As chances de Fernandez e Raducanu nas semifinais
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 9, 2021 às 8:48 pm

Fernandez pode apostar nas variações de altura, peso e direção de bola para tentar quebrar o ritmo agressivo de Sabalenka (Foto: Darren Carroll/USTA)

Duas representantes da nova geração do tênis feminino disputam nesta quinta-feira as semifinais do US Open. A rodada começa com a canadense Leylah Fernandez, de 19 anos, desafiando a número 2 do mundo Aryna Sabalenka a partir das 20h (de Brasília). Na sequência, será a vez de Emma Raducanu, de 18 anos e vinda do qualificatório, enfrentar a grega Maria Sakkari, 18ª colocada. Apesar do favoritismo das adversárias mais experientes, Fernandez e Raducanu têm motivos para acreditar em suas chances.

Fernandez terá a missão de encarar uma das adversárias mais agressivas e de golpes mais potentes no circuito. Aryna Sabalenka é uma jogadora que prefere ter o total controle das ações dentro de quadra, sempre partindo para a definição dos pontos em poucas trocas de bola. Em seus melhores dias, é uma máquina de winners e não há muito o que fazer contra ela. Já nas atuações abaixo de seu melhor nível, acaba se perdendo com grande número de erros não-forçados e dá muitos pontos de graça.

A canadense até já enfrentou adversárias que tinham muito peso de bola no torneio e se saiu muito bem, tanto contra Naomi Osaka na terceira rodada, como diante de Angelique Kerber nas oitavas. Entre as duas, o estilo de Osaka lembra mais o de Sabalenka. Entre as soluções para a canadense estão as variações de altura e peso de bola, algo que ela faz bem desde que começou a se firmar no circuito da WTA. A ideia é tirar a bola da linha de cintura de Sabalenka e quebrar o ritmo da bielorrussa, levando a rival a cometer um número maior de erros.

Fernandez também passou no teste quando precisou controlar o ritmo do jogo. Foi assim no primeiro set e também em alguns momentos do terceiro contra Elina Svitolina nas quartas de final. A canadense conseguia mexer bastante a rival do fundo de quadra. Svitolina é uma jogadora que costuma se defender até melhor que Sabalenka, que pode se complicar se tiver que bater na bola em posições desconfortáveis. Manter a intensidade é outro ponto chave para tentar vencer a bielorrussa.

Raducanu vai precisar de boas devoluções contra Sakkari

Emma Raducanu precisa conter o saque da grega Maria Sakkari e tem boas estatísticas nas devoluções (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

No caso de Emma Raducanu, vale prestar atenção no saque de Maria Sakkari. A grega fez uma partida impecável nesse quesito contra Karolina Pliskova na última quarta-feira. Sakkari não enfrentou break-points, cedeu apenas oito pontos nos games de saque e só perdeu dois pontos quando colocou o primeiro serviço em quadra.

A boa notícia para a britânica são as estatísticas favoráveis. Raducanu é a jogadora do torneio com maior percentual de pontos vencidos no saque das adversárias, 53%. E quando as rivais dependem do segundo serviço, venceu 61% dos pontos. Com isso, divide com Salenka a liderança entre as tenistas que mais conquistaram quebras de serviço no torneio, 22 para cada uma.

Raducanu tem oito vitórias seguidas no torneio, sendo três do qualificatório e mais cinco da chave principal. Durante o torneio, conseguiu vitórias muito contundentes contra nomes como a espanhola Sara Sorribes, a norte-americana Shelby Rogers e a suíça Belinda Bencic, número 12 do mundo e atual campeã olímpica. A britânica ainda não perdeu nenhum set sequer e tem mostrado um tênis bastante agressivo, capaz de equilibrar as ações do fundo de quadra contra Sakkari, uma jogadora que se destaca pelos golpes potentes e excelente preparo físico.

Atual 150ª do mundo, Raducanu é apenas a terceira jogadora de fora do top 100 a alcançar uma semifinal de US Open. Ela é também a primeira tenista vinda do qualificatório a chegar tão longe em Nova York. Apenas outras três mulheres vindas do quali conseguiram chegar tão longe em torneios do Grand Slam, a primeria foi Christine Dorey no Australian Open de 1978, seguida por Alexandra Stevenson na grama de Wimbledon em 1999 e pela argentina Nadia Podoroska, no saibro de Roland Garros em 2020.


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