Destaques nos 16 anos avaliam 1ª experiência em ITF
Por Mario Sérgio Cruz
março 8, 2018 às 8:04 pm

Jovens tenistas brasileiros que se destacaram nos torneios da categoria 16 anos durante o circuito da Confederação Sul-Americana (Cosat) ao longo da temporada tiveram nesta semana a experiência de jogar em uma categoria acima. Nomes como o mineiro João Victor Loureiro e a goiana Lorena Cardoso, que estão com 14 anos, e o catarinense de 15 anos Pedro Boscardin Dias receberam convites para a disputa da Copa Paineiras, torneio ITF GB1 no saibro do clube Paineiras do Morumby e avaliaram a oportunidade de atuar contra alguns dos melhores juvenis do continente na categoria 18 anos, valendo pontos para o ranking mundial júnior.

“As meninas de 16 jogam muito bem, mas elas ainda não têm tanta força. Aqui as meninas são mais agressivas, conseguem ficar concentradas durante mais tempo, estão mais bem preparadas, são mais experientes e mais fortes”, comentou Lorena Cardoso, que venceu duas etapas seguidas do circuito da Cosat de 16 anos, no Equador e na Colômbia. “Eu já tinha jogado três torneios de 18 anos, mas este está bem mais forte”, complementou a goiana que só havia jogado ITFs de nível G4 e G5 até a semana passada, quando disputou o Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre.

Nos dois torneios que conquistou, Lorena venceu duelos caseiros nas finais contra a também goiana Nalanda Silva, que vem de um projeto social e atualmente treina no Rio de Janeiro. “Desde pequena e ela sempre ganhou todos os jogos de mim. Ela sempre foi a melhor de Goiás e era tipo a minha ‘rivalzinha’, mas nós somos amigas fora da quadra. E nesses dois torneios eu consegui jogar bem contra ela e acabar ganhando”.

A goiana de 14 anos Lorena Cardoso deve priorizar torneios de 18 anos (Foto: Thiago Parmalat/CBT)

A goiana de 14 anos Lorena Cardoso deve priorizar torneios de 18 anos (Foto: Thiago Parmalat/CBT)

Loureiro também destacou a diferença entre as duas categorias. “Mais volume de jogo! Os caras sobem o nível de jogo nos pontos importantes”, avaliou o mineiro, que venceu quatro eventos da gira Cosat. Campeão do Banana Bowl de 16 anos, o jogador que treina em Santa Catarina também venceu a etapa paraguaia em Assunção e tem mais duas conquistas em Cali, na Colômbia, e Córdoba, na Argentina.

Em São Paulo, Loureiro manteve o embalo e marcou seus primeiros pontos no ranking mundial juvenil da ITF com as vitórias sobre o argentino Facundo Tumosa e no duelo nacional contra Gustavo Madureira antes de cair para o brasiliense Gilbert Klier Júnior nas oitavas. “Estava um pouco gripado, então ficava um pouco mais cansado que o comum após o término de alguns pontos, mas consegui manter a confiança que estou tendo desses últimos torneios para vencer. Muito feliz em marcar meus primeiros pontos no ranking mundial”.

“Foi uma gira muito boa. Comecei na Colômbia já com o título, estava confiante e consegui aproveitar o convite aqui no ITF. Ganhei duas rodadas e caí nas oitavas. Foi uma boa experiência. Agora é voltar e treinar para a gira europeia”, complementou o mineiro que completa 15 anos em março e já mede 1,85m.

O mineiro João Loureiro venceu quatro etapas do circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

O mineiro João Loureiro venceu quatro etapas do circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

“A diferença mais na força e na maturidade dos caras durante o jogo. Eles sabem melhor escolher as horas de escolher as jogadas e isso faz a diferença”, explicou Pedro Boscardin Dias, que na temporada passada disputou importantes competições de 14 anos como o Les Petits As na França e o Le Mondial Lacoste em Londres durante o ATP Finals, mesclando o calendário com torneios sul-americanos de 16 anos.

“Eu consegui jogar os principais torneios do mundo e pude ver como os meninos jogam. É importante para ver que estou no nível dos caras, não estou muito longe”, comentou o catarinense, que voltará ao velho continente para jogar em categorias acima. “A experiência no Cosat foi muito boa e consegui conquistar meu objetivo que era classificar para a gira europeia”.

Para a sequência na temporada, a prioridade é tentar os torneios de 18 anos.”Pelo que eu conversei com o Rico [Schlachter, seu técnico] a ideia é jogar mais torneios de 18 anos. Acho que tem um ou dois torneios de 16 anos na gira europeia. Foi bom conseguir esse ponto na ITF para começar a transição”, avaliou o catarinense que fez seu primeiro ponto no ranking mundial juvenil ao avançar uma rodada na chave de duplas no Paineiras.

Pedro Boscardin Dias jogou os principais torneios do mundo nos 14 anos e o circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

Pedro Boscardin Dias jogou os principais torneios do mundo nos 14 anos e o circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

Lorena Cardoso também deve seguir o caminho do circuito mundial juvenil apesar de sua pouca idade. As únicas competições de 16 anos deverão ser os torneios por equipes. “Acho que o Sul-americano e o Mundial vão ser os únicos que eu vou jogar de 16 este ano, porque eu vou focar no 18. Vai ser um pouco difícil no início, mas servirá para conseguir resultados bons e subir no ranking para já estar bem posicionada”, explicou a goiana que treina desde os doze anos no Instituto Tênis, em Barueri.

