Cenário perfeito para Shapovalov
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 14, 2017 às 10:51 pm

Quem acompanha o blog já conhece um pouco da história de Denis Shapovalov. O canadense já foi assunto após o título juvenil de Wimbledon do ano passado, quando ele já possuía conquistas em nível future e uma semi de challenger na carreira. Em março deste ano, foi destacado seu primeiro título de challenger em Drummondville. Já há duas semanas, quando atingiu o 130º lugar  ao vencer o challenger de Gatineau, sua chegada ao top 100 já parecia iminente, o que se confirmou nesta segunda-feira. Com a incrível semana em Montréal, o canadense deu mais uma mostra de seu enorme potencial e agora encara um cenário perfeito para continuar a evoluir.

Shapovalov possuía apenas três vitórias em nível ATP antes da última semana. A campanha até a semifinal do Master 1000 canadense, com quatro vitórias sobre Rogério Dutra Silva (salvando quatro match points), Juan Martin del Potro, Rafael Nadal e Adrian Mannarino, fez do canhoto de 18 anos o mais jovem semi-finalista de um Masters, desde que a série começou em 1990, além de ser o mais jovem semifinalista do torneio canadense na Era Aberta. O simples fato de ter chegado às oitavas, fase em que superou Rafael Nadal, já o fizera ser o mais jovem naquela fase de um torneio desde porte desde o próprio Nadal no ano de 2004 em Miami.

Depois de saltar incríveis 76 posições no ranking, Shapovalov já aparece no 67º lugar, marca que evidentemente é a melhor de sua carreira. Além disso, o canadense não tem pontos a defender até o final do ano e só tem a somar em pelo menos sete torneios. Isso porque são considerados válidos os dezoito melhores resultados obtidos em 52 semanas e o jovem jogador acumulou 721 pontos em apenas onze competições.

Sem pressão por resultados ou defesa de pontos, o canadense poderá pensar seu calendário com calma e inteligência. Convites para chaves principais torneios do mundo não vão faltar nas próximas semanas e o jogador terá tranquilidade para fazer suas escolhas. Uma atitude interessante foi abrir mão de disputar o challenger de Vancouver que acontece nesta semana. O foco agora é o US Open, Grand Slam para o qual ainda não tem vaga direta. É possível que as expressivas vitórias seduzam os organizadores para um convite. Mas caso isso não aconteça, ele teria que disputar o quali já na semana que vem.

Veja quando caem os pontos de Shapovalov:

break down

Corrida para Milão

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A grande campanha no Masters 1000 canadense também deixa Shapovalov em situação bastante favorável para se classificar para o Next Gen Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão. O canhoto de 18 anos saltou do 22º para o quarto lugar, ficando atrás apenas do já classificado e seu último algoz Alexander Zverev, além de Karen Khachanov e Borna Coric. Sua diferença para o americano Jared Donaldson, primeiro fora da zona de classificação, é de 146 pontos. Parece pouca coisa, mas é praticamente uma final de ATP.

Zverev ratifica o domínio

Há uma semana, falamos sobre o quanto Alexander Zverev escancara a cada torneio sua superioridade sobre os demais jogadores de mesma faixa etária. São dez vitórias seguidas e dois títulos de peso em Washington e Montréal. A invencibilidade coincide com a chegada do ex-número 1 do mundo Juan Carlos Ferrero à equipe do alemão.

Zverev se mostra um tenista cada vez mais completo, com notória evolução na movimentação em quadra, a consistência defensiva e o jogo de rede. Aos poucos, o jovem alemão vai vencendo seus jogos correndo cada vez menos riscos, como fez na própria semifinal diante do próprio Shapovalov e nas oitavas contra Nick Kyrgios.

Zverev ainda não perdeu desde a chegada de Juan Carlos Ferrero à equipe (Foto: Peter Staples/ATP World Tour)

Zverev ainda não perdeu desde a chegada de Juan Carlos Ferrero à equipe (Foto: Peter Staples/ATP World Tour)

Com o título do Masters 1000 de Montréal, o alemão de apenas 20 anos já se torna o número 7 do ranking. Além disso, ele é apenas o segundo jogador em atividade de fora do Big Four a ter vencido dois Masters na carreira (juntando-se a Jo-Wilfried Tsonga). Zverev tamebém é também o primeiro jogador com menos de 20 anos a conquistar cinco títulos na mesma temporada desde Novak Djokovic em 2007 e o primeiro com quatro ou mais troféus desde Juan Martin del Potro em 2008. Está bem claro que está muitos degraus acima e será um dos grandes.

