Pai romeno, mãe chinesa e aluna exemplar: Conheça a maior surpresa de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2021 às 6:14 pm

A convidada de 18 anos Emma Raducanu, 338ª do ranking, disputa seu primeiro Grand Slam e já está na terceira rodada (Foto: AELTC)

Principal surpresa na primeira semana de Wimbledon, a convidada de 18 anos Emma Raducanu é também a única britânica a alcançar a terceira rodada nas quadras de grama em Londres. Logo em sua primeira participação na chave principal de um Grand Slam, a atual 338ª do ranking já eliminou a russa vinda do quali Vitalia Diatchenko (150ª) e a tcheca Marketa Vondrousova (42ª), ambas em sets diretos. Fora das quadras, Raducanu concilia sua rotina de treinamentos e viagens com um desempenho escolar de altíssimo nível, já que não aceita menos que uma nota A.

“Fiz meus exames finais de nível A em abril. Na verdade, estava fazendo provas há dois meses. Portanto, estar aqui agora em Wimbledon é inacreditável e surreal”, disse Raducanu, depois da vitória sobre Vondrousova na segunda rodada por 6/2 e 6/4. “Estudei Matemática e Economia na Newstead Wood. Essa escola foi muito flexível, eles me deixaram viajar ou treinar sempre que eu precisava. Estou com eles há sete anos e sei que é um pouco triste sair, mas estou pronta para o próximo capítulo”.

“Estou tentando seguir uma carreira no tênis. Mas acho que ficar na escola me ajudou muito em termos de ter outro grupo de amigos. É um modo de vida completamente diferente e também uma espécie de fuga também para mim. Ter outra coisa para fazer junto com o tênis manteve minha mente ocupada”, explica a jovem jogadora de 18 anos. “Quando você apenas treina por uma certa quantidade de horas por dia, ainda tem muito tempo para preencher. E isso também me ajudou com minha carreira na quadra, porque eu posso absorver muitas informações. Acho que em quadra sou mais astuta taticamente do que algumas outras jogadoras”.

Raducanu garante que a cobrança por boas notas sempre veio de si própria, e não da família, e que isso até a ajuda a jogar melhor. “Meus pais devem pensar que sou louca. Eu não aceito nada menos do que uma nota A. Acho que é isso que as pessoas ao meu redor pensam de mim (risos). Eu também sinto que tenho que viver de acordo com essa expectativa. É por isso que também me esforço muito para tentar obter essas notas. Não tenho certeza sobre quais serão os resultados, mas posso dizer que fiz a minha parte e fiz o meu melhor”.

Mas se tivesse que escolher entre o boletim perfeito na escola e mais uma vitória em Wimbledon, a resposta é clara. “Eu escolheria as oitavas de final em Wimbledon. Acho que qualquer pessoa que me conhece diria: ‘O quê?’ Todos pensam que sou absolutamente fanática pelas minhas notas da escola. Eles acham que tenho um ego muito inflado sobre isso. Mas na verdade, eu diria que tenho expectativas muito altas de mim mesma. Isso me ajudou a chegar onde estou em termos de tênis e também em termos de desempenho escolar. Mas eu ainda escolheria as oitavas”.

Pai romeno, mãe chinesa, nascida em Toronto
Raducanu tem pai romeno e mãe chinesa e nasceu no Canadá, mas sua família se mudou para o Reino Unido quando ela tinha dois anos. A tenista ainda mantém um vínculo muito forte com a Romênia e tem a número 3 do mundo Simona Halep como fonte de inspiração. “Meu pai é romeno de Bucareste e a minha avó, Mamiya, ainda mora lá. Eu volto algumas vezes por ano e fico com ela. É muito bom. Eu amo a comida romena, e a comida da minha avó também é especial. Tenho muitos laços com Bucareste”.

https://twitter.com/the_LTA/status/1410678765232001027

“Eu definitivamente admiro a Simona Halep, pela movimentação dela e também a forma como ela luta e compete. Acho que em algumas das situações do jogo, eu estava pensando em competir da mesma forma que algumas jogadoras como a Halep fazem. Ela ganhou Wimbledon e disse a si mesma que não esperava. Isso mostra que se você colocar sua mente e coração nisso, você realmente pode alcançar qualquer coisa. Eu admiro muito a forma como ela luta”.

A relação com a Romênia aparece até mesmo na próxima adversária. Ela enfrenta a experiente Sorana Cirstea, de 31 anos e 45ª do ranking. “Sei que ela fez grandes coisas em sua carreira. Acho que para mim é mais uma partida em que não tenho mais nada a perder. Na verdade, estou aqui apenas me divertindo e tentando ficar no torneio o máximo que puder. Acho que essa é a motivação para mim. A torcida tem me apoiado muito, e eu realmente quero dar orgulho a todos que têm me apoiado por todos esses anos”.

Britânica vai investir o prêmio para qualificar sua equipe
O prêmio para a vaga na terceira rodada de Wimbledon é de 115 mil libras esterlinas, muito maior que os US$ 39 mil que acumulou ao longo da carreira profissional. Ela pretende investir esse dinheiro para qualificar sua equipe técnica. “É realmente incrível. Com certeza vou usar esse dinheiro. Estou no início da minha carreira e entrando em contato com grandes treinadores. O tênis é um esporte caro. Você precisa viajar e competir semana após semana, então definitivamente isso vai me financiar. Sou muito grata pela oportunidade que recebi esta semana. Estou apenas tentando tirar o máximo proveito disso”.

A jovem tenista já é acompanhada de perto pelo experiente técnico britânico Nigel Sears, que já treinou Ana Ivanovic, Daniela Hantuchova, Barbara Schett, e atualmente também trabalha com a número 25 do mundo Anett Kontaveit. “Começamos quando eu tinha 15 anos. Eu treinava com ele por algumas semanas. Nigel é um grande treinador, com muita experiência, e também um cara alegre e engraçado. Acho que nos damos muito bem fora da quadra. Isso também é importante em um relacionamento profissional. Ter alguém como ele ao meu lado, com certeza me dá muita confiança nessas situações, porque sei que ele acredita em mim. Sou muito grata por ele ter se arriscado comigo”.

https://twitter.com/andy_murray/status/1410674869105217538

Quem também já fez questão de manifestar seu apoio foi o ex-número 1 do mundo Andy Murray, por meio das redes sociais. “Estou muito grata por todas as mensagens que tenho recebido. Lamento se não posso responder a todos eles agora. Mas sei que isso definitivamente ajuda. Quando eu tenho algum tempo livre, eu começo a rolar e ler todas aquelas mensagens positivas e isso me dá uma ótima sensação de ter tantas pessoas comigo. Estou muito, muito grata pelo apoio de todos”.


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