases de efeito. “Desde que entrei no circuito, ou mesmo quando eu tinha 8 anos, as pessoas diziam que eu era a próxima Serena e acho que realmente caí na armadilha de acreditar nisso. Eu estava num ponto em que, mesmo quando conseguia grandes resultados, não ficava tão feliz porque sentia que era uma obrigação. Acho que até o ano passado eu estava muito focada em tentar atender às expectativas das outras pessoas. Agora estou realmente curtindo o momento, nas vitórias e derrotas”, avaliou a norte-americana, que ainda não perdeu sets no torneio e também está na final de duplas, ao lado de Jessica Pegula.

Guerra na Ucrânia

Swiatek usa uma fita com as cores da bandeira ucraniana em todos os jogos desde o início da guerra.

Swiatek tem usado uma fita com as cores da bandeira da Ucrânia em todos os jogos desde o início da invasão do território ucraniano pela Rússia em fevereiro. País vizinho à zona de conflitos, a Polônia recebeu muitos refugiados e a número 1 do mundo expressa várias vezes o apoio ao povo ucraniano. Ela também falou sobre o fato de muitos jogadores terem parado de prestar solidariedade, apesar de a guerra continuar até hoje.

“Eu sei que muitos jogadores usavam as fitas no início da guerra, quando todo o barulho era um pouco mais alto. Percebi que alguns tiraram, o que para mim é muito estranho porque a guerra continua e ainda há pessoas sofrendo. Vou usar até que a situação melhore. Eu não entendo… Quero dizer, eu entendo, sim. É também como a mídia funciona, um assunto fica em evidência e depois sai um pouco. Espero que os jogadores ainda sejam solidários”, comentou logo após o título do WTA 1000 de Roma.

“Com a minha família está tudo bem. Com certeza a guerra está afetando um pouco a Polônia. É algo que não pude experimentar com eles, porque estou viajando durante o circuito. Eu estava nos Estados Unidos quando a guerra começou”, explica a atual líder do ranking, invicta há 34 jogos no circuito. “Mas sei que o povo polonês está apoiando. Eu também vou apoiar em breve e fazer alguma iniciativa. Esse também é meu objetivo. Eu sei que tenho falado sobre isso há muito tempo, mas posso torná-lo oficial agora. Com certeza, quero mostrar meu apoio ao povo ucraniano, como todo os poloneses estão fazendo em suas casas”.

Racismo e violência nos Estados Unidos

No mesmo dia em que garantiu vaga na final de Roland Garros, a sua primeira em um Grand Slam de simples, Coco Gauff aproveitou a oportunidade para protestar contra a violência armada, especialmente após recentes casos de tiroteios em escolas. “Acordei esta manhã e vi que havia outro tiroteio. Isso é uma loucura. Sei que o assunto está recebendo mais atenção agora, mas é isso tem sido um problema há muito tempo, e acho que precisa haver alguma reforma. Acho que agora que eu fiz 18 anos, estou tentando me educar em certas situações, porque tenho o direito de votar e quero usar isso com sabedoria”.

“Quando as pessoas falam que esporte e política não devem se misturar, lembro que não serei uma atleta para sempre. Haverá um momento em que vou parar de jogar. Então é claro que eu me importo com esses tópicos. Acho que os esportes dão a você uma plataforma para talvez fazer essa mensagem chegar a mais pessoas”, comenta a tenista, que tem total respaldo da família e da equipe para realizar essas ações. “Minha equipe ao meu redor sabe que se eu quiser dizer alguma coisa, eu vou dizer. E os meus pais sempre me incentivam desde que eu era mais jovem. Meu pai dizia que eu posso mudar o mundo com a minha raquete. Ele não quis dizer isso apenas no sentido de jogar tênis”.

Gauff sempre se sentiu confortável para se posicionar sobre temas relevantes. Foi assim em 2020, com os protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos após a morte de George Floyd. “É triste que eu esteja protestando pela mesma causa que a minha avó teve que protestar há 50 anos”, disse na época. Passei toda a semana conversando com amigos que não são negros, tentando educá-los sobre como eles poderiam ajudar o movimento. Vocês precisam usar suas vozes. Não importa o tamanho e o alcance de suas plataformas. Como o Martin Luther King disse: ‘O silêncio das pessoas boas é pior que a brutalidade das pessoas ruins'”.

Incentivo à leitura, aos estudos e às mulheres
A educação também é um tema frequente nas conversas com as duas finalistas de Roland Garros. Gauff, por exemplo, comemorou também sua formatura escolar durante Roland Garros. “Muitos jogadores, em geral, acham que o tênis é a coisa mais importante do mundo. Mas não é. Então, conseguir meu diploma significou muito para mim”, disse Gauff, que foi parabenizada até mesmo pela ex-primeira dama Michelle Obama nas redes sociais. “Estou surpresa e não esperava nada disso. Quando vi que recebi uma mensagem da Michelle Obama, eu pensei: ‘Oh, o que eu fiz?’, mas não era sobre o tênis, era sobre minha educação. Acho que significou ainda mais para mim o fato de ela ter postado sobre isso”.

Já Swiatek é sempre vista carregando livros durante os torneios. Apesar da preferência por clássicos da literatura internacional, está atualmente com “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, a polonesa também busca livros de não-ficção. Recentemente, concluiu: “21 lições para o Século XXI”: “Estou tentando ler algo que não seja ficção para me educar um pouco mais. O último livro foi difícil de digerir porque é basicamente sobre o propósito da vida. O autor provoca algumas ideias que eu nem pensei. Vou ler também o outro livro dele, então vou ver o que tiro desse também”.

A número 1 do mundo também defendeu mudanças na programação de Roland Garros para que mais jogos femininos sejam marcados para o horário nobre, contestando a posição de Amelie Mauresmo, diretora do torneio. “É um pouco decepcionante e surpreendente, porque ela também fez parte da WTA. Do meu ponto de vista, é mais conveniente jogar no horário normal, mas com certeza eu também quero entreter e mostrar meu melhor tênis em cada partida”, afirmou.

“A decisão é dos dirigentes e temos que aceitar isso. Mas, sim, quero que meu tênis seja entretenimento também. E sempre disse que nos meus momentos mais difíceis, tento me lembrar que eu também jogo para as pessoas que estão assistindo. Acho que o tênis feminino tem muitas vantagens. Alguns podem dizer que é muito imprevisível e que as meninas não são tão consistentes. Mas, por outro lado, isso também pode ser algo atraente para mais pessoas.

