Com 6 técnicos em um ano, Raducanu mira o US Open
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2022 às 11:04 pm

A curta carreira de Raducanu tem sido marcada por constantes trocas de treinador (Foto: AELTC)

De volta às quadras de grama de Wimbledon um ano depois de ter feito seu primeiro resultado de destaque no circuito, ao atingir às oitavas, Emma Raducanu não repetiu o bom desempenho da última temporada. Eliminada ainda na segunda rodada pela francesa Caroline Garcia, a britânica afirma que o aspecto mental não foi um fator determinante para a derrota por duplo 6/3 nesta quarta-feira em Londres. A atual número 11 do mundo já projeta a preparação para o US Open, onde tentará defender o surpreendente título conquistado no ano passado.

“Obviamente é difícil perder qualquer partida, mas acho que Caroline fez um grande jogo. Ela é uma grande jogadora. Eu lutei para encontrar um caminho hoje. Mas tudo bem porque, eu realmente não tinha muitas expectativas. Jogar na Quadra Central novamente foi uma experiência muito positiva para mim”, disse Raducanu após a derrota para Garcia na Quadra Central de Wimbledon.

“Já me fizeram essa pergunta [sobre a pressão] em todas as coletivas de imprensa. Mas eu tenho 19 anos e sou uma campeã de Slam. Ninguém vai tirar isso de mim. Não há pressão. Por que haveria alguma pressão? Ainda tenho 19 anos. Isso é uma piada. Eu literalmente ganhei um Slam”, acrescentou a britânica, que tem apenas nove vitórias na temporada e chegou às quartas em apenas um torneio, o WTA 500 de Stuttgart.

“Voltar a Nova York vai ser legal, porque tenho ótimas lembranças de jogar em quadras grandes, com muitas pessoas no estádio, com todos os olhares em você. Para mim, tudo é aprendizado. Estou aproveitando cada momento”, comenta a jovem tenista. “É claro que isso me fará uma jogadora melhor porque esses jogos estão destacando todas as minhas fraquezas. Então, quando você joga em uma quadra grande como essa, tudo é amplificado. Mas é ótimo para mim ter todas essas lições nessa idade, para que quando eu estiver na casa dos 20 anos, esses problemas ou pequenas falhas no meu jogo serão resolvidos”.

Carrossel de treinadores nos últimos meses
Um fator que chamou atenção na curta carreira de Raducanu é o carrossel de treinadores que acompanham a britânica. Na boa campanha do ano passado em Wimbledon, ela estava ao lado de Nigel Sears. Depois, contou com o apoio de Andrew Richardson na caminhada para o título do US Open. Após a conquista, encerrou a parceria e diz que procurava um treinador mais experiente, o nome escolhido foi o alemão Torben Beltz, ex-téncico de Angelique Kerber. O trabalho durou até abril deste ano, no início da temporada de saibro.

Além disso, a britânica teve acompanhamento pontual de outros profissionais da Lawn Tennis Association (LTA). Ainda em outubro do ano passado, em Indian Wells, treinou com Jeremy Bates. Já na atual temporada, com o fim da parceria com Beltz, viajou para Roma e Madri com Iain Bates, chefe do programa de tênis feminno da LTA. E nas últimas seis semanas, treinou com o consultor sênior de alto rendimento da federação, Louis Cayer.

Ano de muitas lesões para a britânica
Em meio a tantas mudanças na equipe, Raducanu sofreu também com muitas lesões e problemas físicos. Ainda na segunda rodada do Australian Open, sentiu dores causadas por bolhas na mão na partida contra a montenegrina Danka Kovinic. Na ocasião, recorreu a muitos slices de forehand e afirmou que pretendia incorporar ao seu estilo de jogo no futuro. No mês seguinte, em Guadalajara, abandonou a partida contra a australiana Daria Saville, que teve 3h30 de duração, por lesão no quadril. Já na temporada de saibro, em Roma, sentiu dores na região lombar e não conseguiu completar sua partida contra a canadense Bianca Andreescu.

‘Minha preparação não foi a melhor’, diz a britânica
A preparação para Wimbledon foi prejudicada por mais uma lesão em uma das costelas sofrida ainda no início da temporada de grama, em Nottingham. Depois disso, só voltou a jogar na primeira rodada do Grand Slam londrino. Ainda assim, ela garante que estava fisicamente bem durante o jogo. “Não senti nada fisicamente. Eu me declarei totalmente apta quando entrei na quadra no primeiro dia. Mas joguei sete horas de tênis em um mês. Eu não joguei tênis por duas semanas, e na última semana eu joguei uma hora por dia. Minha preparação não foi necessariamente a melhor. Para competir nesse nível e ganhar uma rodada já é uma conquista muito boa.

Antes do torneio, Raducanu também havia feito uma comparação com sua situação no ano passado, quando jogou como convidada e era apenas a 338ª do ranking. “Acho que como tenista, eu realmente cresci e me desenvolvi. Tenho habilidades que talvez não tivesse no ano passado. Mas todo mundo me conhece agora. Todo mundo sabe o que eu faço e todas querem me vencer. Eu tomo isso como um elogio e acho que isso vai me ajudar a longo prazo, porque se as jogadores estão melhorando seu nível contra mim, eu tenho que aumentar o meu. Com o tempo, serei um tenista melhor. Ainda tenho 15 ou mais anos de carreira pela frente. Estou apenas no começo”.


Comentários
  1. DIEGO

    Como se perder em menos de um ano. Como eh muito nova ppde ser que um dia ajuste mas precisa de um psicólogo, nao mudar de técnico de novo. Mas uma vez, o cara tira ela do qualy prk título sem perder sets e eh demitido porque nao tem experiência. Ia querer esse técnico do meu lado com ctz. Fora as entrevistas, totalmente fora da realidade

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Quando ela fez a troca do Richardson para o Torben Beltz (e demorou alguns meses até chegar ao nome do alemão) era um movimento arriscado, mas de certa forma até compreensível. De uma hora para outra virou uma jogadora top e precisava ter alguém na equipe com mais experiência no alto nível do circuito.
      Mas com tantas trocas em pouco tempo fica muito difícil pensar em qualquer projeto mais longo, é até incoerente com o que ela fala de metas a longo prazo.

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