Inspirada em Carla Suárez, espanhola conquista o juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
julho 11, 2021 às 10:59 pm

Ane Mintegi Del Olmo, de 17 anos, é a primeira espanhola a vencer o título juvenil de Wimbledon (Foto: ITF)

Pela primeira vez na história uma espanhola conquistou o título do torneio juvenil de Wimbledon. A autora da façanha é Ane Mintegi Del Olmo, jogadora de 17 anos e 27ª no ranking da categoria. Ela venceu na final a alemã Nastasja Schunk por 2/6, 6/4 e 6/1 em 2h03 de partida neste domingo. Formada no saibro, Del Olmo não esconde que a grama não é seu melhor piso, e que ela precisava se adaptar. E sua principal fonte de inspiração é a ex-top 10 Carla Suarez Navarro, que está de volta ao circuito depois de passar por um longo tratamento contra o câncer.

“Todos os espanhóis são minha inspiração, mas especialmente a Carla Suarez. O fato de ela ter superado um período muito difícil e agora estar de volta à quadra é realmente inspirador”, disse Del Olmo, em entrevista a site da ITF. Ela valoriza muito a recuperação e o retorno de Suarez, que está com 33 anos e fazendo uma temporada de despedida do circuito, celebrando também uma enorme vitória pessoal.

Antes da ótima campanha de Del Olmo, a última finalista espanhola no juvenil de Wimbledon havia sido Magui Serna em 1996. Já as únicas jogadoras do país a vencer títulos de Grand Slam na categoria haviam sido em Roland Garros, com Lourdes Dominguez Lino em 1999 e Paula Badosa em 2015. “É muito especial ser a primeira jogadora da Espanha a ganhar o título aqui em Wimbledon. Estou tão orgulhosa e é incrível”.

‘A grama não é minha maior superfície’, reconhece a espanhola
“A grama não é minha melhor superfície, mas adaptei meu jogo. Sou uma jogadora de saibro, mas aos poucos fui conseguindo ganhar mais ritmo nas superfícies rápidas. Na grama, é muito difícil adaptar meu jogo, mas esta semana eu estava competindo em um bom nível e jogando muito mais agressivamente do que o normal”, explica a espanhola, que fez um jogo típico de fundo de quadra na final contra Schunk, disputada neste domingo em Londres.

https://twitter.com/Wimbledon/status/1414253786697289732

O primeiro set da final teve as duas jogadoras fazendo um jogo típico de fundo de quadra, quase sempre usando topspin. Schunk eventualmente conseguia bater mais reto e gerar potência e isso rendeu pontos importantes, especialmente no momento de sacar para fechar, com um game de oito minutos de duração. Após um início de segundo set com altos e baixos, Del Olmo conseguiu duas quebras e conseguiu forçar o terceiro set. Já na parcial decisiva, a espanhola sofreu para confirmar o saque no início, mas depois conseguiu duas novas quebras. Liderando por 5/1, veio o drama e foram necessários cinco match-points para chegar à vitória.

“No primeiro set fiquei um pouco nervosa, mas aos poucos, quando terminei o primeiro set e os nervos se acalmaram, comecei a jogar melhor. Além disso, Nastasja jogou muito bem. Ela foi incrível no primeiro set”, disse a espanhola. “Eu melhorei e joguei muito bem no terceiro. Precisava ter uma boa mentalidade hoje e essa foi a maior coisa que tive em quadra hoje. Eu permaneci focada em cada ponto e não deixei minha concentração cair”.

Del Olmo fez uma campanha expressiva em Londres, eliminando favoritas como a filipina Alexandra Eala e a tcheca Linda Fruhvirtova. A espanhola tem pouca experiência no tênis profissional, ocupando o 715º lugar do ranking e sem ter conquistado títulos. Recentemente, jogou o qualificatório do WTA 1000 de Madri e conseguiu fazer um bom jogo contra a ex-top 10 Kristina Mladenovic na fase final do quali.

Vice-campeã destaca a boa campanha
Schunk, que este ano furou o quali do WTA 500 de Stuttgart e fez um bom jogo contra Belinda Bencic, avaliou sua participação no torneio de forma positiva. “Mesmo que esteja difícil agora, eu sei que mais tarde ou amanhã ficarei muito feliz e orgulhosa de mim mesma. Fiz boas partidas nesta semana. A experiência foi sido ótima e nunca tinha vivido nada assim antes. Tudo aqui é tão legal e essa semana vai me ajudar no futuro”, avaliou a alemã.

“Hoje não foi minha melhor partida. O primeiro set foi muito bom, mas então eu comecei a me sentir um pouco cansada e não estava mais me movendo tão bem. Ane então começou a jogar melhor porque ela não estava mais tão nervosa, mas também porque eu não era tão agressiva quanto antes. Ela então foi muito boa no terceiro set e foi difícil para mim. Mas, como eu disse, estou orgulhosa de mim mesmo”.

Favoritas são campeãs nas duplas

https://twitter.com/WimbledonChnl/status/1414184780594388992

O título de duplas ficou com a bielorrussa Kristina Dmitruk e a russa Diana Shnaider, principais cabeças de chave do evento, que venceram a final contra a belga Sofia Costoulas e a finlandesa Laura Hietaranta por 6/1 e 6/2.

Filho de indianos, campeão juvenil mira tênis universitário
Por Mario Sérgio Cruz
julho 11, 2021 às 6:39 pm

Samir Banerjee está em seu último ano no circuito juvenil e pretende seguir o caminho do tênis universitário (Foto: AELTC)

Em uma final entre dois tenistas norte-americanos de 17 anos, Samir Banerjee levou a melhor sobre Victor Lilov e conquistou o título do torneio juvenil de Wimbledon. O atual 19º colocado no ranking da categoria marcou as parciais de 7/5 e 6/3. Nascido em Nova Jersey e filho de imigrantes indianos, o pai de Assam e a mãe de Hyderabad, Banerjee está em sua última temporada no circuito juvenil e deve agora rumar para o tênis universitário norte-americano, antes de atuar pelo circuito profissional. Ele já tem planos de estudar na Universidade de Columbia.

“Meus pais queriam que eu fosse para a faculdade e não apenas para o circuito profissional. Além disso, acho que seria uma boa coisa para construir o caráter, já que não tenho certeza se estou totalmente pronto para me tornar um tenista profissional ainda. A partir de agora, provavelmente vou direto para a faculdade”, disse Banerjee, que ainda irá se testar em alguns eventos profissionais de nível future antes de decidir sobre seus próximos passos.

