Nova geração: As perspectivas e lições das derrotas
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 22, 2022 às 4:50 pm

Aliassime chega às oitavas de final do Australian Open pelo segundo ano seguido e busca sua melhor campanha em Melbourne (Foto: Peter Staples/ATP)

A primeira semana de jogos do Australian Open chegou ao fim neste sábado, com a definição dos últimos classificados para as oitavas de final. A nova geração do tênis segue representada por Amanda Anisimova, Iga Swiatek, Jannik Sinner e Felix Auger-Aliassime, que falaram sobre suas perspectivas para a sequência na competição. Já nomes como Emma Raducanu, Carlos Alcaraz e Leylah Fernandez, eliminados ainda na primeira semana de jogos, comentaram sobre as lições de suas derrotas.

Anisimova derrubou Osaka e desafia a número 1

Responsável por eliminar Belinda Bencic e Naomi Osaka em Melbourne, a norte-americana Amanda Anisimova volta a uma segunda semana de Grand Slam pela primeira vez desde 2019, ano em que foi semifinalista de Roland Garros. A jovem jogadora de 20 anos e atual 60ª do ranking desafia na próxima segunda-feira número 1 do mundo Ashleigh Barty. Ela perdeu o único duelo anterior contra a australiana, justamente na semi de Paris há dois anos e meio.

“Ela é uma jogadora incrível. Eu me espelho muito nela. Amo o jogo dela, ela é muito consistente uma campeã. Então vai ser emocionante enfrentá-la. Vai ser outra oportunidade incrível para mim. Vou voltar para a quadra de treinos amanhã e trabalhar no meu jogo e tentar me dar a melhor chance contra a Ash”, disse Anisimova, após a vitória sobre Osaka por 4/6, 6/3 e 7/6 (10-5) na última sexta-feira. A norte-americana chegou a salvar dois match points.

Swiatek mantém regularidade em Grand Slam

Desde que conquistou seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros, no fim de 2020, a polonesa Iga Swiatek mantém uma regularidade em torneios importantes e segue imune às eliminações precoces. Ela foi a única tenista a atingir as oitavas em todos os quatro Grand Slam do ano passado e já repete a dose no início este ano.

A atual número 9 do mundo ainda não perdeu sets no caminho até as oitavas, fase que alcança pela terceira temporada seguida. Após a vitória deste sábado sobre a russa Daria Kasatkina por 6/2 e 6/3, deixou bem claro que é hora de ir além. “Com certeza estar nas quartas de final seria diferente. Nessa fase, você pode ver que as jogadoras já estão no ritmo e você provavelmente enfrenta ou uma cabeça de chave ou alguém que ganhou de uma cabeça de chave. Então, esses jogos são de um nível mais alto, eu diria. Mas com certeza os primeiros também são difíceis porque você tem que ganhar ritmo”.

“Essa série de resultados está me dando muita confiança. Ter essa consistência foi meu objetivo para o ano passado. É claro que em alguns torneios eu quero vou fazer algo maior do que as oitavas. Mas, por outro lado, não quero me concentrar nisso, porque estou muito bem agora em apenas pensar na próxima partida. Então, estou levando tudo passo a passo e está dando certo, então vou continuar fazendo isso”, explica a polonesa, que agora enfrenta a romena Sorana Cirstea.

Sinner contra a torcida australiana e destaca a evolução na Itália

Número 10 do mundo aos 20 anos, o italiano Jannik Sinner chega pela primeira vez às oitavas de final, tendo perdido apenas um set durante a primeira semana do torneio, tendo superado o português João Sousa, o norte-americano Steve Johnson e o japonês Taro Daniel. Ele agora terá a missão de enfrentar o australiano Alex de Minaur, de 22 anos e 42º do ranking, e que certamente contará com o apoio da torcida.

Mas na coletiva deste sábado, Sinner foi perguntado sobre o desenvolvimento do tênis italiano e formação de jovens jogadores no país. “Acho que temos muitos, muitos torneios na Itália. Desde eventos da ITF até os challengers. Então os jogadores mais jovens podem obter alguns convites para jogar. E mesmo se você perder, você fica lá, e treina com os caras que são melhores que você. Então você sobe seu nível imediatamente. Esse com certeza é um dos motivos”.

Aliassime tenta espantar fantasma e encara Cilic

O canadense de 20 anos e número 9 do mundo Felix Auger-Aliassime repete a campanha de oitavas de final na Austrália e tenta apagar o fantasma da eliminação sofrida para Aslan Karatsev no ano passado. Aliassime vem de uma contundente vitória sobre o britânico Daniel Evans, por 6/4, 6/1 e 6/1 e agora desafia Marin Cilic. “Tive uma das minhas melhores performances em um Grand Slam que já tive. Foi um primeiro set apertado, em que tive a sorte de conseguir uma quebra, e por algum motivo, tudo estava funcionando para mim depois disso.

