Zverev busca o papel principal
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 28, 2017 às 2:13 pm

Condicionado desde muito jovem para se tornar a próxima estrela do tênis mundial, Alexander Zverev passará por seu maior teste no US Open. Pela primeira vez, o alemão de 20 anos terá a oportunidade assumir o papel de protagonista na busca por um título um Grand Slam. Os títulos recentes em Washington e no Canadá e a ausência de muitos grandes nomes do circuito farão com que cada passo de Zverev, desde a primeira rodada, fique diante dos olhos dos grande público.

O número 6 mundo disputará cada vez mais partidas em quadras centrais, e na maioria das vezes sendo ‘a atração do jogo’. Será assim nesta segunda-feira, quando estreia na sessão noturna do Arthur Ashe Stadium contra o barbadiano vindo do quali Darian King. Estar em um grande palco está longe de ser novidade para Zverev, tampouco a ideia de jogar como favorito. Mas os jogos em que o alemão era o único chamariz costumavam acontecer nas quadras secundárias e a maior parte de suas experiências nos estádios principais foram no papel de franco-atirador, como um jovem promissor que poderia complicar a vida dos grandes nomes. Desta vez, Alexander Zverev é o grande nome, o jogador a ser batido.

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Em seu melhor momento na carreira, Zverev visualiza uma chance real de fazer seu primeiro resultado expressivo em um Grand Slam. O alemão, que fará sua décima aparição em um dos quatro maiores eventos do calendário, tem como melhor marca as oitavas de final de Wimbledon desta temporada. Será sua terceira participação no US Open, torneio do qual nunca passou da segunda rodada.

Com as desistências de Andy Murray, Novak Djokovic e Stan Wawrinka, além do fato de Roger Federer e Rafael Nadal terem sido sorteados do mesmo lado da chave, Zverev só pode enfrentar um jogador melhor colocado que ele no ranking em uma eventual final. Além disso, o atual sexto colocado só cruzaria com outro top 10 em uma possível semifinal. Com Marin Cilic inativo desde Wimbledon e Jo-Wilfried Tsonga sem grandes resultados em torneios importantes (embora tenha vencido um ATP 500 e mais dois 250), não seria nenhum absurdo vê-lo na decisão sem ter passado por nenhum top 10 durante o caminho.

Amplamente favorito na estreia, Zverev pode ter um duelo de jovens contra Borna Coric ou encarar o canhoto tcheco Jiri Vesely na rodada seguinte. Nas próximas fases, são cotados três jogos contra grandes sacadores: Kevin Anderson na terceira rodada, Gilles Muller nas oitavas, e John Isner ou Sam Querrey nas quartas. Com a incógnita sobre a real condição de Cilic, o aberto quadrante que definirá um dos semifinalistas pode ser vencido pelo veterano David Ferrer ou pelo ascendente francês Lucas Pouille, que foi às quartas no ano passado.

Títulos recentes e ausência de outros favoritos fazem com que Zverev tenha muito mais holofotes do que está habituado

Títulos recentes e ausência de outros favoritos fazem com que Zverev tenha muito mais holofotes que de costume

 

Fora do ambiente de jogo, as salas de entrevistas coletivas vão estar mais cheias, contando com jornalistas que não estão no dia a dia do circuito. E o número de compromissos extra-quadra virá nas megalomaníacas proporções do Slam americano. Saber lidar com esse tipo de situação será primordial e ter o ex-número 1 Juan Carlos Ferrero na equipe vale ouro nesse momento. Por ora, o espanhol tem ficado muito animado com a rotina de treinos do jovem alemão durante os três torneios em que viajaram juntos.

