Alcaraz conquista seu 1º challenger aos 17 anos
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 5:48 pm

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Grande esperança para o futuro do tênis espanhol, Carlos Alcaraz conquistou neste domingo o primeiro título de challenger da carreira. O jovem jogador de apenas 17 anos foi campeão no saibro de Trieste, na Itália, depois de vencer o anfitrião anfitrião de 27 anos Riccardo Bonadio, 408º do ranking, por 6/4 e 6/3.

Alcaraz vinha de uma vitória muito difícil na semifinal, em duelo da nova geração contra o italiano de 18 anos Lorenzo Musetti por 7/5, 2/6 e 6/3. Atual 310º do ranking, o promissor jogador espanhol vai receber 100 pontos na ATP e dar um salto no ranking, aproximando-se do top 200. Uma de suas metas é estar no quali de Roland Garros.

Antes deste torneio, Alcaraz tinha apenas sete vitórias em torneios de nível challenger, todas elas conquistadas no ano passado. Mas alguns desses triunfos foram expressivos, contra rivais do top 200, como Pedro Martinez e Yannick Hanfmann. No início deste ano, recebeu convite para o Rio Open, como parte do acordo com a IMG, e conseguiu sua primeira vitória na ATP sobre o top 50 Albert Ramos-Vinolas. No ano passado, também atuou Brasil, ainda como juvenil no Banana Bowl e no Campeonato Internacional de Porto Alegre.

Feitos próximos de Nadal, Zverev e Aliassime
A primeira vez que Alcaraz chamou a atenção do mundo do tênis foi em abril do ano passado, quando ele estava ainda com 15 anos. A vitória sobre Martinez, então número 140 do ranking, o colocou ao lado de outros grandes nomes do tênis. Desde o ano 2000, apenas cinco jogadores dessa idade conseguiram vencer jogos contra adversários do top 200. Ele se juntou a Rafael Nadal, Richard Gasquet, Ryan Harrison e Bernard Tomic.

Aos 17 anos e três meses, Alcaraz é o segundo espanhol mais jovem a vencer um challenger. Só fica atrás de Nadal, que ganhou dois torneios em 2003. O atual número 2 do mundo tinha 16 anos quando foi campeão em Barletta, e 17 anos e um mês no título de Segóvia.

Além disso, nos últimos dez anos, apenas dois jogadores mais jovens que Alcaraz venceram torneios de nível challenger. Alexander Zverev tinha 17 anos e dois meses quando foi campeão em Braunschweig na temporada 2014. Já em 2017, o canadense Felix Auger-Aliassime foi campeão em Lyon e Sevilla. O primeiro título foi aos 16 anos e o segundo aos 17 anos e um mês.

Russo é campeão em Praga
Também nesta semana, o título do challenger de Praga ficou com o russo Aslan Karatsev. O jogador de de 26 anos e 194º do ranking venceu a final contra o holandês de 24 anos Tallon Griekspoor, número 173 do mundo, por 6/4 e 7/6 (10-8). Karatsev conquistou seu segundo título de challenger em sete finais disputadas.

Jovens promissoras ganham chance no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 9:38 am
A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

Em uma edição atípica do US Open, sem as disputas do quali e do torneio juvenil, a organização do Grand Slam norte-americano acabou dando algumas chances já na chave principal para algumas jovens promissoras. Atletas que ainda estão se firmando no circuito profissional como Leylah Fernandez, Whitney Osuigwe e Hailey Baptiste, e juvenis como Robin Montgomery e Katrina Scott são algumas das representantes da nova geração em quadra.

Desse grupo, a canadense Leylah Fernandez é quem mais se destaca no início da carreira profissional. A jogadora de 17 anos e 104ª do ranking já tem uma vitória contra top 10, obtida diante de Belinda Bencic na Fed Cup, e derrotou Sloane Stephens duas vezes este ano. A canhota também já disputou uma final de WTA, no início do ano em Acapulco.

Campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, Fernandez disputará uma chave principal de Grand Slam pela segunda vez. No início da temporada, ela furou o quali do Australian Open. Sua estreia em Nova York será em duelo de gerações contra a russa de 35 anos Vera Zvonareva, ex-número 2 do mundo. Se vencer, tem chance de encarar a número 4 do ranking Sofia Kenin já na segunda rodada.


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Outra jovem promessa que já teve a oportunidade de vivenciar um ambiente de Grand Slam é Whitney Osuigwe, que aos 18 anos vai para seu terceiro US Open e o quarto Slam. A norte-americana ocupa o 143º lugar do ranking e acabou entrando diretamente na chave, já que o torneio feminino teve muitas desistências. A estreia de Osuigwe, que busca sua primeira vitória em Grand Slam será contra a ucraniana Kateryna Kozlova, 99ª do ranking. E, se vencer, pode encarar a cabeça 6 Petra Kvitova na rodada seguinte.

O convite inicialmente reservado a Osuigwe foi para Katrina Scott, de apenas 16 anos e número 637 do mundo. Apesar da pouca experiência entre as profissionais, ela já deu trabalho para a húngara Timea Babos no WTA de San Jose do ano passado e também venceu um jogo no quali do US Open de 2019. Integrante da equipe norte-americana campeã da Fed Cup Júnior do ano passado, Scott terá sua primeira chance na chave principal de um Grand Slam. Ela estreia contra a Natalia Vikhlyantseva.

Companheira de Scott na Fed Cup Júnior do ano passado, Robin Montgomery debutará em um Grand Slam com apenas 15 anos. Ela é a atual número 5 do ranking mundial juvenil da ITF e atual campeã do Orange Bowl. Entre as profissionais, já venceu um ITF de US$ 25 mil e aparece no 597º lugar do ranking da WTA. Convidada para o US Open, Montgomery jogou o quali de Cincinnati na semana passada e estreia em Nova York contra a cazaque Yulia Putintesva.

Outra estrante em Grand Slam é Hailey Baptiste, de 18 anos e número 236 do ranking. Ela já tem uma vitória sobre Madison Keys, então número 17 do mundo, conquistada em Washington no ano passado. Baptiste já tem três títulos profissionais em torneios de US$ 25 mil e vai enfrentar na primeira rodada a francesa Kristina Mladenovic, cabeça 30 em Nova York.

Onze jogadoras com menos de 20 anos
Segundo a WTA, onze jogadoras na chave principal do US Open têm menos de 20 anos. A mais jovem é Robin Montgomery, de 15 anos. Logo depois aparecem a já consolidada Coco Gauff, número 51 do mundo aos 16 anos, e também as já citadas Scott, Fernandez, Baptiste e Whitney Osuigwe. Também com 18 anos, atuam a ucraniana Marta Kostyuk e a norte-americana Catherine McNally. Já com 19 anos, as atrações são Amanda Anisimova, Iga Swiatek e Kaja Juvan.

A entidade que comanda o circuito feminino também destaca que oito jogadoras do US Open estão disputando um Grand Slam pela primeira vez. Além das já citadas Baptiste, Scott e Montgomery, outras estreantes são a norte-americana de 21 anos Usue Arconada (128ª do ranking), a russa de 20 anos Varvara Gracheva (102ª), a polonesa de 27 anos Katarzyna Kawa (125ª), a alemã de 25 anos Tamara Korpatsch (118ª) e a ucraniana de 20 anos Katarina Zavatska (108ª).