“Enquanto eu crescia, a faculdade sempre foi uma meta e eu usei o tênis para entrar na faculdade. Eu realmente não esperava chegar à final de Wimbledon. Eu realmente só queria ganhar uma rodada, não esperava por isso. Tive um Roland Garros difícil e perdi para um bom jogador, então aqui eu só queria manter minhas expectativas baixas para que, se eu passasse, já ficaria feliz. Mas isso foi muito além dos meus sonhos”, acrescenta o norte-americano, que vinha de uma eliminação na estreia em Roland Garros.

https://twitter.com/Wimbledon/status/1414215911041605639

“Este troféu vai ser a minha peça central, vou olhar para ele e ficar inspirado para continuar jogando e espero voltar aqui como um profissional. Este foi um passo realmente grande e me mostrou que posso competir e vencer neste nível”, complementou. “Estou muito feliz com meu compromisso com Columbia. Acredito muito nos treinadores de lá e será um ótimo ponto de partida. Eu queria jogar no nível mais alto que pudesse e, depois da faculdade, talvez tentar me tornar um profissional”.

Banerjee não pôde ter a companhia seu treinador, Carlos Esteban, cuja esposa testou positivo para Covid-19 antes da viagem. Em vez disso, viajou junto com seu tio Kanad, e brincou com a situação. “Meu tio está aqui, ele não é tecnicamente um treinador de tênis, mas se esses resultados continuarem acontecendo, devo começar a viajar mais com ele”.

Durante a campanha na grama de Wimbledon, Banerjee foi o algoz do brasileiro Pedro Boscardin nas oitavas de final. Eles já haviam se enfrentado na semana anterior, também na grama, pelo ITF J1 de Roehampton, e Boscardin havia levado a mehor. O título vale mil pontos no ranking mundial juvenil para o tenista que tem apenas 60 a descontar. Ele deve figurar entre os três melhores do mundo na categoria. Já no tênis profissional, disputou apenas um ITF na carreira, ainda em 2019.

Tenista da Jordânia faz história em Wimbledon

Abedallah Shelbayh é o primeiro tenista da Jordânia a vencer um jogo de Grand Slam. Ele treina na academia de Rafael Nadal (Foto: ITF)

O título de duplas ficou com o lituano Edas Butvilas e o espanhol Alejandro Manzanera Pertusa, que venceram a final contra o também espanhol Daniel Rincon e o jordaniano Abedallah Shelbayh por 6/3 e 6/4. Vale destacar que Shelbayh é o primeiro tenista da Jordânia a vencer um jogo de Grand Slam, considerando tanto os juvenis como os profissionais. Isso aconteceu quando ele derrotou o sueco Mans Dahlberg na primeira rodada, por 6/4 e 6/3.

“Jogar um Grand Slam Junior era um sonho e ganhar uma partida, mais ainda. Trabalhei muito para isso. Essa vitória vai me dar confiança e espero que eu possa continuar em frente. Ser o primeiro a jogar um Grand Slam, profissional ou juvenil, e vencer uma partida aqui em Wimbledon, que é o meu Grand Slam favorito, é incrível”, disse Shelbayh, em entrevista ao site da ITF.

O jordaniano treina desde 2018 na academia de Rafael Nadal, em Manacor, e conversou com o vencedor de 20 títulos de Grand Slam antes do torneio. “Antes de nós da sairmos da academia e viajarmos para cá, o Nadal veio falar conosco. Ele sempre nos apoia. Não era uma tática propriamente dita, mas ele estava nos dando conselhos sobre o que fazer. Ele é muito experiente e já esteve aqui e jogou estes torneios várias vezes. Ele tem experiência suficiente para nos dizer como lidar com a pressão e nos deu algumas dicas que foram ótimas”.

 

Favoritas caem e juvenil terá surpresas na final
Por Mario Sérgio Cruz
julho 10, 2021 às 11:58 pm

Nastasja Schunk, de 17 anos, pode se tornar a segunda alemã a vencer o juvenil de Wimbledon (Foto: Jimmie48/WTA)

A rodada deste sábado pelo torneio juvenil de Wimbledon foi marcada pela eliminação de duas favoritas nas semifinais femininas. A líder do ranking Victoria Jimenez Kasintseva, de Andorra, e a jovem esperança tcheca de 16 anos Linda Fruhvirtova se despediram do Grand Slam londrino. Com isso, o título será decidido pela alemã Nastasja Schunk e a espanhola Ane Mintegi del Olmo, ambas de 17 anos. O confronto entre elas é inédito no circuito.

Schunk precisou de 2h13 para superar Kasintseva por 6/4, 4/6 e 6/4. Logo em sua primeira participação em um Grand Slam juvenil, a alemã já pode se tornar a segunda jogadora de seu país a vencer Wimbledon, repetindo o feito de Barbara Rittner em 1991. Ela é a atual 55ª colocada no ranking da categoria e já tem experiência no tênis profissional de alto nível, tendo furado o quali do WTA 500 de Stuttgart e feito um bom jogo contra Belinda Bencic em abril.

Mintegi del Olmo foi a algoz de Fruhvirtova com parciais de 6/3 e 7/5 em apenas 1h36. A espanhola, 27ª do ranking, faz uma campanha bastante expressiva, já que também derrotou a cabeça 2 e promessa filipina Alexandra Eala em Wimbledon. Se vencer mais uma, será a primeira juvenil do país a vencer no All England Club e seria a terceira espanhola a vencer um Grand Slam juvenil.

Final norte-americana no masculino
A final masculina no torneio juvenil de Wimbledon será entre dois norte-americanos, Victor Lilov e c, ambos de 17 anos. Banerjee, 19º do ranking, venceu o francês Sascha Gueymard Wayenburg por 7/6 (7-3), 4/6 e 6/2. Já Lilov, 31º colocado, eliminou o chinês Juncheng Shang, cabeça 1 do torneio e número 2 do ranking, por 6/3 e 6/1.

Esta será a primeira final de Grand Slam juvenil entre dois norte-americanos desde que Tommy Paul derrotou Taylor Fritz no saibro de Roland Garros há seis anos. Em Wimbledon, isso já havia acontecido nos anos de 1977 e 2012. O campeão será o 12º tenista dos Estados Unidos a vencer a competição, sendo que o último havia sido Reilly Opelka em 2015.

