Gauff relembra a ‘armadilha’ das comparações com Serena
Por Mario Sérgio Cruz
junho 1, 2022 às 10:30 pm

A norte-americana de 18 anos chega pela primeira vez à semifinal de um Grand Slam (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

Com apenas 18 anos, Coco Gauff alcança sua primeira semifinal de Grand Slam em Roland Garros. Mas apesar de ser uma jogadora muito jovem, a norte-americana convive com pressão e expectativas há bastante tempo. Comparada à Serena Williams desde a infância, Gauff diz que por muito tempo “caía na armadilha” dessas frases de efeito e não conseguia aproveitar cada estágio de seu desenvolvimento. O cenário de hoje é diferente e a atual 23ª do ranking se sente muito mais tranquila quando entra em quadra.

“Desde que entrei no circuito, ou mesmo quando eu tinha 8 anos, as pessoas diziam que eu era a próxima Serena, próxima isso ou a próxima aquilo, e acho que realmente caí na armadilha de acreditar nisso”, disse Gauff. “É importante que você tenha grandes esperanças para si mesmo, mas eu estava num ponto em que, mesmo quando venci a Naomi [Osaka] na Austrália ou chegava às oitavas em Grand Slam, não ficava tão feliz porque sentia que era uma obrigação. Agora estou realmente curtindo o momento, nas vitórias e derrotas”.

“Eu sempre acreditei em mim mesma, mas acho que até o ano passado eu estava muito focada em tentar atender às expectativas das outras pessoas. Então então a mensagem para todos os jovens jogadores é de que seus resultados, ou mesmo na vida em geral, ou seu trabalho ou quanto dinheiro você ganha não definem você como pessoa. Então é importante ter amor próprio e não se importar com o que os outros pensam”, acrescentou a jovem jogadora, que faz terceira participação como profissional em Roland Garros e disputa a chave principal de um Grand Slam pela 11ª vez.

Algoz de Sloane Stephens por 7/5 e 6/2 nas quartas, Gauff precisava superar duas barreiras na última quarta-feira. Ela havia perdido para a própria Stephens no US Open e também havia chegado às quartas em Paris, caindo diante da campeã Barbora Krejcikova.

“Ano passado, a derrota nas quartas de final foi muito dura para mim, mas acho que aquele jogo me deixou mais forte e me preparou para momentos como o de hoje. Disse a mim mesma para ficar mentalmente forte. Sabia que haveria alguns golpes que provavelmente ela faria alguns golpes que nenhuma outra jogadora conseguiria na quadra”.

O próximo compromisso de Gauff será contra a italiana Martina Trevisan, canhota de 28 anos e 59ª do ranking, que a derrotou no único duelo anterior, também disputado em Paris, na temporada de 2020. “Lembro-me claramente dessa partida. Eu fiz um monte de duplas faltas. Não vou repetir isso. E também, devo dizer que ela é uma jogadora complicada de enfrentar no saibro, ainda mais por ser canhota. Eu assisti um pouco da partida dela contra a Leylah [Fernandez]. Acho que vai ser um bom confronto.

“Eu sei o que aconteceu na quadra para eu perder aquela partida, e sei no que preciso trabalhar para a próxima vez. Lembro-me muito bem de cada derrota. Meu avô sempre me disse: ‘Esqueça suas vitórias, lembre-se das derrotas. E eu me lembro de cada uma. Então, quando eu jogo pela segunda vez eu tento não perder, ou pelo menos, tento não perder jogando da mesma forma que perdi da primeira vez”.

Semifinal de duplas ao lado de Pegula
Gauff também está na semifinal de duplas ao lado de Jessica Pegula. As norte-americanas venceram a húngara Anna Bondar e a belga Greet Minnen por 6/4, 4/6 e 6/4. As próximas rivais também são dos Estados Unidos, Madison Keys e Taylor Townsend. Já a a outra semi de duplas terá as francesas Caroline Garcia e Kristina Mladenovic contra a ucraniana Lyudmyla Kichenok e a letã Jelena Ostapenko.

Voltando a 2018 e a relação com Serena
Ainda em 2018, quando foi campeã juvenil de Roland Garros com apenas 14 anos, Gauff já falava sobre as comparações com Serena e sua relação com ela, ainda mais porque ambas treinavam com  Patrick Mouratoglou. “Ela é meu ídolo. Eu sempre digo que quero ser como ela, realizar as coisas que ela fez e ir ainda mais longe. Não quero me limitar a ela porque não sou Serena e ela também não sou eu”, disse em entrevista ao site da ITF há quatro anos.

Na época, ela também falou à CNN sobre os encontros que teve vencedora de 23 títulos de Grand Slam. “Serena me disse para seguir em frente e continuar trabalhando duro. Significa muito para mim saber que alguém tão incrível ainda está encorajando as jogadoras mais jovens a serem tão boas ou até melhores que ela. E espero que um dia eu possa chegar a esse nível”.


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