Kyrgios encontra a regularidade
Por Mario Sérgio Cruz
abril 4, 2016 às 6:55 pm

Esta segunda-feira representa um marco na carreira de um dos principais nomes da nova geração do tênis masculino. Aos 20 anos, Nick Kyrgios entra pela primeira vez no grupo dos 20 melhores do mundo, sendo o mais jovem desta faixa de ranking. A chegada ao melhor momento da carreira vem logo depois de sua melhor campanha em Masters 1000, uma semifinal em Miami

Miami+Open+Day+11+kwiiH8CAJJzl

Kyrgios consegue ser mais regular, manter sequências de bons resultados em torneios diferentes, além de “apagar” mais rápido as chances perdidas em seus jogos. E mesmo quando velho e problemático Kyrgios deu às caras, e aconteceu na vitória contra o russo Andrey Kuznetsov, o descontrole foi breve e não o tirou do jogo. Tudo isso vem à tona quando o ranking atualiza.

Em Miami, Kyrgios foi beneficiado por eliminações precoces de Rafael Nadal, Stan Wawrinka e John Isner. Quando a chave ficou aberta à sua frente, o australiano aproveitou a oportunidade da melhor maneira possível, ao vencer três partidas em que era favorito em sets diretos. Contra Milos Raonic, nas quartas, quebrou logo na abertura da partida e atacou um segundo saque no tiebreak do segundo set. Acabou sendo o suficiente, porque soube fechar a porta.

Voltando a fevereiro, quando conquistou seu primeiro ATP em Marselha, Kyrgios mostrou solidez nas rodadas finais contra outros favoritos. Nas rodadas finais, ele encarou dois top 10, Richard Gasquet e Tomas Berdych, além do campeão de Grand Slam Marin Cilic no jogo decisivo. Em três dias, o australiano sequer teve o serviço quebrado, venceu as partidas em sets diretos e ainda acumulou 49 aces. A série de vitórias também foi a primeira de um jogador com 20 ou menos anos sobre dois top 10 desde 2009, quando Juan Martin Del Potro bateu Rafael Nadal e Roger Federer no US Open.

Só nos três primeiros meses de 2016, o australiano já acumula 14 vitórias em ATP e apenas quatro derrotas. O único torneio em que perdeu na estreia foi em Indian Wells, quando estava voltando de lesão nas costas e um problema de sáude que o tirou da Copa Davis. Ele já tem quatro vitórias a mais que no ano de 2014 (quando entrou no top 100) e apenas dez a menos que em toda a temporada passada. Para efeito de comparação, ele só chegou a 14 triunfos em 2015 durante Roland Garros.

A perspectiva para os próximos meses é bastante animadora, embora o saibro não seja seu melhor piso. Kyrgios está a 1075 pontos do top 10, não tem resultados a defender em abril e tem só 270 a serem descontados em maio, mês que tem mais de 2 mil em disputa. Outra vantagem vai ser entrar como cabeça de chave nos principais torneios e fugir de encontros com favoritos em rodadas iniciais, o que não acontecia no ano passado.

Além de ser o 20º melhor do mundo, o australiano é o 12º melhor da temporada a apenas 10 pontos do 11º Tomas Berdych e 150 pontos distante do oitavo melhor da temporada. Dá para sonhar…

Naomi+Osaka+Miami+Open+Day+5+YPjqrP1JYmSl

Promessa japonesa no top 100 feminino – No ranking feminino, destaque para a entrada de Naomi Osaka no top 100. A japonesa de 18 anos foge aos padrões de outras jogadoras de seu país, tradicionalmente mais baixas e mais magras. Osaka tem 1,80m e se destaca pelo físico. Ela saltou do 104º para o 95º lugar depois de ter chegado à terceira rodada em Miami, aproveitando o convite dos organizadores.

Osaka tem o saque como principal golpe e chegou a derrotar Sara Errani na Flórida. Ela já está no radar de quem acompanha a nova geração desde julho de 2014, quando tinha apenas 16 anos e derrotou Samantha Stosur em Stanford. Na ocasião, a japonesa já atingia velocidades próximas a 190 km/h com seu primeiro serviço.

Outro destaque fica para a russa de 18 anos Daria Kasatkina, que bateu o melhor ranking da carreira ao alcançar o 35º lugar. Em Miami, ela equilibrou as ações com Simona Halep e seu backhand com salto, inspirado em Marat Safin, ainda vai tirar muitas favoritas do sério.


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