Mas nessa vida fora de quadra, Zverev cometeu um deslize no último sábado. Durante a entrevista coletiva prévia ao torneio, o alemão se irritou com uma pergunta, considerada por ele como repetitiva, sobre um assunto que sequer poderia causar alguma polêmica. (Confira a íntegra da entrevista)

2017-08-27 (1)

Repórter – Ter um irmão no circuito o ajuda? O quanto isso o afetou em sua carreira?
Zverev – Você já assistiu alguma entrevista minha? Estou fazendo uma pergunta. Você já viu? Quantas vezes eu respondi a essa pergunta nos últimos três meses?
Repórter – Muitas?
Zverev – Sim. Mas vou falar de novo (…) [e prosseguiu com a resposta]

Entendo o incômodo de Zverev em ter que responder à mesma pergunta tantas vezes. Entendo também que, o jornalista não iria ‘gastar’ a oportunidade da pergunta caso tivesse (ou tido tempo de ter) feito uma uma pesquisa um pouco mais qualificada para não colocar em discussão um tema que já foi debatido anteriormente.

Mas Zverev precisa entender que o ambiente de um Grand Slam é diferente, ainda mais na posição que ele ocupa agora. Não estarão lá apenas os repórteres habituados a cobrir semanalmente o circuito. Ali estarão profissionais do mundo inteiro, alguns que dominam o assunto, mas não têm a oportunidade de viajar para todos os eventos. Outros, com pautas e interesses jornalísticos diversos ao habitual, dispostos a apresentar a nova estrela ao seu público. Sem falar nos que estão ali apenas para cumprir ordens e nos que parecem ter ‘caído de paraquedas’ numa entrevista coletiva de um Grand Slam.

É preciso ter paciência. O jogador de destaque tem que saber que lidar com esse tipo de situação e a própria ATP oferece treinamento sobre como lidar com a imprensa aos mais jovens. Quantas vezes, Federer, Nadal, Djokovic ou Murray tiveram que responder às mesmas perguntas? Ou ainda quantas vezes foram perguntados sobre temas alheios à rotina do torneio? Falar à imprensa e dar seu ponto de vista sobre diferentes assuntos faz parte do trabalho de um jogador de elite é preciso saber sair dessas perguntas com elegância para não seja criado um desgaste desnecessário logo no primeiro dia do torneio.

Quadrante promissor

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Localizados no segundo quadrante da parte de baixo da chave, encabeçado por Tsonga e Cilic, dois jovens vindos de bons resultados podem protagonizar surpresas na primeira semana antes de um eventual duelo. O canadense Denis Shapovalov e o britânico Kyle Edmund podem se encontrar logo na terceira rodada caso aprontem diante dos cabeças mais próximos.

Por ter subido no ranking após o fechamento da lista de inscritos e sem receber um convite dos organizadores, Shapovalov precisou vencer três jogos no quali para disputar seu segundo Slam na carreira (foi convidado em Wimbledon por ser atual campeão do juvenil). O canhoto de 18 anos e 69º mundo estreia em duelo de jovens contra o russo Daniil Medvedev. Logo depois, o canadense pode cruzar o caminho de Jo-Wilfried Tsonga, cabeça 8 do US Open e eliminado nas estreias de Montréal e Cincinnati.

Edmund fez boas campanhas em Atlanta e Winston Salem

Edmund fez boas campanhas em Atlanta e Winston Salem e foi às oitavas no último US Open.

Já Edmund foi semifinalista dos ATP 250 de Atlanta e Winston Salem durante a preparação para o US Open. O britânico de 22 anos subiu nesta segunda-feira para o 42º lugar, ficando a duas posições de sua melhor marca da carreira. Sua estreia será o cabeça 32 holandês Robin Haase (semifinalista em Montréal, mas superado na estreia em Cincy) e logo depois pode rever o americano Steve Johnson, a quem derrotou há menos de uma semana.

É bom lembrar que Edmund já mostrou do que é capaz no US Open. Há um ano, quando era apenas 84º do mundo, surpreendeu nomes do porte de Richard Gasquet e John Isner, além de também vencido o anfitrião Ernesto Escobedo antes de cair para Novak Djokovic nas oitavas e encerrar sua melhor participação em Grand Slam.


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