Esperança tcheca é destaque na semi do juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
julho 10, 2021 às 1:04 am

Linda Fruhvirtova, de 16 anos, já tem vitórias na WTA e é considerada uma grande esperança tcheca

Em uma temporada já com vitórias na elite do circuito profissional, a jovem esperança tcheca Linda Fruhvirtova vai fazendo uma campanha impecável na grama e está na semifinal do torneio juvenil de Wimbledon. Depois de ter vencido o ITF preparatório em Roehampton na última semana, Fruhvirtova marcou sua décima vitória seguida na grama ao superar nesta sexta-feira a alemã Mara Guth por 6/3 e 6/2.

Fruhvirtova é a atual número 13 do ranking mundial juvenil e, apesar de ter completado 16 anos em maio, já iniciou a transição de sua carreira. Em abril, aproveitou o convite para o WTA 250 de Charleston, venceu dois jogos e chegou às quartas. Além disso tem dois títulos profissionais na ITF.

“Se você vence em Roehampton, você ganha confiança jogando na grama, além de uma boa sensação de que tem uma boa chance de sucesso aqui”, disse Fruhvirtova, em entrevista ao site da Federação Internacional. “Com certeza, Wimbledon é um torneio especial e único. Disse o mesmo há dois anos, quando joguei aqui pela primeira vez. Gosto muito da grama. Vou apenas dar o meu melhor para obter o melhor resultado, e me concentrar em cada jogo para fazer o melhor que puder”.

A adversária de Fruhvirtova na semifinal de Wimbledon será a espanhola de 17 anos Ane Mintegi del Olmo, 27ª do ranking, que derrotou nas quartas a bielorrussa Kristina Dmitruk por 7/6 (7-3) e 6/3. Del Olmo também foi a algoz da promessa filipina de 16 anos Alexandra Eala ainda na segunda rodada do torneio.

Líder do ranking quer o segundo Grand Slam
Do outro lado da chave, a andorrana Victoria Jimenez Kasintseva vai confirmando a condição de cabeça 1 do torneio e líder do ranking mundial da categoria. A canhota de 15 anos e vencedora do Australian Open de 2020 na categoria derrotou a britânica Alicia Dudeney por 3/6, 6/2 e 6/1. Kasintseva enfrenta a alemã de 17 anos Nastasja Schunk, outra que já tem experiência no circuito da WTA, ao ter furado o quali e jogado o WTA 500 de Stuttgart. Schunk superou nas quartas a italiana Matilde Paoletti por 6/3, 4/6 e 6/2.

Favorito britânico não resiste a rodada dupla e cai nas quartas
Apesar de ser o cabeça 7 do torneio juvenil de Wimbledon, o britânico Jack Pinnington Jones chegava com status de favorito à reta final do evento, depois de ter sido campeão em Roehampton e disputado o quali profissional em Londres, onde venceu o brasileiro João Menezes. No juvenil, também eliminou João Loureiro. Mas Pinnington não resistiu a uma rodada dupla nesta sexta-feira. O britânico até venceu o macedônio Kalin Ivanovski por 7/5 e 6/0, mas perdeu para o norte-americano Victor Lilov por 4/6, 6/4 e 6/3.

Lilov é o próximo adversário do chinês Juncheng Shang, cabeça 1 do evento e número 2 do ranking, que venceu nas quartas o suíço Jerome Kym por 3/6, 7/6 (7-2) e 6/4. Mais cedo, o chinês havia vencido o tcheco Matthew William Donald por 7/6 (7-5) e 6/3.

Do outro lado da chave, o norte-americano Samir Banerjee manteve o embalo pela vitória sobre o brasileiro Pedro Boscardin por 6/2 e 6/1 nas oitavas. Ele seguiu a rodada vencendo o croata Mili Poljicak por duplo 6/1. Seu adversário na semi será o francês Sascha Gueymard Wayenburg, que venceu nas quartas o norte-americano Bruno Kuzuhara por 6/7 (5-7), 6/4 e 6/2.

Canadá enfim assiste brilho de Aliassime e Shapovalov em um Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
julho 7, 2021 às 12:56 am

Após eliminar Zverev nas oitavas, Aliassime faz seu melhor resultado em Grand Slam (Foto: AELTC/Florian Eisele)

Acompanhados com bastante atenção desde quando eram muito jovens, os canadenses Denis Shapovalov e Felix Auger-Aliassime enfim colhem os frutos de uma grande campanha em Grand Slam. Ambos estão nas quartas de final em Wimbledon e entram quadra nesta quarta-feira em busca de semifinais inéditas em suas carreiras profissionais. É a primeira vez que o país tem dois jogadores nas quartas de final de um Slam. Eles tentam repetir as recentes finais de Eugenie Bouchard (2014) e Milos Raonic (2016) em Wimbledon e o título de Bianca Andreescu no US Open de 2019.

Mais jovem da dupla canadense, Aliassime vive seu melhor resultado em torneios deste porte aos 20 anos e destaca o apoio recebido de todo o país. “As muitas de mensagens que recebo das pessoas me ajudaram a chegar onde estou hoje. Elas significam muito para mim”, disse Aliassime, depois de garantir seu lugar nas quartas. “Para mim, retribuir isso a eles também é ótimo. É uma sensação muito boa. O país está atrás conosco e a minha cidade [Montréal] está comigo. É muito bom ter tanto apoio. Foi um grande dia para nós canadenses e espero que isso continue”.

O atual 18º do ranking vem de uma expressiva vitória sobre Alexander Zverev, número 6 do mundo, em uma batalha de cinco sets, com parciais de 6/4, 7/6 (8-6), 3/6, 3/6 e 6/4 na última segunda-feira. “Acho que minha celebração depois do jogo foi muito honesta e genuína. É um grande marco para a minha carreira. Você quer jogar bem nos Grand Slam, especialmente aqui sendo meu torneio favorito. E também pela forma como aconteceu, tantos altos e baixos. Estava com quebra atrás nos dois primeiros sets, consegui virar os dois, perdendo os dois sets seguintes, e novamente lutei muito para fechar no quinto. Este jogo realmente teve tudo. E exigiu muito fisicamente e mentalmente. Isso torna a vitória ainda mais doce”.