“Estou muito feliz porque as duas primeiras partidas foram muito difíceis para mim, então estou feliz por ter terminado em dois sets”, comenta o canadense, que havia disputado cinco sets contra o finlandês Emil Ruusuvuori na estreia. E na segunda rodada, precisou jogar quatro tiebreaks diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina. Ele agora busca uma vitória inédita contra Cilic após três derrotas. “Será uma grande oportunidade para eu me testar e ver em que nível está o meu jogo”.

Alcaraz se vê mais perto dos melhores

Apesar da derrota na terceira rodada, Carlos Alcaraz saiu de quadra bastante satisfeito com seu nível de atuação na última sexta-feira, quando ele foi superado pelo número 7 do mundo Matteo Berrettini em um duelo de cinco sets. “Eu saio triste pela derrota, mas também fico com a sensação de que no tiebreak fui agressivo, como fiz em toda a partida. Essa é a chave. No fundo, vou embora feliz porque sei que deixei tudo em quadra. Estou saindo com uma boa sensação, com jogos e experiências que vão me fazer bem para o futuro. Depois do jogo de hoje, saio com a sensação de que estou muito perto dos melhores”, disse Alcaraz, que já ocupa o 31º lugar do ranking com apenas 18 anos.

“O Berrettini está no top 10, é o número 7 do mundo e eu estive perto de vencê-lo. Já venci vários jogadores do Top 10. Depois do nível que mostrei, sinto que estou pronto e perto de estar esses jogadores. Tenho me sentido bem em todas as partidas de cinco sets. Fisicamente e mentalmente, me senti bem. Já posso dizer que estou preparado esse tipo de situação: jogos muito longos. Eu sou capaz de me cuidar ao máximo fisicamente e mentalmente. Já estou preparado para todas as situações que vivi”.

Raducanu jogou com dor e aprende novos golpes

Quem também buscou aspectos positivos depois de uma derrota foi Emma Raducanu. A britânica de 19 anos e atual campeã do US Open sofreu com dores causadas por bolhas na mão e foi orientada por sua equipe a nem entrar em quadra para enfrentar a montenegrina Danka Kovinic, mas conseguiu lutar por 2h40. Um dos destaques foi mais frequente dos slices de forehand, que ela pretende incorporar ao seu estilo de jogo no futuro.

“Foi uma experiência de aprendizado muito boa para mim. Descobri elementos sobre mim e sobre o meu jogo que eu não sabia que tinha antes, então sim, eu posso tirar alguns pontos positivos. Eu também fiquei orgulhosa de como continuei lutando mesmo na situação em que estava. Eu realmente não poderia fazer muito, mas continuei lá. Tenho orgulho disso”, explicou a britânica, que precisou reduzir a carga de treinos.

“Eu não estava nem treinando o forehand nos últimos dias. Eu só estava guardando para o jogo. Eu também não estava treinando o saques. Então, a única coisa que eu estava realmente praticando era meu backhand, porque eu ia apenas tentar salvar tudo para o jogo de hoje. Então, o meu treino foi esse jogo. Consegui vencer o segundo set com basicamente um golpe, não posso acreditar”.

Fernandez não passou da primeira rodada

Depois de ter feito uma grande campanha no US Open do ano passado, eliminando três top 10 no caminho para sua primeira final de Grand Slam, Leylah Fernandez não conseguiu repetir o mesmo desempenho na Austrália e acabou se despedindo ainda na primeira rodada, superada pela convidada local Maddison Inglis.

“Não foi um bom dia. Cometi muitos erros. Vou dar crédito a Maddie, ela fez uma grande partida do começo ao fim. Infelizmente, não encontrei soluções para voltar ao jogo e forçar o terceiro set. Acontece. Eu estava me sentindo ótima, fisicamente e mentalmente eu estava muito bem. Estava realmente animada para jogar. Mas como disse, não era o meu dia”, disse a jovem canadense de 19 anos e número 24 do mundo. “Fizemos uma boa pré-temporada. Nós trabalhamos duro e melhoramos meu jogo de tênis. Infelizmente não apareceu hoje, mas acontece. Antes desses torneios, eu estava extremamente feliz com a forma como estava progredindo e como estava treinando. Agora tenho que voltar para a quadra de treinos e me preparar para o próximo torneio”.


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