Por outro lado, a chave principal do US Open tem 26 jogadoras com mais de 30 anos. Os destaques ficam para as ex-líderes do ranking Venus Williams, já com 40 anos, Serena Williams, que tem 38, e Kim Clijsters, que volta ao circuito aos 37 anos. A última campeã de Slam com mais de 30 anos foi Angelique Kerber, na grama de Wimbledon em 2017.

Wild será um dos dez estreantes em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 28, 2020 às 7:13 am
Thiago Wild, de 20 anos, disputará o primeiro Grand Slam da carreira profissional (Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Wild, de 20 anos, disputará o primeiro Grand Slam da carreira profissional (Foto: João Pires/Fotojump)

Em meio às várias adaptações no regulamento, a edição de 2020 do US Open tem início na próxima segunda-feira em Nova York. Para reduzir o número de jogadores circulando no complexo e minimizar o risco de transmissão do coronavírus, a competição deste ano cortou algumas disputas, como as de duplas mistas, o torneio juvenil e também o qualificatório. Nesse cenário, alguns tenistas que originalmente estariam no quali disputarão a chave principal de um Grand Slam pela primeira vez. Um deles é o brasileiro Thiago Wild.

Wild, que completou 20 anos em março, foi um dos jogadores beneficiados pela mudança momentânea do regulamento. Afinal, o atual número 2 do Brasil é o 113º colocado no ranking e não precisou do quali. No início da temporada, o jovem paranaense tentou uma vaga no Australian Open e caiu ainda na fase prévia.

A estreia de Thiago Wild em Grand Slam será contra o britânico Daniel Evans, número 28 do mundo. Se vencer, o campeão do ATP 250 de Santiago pode enfrentar o canhoto tcheco Jiri Vesely ou o francês Corentin Moutet. Há ainda a chance de um duelo nacional contra Thiago Monteiro, número 82 do mundo, na terceira rodada. Mas para isso, o número 1 do Brasil teria que superar uma chave difícil, com Felix Auger-Aliassime na estreia e Andy Murray ou Yoshihito Nishioka na segunda rodada.


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Estreantes jovens ou experientes
Segundo a ATP, 20 integrantes na chave principal masculina atuam no US Open pela primeira vez. Entre eles, dez jogadores disputarão o primeiro Grand Slam da carreira. Entre esses estreantes, aparecem algumas jovens promessas do tênis norte-americano, como Brandon Nakashima (de 19 anos e 220º do mundo), Sebastian Korda (de 20 anos e 225º colocado) e Ulises Blanch (de 22 anos e 241º do ranking).

A relação de jogadores estreantes em Grand Slam também contempla alguns nomes mais experientes. É o caso do italiano de 25 anos Gianluca Mager, número 75 do mundo e finalista do Rio Open, do argentino de 28 anos Federico Coria (103º) e do húngaro de 31 anos Attila Balazs (76º).

Três destaques do circuito challenger também farão parte do Grand Slam nova-iorquino. O finlandês de 21 anos e número 100 do mundo Emil Ruusuvuori já venceu quatro torneios deste porte no ano passado. Outro com quatro títulos é J.J. Wolf, de 21 anos e 143º do ranking. Já Maxime Cressy de 23 anos tem dois títulos e ocupa o 163º lugar.

Onze jogadores com até 21 anos, trintões são 43 ao todo
O italiano de 19 anos Jannik Sinner, 73º do ranking e nascido em agosto de 2001 será o jogador mais jovem da chave. Além dele, outros dez tenistas com até 21 anos estão na chave: Brandon Nakashima (19), Felix Auger-Aliassime (20), Sebastian Korda (20), Thiago Wild (20), Miomir Kecmanovic (20), Alejandro Davidovich Fokina (21), Corentin Moutet (21), Denis Shapovalov (21), Emil Ruusuvuori (21) e Alex de Minaur (21).

Por outro lado, 43 jogadores com mais de 30 anos disputam o US Open. A lista é encabeçada pelo veteraníssimo croata Ivo Karlovic, de 41 anos, seguido por Feliciano Lopez e Paolo Lorenzi, com 38 anos, e Philipp Kohlschreiber de 36 anos.

Técnico de Paes prepara Stefani: ‘Vai dominar o mundo’
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 19, 2020 às 9:12 am
O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O título de Luisa Stefani na chave de duplas do WTA de Lexington e o bom momento vivido pela brasileira, que atingiu o melhor ranking da carreira no 39º lugar, passam pelas mãos de um dos maiores especialistas na modalidade. O técnico indiano Sanjay Singh, que trabalha há quase três décadas com o veteraníssimo Leander Paes, é também o treinador pessoal de Stefani há duas temporadas e fez parte da constante evolução da jovem paulista de 23 anos.

Sob o comando de Sanjay, Stefani ganhou seus dois primeiros títulos na elite do circuito. Ela foi campeã em Tashkent no ano passado e em Lexington no último domingo. As duas conquistas foram ao lado da norte-americana Hayley Carter. A parceria também foi finalista em Seul em 2019 e venceu nesta temporada um torneio da série 125k (equivalente a um challenger) em Newport Beach.

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No fim de 2018, quando a parceria com Sanjay ainda vinha em formação, Stefani aparecia apenas no 182º lugar do ranking. E a meta do experiente treinador é ambiciosa: Colocar a brasileira entre as 10 melhores jogadoras do mundo na modalidade. Segundo o indiano, Stefani apresenta totais condições de dominar o circuito, por sua capacidade técnica e disciplina nos treinos.

“Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve”, disse Sanjay Singh ao TenisBrasil. “Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e estar em uma das melhores duplas do mundo”.

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Mesmo durante a paralisação de cinco meses do circuito, devido à pandemia da Covid-19, Sanjay acompanhou de perto a evolução de Stefani. A brasileira conseguiu se manter em atividade, disputando exibições de simples na Acadmia Saddlebrook, onde ela mora e treina na Flórida. Ela conseguiu 16 vitórias em 28 jogos entre maio e julho. Uma das vitórias foi sobre Whitney Osuigwe, uma das jovens promessas do tênis norte-americano: “Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade”.

O treinador conta que o próprio Leander Paes, ex-número 1 de duplas e vencedor de oito Grand Slam nas duplas masculinas e dez nas duplas mistas, enalteceu o trabalho com a brasileira. A lenda do tênis indiano está com 47 anos e segue em atividade. “Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso”, comentou. “Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora”.

“Ela é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como fazer. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah“, explicou o treinador.

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Confira a entrevista com Sanjay Singh.

Você está trabalhando com ela há mais de um ano. Como o jogo dela evoluiu durante esse tempo? Que sinais você pode ver na evolução dela?
Estou trabalhando com a Luisa há dois anos e ela realmente melhorou muito e entende muito bem o plano de jogo. Ela é uma menina muito trabalhadora, como o Leander também é, joga muito bem e é rápida na rede. Essa é sua força, além de seu saque. Ela pode colocar a bola em qualquer lugar.

