De surpresa a alvo: Os próximos passos de Raducanu
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 16, 2022 às 6:40 pm

Campeã do US Open vinda do quali, Raducanu volta a disputar um Grand Slam sob muito mais holofotes (Foto: Tennis Australia)

Há menos de seis meses, Emma Raducanu entrava na disputa do US Open como uma jovem jogadora vinda do qualificatório. Então com 18 anos e número 150 do mundo, a britânica seria na melhor das hipóteses uma candidata a dificultar o caminho de jogadoras mais experientes ou de eventualmente derrubar um grande nome do torneio. Mas ela superou todas as expectativas, emendou uma sequência de dez vitórias seguidas e sem perder sets durante três semanas e conquistou um improvável título de Grand Slam. Aquela era apenas sua segunda participação em eventos deste porte, sendo que antes ela havia disputado Wimbledon como convidada e feito uma interessante campanha até as oitavas de final.

Chegamos, então, a janeiro de 2022 e Raducanu está na reta final de preparação para um novo Grand Slam. Ela inicia a disputa do Australian Open sob muito mais holofotes. Afinal, quais serão os próximos passos daquela surpreendente campeã? Descobriremos ao longo da temporada, que está apenas começando. A britânica, agora com 19 anos, é a número 18 do mundo e já entra em quadra muito mais visada pelo público e a mídia e também mais estudada por suas adversárias.

“Doze meses atrás, eu estava no meu quarto estudando para meus exames e assistindo ao torneio de longe no ano passado. Hoje estou aqui na Austrália e me sinto muito grata por ter essa oportunidade de jogar aqui. Na semana passada em Sydney, eu recebi muito apoio. Espero contar com os fãs aqui também. Estou muito ansiosa para encontrá-los”, disse Raducanu na entrevista coletiva do último sábado em Melbourne.

Britânica trocou de técnico e iniciou o ano com dura derrota
Uma das primeiras atitudes de Raducanu pouco depois de ter conquistado o US Open foi encerrar a parceria com o técnico Andrew Richardson, alegando que precisaria de um nome mais experiente em sua equipe para lidar com todas as mudanças de vida que acontecem após um título de Grand Slam. Ela disputou apenas mais três torneios até o final de 2021, caindo na estreia em Indian Wells e Linz e chegando às quartas de final do WTA 250 de Cluj-Napoca. No fim do ano, a busca por um técnico chegou ao fim e ela firmou uma parceria com o alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao número 1 do ranking.

No entanto, a preparação para 2022 foi comprometida por um diagnóstico de Covid-19 em dezembro, atrapalhando sua pré-temporada. E em seu primeiro jogo no ano, ela sofreu uma dura derrota da cazaque Elena Rybakina em Sydney por 6/0 e 6/1 em apenas 55 minutos de disputa. Logo após o jogo, mostrou que não estava satisfeita com seu nível de atuação e foi direto para a quadra de treino.

“Depois da partida, eu peguei uma caixa de bolas e fui direto para a quadra de treino. Eu senti que poderia ter feito algumas coisas melhor hoje e queria tentar consertar isso imediatamente, e apenas sair de lá com um sentimento melhor sobre isso. Então, nós fomos para a quadra”, explicou Raducanu, que perdeu os nove primeiros games da partida, antes de finalmente confirmar um game de saque.

Naquela partida, Raducanu cometeu seis duplas faltas, colocou apenas 65% de primeiros serviços em quadra e venceu apenas dois dos 15 pontos jogados com o segundo saque. “Sinto que minha porcentagem de primeiro saque foi muito baixa e que fiz algumas duplas faltas. Eu estava apenas tentando arrumar isso. E depois então, treinei um pouco a movimentação, apenas para ter uma boa sensação da bola. Eu só queria sair com um bom pressentimento sobre as coisas”.

‘Meu maior desafio é ser paciente’, diz a britânica
Com todas as transformações que ocorrem dentro e fora de quadra para uma campeã de Grand Slam, ainda mais quando se fala de uma jogadora tão jovem, paciência é a palavra-chave. “Eu diria que o maior desafio é ser paciente. Eu sempre quero ser o melhor que puder o tempo todo, como se eu fosse um pouco perfeccionista. Seja nos treinos ou mesmo fora da quadra. Mas às vezes isso não é muito viável. Preciso apenas relaxar. Enquanto a tendência for de alta, com apenas algumas pequenas flutuações, acho que posso me orgulhar. Seja qual for o desafio, me sinto pronta para enfrentá-lo agora”.

“Sinto que por causa dos últimos meses que tive, talvez não tenha jogado ou treinado tanto quanto gostaria. Mas sinto que não há realmente nenhuma pressão sobre mim. Estou feliz por estar aqui. Tive que passar por alguns obstáculos para chegar até aqui, então só quero ir lá, me divertir, e curtir a quadra”, acrescentou a tenista, que faz sua primeira participação no Australian Open como profissional. E quando era juvenil, jogou apenas em 2019 e caiu na estreia. 

Inspiração em Li e estreia contra Stephens
Raducanu, que tem mãe chinesa, falou de suas recordações do título de Na Li, que superou a eslovaca Dominika Cibulkova na final do Australian Open de 2014. Na condição de fã, a britânica estava com apenas 11 anos.

“Lembro-me de assistir àquela partida. Foi uma partida de altos e baixos, muito apertada no terceiro set. Eu lembro de uma hora que ela caiu e bateu a cabeça no chão. Lembro-me muito claramente. Eu cresci assistindo às partidas dela e sinto que me inspirei no jogo e na movimentação dela. Gosto de pensar que temos qualidades semelhantes em termos de ser mentalmente fortes e resilientes.

A adversária de Raducanu na estreia em Melbourne será outra campeã de Grand Slam. Ela enfrenta a norte-americana Sloane Stephens, vencedora do US Open em 2017. Stephens já foi número 3 do mundo, mas atualmente aparece no 67º lugar do ranking aos 28 anos. “Eu vi a Sloane ganhar o US Open e treinei com ela no ano passado, mas nunca jogamos uma contra a outra. É uma grande adversária. Obviamente, você não ganha um Grand Slam sem ser muito capaz. Acho que vai ser um jogo difícil, com certeza. Mas preciso curtir a partida porque tive que trabalhar muito para estar aqui e jogar este Grand Slam”.

One-hit wonder?
Também durante a última semana, foi divulgada um comercial da Nike estrelado por Raducanu. Enquanto ela joga, um painel exibe uma sequência de adjetivos contrastantes para a britânica: De distraída a perfeita, do acaso ao impecável, e de lá para ‘one-hit wonder’, em referência àqueles que dizem que ela nunca vencerá mais nada. A campanha termina com a mensagem ‘Deixem que falem, e jogue’. A britânica foi perguntada sobre o comercial na entrevista e respondeu em poucas palavras: “Acho que o vídeo fala por si só. É assim que me sinto”.


Comentários
  1. Victoria

    A WTA precisa URGENTEMENTE de uma nova estrela, que ganhe vários títulos, que seja simpática, que não tenha medo das câmeras, etc.

    Reply
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