Inspirada em Carla Suárez, espanhola conquista o juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
julho 11, 2021 às 10:59 pm

Ane Mintegi Del Olmo, de 17 anos, é a primeira espanhola a vencer o título juvenil de Wimbledon (Foto: ITF)

Pela primeira vez na história uma espanhola conquistou o título do torneio juvenil de Wimbledon. A autora da façanha é Ane Mintegi Del Olmo, jogadora de 17 anos e 27ª no ranking da categoria. Ela venceu na final a alemã Nastasja Schunk por 2/6, 6/4 e 6/1 em 2h03 de partida neste domingo. Formada no saibro, Del Olmo não esconde que a grama não é seu melhor piso, e que ela precisava se adaptar. E sua principal fonte de inspiração é a ex-top 10 Carla Suarez Navarro, que está de volta ao circuito depois de passar por um longo tratamento contra o câncer.

“Todos os espanhóis são minha inspiração, mas especialmente a Carla Suarez. O fato de ela ter superado um período muito difícil e agora estar de volta à quadra é realmente inspirador”, disse Del Olmo, em entrevista a site da ITF. Ela valoriza muito a recuperação e o retorno de Suarez, que está com 33 anos e fazendo uma temporada de despedida do circuito, celebrando também uma enorme vitória pessoal.

Antes da ótima campanha de Del Olmo, a última finalista espanhola no juvenil de Wimbledon havia sido Magui Serna em 1996. Já as únicas jogadoras do país a vencer títulos de Grand Slam na categoria haviam sido em Roland Garros, com Lourdes Dominguez Lino em 1999 e Paula Badosa em 2015. “É muito especial ser a primeira jogadora da Espanha a ganhar o título aqui em Wimbledon. Estou tão orgulhosa e é incrível”.

‘A grama não é minha maior superfície’, reconhece a espanhola
“A grama não é minha melhor superfície, mas adaptei meu jogo. Sou uma jogadora de saibro, mas aos poucos fui conseguindo ganhar mais ritmo nas superfícies rápidas. Na grama, é muito difícil adaptar meu jogo, mas esta semana eu estava competindo em um bom nível e jogando muito mais agressivamente do que o normal”, explica a espanhola, que fez um jogo típico de fundo de quadra na final contra Schunk, disputada neste domingo em Londres.

https://twitter.com/Wimbledon/status/1414253786697289732

O primeiro set da final teve as duas jogadoras fazendo um jogo típico de fundo de quadra, quase sempre usando topspin. Schunk eventualmente conseguia bater mais reto e gerar potência e isso rendeu pontos importantes, especialmente no momento de sacar para fechar, com um game de oito minutos de duração. Após um início de segundo set com altos e baixos, Del Olmo conseguiu duas quebras e conseguiu forçar o terceiro set. Já na parcial decisiva, a espanhola sofreu para confirmar o saque no início, mas depois conseguiu duas novas quebras. Liderando por 5/1, veio o drama e foram necessários cinco match-points para chegar à vitória.

“No primeiro set fiquei um pouco nervosa, mas aos poucos, quando terminei o primeiro set e os nervos se acalmaram, comecei a jogar melhor. Além disso, Nastasja jogou muito bem. Ela foi incrível no primeiro set”, disse a espanhola. “Eu melhorei e joguei muito bem no terceiro. Precisava ter uma boa mentalidade hoje e essa foi a maior coisa que tive em quadra hoje. Eu permaneci focada em cada ponto e não deixei minha concentração cair”.

Del Olmo fez uma campanha expressiva em Londres, eliminando favoritas como a filipina Alexandra Eala e a tcheca Linda Fruhvirtova. A espanhola tem pouca experiência no tênis profissional, ocupando o 715º lugar do ranking e sem ter conquistado títulos. Recentemente, jogou o qualificatório do WTA 1000 de Madri e conseguiu fazer um bom jogo contra a ex-top 10 Kristina Mladenovic na fase final do quali.

Vice-campeã destaca a boa campanha
Schunk, que este ano furou o quali do WTA 500 de Stuttgart e fez um bom jogo contra Belinda Bencic, avaliou sua participação no torneio de forma positiva. “Mesmo que esteja difícil agora, eu sei que mais tarde ou amanhã ficarei muito feliz e orgulhosa de mim mesma. Fiz boas partidas nesta semana. A experiência foi sido ótima e nunca tinha vivido nada assim antes. Tudo aqui é tão legal e essa semana vai me ajudar no futuro”, avaliou a alemã.

“Hoje não foi minha melhor partida. O primeiro set foi muito bom, mas então eu comecei a me sentir um pouco cansada e não estava mais me movendo tão bem. Ane então começou a jogar melhor porque ela não estava mais tão nervosa, mas também porque eu não era tão agressiva quanto antes. Ela então foi muito boa no terceiro set e foi difícil para mim. Mas, como eu disse, estou orgulhosa de mim mesmo”.

Favoritas são campeãs nas duplas

https://twitter.com/WimbledonChnl/status/1414184780594388992

O título de duplas ficou com a bielorrussa Kristina Dmitruk e a russa Diana Shnaider, principais cabeças de chave do evento, que venceram a final contra a belga Sofia Costoulas e a finlandesa Laura Hietaranta por 6/1 e 6/2.


Comentários
  1. Marcelo Seri

    Olá Mario! Tem algo que eu não consigo entender, na diferença de amadurecimento de tenistas brasileiros, quando comparamos com tenistas estrangeiros. Por exemplo, no começo de 2020, o Wild ganhou do Fokina no Rio Open. Pouco depois, foi campeão em Santiago. De lá pra cá, é absurda as diferenças entre os resultados e o ranking dos dois. Na sua opinião, como especialista, e como alguém que conhece e acompanha novos talentos, por que será que isso acontece, e com tanta frequencia?
    Abraço!

    Reply
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