Como foi a comunicação com Luisa quando o circuito parou por causa da pandemia?
Nossa comunicação foi boa porque eu também moro aqui. Então nós podíamos treinar pela manhã. E depois, durante a tarde, eu podia falar com ela sobe o que fazer e o que tinha sido bom no treino. Não é apenas bater na bola que importa. Então nós trabalhamos no lado físico, mental e também no tênis, o que foi ótimo. Tivemos um tempo de muita qualidade em quadra, trabalhando em pontos e golpes específicos a cada dia. Então foi um tempo muito bom aqui na Saddlebrook, em Tampa.

A Stefani fez muitas partidas de exibição entre maio e julho e obteve alguns bons resultados. Foram 16 vitórias em 28 jogos. Como você avaliou o desempenho dela nesses meses?
Ela fez boas exibições aqui. Estamos trabalhando no jogo dela de simples e esse evento deu a oportunidade para ela ganhar experiência. Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade. Estava usando saque e voleios, drop-shots, lobs, e as meninas não faziam ideia dessas coisas, porque ela só batiam na bola. E Luisa era tão boa na rede, que ela subia, voleava, e as adversárias não sabiam o que fazer.

 

Você trabalhou com Leander por muito tempo. O quanto essa experiência agregou à sua carreira de treinador?
Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. Temos o melhor aproveitamento em Copa Davis no mundo. É claro que tivemos alguns altos e baixos juntos, mas temos muita experiência. Isso impacta no jeito dele jogar e no meu jeito de passar as informações para ele. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora, porque eu a vejo sacando e voleando, entrando na quadra, sendo bastante energética na quadra e eu amo ver isso. Estou feliz que ela está ficando mais forte a cada dia.

Eu gostaria que a Luisa tivesse mais patrocinadores no Brasil, porque isso pode ajudá-la a conseguir vencer ainda mais, porque tudo no tênis é muito caro. E ela está trabalhando muito duro. Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve. Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e ter uma das melhores duplas do mundo. E também vamos trabalhar no jogo de simples. Então em novembro ou dezembro, ela vai jogar muitas partidas de simples.

Também sobre Leander. Você sabe se ele mudou seus planos de aposentadoria este ano devido à pandemia? Você acha que ele pode jogar mais um ano e ir para as Olimpíadas em 2021?
Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso. Então ele disse: ‘Parabéns! Mas eu preciso treinar de novo, porque eu quero voltar a jogar e quero me aposentar depois das Olimpíadas’.

Então eu acho que ele vai voltar a jogar. Em novembro, ele vem para Tampa e vai treinar comigo. E acho que ele jogar mais cinco ou seis torneios, pedir um convite para Wimbledon e tentar jogar em Tóquio e se aposentar. Seria a oitava vez dele nas Olimpíadas.

Quanto o jogo de duplas evoluiu nesses anos? E você acha que o estilo de jogo feminino e o masculino são muito diferentes para as duplas?
O jogo de duplas mudou demais, por causa da bola e dos pisos. Hoje temos tenistas que ficam no fundo da quadra e batem na bola o mais forte que podem, mas se você tem um bom jogo de rede pode dar problema para os outros jogadores, porque eles não sabem o que fazer. É por isso que o Leander continua jogando o seu melhor e a Luisa está indo tão bem. Acredito que o jogo masculino seja um pouco diferente, com mais potência nos golpes.

Mas a Luisa está jogando muito bem e é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como passar. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah.

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Juvenil de 13 anos vence a número 54 do mundo na República Tcheca
Por Mario Sérgio Cruz
julho 19, 2020 às 1:57 pm

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Enquanto as competições oficiais do circuito profissional seguem paralisadas por conta da pandemia da Covid-19, algumas tenistas seguem tentando recuperar ritmo de jogo disputando exibições em seus países. E um resultado no circuito da República Tcheca chamou a atenção durante a semana. A juvenil de 13 anos Brenda Fruhvirtova superou a número 54 do mundo Katerina Siniakova por 7/6 (7-5) e 6/1 na última quinta-feira em Prostejov.

Nascida em abril de 2007, Brenda Fruhvirtova começou a se destacar no início deste ano, quando conquistou o título do tradicional torneio juvenil de 14 anos Les Petits As, na França. O evento é disputado desde 1983 e tem em seu quadro de campeãs jogadoras como Martina Hingis, Kim Clijsters, Dinara Safina, Jelena Ostapenko e Bianca Andreescu.

A conquista de Brenda na França foi a segunda seguida da família Fruhvirtova. Sua irmã mais velha, Linda Fruhvirtova, é nascida em 2005 e venceu a edição de 2019 do . Atualmente com 15 anos, ela já é número 20 do ranking mundial juvenil da ITF. Entre as profissionais, ocupa o 822º lugar na WTA e, inspirada por Coco Gauff, pretende chegar ao top 200 já no ano que vem.

“Quando comecei a jogar tênis, sempre jogava contra jogadores mais velhos que eu, então isso é normal”, disse Brenda Fruhvirtova em recente entrevista para o site da ITF. O pai delas, Hynek, também falou sobre o ambiente competitivo em casa. “Elas tiveram algumas batalhas intensas conforme foram crescendo. A mais jovem sempre quer vencer a mais velha, que nunca quer perder. Mas elas competem apenas na quadra. Quando saem, é uma história diferente. Elas se motivam e são realmente solidárias uma com a outra”.

Não superdimensionar o resultado
Por mais promissoras que sejam as duas jogadoras, que vêm se destacando em suas categorias, não se deve ainda superdimensionar os resultados das exibições. Além de não ser um torneio oficial, estamos em um contexto em que muitas tenistas estão ainda sem ritmo e retomando aos poucos a rotina de jogos. O circuito da WTA será reiniciado no dia 3 de agosto em Palermo, na Itália.

Siniakova, de 24 anos, já chegou a ser a 31ª do ranking em 2018. Ela também tem dois Grand Slam nas duplas, ao lado de Barbora Krejcikova, e chegou a liderar o ranking da modalidade. A tcheca, que também ainda é muito jovem, vem disputando alguns torneios amistosos em seu país para recuperar ritmo de competição. Imagens da partida estão disponíveis na internet (a partir de 1h 45:45 deste link) e é possível ver a ex-top 40 claramente abaixo do nível do que é capaz de mostrar, já que cometeu muitas duplas-faltas e sustentava poucos ralis do fundo de quadra.

O resultado da última quinta-feira chama atenção, é curioso, e as duas tenistas têm um enorme potencial, mas o contexto do jogo deve ser levado em consideração.

Nova geração protagoniza a luta contra o racismo
Por Mario Sérgio Cruz
junho 7, 2020 às 10:32 am

Enquanto as competições oficiais do circuito permanecem suspensas por conta da pandemia da Covid-19, alguns expoentes da nova geração do tênis voltaram a se destacar nas últimas semanas por suas ações e posicionamentos fora de quadra.