E a pandemia ainda não acabou
Swiatek também foi perguntada sobre a preocupação com a Covid-19 depois que a número 2 do mundo Barbora Krejcikova, campeã em simples e duplas no ano passado, que foi diagnosticada com a doença e teve que se retirar do torneio. A tcheca já havia perdido na disputa individual, mas não teve condição de defender o título de duplas em Paris.

“Todas as rotinas em termos de uso de máscaras mudaram nos torneios, então agora estamos mais relaxados, mas ainda assim, eu sei que o vírus pode estar ‘voando’ por aí. Mas, estou vacinada e estou me cuidando. Sinto que minha imunidade está boa. Eu me sinto muito sortuda por não ter nenhuma história assim desde o início da pandemia”.

Admiração mútua entre as finalistas
A pouca diferença de idade faz com que as duas finalistas se conheçam há bastante tempo. E a admiração é mútua. “Eu conheço a Iga desde que ela tinha o ranking mais baixo, e agora ela é a número 1. E a única que mudou nela é o nível de tênis”, disse Gauff. “Mas nos bastidores, ela é muito legal quanto acho que vocês podem ver isso nas coletivas de imprensa. Eu acho isso muito importante e raro de se ver, então eu definitivamente a parabenizo por esse aspecto. Estou muito feliz em enfrentá-la especificamente, eu sempre quis jogar contra ela em uma final. Desde o juvenil, sabia que isso poderia acontecer eventualmente. Só não pensei que fosse acontecer tão cedo”.

Swiatek celebra o bom momento de sua jovem rival, ainda mais por todas as pressões e expectativas que acompanharam Gauff desde o início de sua trajetória no tênis. “Com certeza, estou muito feliz que ela está indo bem, porque ela também teve uma enorme pressão em sua vida. Deve ter sido difícil. Tenho certeza de que ela precisou ser muito forte para chegar até aqui. Pelo que vejo na quadra, ela está se desenvolvendo a cada ano basicamente. E às vezes esqueço que ela tem 18 anos. Ela está sendo muito consistente e é muito bom vê-la progredindo”.

Argentina surpreende e joga final do juvenil em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
junho 3, 2022 às 6:53 pm

Solana Sierra tenta ser a terceira argentina a vencer o juvenil em Paris (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

A argentina Solana Sierra se destacou na rodada desta sexta-feira pelo torneio juvenil de Roland Garros e garantiu vaga na final da competição. Ela tenta ser a terceira jogadora do país a conquistar o título, juntando-se às campeãs Gabriela Sabatini em 1984 e Patricia Tarabini em 1986.

Sierra eliminou a tcheca Nikola Bartunkova por 7/5 e 6/0. A argentina de 17 anos é 38ª do ranking juvenil e ocupou o nono lugar em janeiro. Já Bartunkova, de 16 anos e 19ª colocada, já tem um bom ranking como profissional, ocupando a 350ª posição na WTA.

“Estou me sentindo muito bem, estou super feliz. É incrível pensar que estou na final de um Grand Slam”, disse Sierra, que não é cabeça de chave este ano em Paris, mas fez semi no US Open do ano passado.

“Acho que o US Open ajudou, porque na outra semifinal eu estava muito nervosa e aqui estava um pouco menos nervosa e joguei melhor. Estou super feliz por todo o trabalho que fiz e está valendo a pena agora”, complementou a argentina, que como profissional é 575ª do mundo.

A adversária de Sierra na final será outra jogadora tcheca. Ela enfrenta Lucie Havlickova, número 9 do ranking, que superou a compatriota Sara Bejlek por 6/3, 6/7 (5-7) e 7/5. Havlickova tenta ser a segunda jogadora tcheca seguida a vencer o torneio juvenil em Paris, juntando-se à campeã do ano passado Linda Noskova.

Debru tenta garantir mais um título francês
A torcida francesa em Roland Garros poderá torcer por Gabriel Debru, que está na final do torneio juvenil e tenta manter o troféu em casa, já que Luca van Assche venceu a edição passada. Debru, de 16 anos, é o cabeça 13 do torneio juvenil e venceu o croata Dino Prizmic, cabeça 10, por 6/1, 0/6 e 6/3.

Apesar da pouca idade, Debru já tem experiência no tênis profissional. Ele conseguiu no ano passaddo sua primeira vitória em chaves principais de challenger, atuando em quadra dura e coberta de Roanne, na França. Também disputou o quali profissional de Roland Garros, avançando uma rodada, diante do também anfitrião Arthur Fils. Durante o juvenil em Paris, venceu o brasileiro João Fonseca nas oitavas.

O outro finalista em Roland Garros será o belga Gilles Arnaud Bailly, que superou o polonês Martyn Pawelski por 1/6, 6/1 e 6/2. Bailly, de 16 anos é o 20º do ranking juvenil e ainda não atuou como profissional. Ele foi o algoz do cabeça 1 e campeão do Australian Open Bruno Kuzuhara nas oitavas. A Bélgica tem duas conquistas no masculino, a última com Kimmer Coppejans em 2012, enquanto Justine Henin venceu em 1997.

Torneio juvenil de Roland Garros tem três tchecas e uma argentina nas semifinais
Por Mario Sérgio Cruz
junho 3, 2022 às 12:01 am

Nikola Bartunkova, de 16 anos, já ocupa o 350º lugar no ranking profissional da WTA (Foto: André Ferreira/FFT)

A força da República Tcheca na formação de jogadoras aparece mais uma vez após a definição das semifinalistas do torneio juvenil de Roland Garros. Ao todo, três jogadoras do país seguem na disputa pelo título, Lucie Havlickova, Nikola Bartunkova e Sara Bejlek. As duas últimas fizeram parte da equipe campeã da Copa Billie Jean King Junior no ano passado. A outra semifinalista é a argentina Solana Sierra.

Bartunkova, de apenas 16 anos, é a cabeça 13 do torneio juvenil em Paris e 350ª colocada no ranking profissional da WTA. Ela venceu a eslovaca Nikola Daubnerova por 6/3 e 6/0 e enfrenta Solana Sierra, que bateu a norte-americana Liv Hovde por 6/3 e 7/5.

Do outro lado da chave, a nona favorita Lucie Havlickova venceu a canadense Annabelle Xu por 7/6 (7-5), 4/6 e 6/1. Já Bejlek, décima cabeça de chave, superou Mirra Andreeva por 6/4 e 6/1.

As três jogadoras tchecas tentam manter o troféu no país por mais um ano, já que Linda Noskova foi campeã juvenil no ano passado. Em 2022, Noskova já atuou entre as profissionais e furou o quali em Paris. Já Sierra pode se juntar às campeãs Gabriela Sabatini (1984) e Patricia Tarabini (1986).