Chung é top 50

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Uma realidade que parecia iminente há dois anos finalmente se concretizou nesta segunda-feira. Hyeon Chung é top 50. A campanha até as oitavas de final do Masters 1000 de Montréal fez com que o sul-coreano de 21 anos subisse do 56º para o 49º lugar do ranking.

Chung já chegou a ocupar 51ª posição em outubro de 2015. Depois começar bem a temporada passada, chegando às quartas de um ATP pela primeira vez em Houston, o asiático teve uma lesão abdominal e ficou três meses fora, chegando a sair do top 100 e precisou voltar a jogar challengers.

A retomada veio a partir da temporada de saibro deste ano, com semi em Munique quartas em Barcelona. Nem mesmo uma lesão no tornozelo esquerdo, que o tirou de toda a temporada de grama, acabou com ímpeto do sul-coreano, que merecidamente se estabelece entre os 50 melhores do mundo.

 


Comentários
  1. Pedro Henrique Bueno Matos de Almeida

    Eu acompanhei os últimos challengers do Shapovalov e é evidente que ele está acima dos jogadores que disputam nesse nível, principalmente nas quadras duras.
    Mário, de acordo com os torneios que ele ainda tem pra disputar, qual é o seu palpite de posição do garoto ao termino desse ano?

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Ele não tem um calendário definido, mas deve receber alguns convites nas próximas semanas e entrar direto nos ATPs do fim do ano. Com mais uns duzentos pontos no restante da temporada, o que é uma conta bem razoável (uma semi, duas quartas e mais uma vitória em ATP 250 bastariam) já o colocariam em torno de 45 do mundo. Uma ou outra vitória num torneio nível 500 já o levaria ao top 40.

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      1. Pedro Almeida Matos de Almeida

        Eu pensei em 30, mas a sua previsão está mais realista.
        Obrigado pela resposta e parabéns pela coluna que é realmente muito boa!
        Parece que cada vez mais vc vai ter o que falar dos novos talentos…

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  2. Nilson Reis

    Boa dia Mario, é a primeira vez que participo do blog mas sempre leio e vc está de parabéns pelas opiniões e esclarecimentos. No caso do Shapovalov qual o ponto, na sua opinião, deve ser melhorado no jogo dele? Na minha modesta opinião, o Backhand( bater com mais Spin) e transição para a rede.

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Acho que ele tem muito a evoluir junto à rede e na movimentação na hora de correr para frente. Daria alternativas a mais para o jogo dele. É algo que o Zverev tinha um pouco de dificuldade e conseguiu minimizar bem.

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  3. Rodrigo Keke

    Mário Sérgio, primeiramente parabéns pelo excelente trabalho aqui no blog. Apesar do fluxo de comentários ser bem reduzido em comparação ao principal blog da casa, considero teu trabalho aqui um importantíssimo parceiro do excelente trabalho que o Dalcim proporciona ao tênis brasileiro desde sempre.

    O Shapovalov se mostrou este ano um foguete rumo ao estrelato. Quanta velocidade e precocidade! Fiquei estupefato. E que qualidade! Buracos no jogo a parte, suas armas primárias são de grosso calibre. Saca muito, forte e com boa variação, um forehand bombástico, especialmente na paralela, e backhand com potencial para evoluir muito ainda. Quem sabe daqui alguns anos não se torna o melhor backhand de uma mão do circuito? Outro ponto louvável é a estabilidade mental que já apresenta com tão pouca experiência. Que coragem!!

    Credenciais demonstradas ao mundo, fica a pergunta: em quanto tempo você acha o garoto chega ao Top 10? Ao menos eu acho que se ele conseguir se manter livre de lesões, pode chegar lá antes do Zverev, o que seria assombroso, especialmente porque o alemão já é bem fora da curva.

    Abraço!

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  4. Icaro Assis

    Incrível esse canadense, realmente tem potencial de ir longe. Mário, você tem esperanças de algum dia surgir um brasileiro jogando nesse nível tão jovem? Você tem informações de algum jovem jogador brasileiro com potencial vindo por aí?

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Nessa idade e nesse nível ainda não. A transição do juvenil para o profissional e dos torneios menores para o alto nível dos brasileiros (e sul-americanos em geral) costuma ser mais tardia, principalmente por questões econômicas e de um calendário mais reduzido.

      Mas a geração do Orlandinho, Zormann, do Décamps que é um pouco mais novo e o Wild que está saindo do juvenil pode sim chegar ao top 100 quando estiver com uns 22 ou 23 anos. Monteiro entrou entre os 100 nessa idade e o Sorgi deve chegar talvez no ano que vem.

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      1. Pieter

        Faltou incluir também nessa lista o João Menezes. Considero-o bem promissor, se se mantiver saudável pois já operou o joelho três vezes…

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