A morte de George Floyd, homem negro que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis, foi o estopim para uma onda de protestos contra o racismo que se espalhou pelos Estados Unidos e também por diversas partes do mundo. Nesse cenário, nomes como Naomi Osaka, Frances Tiafoe, Coco Gauff, Felix Auger-Aliassime e Taylor Townsend compartilharam suas experiências e marcaram posições firmes contra o preconceito.

Tiafoe se sente um estranho no ninho

“A morte do George Floyd fez eu me sentir horrível. Especialmente por pensar que poderia ser um dos meus entes queridos e talvez pudesse acontecer até comigo”, revelou Tiafoe ao programa Tennis United, produzido para as redes sociais da ATP e da WTA. “Quando se é negro nos Estados Unidos, mesmo para quem é uma pessoa comum e não um atleta, você sente que precisa ser duas vezes melhor para ter reconhecimento”.

https://twitter.com/FTiafoe/status/1267202313057427458

O jovem jogador de 22 anos e 81º do ranking é um dos poucos negros entre os 100 melhores do mundo e ressalta que a falta de diversidade no tênis às vezes o faz se sentir como um estranho no ninho. “Quanto mais sucesso eu tenho, mais me sinto um outsider“, afirmou, em entrevista à CNN. “É claro que eu recebo muito apoio e reconhecimento, mas sinto que nem todo mundo quer me ver fazendo sucesso. Sinto como se estivesse tomando algo de alguém que gostaria de estar no meu lugar. Com certeza, sinto isso porque no fundo eles não querem nos ver no topo”.

Filho de imigrantes de Serra Leoa, Tiafoe foi campeão do ATP 250 de Delray Beach em 2018 e chegou a ser 29º do ranking em fevereiro do ano passado, depois de alcançar as quartas de final do Australian Open. Mas para o ex-top 30, ainda há muito a ser feito para promover a igualdade de oportunidades no tênis. “O tênis não é como o basquete, que você só precisa de uma tabela e da bola, ou o futebol que você precisa de um gramado e da bola. Então, como podemos tornar isso acessível? Como conseguir uma grande quantidade de raquetes, cordas, redes, bolas e calçados? Essa é a parte mais difícil”.

Gauff, com apenas 16 anos, discursou em protesto

Ainda mais jovem que Tiafoe, a norte-americana de 16 anos Coco Gauff tem encorajado os fãs a agirem além das redes sociais. E para dar o exemplo, ela própria compareceu a um protesto pacífico em sua cidade natal, Delray Beach, e discursou diante dos manifestantes. Gauff lamentou ter que protestar pela mesma causa que os avós já lutavam há 50 anos, relembrou outros casos recentes de violência contra os negros, incentivou o voto (que não é obrigatório nos Estados Unidos) e falou sobre como tem trazido cada vez mais pessoas para apoiar suas causas.

“Acho que é triste que eu esteja protestando pela mesma causa que a minha avó teve que protestar há 50 anos”, disse Gauff, na última quarta-feira. “Passei toda a semana conversando com amigos que não são negros, tentando educá-los sobre como eles poderiam ajudar o movimento. Nós temos que agir, e é por isso que estamos aqui. Eu ainda não tenho idade para votar, mas está nas mãos de vocês decidirem sobre o meu futuro, o do meu irmão e também o de vocês”.

“Vocês precisam usar suas vozes. Não importa o tamanho e o alcance de suas plataformas. Como o Martin Luther King disse: ‘O silêncio das pessoas boas é pior que a brutalidade das pessoas ruins’. Então, não devemos ficar em silêncio. Se você escolhe ficar em silêncio, você fica ao lado do opressor”, acrescentou a atual 52ª colocada no ranking mundial e vencedora do WTA de Linz no ano

“Eu exijo mudanças agora. É triste que outra vida negra tenha sido perdida para que tudo isso estivesse acontecendo. Não estamos aqui apenas por causa do George Floyd, mas também pelo Eric Garner, pelo Travyon Martin, pela Breonna Taylor e muitos outros”, afirmou a jovem tenista norte-americana. “Eu tinha apenas oito anos quando o Travyon Martin foi morto. Por que estou aqui, aos 16 anos, ainda protestando por isso? Eu estou lutando pelo futuro do meu irmão e dos meus futuros filhos. Então, precisamos mudar isso agora. E eu prometo usar a minha plataforma para divulgar informações vitais”.

Atleta mais bem paga, Osaka também foi às ruas


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#justiceforgeorgefloyd

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Há pouco mais de duas semanas, revista norte-americana Forbes divulgou que a japonesa Naomi Osaka foi a atleta mais bem paga de 2019. Ela ficou pela primeira vez à frente de Serena Williams, que liderava essa lista desde 2016. Osaka faturou US$ 37,4 milhões entre premiações de torneios e contratos de patrocínio. Considerando os ganhos de atletas homens e mulheres, a japonesa de 22 anos está na 29ª posição do ranking, enquanto Serena esta na 33ª posição. Elas são as únicas mulheres entre os 100 atletas mais bem pagos.

É bem comum que personalidades com muitos contratos publicitários busquem maior neutralidade e evitem se posicionar, mas essa não foi uma opção para Osaka. A jogadora que tem pai haitiano e mãe japonesa já foi vítima de preconceito por diversas vezes, até mesmo em seu país de origem. Atualmente em Los Angeles, ela fez questão de comparecer a um dos protestos pela morte de Floyd e tem sido bastante atuante também nas redes sociais.

“Só porque não está acontecendo com você, não significa que não esteja acontecendo”, escreveu Osaka, em seu perfil no Twitter. Ela também questionou aqueles que criticaram os protestos, mas que ficaram em silêncio sobre a morte de Floyd. “Vejo que algumas pessoas ficaram quietas no Twitter por uma semana quando tudo começou, mas assim que começaram os saques, já vieram para falar de hora em hora sobre como estão se sentindo. Eles falam sobre os saques antes de falar da morte de um homem negro desarmado”.

Aliassime lembra racismo sofrido por seu pai

O canadense de apenas 19 anos Felix Auger-Aliassime é um dos grandes nomes da nova geração, ocupando atualmente o 20º lugar do ranking mundial e já com cinco finais de ATP no currículo. Aliassime também é filho de um imigrante. Seu pai, Sam, é professor de tênis, nasceu no Togo e já foi discriminado durante uma abordagem policial.

Em vídeo publicado no Instagram, Aliassime conta que seu pai estava voltando do trabalho para casa em Québec quando passou a ser seguido pela polícia. “Ele virou à esquerda, à direita, fez um círculo completo, e a polícia continuava seguindo. Até que ele parou o carro. E então o carro da polícia parou logo atrás e uma policial bateu na janela dele”.

“Meu pai perguntou se havia cometido alguma infração e ela respondeu que não. Então ele perguntou: ‘Então por que estou sendo abordado?’ e ela explicou que era raro ver ‘uma pessoa de cor’ [reproduzindo palavras da policial] dirigindo aquele tipo de carro (uma Mercedes) naquele bairro. Meu pai ainda perguntou se havia alguma denúncia de roubo de carro nas redondezas, e ela novamente respondeu que não”, acrescentou o jovem jogador.

