Tênis feminino francês se renova com três jovens promessas
Por Mario Sérgio Cruz
maio 26, 2021 às 8:07 pm
Clara Burel chegou à terceira rodada de Roland Garros ano passado e busca mais uma boa campanha (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Clara Burel chegou à terceira rodada de Roland Garros ano passado e busca mais uma boa campanha (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

País de grande tradição no tênis e palco do segundo Grand Slam da temporada, em Roland Garros, a França vive um momento de renovação, especialmente no circuito feminino. As últimas três temporadas terminaram com uma jogadora francesa no topo do ranking mundial juvenil. Essa sequência começou com Clara Burel em 2018, e seguiu em 2019 com Diane Parry, até chegar a Elsa Jacquemot no fim de 2020. Essas três jovens jogadoras já estão em processo de transição para o circuito profissional e tentam recolocar a bandeira tricolor no topo do ranking. Todas elas receberam convites para a chave principal do Grand Slam francês, que começa no domingo.

Até hoje, a única francesa a ser número 1 do mundo foi Amelie Mauresmo, que liderou o ranking por 39 semanas (somando dois períodos distintos) entre 2004 e 2006. Mauresmo também foi uma das últimas jogadoras do país a vencer títulos de Grand Slam, na Austrália e em Wimbledon em 2006. Já a campeã mais recente foi Marion Bartoli, que venceu Wimbledon em 2013 e encerrou a carreira meses depois. No ranking, abaixo de Mauresmo, as melhores francesas na Era Aberta foram Mary Pierce e Nathalie Tauziat, que alcançaram o terceiro lugar entre 1995 e 2000. Mais recentemente, Caroline Garcia atingiu a quarta posição em 2018, igualando a marca de Dianne Balestrat, obtida em 1975.

Burel já chegou à terceira rodada de Roland Garros ano passado
Burel completou 20 anos em março e é a jogadora em melhor estágio de evolução dessa nova geração francesa. Ela saltou do 871º para o 235º lugar do ranking ao longo da temporada passada, mas já aparece na 146ª posição. Convidada para Roland Garros no ano passado,  aproveitou a chance e atingiu a terceira rodada. Já em 2021, chegou às quartas de final no WTA de Lyon, ganhou um ITF W60 em Saint-Gaudens e jogou outras duas finais de ITF.

“Sim, nós formamos uma nova geração de jogadoras jovens e acho que nos sentimos melhores ajudando umas as outras e sempre treinamos juntas. Também tive a chance fazer parte do time da Fed Cup, dois ou três anos atrás, e aprendi muito, assim como estou aprendendo nesta semana”, disse Burel a TenisBrasil durante o WTA de Estrasburgo nesta semana. Ela chegou a vencer a partida de estreia, mas caiu nas oitavas “Fiz um bom torneio no ano passado em Roland Garros, então estou muito animada para voltar. Espero que ainda mais forte. Acho que estou com muita confiança e que evoluí muito desde o ano passado”.

Perguntada pelo site de Roland Garros se ela preferiria ter primeiras rodadas mais acessíveis nas quadras externas ou enfrentar uma grande estrela na Philippe Chatrier, ela não tem opinião formada, mas reconheceu que sonha enfrentar Serena Williams um dia. “Eu não me importo tanto com isso, realmente não sei, mas adoraria enfrentar a Serena. Seria incrível jogar contra ela”.

Parry venceu 1º jogo de Slam aos 16 anos

Diane Parry venceu seu primeiro jogo de Grand Slam há duas temporadas (Foto: Michael Klug/Internationaux de Strasbourg)

Apesar da pouca idade, Diane Parry fará sua terceira aparição em Roland Garros (Foto: Michael Klug/Internationaux de Strasbourg)

Diane Parry está com 18 anos e ocupa o 307º lugar na WTA. E apesar da pouca idade, já fará sua terceira participação na chave principal de Roland Garros, tendo vencido sua primeira partida de Grand Slam em 2019, quando tinha apenas 16 anos. A francesa também chama atenção pelo backhand de uma mão, raridade no circuito feminino. Nesta semana, ela também jogou em Estrasburgo e furou o quali, e também falou a TenisBrasil sobre a renovação do tênis em seu país e suas expectativas para Roland Garros.