Fim do fantasma do Australian Open e duelo com Berrettini nas quartas
Aliassime também espantou o fantasma da eliminação nas oitavas de final do Australian Open, em que havia vencido os dois primeiros sets contra o russo Aslan Karatsev e permitiu a virada. “Eu pensei um pouco sobre isso, com certeza. Mas era um jogador diferente e circunstâncias diferentes. Eu me sentia melhor fisicamente hoje do que no Austrália. Naquele dia, eu realmente não consegui me mover muito no final do jogo. Essa foi uma história diferente. Mas é claro que eu não queria deixar isso acontecer comigo duas vezes. Partidas como essa ao longo da minha carreira certamente nem sempre acontecerão do meu jeito, mas estou feliz que eu tenha vencido esta noite.

Ao longo do torneio, Aliassime também já passou pelo brasileiro Thiago Monteiro e pelo sueco Mikael Ymer, além de contar com a desistência do australiano Nick Kyrgios. Seu próximo compromisso será contra um forte candidato a títulos na grama, o italiano Matteo Berrettini, número 9 do mundo e campeão recentemente no ATP 500 de Queen’s. Os dois já se enfrentaram apenas uma vez, na final do ATP 250 de Stuttgart de 2019, também na grama, e o italiano levou a melhor. Fora das quadras, são muito amigos e passam bastante tempo juntos.

“Ele é um dos meus melhores amigos no circuito e uma ótima pessoa. Eu me dou muito bem com ele”, disse Aliassime. “Quero dizer, já que estamos na bolha, às vezes jantamos juntos e assistimos aos jogos juntos. Nossas namoradas são primas. E estou feliz por chamá-lo de bom amigo. Acho que vai ser bom jogar um com o outro. Ambos fizemos um grande torneio até agora”.

“Acho que posso falar por muitos jogadores no circuito que somos capazes de fazer a diferença entre o que acontece dentro e fora dela. Matteo é um bom amigo. Posso conversar e jantar com ele. Mas quando chega o dia da partida, então você se concentra no que tem que fazer. Você tenta jogar o seu melhor tênis e vencer. São duas coisas distintas”, acrescentou o tenista de 20 anos, que pode enfrentar Roger Federer ou Hubert Hurkacz, caso vença mais uma.

Aos 22 anos, Shapovalov destaca maturidade e adaptação à grama

Shapovalov já venceu o bicampeão Murray o top 10 Bautista Agut no caminho para as quartas (Foto: AELTC)

Por sua vez, o número 12 do mundo Denis Shapovalov repete a boa campanha do US Open do ano passado, em que alcançou as quartas, e quer ir além. Aos 22 anos, ele destaca o amadurecimento que teve nas últimas temporadas, especialmente se comparado ao que aconteceu na edição passada de Wimbledon, disputada ainda em 2019, quando o canadense foi eliminado ainda na primeira fase.

“Dois anos é muito tempo, especialmente para jogadores de tênis. Acho que sou uma pessoa diferente e um jogador diferente. Como eu disse antes, eu sabia que seria um longo processo nessa superfície para que eu pudesse realmente desenvolver meu jogo. Obviamente, tive grande sucesso no juvenil, mas o jogo no profissional é completamente diferente”, disse Shapovalov, que venceu o torneio juvenil de Wimbledon em 2016, mas nunca havia passado da segunda rodada entre os profissionais. “Sempre adorei jogar na grama, mas a temporada é tão curta, que você não tem muito tempo para treinar. Então, eu sabia que demoraria alguns anos. Acho que mentalmente, fisicamente, e também no que diz respeito ao tênis, sou uma pessoa diferente do que era há dois anos”.

O adversário de Shapovalov nas quartas será o russo Karen Khachanov, ex-top 10 e atual 29º do ranking. O canadense levou a melhor no único duelo entre eles, válido pela Copa Davis de 2019. “Já faz um tempo que eu não jogo contra ele, e aquela partida era em uma superfície completamente diferente, com quadra dura e altitude. Foi outro jogo e sinto que também somos jogadores diferentes daquela época”, disse o jovem de 22 anos.

“Ele está muito bem no torneio e é um grande jogador, que já provou que é capaz de derrotar os melhores jogadores. Ele é um jogador muito agressivo, que gosta de ditar os pontos com o forehand e tem um ótimo saque. Ele gosta de controlar o jogo. Na verdade, é muito parecido comigo. Somos dois tenistas que batem muito forte na bola e vai ser um jogo bastante agressivo”, explica o canadense, que pode enfrentar Novak Djokovic ou Marton Fucsovics se for semifinalista.

‘Sinto que estou melhorando a cada partida’, diz Shapovalov 

Shapovalov começou o torneio vencendo uma batalha de cinco sets contra o alemão Philipp Kohlschreiber, depois sequer entrou em quadra para enfrentar o espanhol Pablo Andujar, que desistiu por lesão nas costelas. O canadense eliminou o bicampeão e ex-líder do ranking Andy Murray na Quadra Central pela terceira rodada e depois passou pelo número 10 do mundo Roberto Bautista Agut nas oitavas.

“Eu disse a Andy [Murray] na rede que ele é meu herói. Conquistas à parte, é incrível ver o que ele foi capaz de fazer, voltando a jogar depois de uma lesão tão grave. Ele é uma inspiração para muitas pessoas, inclusive para mim“, disse a respeito da vitória contra o britânico por 6/4, 6/2 e 6/2. Já contra o espanhol, outra vitória em três sets, e parciais de 6/1, 6/3 e 7/5. “Joguei um tênis de alto nível. Obviamente, fiquei um pouco nervoso no terceiro set, mas acho que isso é completamente normal e pude lidar muito bem. Fora isso, eu joguei muito, sem cometer erros. Estou super feliz comigo mesmo e com meu jogo. Obviamente, Roberto é um jogador muito difícil de enfrentar. Vencê-lo em sets diretos em um torneio como este só reforça o meu nível desde a partida contra o Andy. Sinto que estou melhorando a cada partida”.

Pai romeno, mãe chinesa e aluna exemplar: Conheça a maior surpresa de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2021 às 6:14 pm

A convidada de 18 anos Emma Raducanu, 338ª do ranking, disputa seu primeiro Grand Slam e já está na terceira rodada (Foto: AELTC)

Principal surpresa na primeira semana de Wimbledon, a convidada de 18 anos Emma Raducanu é também a única britânica a alcançar a terceira rodada nas quadras de grama em Londres. Logo em sua primeira participação na chave principal de um Grand Slam, a atual 338ª do ranking já eliminou a russa vinda do quali Vitalia Diatchenko (150ª) e a tcheca Marketa Vondrousova (42ª), ambas em sets diretos. Fora das quadras, Raducanu concilia sua rotina de treinamentos e viagens com um desempenho escolar de altíssimo nível, já que não aceita menos que uma nota A.

