Wimbledon é território estranho para três campeãs de Slam
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2021 às 1:04 am
Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos

Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos (Foto: Jimmie48/WTA)

Apesar de serem três campeãs de Grand Slam e integrantes no top 10 do ranking mundial, Sofia Kenin, Bianca Andreescu e Iga Swiatek têm pouca experiência em quadras de grama e tentam se adaptar ao piso em busca de bons resultados em Wimbledon. Fatores como a rápida ascensão no circuito nas últimas temporadas e o cancelamento de todos os torneios no piso previstos para 2020 fizeram com que Andreescu e Swiatek só conseguissem suas primeiras vitórias na grama pelo circuito da WTA na última semana, quando atuaram em Eastbourne. Kenin, de 22 anos, tem um pouco mais de bagagem, mas a estreia no Grand Slam londrino marcou sua volta ao piso depois de duas temporadas.

“É a minha primeira partida na grama nesta temporada, já que eu não joguei nenhum torneio antes. Claro que estava um pouco mais nervosa, mas fui capaz de controlar e estou feliz com isso”, disse Kenin, depois de vencer a chinesa Xinyu Wang por 6/4 e 6/2 nesta segunda-feira. Ela agora espera pela vencedora do duelo norte-americano entre Madison Brengle e Christina McHale.

“No geral, achei que eu saquei bem e senti que meio que me salvou durante a partida de hoje. E, claro, fui bem nas devoluções. Portanto, há algumas pequenas coisas que tenho que melhorar, mas no geral estou muito feliz com a maneira como joguei”, completa a número 6 do mundo. Campeã do Australian Open e vice de Roland Garros no ano passado, a norte-americana disputa seu terceiro Wimbledon e nunca passou da segunda rodada.

Swiatek disputa Wimbledon pela primeira vez

Mais jovem do trio, com 20 anos recém-completados, Iga Swiatek faz sua primeira participação na chave principal de Wimbledon e venceu nesta segunda-feira a taiwensa Su-Wei Hsieh por duplo 6/4. “Eu precisava jogar com muita potência, porque quando a bola vai muito rápida na grama, é difícil de controlar e eu sei que a Su-Wei é bem habilidosa e meu principal objetivo era não deixá-la usar isso. E fico feliz que a minha tática tenha funcionado”, comenta a polonesa, que fez 20 winners e 18 erros na partida.

“Foi emocionante, porque a última partida que eu venci em Wimbledon havia sido na final do juvenil, nessa mesma quadra. Quando eu entrei aqui, tive muitas lembranças”, acrescentou Swiatek, que foi campeã juvenil do Grand Slam britânico em 2018.

Campeã de Roland Garros em 2020 e atual número 9 do ranking, a polonesa rechaça qualquer tipo de favoritismo e diz que uma boa campanha em Wimbledon pode ser muito mais importante pensando no futuro. “Eu simplesmente não penso tanto nisso, porque na grama há algum tipo de ranking à parte, porque você sabe quem está jogando bem na grama e também sabe quem geralmente é ruim na grama. Mesmo eu sendo, a sétima cabeça de chave, não me pressiono tanto, porque sei que não tenho experiência. Eu apenas tento aprender o máximo possível. Só estou ciente de que não treinei por muito tempo na grama, porque joguei a final de duplas em Roland Garros”.

“É uma parte importante da temporada, mas é ainda mais importante aprender, porque acho que o trabalho que fizer aqui vai dar resultado em alguns anos. Eu só preciso de experiência na grama. Na verdade, é legal porque eu posso jogar sem nenhuma expectativa”, avalia a jovem jogadora, que espera pela vencedora entre a tcheca Marie Bouzkova e a russa Vera Zvonareva. “Depois de toda aquela confusão durante a temporada de saibro, durante o Roland Garros, já que eu era a atual campeã, é mais fácil agora e estou gostando. Talvez meu tênis não seja tão bom quanto em outros torneios, mas estou me sentindo ótima e muito feliz por estar aqui.

Andreescu estreia nesta terça e reencontra Cornet
A canadense Bianca Andreescu, de 21 anos e número 7 do mundo, estreia em Wimbledon nesta terça-feira contra a francesa Alizé Cornet, 59ª colocada. As duas se enfrentaram há duas semanas em Berlim e Cornet levou a melhor em dois sets equilibrados. A única participação de Andreescu na chave principal de Wimbledon havia acontecido ainda em 2017, quando ela caiu na estreia. Dois anos atrás, quando já era um dos principais nomes do circuito, uma lesão no ombro a impediu de atuar na temporada de grama. Recuperada meses depois, conquistou o US Open de 2019.

“A semana de Berlim não foi tão boa quanto eu esperava para o meu primeiro torneio na grama, mas preciso de tempo. Não jogo há três anos e não fiz tantas partidas neste ano por causa de outras coisas. Mas tenho treinado muito na grama, tenho ficado muito tempo em quadra e espero que eu possa progredir nas partidas”, disse Andreescu, em entrevista coletiva durante o WTA 500 de Eastbourne na última semana.

“Tenho uma boa imagem mental de como quero jogar na grama, mas sei que não vai acontecer de imediato. Eu preciso de bom tempo de treinos e de mais jogos, e foi por isso também que eu joguei em duplas em Eastbourne. Acho que isso ajuda muito no meu jogo de grama, porque posso trabalhar no meu saque e nos meus voleios, porque eu quero ir muito para a rede”, acrescenta a canadense, que chegou às oitavas no último torneio preparatório, vencendo Christina McHale e perdendo para Anett Kontaveit.

Apesar de ser uma tenista com muito peso de bola, Andreescu sabe que só isso não é o suficiente na grama. “A minha bola alta e pesada nem sempre é tão eficaz só porque a bola realmente não quica. É literalmente perfeito para a adversária atacar. Às vezes, gosto de dar slice, mas a bola literalmente desliza de forma superaleatória. Quero continuar trabalhando, avançando, usando meu saque a meu favor e mexendo muito com os pés, já que as bolas estão chegando rápido”.


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