Debru é o único francês na semifinal
Algoz do brasileiro João Fonseca nas oitavas de final, o francês Gabriel Debru será o único representante da casa entre os semifinalistas. Debru, de 16 anos e 780º do ranking da ATP, é o cabeça 13 do torneio juvenil e venceu o eslovaco Peter Privara por 6/1 e 6/2. Ele enfrenta o croata Dino Prizmic, cabeça 10, que bateu o espanhol Daniel Merida Aguilar por 6/2 e 6/3.

A outra semifinal será entre o belga Gilles Arnaud Bailly e o polonês Martyn Pawelski. Bailly venceu o suíço Dylan Dietrich por 6/3 e 7/5, enquanto Pawelski passou pelo mexicano Rodrigo Pacheco Mendez com parciais de 7/6 (7-2) e 6/4.

O título do ano passado em Paris foi do francês Luca van Assche. A Bélgica tem duas conquistas no masculino, a última com Kimmer Coppejans em 2012, enquanto Justine Henin venceu em 1997. A Polônia tem apenas o título de Agnieszka Radwanska em 2006, enquanto nenhum mexicano venceu o torneio.

Gauff relembra a ‘armadilha’ das comparações com Serena
Por Mario Sérgio Cruz
junho 1, 2022 às 10:30 pm

A norte-americana de 18 anos chega pela primeira vez à semifinal de um Grand Slam (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

Com apenas 18 anos, Coco Gauff alcança sua primeira semifinal de Grand Slam em Roland Garros. Mas apesar de ser uma jogadora muito jovem, a norte-americana convive com pressão e expectativas há bastante tempo. Comparada à Serena Williams desde a infância, Gauff diz que por muito tempo “caía na armadilha” dessas frases de efeito e não conseguia aproveitar cada estágio de seu desenvolvimento. O cenário de hoje é diferente e a atual 23ª do ranking se sente muito mais tranquila quando entra em quadra.

“Desde que entrei no circuito, ou mesmo quando eu tinha 8 anos, as pessoas diziam que eu era a próxima Serena, próxima isso ou a próxima aquilo, e acho que realmente caí na armadilha de acreditar nisso”, disse Gauff. “É importante que você tenha grandes esperanças para si mesmo, mas eu estava num ponto em que, mesmo quando venci a Naomi [Osaka] na Austrália ou chegava às oitavas em Grand Slam, não ficava tão feliz porque sentia que era uma obrigação. Agora estou realmente curtindo o momento, nas vitórias e derrotas”.

“Eu sempre acreditei em mim mesma, mas acho que até o ano passado eu estava muito focada em tentar atender às expectativas das outras pessoas. Então então a mensagem para todos os jovens jogadores é de que seus resultados, ou mesmo na vida em geral, ou seu trabalho ou quanto dinheiro você ganha não definem você como pessoa. Então é importante ter amor próprio e não se importar com o que os outros pensam”, acrescentou a jovem jogadora, que faz terceira participação como profissional em Roland Garros e disputa a chave principal de um Grand Slam pela 11ª vez.

Algoz de Sloane Stephens por 7/5 e 6/2 nas quartas, Gauff precisava superar duas barreiras na última quarta-feira. Ela havia perdido para a própria Stephens no US Open e também havia chegado às quartas em Paris, caindo diante da campeã Barbora Krejcikova.

“Ano passado, a derrota nas quartas de final foi muito dura para mim, mas acho que aquele jogo me deixou mais forte e me preparou para momentos como o de hoje. Disse a mim mesma para ficar mentalmente forte. Sabia que haveria alguns golpes que provavelmente ela faria alguns golpes que nenhuma outra jogadora conseguiria na quadra”.

O próximo compromisso de Gauff será contra a italiana Martina Trevisan, canhota de 28 anos e 59ª do ranking, que a derrotou no único duelo anterior, também disputado em Paris, na temporada de 2020. “Lembro-me claramente dessa partida. Eu fiz um monte de duplas faltas. Não vou repetir isso. E também, devo dizer que ela é uma jogadora complicada de enfrentar no saibro, ainda mais por ser canhota. Eu assisti um pouco da partida dela contra a Leylah [Fernandez]. Acho que vai ser um bom confronto.

“Eu sei o que aconteceu na quadra para eu perder aquela partida, e sei no que preciso trabalhar para a próxima vez. Lembro-me muito bem de cada derrota. Meu avô sempre me disse: ‘Esqueça suas vitórias, lembre-se das derrotas. E eu me lembro de cada uma. Então, quando eu jogo pela segunda vez eu tento não perder, ou pelo menos, tento não perder jogando da mesma forma que perdi da primeira vez”.

Semifinal de duplas ao lado de Pegula
Gauff também está na semifinal de duplas ao lado de Jessica Pegula. As norte-americanas venceram a húngara Anna Bondar e a belga Greet Minnen por 6/4, 4/6 e 6/4. As próximas rivais também são dos Estados Unidos, Madison Keys e Taylor Townsend. Já a a outra semi de duplas terá as francesas Caroline Garcia e Kristina Mladenovic contra a ucraniana Lyudmyla Kichenok e a letã Jelena Ostapenko.

Voltando a 2018 e a relação com Serena
Ainda em 2018, quando foi campeã juvenil de Roland Garros com apenas 14 anos, Gauff já falava sobre as comparações com Serena e sua relação com ela, ainda mais porque ambas treinavam com  Patrick Mouratoglou. “Ela é meu ídolo. Eu sempre digo que quero ser como ela, realizar as coisas que ela fez e ir ainda mais longe. Não quero me limitar a ela porque não sou Serena e ela também não sou eu”, disse em entrevista ao site da ITF há quatro anos.

Na época, ela também falou à CNN sobre os encontros que teve vencedora de 23 títulos de Grand Slam. “Serena me disse para seguir em frente e continuar trabalhando duro. Significa muito para mim saber que alguém tão incrível ainda está encorajando as jogadoras mais jovens a serem tão boas ou até melhores que ela. E espero que um dia eu possa chegar a esse nível”.

Geração 2000 chega com nove tenistas às oitavas
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2022 às 1:31 am

Alcaraz já faz sua melhor campanha em Paris e tenta chegar às quartas em Slam pela 2ª vez (Foto: Loïc Wacziak/FFT)

A nova geração do circuito chega com cada vez mais força ao circuito profissional. Após a primeira semana de disputas em Roland Garros, teremos nove tenistas nascidos a partir de 2000 nas oitavas de final. São cinco na chave feminina, lideradas pela número 1 do mundo Iga Swiatek, e mais quatro no torneio masculino, com destaque para o sexto do ranking Carlos Alcaraz. Também seguem nas chaves Qinwen Zheng, Amanda Anisimova, Leylah Fernandez, Coco Gauff, Jannik Sinner, Felix Auger-Aliassime e Holger Rune.