“Fiz meus exames finais de nível A em abril. Na verdade, estava fazendo provas há dois meses. Portanto, estar aqui agora em Wimbledon é inacreditável e surreal”, disse Raducanu, depois da vitória sobre Vondrousova na segunda rodada por 6/2 e 6/4. “Estudei Matemática e Economia na Newstead Wood. Essa escola foi muito flexível, eles me deixaram viajar ou treinar sempre que eu precisava. Estou com eles há sete anos e sei que é um pouco triste sair, mas estou pronta para o próximo capítulo”.

“Estou tentando seguir uma carreira no tênis. Mas acho que ficar na escola me ajudou muito em termos de ter outro grupo de amigos. É um modo de vida completamente diferente e também uma espécie de fuga também para mim. Ter outra coisa para fazer junto com o tênis manteve minha mente ocupada”, explica a jovem jogadora de 18 anos. “Quando você apenas treina por uma certa quantidade de horas por dia, ainda tem muito tempo para preencher. E isso também me ajudou com minha carreira na quadra, porque eu posso absorver muitas informações. Acho que em quadra sou mais astuta taticamente do que algumas outras jogadoras”.

Raducanu garante que a cobrança por boas notas sempre veio de si própria, e não da família, e que isso até a ajuda a jogar melhor. “Meus pais devem pensar que sou louca. Eu não aceito nada menos do que uma nota A. Acho que é isso que as pessoas ao meu redor pensam de mim (risos). Eu também sinto que tenho que viver de acordo com essa expectativa. É por isso que também me esforço muito para tentar obter essas notas. Não tenho certeza sobre quais serão os resultados, mas posso dizer que fiz a minha parte e fiz o meu melhor”.

Mas se tivesse que escolher entre o boletim perfeito na escola e mais uma vitória em Wimbledon, a resposta é clara. “Eu escolheria as oitavas de final em Wimbledon. Acho que qualquer pessoa que me conhece diria: ‘O quê?’ Todos pensam que sou absolutamente fanática pelas minhas notas da escola. Eles acham que tenho um ego muito inflado sobre isso. Mas na verdade, eu diria que tenho expectativas muito altas de mim mesma. Isso me ajudou a chegar onde estou em termos de tênis e também em termos de desempenho escolar. Mas eu ainda escolheria as oitavas”.

Pai romeno, mãe chinesa, nascida em Toronto
Raducanu tem pai romeno e mãe chinesa e nasceu no Canadá, mas sua família se mudou para o Reino Unido quando ela tinha dois anos. A tenista ainda mantém um vínculo muito forte com a Romênia e tem a número 3 do mundo Simona Halep como fonte de inspiração. “Meu pai é romeno de Bucareste e a minha avó, Mamiya, ainda mora lá. Eu volto algumas vezes por ano e fico com ela. É muito bom. Eu amo a comida romena, e a comida da minha avó também é especial. Tenho muitos laços com Bucareste”.

https://twitter.com/the_LTA/status/1410678765232001027

“Eu definitivamente admiro a Simona Halep, pela movimentação dela e também a forma como ela luta e compete. Acho que em algumas das situações do jogo, eu estava pensando em competir da mesma forma que algumas jogadoras como a Halep fazem. Ela ganhou Wimbledon e disse a si mesma que não esperava. Isso mostra que se você colocar sua mente e coração nisso, você realmente pode alcançar qualquer coisa. Eu admiro muito a forma como ela luta”.

A relação com a Romênia aparece até mesmo na próxima adversária. Ela enfrenta a experiente Sorana Cirstea, de 31 anos e 45ª do ranking. “Sei que ela fez grandes coisas em sua carreira. Acho que para mim é mais uma partida em que não tenho mais nada a perder. Na verdade, estou aqui apenas me divertindo e tentando ficar no torneio o máximo que puder. Acho que essa é a motivação para mim. A torcida tem me apoiado muito, e eu realmente quero dar orgulho a todos que têm me apoiado por todos esses anos”.

Britânica vai investir o prêmio para qualificar sua equipe
O prêmio para a vaga na terceira rodada de Wimbledon é de 115 mil libras esterlinas, muito maior que os US$ 39 mil que acumulou ao longo da carreira profissional. Ela pretende investir esse dinheiro para qualificar sua equipe técnica. “É realmente incrível. Com certeza vou usar esse dinheiro. Estou no início da minha carreira e entrando em contato com grandes treinadores. O tênis é um esporte caro. Você precisa viajar e competir semana após semana, então definitivamente isso vai me financiar. Sou muito grata pela oportunidade que recebi esta semana. Estou apenas tentando tirar o máximo proveito disso”.

A jovem tenista já é acompanhada de perto pelo experiente técnico britânico Nigel Sears, que já treinou Ana Ivanovic, Daniela Hantuchova, Barbara Schett, e atualmente também trabalha com a número 25 do mundo Anett Kontaveit. “Começamos quando eu tinha 15 anos. Eu treinava com ele por algumas semanas. Nigel é um grande treinador, com muita experiência, e também um cara alegre e engraçado. Acho que nos damos muito bem fora da quadra. Isso também é importante em um relacionamento profissional. Ter alguém como ele ao meu lado, com certeza me dá muita confiança nessas situações, porque sei que ele acredita em mim. Sou muito grata por ele ter se arriscado comigo”.

https://twitter.com/andy_murray/status/1410674869105217538

Quem também já fez questão de manifestar seu apoio foi o ex-número 1 do mundo Andy Murray, por meio das redes sociais. “Estou muito grata por todas as mensagens que tenho recebido. Lamento se não posso responder a todos eles agora. Mas sei que isso definitivamente ajuda. Quando eu tenho algum tempo livre, eu começo a rolar e ler todas aquelas mensagens positivas e isso me dá uma ótima sensação de ter tantas pessoas comigo. Estou muito, muito grata pelo apoio de todos”.