“Eu não coloco expectativas sobre mim, eu apenas vou aos torneios e para a quadra e dou o meu melhor. No fim dos jogos, saio sem arrependimentos. Eu espero que eu consiga fazer uma boa partida na minha estreia e jogar o meu melhor tênis”, explicou Parry, que completará 19 anos em setembro. “Acho que é uma boa geração, Clara é um ano mais velha do que eu e Elsa é um ano mais nova. Acho que tivemos grandes feitos no juvenil, mas agora no profissional é um pouco diferente. Temos que continuar aprimorando o nosso jogo e também a parte física e tudo mais para conseguirmos bons resultados no futuro, pelo circuito profissional”.

Atual campeã juvenil, Jacquemot ganhou convite para a chave

Elsa Jacquemot é atual campeã juvenil de Roland Garros e ganhou convite para a chave principal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Elsa Jacquemot é atual campeã juvenil de Roland Garros e ganhou convite para a chave principal (Foto: Michel Grasso/Internationaux de Strasbourg)

Elsa Jacquemot é a menos experiente no alto nível do circuito. Com 18 anos recém-completados neste mês de maio, a francesa é a atual campeã juvenil de Roland Garros e fará sua segunda aparição na chave principal em Paris, em busca de uma inédita vitória em Grand Slam. Apesar de ainda ter idade para jogar torneios juvenis e até liderar o ranking da categoria atualmente, ela está totalmente focada no circuito profissional e ocupa o 493º lugar do ranking da WTA.

O título em Roland Garros no ano passado fez dela a primeira francesa a ganhar um Grand Slam como juvenil desde 2009. “São muitas emoções e estresse em quadra quando se joga uma final de Grand Slam como juvenil e tudo isso acontece muito rápido. Houve momentos em que eu precisava respirar e descobrir como ser mais agressiva, mas no final tudo correu bem e foi incrível. Ganhar o título e ser a primeira francesa a ser campeã desde 2009 me deixa muito feliz”, disse em recente entrevista ao site da Federação Internacional de Tênis. “Esta vitória é um bônus para o futuro e espero que vencer aqui me ajude. Por enquanto, vou saborear essa conquista, mas sei que ainda há um longo caminho a percorrer na minha carreira”.

Garcia destaca boa fase das francesas, mas sabe que o caminho é longo

Experiente, a ex-número 4 do mundo Caroline Garcia sabe que o caminho para o topo é longo

Experiente, a ex-número 4 do mundo Caroline Garcia sabe que o caminho para o topo é longo (Foto: Michael Klug/Internationaux de Strasbourg)

Nos últimos anos, a francesa que mais se destacou em simples foi Caroline Garcia. Ela também foi uma grande promessa nos tempos de juvenil, chegando a ocupar o quinto lugar de sua categoria em 2011. Entre as profissionais, alcançou o quarto lugar no ranking da WTA e conquistou sete títulos no circuito. Atualmente com 27 anos e na 57ª posição, ela avaliou o momento da nova geração de seu país, mas ressalta que sucesso no circuito juvenil nem sempre é sinônimo de realizações como profissional. Por isso, espera que as compatriotas sigam com o trabalho intenso nessa fase de transição.

“Acho que elas estão jogando muito bem no juvenil. Nos últimos três anos foram três meninas francesas ganhando títulos de Grand Slam e chegando ao números 1 do ranking. É importante terminar a carreira juvenil como número 1, mas elas têm que colocar em mente que muitos juvenis de destaque não conseguiram se firmar, então elas têm que construir seu caminho para o topo. Mas acho que elas têm qualidade para isso”, disse Garcia a TenisBrasil, durante o WTA de Estrasburgo.

“Eu não as conheço tanto e não posso avaliar muito bem, porque temos uma grande diferença de idade, e então não consegui vê-las treinando e crescendo, diferente do que aconteceu com as meninas da minha idade, que eu conheço há mais tempo”, ponderou a experiente francesa, que também foi importante para a conquista de seu país na Fed Cup (atual Copa Billie Jean King) em 2019. “Mas a Clara Burel está começando muito bem no circuito profissional, com bons resultados até agora. Ela foi muito bem em Roland Garros ano passado. Sei que ela é uma jogadora agressiva, e uma lutadora em quadra, com um ótimo saque e ótimo forehand também. Vendo de fora, parece que ela tem muito espírito de luta e acho que isso é o mais importante para chegar ao topo e desejo o melhor para ela”.


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