“Esta pequena história, que não foi violenta, e que tudo acabou em paz. Mas este tipo de situação cria coisas como as que estamos vendo hoje. Acho que as pessoas precisam ficar cientes que isso não acontece com ‘os outros’. Pode acontecer com seus amigos, professores, treinadores e com qualquer pessoa”, complementou Aliassime, que ainda assim se sente privilegiado por ter crescido em um lugar onde há maior liberdade de expressão.

Townsend relata preconceito nos torneios

A canhota norte-americana Taylor Townsend ocupa o 73º lugar do ranking mundial e ganhou notoriedade no ano passado por seu estilo de jogo com saque e voleio e pela surpreendente vitória sobre Simona Halep no US Open. Apesar disso, ela conta que sofre com a discriminação até mesmo no ambiente dos torneios.

“Quando estou circulando, pedem para checar a minha bolsa, checar a minha credencial, checar bolsas e credenciais do meu técnico. Tem uma segurança extra e precauções extras para ter certeza de que nós pertencemos àquele lugar. Isso acontece toda semana, em qualquer torneio que eu jogar, nos Estados Unidos ou no exterior”, revelou ao Tennis United.

“Mesmo no tênis, nós perdemos nossa identidade, como se todas nós fôssemos iguais. Todo mundo que vê uma mulher negra nos torneios já pensa que é a Venus, a Serena ou a Sloane [Stephens]. Tem pessoas que perguntam para mim se eu sou a Coco Gauff!”, explicou a jogadora de 24 anos.

“Aqui nos Estados Unidos temos muitas tensões raciais, muitas revoltas, mas também muitos protestos pacíficos”, acrescentou Townsend. “A comunidade negra foi suprimida. Nossa identidade foi roubada de nós. Homens negros estão sendo baleados e mortos no meio da rua, em plena luz do dia, por policiais. Essa foi a nossa realidade por muitos anos, mas agora as pessoas estão começando a acordar”.

Pausa no circuito adia os planos dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
abril 15, 2020 às 7:13 am
Natan Rodrigues e Gustavo Heide estavam no top 20 do ranking e garantidos em Roland Garros e Wimbledon (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

Natan Rodrigues e Gustavo Heide estavam no top 20 do ranking e garantidos em Roland Garros e Wimbledon (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O bom início de temporada para os brasileiros que disputam o circuito mundial juvenil foi interrompido de maneira abrupta pela pandemia da Covid-19. Jogadores como Natan Rodrigues, Gustavo Heide e Pedro Boscardin vinham de resultados positivos nos primeiros meses do ano e já estariam no início da preparação para Roland Garros e Wimbledon, mas esses planos terão que ser adiados.

As disputas em Paris foram remarcadas para o segundo semestre e o Grand Slam francês acontecerá entre 20 de setembro e 4 de outubro. Já o torneio de Wimbledon não será realizado em 2020, dada a dificuldade que os organizadores teriam para deixar as quadras de grama em boas condições de jogo em outra época do ano que não fosse o verão do hemisfério Norte.

A estimativa da Federação Internacional de Tênis (ITF) é que mais 900 torneios de todos níveis tenham sido cancelados por conta do risco de transmissão do novo coronavírus. As decisões dos circuitos profissionais da ATP e da WTA de suspenderem todas competições até 13 de julho, com possibilidade de prolongar ainda mais o período de paralisação, foram acompanhadas pela ITF e por federações nacionais ou continentais.

Roland Garros adiado, Wimbledon cancelado

O baiano Natan Rodrigues é o sétimo do ranking juvenil (Foto Marcello Zambrana/CBT)

O baiano Natan Rodrigues é o sétimo do ranking juvenil (Foto Marcello Zambrana/CBT)

Brasileiro mais bem colocado no ranking mundial juvenil, o baiano Natan Rodrigues aparece na sétima posição na lista da ITF. O jogador que completou 18 anos em fevereiro já estaria garantido nos dois próximos Grand Slam e poderia atuar no saibro parisiense pela primeira vez, já que estava se recuperando de uma cirurgia no apêndice durante a edição passada do torneio.

“Como já sou 7 do mundo na ITF, eu estaria garantido e seria cabeça de chave. Fico um pouco triste, mas não tem o que fazer. É aceitar e seguir a diante. Ainda tenho mais dois Grand Slam”, disse Natan Rodrigues, que começou a temporada com um título na Costa Rica e ainda foi finalista do Banana Bowl em Criciúma e do Sul-Americano Individual em Brasília.

“Acho que seria mais triste se cancelassem Roland Garros, porque eu nunca joguei lá. Eu fiz uma cirurgia no ano passado e não pude jogar. Mas como eu falei, tem que seguir em frente e continuar treinando para estar preparado quando voltar”, relembrou o jovem baiano, que já disputou Wimbledon e US Open como juvenil no ano passado.

Heide iria treinar na Espanha

O paulista Gustavo Heide faria um período de treinos na Espanha, mas cancelou os planos (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O paulista Gustavo Heide faria um período de treinos na Espanha, mas cancelou os planos (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

Gustavo Heide foi campeão do Sul-Americano e aparece na 16ª posição do ranking juvenil. Ao contrário de Natan Rodrigues, o paulista jogou Roland Garros no ano passado depois de ter vencido uma seletiva nacional em Santa Catarina e um triangular em Paris contra adversários da China e da Índia. Na época, ele ainda ocupava o 139º lugar do ranking e, por isso, não se classificou para Wimbledon.

“Quando eu fiquei sabendo que Wimbledon foi cancelado, eu fiquei triste. Era o Grand Slam que eu tinha mais vontade de jogar. Nunca joguei na grama, então acho que seria uma experiência incrível”, afirmou o Heide. “Todo mundo fala que é o Grand Slam mais legal de ir, porque é bem diferente dos outros”.

“É o meu último ano no juvenil, mas eu fico pensando que tomara que eu consiga jogar em Wimbledon no futuro. É uma motivação a mais para eu poder chegar ali entre os melhores”, acrescentou o jovem paulista, que completou 18 anos em fevereiro e está em sua última temporada no circuito juvenil.

O cancelamento das competições também fez Heide desmarcar um período de treinos na Espanha, que faria ao lado do técnico brasileiro Tiago Leivas. “Recebi essa notícia em uma sexta-feira, se não me engano. No sábado, eu iria jogar o quali para o challenger de Olímpia, que acabou sendo cancelado. E no fim-de-semana seguinte eu iria para a Espanha, para treinar por duas semanas. Depois, voltaria para e jogar os futures que teriam em abril [quatro torneios aconteceriam nas cidades de Recife, Curitiba, Brasília e Piracicaba]. Já estava programado e eu estava animado para os treinos na Espanha. Mas, infelizmente, deu no que deu. Tomara que tudo isso passe logo e a gente possa voltar para as quadras”.