“Eu tava jogando um torneio de duplas com uma integrante do IT e eu tinha dez anos, mas já jogava torneio de 12 anos. Então um treinador me viu e perguntou a minha idade porque eu já era grande e forte. Perguntaram se eu queria fazer um teste no IT e treinar, mas eu ainda era muito nova e tinha dez anos, então meus pais não deixaram. Fiquei mais dois anos em Goiás ainda, e só depois fui fazer o teste, gostei e estou lá até hoje”.

A goiana que já tem 1,74m tenta ser uma jogadora agressiva e se inspira em Beatriz Haddad Maia: “Ela é alta, forte e joga bem firme”, comentou. “Eu gosto de jogar agressiva, pegando bem na bola. No 16 eu ainda conseguia ter diferença de força, mas agora não tem muita diferença para as meninas mais velhas, meio que iguala todo mundo. Sou um pouco lenta ainda por causa da altura, mas é o caminho. Sinto que minha agressividade é onde fico com energia e consigo jogar bem”.

O técnico Ricardo Schlachter acompanha os juvenis Pedro Dias e João Loureiro (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

O técnico Ricardo Schlachter acompanha os juvenis Pedro Dias e João Loureiro (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

O técnico Ricardo Schlachter, treinador que trabalhou com Ricardo Mello quando o campineiro conquistou o ATP 250 de Delray Beach em 2004, é quem acompanha Boscardin e Loureiro atualmente. Schlachter, que coordena um centro de treinamento de alto rendimento em Joinvlle (SC), fez uma análise sobre as diferenças entre as competições de formação e a elite do circuito juvenil.

“Acredito que existe uma diferença, mas não acredito mais ser tão grande, principalmente fisicamente. Claro que sempre tem jogadores acima da média, mas eles [Boscardin e Loureiro] conseguem competir de igual para igual na maioria das vezes. Esse é ponto principal. Que eles entrem em torneios e consigam ser competitivos”.

Schlachter também afirma que deve testar seus jovens jogadores nos torneios maiores e em competições profissionais ainda este ano. “Agora o foco vai virar para os torneios de 18 anos. A ideia era terminar a gira Cosat de 16 e agora sim focar nos 18. E esse ano ainda algumas eles terão poucas semanas para experimentar um pouco do profissional, em termos de futures ou de torneios com a premiação apenas em dinheiro, para que eles joguem com adultos que são bons jogadores e que têm muito a ensinar a eles. Mas essa é uma parcela menor do calendário que vai se basear muito nos ITFs de 18 anos”.

O treinador também avaliou o desempenho e evolução dos dois atletas e reconhece que a grande fase de Loureiro o surpreendeu. Ele treina o juvenil mineiro desde agosto de 2015, quando o jogador saiu de Belo Horizonte e mudou-se para Santa Catarina. Já com Boscardin, o acompanhamento vem desde as escolinhas ainda aos sete anos.

“Eu diria que os resultados foram acima da expectativa. É claro que a gente sempre se prepara para entrar em um torneio para ganhar, mas de oito etapas ganhar quatro, ou seja ganhar um a cada dois torneios, realmente nos surpreendeu. O que não é uma surpresa é a evolução dele. Eu que acompanho o dia a dia, vejo que ele vem se dedicando há muito tempo. Esses resultados deram a ele um dos quatro postos para a gira europeia, mas agora ele precisa correr atrás de pontos na ITF. Por isso até a gente solicitou para a CBT e eles nos concederam o wildcard para os meninos jogarem aqui”, explicou Schlachter.

“Como não existe ranking internacional nessa categoria e pelo que eu conheci na Europa, eu poderia dizer até o ano passado que o Pedro estaria entre os 15 ou 20 melhores jogadores do mundo na idade dele, até 14 anos. Isso numa avaliação minha como treinador. Agora já não deve ser mais assim entre os garotos de 15 anos, também por causa da evolução dos outros. O tênis é muito dinâmico e esses garotos evoluem muito rápido em seis meses ou um ano”, avaliou.

“E dentro da minha própria estrutura, que tenho só dois jogadores, vejo que existe uma diferença. O João Loureiro estava um pouquinho abaixo dele, hoje não só se equivaleu como já está um pouco à frente dele. E aí envolvem outras coisas, que são os amadurecimentos. É lógico que o porte físico dele também ajuda, é um jogador alto e essas coisas fazem diferença”.


Comentários
    1. Mario Sérgio Cruz

      Em nenhum momento o técnico quis supervalorizar os jogadores dele. Exemplo disso que é ele cita que o Pedro estava entre os melhores na categoria de 14 anos, até por ter jogado torneios muito fortes na Europa, mas que o cenário já não se repete se comparado com os meninos de 15 anos e que atuam nas categorias acima. Foi uma análise franca.

      Reply
  1. Pingback: TenisBrasil - Primeiro Set

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>