Canadá enfim assiste brilho de Aliassime e Shapovalov em um Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
julho 7, 2021 às 12:56 am

Após eliminar Zverev nas oitavas, Aliassime faz seu melhor resultado em Grand Slam (Foto: AELTC/Florian Eisele)

Acompanhados com bastante atenção desde quando eram muito jovens, os canadenses Denis Shapovalov e Felix Auger-Aliassime enfim colhem os frutos de uma grande campanha em Grand Slam. Ambos estão nas quartas de final em Wimbledon e entram quadra nesta quarta-feira em busca de semifinais inéditas em suas carreiras profissionais. É a primeira vez que o país tem dois jogadores nas quartas de final de um Slam. Eles tentam repetir as recentes finais de Eugenie Bouchard (2014) e Milos Raonic (2016) em Wimbledon e o título de Bianca Andreescu no US Open de 2019.

Mais jovem da dupla canadense, Aliassime vive seu melhor resultado em torneios deste porte aos 20 anos e destaca o apoio recebido de todo o país. “As muitas de mensagens que recebo das pessoas me ajudaram a chegar onde estou hoje. Elas significam muito para mim”, disse Aliassime, depois de garantir seu lugar nas quartas. “Para mim, retribuir isso a eles também é ótimo. É uma sensação muito boa. O país está atrás conosco e a minha cidade [Montréal] está comigo. É muito bom ter tanto apoio. Foi um grande dia para nós canadenses e espero que isso continue”.

O atual 18º do ranking vem de uma expressiva vitória sobre Alexander Zverev, número 6 do mundo, em uma batalha de cinco sets, com parciais de 6/4, 7/6 (8-6), 3/6, 3/6 e 6/4 na última segunda-feira. “Acho que minha celebração depois do jogo foi muito honesta e genuína. É um grande marco para a minha carreira. Você quer jogar bem nos Grand Slam, especialmente aqui sendo meu torneio favorito. E também pela forma como aconteceu, tantos altos e baixos. Estava com quebra atrás nos dois primeiros sets, consegui virar os dois, perdendo os dois sets seguintes, e novamente lutei muito para fechar no quinto. Este jogo realmente teve tudo. E exigiu muito fisicamente e mentalmente. Isso torna a vitória ainda mais doce”.

Fim do fantasma do Australian Open e duelo com Berrettini nas quartas
Aliassime também espantou o fantasma da eliminação nas oitavas de final do Australian Open, em que havia vencido os dois primeiros sets contra o russo Aslan Karatsev e permitiu a virada. “Eu pensei um pouco sobre isso, com certeza. Mas era um jogador diferente e circunstâncias diferentes. Eu me sentia melhor fisicamente hoje do que no Austrália. Naquele dia, eu realmente não consegui me mover muito no final do jogo. Essa foi uma história diferente. Mas é claro que eu não queria deixar isso acontecer comigo duas vezes. Partidas como essa ao longo da minha carreira certamente nem sempre acontecerão do meu jeito, mas estou feliz que eu tenha vencido esta noite.

Ao longo do torneio, Aliassime também já passou pelo brasileiro Thiago Monteiro e pelo sueco Mikael Ymer, além de contar com a desistência do australiano Nick Kyrgios. Seu próximo compromisso será contra um forte candidato a títulos na grama, o italiano Matteo Berrettini, número 9 do mundo e campeão recentemente no ATP 500 de Queen’s. Os dois já se enfrentaram apenas uma vez, na final do ATP 250 de Stuttgart de 2019, também na grama, e o italiano levou a melhor. Fora das quadras, são muito amigos e passam bastante tempo juntos.

“Ele é um dos meus melhores amigos no circuito e uma ótima pessoa. Eu me dou muito bem com ele”, disse Aliassime. “Quero dizer, já que estamos na bolha, às vezes jantamos juntos e assistimos aos jogos juntos. Nossas namoradas são primas. E estou feliz por chamá-lo de bom amigo. Acho que vai ser bom jogar um com o outro. Ambos fizemos um grande torneio até agora”.