Boscardin foca na transição

O catarinense Pedro Boscardin ainda pode jogar o circuito juvenil no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O catarinense Pedro Boscardin ainda pode jogar o circuito juvenil no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

Já o catarinense Pedro Boscardin, número 52 do ranking mundial juvenil, está com 17 anos e tem a chance de disputar seus primeiros Grand Slam na próxima temporada. Até por isso, quando o circuito voltar, ele busca motivação na transição para a carreira profissional. “Não é só desses grandes torneios que a gente vive. Também estou com bastante vontade de jogar os torneios profissionais, como os challengers e futures, então não preciso ficar pensando só nos Grand Slam do juvenil. Já consigo ter uma motivação bem grande com o profissional”.

“Acho que como todo tenista, eu fiquei chateado por não poder jogar, mas a gente está vendo a cada dia que foi a decisão correta. E isso faz parte do circuito. Todo mundo está nessa situação e todo mundo tem que seguir trabalhando duro. É claro que não dá para manter o mesmo ritmo de treinos, mas manter a forma física já é super bom”, explicou o catarinense, que disputou finais na Costa Rica e Colômbia e jogaria o challenger de Olímpia.

Mudança nas rotinas de treinos e estudos

Por conta das regras de isolamento social, a rotina de treinamento também foi bastante afetada. Entre os três jogadores consultados, apenas Boscardin ainda consegue treinar em quadra. Já Heide e Natan apostam na preparação física. “Quando eu recebi a notícia, a gente parou por uma semaninha. E depois disso, já voltei a fazer trabalho físico. O tênis eu consigo treinar dia sim, dia não, tomando bastante cuidado nessa questão de onde tocar para manter pelo menos um pouquinho do contato com a bola”, disse Boscardin.

“Na quadra não tem como, por enquanto. Está um pouco difícil”, relatou Natan Rodrigues. “O que eu tenho feito são os treinos físicos em casa”. Situação parecida vive Heide. “Para manter minha rotina, estou treinando o físico em casa. Eu falo com a minha equipe e eles me passam os exercícios”.

Os três jovens jogadores também falaram sobre suas rotinas de estudo em tempos de quarentena. Natan concluiu o Ensino Médio no fim de 2019 e pretende ingressar em uma faculdade em breve, enquanto Heide precisou interromper os estudos no ano passado para se dedicar ao tênis. Um ano mais jovem que eles, Boscardin aproveita o período sem viagens e competições para finalizar o colégio. “Eu já estudo à distância desde o primeiro ano do Ensino Médio. Então, no último ano, é praticamente a mesma coisa”, afirmou. “Mas agora eu tenho mais tempo para estudar e estou dando uma antecipada para, quando voltar ao normal, eu já ter terminado ou estar bem mais adiantado”.

Jogo agressivo e controle emocional ajudaram Wild a fazer história
Por Mario Sérgio Cruz
março 2, 2020 às 9:56 pm

Com apenas 19 anos, Thiago Wild entrou para a história do tênis brasileiro no último domingo ao conquistar o título do ATP 250 de Santiago. A vitória sobre o norueguês Casper Ruud, 38º do ranking, por 7/5, 4/6 e 6/3 fez de Wild o atleta nacional mais jovem a vencer um torneio da elite do circuito. Sua franca evolução é reflexo do estilo de jogo agressivo e de uma melhora significativa na preparação psicológica para lidar com o aspecto mental do esporte.

Wild tem um jeito de jogar diferente do que é apresentado pela maioria dos atletas brasileiros ou sul-americanos. É muito comum assistirmos os tenistas do continente atuando distantes da linha e prolongando bem mais os ralis. Mas mesmo tendo uma predileção pelo saibro, o jovem jogador brasileiro aposta na potência de seus golpes para encurtar os pontos e comandá-los desde o início, jogando mais próximo da linha de base. É um estilo que tem sido adotado por grande parte das jovens promessas que têm surgido nos últimos anos.

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Por muitas vezes, a tática agressiva de Wild esbarrava na falta de regularidade. E com os erros, vinham também as frustrações. Desde os tempos de juvenil, o paranaense sempre foi um jogador muito intenso e vibrante em quadra, sempre deixando bem expostas as suas emoções. Um fator fundamental para que ele continuasse a evoluir, sem perder sua personalidade, foi canalizar essa energia e para transformar isso em coisas positivas.

Em entrevista ao TenisBrasil no início de 2018, durante um torneio de nível future em São José do Rio Preto, Wild já identificava o problema da perda de concentração e começava a trabalhar para mudar isso. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Cenas em que Wild perdia a concentração por elementos externos ao jogo ou descontava a raiva na raquete aconteciam de vez em quando nessa fase de transição para o circuito profissional. Há pouco tempo, vimos acontecer de novo, quando Wild foi eliminado na estreia do challenger de Punta del Este e, em ato bastante imprudente, arremessou uma raquete para longe.

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Wild superou bons testes do ponto de vista mental
Dois anos depois, com o título do ATP chileno em mãos, o treinador João Zwetsch destaca o quanto a presença de um psicólogo na equipe fez diferença. “É um trabalho importante que vem sendo feito também pelo psicólogo Felipe Vardiero, uma peça fundamental que entrou em nosso time uns meses atrás para lidar nesse processo dele”, comenta o atual técnico de Wild, que também coordena o centro de treinamento Tennis Route, no Rio de Janeiro.

Nas duas últimas semanas, Wild foi frequentemente testado no aspecto mental do jogo. Um desses casos foi logo na estreia no Rio Open, diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina, quando ele precisou salvar três match points ainda no segundo set da partida e venceu por 5/7, 7/6 (7-3) e 6/3. O jogo de 3h49 foi o mais longo da história do torneio. Além de toda a competitividade, o paranaense também que lidar com o jogo imprevisível do espanhol que usava muitos slices e drop shots. Também no Rio de Janeiro, equilibrou as ações contra o croata Borna Coric, 32º do ranking, em partida de oitavas de final definida apenas no tiebreak do terceiro set.

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Já em Santiago, passou por argentinos mais experientes e melhor colocados no ranking, Facundo Bagnis e Juan Ignacio Londero nas rodadas iniciais, antes de enfrentar a estrela local Cristian Garin. Vencedor de quatro torneios da ATP e número 18 do mundo, Garin atraiu um grande público para o duelo das quartas e teve a torcida a favor o tempo inteiro. Wild esteve atrás no placar e chegou a salvar seis set points antes de vencer a parcial no tiebreak e ver o rival abandonar a disputa por lesão na região lombar.

Depois de confirmar o favoritismo na semifinal contra o argentino Renzo Olivo, Wild encarou outro grande teste diante do norueguês Casper Ruud. Quebrado em seus dois primeiros games de saque, o brasileiro perdia o set inicial por 3/1 quando iniciou a reação em um game fundamental. Salvando vários break points, um deles combinando um grand-willy e uma passada, evitou que o rival colocasse duas quebras de vantagem na parcial e, logo depois, devolveu a quebra e fez seu melhor game de saque no jogo até então. Depois de não ter um break point a favor em todo o segundo set, Wild reagiu muito bem no início do terceiro, com uma quebra de serviço para abrir 3/0 e também não deu chances ao rival no momento em que sacava para o jogo.