Swiatek encara jovem chinesa
Swiatek terá um duelo da nova geração contra a jovem chinesa de 19 anos Qinwen Zheng, 74ª colocada. “Ouvi algumas outras jogadoras falando sobre ela. Tenho certeza de que ela merece estar nessa fase, porque está jogando muito bem. Mesmo quando ela perdeu algumas partidas, as pessoas estavam sempre diziam que ela tem talento”, disse a polonesa de 20 anos.

Zheng, que eliminou Simona Halep na segunda rodada e agora passou por Alizé Cornet, faz sua melhor campanha em Slam e projetou o duelo com a número 1. “Ela é uma jogadora maravilhosa e quero muito jogar contra ela. Então, estou empolgada para esta partida. Sei que ela é uma ótima jogadora de saibro e que será uma partida difícil. Vou dar tudo o que tenho”.

Sobre a boa fase no saibro, a chinesa destaca o treinamento na Espanha. “Estou treinando na Espanha há dois anos. E desde que estou aqui, vejo que todo jogador espanhol trabalha muito duro. Tenho melhorado muito, então acho que o trabalho está funcionando em mim e acho que deveria continuar assim”.

Anisimova e Fernandez também duelam
Duas jogadoras que já foram longe em Grand Slam também duelam nas oitavas, a canadense Leylah Fernandez e a norte-americana Amanda Anisimova tentam voltar a ter um grande resultado. Fernandez, de 19 anos, foi finalista do US Open na temporada passada, enquanto Anisimova, de 20 anos, tenta repetir a semi que fez em Paris há três temporadas.

“Acho que depois do US Open eu coloquei um pouco mais de pressão em mim mesma. Isso é normal, porque quero repetir o que fiz no US Open”, disse Fernandez. “Acho que depois dos primeiros torneios, aceitei que não jogaria da mesma maneira todas as vezes. Vou ter que encontrar soluções e continuar trabalhando duro. Ao longo do ano, tenho me apegado a isso e me esforçando todos os dias”.

Mais calma, Gauff tenta repetir as quartas
Uma temporada depois de ter feito sua melhor campanha em Grand Slam, ao chegar às quartas de final de Roland Garros, Coco Gauff está a uma vitória de igualar esse resultado. A jovem norte-americana de 18 anos e atual 23ª do ranking se sente cada vez mais preparada para chegar longe nos grandes torneios, especialmente no aspecto mental. Ela desafia nas oitavas a belga Elise Mertens.

“Acho que agora estou mentalmente melhor do que no ano passado, chegando à segunda semana. Acho que estou muito mais preparada para jogar duas semanas de tênis”, disse Gauff, já projetando o próximo jogo em Paris. “Eu já joguei com ela antes e acho que estou muito mais relaxada do que na minha partida das oitavas do ano passado”.

Alcaraz pensa nos grande nomes
Depois de ter vencido Rafael Nadal e Novak Djokovic na campanha para o título do Masters 1000 de Madri, o jovem de 19 anos Carlos Alcaraz se sente cada vez mais prontos para enfrentar os grandes nomes. Ele pode cruzar o caminho de um deles em uma possível semifinal em Paris. “Se eu continuar vencendo, é possível que enfrente um deles e acho que estou preparado para isso. Claro que aqui são cinco sets, diferente de um Masters 1000, mas ainda assim me sinto pronto”.

Treinado por Toni Nadal, Aliassime desafia Rafa
O duelo entre Rafael Nadal e Felix Auger-Aliassime pelas oitavas de final de Roland Garros terá um interessante personagem fora das quadras. Toni Nadal, tio e ex-treinador do espanhol, é agora o técnico da Aliassime. Toni declarou publicamente que não dará dicas ao canadense sobre como enfrentar Rafa, e que essa foi uma condição prévia para eles começarem a trabalhar juntos no ano passado, e Rafa diz que não veria problema algum se o adversário fosse aconselhado por seu tio.

O canadense também comentou sobre a situação. “Eu não acho que Toni vai me contar algo novo sobre como o Rafa joga. Mas nós tivemos essa discussão desde a primeira vez que começamos a trabalhar juntos. Sabíamos que era uma possibilidade de eventualmente eu enfrentar o Rafa quando estivesse trabalhando com o Toni. Mas acho que o Toni vai assistir de um lugar neutro e aproveitar a partida”.

Sinner e Rune têm jogos duros nas oitavas
O italiano de 20 anos Jannik Sinner, 12º do ranking, desafia o número 7 do mundo Andrey Rublev pelas oitavas. Sinner lidera o histórico de confrontos por 2 a 1 e tenta voltar às quartas em Paris depois de dois anos. Já Holger Rune, de 19 anos e 40º colocado, é o próximo rival do grego Stefanos Tsitsipas, quarto cabeça de chave. O jovem dinamarquês ainda não perdeu sets no torneio e faz sua melhor campanha em Slam. Sua campanha é a melhor de um homem dinamarquês em um Slam desde 1993.

Neste sábado, Rune falou ao entrevista para o ex-número 2 do mundo Alex Corretja ainda em quadra após vencer o francês Hugo Gaston por triplo 6/3 e comentou sobre o estilo pouco ortodoxo do rival, que o trazia para a rede o tempo todo. “Foi um jogo difícil. Hugo é um grande jogador e que consegue fazer golpes muito difíceis. Tenho muito respeito por esse cara e pelo time dele”, disse Rune. “Não é sempre divertido jogar contra ele. Hugo é muito talentoso e te faz correr muito. Mas tive que pensar no meu saque e ser agressivo. Estou muito feliz com meu nível hoje. Foi um jogo duro, mas permaneço focado o tempo todo”.

Alcaraz retorna a Roland Garros com novo status
Por Mario Sérgio Cruz
maio 21, 2022 às 9:49 pm

No ano passado, Alcaraz havia disputado o quali em Paris. Agora, entra no torneio como número 6 do mundo. (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

A segunda participação de Carlos Alcaraz em Roland Garros acontece em um contexto muito diferente em comparação com a edição passada do Grand Slam francês. Se em 2021, o espanhol disputava apenas seu segundo Slam como profissional e precisou passar pelo quali, o retorno a Paris em 2022 é na condição de candidato ao título. Número 6 do mundo, Alcaraz estreia neste domingo, diante do argentino Juan Ignacio Londero, ex-top 50 e atual 141º do ranking.