“Acho que posso falar por muitos jogadores no circuito que somos capazes de fazer a diferença entre o que acontece dentro e fora dela. Matteo é um bom amigo. Posso conversar e jantar com ele. Mas quando chega o dia da partida, então você se concentra no que tem que fazer. Você tenta jogar o seu melhor tênis e vencer. São duas coisas distintas”, acrescentou o tenista de 20 anos, que pode enfrentar Roger Federer ou Hubert Hurkacz, caso vença mais uma.

Aos 22 anos, Shapovalov destaca maturidade e adaptação à grama

Shapovalov já venceu o bicampeão Murray o top 10 Bautista Agut no caminho para as quartas (Foto: AELTC)

Por sua vez, o número 12 do mundo Denis Shapovalov repete a boa campanha do US Open do ano passado, em que alcançou as quartas, e quer ir além. Aos 22 anos, ele destaca o amadurecimento que teve nas últimas temporadas, especialmente se comparado ao que aconteceu na edição passada de Wimbledon, disputada ainda em 2019, quando o canadense foi eliminado ainda na primeira fase.

“Dois anos é muito tempo, especialmente para jogadores de tênis. Acho que sou uma pessoa diferente e um jogador diferente. Como eu disse antes, eu sabia que seria um longo processo nessa superfície para que eu pudesse realmente desenvolver meu jogo. Obviamente, tive grande sucesso no juvenil, mas o jogo no profissional é completamente diferente”, disse Shapovalov, que venceu o torneio juvenil de Wimbledon em 2016, mas nunca havia passado da segunda rodada entre os profissionais. “Sempre adorei jogar na grama, mas a temporada é tão curta, que você não tem muito tempo para treinar. Então, eu sabia que demoraria alguns anos. Acho que mentalmente, fisicamente, e também no que diz respeito ao tênis, sou uma pessoa diferente do que era há dois anos”.

O adversário de Shapovalov nas quartas será o russo Karen Khachanov, ex-top 10 e atual 29º do ranking. O canadense levou a melhor no único duelo entre eles, válido pela Copa Davis de 2019. “Já faz um tempo que eu não jogo contra ele, e aquela partida era em uma superfície completamente diferente, com quadra dura e altitude. Foi outro jogo e sinto que também somos jogadores diferentes daquela época”, disse o jovem de 22 anos.

“Ele está muito bem no torneio e é um grande jogador, que já provou que é capaz de derrotar os melhores jogadores. Ele é um jogador muito agressivo, que gosta de ditar os pontos com o forehand e tem um ótimo saque. Ele gosta de controlar o jogo. Na verdade, é muito parecido comigo. Somos dois tenistas que batem muito forte na bola e vai ser um jogo bastante agressivo”, explica o canadense, que pode enfrentar Novak Djokovic ou Marton Fucsovics se for semifinalista.

‘Sinto que estou melhorando a cada partida’, diz Shapovalov 

Shapovalov começou o torneio vencendo uma batalha de cinco sets contra o alemão Philipp Kohlschreiber, depois sequer entrou em quadra para enfrentar o espanhol Pablo Andujar, que desistiu por lesão nas costelas. O canadense eliminou o bicampeão e ex-líder do ranking Andy Murray na Quadra Central pela terceira rodada e depois passou pelo número 10 do mundo Roberto Bautista Agut nas oitavas.

“Eu disse a Andy [Murray] na rede que ele é meu herói. Conquistas à parte, é incrível ver o que ele foi capaz de fazer, voltando a jogar depois de uma lesão tão grave. Ele é uma inspiração para muitas pessoas, inclusive para mim“, disse a respeito da vitória contra o britânico por 6/4, 6/2 e 6/2. Já contra o espanhol, outra vitória em três sets, e parciais de 6/1, 6/3 e 7/5. “Joguei um tênis de alto nível. Obviamente, fiquei um pouco nervoso no terceiro set, mas acho que isso é completamente normal e pude lidar muito bem. Fora isso, eu joguei muito, sem cometer erros. Estou super feliz comigo mesmo e com meu jogo. Obviamente, Roberto é um jogador muito difícil de enfrentar. Vencê-lo em sets diretos em um torneio como este só reforça o meu nível desde a partida contra o Andy. Sinto que estou melhorando a cada partida”.


Comentários
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>