Wimbledon é território estranho para três campeãs de Slam
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2021 às 1:04 am
Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos

Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos (Foto: Jimmie48/WTA)

Apesar de serem três campeãs de Grand Slam e integrantes no top 10 do ranking mundial, Sofia Kenin, Bianca Andreescu e Iga Swiatek têm pouca experiência em quadras de grama e tentam se adaptar ao piso em busca de bons resultados em Wimbledon. Fatores como a rápida ascensão no circuito nas últimas temporadas e o cancelamento de todos os torneios no piso previstos para 2020 fizeram com que Andreescu e Swiatek só conseguissem suas primeiras vitórias na grama pelo circuito da WTA na última semana, quando atuaram em Eastbourne. Kenin, de 22 anos, tem um pouco mais de bagagem, mas a estreia no Grand Slam londrino marcou sua volta ao piso depois de duas temporadas.

“É a minha primeira partida na grama nesta temporada, já que eu não joguei nenhum torneio antes. Claro que estava um pouco mais nervosa, mas fui capaz de controlar e estou feliz com isso”, disse Kenin, depois de vencer a chinesa Xinyu Wang por 6/4 e 6/2 nesta segunda-feira. Ela agora espera pela vencedora do duelo norte-americano entre Madison Brengle e Christina McHale.

“No geral, achei que eu saquei bem e senti que meio que me salvou durante a partida de hoje. E, claro, fui bem nas devoluções. Portanto, há algumas pequenas coisas que tenho que melhorar, mas no geral estou muito feliz com a maneira como joguei”, completa a número 6 do mundo. Campeã do Australian Open e vice de Roland Garros no ano passado, a norte-americana disputa seu terceiro Wimbledon e nunca passou da segunda rodada.

Swiatek disputa Wimbledon pela primeira vez

Mais jovem do trio, com 20 anos recém-completados, Iga Swiatek faz sua primeira participação na chave principal de Wimbledon e venceu nesta segunda-feira a taiwensa Su-Wei Hsieh por duplo 6/4. “Eu precisava jogar com muita potência, porque quando a bola vai muito rápida na grama, é difícil de controlar e eu sei que a Su-Wei é bem habilidosa e meu principal objetivo era não deixá-la usar isso. E fico feliz que a minha tática tenha funcionado”, comenta a polonesa, que fez 20 winners e 18 erros na partida.

“Foi emocionante, porque a última partida que eu venci em Wimbledon havia sido na final do juvenil, nessa mesma quadra. Quando eu entrei aqui, tive muitas lembranças”, acrescentou Swiatek, que foi campeã juvenil do Grand Slam britânico em 2018.

Campeã de Roland Garros em 2020 e atual número 9 do ranking, a polonesa rechaça qualquer tipo de favoritismo e diz que uma boa campanha em Wimbledon pode ser muito mais importante pensando no futuro. “Eu simplesmente não penso tanto nisso, porque na grama há algum tipo de ranking à parte, porque você sabe quem está jogando bem na grama e também sabe quem geralmente é ruim na grama. Mesmo eu sendo, a sétima cabeça de chave, não me pressiono tanto, porque sei que não tenho experiência. Eu apenas tento aprender o máximo possível. Só estou ciente de que não treinei por muito tempo na grama, porque joguei a final de duplas em Roland Garros”.

“É uma parte importante da temporada, mas é ainda mais importante aprender, porque acho que o trabalho que fizer aqui vai dar resultado em alguns anos. Eu só preciso de experiência na grama. Na verdade, é legal porque eu posso jogar sem nenhuma expectativa”, avalia a jovem jogadora, que espera pela vencedora entre a tcheca Marie Bouzkova e a russa Vera Zvonareva. “Depois de toda aquela confusão durante a temporada de saibro, durante o Roland Garros, já que eu era a atual campeã, é mais fácil agora e estou gostando. Talvez meu tênis não seja tão bom quanto em outros torneios, mas estou me sentindo ótima e muito feliz por estar aqui.

Andreescu estreia nesta terça e reencontra Cornet
A canadense Bianca Andreescu, de 21 anos e número 7 do mundo, estreia em Wimbledon nesta terça-feira contra a francesa Alizé Cornet, 59ª colocada. As duas se enfrentaram há duas semanas em Berlim e Cornet levou a melhor em dois sets equilibrados. A única participação de Andreescu na chave principal de Wimbledon havia acontecido ainda em 2017, quando ela caiu na estreia. Dois anos atrás, quando já era um dos principais nomes do circuito, uma lesão no ombro a impediu de atuar na temporada de grama. Recuperada meses depois, conquistou o US Open de 2019.

“A semana de Berlim não foi tão boa quanto eu esperava para o meu primeiro torneio na grama, mas preciso de tempo. Não jogo há três anos e não fiz tantas partidas neste ano por causa de outras coisas. Mas tenho treinado muito na grama, tenho ficado muito tempo em quadra e espero que eu possa progredir nas partidas”, disse Andreescu, em entrevista coletiva durante o WTA 500 de Eastbourne na última semana.

“Tenho uma boa imagem mental de como quero jogar na grama, mas sei que não vai acontecer de imediato. Eu preciso de bom tempo de treinos e de mais jogos, e foi por isso também que eu joguei em duplas em Eastbourne. Acho que isso ajuda muito no meu jogo de grama, porque posso trabalhar no meu saque e nos meus voleios, porque eu quero ir muito para a rede”, acrescenta a canadense, que chegou às oitavas no último torneio preparatório, vencendo Christina McHale e perdendo para Anett Kontaveit.

Apesar de ser uma tenista com muito peso de bola, Andreescu sabe que só isso não é o suficiente na grama. “A minha bola alta e pesada nem sempre é tão eficaz só porque a bola realmente não quica. É literalmente perfeito para a adversária atacar. Às vezes, gosto de dar slice, mas a bola literalmente desliza de forma superaleatória. Quero continuar trabalhando, avançando, usando meu saque a meu favor e mexendo muito com os pés, já que as bolas estão chegando rápido”.

Pressão excessiva fez Samsonova deixar de jogar pela Itália
Por Mario Sérgio Cruz
junho 21, 2021 às 8:01 pm

Campeã de Berlim, Samsonova teve toda sua formação como tenista na Itália e chegou a defender o país no circuito juvenil

Principal surpresa do circuito na última semana, a russa Liudmila Samsonova teve uma campanha espetacular no WTA 500 de Berlim e venceu sete jogos seguidos para conquistar o título nas quadras de grama da capital alemã. Depois de assombrar favoritas como Madison Keys, Victoria Azarenka e Belinda Bencic, a jovem jogadora de 22 anos deu um salto no ranking e foi do 106º para o 63º lugar, marca que é a melhor de sua carreira. Outro prêmio por sua conquista foi um merecido convite para a chave principal de Wimbledon.