Alcaraz chega para Roland Garros carregando uma invencibilidade de dez jogos e dois títulos importantes no saibro, o ATP 500 de Barcelona e o Masters 1000 de Madri. E na capital espanhola, conseguiu a façanha de superar Rafael Nadal, Novak Djokovic e Alexander Zverev em dias consecutivos para vencer seu quarto título na temporada e o segundo Masters 1000.

Em 31 jogos disputados na temporada de 2022, Alcaraz venceu 28 no total. Entre as três derrotas no ano, duas foram em jogos equilibradíssimos contra adversários do top 10, Matteo Berrettini no tiebreak do quinto set no Australian Open e Rafael Nadal em partida com 3h12 na semifinal de Indian Wells. A outra derrota foi para o norte-americano Sebastian Korda no Masters 1000 de Monte Carlo e que impediu Alcaraz de chegar a Paris invicto no saibro. Também campeão do Rio Open, em fevereiro, ele tem 16 vitórias e apenas uma derrota no piso em 2021.

Como Alcaraz estava no ano passado
Para efeito de comparação, Alcaraz era apenas o número 97 do mundo quando disputou a edição passada de Roland Garros. O espanhol fez boa campanha, tendo superado Lukas Lacko, Andrea Pellegrino e Alejandro Tabilo em sets diretos durante o quali, e depois ainda passou por Bernabe Zapata Miralles e pelo então 31º do ranking Nikoloz Basilashvili na chave principal, antes de cair diante do alemão Jan-Lennard Struff na terceira rodada em Paris. Semanas antes, ele havia disputado uma semifinal de ATP em Marbella e vencido um challenger em Oeiras. Além de ter duelo com o ídolo Nadal no Masters de Madri, no dia de seu 18º aniversário.

Chave dura para o espanhol em Paris
Caso passe pela estreia contra Londero, que entrou na chave como lucky-loser, Alcaraz pode ter um duelo espanhol contra Albert Ramos, canhoto de 34 anos e 42º do ranking, ou encarar o australiano Thanasi Kokkinakis, 85º colocado. Ele venceu nas duas vezes que enfrentou Ramos, enquanto Kokkinakis é um rival inédito em sua carreira. Existe a possibilidade de um reencontro com Korda, seu único algoz em toda a temporada de saibro, já na terceira rodada. E nas oitavas, o jovem espanhol pode enfrentar o britânico Cameron Norrie, que neste sábado venceu o ATP de Lyon. Mas Alcaraz já o derrotou duas vezes no ano. Há ainda a chance de encontrar nomes como Dominic Thiem ou Karen Khachanov.

O quadrante e o lado de Alcaraz na chave estão muito fortes. Caso alcance as quartas de final de um Grand Slam pela segunda vez na carreira, repetindo a façanha do último US Open, o espanhol pode reencontrar Alexander Zverev. E o semifinalista provavelmente enfrentará uma lenda do tênis, já que o treze vezes campeão Rafael Nadal e o número 1 do mundo e bicampeão Novak Djokovic estão no outro quadrante deste lado da chave.

Para tentar fazer sua melhor campanha em um Grand Slam na carreira, Alcaraz terá que fazer algo que se acostumou a fazer nos últimos meses, brilhar nos grandes palcos, contra grandes jogadores. Oito das onze vitórias do espanhol contra jogadores do top 10 foram conquistadas neste ano. Além da trinca sobre Zverev, Nadal e Djokovic em Madri, ele já venceu Stefanos Tsitsipas duas vezes no ano, superou Casper Ruud na final do Masters 1000 de Miami, e também já conquistou grandes vitórias sobre Hubert Hurkacz e Matteo Berrettini.

‘Acho que tenho ainda que melhorar em tudo’
Após a recente conquista em Madri, Alcaraz falou sobre sua excelente fase no circuito. “Acho que estou jogando muito bem e os números falam por si só. Acho que estou indo muito bem no saibro agora. Como eu disse em Monte Carlo, você aprende muito com as derrotas e aquele foi um exemplo claro. Perdi na primeira rodada de Monte Carlo, aprendi com aquela derrota e comecei a treinar para Barcelona e Madrid. Considero que estou jogando muito, muito bem, e acho que sou um adversário difícil para os outros jogadores”.

“Acho que tenho ainda que melhorar em tudo, e sempre digo isso. Você nunca atinge um limite. Veja Rafa, Djokovic, Federer… Todos eles melhoram e têm coisas a melhorar. Por isso são tão bons. Não é porque eu ganhei em Barcelona e venci o Djokovic e o Rafa em Madri, não que me considero o melhor jogador do mundo. Hoje sou o número 6, então ainda tenho cinco jogadores pela frente para ser o melhor”.

Campeã juvenil de RG fura o quali e disputa 1º Slam
Por Mario Sérgio Cruz
maio 19, 2022 às 7:24 pm

Noskova é a jogadora mais jovem a furar o quali de Paris desde 2009 (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Uma temporada depois de conquistar o torneio juvenil de Roland Garros, a tcheca de 17 anos Linda Noskova disputará seu primeiro Grand Slam como profissional, novamente em Paris. A atual 185ª do ranking da WTA conseguiu passar pelas três rodadas do qualificatório e garantir vaga na chave principal.

Depois de ter passado pela russa Anna Blinkova, 120ª do mundo e pela experiente suíça de 31 anos Conny Perrin nas fases iniciais do quali, Noskova superou nesta quinta-feira a tcheca Rebecca Sramkova, de 25 anos e 179ª colocada, por 6/3 e 6/2. Ela agora espera o término do quali, nesta sexta-feira, para saber quem será sua primeira adversária na chave principal.

“É muito bom, eu não esperava. Não vim aqui com muita prática ou muitas partidas, então não estava muito preparada”, afirmou Noskova. “Lembro-me de ter perdido há quatro ou cinco anos na primeira rodada do quali do torneio juvenil. Disse a mim mesma que teria que jogar aqui um dia. Tenho ótimas lembranças do circuito juvenil, dos momentos com a torcida. Adoro o ambiente daqui”.

Noskova, que terá 17 anos e 186 dias no primeiro dia da chave principal, é a jogadora tcheca mais jovem a competir em um Grand Slam desde Nicole Vaidisova (17 anos e 127 dias) no US Open de 2006. Ela também é a tenista mais jovem a furar o quali de Roland Garros desde Michelle Larcher de Brito (16 anos e 128 dias) em 2009.