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‘Furando a fila’ de outras promessas
O título em Santiago também fez de Wild o primeiro jogador nascido a partir de 2000 a conquistar um torneio da ATP. Com isso, o brasileiro acabou ‘furando a fila’ de outras jovens promessas do tênis já consolidadas na elite do circuito. O canadense de 19 anos Felix Auger-Aliassime, número 20 do mundo, disputou cinco finais de ATP e perdeu todas. Já o italiano de 18 anos Jannik Sinner foi semifinalista na Antuérpia no fim do ano passado.

Prodígio desde muito cedo
Além da potência nos golpes, aliada ao seu estilo de jogo, e da preparação psicológica, o sucesso precoce de Wild no circuito também é fruto de um trabalho de longo prazo. Ele figura desde 2014 em convocações para equipes de base. Fez parte do Mundial de 14 anos disputado em Prostejov, na República Tcheca, ao lado de Igor Gimenez, João Lucas Reis e Gilbert Klier Junior. No mesmo ano, o paranaense venceu a BNP Paribas Cup, um dos principais eventos do mundo para sua categoria.

Não demorou para que Thiago Wild rapidamente se firmasse no circuito mundial juvenil da ITF, enfrentando jogadores de até 18 anos. Algumas das primeiras experiências em torneios deste porte foram no Banana Bowl e no Campeonato Internacional de Porto Alegre de 2016. No mesmo ano, disputou seu primeiro Grand Slam como juvenil no US Open.

Em 2017, deu um salto de qualidade. O paranaense foi finalista do Banana Bowl, campeão no Sul-Americano Individual e chegou às quartas de final de Roland Garros. Já na temporada seguinte, foi semifinalista em Paris e encerrou sua trajetória no circuito juvenil com o título do US Open. Paralelamente, iniciava a carreira profissional já com uma expressiva vitória sobre o top 100 Nicolas Jarry no challenger do Rio de Janeiro no fim de 2017 e os dois primeiros títulos de nível future. Jarry, aliás, talvez seja o jovem sul-americano com o estilo de jogo mais próximo do apresentado por Wild, embora o chileno seja um pouco mais dependente do saque.

Salto no ranking em pouco mais de um ano
Atualmente no 113º lugar do ranking, Wild ganhou 69 posições em relação à lista da última segunda-feira e está com a melhor marca da carreira. Há pouco mais de um ano, em 25 de fevereiro de 2019, ele ocupava apenas o 449º lugar. Com uma vitória no Brasil Open, em São Paulo. fez 20 pontos na ATP e já foi para a 391ª posição. O paranaense continuaria abaixo do top 300 até outubro, apesar de ter feito alguns bons resultados em challengers e futures.

Nos três últimos torneios da temporada passada, emplacou uma sequência de bons resultados. Foram 13 vitórias em 15 jogos. O evidente destaque para seu primeiro título de challenger em Guayaquil. Wild também chegou às quartas em Lima e foi semifinalista em Montevidéu. Com isso, foi do 342º ao 215º lugar em poucas semanas. A estreia no top 200 foi há apenas uma semana, já que a vitória na estreia do Rio Open o fizera subir da 206ª para a 182ª colocação.

Admiração por Nadal e treinos com Tsonga

Wild teve uma experiência bastante enriquecedora para seu futuro profissional ao treinar com o ex-top 5 Jo-Wilfried Tsonga no challenger de Cassis, na França. Mas o grande ídolo do paranaense é mesmo Rafael Nadal. Em entrevista ao site da ATP após a conquista no Chile, ele falou sobre a admiração pelo espanhol: “A maneira como ele joga, se mantém na quadra e luta por cada ponto é simplesmente incrível. Isso me fez sonhar com tudo o que ele fez. Se eu pudesse conquistar 20% do que ele conquistou em sua carreira, seria ótimo”.

Kenin foi moldada desde a infância para ser campeã
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 1, 2020 às 6:24 pm

Campeã do Australian Open neste sábado, Sofia Kenin foi moldada desde a infância para se tornar uma estrela do tênis. A norte-americana de 21 anos foi introduzida muito cedo ao esporte e ao ambiente das competições de alto nível. Com longa vivência do tênis, apesar da pouca idade, viveu uma temporada de franca evolução no ano passado e lidou mentalmente muito bem com desafio de disputar sua primeira final de Grand Slam. Depois de começar atrás no placar, buscou a virada contra a ex-número 1 do mundo Garbiñe Muguruza.

“Meu sonho se tornou oficialmente realidade”, disse Kenin depois de derrotar Muguruza por 4/6, 6/2 e 6/2 em 2h02 de partida neste sábado. “Estou muito orgulhosa de mim mesma, do meu pai, minha equipe, todos que estiveram ao meu redor. Todos nós trabalhamos duro. Passamos por tempos difíceis, lutamos e conseguimos”.

Mesmo sem conseguir esconder as emoções durante a partida contra a espanhola, especialmente no terceiro set, Kenin jogou seu melhor tênis nos momentos de maior pressão. Ela se recorda do quinto game da parcial decisiva, quando o placar estava empatado por 2/2. A norte-americana reverteu um 0-40 e salvou quatro break points no total. Agressiva nesses momentos, disparou cinco winners.

“Lembro-me muito bem daquele game. Foi quando eu senti que o jogo estava mudando. Eu precisava jogar o melhor tênis e foi isso o que eu fiz. Depois disso, eu estava pegando fogo e pronta para receber o troféu”, acrescentou. “Eu sabia que tinha que arriscar. Precisava ser corajosa para enfrentar uma campeã de dois Grand Slam. Todo o respeito a ela. Ela fez uma grande partida. Cada ponto foi uma batalha e tanto”.

Vinda da Rússia, Kenin foi rapidamente introduzida ao tênis
Os pais de Kenin, Alexander e Lena, se mudaram com a filha da Rússia para os Estados Unidos quando ela tinha poucos meses de vida. Nascida em Moscou em 1998, a jovem jogadora começou no tênis aos três anos, batendo bola com o pai em quadras públicas de um parque em Pembroke Pines, na Flórida. Ao ver que a menina tinha potencial para seguir no esporte, Alex a levou para treinar na academia de Rick Macci, em Boca Raton, local que já recebeu as irmãs Venus e Serena Williams.

Com apenas cinco anos de idade, Kenin já dava entrevistas para a TV e dizia que sonhava ser a número 1 do mundo. Ela era levada para uma série de exibições com grandes nomes do tênis nos Estados Unidos e participou de eventos ao lado de nomes como Venus Williams, Jim Courier, Andy Roddick, seu grande ídolo no esporte.

A criança que rapidamente ficou famosa apareceu em 2005 em vídeo produzido pela WTA acompanhando a estrela belga Kim Clijsters e conhecendo os bastidores do Premier de Miami. As imagens viralizaram na última semana, desde a classificação da norte-americana para a final do Grand Slam australiano. Kenin tem chance até de enfrentar Clijsters num futuro próximo, já que a ex-número 1 do mundo voltará ao circuito nesta temporada, aos 36 anos.

https://twitter.com/WTA/status/1222924548074590213

Pai e treinador da tenista, Alex também viveu um período nos Estados Unidos entre o fim da década de 80 e o início dos anos 90, onde estudava ciência da computação durante o dia e trabalhava como motorista à noite. “Não acho que ela tenha passado por tantos sacrifícios, mas ela sabe que quando chegamos ao país tudo foi muito difícil”, disse Alexander Kenin ao site do Australian Open.