Nascida na cidade de Olenegorsk, na Rússia, Samsonova teve toda sua formação como tenista na Itália, e chegou a defender as cores do país nos tempos de juvenil, mas conta que preferiu voltar a jogar pela Rússia para ter menos pressão e um ambiente mais tranquilo de trabalho. “Eu cresci na Itália desde que tinha um ano de idade. Meus pais são russos, mas joguei pela Itália dos 16 aos 18 anos”, disse Samsonova, em entrevista ao site da WTA.

“Eu tinha muita atenção e não estava pronta para isso. Quando comecei a jogar pela Rússia, a pressão que eu sentia foi embora. Foi uma coisa natural. Não sei como explicar. Era como se ninguém se importasse comigo, porque eu era a última do ranking”, comentou a russa, que debutou no top 100 nesta segunda-feira, mas já disputará o sexto Grand Slam da carreira. No entanto, só tem uma vitória, no Australian Open deste ano.

+ Título de Samsonova rende convite para Wimbledon
+ Samsonova completa semana dos sonhos com título

+ Surpresa russa assombra favoritas no WTA de Berlim

Durante os tempos de juvenil, Samsonova venceu três títulos de ITF e ocupou o 65º lugar do ranking da categoria. Ela até chegou a disputar alguns torneios no Brasil em 2015, como o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre. “Não joguei muito bem no juvenil. Eu poderia fazer mais, disso tenho certeza. Eu poderia jogar melhor. Tive alguns momentos na minha vida durante esse período que foram difíceis para mim. Eu era muito jovem e não tinha a maturidade que tenho agora. Tudo estava um pouco confuso”.

Com estilo de jogo agressivo e muito peso de bola, a russa derrotou outras jogadoras de golpes muito potentes na semana passada, como Ana Konjuh e Madison Keys. Mas ela conta que os treinadores que a acompanhavam na Itália tentavam mudar suas características. “Eles tentaram me mudar e tentaram fazer algo diferente. Mas desde dezembro, quando mudei de time, eu realmente entendo o que tenho que fazer em quadra. Eles estão me orientando para jogar de forma mais agressiva e chegar à rede. E eu disse: ‘Ah, gosto disso. É assim que eu sou'”.

Antes de sua excelente semana em Berlim, Samsonova sequer tinha vitórias na grama em chaves principais de WTA, tendo caído na estreia de Nottingham em 2019 e disputados os qualis de Birmingham e Wimbledon. “Há alguns anos, quando estava jogando na grama e não tinha esse saque e também não tinha essa força para jogar como eu queria. Então, acho que o trabalho valeu a pena. Comecei a saber quem eu sou, que tipo de jogadora sou. Porque no passado eu não sabia o que fazer”.

“Às vezes eu venço jogando de uma forma, às vezes eu ganho de outra. Então, com certeza, precisei de muito trabalho mental. Esta é a coisa mais importante”, explicou a russa, que também definiu em poucas palavras sobre que tipo de tenista ela se considera: “Eu sou uma jogadora muito agressiva”.

Ranking juvenil tem novidades depois de Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
junho 15, 2021 às 11:00 pm

Campeão juvenil em Paris, o francês Luca Van Assche saltou 14 posições no ranking da modalidade

A atualização mais recente dos rankings juvenis da ITF teve muitas novidades. A lista divulgada na última segunda-feira, logo após a disputa de Roland Garros, premiou os títulos do francês Luca Van Assche e da tcheca Linda Noskova, que aproveitaram os mil pontos de suas conquistas para escalar os rankings. No entanto, com todos os ajustes promovidos pela Federação Internacional durante a pandemia, muitos tenistas ainda permanecem com pontos conquistados em 2020 e até mesmo de 2019.

Campeão juvenil em Paris, Luca Van Assche saltou 14 posições no ranking e assumiu o quarto lugar. O vice Arthur Fils, também francês e de apenas 16 anos, ganhou 12 posições e agora é o sétimo do ranking. Quem também subiu no ranking foi Giovanni Mpetshi Perricard, semifinalista de simples e campeão de duplas ao lado de Fils. Ele ultrapassou dois concorrentes e assumiu o sexto lugar.

Nas duas primeiras posições, estão dois jogadores nascidos em 2003, mas que já fizeram transição para o circuito profissional, o dinamarquês Holger Rune e o japonês Shintaro Mochizuki, que não jogam mais os torneios juvenis, mas ainda teriam idade para atuar na atual temporada e também possuem pontos conquistados há dois anos. O terceiro colocado é o chinês Juncheng Shang.

Melhor brasileiro na lista, o catarinense de 18 anos Pedro Boscardin perdeu três posições, mas segue no top 10, ocupando o nono lugar. O número 2 do país é o mineiro João Victor Loureiro, 53º do ranking, mantendo a posição da lista anterior. Ainda no top 200 estão João Eduardo Schiessl (140º) e Lorenzo Esquici (159º).

Rune pode ter portas fechadas nos próximos meses

Declaração homofóbica pode fechar as portas para Rune, antes bastante beneficiado por convites

Rune, aliás, acabou se destacando negativamente nas últimas semanas. Apesar de ter vencido seu primeiro challenger, no saibro italiano de Biella, o dinamarquês de 18 anos foi flagrado pelas câmeras de transmissão proferindo comentários homofóbicos durante a semifinal contra o argentino Tomás Etcheverry. A ATP investigou o caso e multou o tenista, 231º do ranking profissional, em 1.500 euros.

Mas muito mais caro para o dinamarquês podem ser as portas fechadas nas próximas semanas. Rune foi um tenista bastante beneficiado por convites este ano, como nos ATPs de Santiago, Buenos Aires, Marbella, Barcelona e até no Masters 1000 de Monte Carlo.

É possível que muitos torneios não queiram associar suas marcas e patrocinadores um tenista recentemente multado por homofobia. Seria uma punição muito mais educativa e custosa do que apenas uma multa. E nesse cenário, muito provavelmente veríamos o dinamarquês tendo que disputar torneios menores e com menos oportunidades em eventos mais fortes. Por outro lado, esse caminho mais longo talvez que desperte no tenista a consciência de que não há mais espaço para esse tipo de declaração. Todo mundo sai ganhando.