Niemeier é mais uma jovem a garantir vaga, Vekic também fura quali
A jovem alemã de 22 anos Jule Niemeier, 103ª do ranking, também furou o quali de Paris e disputará o primeiro Grand Slam de sua carreira profissional. Cabeça 2 do quali, ela venceu nesta quinta-feira a japonesa Moyuka Uchijima por 6/0 e 6/1. Ano passado, Niemeier não jogou o quali em Paris porque fez uma ótima campanha até a semifinal do WTA de Estrasburgo. Já nesta semana em Roland Garros, venceu seus três jogos sem perder sets, tendo passado pela romena Alexandra Cadantu e pela francesa Jessika Ponchet.

A ex-top 20 Donna Vekic, atual 101ª do ranking aos 25 anos, também furou o quali em Paris. Ela venceu nesta quinta-feira a russa Anastasia Gasanova por 4/6, 6/2 e 6/2. Vekic tem nove participações em Roland Garros, tendo chegado às oitavas em 2019. Já a alemã Laura Siegemund perdeu na fase final do quali. A veterana de 34 anos e ex-top 30 perdeu para a espanhola Cristina Bucsa por 4/6, 6/3 e 6/1.

Em duas semanas, Boscardin salta 180 posições
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2022 às 10:14 pm

Boscardin fez suas duas melhores campanhas em challenger nas últimas semanas e ganhou 180 posições no ranking (Foto: Luiz Candido/CBT)

Os resultados positivos nas duas últimas semanas tiveram impacto direto no ranking para Pedro Boscardin. Ele venceu sete dos últimos nove jogos que disputou. E depois de chegar às quartas de final em Salvador e de alcançar a primeira final de challenger da carreira em Coquimbo, no Chile, o jovem jogador de 19 anos ultrapassou 180 jogadores no ranking.

Antes do torneio de Salvador, Boscardin era apenas o 526º do ranking. Ele recebeu 20 pontos pela campanha do quali até as quartas de final e saltou para o 452º lugar. Na sequência, venceu mais quatro jogos em Coquimbo e recebeu mais 50 pontos, que o levaram à 346ª posição, a melhor marca da carreira. Nono melhor brasileiro no ranking da ATP, o catarinense é mais jovem que todos os demais atletas nacionais que estão à frente dele.

“Foi uma semana muito boa de evolução e aprendizado. Já venho trabalhando há bastante tempo. Alguns jogos vinham escapando nas outras semanas, mas desde semana passada reencontramos o caminho das vitórias, venho jogando muito bem”, disse Boscardin, avaliando a semana no torneio chileno. Ele se tornou o primeiro sul-americano nascido em 2003 a jogar uma final de challenger e o quarto no mundo junto com Carlos Alcaraz, Holger Rune e Luca Nardi.

“Semana passada fiz quartas, com muita chance de ir à semi, mas essa semana veio uma consolidação. Fico feliz com a melhora no ranking, podendo entrar mais nos challengers e não ficar na dúvida se entrou ou não”, acrescentou o catarinense destacando o aumento no número de torneios na América do Sul. “Esse circuito na América do Sul é muito importante, ainda mais para mim que estou começando a jogar como profissional, saindo do juvenil. Então, isso está me ajudando bastante a fazer os pontos nessa fase de transição. Então, está sendo uma salvação para todos nós”.

Ex-top 10 do ranking juvenil, Boscardin conquistou seu primeiro título profissional no ano passado, quando venceu um ITF M25 em Rio do Sul, Santa Catarina. Já em fevereiro deste ano, ganhou um ITF M15 nos Estados Unidos, em Naples, na Flórida. Convidado para jogar no Chile, Boscardin passou por dois brasileiros nas primeiras rodadas, o carioca Wilson Leite e o paulista Gustavo Heide. Ele também passou pelo peruano Arklon Huertas nas quartas e pelo argentino Juan Bautista Torres na semifinal. Já na final do último sábado, ele foi superado pelo argentino Facundo Diaz Acosta por 7/5 e 7/6 (7-4) em 1h53 de partida. “A final foi bem dura. O Facundo jogou muito bem, e eu também estava confiante”, avaliou.

Com o salto no ranking, Boscardin retorna ao Brasil e avalia o calendário para as próximas semanas. De acordo com a equipe do tenista, ele seguirá para torneios na Europa no fim do mês. “Agora é seguir firme, levar todas as coisas boas, as principais, energia positiva, a confiança. É descansar duas semanas agora e voltar para os campeonatos”.

Baez e Rune traçam caminhos distintos até títulos inéditos
Por Mario Sérgio Cruz
maio 2, 2022 às 12:40 am

Baez escalou o ranking jogando challengers no saibro e confirmou a evolução quando começou a entrar em torneios maiores (Foto: Millennium Estoril Open)

Vencedores dos torneios ATP 250 disputados na última semana, em quadras de saibro na Europa, Sebastian Baez e Holger Rune acumulam algumas coincidências. Ambos ex-líderes do ranking mundial juvenil, o argentino e o dinamarquês chegaram às suas primeiras conquistas na elite do circuito no mesmo dia. Eles estarão bem próximos no ranking da ATP, Baez será 40º do mundo e Rune no 45º lugar e têm estatísticas parecidas no tênis profissional. Mas trilharam caminhos distintos até os troféus deste domingo e que acentuam a diferença entre ser um jovem promissor europeu ou sul-americano.

Baez, de 21 anos, conquistou o ATP 250 do Estoril em Portugal depois de vencer a final contra o norte-americano Frances Tiafoe por 6/3 e 6/2. O título consolida a evolução consistente que o jovem jogador argentino trilhou nas quadras de saibro nos últimos anos. Novo integrante do top 40, Baez tem 18 vitórias em nível ATP, sendo 13 no saibro. O argentino tem ainda seis títulos de challenger, com 49 vitórias neste nível e venceu cinco torneios no circuito da ITF.

Baez escalou o ranking jogando challengers no saibro
No início de 2021, Baez aparecia apenas no 309º lugar do ranking da ATP. Ele organizou seu calendário priorizando challengers no saibro, atuando neste nível e neste piso durante praticamente um ano inteiro. A estratégia deu resultado. O argentino venceu seis torneios (dois em Santiago, um em Concepcion, além de Buenos Aires, Campinas e Zagreb), ficou com mais três vices, e terminou o ano no top 100, ocupando o 97º lugar.

Havia dúvidas sobre como ele reagiria em dois novos cenários: Atuar no piso duro e enfrentar adversários de primeira linha. As primeiras impressões de Baez nas quadras sintéticas foram positivas, durante o Next Gen ATP Finals em Milão, no fim do ano passado. A evolução continuou neste ano, com boas campanhas na gira australiana. E a consolidação de Baez como um candidato a ir longe nos torneios veio em seu piso favorito: Oitavas no Rio Open, vindo do quali, quartas em Córdoba, final em Santiago e agora o título no Estoril.

