Zormann não se deixa acomodar
Por Mario Sérgio Cruz
abril 25, 2016 às 6:47 pm

A boa carreira juvenil de Marcelo Zormann, com títulos de duplas em Wimbledon e nos Jogos Olímpicos da Juventude, ficou para trás. Em sua segunda temporada exclusivamente como tenista profissional, o paulista de 19 anos trabalha a evolução passo a passo, mas não se deixa  acomodar.

No circuito masculino, Zormann já tem dois títulos em quatro finais de future, categoria em que já soma 38 vitórias, e planeja mesclar esses eventos já com alguns challengers. Nesta segunda-feira, ele aparece com o melhor ranking da carreira ao ocupar o ainda modesto 536º lugar, depois de ter avançado uma rodada no São Paulo Challenger de Tênis. O jovem jogador falou ao TenisBrasil sobre seu trabalho de transição ao profissionalismo.

Zormann está em seu segundo ano como profissional.

Zormann está em seu segundo ano como profissional. (Foto: João Pires)

“Esse processo é um pouco mais lento”, disse Zormann. “Alguns jogadores conseguem passar por ele mais rápido, mas o mais comum é passar por isso de maneira mais lenta. O importante é não se deixar acomodar e ficar parado no mesmo ranking ou no mesmo nível”.

O paulista apresentou motivos para que alguns jovens jogadores europeus e americanos consigam resultados expressivos tão cedo, chegando ao top 200 ou até mesmo ao top 100, mas também ressalta. “Eles têm nível para estar onde estão”, disse. “O grande diferencial é a quantidade de torneios que eles jogam. Americanos e europeus têm bastante torneios perto de casa, quase toda semana. Querendo ou não, você joga mais torneios e a chance de ter bons resultados aumenta”.

Zormann treina no Itamirim Clube de Campo, na cidade catarinense de Itajaí, ao lado de outras jovens promessas como Orlando Luz, João Menezes e Rafael Matos. Ele viaja o circuito na companhia de técnicos como Luiz Peniza, Patrício Arnold e o argentino Cristian Kordasz, que já trabalhou para a Federação Canadense e acompanhou o início de carreria da ex-top 5 Eugenie Bouchard. “Um está sempre um puxando o outro nos treinos. O nível fica muito alto e mesmo que alguém deixe cair um pouco, outro consegue fazê-lo voltar. O nível é sempre o melhor possível”.

Sobre sua primeira temporada como profissional em 2015, Zormann lembrou o começo difícil, já que se recuperava de uma pubalgia que o afastou do esporte por quatro meses. Ele avalia que o término de ano foi positivo e espera manter a evolução na atual temporada.

“Eu não comecei aquele ano muito bem, estava voltando de lesão, mas aos poucos fui encaixando meu jogo”, avaliou o paulista que se machucou no fim de 2014 e teve o período de pré-temporada prejudicado. “É uma lesão delicada, mas acabei voltando até mais rápido e sem dor. Isso é muito positivo”.

“A partir do meio do ano passado, entrei num ritmo muito bom e terminei o ano jogando bem”, acrescentou o jogador, que venceu o future de Bol, na Croácia. “Este ano eu demorei um pouco para engrenar, mas acho que voltei a encontrar o mesmo ritmo do ano passado”.

Antes de jogar seu primeiro challenger no ano, o paulista disputou uma série de futures nos Estados Unidos em que precisou furar os qualis. A melhor campanha foi uma corrida de cinco vitórias até às quartas em Casablancas, na Califórnia. “Eu demorei um pouco para voltar ao nível que pretendo jogar, mas na última semana eu consegui encaixar bem. Os três jogos do quali acabaram me ajudando. Ganhei dois jogos muito bons na chave e acabei perdendo de um cara que jogou muito bem. Foi uma gira muito positiva”.

Mesmo que os Grand Slam do circuito juvenil já estejam no passado e a volta a esses placas ainda esteja distante, Zormann mantém o planejamento de jogar na Europa nesta época do ano, aproveitando a grande quantidade de torneios no saibro para somar pontos e ganhar experiência.

“A ideia é ir para a Europa porque começa o verão e os torneios no saibro que é melhor para nós jogarmos. Não vamos deixar nada definitivo, vamos olhar as listas e mesclar entre challenger e future”, disse o paulista que antes de embarcar para o Velho Continente, ainda faz curta viagem para a Argentina, onde jogará por três semanas. Há grande possibilidade de que ele e outros jovens que treinam em Itajaí possam disputar os mesmos torneios.

Em São Paulo – O jovem americano de 19 anos Ernesto Escobedo foi vice-campeão do São Paulo Challenger de Tênis. Algoz de João “Feijão” Souza nas oitavas, ele só parou na decisão diante do chileno Gonzalo Lama. Levantamento da ATP mostra que Escobedo é o sétimo jovem americano a disputar uma final de challenger desde o mês de outubro.

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Brasucas – Durante o torneio em São Paulo, os juvenis Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves receberam convites para a chave principal. Já o gaúcho Orlando Luz, que tinha pontos de quartas a defender, não pôde jogar por motivo de saúde. Orlando passou por recente cirurgia para corrigir desvio de septo e melhorar capacidade respiratória.

Sul-Americano de 16 anos – Começa nesta segunda-feira o Campeonato Sul-Americano de 16 anos, que classifica para a Copa Davis Junior e Fed Cup Junior. Os jogos acontecem no Novo Rio Country Club, no Rio de Janeiro.

O time masculino formado pelo pernambucano João Lucas Reis, o paulista Mateus Alves e o paranaense Thiago Wild, acompanhados pelo capitão Luiz Peniza. Já a equipe feminina conta com a paulista Ana Luiza Cruz, a gaúcha Laura Wayerbacher e a mineira Marina Figueiredo e está sob o comando da capitã Fernanda Ferreira.

Ranking – Após duas vitórias no ATP 250 de Barcelona, o alemão Alexander Zverev entrou no top 50, ao aparecer no 49º lugar. Ao se juntar ao 40º colocado croata Borna Coric, o ranking desta segunda-feira é o primeiro desde 15 de setembro de 2008 com dois atletas com menos de 20 anos aparecendo entre os 50 melhores.


Comentários
  1. Fábio Almeida

    Ótima matéria! Estou sempre acompanhando as matérias, em especial dos nossos jovens. Vejo que estão bem orientados e contam com ótima estrutura em sua academia, isso me deixa confiante para o futuro do nosso tênis. No entanto, A Confederação Brasileira continua muito aquém – como a de todos os outros esportes, por sinal! – e a organização do tênis no Brasil agoniza.

    Será que algum dia farão um bom trabalho? Há poucas cobranças… Vejo apenas Larri e Guga se manifestando. A transparência também é praticamente inexistente…

    Bom, de toda forma, força ao Zormann, Orlandinho, Matos, Menezes, Decamps e Meligeni! Estamos na torcida!

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  2. Pieter

    De fato, estranhei a ausência do Orlando Luz no Challenger de São Paulo, onde ele jogou muito bem ano passado. Fico feliz que o motivo foi uma cirurgia para melhorar a capacidade respiratória dele e, em consequência, o seu rendimento em quadra. O garoto é talentoso e vamos torcer para que realize, em quadra, todo o seu potencial…

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