Mudança de número 1 no ranking feminino
A liderança no ranking feminino mudou de mãos, a juvenil de Andorra de apenas 15 anos Victoria Jimenez Kasintseva Juniors retomou o primeiro lugar depois de ter chegado às quartas em Paris. Ela ultrapassou a francesa Elsa Jacquemot, campeã em Paris no ano passado e já focada no circuito profissional. Em terceiro lugar está a filipina de 16 anos Alexandra Eala, campeã de duplas em Paris e que recentemente venceu seu primeiro título profissional na Rafa Nadal Academy em Manacor.

Campeã juvenil de Roland Garros, a tcheca Linda Noskova ganhou 15 posições e assumiu o quinto lugar. Ela ainda fica atrás da russa Diana Shnaider, semifinalista em Paris e atual quarta colocada. Já a também russa Erika Andreeva, vice em Paris, ultrapassou 33 jogadoras e aparece na 11ª posição.

Mesmo fora do top 200, brasileiras vêm de boas semanas

Juliana Munhoz ganhou dois títulos na Bolívia e jogou uma final no Equador nas últimas semanas (Foto: Susan Mullane/ITF)

A melhor brasileira é a catarinense Priscila Janikian, número 213 do ranking. Uma posição abaixo está Ana Candiotto, que ultrapassou 40 jogadoras depois de vencer um ITF J4 na Guatemala na última semana. Candiotto tem um título em El Salvador, no final de maio, e está com o melhor ranking da carreira no 214º lugar. Já a paulista Juliana Munhoz, que conquistou dois torneios no ano, aparece na 227ª colocação.

Na última semana, Candiotto venceu o ITF J4 da Cidade da Guatemala, superando na final a canadense Naomi Xu por 4/6, 6/4 e 6/2. Ela também superou a chinesa Yichen Zhao e as norte-americanas Anya Murthy, Lizanne Boyer e Avery Jennings. Já Juliana Munhoz chegou a vencer 15 jogos seguidos, com os títulos dos ITFs J5 de Cochabamba e Tarija, na Bolívia, além de ser finalista em Quito, no Equador.

Paris assiste final francesa no juvenil após 19 anos
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2021 às 7:03 pm

Luca Van Assche, de 17 anos, diz que ganhou confiança depois de ter disputado o quali profissional em Paris (Foto: FFT)

Conforme já antecipado desde a definição de semifinalistas com quatro jogadores franceses, o torneio juvenil de Roland Garros voltará a ter uma final doméstica depois de 19 anos. Arthur Fils, de 16 anos, e Luca Van Assche, um ano mais velho, vão decidir o título a partir de 6h (de Brasília) deste sábado. A última decisão entre dois franceses em Paris havia acontecido em 2002, quando Richard Gasquet derrotou Laurent Recouderc. Já o último anfitrião a vencer o torneio foi Geoffrey Blancaneaux em 2016.

Luca van Assche, 18º do ranking, venceu Sean Cuenin por 7/5 e 6/4 em 1h39 de partida. Já Arthur Fils, 19º do ranking e atual campeão do Orange Bowl, precisou de três sets e 2h09 para derrotar Giovanni Mpetshi Perricard por 3/6, 6/3 e 7/6 (7-5). Esta foi a primeira vez que quatro juvenis franceses chegaram às semifinais masculinas de simples em um Grand Slam. O recorde anterior em Roland Garros era de 1949, e isso também aconteceu duas vezes na Austrália, em 2002 e 2020.

“Foi incrível estar quatro jogadores franceses na semifinal. São três amigos meus e gosto muito deles”, disse Luca van Assche a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva desta sexta-feira. “Conheço muito bem o Arthur, há bastante muito tempo. Vamos aproveitar esta final. Acho que vai ser uma ótima partida”.

https://twitter.com/rolandgarros/status/1403373443932884998

O jogador de 17 anos recebeu convite para o quali profissional de Roland Garros e enfrentou o experiente suíço Henri Laaksonen. “Estou jogando muito bem nesta semana. E duas semanas atrás, eu joguei o quali e aprendi muito. Vi que estou no nível desses jogadores porque fiz uma partida acirrada contra o Laaksonen e depois ele chegou à terceira rodada da chave principal. Eu posso ver que tenho o nível desses caras. Ganhei muita confiança depois daquele jogo. Então, sim, me ajudou muito.

Fils comemorou uma vitória dramática na semi contra um de seus melhores amigos no circuito. “Ele é meu amigo desde que tínhamos sete anos, eu acho. Então eu precisava deixar isso fora da quadra e jogar 100% contra ele, acho que lidei muito bem. Então foi legal”, disse após vencer o duelo com Perricard. “Inacreditável. É um grande sentimento. Vencer uma semifinal por 7/6 no terceiro set, com 7-5 no tiebreak, foi muito difícil. Mas estou focado na minha final agora”.

O tenista de 16 anos também já projeta o encontro jogo duro, desta vez contra Van Assche. “Vai ser outra partida muito difícil, porque ele está jogando muito bem e é um adversário muito sólido. Vai ser difícil fazer algum winner ou algo assim. Acho que teremos mais três sets pela frente.

Em um momento de renovação do tênis francês, Van Assche também comentou sobre a nova geração feminina no país, com Clara Burel, Diane Parry e Elsa Jacquemot atingindo a liderança do ranking juvenil nos últimos anos. “As três foram número 1 do mundo, ano passado foi a Elsa, no ano anterior foi a Diane. Não as conheço muito bem, mas acho que estão trabalhando muito para estarem no topo. Espero que elas sejam muito boas para o tênis francês”.

Russa e tcheca de 16 anos na final feminina em Paris
A final feminina será entre a russa Erika Andreeva e a tcheca Linda Noskova, ambas de 16 anos. Noskova, número 20 do ranking, venceu a russa Diana Shnaider, por 1/6, 6/3 e 6/3. Ela tenta ser a primeira tcheca a vencer o torneio juvenil de Roland Garros desde Hana Mandlikova em 1978, e a primeira campeã de Slam na categoria desde Marie Bouzkova no US Open de 2014.

Já Andreeva superou a compatriota Oksana Selekhmeteva por 2/6, 7/5 e 7/6 (7-0). A russa já tem três títulos profissionais de simples, um deles vencendo a brasileira Carolina Meligeni Alves na final, no Egito. A última jogadora do país a vencer um Grand Slam juvenil foi Anastasia Potapova, na grama de Wimbledon em 2016. Já a campeã mais recente em Paris foi Daria Kasatkina em 2014.