“Estou apenas entrando no circuito. Jogar com rivais que via pela TV é raro, mas eu me apoiei no meu time e tentei dar o meu melhor”, disse Baez após a conquista em Portugal. “Quero curtir e continuar trabalhando para alcançar o máximo que posso. Tenho que continuar sonhando e continuar ao lado das pessoas que mais amo. É o que me impulsiona a seguir em frente”.

Na transição saindo do tênis juvenil, recebeu oito convites, sendo o primeiro de nível ATP apenas neste ano em Buenos Aires. Seus quatro primeiros convites como tenista profissional foram para qualis de future na Argentina em 2016. Só em 2017 e 2019, ele teve oportunidades em challengers em Buenos Aires, sem conseguir avançar uma rodada sequer. E apenas na atual temporada, já aos 21 anos recebeu um convite para uma chave de ATP, também na capital argentina.

Convites ajudaram Rune a ganhar experiência no alto nível

Rune recebeu convites e conviveu com a elite do circuito desde muito novo (Foto: BMW Open)


O processo de formação de Holger Rune foi diferente. Campeão juvenil de Roland Garros em 2019 e líder do ranking mundial da categoria no mesmo ano, o dinamarquês já havia tido a oportunidade de treinar com Patrick Mouratoglou e recebeu uma série de convites em torneios de primeira linha.

Nos primeiros dois meses após o título de Roland Garros como juvenil, Rune foi convidado para quatro challengers, em Blois, Amersfoort, Manerbio e Istambul. Antes disso, só havia disputado uma partida como profissional, na Copa Davis de 2018. O dinamarquês aproveitou algumas dessas chances, avançou rodadas em dois desses quatro torneios e somou seus primeiros pontos.

A primeira oportunidade em um torneio da ATP veio ainda aos 16 anos, com ele ocupando apenas o 1.019º lugar no ranking profissional, mas recebendo um convite para o quali de Auckland em 2020. Durante a paralisação do circuito na fase mais restritiva da pandemia, também participou de exibições pela Europa com jogadores mais experimentados na elite do circuito.

Quando o circuito foi retomado no segundo semestre de 2020, Rune jogou torneios menores, mas com a experiência de quem já enfrentou adversários muito mais fortes. Venceu três eventos da ITF e escalou o ranking até o 474º lugar. Já no ano de 2021, o dinamarquês ganhou mais um ITF e venceu seus quatro primeiros challengers na Itália, em Biella, San Marino, Verona e Bérgmo. Mas chama atenção também a quantidade de convites para torneios da ATP.

Rune foi indicado por organizadores dos torneios de Buenos Aires, Santiago, Marbella, Monte Carlo, Barcelona, Bastad, Umag e Indian Wells. O dinamarquês soube aproveitar suas oportunidades, treinou e jogou com os melhores desde cedo. Experimentou a rotina da elite do circuito e lapidou seu jogo em torneios grandes. Quando havia necessidade de buscar pontos em competições menores, conseguia se impor. Ao todo, já tem 19 convites na carreira.

Nesta semana em Munique, venceu a primeira contra top 10, superando o número 3 do mundo Alexander Zverev nas oitavas. Ele não se deixou abalar pela vitória expressiva e jogou como favorito contra Emil Ruusuvuori nas quartas e Oscar Otte na semi. A final contra Botic van de Zandschulp foi abreviada. O holandês sentiu dores no peito e dificuldades para respirar, e com isso a partida só durou sete games.

“Essa é provavelmente a pior maneira de vencer uma final. Eu esperava um jogo duro e ele vinha muito forte no torneio, mas aconteceu alguma coisa com ele. Desejo tudo de bom na recuperação e espero vê-lo em quadra em breve”, disse Rune, que não perdeu sets no torneio. “Mas se eu pensar na semana que eu tive, estou super feliz, joguei um tênis incrível e consegui o meu primeiro título aqui em Munique diante de um estádio lotado. Eu não poderia querer mais do que isso”.

Rune está com 19 anos e tem agora 20 vitórias no circuito da ATP, sendo 11 no saibro e nove no piso duro. O dinamarquês já venceu cinco torneios de nível challenger, um deles este ano, com 46 vitórias na carreira. Já nos eventos da ITF, acumula quatro títulos. Ele é o novo 45º do mundo com a atualização do ranking.

 

Tênis e WTA ganham muito com a rivalidade entre Iga e Emma
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2022 às 12:45 am

Swiatek e Raducanu se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira em Stuttgart (Foto: Jimmie48/WTA)

O confronto entre Iga Swiatek e Emma Raducanu foi o destaque na rodada das quartas de final do WTA 500 de Stuttgart. Ambas muito jovens e já campeãs de Grand Slam, elas se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira. Líder do ranking mundial e vivendo a melhor fase da carreira, Swiatek confirmou o favoritismo e venceu por duplo 6/4, marcando sua 21ª vitória consecutiva no circuito.

Já Raducanu, que fez seu melhor torneio na temporada, também deixou boas impressões e vai aos poucos reencontrando seu alto nível de tênis. E isso é uma ótima notícia, pensando em cada vez mais confrontos entre elas no futuro e em uma sadia rivalidade que pode ser muito benéfica para o circuito feminino e para o tênis de um modo geral.

Como foi a partida desta sexta-feira
Em quadra, o duelo entre Swiatek e Raducanu já começou com uma quebra a favor da polonesa logo no game de abertura. Ela usou devoluções no corpo e jogou próxima da linha de base, mandando nos pontos, até que a britânica cometesse seus primeiros erros. Depois disso, Raducanu passou a confirmar os games de serviço sem tantos riscos, em geral apostando em saques abertos, mas ficou atrás no placar o tempo todo, já que Swiatek só perdeu três pontos no saque em todo o set.

Aos poucos, Swiatek pegou o tempo das devoluções também para os saques abertos de Raducanu e passou a atacar as paralelas com o forehand. Já havia forçado um game mais longo no fim do primeiro set e conseguiu uma quebra no início do segundo. A britânica devolveu a quebra, mas voltaria a perder o saque na sequência. Raducanu pediu tempo médico de três minutos fora da quadra por um desconforto no quadril. A britânica chegou a ter um break-point no oitavo game, mas não conseguiu buscar o empate. A número 1 do mundo ainda escapou de um 15-40 quando sacava para o jogo, mas definiu a partida em seu serviço.