“É incrível o que você faz quando precisa sobreviver. Ela sabe sobre dessa história, mas graças a Deus não precisou passar por isso”, comenta o russo. “Ela é muito dedicada ao que está fazendo e trabalha duro. Não importa se chove ou se está nevando, não perderemos um dia a menos que seja necessário. Nós dois decidimos que é isso que queremos fazer e estou muito honrado e satisfeito por ela se ater a isso”.

Destaque desde o circuito juvenil
Kenin chegou a ser a número 2 do ranking mundial juvenil da Federação Internacional. Ela não chegou a ganhar um Grand Slam da categoria, mas conquistou o tradicional e prestigiado torneio Orange Bowl em 2014 e foi finalista do US Open no ano seguinte. Em seu último ano como juvenil, em 2016, voltou a fazer uma boa campanha em Nova York e chegou à semifinal.

Um ano depois, novamente no US Open, conseguiu seu primeiro grande resultado como profissional e alcançou a terceira rodada do Grand Slam nova-iorquino, superada apenas por Maria Sharapova. Ela terminaria aquela temporada no 108º lugar do ranking mundial. A chegada ao top 100 aconteceria em março de 2018, após bons resultados em Indian Wells e Miami, vinda do quali nos dois torneios. Em uma temporada de adaptação à elite do circuito, venceu dois jogos contra top 10, chegou ao 48º lugar do ranking e defendeu os Estados Unidos nas finais da Fed Cup contra a sempre forte equipe da República Tcheca.

A atleta que mais evoluiu no circuito
Kenin deu um salto no ranking durante o ano de 2019. Ela conquistou seus três primeiros títulos de WTA, em Hobart, Mallorca e Guangzhou. Também foi semifinalista em eventos de altíssimo nível, em Toronto e Cincinnati. Nesses dois eventos, venceu duas as líderes do ranking Naomi Osaka e Ashleigh Barty. Ainda mais expressiva foi a vitória contra Serena Williams na terceira rodada de Roland Garros. Com todos esses predicados, aliados à chegada ao 12º lugar do ranking, foi eleita a jogadora que mais evoluiu no circuito.

Além da clara evolução no ranking e nos resultados, era visível que a norte-americana agregava cada vez mais recursos ao seu jogo, em comparação com o que vinha sendo mostrado nos anos anteiores. Num curto espaço de tempo, aquela jogadora que já se defendia muito bem começava a construir melhor os pontos, errar menos, usar mais alguns slices, além de variar o saque e ter um pouco mais de peso na bola.

Em Melbourne, Kenin foi a 14ª cabeça de chave. Ela era uma das jovens em rota de colisão com campeãs de Grand Slam como Sloane Stephens e Naomi Osaka, que acabaram caindo precocemente. Nas duas primeiras rodadas, enfrentou duas atletas vindas do qualificatório, a italiana Martina Trevisan e a norte-americana Ann Li. Na terceira fase, venceu um jogo duro contra a chinesa Shuai Zhang.

Kenin venceu um duelo de jovens promessas do tênis norte-americano contra a atleta de 15 anos Coco Gauff nas oitavas de final. Com parciais de 6/7 (5-7), 6/3 e 6/0, o jogo de 2h09 foi o primeiro em que ela cedeu um set na competição. Nas quartas, bateu a surpreendente tunsiana Ons Jabeur por duplo 6/4. Já na semifinal, derrubou a número 1 do mundo e estrela australiana Ashleigh Barty por 7/6 (8-6) e 7/5 para alcançar uma inédita final de Grand Slam.

No duelo com Barty, salvou set points nas duas parciais. “Sempre acreditei que poderia ganhar, apesar de ter enfrentado dois pontos no primeiro set e mais no segundo”, afirmou. “Eu podia literalmente sentir isso e dizia a mim mesma que precisava acreditar. Se eu perdesse o set, ainda continuaria acreditando. Acho que lidei muito bem com isso. Eu não desisti. Eu sabia que seria uma partida difícil. Claro, algumas coisas não aconteceram do jeito que eu queria, mas eu não deixei isso me parar. Continuei lutando e deixei tudo em quadra. Então valeu a pena”.

Juvenil de Andorra faz história com título na Austrália
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 1, 2020 às 9:10 am

Victoria Jimenez Kasintseva é a primeira tenista de Andorra a conquistar um título de Grand Slam

Natural de um dos menores países do mundo, Victoria Jimenez Kasintseva marcou seu nome da história do tênis. A jogadora de apenas 14 anos é a primeira tenista de Andorra a conquistar um título de Grand Slam. Ela venceu o torneio juvenil do Australian Open ao derrotar na final a polonesa Weronika Baszak por 5/7, 6/2 e 6/2 em 2h04 de partida.

“Tenho muito orgulho de representar Andorra. É como uma vila, onde todo mundo se conhece”, disse a Jimenez a respeito de sua terra natal. Andorra tem pouco mais de 75 mil habitantes numa área de 468 km². A jovem tenista é treinada pelo pai e já fala cinco línguas, inglês, espanhol, catalão, russo e francês.

Este foi apenas o primeiro Grand Slam juvenil que Jimenez disputou. Ela era a jogadora mais jovem da chave e chegou a salvar três match points em seu duelo das oitavas de final contra a italiana Melania Delai. A atual 19ª colocada no ranking mundial juvenil da ITF deverá dar um salto na classificação e se estabelecer entre as cinco melhores. A conquista na Austrália vale mil pontos e ela tinha apenas 60 a descartar.

No início da final deste sábado, disputada com o teto fechado na Rod Laver Arena, Baszak abriu vantagem. A polonesa, que tem um raro backhand de uma mão para o circuito feminino, mostrava mais potência nos golpes e conseguiu uma quebra logo de cara. Jimenez até buscaria o empate, mas voltaria a perder o saque pouco depois.

Mas a canhota de 14 anos foi aos poucos estabelecendo seu melhor tênis e mostrou um jogo bem estruturado para sua idade. Jimenez usava bem o saque aberto e também construía bem os pontos, sustentando as trocas de bola e sabendo o que fazer nos momentos em que precisava ser mais agressiva junto à rede. Assim, dominou as duas últimas parciais do jogo.

Francês conquista título masculino

O título masculino ficou com o francês Harold Mayot, que derrotou o compatriota Arthur Cazaux por 6/4 e 6/1. Ele é o quinto jogador francês a conquistar o título em Melbourne, sendo o primeiro desde Alexandre Sidorenko. O destaque fica para Gael Monfils, vencedor em 2004.

Terceiro colocado no ranking mundial juvenil, Mayot irá assumir a liderança na próxima segunda-feira. Ele já está em processo de transição para o tênis profissional e ocupa o 527º lugar no ranking da ATP. O jovem francês iniciou a temporada disputando os challengers de Noumea e Bendigo e teve bons resultados, chegando às oitavas e quartas de final. O atleta de 17 anos também já tem um título profissional de nível future.