Pressão excessiva fez Samsonova deixar de jogar pela Itália
Por Mario Sérgio Cruz
junho 21, 2021 às 8:01 pm

Campeã de Berlim, Samsonova teve toda sua formação como tenista na Itália e chegou a defender o país no circuito juvenil

Principal surpresa do circuito na última semana, a russa Liudmila Samsonova teve uma campanha espetacular no WTA 500 de Berlim e venceu sete jogos seguidos para conquistar o título nas quadras de grama da capital alemã. Depois de assombrar favoritas como Madison Keys, Victoria Azarenka e Belinda Bencic, a jovem jogadora de 22 anos deu um salto no ranking e foi do 106º para o 63º lugar, marca que é a melhor de sua carreira. Outro prêmio por sua conquista foi um merecido convite para a chave principal de Wimbledon.

Nascida na cidade de Olenegorsk, na Rússia, Samsonova teve toda sua formação como tenista na Itália, e chegou a defender as cores do país nos tempos de juvenil, mas conta que preferiu voltar a jogar pela Rússia para ter menos pressão e um ambiente mais tranquilo de trabalho. “Eu cresci na Itália desde que tinha um ano de idade. Meus pais são russos, mas joguei pela Itália dos 16 aos 18 anos”, disse Samsonova, em entrevista ao site da WTA.

“Eu tinha muita atenção e não estava pronta para isso. Quando comecei a jogar pela Rússia, a pressão que eu sentia foi embora. Foi uma coisa natural. Não sei como explicar. Era como se ninguém se importasse comigo, porque eu era a última do ranking”, comentou a russa, que debutou no top 100 nesta segunda-feira, mas já disputará o sexto Grand Slam da carreira. No entanto, só tem uma vitória, no Australian Open deste ano.

+ Título de Samsonova rende convite para Wimbledon
+ Samsonova completa semana dos sonhos com título

+ Surpresa russa assombra favoritas no WTA de Berlim

Durante os tempos de juvenil, Samsonova venceu três títulos de ITF e ocupou o 65º lugar do ranking da categoria. Ela até chegou a disputar alguns torneios no Brasil em 2015, como o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre. “Não joguei muito bem no juvenil. Eu poderia fazer mais, disso tenho certeza. Eu poderia jogar melhor. Tive alguns momentos na minha vida durante esse período que foram difíceis para mim. Eu era muito jovem e não tinha a maturidade que tenho agora. Tudo estava um pouco confuso”.

Com estilo de jogo agressivo e muito peso de bola, a russa derrotou outras jogadoras de golpes muito potentes na semana passada, como Ana Konjuh e Madison Keys. Mas ela conta que os treinadores que a acompanhavam na Itália tentavam mudar suas características. “Eles tentaram me mudar e tentaram fazer algo diferente. Mas desde dezembro, quando mudei de time, eu realmente entendo o que tenho que fazer em quadra. Eles estão me orientando para jogar de forma mais agressiva e chegar à rede. E eu disse: ‘Ah, gosto disso. É assim que eu sou'”.

Antes de sua excelente semana em Berlim, Samsonova sequer tinha vitórias na grama em chaves principais de WTA, tendo caído na estreia de Nottingham em 2019 e disputados os qualis de Birmingham e Wimbledon. “Há alguns anos, quando estava jogando na grama e não tinha esse saque e também não tinha essa força para jogar como eu queria. Então, acho que o trabalho valeu a pena. Comecei a saber quem eu sou, que tipo de jogadora sou. Porque no passado eu não sabia o que fazer”.

“Às vezes eu venço jogando de uma forma, às vezes eu ganho de outra. Então, com certeza, precisei de muito trabalho mental. Esta é a coisa mais importante”, explicou a russa, que também definiu em poucas palavras sobre que tipo de tenista ela se considera: “Eu sou uma jogadora muito agressiva”.


Comentários
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>