Tênis quer renovar sua audiência
Swiatek, de 20 anos, e Raducanu, de 19, têm grande potencial para atrair espectadores mais jovens para o tênis. Renovar a audiência do esporte é uma preocupação de dirigentes, tanto que uma série da Netflix com os bastidores do circuito mundial está sendo produzida nos mesmos moldes da premiada produção Drive to Survive, responsável por atrair o interesse de um público mais jovem para as corridas de Fórmula 1, além de fazer com que os fãs conhecessem mais e se interessassem por diferentes pilotos do grid.

Em uma era com um volume enorme de informação circulando, escolher um atleta para torcer pode levar em consideração variáveis que vão além dos resultados e estilos de jogo. Cada vez mais as pessoas vão ter como se identificar com um ídolo por sua personalidade, atitudes, estilos de vida e causas que defende. Uma relação ídolo e fã que tende a ficar cada vez mais forte.

Há ainda clara identificação pela idade que pode fazer os mais jovens torcerem por elas, e que acontece em diferentes gerações do esporte, além do fato de que alguns nomes que fizeram sucesso no passado recente estarem na reta final da carreira, fazendo com que os fãs mais antigos comecem a procurar novos nomes para torcer e continuar se emocionando com o tênis. São dois processos naturais e que muitos fãs de tênis já passaram por isso.

Personalidades parecidas, caminhos distintos
Pensando nas personalidades das duas jogadoras, há alguns traços em comum. Raducanu sempre se dedicou muito aos estudos e falava sobre a busca pelas notas mais altas no colégio durante sua campanha de destaque até as oitavas de final de Wimbledon no ano passado. Com pai romeno e mãe chinesa, aprender as duas línguas, mas sobre a cultura desses dois países. Quando disputou um WTA 250 na Romênia no fim do ano passado, já como campeã de Grand Slam, foi tratada como jogadora local pelos fãs e organizadores do evento.

Swiatek é uma devoradora de livros, fã de clássicos da literatura, mas também do Rock N’ Roll dos anos 80. A polonesa, que tem um trabalho de longo prazo com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, também levanta a bandeira da saúde mental no esporte e na vida, já arrecadou dinheiro para organizações que tratam do assunto e fala abertamente sobre o tema sempre que é perguntada. Já na atual temporada, após o início da guerra na Ucrânia, solidarizou-se de forma pública com as vítimas da guerra no país vizinho ao seu. Sinais de empatia e maturidade.

As trajetórias no esporte, entretanto, são distintas. Swiatek já se destacava nas competições juvenis há , primeiro com o título da Polônia na Fed Cup Júnior em 2016 e também com a conquista do torneio juvenil de Wimbledon em 2018. Naquele mesmo ano, terminaria a temporada no 174º lugar do ranking profissional, mas já entraria no top 50 na temporada seguinte. Seu grande salto, entretanto, foi com o título de Roland Garros em 2020, que a colocou na disputa pelas primeiras posições do ranking.

Já Raducanu era apenas a 150ª do mundo quando foi campeã do US Open e disputava só o Grand Slam da carreira. Até por isso, sabe que a polonesa tem muito mais experiência no alto nível, apesar da pouca diferença de idade. “Iga já joga tênis em tempo integral há anos”, disse a britânica ao site da WTA. “Ela estava no ITF Tour e estava no WTA Tour. Eu fiquei sem jogar durante 18 meses, enquanto estava estudando para os meus exames e não joguei tantos torneios. Eu estava treinando três vezes uma semana por 10 horas por semana no ano passado. Então é só agora que estou construindo robustez e jogando partidas semana após semana. Você não pode comparar as jornadas porque tivemos caminhos diferentes. Desde que ela venceu o Slam, ela se saiu muito bem e permaneceu consistente. Não tenho certeza de quando isso acontecerá para mim, mas tenho certeza que vou chegar lá.”

Interesse de grandes marcas e mais compromissos


As duas jogadoras também atraem o interesse de marcas importantes, inclusive no segmento de luxo, e que investem em peso no tênis. Raducanu é embaixadora de grifes como a DiorTiffany & Co. e recentemente também fechou parceria com a montadora Porsche, principal patrocinadora do torneio de Stuttgart e uma das maiores parceiras da WTA. Swiatek conta com apoio da Rolex e também da Red Bull, além de levar no uniforme a marca de seguradora polonesa PZU.

Com o interesse de tantas empresas de grande porte, há também a necessidade de administrar bem os compromissos extra-quadra. Swiatek abordou o assunto em recente entrevista ao site da WTA no fim do ano passado. “Estou conversando com a equipe que gerencia a minha carreira para que eu possa descansar mais quando estou em casa. Então, talvez no próximo ano eu consiga marcar todas as sessões de fotos e eventos com patrocinadores em blocos. Este ano, eu não pude fazer isso porque tudo era novo para nós e as parcerias são muito recentes. Então, agora, nos conhecemos melhor e acho que será mais fácil fazer isso”.

Com a chegada ao topo do ranking, a nova número 1 sabe que a preparação é cada vez mais importante. “No começo quando eu queria trabalhar com um psicólogo pensando nas coisas que estão acontecendo na quadra. Mas depois eu percebi que tudo que está acontecendo na minha vida realmente influencia no meu desempenho. Também achei muito bom trabalhar com a Daria. Eu me sinto muito confortável e que realmente posso confiar nela. Então, percebi que se eu também posso ter mais confiança fora da quadra, tenho uma saúde mental melhor e me se sinto mais calma na vida e satisfeita. Então, agora estamos trabalhando em tudo”.

Osaka e Andreescu também são ótimas opções
Outras duas campeãs de Grand Slam têm grande potencial para atrair o interesse de uma nova geração de fãs e construir rivalidades que vão trazer ainda mais olhares para o tênis. Naomi Osaka é um pouco mais velha, com 24 anos, mas tem quatro títulos de Slam no circuito e liderou o ranking, além de ser voz atuante nas lutas contra o racismo e a violência policial, e também pela causa da saúde mental no esporte. A japonesa é hoje a atleta mais bem paga do mundo, também com apoio de várias marcas de peso.

Bianca Andreescu, de 21 anos e vencedora do US Open em 2021, passou um ano sem jogar por conta de uma grave lesão no joelho e se afastou das competições por mais sete meses para cuidar da mente. A canadense reconhece que pensou em largar o tênis, mas decidiu voltar e carregar a missão de utilizar o tênis para ajudar a construir um mundo melhor.

A renovação do tênis feminino está em ótimas mãos, com jogadoras campeãs em quadra e que se expressam muito bem fora dela. Resta torcer para que esses confrontos se repitam cada vez mais e para que dirigentes e promotores do esporte saibam utilizar as personagens para ações positivas, sem sobrecarregá-las.